Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

quinta-feira, julho 27, 2006

Por um país capaz e audaz

Portugal é um país negativo. Negativo no crescimento. Negativo no comércio. Negativo na atitude colectiva. Negativo na governação. Negativo nas deseconomias externas. De tão negativo, que tem transformado forças em fraquezas, amarrado a desculpas, ideologias e direitos adquiridos.
Este país é hoje a negação da História, do seu contributo para a civilização moderna, da sua incomparável História multicultural e multiracial. É a negação da grande Nação que Afonso Henriques fundou, da afirmação do Santo Condestável, do pioneirismo do Infante D. Henrique, da visão estratégica de D. João II. O país negativo de hoje é o mesmo que Eça de Queiroz descrevia nas “Farpas” ou que Camilo Castelo Branco resumiu com “A queda de um anjo”. Um país cuja decadência económica e política se acentua a partir de 1820 e que nunca soube conjugar a suposta “democratização” e o suposto “constitucionalismo” com a sua tradução em crescimento e desenvolvimento económico.
Um país que não se constrói pelas elites, pois elas não se afirmam enquanto tais. Um país em que o povo inculto não assume uma atitude proactiva. Em que as pessoas preferem ser enganadas pela febres da Expo, do Europeu ou do Mundial de Futebol do que pensar diariamente que só podem ter futuro se se empenharem quotidianamente no presente.
Ora, para termos um país positivo, é preciso mudar tudo, ou pelo menos quase. A capacidade de fazer rupturas marca a evolução dos grandes povos. Mesmo que duras, são necessárias. E marcam a mudança colectiva. Mostram às pessoas que não há fora do prazo, que não há adiamentos, que é agora, pois o futuro - a Ásia - não espera por ninguém.
Exemplos simbólicos - ou talvez não? Fazer uma nova Constituição, elegendo para isso um parlamento extraordinário; eliminar todos os direitos e privilégios que discriminam os portugueses, consoante trabalhem para um dos muitos regimes da administração pública ou para uma empresa; mudar um hino anacrónico e uma bandeira folclórica; responsabilizar tudo e todos; dar espaço aos criadores, para que livremente formem novas elites; promover a excelência dispersa pelo país, em vez de importar megalomanias e especialistas, que grandes danos têm causado às finanças.
Este esforço também depende de todos nós. No recente discurso do dia de Portugal, o Presidente da República defendeu e bem, a co-responsabilização de todos os cidadãos com a construção do país. Com a educação que os pais promovem, com a saúde. Quase glosando Kennedy e a histórica frase “não perguntem o que o vosso país pode fazer por vocês, mas o que podem vocês fazer pelo vosso país”. E em boa hora, Cavaco Silva alerta desafia os portugueses, porque o país negativo também se alimenta de quem só se queixa, de quem não reclama quando deve, de quem fica indiferente no trabalho e na cidadania.
Mas para mobilizar o povo para um país positivo, é necessário ter estratégia, governação e elites. A primeira não pode passar por definir como estratégicos os sectores do betão e auto-estradas, nem pela Ota ou TGV. A governação faz-se com decisões diárias que, promovam a concorrência, a capacidade empresarial e a liberdade económica. E as elites aparecem na proporção inversa à da mão instrumentalizadora do Estado. Porque um Estado medíocre com dirigentes risíveis não quer elites: prefere múmias, vassalos, seguidores e bajuladores. Dirigentes do Estado incompetentes e danosos querem é ter interlocutores frágeis e na sua dependência, que digam “sim” e “ámen”, que esperem pelo cheque, e que mais tarde ou mais cedo não se esqueçam de quem subsidiou. Em resumo, as elites autónomas, vivas a criativas, só despertam quando confiam no país e não como desde há muito por cá sucede, têm medo de ser notadas, copiadas e abatidas pelos tais funcionários medíocres que servem superiores interesses políticos e económicos.
Este Estado negativo leva a que cérebros, criadores, empresários e inovadores, saiam de Portugal à procura de mercado ou simplesmente de espaço. Porque não acedem aos privilégios de derrogações ministeriais reservadas à elite de serviço, não fazem parte de grupos que vivem à custa dos favores políticos, não se resumem à mediocridade de empregar os “servidores públicos”, antes ou depois, consoante seja conveniente.
É este Estado negativo que tem que ser erradicado. Alguém pensa que seria possível Aljubarrota, a conquista de Ceuta, a descoberta do caminho marítimo para a Índia, o achamento e colonização desse colosso que é o Brasil, caso não tivéssemos uma estratégia, uma governação e elites, coesas e competentes, não unidas pela baixa política e pela mediocridade dos golpes baixos e do tráfico orçamental, mas pelo compromisso, pelo risco, pela aventura, pela parceria público-privada?
Na magnífica odisseia dos Descobrimentos, convém lembrar que Portugal inventou a economia-mundo ao ligar sem intermediários Europa, Ásia, África e América. Não foi o Estado que criou essa economia-mundo! É que a descoberta era feita por concessão pelo Estado do direito de exploração a privados das terras que descobrissem. Concessão por décadas e onde os privados punham o dinheiro e o risco, enquanto o Estado ganhava expansão, impostos. Era assim que na altura – não como hoje – se faziam as parcerias público-privadas: dando o Estado espaço e transferindo risco para os privados. Num País de edifícios sem utilização, de SCUTs sem risco para o promotor, da inimputabilidade e de irresponsabilidade dos “boys”, pode isto existir?
Para termos um país positivo, um dirigente público que minta, que seja incompetente, que não sirva o país tem que ser exemplarmente demitido. Mesmo que seja amigo de alguém, temos que distinguir amizades de competências. E não apenas exigir atitude a todos os cidadãos, mas dar o exemplo. O que significa não permitir que, em nome de instituições públicas, se cometam absurdos e abusos por quem as comanda. Só porque se é amigo de alguém que os tutela. Só eliminando-os do Estado, deixaremos espaço para que outros, capazes e audazes, permitam aos portugueses construírem um país positivo.



Joaquim Rocha da Cunha

quarta-feira, julho 26, 2006

Nada é Simplex nas empresas públicas e privadas - por Jorge Castro

"Lamentavelmente, estou em crer que para este «mal» não há, em Portugal, empresas públicas ou privadas.Trata-se de uma questão cultural, se quisermos, que define uma atitude.Numa empresa pública, como numa privada, atribui-se um computador topo de gama a um director, por exemplo, não porque seja necessário ou, sequer, porque esse director domine as técnicas, mas sim porque é um director, logo, «merece» mais do que os seus subordinados.É esta «lógica» que subverte as relações laborais, nas perspectivas de competências e de eficácias, torcendo-as para o espúrio lado do status... que não levam as empresas a lado nenhum que não seja o da falência.A diferença, aqui, entre público e privado, é apenas esta: no privado, a fonte seca e a empresa fecha, depois de atribuídos os Ferraris aos respectivos donos; nas empresas públicas, a fonte não seca, não se atribuem Ferraris, mas os Mercedes e os Jaguares e os BMW têm a sua quota de venda permanentemente assegurada.E, assim, Portugal terá a melhor frota automóvel da Europa em circulação nas piores estradas da Europa.Como se vê, nem tudo é mau!Concluindo raciocínios, já de si intermináveis:- As estradas serão, em média, as piores da Europa, mas a gasolina é das mais caras... e as portagens, também... e a electricidade, também... e o gás também... e a água também... e a saúde também... e a internet também... e valerá a pena continuar?...Apenas porque uma escassa minoria de umas centenas de milhar (que parecem muitos, mas não são!) se permite estabelecer padrões de vida, sem rei nem roque, dos quais são os únicos beneficiários, numa lógica autista que determina, afinal, as vivências de muitos milhões.Não é assim? Bem, por estas razões, a que se aliam convenientes e cúmplices fechar-de-olhos a elementares regras de concorrência e, até, de legalidade democrática, é que um IKEA - privadíssimo - quando aparece em Portugal apresenta os preços mais elevados de toda a sua cadeia europeia, num país com a média de salários (per capita) mais baixa da Europa.Estratégia estúpida? Claro que não. Em Roma, sê romano. À falta de controlo generalizado, é um fartar vilanagem. E a malta lá vai pagando.Nos intervalos, vai quase tudo aos jogos de futebol e compra os jornais «desportivos» para se manter informado acerca da arte de se tornar num imbecil sem dor, mas com muita anestesia.

Este Texto é da autoria de Jorge Castro e foi publicado por Paulo Moura no Blog Persuacção em:


http://persuaccao.blogspot.com/2006/05/nada-simplex-nas-empresas-pblicas-e.html

segunda-feira, julho 10, 2006

O Pessimismo Português

Segundo o último Eurobarómetro realizado entre Março e Abril últimos, os portugueses sentem-se muito pouco realizados com a vida que levam e a larga maioria não acredita que a sua situação financeira vai melhorar nos próximos 12 meses.
Segundo este estudo, 44% dos portugueses está insatisfeito com a vida que leva. Só os húngaros estão mais insatisfeitos, com 46%. Já os nórdicos vivem a felicidade plena, a acreditar nas sondagens que revelam: 97% dos dinamarqueses e 94% dos finlandeses, estão satisfeitos e avaliam positivamente a vida que levam. Também 94% dos suecos, 92% dos luxemburgueses e belgas e 90% dos irlandeses, avaliam também positivamente a vida. Como tal é possível? Não têm o nosso sol! Nem o nosso clima, as nossas praias, a nossa gastronomia ou o nosso mar! Têm nevoeiro, humidade, chuva e frio. O suficiente para nos deixar a todos, portugueses, deprimidos. Mas eles não. Se nos compararmos com os espanhóis, esses sim, nossos verdadeiros e mais directos competidores, 88% dos espanholitos estão satisfeitos e optimistas com a vida.Já percebemos que o problema aqui não é apenas de contexto climático, geográfico ou gastronómico. É de carácter económico e psico-sociológico. Aumentemos o ordenado em 20% a todos os portugueses! E o pessimismo? Desaparecerá? Nós gostamos de viver com o fado e para o fado, de falar do nosso destino e de chorar nos funerais dos vizinhos. Falta-nos a atitude positiva, o optimismo, a energia positiva, a vontade de ser vencedor e de acreditar nas nossas forças, combatendo as fraquezas. Deve o país (as famílias e os outros grupos sociais) combater este negativismo. Acreditar que é possível, contribuir para crescer melhor, aprender melhor, ser melhor, conhecer e saber mais e melhor. Isto devemo-lo, todos, aos nossos filhos. Ensinar-lhes de pequenos a serem positivos, enérgicos, optimistas. Ensinar-lhes a combater, enfim, as estatísticas negativas. Ensinar-lhes a serem bons estudantes porque um dia valerá a pena. Fazer-lhes acreditar em Portugal e nas cores da nossa bandeira. Sim, como no futebol. Como iremos crescer mais e melhor, ser mais competitivos, mais profissionais, mais enérgicos e dedicados, se nos falta a atitude? A motivação? Se não acreditamos em nós mesmos? É verdadeiramente impressionante analisar que apenas 0,3% dos dinamarqueses, 0,5% dos holandeses, 0,6% dos suecos e dos finlandeses ou 0,8% dos belgas estão insatisfeitos com a vida que levam nos seus países. Nós, portugueses, sem termos feito absolutamente nada para com eles competir, partimos logo desde o início, com uma distância abismal desfavorável… em motivação e certamente em atitude.

sexta-feira, julho 07, 2006

5º Encontro FRES

Estimados FRESianos e caros visitantes

Informamos que se realiza hoje às 19 horas no Hotel Embaixador, 10º andar, em Lisboa, o 5º encontro geral do FRES. De entre outros assuntos da agenda, serão discutidos e votados os Estatutos do Fórum.

Saudações FRESianas

quarta-feira, junho 28, 2006

General Motors

Mais uma vez o problema da fuga do capital e do investimento estrangeiro. A distância do país face ao centro da europa e a relativa marginalidade geográfica, leva a maiores custos de produção em virtude do transporte de peças e acessórios (e ausência de fornecedores locais). Má gestão, dizem uns, falta de pensamento estratégico, dizem outros, uma vez que a GM se esqueceu da importância da criação de um cluster como se verificou no caso da Auto Europa. Cerca de 90% dos fornecedores da GM em Portugal estão em Espanha e na Alemanha. O objectivo é concentrar a produção no centro da europa, com custos inferiores. Como combater este cenário? Com melhor serviço, boa gestão, mais rapidez, mais profissionalismo, maior competência e maior ritmo de produção. São também necessários incentivos governamentais é certo. Porém, sendo tudo isto verdade, a maior parte destes pressupostos já se verificavam. O problema é mais complexo. De facto é necessário muito mais do que isto. E o que falta teria em parte que partir do investidor porque ao criar um cluster, uma boa parte destes custos seriam abatidos. E isto teria que ter sido observado há muitos anos, aquando do investimento inicial. Neste caso Porugal esteve (e está bem) porque luta pela manutenção deste investimento. Aqui a má gestão veio de fora.

terça-feira, junho 27, 2006

Os nossos Estatutos

Caros Visitantes

O FRES informa que está em preparação e discussão o Projecto de Estatutos do Fórum, pelo que, dentro em breve, poderão proceder à consulta dos mesmos neste mesmo Blog.

Saudações Fresianas

domingo, junho 11, 2006

ENERGIA: FONTES ALTERNATIVAS

A propósito do recente debate sobre as fontes de energia alternativas e renováveis, ocorrido no seio do FRES, junto alguns exemplos e características de energias alternativas que, a serem utilizadas de forma complementar, reduzirão a forte dependência que Portugal tem do petróleo.

Eólica – temos serras e costas marítimas que reúnem condições para tornar economicamente viáveis investimentos neste tipo de energia. O potencial de crescimento é significativo dado que, dos 2.900 MW de potência atribuída para exploração, apenas estão a funcionar 350 MW, quando o objectivo para 2010 é ter 3.750 MW de potência instalada. A causa desta atraso tem sido, segundo a Associação Portuguesa de Energias Renováveis ( APREN), a burocracia ao nível do licenciamento dos parques eólicos, o qual demora de três a sete anos ( em Espanha vai de dois a três anos).

Ondas – segundo especialistas nacionais, o país tem nesta fonte de energia não poluente, um potencial que permitiria satisfazer 25% das actuais necessidades domésticas. Os 500 km de costa continental permitem instalar, segundo aqueles, uma potência entre os 6 gigawatts (GW) e os 9 GW, com custos que poderiam ser suportados gradualmente a médio/longo prazo. Aliás, a primeira central eléctrica a nível mundial de dimensão industrial ( 400 KW) que explora este tipo de energia foi construída em 1993 na ilha do Pico –Açores.

Solar – é uma fonte energética disponível dadas as características climatéricas do país, que se tem tornado cada vez mais acessível dados os avanços tecnológicos na sua obtenção. É contudo ainda cara, devido ao preços dos painéis solares face ao rendimento estimado da sua produção, devendo a sua utilização ser vista como complemento a outras fontes energéticas.

Biomassa – tratando-se de um combustível proveniente dos resíduos florestais, pois é composto por subprodutos como o desperdício da madeira ou o metano dos estrumes, a sua utilização poderá contribuir para a limpeza da floresta e reduzir a intensidade de incêndios que assolam anualmente o país.

Biocombustíveis – podendo ser aplicável ao nível agrícola e industrial, o biodiesel provém de um composto de óleos alimentares que pode ser utilizado em motores a diesel, sendo produzido através de plantas ricas em óleo e de baixo preço, como a colza, palmeira e soja. Esta seria uma forma de rentabilizar a utilização dos terrenos agrícolas disponíveis. O Governo tem como meta conseguir que 10% do consumo de combustíveis pelos transportes públicos, seja deste tipo de energia, pretendendo ainda estimular a produção nacional quer agrícola quer industrial.

Nuclear – polémica quanto baste, os defensores desta fonte energética apresentam-na como uma fonte de energia barata e pouco poluente pois não recorre à combustão fóssil e por isso tem baixas emissões de dióxido de carbono, com grande potencial de produção em larga escala. A sua utilização permitirá, segundo aqueles, a redução do maior problema ambiental do planeta: o aquecimento global causado pelas emissões crescentes de dióxido de carbono. Alguns especialistas defendem no entanto que esta não é solução para o actual problema energético nacional uma vez que serve apenas para a produção de electricidade e não para a produção de calor ( na industria) nem para a utilização nos transportes, pelo menos nos anos mais próximos.
Em conclusão, nenhuma das fontes energéticas renováveis irá suprir, por si só, as necessidades totais do país. O que importa é prosseguir uma estratégia de integração daquelas, de forma complementar e optimizada, na rede eléctrica nacional.

sábado, maio 27, 2006

Escolaridade versus Produtividade

Tendo em referência os estudos e pesquisas em curso relativamente ainda ao tema educação, acrescento mais alguns dados que podem ajudar a provar a correlação entre educação, escolaridade e formação, e a produtividade.

Conclusões de estudos recentes afirmam que cerca de 75% dos portugueses não têm a formação necessária para participar nas tarefas de modernização do país. A OCDE revela que Portugal tem das taxas de escolaridade mais baixas da Europa a 25, sendo ultrapassado por quase todos os países do alargamento, Temos pois que qualificar cerca de 5 milhões de adultos para podermos ultrapassar o fosso que nos separa dos países mais desenvolvidos – Finlândia, Dinamarca e Holanda. Apenas 12% da população activa possui o ensino superior e dois terços dos trabalhadores não chegam sequer ao ensino secundário. Mais de metade dos alunos não concluiu a escolaridade obrigatória. Três em cada dez trabalhadores portugueses têm apenas o 1º ciclo do ensino básico, antiga escola primária. 6% da população não sabe ler nem escrever. Apenas 20% dos portugueses concluem a escolaridade obrigatória.

Há um outro factor extremamente relevante que reforça a importância da formação e qualificação na produtividade: Segundo um inquérito recente ao impacto das acções de formação profissional nas empresas, coordenado pela Direcção Geral de Estudos Estatísticos e Planeamento, quatro em cada cinco empresas que deram formação profissional aos seus funcionários, registaram uma melhoria da produtividade. Em todas elas se registou um aumento da capacidade produtiva, uma elevação da produtividade e da qualidade dos bens e serviços oferecidos, uma melhoria da competitividade, maior satisfação dos clientes e um aumento das exportações.

É, de todas as maneiras, inquestionável, que uma boa parte dos problemas do país reside na educação e formação. A correlação? Com este nível de escolaridade temos associada uma das mais baixas produtividades da União Europeia.

Recomendação entre muitas possíveis: Aproveitar as boas escolas de ensino técnico profissional existentes no país e estabelecer protocolos empresa-escola, de modo a elevar os conhecimentos técnicos dos trabalhadores das empresas. Os empresários e as empresas deverão fomentar, promover e por em prática cursos de formação profissional para os seus colaboradores em articulação com estas escolas – ensino nocturno pós-laboral- cursos trimestrais, semestrais ou anuais ou programas mais longos de 3 anos, de modo desenvolver competências nos trabalhadores das empresas e de igual forma nos próprios empresários. A palavra de ordem deverá ser: levar as pessoas à escola, reciclar, melhorar conhecimentos.

quarta-feira, maio 24, 2006



Ontem começámos mal a nossa campanha dos sub 21, e a reacção? Ainda o jogo não tinha acabado e já se ouviam assobios e apupos por parte do público em vez de manifestações de incentivo e apoio numa altura em que a equipa mais precisava, mas, infelizmente, esta é uma reacção típica do nosso povo.
A OCDE reviu ontem em baixa o crescimento económico para Portugal, e o que fazemos nós? Começamos a discutir se o valor correcto é 0,7 ou 1,1 %. O valor em si é irrelevante, facto é que continuamos a divergir da média da OCDE aumentando a clivagem e o diferencial que nos separam dos países de melhor performance.
Existem várias razões para a perca de performance da nossa economia, uma, é a nossa falta de capacidade de corrermos riscos e tomar a iniciativa.
Ter medo de correr riscos é um sentimento perfeitamente natural. Mas, a verdade é que não existe maior risco para a economia de um país do que a inércia dos seus gestores. Deixar o tempo passar e ficar à espera do momento “certo” para começar a actuar é veneno para o futuro estratégico de uma organização, e por consequência, o maior risco que se pode correr.
Por vezes tomamos a ausência de risco como um ideal, de acordo com o qual o risco é inerentemente perigoso e, o perigo, diz-nos o nosso bom senso deve ser evitado.
Neste caso, todavia, a questão fundamental não é a de eliminar o risco mas sim gerir da melhor forma o risco “ calculado” de uma forma inteligente, inovadora e criativa.
Como empreendedor, o pressuposto fundamental é desenvolver uma pré-disposição para correr riscos. Todavia, arriscar é enfrentar desafios conscientemente porque disso depende o seu sucesso.
È importante aprender a conviver e sobreviver com uma certa “instabilidade” emocional. Os riscos fazem parte de qualquer actividade, é necessário aprender a lidar com o fracasso e não a encará-lo como uma derrota mas sim como uma oportunidade de aprendizagem. Trata-se de aprender com os nossos erros.
Os gestores/colaboradores das nossas empresas deveriam aprender a preocupar-se menos com a Sua imagem e mais com aquilo que pretendem vir a atingir ou seja com a Sua visão do negócio. Para ter A coragem de correr riscos é necessário praticar o acto de correr esses riscos, e arriscar naquilo e nas acções em que acreditamos, e perguntar a nós próprios de uma forma sincera aquilo que no fundo receamos perder.
“Agir em vez de reagir”
Para mudarmos algo temos de acreditar em nós próprios, desenvolver as nossas capacidades, tomarmos a iniciativa. Se queremos mudar o nosso país começemos por mudar a nossa atitude e isso aplica-se ao nosso trabalho diário, ao futebol a outras manifestações desportivas e sociais e, também……… ao FRES.

sexta-feira, maio 19, 2006

EDUCAÇÃO E CONHECIMENTO


A propósito do nosso actual tema de reflexão e investigação: a Educação e o Conhecimento, quero adicionar algumas reflexões pessoais como contributo.
Muito se tem falado da educação em Portugal como factor de produtividade, competitividade e desenvolvimento. Acredito sinceramente que sem educação e conhecimento dificilmente uma empresa, organização ou o próprio país, se tornarão competitivos e desenvolvidos. Contudo creio que não bastam apenas bons níveis de educação, formação ou escolaridade. Parte da produtividade resulta de um certo tipo e qualidade das lideranças existentes, dos níveis de motivação das pessoas, da qualidade das próprias organizações no que diz respeito à sua capacidade de estabelecer adequados métodos de trabalho e, acima de tudo, da atitude das pessoas (sendo certo que desta atitude depende obviamente a sua educação e formação).
Em Portugal o problema da educação e do seu impacto no desenvolvimento e crescimento do país, depende de factores mais complexos do que estes, que designaria de carácter mais estrutural. Em primeiro lugar trata-se de um problema cultural. Como afirma Pedro Carneiro, economista, no seu paper “Equality of opportunity and educational achievement in Portugal” já anteriormente dissecado e apresentado ao FRES pela Cecília Santos - a politica educativa terá que ser criativa e inovadora e envolver sempre a escola e a família. É necessário intervir na criança e na família desfavorecida muito antes desta criança chegar à escola, já que existe uma forte associação entre a educação dos pais e aquela que os seus filhos irão ter. Conclui-se também que a desigualdade quanto ao sucesso escolar é, em parte, explicada pelo sucesso educativo vivido pela família – é esclarecedor deste problema cultural.
Como tem sido defendido por muitos que se preocupam com o problema da educação, acredito igualmente que a melhoria do ensino em Portugal só evoluirá quando os programas escolares (incluindo aqui os universitários) forem mais ousados, menos arcaicos, mais virados para as novas tecnologias nos mais diversos campos (informática, design, ambiente, robótica, energias renováveis, medicina, saúde, marketing, marcas, turismo, gestão empresarial). A prova disto são as estatísticas actuais sobre o ensino em Portugal: temos apenas 11% de licenciados, quando a média da OCDE está acima dos 22%; temos apenas 21% da população com o ensino secundário quando a Espanha tem mais de 60%; apenas 35% da população entre os 25 e os 35 anos tem este nível de escolaridade; etc. Isto apesar de Portugal apresentar um gasto na educação (em percentagem do seu PIB) superior à media dos países da OCDE, um gasto médio por aluno acima da média destes mesmos países e do rácio do número de alunos por professor estar abaixo da média dos mesmos países.
Por fim torna-se indispensável que os pais possam escolher as escolas que querem para os seus filhos (tal qual o modelo Britânico apresentado recentemente por Tony Blair) devendo aquelas desenvolver a sua actividade num quadro competitivo, i.e, em primeiro lugar, terem autonomia de gestão, segundo um plano orçamental previamente estabelecido; depois, lutar pelos seus clientes - os alunos - sendo que se torna indispensável estabelecer um ranking nacional de escolas, no qual esteja reflectida a avaliação destas segundo vários critérios de avaliação, entre os quais, no caso particular das universidades, baseado no número de licenciados do último ano que foram integrados no mercado de trabalho nos primeiros 6 a 12 meses após a licenciatura.

sexta-feira, maio 12, 2006

Artigo publicado por membro do FRES

Foi publicado o artigo do "nosso" Ricardo Pedrosa no Jornal de Negócios sobre a criação de um Banco Multilateral de Desenvolvimento - pag 54, de hoje, sexta -feira, 12 de Maio

segunda-feira, maio 08, 2006

Outrora fomos uma potência mundial, um país que tomou a iniciativa e o rumo do seu destino nas Suas mãos.
Temos um legado e uma tradição de empreendedores a preservar. No passado descobrimos o mundo contra todas as adversidades.
Hoje, em Portugal, estamos sempre à espera de que venha alguém superior (chefe, politico) com as directrizes ou um plano de actuação que tenhamos de seguir.
Não se toma a iniciativa, o espírito empreendedor e a tomada de riscos não são incentivados nas universidades, escolas e em grande parte das empresas. Tem tudo a ver, na minha opinião, com a qualidade de líderes que estamos a formar na nossa sociedade.
Um verdadeiro líder pode não ter a autoridade formal para recompensar ou punir boas/ más prestações, mas as pessoas que o rodeiam reconhecem nele uma verdadeira autoridade ao satisfazer os seus pedidos, ou seja se devidamente motivados os colaboradores tomam a iniciativa sem que seja necessário andar a puxar pelos “ galões”.
Nas organizações inovadoras e modernas as pessoas que são o motor do desenvolvimento das empresas assumem a autoridade apenas e só através do sucesso alcançado em anteriores iniciativas.
A questão vital nesta nova teoria de gestão é a de que os colaboradores seguem um líder porque é essa a sua livre vontade e não porque o têm de fazer.
È essa a motivação que os faz ir para além do trabalho necessário e esperado ou seja o de ir sempre um pouco mais além daquilo que lhes é “ exigido”e que acaba por fazer a diferença com entusiasmo, motivação e paixão.
O Marechal da Prússia Helmuth von Moltke (1800 - 1891) estabeleceu a elaboração de directrizes aos seus oficiais em vez de ordens.
Moltke pretendeu desenvolver o empreendedorismo nas suas fileiras ao motivar os oficiais prussianos a tomas decisões por iniciativa própria.
Os grandes empreendedores criam uma cultura empresarial na qual a sua visão e valores são vividos por colaboradores que pensam de uma forma independente.
Hans Hinterhuber e Wolfgang Popp elaboraram para a HBR um artigo em que , partindo da análise de Moltke sugeriram que os empreendedores e gestores á semelhança de atletas de alta competição ( ex. de Michael Schumacher ou Tiger Woods ) para se tornarem campeões necessitam de muito treino e trabalho continuo com a finalidade de desenvolverem competências pessoais a fim de melhorem as Suas aptidões naturais. Hinterhuber e Popp criaram um questionário que pode ajudar um gestor a medir a Sua competência de liderança e gestão estratégica.
Aqui estão descriminadas as questões que servirão de base para uma análise introspectiva de cada um de nós. 1. Tem uma visão empreendedora sobre o futuro da Sua empresa/departamento? 2. Está consciente da filosofia da empresa e do papel que desempenha nela ? 3. Sente que os seus produtos, serviços ou marca oferecem ao seu cliente um claro beneficio e à sua empresa uma vantagem competitiva sobre os seus concorrentes?
4. As pessoas que dependem de si hierarquicamente agem de uma forma independente e de acordo com os objectivos da empresa sem uma dose exagerada de “supervisão” da Sua parte?
5. O seu departamento/empresa reflecte a Sua própria visão? 6. Envolve os Seus subordinados no planeamento estratégico?
7. Os valores corporativos da sua empresa/departamento estão alinhados com esse planeamento estratégico? 8. Observa atentamente os seus concorrentes de mercado e tenta aprender algo de novo com eles? 9. É da opinião de que o seu sucesso se deve ao seu trabalho árduo e não à sorte? 10. Está a tentar deixar o mundo num local melhor do que aquele que é no presente?

terça-feira, maio 02, 2006

Produtividade e Eficiência Empresarial

Ao reflectir sobre as questões relacionadas com a produtividade e eficiência empresarial, tenho sempre defendido a ideia de que, o que falta às empresas portuguesas, é o desenvolvimento de práticas de gestão numa óptica de marketing.

Significa isto que as empresas nacionais devem estar aptas a saber diagnosticar a situação macro e micro envolvente, identificar mercados alvo, segmentos de clientes e necessidades por satisfazer, planear, estabelecer objectivos, implementar estratégias ao nível do marketing mix, controlar resultados e analisar os desvios face aos objectivos. É aliás, ao nível da gestão estratégica e da capacidade de planear a médio e longo prazos, que encontramos algumas das principais debilidades das empresas e empresários nacionais. Isto porque os gestores e empresários portugueses têm revelado dificuldades em estabelecer objectivos claros, precisos, quantificáveis e realistas e definir as etapas para os atingir. Estas dificuldades resultam em parte da incapacidade, ou aversão, de quem é responsável pela gestão, em redigir planos de trabalho, quer sejam respeitantes a actividades de cariz estratégico, comercial, financeiro ou operacional.

Um plano de marketing bem escrito e adequadamente fundamentado, seja ele de carácter estratégico ou operacional, sustentado em análises e considerações quantitativas e qualitativas estabelecidas segundo um método racional, constitui um instrumento de trabalho precioso, que obriga pelo menos a quem o escreve e a quem o lê, a reflectir sobre questões como: Onde se encontra a organização? Quais as características do seu meio envolvente? Para onde se pretende que esta caminhe?
Parecendo simples, este documento obriga a desenvolver um trabalho de pesquisa, investigação, estudo, análise e observação do mercado, dos clientes e dos concorrentes, o que por um lado, enriquece quem o executa, e que por outro irá beneficiar a organização se adequadamente utilizado.

No entanto surgem com frequência anticorpos à sua criação pelo facto de grande parte dos gestores e empresários nacionais terem aversão, expressando mesmo alguma incapacidade, em passar a escrito as suas ideias e projectos, por outras palavras, redigir um plano. Não nos devemos esquecer que “ palavras leva-as o vento”.
Por outro lado e quando existem, é também difícil por vezes pôr em prática estes planos, dado que, não raramente, estes ficam na gaveta pelo simples facto de que não lhes é atribuída a devida importância o que revela por si só uma forma de ignorância, pois não nos esqueçamos que planear significa trabalhar melhor, permitindo-nos ser mais produtivos e eficientes, e isto, aplica-se tanto no plano organizacional como no plano individual.

Outras questões que afectam a produtividade e eficiência empresarial são aquelas relacionadas com os comportamentos e atitudes das pessoas dentro da organização. Assistimos muitas vezes por parte de alguns colaboradores, à adopção de atitudes que constituem verdadeiros obstáculos ao crescimento interno de uma filosofia e cultura empresarial que possa revestir-se de um espírito de vitória e de positivismo. Emana com frequência destas pessoas um espirito crítico destrutivo acerca de tudo o que as rodeia, resultando não raramente desta atitude, um comportamento de afrontamento contra as ideias de quem se apresenta num outro plano ao nível criativo e motivacional. É também destas pessoas que surgem as maiores dificuldades ao nível comunicacional, as quais se mostram muitas vezes indisponíveis e avessas a dar respostas rápidas, claras, precisas e concisas às questões que lhes são colocadas.

Sabemos também que a produtividade é afectada por hábitos errados de trabalho que teimam em persistir e que são apanágio de uma boa fatia do empresariado nacional, e que se consubstanciam por exemplo em múltiplas reuniões improdutivas, em conversas telefónicas longas e inconsequentes ou em longos almoços sem resultados práticos. Estou em crer que parte da resolução destes problemas passará pela adopção pelas pessoas de novos ritmos e de novas metodologias de trabalho.

Termino esta reflexão sublinhando ainda que uma forte cultura empresarial é, em meu entender, um requisito essencial para uma boa produtividade. Toda a organização deve estar dotada de uma cultura empresarial forte, o que significa que os seus colaboradores partilham de certos princípios, valores, atitudes e comportamentos em relação ao trabalho, desenvolvendo estes numa direcção comum em prol da organização em geral e de cada um deles em particular. E isto significa que a energia de todos é orientada para os mesmos objectivos, significa ainda partilhar experiências e transmitir conhecimentos e a filosofia interna aos novos que ainda não estão aculturados, de modo a contribuir para o aumento da sua motivação, com o objectivo de que estes se sintam como um elemento importante e decisivo para o projecto.

Para estarem à altura dos novos desafios, actuais e futuros, num mundo onde a inovação é contínua, as empresas portuguesas estão obrigadas a atender à importância da cultura empresarial nos termos em que a defini.


Mário de Jesus


sexta-feira, abril 21, 2006

Inteligência vs competências

O conceito de Inteligência Emocional (IE) parte de um conjunto de competências que, em conjunto, definem o que é entendido como relevante para o sucesso individual e organizacional. O conceito não foi inovador, mas Daniel Goleman terá sido responsável pela redefinição, com repercussões mais alargadas na sociedade (principalmente no meio empresarial) da "inteligência" como fonte de sucesso. Assim, a inteligência lógico-matemática perde preponderância para competências como a autopercepção, a percepção social, a auto gestão e a gestão de relações.

Uma competência é uma característica de um indivíduo que está causalmente relacionada com uma performance superior ou efectiva, criteriosamente orientada para uma tarefa ou situação (Spencer & Spencer, Competence at Work).

A Inteligência Emocional aparece, mais tarde que cedo, como uma nova forma de "embalar" um conceito que se define pelos objectivos a atingir. aparece quase como uma emancipação de um conjunto de outras competências que eram consideradas de natureza inferior face ao "status" de um conjunto limitado de competências "superiores" às quais me parece forçado atribuir a exclusividade da racionalidade.

Pessoalmente, parece-me mais útil falarmos de competências (empatia, autopercepção, socialização, de auto-motivação, liderança ...) e de sucesso, seja em que objectivos for. O conjunto de competências que Goleman resolveu "empacotar" na conceito de IE resulta da preponderância de objectivos organizacionais, numa perspectiva de gestão.

Mais útil que empacotar competências parece-me que cada um de nós estabeleça o que para si é sucesso, i.e., o que pretende atingir. O passo seguinte será a detecção das competências necessárias à prossecução desses objectivos como foco de um processo de desenvolvimento pessoal. A boa notícia é que se podem identificar para cima de 70 competências para as quais existem técnicas de desenvolvimento, que podem ser aprendidas e desenvolvidas. A má notícia é que não existe nenhuma "escola" para particulares que resolvam entrar num processo de desenvolvimento pessoal. Existem apenas consultoras ou consultores que se dedicam mais ao mercado empresarial, focados nas necessidades das organizações, e que normalmente se fazem pagar a peso em ouro!

Resta-nos a vasta bibliografia dedicada ao tema e a proficiência no conjunto de competências que compõem a capacidade de autodidactismo. A outra má notícia é que existe uma grande distância entre aprendizagem tácita e explícita de competências. Se um conceito matemático pode ser apreendido mais facilmente por meios explícitos, estes revelam-se claramente insuficientes para o desenvolvimento de competências. Se um curso de liderança baseado em aulas e testes pode ajudar a compreender conceitos de liderança, dificilmente ajudaria alguém a tornar-se melhor líder. O desenvolvimento de competências torna-se possível como resultado de um processo orientado de tentativa e erro, como forma de treino de reacções conscientes e inconscientes. Um desenvolvimento de competências eficaz requer treino, treinador, mentor, ambiente, um local e de uma maneira geral muito mais que a existência de bibliografia sobre o assunto!

Se as organizacões têm merecido a oferta de serviços orientados para o desenvolvimento dos seus recursos humanos, de um conjunto crescente de profissionais e empresas, desde os primórdios da Gestão, os individuais particulares ainda carecem da atenção de uma oferta profissional adequada. Por outro lado, vale a pena analisar a relação entre competências e desenvolvimento económico ao nível das nações, senão na forma de relações de causalidade, pelo menos no estabelecimento de correlações, como fonte motivadora de propostas de abordagem e de teorias de desenvolvimento do recurso mais valioso de qualquer região - as pessoas.


João Mateus

sexta-feira, abril 07, 2006

O ensino técnico-profissional

Em minha opinião o ensino em Portugal vive uma situação de alguma ambivalência, se quisermos focalizar esta análise no âmbito do ensino de nível médio (considerando nesta classificação uma formação de cariz mais técnico-profissional) e do ensino de nível superior universitário.
Ao efectuarmos uma leitura mais atenta à realidade actual do ensino superior universitário, chegamos de forma imediata a quatro principais conclusões : o número de candidatos ao ensino superior diminuiu 10% em 2004 face ao ano anterior; há excesso de universidades para o universo de estudante actuais e potenciais do país, opinião que é partilhada entre os peritos da educação; há uma proliferação excessiva de cursos superiores sem qualquer aderência à realidade da procura e do mercado de trabalho; e por fim, cresce o nível de desemprego entre os detentores de um curso superior. Para melhor ilustrar esta última conclusão, basta referir que, segundo dados recentes do IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional) o desemprego entre licenciados cresceu 51.5% em 2004 face a 2003.

Creio não ser polémica a afirmação de que o actual ensino em Portugal (público ou privado quer seja de nível médio ou superior) é demasiado generalista, de débil relação com as necessidades do tecido empresarial e pouco adequado à realidade económica e social do país. É, nalguns casos, elitista, porque valoriza a formação superior teórica, abstracta e por vezes pouco consistente, face a uma formação de âmbito técnico-profissional de cariz mais prático, que é vista como o parente pobre do ensino. Este elitismo pouco contribui para o desenvolvimento económico e social do país em termos genéricos, sendo muitas vezes difícil aproveitar as suas valências em proveito da indústria e das empresas.

O ensino superior em Portugal, tendo em atenção o vasto leque de cursos disponíveis ( que vão desde as ciências puras às humanidades passando pelas novas tecnologias) está, nalguns casos, divorciado do sector económico e do mundo empresarial. Por um lado, porque o conteúdo programático de uma grande diversidade de cursos universitários pouco tem a ver com as necessidades das empresas, por outro lado, porque também não existem os interfaces adequados para colocar a formação obtida ao serviço e em proveito da indústria (e dentro desta ao nível da investigação e desenvolvimento). Por outras palavras, falta, no decorrer da progressão universitária, efectuar a ligação entre a universidade e a empresa.

Temos por isso em Portugal um ensino pouco ousado e inovador, na preparação dos alunos para uma carreira profissional de grande exigência competitiva, não apenas interna mas internacional. Privilegia-se antes uma formação quase exclusivamente teórica e académica – com grande importância dada aos títulos académicos – em prejuízo de uma sólida formação técnico-profissional. Por isso, Portugal revela carências significativas ao nível da formação média, de cariz mais profissional e experiêncial, em complemento ao ensino universitário actual. Para colmatar esta falha é essencial o desenvolvimento de uma formação de nível técnico-profissional vigorosa e inovadora, que privilegie a obtenção de um grau de especialização técnico-prática, focalizada no objectivo de preparar os jovens estudantes para a aprendizagem de uma profissão. É de pessoas com este tipo de formação que uma larga percentagem de empresas procuram, porque delas necessitam. Serão também estes profissionais de elevada aptidão técnica potencial, que ajudarão a colmatar as debilidades e a falta de competência profissional vigente no seio das empresas nacionais.

Estas são algumas das razões porque importa desenvolver com urgência em Portugal um ensino de grau médio, de vocação técnico-profissional, de cariz prático e experiêncial, como já referido, tendo como finalidade conduzir os alunos ao princípio fundamental do “ saber fazer”.

Seja qual for o ramo da industria nacional ou sector de actividade, existem carências de recursos humanos com estas valências, sendo um facto que existem dificuldades em encontrar profissionais competentes e disponíveis em profissões como electricistas, carpinteiros, pedreiros, canalizadores, ladrilhadores, frezadores, pintores ou torneiros, para dar apenas alguns exemplos. Falta ainda mão-de-obra especializada (com formação em mecânica) para operar nas indústrias utilizadoras de maquinaria mais complexa. Esta escassez de especialistas, contribui, numa boa quota parte, para os problemas de falta de competitividade e eficiência empresarial.

É aqui que se perfila também, a importância dos cursos secundários de cariz tecnológico ( antigos cursos comerciais e industriais já quase extintos) sendo desejável a sua recuperação (apoio e promoção às cerca de 200 escolas ainda existentes) pela adopção de um modelo de ensino secundário que poderá funcionar nos seguintes moldes: a formação secundária no âmbito da escolaridade obrigatória, processar-se-á em tronco comum até ao 9º ano de escolaridade. A partir deste patamar e pelos restantes 3 anos vingará a opção do aluno, podendo esta evoluir por duas vias distintas. Uma de formação mais teórica e generalista, cujo seguimento objectiva o ensino superior universitário. Uma outra via de formação com cariz técnico-profissional, geradora de profissionais bem preparados e melhor qualificados para o emprego com forte componente tecnológica e prática, introduzindo o ensino da informática como ferramenta base. Na primeira via, o aluno terá como destino a universidade, a segunda via, poderá estar concluída no final do secundário, podendo ter o seu seguimento ao nível de um grau de ensino médio, que consolidará os conhecimentos adquiridos ao nível secundário.

Quanto ao papel essencial das escolas neste modelo de ensino, o seu contributo deverá ser analisado tendo como base um modelo de avaliação das mesmas. Sendo estas escolas públicas ou privadas, de formação técnico-profissional mais ou menos acentuada, a sua avaliação poderia ser concretizada pela observação do volume de emprego gerado pela colocação dos seus alunos no mercado de trabalho, pelo que a existência de um ranking nacional será por certo um bom incentivo à melhoria do ensino praticado.


Mário de Jesus

sexta-feira, março 31, 2006

Uma área que necessita de ser apostada com mais determinação por parte das universidades é a do empreendedorismo. Faz falta ao País e ás empresas. Esta, é uma temática que extravasa os limites da Universidade mas, é aqui que se deve começar a trabalhar o conceito. As Universidades não desenvolvem os seus alunos num conjunto de competências chave que lhes permitem encarar de uma forma mais inovadora e criativa o mercado de trabalho, ou seja um curso superior deveria criar valor nos alunos em termos de desenvolvimento do potencial e capacidade de trabalho e no apurar do espírito crítico para que os futuros trabalhadores aprendam a tomar decisões e iniciativas. Há que aproveitar todos esses factores e levar a que se dêem passos que de outra forma jamais seriam dados. Há que exercitar e estimular as mentes. No caso do empreendedorismo, não significa que todos os alunos tenham de criar uma empresa, mas podem e devem tornar-se pessoas mais empreendedoras. As Universidades, hoje em dia, para além do papel fundamental de ensinar e investigar devem também assumir o papel de incentivar e incutir esse espírito nos seus alunos.
Por outro lado, é importante que as empresas criem nas suas estruturas e propósitos corporativos um ambiente propício para o desenvolvimento e implementação destas NOVAS competências.
Para fazer a ponte ( faculdade-mundo laboral) de uma forma construtiva as empresas devem possibilitar ( durante os cursos) aos alunos, pequenos estágios ( blocos de 6 meses) , nos quais, devidamente acompanhados, os alunos poderão liderar pequenos projectos que estimulem precisamente o desenvolvimento destas competências.
Para isso, deveriam ser canalizados apoios e incentivos ( estatais e privados) e a função de uma vaga de estágio deverá ser a de permitir um primeiro contacto e experiência profissional relevante , e não a de “ encher chouriços” à custa de mão de obra “barata”.
Falamos tanto do desemprego entre os jovens licenciados mas, esse desemprego existe em parte, porque esses jovens não saem preparados das faculdades para assumir as tarefas profissionais que o mercado exige, e porquê? Porque as faculdades estiveram 4, 5 ou 6 anos a encher e a atafulhar os cérebros dos jovens com factos e fórmulas, em vez de os ensinar a pensar, a serem criativos, a desenvolverem a auto-estima e a interligar os conhecimentos teóricos com experiências práticas adquiridas em diversos períodos de estágios em empresas.
Estágios estes que poderiam estar inseridos no âmbito de, por exemplo, acordos celebrados entre entidades patronais e universidades, apoiadas pelo governo, fazendo parte do currículo universitário sem os quais os estudantes não poderiam obter a tão almejada licenciatura.

segunda-feira, março 27, 2006

Desenvolvimento, interesse nacional e cultura

Sabemos já que não vale a pena copiar modelos económicos! Cada povo, cada cultura, um modelo. É desta adequação que nasce o desenvolvimento e o progresso. É algo que os economistas tentam compreender e que é tb fonte de crítica ocasional do público em geral. O enquadramento da análise económica em modelos diferentes dá origem a visões diferentes e aparentes desacordos na interpretação do presente e estimação do futuro.
A diferença de opiniões é saudável, principalmente quanto a assuntos para os quais não existem soluções exactas e absolutas! Os economistas não são nem têm que ser uma espécie de partido de classe que precise de se preocupar com uma imagem de coerência para o exterior - imaginem-se reuniões periódicas da ordem dos economistas, cujas deliberações fossem vinculativas, em que se decidisse a corrente de pensamento, interpretações sobre o estado da economia e estimativas a adoptar por todos os economistas membros - absurdo! No entanto, também é verdade que a situação conjuntural das economias pode ditar a maior ou menor adequação de determinada corrente de pensamento.
A tendencia de defesa do "interesse nacional" na economia através da "protecção" dos centros de decisão nas grandes empresas também já não convence. Olhemos para outras economias, e outras culturas, abertas e cosmopolitas, e atente-se ao seu desenvolvimento, patente nos níveis de rendimento, produtividade, de criatividade institucional e de inovação tecnológica. São a justificação do foco na relação equilibrada entre os agentes económicos nos mercados, em detrimento da defesa deste ou daquele "centro de decisão", nacional ou não. A relação equilibrada entre os agentes garante o poder ao mercado como um todo, num lugar onde a procura (o consumidor) tem a possibilidade de escolher entre ofertas alternativas que concorrem pela sua atenção, pelo seu dinheiro, pelo seu voto. Ganha a melhor oferta, ganha o consumidor, ganha uma economia onde sobrevivem as melhores empresas, não as mais subsidiadas, ganha o Estado que recebe mais impostos e concede menos subsídios, ganhamos todos!
Quanto à cultura, parece-me útil o autoconhecimento para enquadramento no que seria um modelo mais "adequado" a Portugal. Sempre com a ressalva de que é sempre possível mudar, mesmo a cultura. Um bom ponto de partida para esse autoconhecimento, numa perspectiva de comparação com o resto do mundo é o estudo de Hoefstede, onde os portugueses aparecem com traços culturais que podem ter tido alguma alteração desde o tempo em que o estudo se efectuou, mas que ainda assim nos dão uma visão da nossa posição no mundo. As diferenças entre portugueses e espanhóis são gritantes! Atente-se às semelhanças com algumas culturas Norte-Europeias ...

Adesão à CEE

Comemorou-se hoje em Bruxelas os 20 anos de adesão de Portugal e Espanha à CEE. Para isso o 1º Ministro Sócrates esteve presente na comemoração desta data. Agora o que julgo ser relevante e merecedor de partilha com todos vós são os números!

Em 20 anos Portugal recebeu da Europa 48 mil milhões de euros de fundos comunitários para o desenvolvimento. Imenso não nos parece? O equivalente a 1/3 do PIB nacional!
E a opinião quase generalizada é que este fundos foram demasiados e ineficientes. Para uns, uma vergonha, uma desgraça para outros, uma benção para tantos, um factor de desenvolvimento e uma ajuda inestimável para ainda outros tantos. Uma economia dependente de Bruxelas disseram alguns.

Arrisco a dizer que eram necessários, bem vindos e justos, mas mal aproveitados uma vez que não investimos o suficiente na formação, na educação e conhecimento, na formação profissional, social e humana. Não investimos o suficiente na preparação das empresas para a internacionalização nem tão pouco na investigação e inovação ao nível das novas tecnologias. E acima de tudo não se geriu de forma rigorosa todos estes fundos. E por isso falámos mal de nós, dos empresários, dos politicos, enfim... de todos nós portugueses.. como habitualmente.

Agora o caso Espanhol: os espanholitos receberam mais do dobro dos fundos destinados a Portugal. Exactamente 100 mil milhões de euros no mesmo período! O que dizer então deste facto? Mereceram mais do que Portugal? Justificaram mais do que Portugal? E quanto à sua utilização? foi melhor ou pior que a portuguesa? Claro que ouve boas e más utilizações e também desvio de utilizações para fins menos próprios. O que é certo, pelo menos para mim, é que nunca ouvi os espanholitos a dizer mal de si próprios, em especial a divulgar aos quatro ventos que os fundos europeus foram desbaratados para fins desadequados.

A questão de Espanha foi mais de estabilidade política (4 governos em 30 anos contra 23 ou 24 em Portugal).

E cá continuamos nós a dar tiros nos pés...


Mário Jesus

sexta-feira, março 17, 2006

E os desafios para Portugal ?

Os desafios para as empresas portugueses que pretendem celebrar sucesso em mercados cada vez mais globais, são muitos e difíceis.
Todavia as empresas são constituídas por pessoas e são estas que estão por detrás de cada caso de sucesso ou insucesso.
A esmagadora maioria das empresas portuguesas são PME´s, cujos destinos, ou melhor dizendo, a responsabilidade da delineação do rumo estratégico a seguir se encontra, muitas das vezes, concentrada nas mãos de uma só pessoa.
Por razões históricas essa pessoa, regra geral, foi o fundador da empresa, esteve na origem da ideia inicial e no desenhar do primeiro plano de negócios, e assim se manteve. Todavia, as empresas vão evoluindo, mas, a organização delas e a capacidade de decisão nem sempre sofreu grandes alterações ao longo dos tempos.
Num mundo complexo, recheado de incertezas, enquadrado num cenário de mudança os nossos empresários necessitam urgentemente de planear estrategicamente. O que significa isso?
Bem, o tema tem sido objecto de constantes debates, inclusive nas campanhas eleitorais, mas existe alguma confusão na interpretação do mesmo.
A essência do Planeamento estratégico para as empresas resume-se, na minha opinião, no colocar de, e responder a, 3 questões chave;
1.) Descobrir o posicionamento em de uma empresa dentro do seu mercado, e qual a Sua competência “core (Missão dessa empresa) ,2.) definir o espaço de negócios que ela pretende vir a ocupar no futuro ( que tipo de oferta ( produtos e/ou serviços) ela pretenderá vir a oferecer e que nichos de mercado ela deverá vir a servir. ( testemunho de visão ). 3.) a forma de como ela pretende vir a atingir esses objectivos ( Plano de negócios ), para isso os lideres dessas PME´s deverão ter a capacidade de conduzir a sua organização através de todo o processo de mudança condicionado por um ambiente Macroeconómico bastante diferente daquele que tínhamos há uns anos atrás.
Existem algumas ferramentas de análise que podem ajudar (ex: SWAT) mas a competência mais importante para vencer este desafio é, na minha opinião, a capacidade de liderança.
Uma liderança que tenha um estilo marcadamente participativo, ou seja uma liderança que tenha por base a capacidade do gestor em inspirar e motivar os seus colaboradores no atingir dos objectivos propostos, aprendendo a delegar, incentivando a iniciativa individual, envolvendo os colaboradores na definição de objectivos e estratégias criando uma cultura empresarial que seja caracterizada por um novo estilo, mais transversal do que vertical ou seja contrário ao modelo tradicional do: “ quero, posso e mando, e quem está mal… muda-se.”
A minha visão é a de que podemos fazer a diferença no nosso país e nas nossas empresas, se “educarmos” os nossos gestores para um novo estilo de liderança que seja inovador e criativo, precisamos de instituir, comunicar e partilhar novos valores corporativos, os nossos gestores necessitam de espelhar uma imagem de entusiasmo, paixão, inspiração, ambição e uma vontade inabalável de vencer.
Criar um ambiente empreendedor dentro das empresas é acima de tudo viver, acreditar e partilhar em todas as situações um sentimento de que vale a pena apostar numa formação profissional adequada e contínua adaptada e desenhada de acordo com as necessidades pessoais de CADA colaborador. A Formação contínua deve ser como uma ida ao alfaiate; cada funcionário deve ter acesso a um pacote de formação individual “feito à medida”.

quarta-feira, março 15, 2006

Portugal Desafios para o futuro

Portugal Desafios para o futuro

(Breve resumo do artigo publicado na edição de Março de 2006 da revista Economia Pura)

“Falta a Portugal a ousadia, capacidade de inovação e de assumir riscos, bem como o atrevimento necessários para criar produtos e serviços de design modernos, com campanhas de promoção agressivas.

Posição geográfica
Plenamente integrado geograficamente no espaço económico, político e social europeu e membro de pleno direito da União Europeia (UE), Portugal está contudo em posição geográfica periférica relativamente ao centro da UE a 25. Por outro lado posiciona-se no centro do triângulo ocupado nos seus vértices pelo Brasil (e América Latina), Europa Ocidental e pela África lusófona (entendida aqui como os países africanos de expressão portuguesa ou PALOP). Este é assim um eixo determinante para Portugal no futuro.

Brasil. As razões a favor do reforço destas relações explicam-se pela própria História dos dois países e em especial pelo papel que Portugal desempenhou enquanto potência colonizadora
Europa. Portugal deve procurar manter-se no que se designa por “pelotão da frente” ou no grupo dos países que correm na “primeira velocidade”. É indispensável que seja cumprido o Pacto de Estabilidade e Crescimento como forma de o País se disciplinar ao nível das finanças públicas e na gestão das variáveis macro-económicas. Cumpridos estes objectivos, estará em melhores condições para atingir um nível de estabilidade económica (e política) indispensável ao crescimento e desenvolvimento social futuros
África. Os países lusófonos são uma excelente plataforma para o relançamento português ao nível económico e empresarial no quadro africano, uma vez que representam mercados alternativos para as empresas e empresários nacionais.
China. Este caso é paradigmático: a presença portuguesa por 500 anos em Macau (eis de novo a importância da História) pode representar um trampolim de acesso à China, dados os sinais da presença Portugal ao nível cultural, económico ou empresarial naquele território.

Educação e escolaridade
No quadro interno são inúmeros os desafios que Portugal vai ter de enfrentar num futuro próximo. De entre estes considero que a problemática da educação e escolaridade é, talvez, a mais determinante de todas as apontadas para o sucesso no futuro. Existe um excesso de oferta a nível universitário dado o elevado número de universidades para os estudantes actuais e potenciais do País havendo também a necessidade de apostar de forma mais vincada no ensino de cariz técnico-profissional.

Organização empresarial
O desafio da produtividade tem muito a ver com três factores essenciais, que, no meu entender, são os principais determinantes para a sua melhoria: a atitude perante o trabalho; as formas de organização empresarial e as competências de gestão dos empresários.

Segurança social
É neste campo que Portugal tem outro dos principais desafios a enfrentar.
Há cerca de 15 anos existiam 8 trabalhadores no activo para cada reformado, hoje este rácio passou de 4 para 1, sendo possível que, daqui a alguns anos (poucos), seja de 2 para 1. Este problema foi agravado na última década com a implementação pelo Estado e empresas (públicas e privadas) das reformas antecipadas.

Emprego
Hoje o desemprego é um dos principais problemas de fundo da sociedade portuguesa e é o que pode provocar não só instabilidade social mas também restrições no consumo interno (menos rendimentos disponíveis para gastar) e ao nível da produtividade agregada (menos indivíduos no activo).

Exportações e internacionalização
Um último ponto: a internacionalização empresarial do País. Se estivermos atentos chegamos à conclusão de que os chamados tradicionais sectores de actividade económica, onde Portugal apresenta elevada experiência, know-how, qualidade e capacidade competitiva, são, na sua maioria, sectores tipicamente exportadores, onde parte dessa competitividade foi obtida (e discutida) nos mercados internacionais. São disso exemplos o sector da cortiça, cristalaria, faianças decorativas, cerâmica, moldes, cortumes, têxteis e calçado, ou dos vinhos (sobretudo os do Porto).
Falta a Portugal enquanto país (e a muitos empresários) a ousadia, capacidade de inovação e de assumir riscos, bem como o atrevimento necessários para criar produtos e serviços cuja oferta se caracterize pela credibilidade, fiabilidade, prestígio e notoriedade, associados a conceitos de design modernos, acompanhados por campanhas de promoção agressivas quer do ponto de vista institucional (do País) quer do ponto de vista empresarial.”

Mário de Jesus