Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

domingo, setembro 25, 2011

Uma nova historia de Portugal





D. Pedro V escreveu no século XIX que Portugal era "uma sociedade profundamente desmoralizada pelas memórias da grandeza do seu passado e pela visão da sua perda".

Já no século XX o escritor Teixeira de Pascoaes escrevia em 1920 que "As descobertas foram o despertar...desde aí, temos estado a dormir".

Também outro autor português, Almeida Faria escreveu em 1980 que o povo português "estava desempregado desde Vasco da Gama".

Portugal vive hoje tempos muito difíceis, não só em termos económicos ou de finanças públicas mas também em termos de identidade nacional - uma identidade que se encontra perdida. O país vive sem rumo de longo prazo e sem uma visão claramente definida do que pretende ser ou como pretende ser visto no futuro. Acima de tudo vivemos um período de profunda crise da identidade nacional em que toda a preponderancia das politicas publicas estão focalizadas no curto prazo e na resolução dos problemas financeiros do Estado.

Nós portugueses sempre fomos astutos e destemidos, temerários e corajosos. Como escreveu o historiador António José Saraiva, "a superfície é suave, o núcleo é rijo". Ficou provada a nossa astúcia desde 1494 quando assinámos o Tratado de Tordesilhas com os espanhóis. Conta-se que naquela data os portugueses ficaram a ganhar e enganaram ardilosamente os espanhóis. A nossa fama de guerreiros destemidos (éramos apenas 1 milhão quando conquistámos as costas de África, da América e as Índias) tinha eco em todo o planeta. Segundo cronistas da época, Portugal era visto como o "Leão dos Mares" e o "César do Oriente". Dizia-se que " Portugal "enchia a Europa de admiração e a Ásia de um terrível medo".

Mas fomos perdendo a força e a determinação. As riquezas conquistadas e tomadas a oriente amoleceram-nos, viciaram-nos e trouxeram à superfície o lado menos bom deste povo: temido, corajoso, mas fútil e desorganizado. Já no século XVI se escrevia e afirmava que os portugueses eram dados à indisciplina sem uma forte chefia. Valeu-nos sempre nesses tempos a coragem, a fibra e os sucessos militares que nos mereceram dos opositores respeito e louvor.

Olhando para as frases escritas dos autores acima mencionados facilmente chegamos ao Portugal dos dias de hoje. Falta-nos a motivação, o empenho, a determinação, a ousadia e a vontade de palmilharmos firmemente o nosso caminho. A riqueza que outrora nos amoleceu, fugiu-nos agora e pouco nos resta que não seja a vontade de querer vencer - se a tivermos. Nestes tempos modernos, o país vive das mesmas crises e defeitos que sempre lhe foram reconhecidos. É uma característica, um problema civilizacional, de cultura, de comportamento, de modo de ser.

Vejamos aliás como abordamos um dos principais instrumentos da democracia moderna - o voto. Em muitos actos eleitorais, o voto vencedor é a abstenção, dito por outras palavras, mais de metade do país abstém-se e não vota não exercendo assim um direito mas em simultâneo um dever cívico. É a completa demissão da participação cívica e da assumpção da responsabilidade de ser cidadão. Por isso é indiscutível que algo vai ter que mudar.

Já na época dos descobrimentos o Estado, por exemplo, tinha a fama de ser gastador e de pagar tarde e a más horas - vejam bem.

Há porém o tal núcleo rijo dentro de nós. E é necessário que se saiba que se as circunstâncias assim o exigirem, é muito provável que surja aí esse lado interior e obscuro, de dureza e de espírito guerreiro, quem sabe. Nós, continuamos a ser desorganizados e indisciplinados, a necessitar de ordens, de coordenação e de uma firme chefia. Aqui terá residido talvez um dos principais problemas do país nas últimas 3 décadas.

Temos que nos saber governar não deixando que sejam os outros a fazê-lo. Para isso torna-se indispensável fazê-lo com exigência e rigor.

Há um sentimento e tendência para a "não inscrição" como afirma o filósofo português José Gil, que permanece de forma arreigada entre nós. Esse sentimento e atitude que é imperioso combater. E o povo tem que se inscrever porque é do futuro do povo que se trata. Necessário se torna por isso escrever uma nova história nacional, com novos valores e atitudes e com novos interpretes - nós portugueses desta época. Fazer surgir uma nova sociedade de cidadãos activos e participantes que honrem as cores já um pouco esmorecidas da bandeira.

Por isso importa motivar esta nossa civilização e disciplinar este país e tal pode apenas acontecer se forem os cidadãos a tomar as rédeas dessa construção. Nós queremos fazer parte dessa nova epopeia. Por isso aqui fica um desafio, o nosso desafio de, através do FRES, darmos o nosso contributo. Começámos há alguns (poucos) anos. Continuaremos, sempre. Para já vamos contribuir com ideias e novas propostas para alterar um quadro que em Portugal reputamos de negativo ou, pelo menos, desadequado à realidade nacional neste século XXI - a actual lei Eleitoral.

A nossa epopeia é a epopeia do país.

quarta-feira, agosto 31, 2011

Aspectos de um país ainda solidário



No momento em que tanto se fala, se sente e debate a crise económica e social vivenciada pelo país e das dificuldades de cada dia, vem esta reflexão a propósito da proximidade da abertura do novo ano escolar e da acção de várias autarquias neste contexto.


Como exemplo do que de melhor se faz no país ao nível do apoio social desinteressado reflectindo um verdadeiro sentido cívico e de solidariedade quero destacar a iniciativa da Câmara do Seixal que implementou um sistema de troca de livros escolares - o Projecto Dar em Troca - que funciona de forma muito simples. Os pais ou encarregados de educação oferecem a um serviço bibliotecário da Câmara os livros escolares já usados dos seus educandos trocando-os por outros que lá foram depositados por outros pais e encarregados de educação usufruindo assim todas as famílias da oportunidade de obterem, através de um simples sistema de troca, de outros livros escolares para uso dos seus filhos ou educandos, nada pagando por eles.


Este ano foram já recebidos 19 mil livros e entregues 12 mil.


Este serviço gratuito e eficaz foi desenvolvido pela Autarquia permitindo assim, pelos dados obtidos, poupar às famílias do Concelho mais de 255 mil euros no ano de 2010.
Claro está que projectos destes são cada vez mais indispensáveis num tempo em que se reduziu muito significativamente o nº de famílias que usufruíam do Apoio Social Escolar.


É igualmente de salientar publicamente, o que algumas das televisões já fizeram, as iniciativas levadas a cabo há alguns anos e por diversas Autarquias, as quais dedicam uma verba do seu orçamento, à qual juntam iniciativas como as doações das famílias, para oferecer às famílias mais carenciadas, os livros escolares de que estas necessitam. Estima-se que cerca de 25% das autarquias do país já tenham em prática este sistema de oferta de livros escolares usados às famílias mais carenciadas.


Estes são apenas exemplos do que de melhor tem o país. Mas mais uma vez, pouco se divulgam estas iniciativas que poderiam servir de exemplo e de motivação a outras entidades tendo em vista a prática de uma verdadeira economia social e de solidariedade.

sábado, agosto 27, 2011

CTT - Privatizar ou não?!

Deixei por esquecimento dois objectos de uso corrente pouco volumosos e pouco pesados numa casa de férias. Os dois objectos custam 11 ou 12€. Foram-me reenviados por encomenda postal, via CTT, com um custo de 4,75€, a que acresceu um pacote almofadado por, creio, 0,80€. Ou seja, o transporte e a embalagem de dois objectos custaram o preço de um deles.

Fui levantar a encomenda à minha estação de correios que fica a mais de 250m de minha casa! Tinha uma estação a 50 metros que foi há meses encerrada. A estação a que actualmente pertenço tem invariavelmente filas e uma significativa demora. Ao ponto de ter passado a enviar as encomendas que recebo por via postal para a morada de um familiar próximo que está quase sempre em casa.

As estações de correio hoje, além de produtos postais próprios e alheios, também vendem livros, telemóveis e outros objectos, e até lotaria. Não diria que são bricabraques ou lojas chinesas mas já estiveram mais longe disso. Pior, o pessoal que lá trabalha chega-nos a oferecer produtos que não pedimos! Já me ofereceram lotaria!? O atendimento deixou de ser pessoal. Passou a ser o produto de uma linha de montagem de pseudo-comportamentos estandardizados tidos por adequados. Ser atendido por um ou ser atendido por outro é literalmente igual.

Por último, o serviço de entrega é cada vez pior. O carteiro de anos acabou. Hoje não há sequer carteiros, há sim trabalhadores dos CTT ou subcontratados que mudam com enorme frequência e distribuem correspondência a um ritmo vertiginoso. A letra dos avisos é cada vez pior. A correspondência entregue nos endereços indevidos idem. Profissionalmente, a experiência que tenho também não é boa. Mas fiquemo-nos pela pessoal.

Tudo isto para dizer que, com este cenário, e como cidadão e utente, é-me indiferente que os CTT sejam ou não privatizados. Simplesmente porque já não reconheço os CTT como um serviço do Estado. É, sim, um serviço público prestado por uma empresa, igual às outras, mas que por acaso é propriedade do Estado.

Os CTT, tal como outras empresas públicas e infelizmente até já muitos organismos do Estado, não são hoje verdadeiramente serviços públicos. São serviços prestados ao público pelo Estado, o que é coisa diferente. O Estado elegeu o modelo de gestão empresarial, puro e duro, visando o lucro, como sendo bom também para si. Nas suas práticas, passou apenas a tentar copiar as empresas, não percebendo que são coisas diferentes. Esse comportamento encerra, em si mesmo, o gérmen do seu próprio fim.

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quarta-feira, agosto 03, 2011

O caminho da economia nacional



O Ministro da Economia defendeu ontem que Portugal deverá estar a exportar cerca de 50% do PIB no prazo de cinco anos, chegando aos 70% ou 80% daqui a vinte anos.

Naturalmente que é perigoso efectuar estimativas para daqui a vinte anos, tendo em consideração o estado actual das finanças publicas e da economia portuguesa, da Europa e do Mundo. De qualquer forma não deixa de ser relevante assinalar esta preocupação e este objectivo estratégico.

Como muitas vezes temos afirmado, o caminho a seguir (fazendo-se caminhando) deve tomar o rumo do crescimento das exportações. Este rumo tem que ser combinado com um outro de igual relevância e que igualmente por aqui temos intensamente debatido e defendido no FRES: a redução do nível de importações. O FRES tem defendido esta ideia quer nos fóruns internos quer através do documento que elaborámos recentemente e que tornámos público, segundo o qual é cada vez mais relevante reduzir a dependência externa relativamente aos produtos importados exigindo-se assim um comportamento favorável à compra de produto nacional.

Não deixa por isso de ser interessante saber que também o Ministro da Economia partilha desta ideia e está em sintonia connosco ao afirmar que “ uma das grandes apostas do seu ministério é trabalhar para diminuir as importações”. Bem-haja então por essas ideias.

O problema agora é desenvolver e implementar as políticas conducentes a tal desiderato. Nós daremos o nosso apoio.

quarta-feira, julho 13, 2011

A minha história!

Imaginemos que eu devo a um de vocês 160.000€.
Imaginemos que eu pedi emprestado a outros, e vocês sabem, um montante que ninguém sabe muito bem quanto é mas que se estima poderem ser mais 60.000€, cuja factura vai aparecendo todos os anos e que somam àqueles 160.000€;
Imaginemos que, por via disto, eu peço 80.000€, a receber em tranches até 2014.
Imaginemos que eu ando há 30 anos a gastar mais do que recebo e que só no ano passado gastei mais 10% do que recebi.
Imaginemos que instado a contrair a despesa e já depois de termos acordado no empréstimo de 80.000€ e eu ter-me comprometido, em 2011, em não gastar mais do que 6% do que recebo, acabei por gastar mais 2000€ nos primeiros três meses.
Imaginemos ainda que eu vou ter um corte de 1/2/3% nos meus rendimentos anuais.
Imaginemos ainda que quando se esgotarem os 80.000€, eu vou ter logo de pagar 15.000€.
Somem a tudo isto juros de 5/10/15 vezes superiores ao meu acréscimo de rendimentos.
Imaginemos ainda que as minhas dívidas foram criadas pela minha mulher gastadora e que me divorciei dela.
Imaginemos ainda que a minha nova mulher sabendo que gastei mais 2000€ nos três primeiros meses consegue arranjar 800€ para vos calar a boca, mas nada diz sobre os outros 1200€.
Imaginemos que tenho áreas onde tenho dívidas de 2.000€, 3.000€, 5.000€, mas a primeira preocupação da minha nova mulher que vai pôr a casa em ordem é cortar em despesas de 18€.
Vocês achavam que eu conseguiria pagar?

sexta-feira, julho 08, 2011

O rating e a geopolítica – duas faces da mesma moeda



Muito tem sido dito relativamente ao tema da descida do rating da Republica portuguesa pela Agência Moddy´s, a qual afecta o seu custo (actual e futuro) podendo mesmo por em causa o seu cumprimento no futuro. E quase tudo o que é importante foi já dito por analistas económicos, políticos, banqueiros ou líderes de opinião. Quero fazer aqui uma declaração: não acredito em teorias da conspiração. Importa dizê-lo para minimizar, pelo menos, as acusações que alguns me poderão fazer sobre o que digo a seguir. E o que aqui partilho com os leitores são considerações e reflexões de natureza política e geoestratégica.


Em primeiro lugar quero sublinhar que, do que ouvi e li, há algumas opiniões que me parecem mais certeiras nas suas conclusões ou avaliações sobre este processo. O alvo de tudo isto não é Portugal. Ou não é fundamentalmente Portugal. E em face disto tenho que dizer que não é indiferente que Portugal seja responsável apenas em 40%, 50% ou em 90% pelo que se passou. É muito diferente, pois Portugal é, em primeira instância, o mais imediato prejudicado quando se pretende atingir não o país mas o Euro e a Europa. Depois vem a Europa, essa sim o principal alvo desta acção. As políticas económicas do actual governo e o actual estado da dívida pouco estão, infelizmente, ainda a contar.


E dentro da Europa temos a Alemanha como principal alvo desta acção. Esta Alemanha que me parece estar a um passo de virar as costas à Europa já que vive e cresce hoje, não só de costas voltadas para a França, mas especialmente virada para os países da ex-Europa de Leste, para onde dirige de forma crescente o seu investimento e exportações, a taxas de crescimento cada vez mais acentuadas, que a ajudam a atingir um superavit comercial cada vez maior. Em especial quando se pretende enfraquecer uma Europa e uma moeda que começa a ter, para já, como o seu grande aliado e principal apoiante (naturalmente de uma forma pouco altruísta num futuro próximo) a China. Esta China que está a conquistar a Europa e a aliar-se à Europa tendo como grande desígnio o confronto económico e a disputa pela liderança económica mundial com os EUA. Esta China que tem hoje como grande fornecedor e parceiro comercial a já por mim referida Alemanha. Ora e uma Alemanha que tem os países do leste Europeu e a China como alternativa à UE pode ser naturalmente o principal alvo a abater pelos Americanos na Europa. Até que a Alemanha se chateie de vez e abandone totalmente a UE e o Euro pois cada vez precisa menos de ambos.

Não tenhamos pois dúvidas que nada acontece por acaso e que estas meras conjecturas sobre Portugal, sobre o nosso deficit, as dificuldades de redução do mesmo ou da incerteza no cumprimento do pagamento da dívida, foram apenas argumentos e manobras de diversão (que em boa hora surgiram) para atingir outros desideratos. E não é que a Grécia tem sido uma ajuda tremenda para este objectivo? Que leva agora a perseguir Portugal?


Por isso e apesar de tudo o que tem sido defendido pelos analistas económicos relativamente à tese de que “é o mercado a funcionar”e, com veemência e clareza da sua parte, não são mais do que visões (no meu entender românticas) do problema. É o mesmo que estar a ver a árvore esquecendo ou perdendo a noção que ela se encontra no meio da floresta.


Ou não será por acaso que desde Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, à Grécia, a todos os banqueiros europeus ou ao próprio Presidente do BCE, hoje mesmo que escrevo este artigo, pois claro, vêem agora a terreiro defender o nosso país. Pois seria. É muito mais o que está em causa do que Portugal. É a própria Europa e a sobrevivência do Euro e do modelo económico Europeu. O problema é que tudo isto tem sido feito nos últimos dias à custa do esforço e do sacrifício futuro e por conta do prejuízo social e económico que será infligido aos portugueses e ao nosso pequeno país. Nada disto tem a ver com o mercado. Nem com teorias românticas sobre a decisão racional dos investidores, muitos destes, os pequenos não os maiores, também meros peões de guerra.

Ou não fosse o facto de a China ter, é quase certo, já previsto para 2016 que a sua moeda, o Yuan, venha a ser utilizada como moeda para transacções internacionais. Poucos o sabem mas quem lá vive já começou a abrir o postigo. Saberemos o que isto vai significar? Assim, de um lado temos os EUA a lutar pela sobrevivência da sua hegemonia económica, tendo na Europa o seu primeiro e mais imediato alvo. Do outro lado temos a China, aliada dessa mesma Europa, escondida e defendida nos próximos anos e a fortalecer as suas tropas e as suas armas. E a Europa a meio a levar “pancada”. Esta sim, é a verdadeira guerra de futuro. Cada um acreditará no que quiser. Mas o futuro confirmará, ou não, este cenário.

quinta-feira, julho 07, 2011

Teoria ou realidade?




Já o Padrinho da Máfia dizia: "Isto não é nada pessoal, são apenas negócios".

O que se passa aqui não é, na opinião de muitos economistas e analistas, imoral - os mercados não têm moral - mas sim, para muitos outros observadores, um ultraje e um insulto aos portugueses e a Portugal. E parece até que isto que se está a passar não é propriamente a acção dos mercados, é antes a posição de uma agência de rating que influencia os mercados.

Hoje Portugal ficou mais pobre, a sua dívida mais cara, o país mais desacreditado e fragilizado, os bancos nacionais financeiramente mais enfraquecidos e provavelmente a necessitar de mais capitais, pois ao pedirem emprestado ao BCE os colaterais em dívida portuguesa terão que ser reforçados pois valem menos, os investidores tendem a fugir de nós e a vender os investimentos que fizeram em Portugal e na dívida portuguesa.

E tudo isto quando temos um novo governo com uma semana de legislatura, eleito democraticamente com uma maioria parlamentar de grande expressão, quando existe um programa de assistência financeira aprovado com a larga maioria dos 3 maiores partidos com assento parlamentar, um programa redigido pela UE e pelo FMI em co-autoria com os 3 maiores partidos do parlamento e que não teve ainda qualquer hipótese (entenda-se tempo) para ser posto em pratica.

Tudo isto quando Portugal nem sequer estará nos mercados, quero dizer, não estará a pedir emprestado aos mercados pois tem o empréstimo FMI/UE disponível.

Em Portugal já não temos os socialistas a liderar, já não seguiremos o PEC IV! Então porquê?

Não tivemos sequer tempo ainda de implementar nada, não incumprimos com nada, então como se justifica isto? Que interesses são estes e com que objectivos Portugal, que não está na bancarrota nem caminha para a bancarrota está a ser literalmente empurrado para esta?

A China, através da sua agência de rating já criada, classifica e avalia a dívida de Portugal como A2. Então que interesses estarão aqui ocultos? Toda esta acção até parece ter como objectivo o enfraquecimento do Euro e da posição económica Europeia. Uma Europa onde até parecem faltar lideres com força política e económica suficiente e que se confrontem e confrontem esta afronta que lhes está a ser feita.

O assunto merece reflexão e discussão.

- O que o dinheiro faz por nós não é nada em comparação com o que a gente faz por ele (Millôr Fernandes – humorista e escritor)

segunda-feira, junho 20, 2011

Semanário Vida Económica noticía documento de reflexão do FRES


Na sua edição do passado dia 17 de Junho de 2011 o Semanário Vida Económica noticía o documento elaborado pelo FRES o qual resume um conjunto de ideias e propostas para sair da crise. Aproveitamos para divulgar aqui a referida notícia.


FRES defende "mudança de mentalidades"


"Portugal necessita de uma mudança de mentalidades. E o papel dos grupos da sociedade civil deve ser o de ajudar a essa mudança" - esta é uma das ideias e propostas do FRES – Fórum de Reflexão Económica e Social.


"A projecção internacional de Portugal - Aspectos da economia interna e da imagem do país - saídas para a crise" é um documento que sintetiza um conjunto de ideias e propostas discutidas no último encontro FRES. Neste encontro foram realizadas algumas reflexões e apresentadas ideias conducentes a indicar algumas soluções que ajudem os decisores políticos a encontrar saída para a actual crise económica vivida no país.


"Importa que a sociedade civil dê o exemplo. Torna-se determinante inculcar nas gerações mais novas uma mudança de mentalidade através da mudança de atitudes perante a vida, o trabalho a sociedade e o país. Um exemplo entre muitos outros: fazer perceber às gerações mais novas a importância económica e social de conceitos como a mobilidade do trabalho, para o qual aliás uma já boa parte das novas gerações está sensibilizada."

Girassol, olival e vinhos


Entre os sectores onde Portugal apresenta maiores potencialidades competitivas em termos internacionais surge o turismo, a agricultura, a silvicultura e as pescas.

"Mais do que pretender apostar em várias direcções sem uma estratégia concertada para estes sectores, importa perceber que Portugal tem por exemplo ao nível da agricultura um grande potencial para investir na produção de girassol (para produção e exportação de óleos) e de olival (temos já a maior área de plantação de olival da Península Ibérica) para a produção de azeite de elevada qualidade. O sector dos vinhos é outro sector onde o país tem que apostar e promover de forma integrada."


Sobre o novo programa de assistência financeira da UE e do FMI, o documento aponta para "um mix de corte nas despesas vs aumento da produtividade".

domingo, junho 19, 2011

Pensar nas cidades na educação e na mudança de atitudes




E como contributo ao que foi dito no Post anterior o FRES pretende desde já relembrar alguns dos temas para os quais temos chamado a atenção e sobre os quais temos dedicado tempo, trabalho e reflexão.



Em primeiro lugar para o tema Cidades dado que é imperativo olhar para a importância das nossas cidades como potenciais polos de desenvolvimento local e regional, definindo-lhes uma missão e um papel seja de natureza económica ou social como contributo para o desenvolvimento do país e para a projecção internacional de Portugal.



Temos que olhar para as nossas cidades com a atenção que lhes é devida quer pelo papel que podem desempenhar em termos da sua projecção internacional seja individualmente ou em associação com outras cidades do Mundo ou ainda como veículos de captação de investimento estrangeiro, quer sob o ponto de vista turístico quer de negócios ou ainda como veículos de projecção da imagem de Portugal no Mundo.



As cidades podem e devem projectar internacionalmente a nossa história, cultura, modo de vida e valores como a inovação e a modernidade. Temos por isso que olhar para as cidades e investir nestas definindo-lhes um projecto próprio e um papel ou contributo para o desenvolvimento. A identificação das nossas cidades com a história do país e do seu desenvolvimento é, por isso, preponderante.



Pretendemos também que se olhe para a educação de uma forma integrada através da implementação de valores como a exigência, o esforço, o sacrifício, a dedicação e empenho em vez de olharmos a educação sob o prisma do facilitismo e dos meros resultados estatísticos. Para tal urge inculcar nas novas gerações, os estudantes adultos e as crianças, a necessidade de um espírito de esforço e sacrifício que lhes tem que ser exigido como forma de conseguirem atingir com sucesso os objectivos da educação: serem bem educados, preparados, formados.



Finalmente uma última chamada de atenção para a competitividade, trabalho e atitudes. Urge mudar as atitudes e as mentalidades de forma a que sejamos mais competitivos, produtivos e acima de tudo disponíveis para mudarmos formas enraizadas mas erradas de encarar a vida, a cidadania e o trabalho: não é que trabalhemos menos ou pior que os nossos congéneres noutros países, o problema está na nossa, por vezes, incapacidade de nos organizarmos melhor nas empresas, de sermos mais metódicos, de nos querermos empenhar e de participar civicamente no que nos rodeia. Cabe aos líderes familiares, pais e tutores, aos líderes empresariais e aos líderes políticos trabalhar com este objectivo, ensinando, motivando e preparando as pessoas para que percebam que são necessárias novas atitudes e uma nova mentalidade.






sábado, junho 18, 2011

Por uma cidadania activa




Agora que Portugal tem um novo governo impõe-se, mais do que nunca, uma verdadeira cidadania activa. E tem um novo governo composto por algumas personalidades já conhecidas da vida pública e política nacional mas também outras que não são nem nunca foram da esfera política. Serão certamente pessoas que irão neste momento colocar o seu trabalho, o seu tempo, a sua força, energia, competências e motivação ao serviço do país. E o país terá, nestes casos, que lhes ficar grato. São certamente personalidades que pretendem fazer e dar o seu melhor e que merecem, por isso, o respeito dos cidadãos, mas ao mesmo tempo sujeitando-se ao seu crivo e à sua avaliação e crítica.



Assim como temos um novo governo, de uma quase nova geração, Portugal terá necessidade também de uma nova cidadania e de uma nova atitude cívica. Em primeiro lugar cumpre-nos a nós, cidadãos, acompanhá-lo, observá-lo, ajudá-lo a tomar decisões, a apresentar-lhe ideias, sugestões e opiniões nos canais próprios, sobre o rumo a seguir. Importa por isso auditá-lo e depois avaliá-lo. Com sentido crítico e de responsabilidade, de forma séria mas empenhada. E empenhados em participar activamente nos destinos do país.



É por isso que importa agora, mais do que nunca, actuar segundo uma cidadania activa e responsável, pois este é o nosso governo, o governo de todos nós, o governo de Portugal, um Portugal que vive tempos difíceis. E é agora à volta deste governo que todos teremos que estar unidos, em força e apoiá-lo. O caminho começa hoje e o futuro inicia-se hoje, com a participação desejável de todos. Comecemos já a mudar as atitudes. Vamos desejar todo o sucesso do Mundo ao nosso governo porque isso é desejar todo o sucesso do Mundo a Portugal.



No more excusses.



Viva Portugal.





quinta-feira, junho 09, 2011

O Instituto Pedro Nunes



O FRES tem dedicado uma atenção especial às questões ligadas ao empreendedorismo, à inovação e às iniciativas pessoais, quer de âmbito social quer empresarial. Foi nesse âmbito que nos associámos há 2 anos ao AUDAX e por essa via participámos na sua Conferência Internacional realizada em Julho de 2009 no ISCTE, quer intervindo na conferência principal quer no painel do empreendedorismo social.


Também nos temos associado ao empreendedorismo através da nossa inscrição como entidade seguidora e patrocinadora do tema, acompanhando, nos últimos 2 anos, a Semana Internacional do Empreendedorismo em Portugal, que decorre no mês de Novembro de cada ano, através da publicação de alguns artigos no nosso Blog sobre este mesmo tema.


E vem a propósito do empreendedorismo a notícia que prova este ADN inovador e criativo que existe desde sempre em Portugal, o qual importa projectar internacionalmente. O Instituto Pedro Nunes (Instituto Público de investigação da Universidade de Coimbra) acaba se ser eleito e ganhar o prémio da melhor incubadora mundial de empresas de base tecnológica.


Entre os critérios considerados saliento dois: a sua sustentabilidade, i.e. o Instituto Pedro Nunes é auto-sustentável do ponto de vista económico e financeiro, rentabilizando positivamente os fundos públicos que nele são investidos e cerca de 80% das empresas que nascem no seu seio sobrevivem após estarem lançadas no mercado.


Em tempo de crise e de sentimentos de pessimismo agregado, eis uma notícia que nos deve orgulhar e da qual temos que largar lastro e deixar testemunho.

quinta-feira, maio 12, 2011

O papel do Turismo



A propósito do Memorando de Entendimento apresentado e negociado pela Troika do FMI com Portugal, há dois aspectos essenciais, diga-se o que se disser, que têm que ser levados em conta para que Portugal saia da situação em que se encontra. E estes aspectos merecem toda a atenção das políticas futuras a implementar seja qual for o governo que aí vem: um é o aumento da competitividade económica das nossas empresas (que leva ao aumento da produtividade), o outro é a criação de mais emprego (ou se preferirem o combate ao desemprego).


E já que falamos sempre na importância da internacionalização do país e da projecção da imagem de Portugal no Mundo, aqui está um dos sectores que tem obrigatoriamente um papel preponderante para a saída da crise e para o futuro. O turismo.

Os dados que vos apresento são da AICEP com referência à Organização Mundial de Turismo (OMT) e a dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Comprovam a importância deste sector e onde há espaço para criar emprego e maior competitividade. Não está neste momento imune à crise, como aliás nenhum está, em especial na região do Algarve. Para tal será determinante apostar numa política integradora do nosso turismo e demonstrar o que temos e o que somos.


No ranking dos principais mercados receptores de turistas da OMT, Portugal encontra-se no grupo dos 10 maiores a nível europeu e dos 25 maiores a nível mundial. Mas esta crise é conjuntural dada redução no momento de entradas.

O sector do turismo representou em 2009 aproximadamente 6% do PIB nacional e ocupou cerca de 8% da população activa em termos directos. No âmbito da União Europeia, Portugal é a 10ª economia em valor de produto turístico e a 6ª onde o turismo tem mais peso no PIB.

Para além do contributo positivo para a balança de pagamentos, este sector é um dos mais importantes da economia portuguesa, não só em termos de contributo líquido para o PIB nacional mas sobretudo no que diz respeito à sua importância estratégica traduzida nas receitas que proporciona, na mão-de-obra que ocupa e no efeito multiplicador que induz em várias áreas, contribuindo positivamente para o reforço da imagem de Portugal no exterior.

O nosso país apresenta vantagens comparativas a vários níveis: clima, segurança, proximidade à costa, qualidade das praias, campos de golfe de reconhecida qualidade internacional, oferta diversificada (paisagística, casinos, marinas, cultura, tradição, gastronomia) e boas ligações aéreas, regulares, charter e low-cost internacionais.

São inúmeros os locais a visitar em Portugal, sem esquecer que na lista do Património Mundial da UNESCO se encontram os centros históricos do Porto, Angra do Heroísmo, Guimarães, Évora e Sintra, bem como monumentos em Lisboa, Alcobaça, Batalha e Tomar, as gravuras paleolíticas de Foz Côa, a floresta laurissilva na Ilha da Madeira e as paisagens vitivinícolas do Rio Douro e da Ilha do Pico no arquipélago dos Açores.

Depois do 2º lugar obtido pelos Açores, numa selecção de 111 ilhas ou arquipélagos, numa iniciativa da National Geografic Traveler, que reuniu um painel de 522 peritos em turismo sustentável e da Ilha do Pico ter sido classificada pela revista Islands como sendo a 4ª melhor ilha do mundo para ter uma residência ou uma moradia turística, a Madeira foi eleita uma das 10 melhores ilhas europeias pelos leitores (mais de 3,5 milhões) da reputada revista Condé Nast Traveller, aparecendo em 6º lugar.

No que diz respeito à qualidade das suas unidades hoteleiras, a Madeira marca também presença no “25 Top Europe Resorts”, conquistando o 21º lugar com o Reid’s Palace. Também o Hotel Britania, unidade de charme dos Hotéis Heritage Lisboa, foi distinguido como um dos 10 melhores hotéis a nível mundial nos TripAdvisor Traveler’s Choice Awards 2010. Para além do reconhecimento nas categorias de “Top 10 Best Service e Luxury - Mundo”, o Hotel Britania mereceu ainda vários outros galardões, nomeadamente “Top 25 Europa”, “Euro Favorite - Top 25 European Destinations”, “Top 10 Best Service - Europa” e “Top 10 Luxury - Europa”.

De acordo com os dados do INE, a hotelaria registou 23,4 milhões de dormidas de turistas em Portugal em 2009, o que correspondeu a uma variação homóloga negativa de 10,7%. O grupo dos principais mercados emissores apresentou um desempenho maioritariamente negativo, liderado pelo Reino Unido (-21%). Espanha e França, ao contrário, evidenciaram crescimentos de 5% e 2%, respectivamente.

As receitas turísticas inverteram a tendência de crescimento no último ano, com uma quebra de 7,1%, acompanhando o comportamento das dormidas na hotelaria.

A maior parte dos turistas que visitam Portugal são oriundos da Europa, principalmente da União Europeia, com o Brasil e os EUA a constituírem as únicas excepções no conjunto dos 10 maiores mercados emissores de turistas para o nosso país.

Em 2009, a repartição de dormidas de estrangeiros na hotelaria global colocou o Reino Unido no primeiro lugar com 24,5% do total, seguindo-se a Alemanha (14,2%); Espanha (13,8%), Países Baixos (7,7%) e França (6,9%).
Por regiões, constata-se que o Algarve, Lisboa e Madeira concentraram 83,5% das dormidas de estrangeiros nos estabelecimentos hoteleiros. O Algarve registou 9,4 milhões de dormidas (-12,6% do que no mesmo período de 2008), Lisboa 5,5 milhões (menos 365 mil dormidas de estrangeiros) e a Madeira 4,6 milhões de dormidas (-15,3% do que no ano anterior).



Tal como a aposta na Agricultura, Silvicultura e Pescas, cujas oportunidades abordarei em momento oportuno, o Turismo é um dos maiores activos da Nação.

sexta-feira, abril 08, 2011

Ainda sobre a Diplomacia Económica Externa e a Internacionalização Económica do País

1. Enquadramento de Portugal na Europa como país Atlântico


Portugal é um país bem enquadrado na Europa e no Mundo, aberto ao exterior e não apenas fechado sobre si próprio.


Portugal entrou na EFTA em 1960 e depois na Comunidade Europeia a partir de 1986. O percurso desde 1960 até 1986 foi diferente do que ocorreu a partir da entrada na CEE o que teve naturalmente influência na performance económica do país.


Enquanto que a partir do momento em que entrámos na EFTA o país evidenciou um maior crescimento do comércio com os demais países membros, a partir da entrada na CEE surgiram novos factores que influenciaram o nosso crescimento, com consequências particularmente significativas a nível económico, como a entrada no mercado único, a liberalização do comércio, a união aduaneira e monetária e ainda a abertura e fortalecimento das relações com Espanha, que se tornou, em poucos anos, o nosso principal parceiro comercial.


Portugal tem ainda fortes laços culturais com os países que integram a Comunidade de Língua Portuguesa - CPLP e tem tentado ao longo dos anos transformar esses laços numa maior cooperação política e económica com os vários países que a constituem, sendo de destacar pela importância e peso da actual presença portuguesa, os mercados do Brasil, Angola e Moçambique.


A política externa de Portugal tem-se pautado pela manutenção de um relacionamento estreito com os países do Atlântico Norte, principalmente com os EUA, em grande medida fruto da nossa presença na NATO. Porém acredito que esta relação está longe do seu potencial e tem sido insuficiente e não explora todo o potencial que temos como país de “tradições” atlânticas.


Na Europa, Portugal, que é uma economia de pequena dimensão, tem desenvolvido grandes esforços no sentido da convergência económica com os países da União. Porém sem sucesso uma vez que a crise internacional que se desencadeou em 2007, com impacto a nível mundial, veio alterar todas as metas definidas e adiar a possibilidade de uma maior aproximação de Portugal aos países do espaço europeu.


2. Principais parceiros comerciais


A Europa é indiscutivelmente o nosso principal mercado.


No seu conjunto, em 2009, a UE representou 74,2% e 78,0% das exportações e das importações portuguesas, respectivamente. Consequentemente, os principais clientes de Portugal são parceiros da UE, destacando-se, neste ano, a Espanha (26,7%), a Alemanha (13,1%), a França (12,3%) e o Reino Unido (5,6%). Do mesmo modo, os fornecedores mais importantes foram a Espanha (32,4%), a Alemanha (12,7%), a França (8,7%) e a Itália (5,7%).


Países como Angola na 4ª posição, os EUA em 8º e o Brasil em 10º são os restantes parceiros mais importantes. A África Lusófona mantém-se como um importante parceiro para Portugal, sendo notório o aumento do interesse das empresas portuguesas por aqueles mercados.

Os PALOP viram o seu peso subir quase para o dobro enquanto clientes de Portugal no ano em que disponho de informações (foi de 4,6% em 2008 para 8,6% em 2009), o que corresponde a níveis significativos nas importações desses países, nomeadamente Angola onde Portugal assume a liderança como fornecedor. Nas importações de Portugal o peso dos PALOP é ainda pouco significativo mantendo-se abaixo do meio ponto percentual.

Relações internacionais de Portugal no quadro das suas ligações às instituições internacionais.

Portugal é (e sempre foi na sua génese - exceptuando no tempo do Estado Novo) um país virado para fora e aberto ao exterior, não só do ponto de vista das relações económicas e empresariais, mas igualmente a outros níveis. Isto pode ser comprovado no que diz respeito às relações internacionais uma vez que Portugal é membro de um conjunto variado de organizações financeiras e económicas internacionais o que exprime uma vocação e um espírito de abertura do país, naturalmente olhando às vantagens e interesses que o próprio país retira deste facto. Isto no entanto traz ao país, para além de um reforço da sua identidade política e económica, uma projecção da sua imagem mas também um grau de responsabilidades que é necessário gerir com critério sob pena de prejudicar a sua imagem internacional.

Aderimos em 1960 às organizações de “Bretton Woods” – Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD).


As mais recentes adesões ocorreram em 2002, com o Banco e o Fundo Asiático de Desenvolvimento (BAsD e FAsD) e a Corporação Interamericana de Investimentos (CII), do Grupo BID.


No caso particular do Banco Europeu de Investimento (BEI) a adesão de Portugal a este banco decorre automaticamente da entrada de Portugal para a então Comunidade Económica Europeia (CEE), constituindo os estatutos do BEI um anexo ao Tratado de Roma.


O nosso país é ainda membro do Banco Mundial que integra actualmente 5 organizações, sendo que uma é não financeira, e que serviu de modelo aos restantes grupos que entretanto se foram constituindo, como é o caso do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco Africano de Desenvolvimento (BAfD) e do Banco Asiático de Desenvolvimento (BAsD). São elas o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD); Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA); Corporação Financeira Internacional (IFC); Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA); Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimento (ICSID).


Portugal é ainda membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), da Organização das Nações Unidas (ONU) e suas agências especializadas, da Organização Mundial do Comércio (OMC) desde 1995 e da organização Mundial do Turismo (WTO) desde 1976.


Em diversas organizações financeiras multilaterais de que é membro, Portugal intervém na dupla qualidade de Estado Membro (EM) doador e beneficiário. É no caso do Banco Mundial que Portugal obtém o maior retorno do investimento mas é no BID – Banco Inter-Americano de Desenvolvimento que se verifica o maior rácio entre a doação e o retorno, em grande medida devido à nossa reduzida participação financeira.


A nível regional, Portugal é membro da União Europeia desde 1 de Janeiro de 1986 e faz parte do Conselho da Europa, da União da Europa Ocidental (UEO) e da Agência Espacial Europeia (AEE). Actualmente a UE é composta por 27 membros, sendo que apenas 16, entre os quais Portugal, adoptaram a moeda única europeia (Zona Euro) e integram a União Económica e Monetária.

Penso que podemos concluir que o país mantém a sua vocação externa e uma capacidade própria para as relações internacionais, o que se comprova pelo facto de Portugal nunca se ter afastado de nenhuma delas, talvez porque os benefícios que daí derivem sejam superiores às desvantagens de se afastar. Porém isto não deixa de marcar um perfil internacional e atlântico que nos tem que ser reconhecido.

quinta-feira, março 31, 2011

As cores da bandeira Nacional


Porque andaram a falar da bandeira nacional e das cores da bandeira aqui vai a explicação para todos:


O verde simboliza a esperança.


O vermelho simboliza o sangue derramado pelos portugueses em combate.


A conhecida esfera armilar (amarela) simboliza o Mundo descoberto pelos portugueses nos Séculos XV e XVI e os povos com quem trocaram ideias e comercio.


As 5 quinas (azuis) representam 5 Reis mouros que D.Afonso Henriques venceu,dentro de cada quina existem 5 pontos brancos que simbolizam as 5 chagas de Cristo.


Os 7 castelos representam as 7 localidades fortificadas que D.Afonso Henriques conquistou aos mouros.


Espero que tenha ajudado....







segunda-feira, março 28, 2011

Os símbolos da Nação (ou talvez não) ou "o burro sou eu?"

Uma pequena e recente experiência pessoal que poderá, eventualmente, ajudar a comprender o sentido, a atitude e os valores que cada um (ou, quiçá, a maioria!) tem para com os símbolos da Nação, nomeadamente a Bandeira e o Hino Nacional.
Estive naquela majestosa praça dos Jerónimos, em Belém, a assistir ao Rally de Portugal (eu sei, era dia de trabalho, baldei-me! Mas também ninguém pouco se importa em verificar se alguém trabalha, não poucas vezes, aos Sábados e Domingos, dias consagrados, um desde as Sagradas Escrituras e outro segundo o modelo empresarial anglo-saxónico do século passado, como dias de descanso!).
Do "programa das festas" fazia parte a abertura oficial do evento, com a intervenção da Banda da Armada Portuguesa (como sempre, brilhante na actuação e na postura!) entoando o Hino Nacional.
Quando a dita banda começou a tocar "A Portuguesa", verificaram-se as seguintes situações:
. Ninguém se calou (inclusivé o speaker de serviço!);
. Quase ninguém tirou os chapéus, fossem portugueses ou estrangeiros (porque aqueles bonés dos patrocinadores têm muito valor, ainda para mais dados por "beldades" de corpos esculturais e salto alto!);
. Com a intervenção do speaker (qual catalisador de estádios de futebol em dia de jogo da Selecção Nacional!), alguns "maduros" entoaram a letra do dito cujo, com muito sorriso nos lábios (ainda bem, era para mim sinal que estavam contentes com o espectáculo!) e um tom afinado por umas belas "Sagres" fresquinhas.
Vexame dos vexames, aqui o vosso humilde escriba, com os valores antiquados em que foi educado (faço parte, sem rebuço, do grupo dos "burros" a que aludiu um nosso Estimado Confrade noutras intervenções) mas com o sentido adulto de quem já está nos "enta", retirou o seu chapéu (que não foi oferecido por nenhuma estampa de discoteca dos patrocinadores mas trazido de casa, a gente começa a ficar débil e o sol pode provocar maleitas aos "ginjas"!) e procurou ter um postura corporal mais respeitosa (confesso que estava todo "partido" com as horas de pé, mas quem corre por gosto...), incluindo apagar a cigarrilha que com prazer fumava (há..., vícios!).
Então não é que, quando acabou o Hino Nacional, voltei a colocar o meu abençoado boné (nem sequer sei o que representam os símbolos do mesmo, se calhar estou a fazer publicidade a algo politicamente incorrecto, sinceramente não sei!) e acendi uma nova cigarrilha (há..., maldito vício!), reparei que as pessoas que estavam próximas de mim, de várias idades e origens, olhavam para mim com um misto de perplexidade, uns, e de sorriso malicioso nos lábios, outros?
Será que é "moda" o desrespeito pelos símbolos simples mas fortes da nacionalidade de cada cidadão?
Será que não é "fashion" mostrar um pouco de respeito e consideração pelos valores assumidos por cada um, ainda que para a maioria sejam porventura considerados obsoletos ou mesmo objecto de "escanho e maldizer" (vidé o "blogista" Gil Vicente, um dos muitos autores da literatura portuguesa positivamente varridos dos programas escolares, vá-se lá a saber por que motivo!... Talvez não tenha conta no Twitter ou no Facebook!).
Será que estamos a assistir a uma "nova república" consubstanciada no princípio decalcado de outras doutrinas republicanas do século passado de que "quem não é pelos preceitos da maioria, é contra esta"?
João Rocha Santos
28/Março/2011

domingo, março 13, 2011

Portugal acorda para a Cidadania


Portugal manifestou-se como há muito não o fazia e não se via.

Por todas as principais cidades do país, assistimos a um grande movimento cívico, de cidadania, de contestação ao actual estado social da Nação, estado social afectado pela crítica situação económica e financeira que o país atravessa.

Mais do que referir os aspectos e as razões, certamente legitimas, que mobilizaram uma tão grande franja da população, pois estima-se que estiveram nas ruas muitas centenas de milhares de pessoas de todas as idades e gerações (não apenas a geração à rasca) Lisboa, Porto, Braga, Guimarães, Faro, Coimbra, Funchal ou S. Miguel, viram a sua população nas ruas.

O país viu e ouviu as pessoas. Tão grande manifestação cívica, tem que representar algo de importante. E um dos fenómenos a destacar aqui é talvez um novo sentimento de cidadania, do papel social que jovens e mais velhos começam a sentir que lhes pertence e é da sua responsabilidade. Portugal veio de novo à rua, expressar o que sente. Portugal parece que acreditou de novo.

Até parece que surgiu um novo amanhecer e um novo acreditar e que tudo vale de novo a pena. Que afinal valerá a pena continuar. E quem acredita é um povo ordeiro, disciplinado, organizado, pacífico, que desta vez disse "SIM, aqui estamos".

Que grande e enorme lição de civilidade, de cidadania, de civismo, de elevação, tiveram as gentes de Portugal, novos e velhos. Que classe geracional, esta à rasca, que desfilou nas ruas, se manifestou, exprimiu opiniões, de forma cívica, educada, pacífica e ordeira.

Que lição dada a gregos, franceses, espanhois, ingleses e por aí fora. Como diz Camilo Lourenço, "os rebeldes da nossa geração à rasca são meninos de coro se comparados com os franceses, espanhois ou gregos", mas sendo assim, a inveja deve ter ficado do lado de lá. Portugal vive a crise económica, sente a crise social, pensou a política e emitiu uma opinião geral sobre os problemas - manifestou-se.

É o país no seu melhor através da sua gente. Uma gente que luta pelos seus interesses, quer ser mais esclarecida, manifesta-se cívica e ordeiramente e demonstra ao mundo, através de uma das melhores mensagens e promoções que se podem fazer a uma Nação: que Portugal pode se quiser ser uma grande Nação e que pode dar lições de cidadania, de participação e de civismo se o quiser. Uniu novos a velhos, empregados a desempregados, iletrados a licenciados.

Aqui está um exemplo em como a cultura e a civilidade portuguesas podem ultrapassar fronteiras e ser demonstradas e apresentadas ao mundo. Temos uma história secular de conquistas, de comércio, de coabitação cultural e civilizacional, de valores de honra e coragem, adormecida nas últimas décadas. Esta nova geração veio ajudar o país acordar de novo.

É esta a projecção que Portugal tem que dar de si mesmo ao mundo. Cumpre-nos a todos não nos deixarmos adormecer de novo.

D. Afonso Henriques deu várias voltas no túmulo: queria participar!

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Sobre o Mito da Globalização


Recente entrevista dada em Portugal por Pankaj Ghemawat, professor indiano de estratégia global da IE-SE-Instituto de Estúdios Superiores de la Empresa em Barcelona e da Harvard Business School ao longo de 25 anos, referia que os empresários portugueses terão que sair da zona de conforto e saber lidar com as diferenças quando internacionalizam os seus negócios.

Por outras palavras, Ghemawat sugere que a internacionalização de Portugal está demasiadamente concentrada nos mercados Europeus, o que se torna um grande risco no futuro, esquecendo outros destinos que irão crescer a um ritmo mais acelerado no futuro. E aqui têm particular relevância, segundo o professor indiano, alguns países asiáticos. A comprovar a sua tese está o facto de apenas 7% das exportações portugueses serem dirigidas à Ásia.

É curioso o momento em que observarmos estas afirmações quando analisamos por exemplo a importância que a China começa a revelar para este nosso cantinho à beira mar plantado. Segundo notícias recentes, a China representava em 2005 para a Auto-Europa o 10º mercado de exportação quando em 2010 passou a ocupar o 5º lugar. No plano desta empresa, a China deverá passar a ser em 2011 o seu 2º mercado de exportação.

Afirmava também Pankaj Ghemawat que existe o mito muito propagandeado da globalização. Para o mesmo não existe um fenómeno de globalização mas sim o que define por uma semiglobalização. Defende que esta é sim uma expressão mais realista dado que existem ainda muitas fronteiras que estabelecem barreiras importantes ao livre comércio e nas quais há diferenças significativas. Ilustra esta tese com a ideia de que está a passar o mito de que o mundo é plano. E este mito resulta da constatação de que o comércio e as exportações mundiais não são assim tão representativas do fenómeno da globalização pois estas em 2010 apenas representaram 23% do produto mundial e os fluxos de investimento directo estrangeiro ocuparam apenas uma fatia entre 6% a 10% do investimento global. Curioso.

Pankaj Ghemawat revela também algum cepticismo quanto ao impacto e influência das redes sociais nas estratégias de internacionalização como facilitadoras da globalização. Diz este professor que “há uma intuição muito exagerada sobre a globalização e que as pessoas, ao falar dela, erram por grandes margens.”

Esta posição é curiosa e polémica se observarmos alguns fenómenos recentes ocorridos no contexto político e económico mundial. Comecemos por exemplo com a análise ao caso português da configuração do nosso comércio externo e da nossa abertura ao exterior. As importações nacionais representam cerca 42% do PIB quando as exportações representam cerca de 32%. Aqui reside o desequilíbrio da nossa balança comercial mas também daqui resulta a prova da nossa abertura ao exterior e a dependência do país aos fenómenos políticos e económicos ocorridos nos países com os quais nos relacionamos.

Os acontecimentos relacionados com as revoltas populares recentemente ocorridos na Tunísia e agora no Egipto, reflectindo a insatisfação das populações com a situação económica e social vivida nos seus países, que teve reflexos imediatos nos países circundantes como o Sudão, o Iémen, a Jordânia ou a Síria serão o quê se não o resultado do fluxo de informação conduzido através do fenómeno da globalização? E para todos aqueles que pensam que a globalização trata ou diz respeito essencialmente a fenómenos de natureza económica, aqui temos um exemplo da globalização política.

E quanto ao poder das redes, o recente episódio vivido com as recentes divulgações de documentos supostamente confidenciais pela Wikileaks, que atingiram não só a diplomacia americana mas, entre muitas outras, a portuguesa, não representará o poder das redes sociais? E todas as manifestações de apoio e projecção, através destas redes, ao seu fundador? Não serão a prova da verdadeira força das redes sociais no fenómeno da globalização?

Não terá sido a força das redes sociais a levar a que a empresa portuguesa Ensitel através do facebook tenha acabado por pedir desculpas públicas a um seu cliente, após ter apresentado queixa em Tribunal (retirada depois) contra este, pelo facto do mesmo cliente a ter difamado através do seu Blog pessoal por um mau serviço prestado?

É certo que Portugal deve rumar a outros mercados para além da Europa, já o afirmei também inúmeras vezes. O Brasil e os países Lusófonos, uma parte da América Latina e ainda o Magrebe, após a estabilização social. Não estarei tão certo quanto à fraqueza ou quanto ao mito da globalização.

sábado, janeiro 22, 2011

Exportar


(Artigo Publicado no Jornal de Negócios)


Recente notícia do FMI diz-nos que, analisado o crescimento do PIB na última década em 180 países, Portugal surge colocado no 178º lugar.

É sabido e na generalidade das opiniões aceite que um dos principais problemas do país, para além do excessivo endividamento externo e interno (do Estado, das famílias e das empresas) e da necessidade de reequilibrar as finanças públicas, reside na baixa produtividade que afecta a nossa competitividade internacional e dificulta o crescimento das exportações. Aquela é por sua vez o resultado da ineficiência dos factores produtivos, em especial de uma reduzida produtividade das pessoas e consequentemente das empresas, o que nos leva a uma deficiente capacidade competitiva que afecta o crescimento do país.

Com um tecido empresarial composto essencialmente por micro empresas e PME´s (são 99.5% do total de empresas) com um mercado interno relativamente pequeno e que tem esgotada a sua capacidade de crescimento, em especial no momento actual em que se perspectiva uma quebra nos consumos público e privado, não restará outra alternativa às empresas nacionais que não seja virarem-se para os mercados externos. Mas para tal é necessário que estas estejam dotadas de uma boa capacidade competitiva para terem sucesso além fronteiras, pois à semelhança do que se passa por cá, também os nossos principais concorrentes estrangeiros esperam aumentar a venda dos seus produtos nos mercados externos e desta forma competirem directamente com as empresas Lusas. A prova disso é o crescimento das exportações verificado na Zona Euro as quais, segundo o Eurostat, registaram já uma subida de 1% em Agosto face a Julho e de 31% face ao mesmo mês de 2009.

Sabemos que no quadro macroeconómico vigente o crescimento económico do país está directamente indexado à capacidade de crescimento das exportações nacionais, daí que seja hoje mais do que nunca determinante que as empresas nacionais definam estratégias de exportação e internacionalização, não de forma dispersa e desordenada, mas focando-se em mercados onde estão já identificadas boas oportunidades de investimento e de venda dos seus produtos.

Aliás, esta ideia é suportada pela proposta de orçamento do Estado para 2011 o qual aponta para um crescimento das exportações de 7.3% para o próximo ano (contestada por alguns) como factor de crescimento da economia para o ano que se aproxima. Acreditamos que é assim. O crescimento económico está neste momento refém do crescimento da actividade interna e externa das empresas e em especial das vendas para o exterior.

É certo que o valor desta projecção orçamental levanta dúvidas se analisarmos o histórico do crescimento das exportações portuguesas na última década. Segundo dados do Eurostat, de 2000 a 2005 as exportações cresceram em média em Portugal 3.2% e de 2005 a 2010 3.8%. São pois estes dados históricos que nos criam alguma dúvida, porém é imperativo este esforço de internacionalização.

Há no entanto a registar sinais animadores uma vez que no 1º trimestre deste ano as exportações cresceram 14.8% face a igual período do ano anterior e no 2º trimestre 15.4%, acima por isso de todas as previsões.

Neste quadro é determinante saber escolher os países para onde dirigir os esforços e a oferta nacional. Segundo a AICEP só a Espanha, Alemanha, França e Reino Unido, foram responsáveis por cerca de 58% das exportações nacionais em 2009. Já de Janeiro a Maio de 2010, estes 4 países mantêm esta mesma percentagem no peso das exportações, com destaque para Espanha que, apesar da crise, acomodou 27.2% do volume global vendido ao exterior (acima dos 26.9% do mesmo período do ano anterior).

Angola surge em destaque fora dos países da Europa em 5º lugar e com um peso de 7.2% no ano de 2009 bem acima dos EUA que representaram 3.3% no 8º lugar. Há no entanto outros países igualmente relevantes como destino da internacionalização das empresas portuguesas, ainda que, representando posições secundárias, revelam contudo algum potencial por explorar pois são inúmeros os exemplos de sucesso conseguido pelas nossas empresas.

Referimo-nos em especial ao Brasil (onde as exportações atingiram em 2009 uns meros 295 milhões de Euros – que compara com os 8 mil milhões de euros para Espanha), à Venezuela, aos países do Magrebe como Marrocos, Argélia e Tunísia e depois à Líbia e Dubai. Em todos eles há presença empresarial portuguesa com casos de sucesso. O testemunho empresarial português nestes países tem sido positivo e os empresários bem recebidos pois tem sido reconhecida a qualidade do seu trabalho.

De entre estes importa em primeiro lugar destacar o Brasil pelo facto de revelar um enorme potencial de crescimento para os negócios de empresas nacionais devido aos investimentos resultantes da organização do campeonato do Mundo de futebol em 2014 e dos jogos olímpicos em 2016. Para além destas áreas verifica-se já um investimento significativo de grupos nacionais nos sectores turístico e de energia.

Não podemos ainda esquecer a importância que os países da Lusofonia representam para as empresas nacionais. Em especial Angola como já dito, Moçambique e Cabo Verde, os quais revelam um potencial de crescimento importante para a oferta e tecnologia das nossas empresas, onde a sua presença é já significativa e nos quais os factores de confiança empresarial se destacam, resultantes quer da relação histórica passada, da obra realizada, das afinidades culturais ou da língua comum.

No entanto para que esta estratégia de internacionalização tenha sucesso é necessário proporcionar às cerca de 25 mil empresas exportadoras e às outras que ainda não o são, alguns apoios não apenas pela via subsidiária. Estes apoios são indispensáveis para que as empresas possam lidar com os constrangimentos financeiros, humanos, burocráticos, políticos, legais ou tecnológicos que irão enfrentar em muitos destes mercados. É necessário ter a noção que há muitas dificuldades. Assim, os bancos podem ajudar a elaborar planos de negócio e de investimento, orientando para o modelo mais adequado de financiamento, a AICEP a identificar a cada momento os melhores mercados onde se detectam boas oportunidades e ajudar na interpretação das leis do investimento externo nesses países, o IAPMEI a definir as estruturas de gestão e marketing internacional mais ajustadas às suas estratégias.

O Estado, no seu papel de garante do risco, deve manter alguns instrumentos de apoio indirectos que já existem e até desenvolver alguns outros e que podem passar por garantir aos bancos o risco de empréstimos destinados ao investimento internacional em todos os mercados considerados prioritários, bonificar juros a este tipo de empréstimos (em detrimento de outros) e acordar com os bancos aumentar prazos de reembolso ou incrementar os seguros de crédito para além de manter e gerir adequadamente, supervisionando, as linhas de apoio existentes no âmbito do programa PME Investe. Num país que tem uma veia inovadora, onde as micro empresas tecnológicas estão como nunca a afirmar-se no exterior, parece-nos adequado programas como o Sistema de Incentivos Fiscais à Investigação e Desenvolvimento que contempla uma dedução fiscal às actividades de I&D.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

A EDUCAÇÃO COMO VECTOR DE EFICIÊNCIA, PRODUTIVIDADE E COMPETITIVIDADE (Final)


5. O CONHECIMENTO EM ECONOMIAS FECHADAS

A história económica dos países menos desenvolvidos tem provado que o nível de salários muito baixos dos profissionais de elevados conhecimentos (cientistas, peritos informáticos, engenheiros, cirurgiões ou académicos) resulta do facto destes países serem (ou terem sido durante muito tempo) fechados ao exterior. Em economias pobres e fechadas como o foram a India e a China e é ainda a Coreia do Norte ou Rússia por exemplo, os níveis de rendimento dos seus profissionais de topo são enquadrados no padrão de desenvolvimento da sua economia. Aqui a Rússia será a excepção. Por isso, em países pobres, teremos salários pobres.

Este fenómeno afecta o preço da mão-de-obra em termos internacionais uma vez que os cérebros de países como a Índia ou a China, pela sua quantidade, mobilidade e disponibilidade, estão dispostos a trabalhar noutra qualquer parte do Mundo por salários bastante mais baixos mas maior reconhecimento social ou qualidade de vida.

Estes conhecimentos são um activo transaccionável nos mercados internacionais, pelo que, poderão, no futuro, ser nivelados com os salários dos cientistas americanos ou europeus.

4ª Conclusão: Um elevado nível de educação e conhecimento, trará, com toda a probabilidade no futuro, melhores rendimentos e consequentemente um melhor nível de vida a quem os possui, com o impacto a médio e longo prazo na sociedade onde estes se inserem. Se a nação for fechada ao exterior, o percurso do desenvolvimento e do aumento do nível de vida será mais demorado. Se for aberta ao exterior, será certamente muito mais curto.

Um exemplo passado

A história da China como nação e o papel que (não) desempenhou nas várias etapas da globalização é prova disso.
Como afirma David Landes em “A riqueza e pobreza das nações”, entre o Império chinês no século XVI “ a indiferença tecnológica corria lado a lado com a resistência à ciência europeia”. A China que neste século era conhecida como o Império Celeste, vivia como sendo o centro do universo, sofria no entanto de uma “xenofobia intelectual”, que a fechou ao mundo e lhe fez perder definitivamente a oportunidade de entrar na era da globalização. Faltava à China desse tempo, afirma Landes, “instituições de pesquisa e ensino, escolas, academias, sociedades doutas, desafios e competições. A Europa deixou a China, fechada ao mundo, muito para trás, durante décadas e séculos”.

6. O SISTEMA AMERICANO

O sistema de educação norte americano proporciona grandes oportunidades a quem as quiser aproveitar. Os EUA são um país que promove e apoia a inovação, a iniciativa privada, a criação e desafia o risco. Em suma, promove a competitividade.

Conforme afirma Thomas L. Friedman em “ O Mundo é Plano”, as universidades americanas, com inúmeros departamentos de investigação “ incentivam a expansão de experiências, inovações e progressos científicos competitivos – desde a matemática à biologia, passando pela física e pela química”.

O mesmo livro faz referência a afirmações de Bill Gates, o cérebro criador da Microsoft, segundo as quais “o sistema universitário americano é o melhor”, diz ele que “Financiamos as nossas universidades para fazerem investigação... damos a possibilidade a pessoas que aqui chegam com elevados Q.I.’s de inovarem e transformarem as suas inovações em produtos. Recompensamos quem arrisca. O nosso sistema universitário é competitivo e experimental... Existem cem universidades a contribuir para a área da robótica. E cada uma delas diz que a outra está a fazer tudo errado. É um sistema caótico mas é um grande motor de inovação no mundo e com as verbas provenientes do imposto federal, com alguma filantropia a ajudar, continuará a florescer...”.

Só para dar alguns exemplos, basta referir que o browser web, o sistema de imagem por ressonância magnética ou a fibra óptica, foram projectos de investigação desenvolvidos nas universidades americanas. Mas como já antes foi referido o sistema americano tem usufruído da riqueza intelectual de países como a India em virtude da imigração de cientistas verificada nas últimas décadas. Segundo ainda o artigo do economista Viassa Monteiro publicado no Expresso em 5 de Agosto de 2006 “ 40% das empresas de Silicon Valley são dirigidas por indianos e as exportações de software indiano para os EUA representam mais de 50% das exportações totais daquele país”.

Mas o sistema americano é muito mais do que isto. Segundo o Institute of International Education, Os EUA têm em vários Estados, centros tecnológicos para o desenvolvimento da ciência e tecnologia que apostam nas empresas que desenvolvem tecnologia de ponta, através do investimento em capital dirigido a potenciar as novas ideias, sejam elas start ups, micro empresas ou multinacionais. Têm também o maior, mais desenvolvido e regulamentado mercado de capitais do mundo, o qual, de forma eficiente, permite que o investimento em empresas inovadoras, flua através de mecanismos como o capital de risco. A tudo isto há que adicionar a própria filosofia vigente da investigação contínua, desenvolvida pelas universidades e laboratórios de investigação públicos e privados, que, em ligação com as empresas, tornam os EUA naquilo que são hoje em termos de inovação e conhecimento.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

A EDUCAÇÃO COMO VECTOR DE EFICIÊNCIA, PRODUTIVIDADE E COMPETITIVIDADE


4. A QUESTÃO DA FUGA DE CÉREBROS

Com a problemática da globalização, muito se tem debatido sobre a questão da fuga de cérebros, a qual ocorre, em especial, dos países menos desenvolvidos (ou menos ricos) para os países mais avançados (ou de maior poder económico e empresarial). Em países como a India ou a China com elevados recursos em pessoas de elevada formação e aptidão técnica e com elevados conhecimentos de engenharia, ciências, matemática ou administração de empresas, o mundo torna-se global. E isto implica que as multinacionais americanas ou europeias, podem, por exemplo, contratar e empregar funcionários indianos ou chineses, pela via da sua expatriação ou, de forma diferente, empregando-os nas suas filiais em Bangalore, Xangai ou Pequim. E aqui já estamos a falar do fenómeno da deslocalização de actividades. Fenómenos também conhecidos pelo outsourcing e offshoring respectivamente.

Há quem defenda que este fenómeno tem implicações negativas, no curto/médio prazo, ao nível do emprego nos países de origem destas multinacionais. Porque pela via do fenómeno da globalização, os empresários e os accionistas das grandes empresas podem (preferem?) certamente ter meia dúzia de brilhantes investigadores ou cientistas na India ou na China pelo preço de um na Europa ou nos EUA. Isto poderá provocar alguma perda de competências nos países de origem ou, visto de outra forma, provocar mais desemprego junto dos cientistas e investigadores nacionais, por maior recurso à mão-de-obra indiana ou chinesa disponível (e com maior mobilidade) mais barata, de elevada competência e capacidade competitiva.

Este tema reporta-nos ao problema da fuga dos mais capazes também em Portugal. Como é sabido assistimos há alguns anos a um contínuo fluxo migratório de profissionais, jovens, de elevadas capacidades técnicas, conhecimentos de elevado nível, elevada especialização e competência técnica, para países onde existem mais e melhores oportunidades, em primeiro lugar de emprego e depois de carreira. Os jovens cérebros portugueses estão também a aproveitar o fenómeno da globalização e a sua maior mobilidade pessoal, para se transferirem para países que oferecem melhores salários, condições de trabalho de melhor nível e melhor qualidade de vida, para além de um reconhecimento que não é obtido no seu próprio país.

Este fenómeno para além do impacto social e económico negativo que pode representar na criação de valor nacional, representa também um fenómeno de natureza demográfica, uma vez que muitos jovens sentem que o país não os trata adequadamente, antes preocupando-se de forma excessiva com as gerações mais velhas, deixando para segundo plano os planos de carreira e contribuição das gerações mais jovens para a construção de um país mais coeso, justo e competitivo.

3ª Conclusão: Aqui reside um dos factores que, segundo alguns economistas e analistas sociais, tem, no caso português, a sua quota parte no contributo para a falta de competitividade do nosso país (embora não se conheça nenhum estudo que prove a relação directa entre estes fenómenos): a fuga de cérebros nacionais, indispensáveis à difusão do conhecimento e da excelência.

sábado, dezembro 11, 2010

A EDUCAÇÃO COMO VECTOR DE EFICIÊNCIA, PRODUTIVIDADE E COMPETITIVIDADE


3. O CASO DA CHINA


Segundo alguns investigadores, a estratégia da China a longo prazo é tornar-se líder mundial em termos económicos , ultrapassando os EUA e a UE. Para tal terão começado bem uma vez que a meta dos líderes chineses é focalizarem-se, muito mais até que alguns líderes ocidentais, na formação e educação dos seus jovens em matemática, ciências e informática, matérias que consideram indispensáveis para o sucesso e afirmação no futuro. Estão também concentrados na criação de boas plataformas físicas de telecomunicações de modo a estarem conectados com o resto do planeta e captarem o interesse dos investidores internacionais. A riqueza gerada na China atingiu 14% do total mundial em 2003, o seu PIB de 1,4 mil milhões de USD foi nesse ano o sétimo em termos mundiais.

Segundo um estudo do Espirito Santo Research, em 2004 foi já a 5ª maior economia do mundo à frente da Itália, esperando-se que seja a 4ª em 2005, à frente da França. Federico Rampini no seu livro “O século chinês” estima que a classe média alta chinesa possa atingir neste momento cerca de 200 milhões de pessoas, ávidas de mercadorias de luxo e produtos e serviços financeiros mais sofisticados. Um número de cerca de 100 milhões de jovens chineses, desta classe média, anseia por produtos ocidentais.

Por tudo isto, a China é um player a ter em conta no quadro da concorrência internacional.

Tendo como premissa estas preocupações e segundo um estudo americano (U.S. Conference Board) citado por Thomas L. Friedman no seu livro “ O Mundo é Plano”, o sector industrial privado chinês fora do controlo estatal, registou entre 1995 e 2002 um crescimento de 17% ao ano, resultado da absorção de novas tecnologias e da adopção de modernas práticas empresariais.

Claro que a manutenção ou continuidade deste crescimento estará dependente da estabilidade política que o país conseguir manter ou confirmar no futuro, quer em termos internos quer nas relações com países circundantes como Taiwan.

2ª Conclusão: Mais uma vez o factor educação e formação surge aqui como determinante para o crescimento económico e competitividade, quer no impacto que tem na actividade económica, no contexto social, empresarial, ou ainda como factor de ajuda e contribuição para a captação de investimento exterior (pela maior confiança que representa para os investidores, um país de pessoas cultas, bem formadas, de elevados conhecimentos tecnológicos). Mas, no caso chinês, o desenvolvimento e a competitividade dependem também da existência de estabilidade política, de um adequado sistema de justiça quer no campo social quer no campo empresarial, bem como de uma politica que privilegie a igualdade social.

terça-feira, dezembro 07, 2010

A EDUCAÇÃO COMO VECTOR DE EFICIÊNCIA, PRODUTIVIDADE E COMPETITIVIDADE


2. MAS A REALIDADE ECONÓMICA E SOCIAL DA INDIA...

Se é um facto que a Índia desenvolveu um enorme esforço, com sucesso, na criação de cérebros brilhantes e pessoas de elevados conhecimentos e potencial criativo, o facto é que o desenvolvimento de um sistema de educação e ensino voltado para a excelência, sendo fundamental para o desenvolvimento, não é condição suficiente. Apesar dos IIT´s e dos IIG´s, apesar do crescimento do conhecimento, apesar das melhorias na formação, a Índia é ainda um país subdesenvolvido. Factores políticos, sociais, ambientais, demográficos e outros, contribuem, como se sabe, para o baixo nível de desenvolvimento registado. Numa população de mil milhões de pessoas, há muitos pobres e grande desigualdade social. O fosso entre ricos e pobres é muito grande.

A Índia é um país de contrastes. Segundo um artigo no Diário Económico de Rahool Pai Panandiker – consultor da BCG, o país tem 23 bilionários na lista Forbes mas ao mesmo tempo 35% dos pobres do Mundo, isto é, mais de 350 milhões de pessoas (quase a população total da Europa a 15) – que auferem menos de 80 cêntimos por dia.
É um dos maiores produtores mundiais de trigo e arroz, mas 47% das crianças sofrem de subnutrição.
Os seus 3 estados mais ricos têm um PIB per capita de 1.200 € a que corresponde 200 € nos estados mais pobres.
Tem 17.000 universidades e faculdades e no entanto 13 milhões de crianças não vão à escola.

É certo que as grandes conquistas no que diz respeito ao crescimento verificado na educação e conhecimento obtido nos últimos 50 anos, contribuíram positivamente para a economia e sociedade indianas e os conhecimentos ao nível da administração de empresas tiveram um papel importante na melhoria de franjas do tecido empresarial. Contudo os reflexos deste esforço são ainda muito ténues no crescimento e desenvolvimento do tecido empresarial e muito poucos ainda usufruíram destes impactos positivos. No entanto, na Índia de hoje, há já fenómenos de democratização recentes, como um conjunto significativo de ONG´s que trabalham no sentido reduzir as desigualdades sociais, procurando influenciar os governos locais para uma melhor governação, chamando a atenção para a corrupção, laxismo e fuga fiscal. Estas organizações procuram, em conjunto com os poderes locais, trabalhar para uma distribuição da riqueza de forma mais igualitária, melhorar o sistema público de educação, saúde, saneamento básico, abastecimento de água ou justiça.

Mas apesar do percurso seguido pela Índia no que diz respeito à aposta no conhecimento, nas ciências e na alta tecnologia, estas áreas têm ainda um reduzido impacto na criação de emprego neste país. Um valor que se situa entre os 1% e 2% do total do emprego. Há ainda um longo caminho a percorrer.

A 1ª conclusão que podemos retirar deste exemplo é que, se é verdade que a educação, a formação e o conhecimento, são essenciais para o crescimento, desenvolvimento e competitividade, não são por si só suficientes para atingir tal desiderato. A Índia continua a ser um país pobre em muito devido aos factores de natureza demográfica. Certamente que a Índia é hoje um país mais produtivo e competitivo do que era há 50 anos, antes da criação deste Institutos e da formação desta classe de cientistas. No entanto o caso da Índia é paradigmático: tal grau de exigência na admissão dos futuros licenciados, na sua formação e qualificação, mas sem uma estratégia e esforço na sua retenção, levaram à grande fuga de cérebros para os EUA, daqui resultando que o investimento em capital humano pago pelos contribuintes indianos, constituiu um esforço inglório dado que estes activos foram colocar os seus conhecimentos em benefício de outra nação.

domingo, dezembro 05, 2010

A EDUCAÇÃO COMO VECTOR DE EFICIÊNCIA, PRODUTIVIDADE E COMPETITIVIDADE


Agora que estamos em vias de encerrar o nosso Paper sobre a Educação na sequência do Workshop realizado no ISCTE, dou início à apresentação por partes de um conjunto de reflexões que fazem parte de um artigo cujo tema é “A educação como vector de eficiência, produtividade e competitividade”.


1. O EXEMPLO DA INDIA

A India é muitas vezes designado como um país de cérebros ou de “software intelectual”. Não é pouco comum falar da India simbólicamente como a origem do software mundial. A história deste país no campo académico surge a partir de 1951 quando o primeiro ministro na época, Jawaharlal Nehru, lançou o primeiro dos futuros 7 Institutos Indianos de Tecnologia (IIT). Esta iniciativa permitiu que desde então e nos 50 anos seguintes, centenas de milhares de indianos viessem a frequentar inúmeros cursos universitários e se formassem nos ramos das ciências da computação, engenharia e software. Por outro lado a criação de seis Institutos Indianos de Gestão (IIG) onde se ensina administração de empresas, permitiu que centenas de milhares de jovens tivessem acesso livre a um elevado e ímpar nível de conhecimentos e desenvolvimento pessoal assentes na meritoracia. A India transformou-se assim numa enorme fábrica de capital humano de elevado potencial e conhecimento passando a ser um exportador de talentos ao nível das ciências, matemáticas, engenharias e administração de empresas.


Segundo o economista Viassa Monteiro num artigo publicado no Expresso de 5 de Agosto de 2006, a India possui uma mão de obra altamente qualificada composta por cerca de “3 milhões de cientistas dos variados ramos do saber. Graduam-se actualmente, em estudos superiores, 3 milhões, dos quais 300.000 em engenharia e 200.000 em cursos técnicos”.

Não sendo, por razões políticas e sociais, um país atractivo para trabalhar e reter os seus cérebros, daqui resultou uma grande vantagem para um outro país, os EUA. Estes foram os compradores de uma enorme massa cinzenta talentosa, com elevado nível de instrução. Segundo Thomas L. Friedman no seu livro “ O Mundo é Plano”, nos últimos 50 anos perto de 30 mil licenciados das melhores escolas indianas transferiram-se para os EUA para trabalhar e desenvolver as suas carreiras e conhecimentos, o que contribuíu para enriquecer o saber, a inovação e o conhecimento na América.

Segundo fontes jornalísticas nacionais, há na índia 7,7 milhões de profissionais nas áreas tecnológicas e científicas, dos quais 970 mil são engenheiros licenciados. No entanto a fuga para o exterior é ainda elevada. Até 1977 cerca de 35% dos estudantes dos IIT iam para o estrangeiro. Hoje apenas 15% dos cérebros o fazem.

Segundo ainda Thomas L. Friedman no mesmo livro e citando o The Wall Street Journal de 16 de Abril de 2003, referindo-se à qualidade dos Institutos Indianos de Tecnologia e ao nível de excelência e exigência na admissão dos mesmos, através do testemunho de um estudante Indiano, dizia este que “ Não havia forma de subornar a entrada num IIT... Os candidatos apenas são aceites se passarem num difícil exame de admissão. O governo não interfere com o currículo e a carga horária é exigente... Embora seja discutível, é mais difícil ser admitido num IIT do que em Harvard ou no MIT...”.