Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

sábado, maio 27, 2006

Escolaridade versus Produtividade

Tendo em referência os estudos e pesquisas em curso relativamente ainda ao tema educação, acrescento mais alguns dados que podem ajudar a provar a correlação entre educação, escolaridade e formação, e a produtividade.

Conclusões de estudos recentes afirmam que cerca de 75% dos portugueses não têm a formação necessária para participar nas tarefas de modernização do país. A OCDE revela que Portugal tem das taxas de escolaridade mais baixas da Europa a 25, sendo ultrapassado por quase todos os países do alargamento, Temos pois que qualificar cerca de 5 milhões de adultos para podermos ultrapassar o fosso que nos separa dos países mais desenvolvidos – Finlândia, Dinamarca e Holanda. Apenas 12% da população activa possui o ensino superior e dois terços dos trabalhadores não chegam sequer ao ensino secundário. Mais de metade dos alunos não concluiu a escolaridade obrigatória. Três em cada dez trabalhadores portugueses têm apenas o 1º ciclo do ensino básico, antiga escola primária. 6% da população não sabe ler nem escrever. Apenas 20% dos portugueses concluem a escolaridade obrigatória.

Há um outro factor extremamente relevante que reforça a importância da formação e qualificação na produtividade: Segundo um inquérito recente ao impacto das acções de formação profissional nas empresas, coordenado pela Direcção Geral de Estudos Estatísticos e Planeamento, quatro em cada cinco empresas que deram formação profissional aos seus funcionários, registaram uma melhoria da produtividade. Em todas elas se registou um aumento da capacidade produtiva, uma elevação da produtividade e da qualidade dos bens e serviços oferecidos, uma melhoria da competitividade, maior satisfação dos clientes e um aumento das exportações.

É, de todas as maneiras, inquestionável, que uma boa parte dos problemas do país reside na educação e formação. A correlação? Com este nível de escolaridade temos associada uma das mais baixas produtividades da União Europeia.

Recomendação entre muitas possíveis: Aproveitar as boas escolas de ensino técnico profissional existentes no país e estabelecer protocolos empresa-escola, de modo a elevar os conhecimentos técnicos dos trabalhadores das empresas. Os empresários e as empresas deverão fomentar, promover e por em prática cursos de formação profissional para os seus colaboradores em articulação com estas escolas – ensino nocturno pós-laboral- cursos trimestrais, semestrais ou anuais ou programas mais longos de 3 anos, de modo desenvolver competências nos trabalhadores das empresas e de igual forma nos próprios empresários. A palavra de ordem deverá ser: levar as pessoas à escola, reciclar, melhorar conhecimentos.

quarta-feira, maio 24, 2006



Ontem começámos mal a nossa campanha dos sub 21, e a reacção? Ainda o jogo não tinha acabado e já se ouviam assobios e apupos por parte do público em vez de manifestações de incentivo e apoio numa altura em que a equipa mais precisava, mas, infelizmente, esta é uma reacção típica do nosso povo.
A OCDE reviu ontem em baixa o crescimento económico para Portugal, e o que fazemos nós? Começamos a discutir se o valor correcto é 0,7 ou 1,1 %. O valor em si é irrelevante, facto é que continuamos a divergir da média da OCDE aumentando a clivagem e o diferencial que nos separam dos países de melhor performance.
Existem várias razões para a perca de performance da nossa economia, uma, é a nossa falta de capacidade de corrermos riscos e tomar a iniciativa.
Ter medo de correr riscos é um sentimento perfeitamente natural. Mas, a verdade é que não existe maior risco para a economia de um país do que a inércia dos seus gestores. Deixar o tempo passar e ficar à espera do momento “certo” para começar a actuar é veneno para o futuro estratégico de uma organização, e por consequência, o maior risco que se pode correr.
Por vezes tomamos a ausência de risco como um ideal, de acordo com o qual o risco é inerentemente perigoso e, o perigo, diz-nos o nosso bom senso deve ser evitado.
Neste caso, todavia, a questão fundamental não é a de eliminar o risco mas sim gerir da melhor forma o risco “ calculado” de uma forma inteligente, inovadora e criativa.
Como empreendedor, o pressuposto fundamental é desenvolver uma pré-disposição para correr riscos. Todavia, arriscar é enfrentar desafios conscientemente porque disso depende o seu sucesso.
È importante aprender a conviver e sobreviver com uma certa “instabilidade” emocional. Os riscos fazem parte de qualquer actividade, é necessário aprender a lidar com o fracasso e não a encará-lo como uma derrota mas sim como uma oportunidade de aprendizagem. Trata-se de aprender com os nossos erros.
Os gestores/colaboradores das nossas empresas deveriam aprender a preocupar-se menos com a Sua imagem e mais com aquilo que pretendem vir a atingir ou seja com a Sua visão do negócio. Para ter A coragem de correr riscos é necessário praticar o acto de correr esses riscos, e arriscar naquilo e nas acções em que acreditamos, e perguntar a nós próprios de uma forma sincera aquilo que no fundo receamos perder.
“Agir em vez de reagir”
Para mudarmos algo temos de acreditar em nós próprios, desenvolver as nossas capacidades, tomarmos a iniciativa. Se queremos mudar o nosso país começemos por mudar a nossa atitude e isso aplica-se ao nosso trabalho diário, ao futebol a outras manifestações desportivas e sociais e, também……… ao FRES.

sexta-feira, maio 19, 2006

EDUCAÇÃO E CONHECIMENTO


A propósito do nosso actual tema de reflexão e investigação: a Educação e o Conhecimento, quero adicionar algumas reflexões pessoais como contributo.
Muito se tem falado da educação em Portugal como factor de produtividade, competitividade e desenvolvimento. Acredito sinceramente que sem educação e conhecimento dificilmente uma empresa, organização ou o próprio país, se tornarão competitivos e desenvolvidos. Contudo creio que não bastam apenas bons níveis de educação, formação ou escolaridade. Parte da produtividade resulta de um certo tipo e qualidade das lideranças existentes, dos níveis de motivação das pessoas, da qualidade das próprias organizações no que diz respeito à sua capacidade de estabelecer adequados métodos de trabalho e, acima de tudo, da atitude das pessoas (sendo certo que desta atitude depende obviamente a sua educação e formação).
Em Portugal o problema da educação e do seu impacto no desenvolvimento e crescimento do país, depende de factores mais complexos do que estes, que designaria de carácter mais estrutural. Em primeiro lugar trata-se de um problema cultural. Como afirma Pedro Carneiro, economista, no seu paper “Equality of opportunity and educational achievement in Portugal” já anteriormente dissecado e apresentado ao FRES pela Cecília Santos - a politica educativa terá que ser criativa e inovadora e envolver sempre a escola e a família. É necessário intervir na criança e na família desfavorecida muito antes desta criança chegar à escola, já que existe uma forte associação entre a educação dos pais e aquela que os seus filhos irão ter. Conclui-se também que a desigualdade quanto ao sucesso escolar é, em parte, explicada pelo sucesso educativo vivido pela família – é esclarecedor deste problema cultural.
Como tem sido defendido por muitos que se preocupam com o problema da educação, acredito igualmente que a melhoria do ensino em Portugal só evoluirá quando os programas escolares (incluindo aqui os universitários) forem mais ousados, menos arcaicos, mais virados para as novas tecnologias nos mais diversos campos (informática, design, ambiente, robótica, energias renováveis, medicina, saúde, marketing, marcas, turismo, gestão empresarial). A prova disto são as estatísticas actuais sobre o ensino em Portugal: temos apenas 11% de licenciados, quando a média da OCDE está acima dos 22%; temos apenas 21% da população com o ensino secundário quando a Espanha tem mais de 60%; apenas 35% da população entre os 25 e os 35 anos tem este nível de escolaridade; etc. Isto apesar de Portugal apresentar um gasto na educação (em percentagem do seu PIB) superior à media dos países da OCDE, um gasto médio por aluno acima da média destes mesmos países e do rácio do número de alunos por professor estar abaixo da média dos mesmos países.
Por fim torna-se indispensável que os pais possam escolher as escolas que querem para os seus filhos (tal qual o modelo Britânico apresentado recentemente por Tony Blair) devendo aquelas desenvolver a sua actividade num quadro competitivo, i.e, em primeiro lugar, terem autonomia de gestão, segundo um plano orçamental previamente estabelecido; depois, lutar pelos seus clientes - os alunos - sendo que se torna indispensável estabelecer um ranking nacional de escolas, no qual esteja reflectida a avaliação destas segundo vários critérios de avaliação, entre os quais, no caso particular das universidades, baseado no número de licenciados do último ano que foram integrados no mercado de trabalho nos primeiros 6 a 12 meses após a licenciatura.

sexta-feira, maio 12, 2006

Artigo publicado por membro do FRES

Foi publicado o artigo do "nosso" Ricardo Pedrosa no Jornal de Negócios sobre a criação de um Banco Multilateral de Desenvolvimento - pag 54, de hoje, sexta -feira, 12 de Maio

segunda-feira, maio 08, 2006

Outrora fomos uma potência mundial, um país que tomou a iniciativa e o rumo do seu destino nas Suas mãos.
Temos um legado e uma tradição de empreendedores a preservar. No passado descobrimos o mundo contra todas as adversidades.
Hoje, em Portugal, estamos sempre à espera de que venha alguém superior (chefe, politico) com as directrizes ou um plano de actuação que tenhamos de seguir.
Não se toma a iniciativa, o espírito empreendedor e a tomada de riscos não são incentivados nas universidades, escolas e em grande parte das empresas. Tem tudo a ver, na minha opinião, com a qualidade de líderes que estamos a formar na nossa sociedade.
Um verdadeiro líder pode não ter a autoridade formal para recompensar ou punir boas/ más prestações, mas as pessoas que o rodeiam reconhecem nele uma verdadeira autoridade ao satisfazer os seus pedidos, ou seja se devidamente motivados os colaboradores tomam a iniciativa sem que seja necessário andar a puxar pelos “ galões”.
Nas organizações inovadoras e modernas as pessoas que são o motor do desenvolvimento das empresas assumem a autoridade apenas e só através do sucesso alcançado em anteriores iniciativas.
A questão vital nesta nova teoria de gestão é a de que os colaboradores seguem um líder porque é essa a sua livre vontade e não porque o têm de fazer.
È essa a motivação que os faz ir para além do trabalho necessário e esperado ou seja o de ir sempre um pouco mais além daquilo que lhes é “ exigido”e que acaba por fazer a diferença com entusiasmo, motivação e paixão.
O Marechal da Prússia Helmuth von Moltke (1800 - 1891) estabeleceu a elaboração de directrizes aos seus oficiais em vez de ordens.
Moltke pretendeu desenvolver o empreendedorismo nas suas fileiras ao motivar os oficiais prussianos a tomas decisões por iniciativa própria.
Os grandes empreendedores criam uma cultura empresarial na qual a sua visão e valores são vividos por colaboradores que pensam de uma forma independente.
Hans Hinterhuber e Wolfgang Popp elaboraram para a HBR um artigo em que , partindo da análise de Moltke sugeriram que os empreendedores e gestores á semelhança de atletas de alta competição ( ex. de Michael Schumacher ou Tiger Woods ) para se tornarem campeões necessitam de muito treino e trabalho continuo com a finalidade de desenvolverem competências pessoais a fim de melhorem as Suas aptidões naturais. Hinterhuber e Popp criaram um questionário que pode ajudar um gestor a medir a Sua competência de liderança e gestão estratégica.
Aqui estão descriminadas as questões que servirão de base para uma análise introspectiva de cada um de nós. 1. Tem uma visão empreendedora sobre o futuro da Sua empresa/departamento? 2. Está consciente da filosofia da empresa e do papel que desempenha nela ? 3. Sente que os seus produtos, serviços ou marca oferecem ao seu cliente um claro beneficio e à sua empresa uma vantagem competitiva sobre os seus concorrentes?
4. As pessoas que dependem de si hierarquicamente agem de uma forma independente e de acordo com os objectivos da empresa sem uma dose exagerada de “supervisão” da Sua parte?
5. O seu departamento/empresa reflecte a Sua própria visão? 6. Envolve os Seus subordinados no planeamento estratégico?
7. Os valores corporativos da sua empresa/departamento estão alinhados com esse planeamento estratégico? 8. Observa atentamente os seus concorrentes de mercado e tenta aprender algo de novo com eles? 9. É da opinião de que o seu sucesso se deve ao seu trabalho árduo e não à sorte? 10. Está a tentar deixar o mundo num local melhor do que aquele que é no presente?

terça-feira, maio 02, 2006

Produtividade e Eficiência Empresarial

Ao reflectir sobre as questões relacionadas com a produtividade e eficiência empresarial, tenho sempre defendido a ideia de que, o que falta às empresas portuguesas, é o desenvolvimento de práticas de gestão numa óptica de marketing.

Significa isto que as empresas nacionais devem estar aptas a saber diagnosticar a situação macro e micro envolvente, identificar mercados alvo, segmentos de clientes e necessidades por satisfazer, planear, estabelecer objectivos, implementar estratégias ao nível do marketing mix, controlar resultados e analisar os desvios face aos objectivos. É aliás, ao nível da gestão estratégica e da capacidade de planear a médio e longo prazos, que encontramos algumas das principais debilidades das empresas e empresários nacionais. Isto porque os gestores e empresários portugueses têm revelado dificuldades em estabelecer objectivos claros, precisos, quantificáveis e realistas e definir as etapas para os atingir. Estas dificuldades resultam em parte da incapacidade, ou aversão, de quem é responsável pela gestão, em redigir planos de trabalho, quer sejam respeitantes a actividades de cariz estratégico, comercial, financeiro ou operacional.

Um plano de marketing bem escrito e adequadamente fundamentado, seja ele de carácter estratégico ou operacional, sustentado em análises e considerações quantitativas e qualitativas estabelecidas segundo um método racional, constitui um instrumento de trabalho precioso, que obriga pelo menos a quem o escreve e a quem o lê, a reflectir sobre questões como: Onde se encontra a organização? Quais as características do seu meio envolvente? Para onde se pretende que esta caminhe?
Parecendo simples, este documento obriga a desenvolver um trabalho de pesquisa, investigação, estudo, análise e observação do mercado, dos clientes e dos concorrentes, o que por um lado, enriquece quem o executa, e que por outro irá beneficiar a organização se adequadamente utilizado.

No entanto surgem com frequência anticorpos à sua criação pelo facto de grande parte dos gestores e empresários nacionais terem aversão, expressando mesmo alguma incapacidade, em passar a escrito as suas ideias e projectos, por outras palavras, redigir um plano. Não nos devemos esquecer que “ palavras leva-as o vento”.
Por outro lado e quando existem, é também difícil por vezes pôr em prática estes planos, dado que, não raramente, estes ficam na gaveta pelo simples facto de que não lhes é atribuída a devida importância o que revela por si só uma forma de ignorância, pois não nos esqueçamos que planear significa trabalhar melhor, permitindo-nos ser mais produtivos e eficientes, e isto, aplica-se tanto no plano organizacional como no plano individual.

Outras questões que afectam a produtividade e eficiência empresarial são aquelas relacionadas com os comportamentos e atitudes das pessoas dentro da organização. Assistimos muitas vezes por parte de alguns colaboradores, à adopção de atitudes que constituem verdadeiros obstáculos ao crescimento interno de uma filosofia e cultura empresarial que possa revestir-se de um espírito de vitória e de positivismo. Emana com frequência destas pessoas um espirito crítico destrutivo acerca de tudo o que as rodeia, resultando não raramente desta atitude, um comportamento de afrontamento contra as ideias de quem se apresenta num outro plano ao nível criativo e motivacional. É também destas pessoas que surgem as maiores dificuldades ao nível comunicacional, as quais se mostram muitas vezes indisponíveis e avessas a dar respostas rápidas, claras, precisas e concisas às questões que lhes são colocadas.

Sabemos também que a produtividade é afectada por hábitos errados de trabalho que teimam em persistir e que são apanágio de uma boa fatia do empresariado nacional, e que se consubstanciam por exemplo em múltiplas reuniões improdutivas, em conversas telefónicas longas e inconsequentes ou em longos almoços sem resultados práticos. Estou em crer que parte da resolução destes problemas passará pela adopção pelas pessoas de novos ritmos e de novas metodologias de trabalho.

Termino esta reflexão sublinhando ainda que uma forte cultura empresarial é, em meu entender, um requisito essencial para uma boa produtividade. Toda a organização deve estar dotada de uma cultura empresarial forte, o que significa que os seus colaboradores partilham de certos princípios, valores, atitudes e comportamentos em relação ao trabalho, desenvolvendo estes numa direcção comum em prol da organização em geral e de cada um deles em particular. E isto significa que a energia de todos é orientada para os mesmos objectivos, significa ainda partilhar experiências e transmitir conhecimentos e a filosofia interna aos novos que ainda não estão aculturados, de modo a contribuir para o aumento da sua motivação, com o objectivo de que estes se sintam como um elemento importante e decisivo para o projecto.

Para estarem à altura dos novos desafios, actuais e futuros, num mundo onde a inovação é contínua, as empresas portuguesas estão obrigadas a atender à importância da cultura empresarial nos termos em que a defini.


Mário de Jesus


sexta-feira, abril 21, 2006

Inteligência vs competências

O conceito de Inteligência Emocional (IE) parte de um conjunto de competências que, em conjunto, definem o que é entendido como relevante para o sucesso individual e organizacional. O conceito não foi inovador, mas Daniel Goleman terá sido responsável pela redefinição, com repercussões mais alargadas na sociedade (principalmente no meio empresarial) da "inteligência" como fonte de sucesso. Assim, a inteligência lógico-matemática perde preponderância para competências como a autopercepção, a percepção social, a auto gestão e a gestão de relações.

Uma competência é uma característica de um indivíduo que está causalmente relacionada com uma performance superior ou efectiva, criteriosamente orientada para uma tarefa ou situação (Spencer & Spencer, Competence at Work).

A Inteligência Emocional aparece, mais tarde que cedo, como uma nova forma de "embalar" um conceito que se define pelos objectivos a atingir. aparece quase como uma emancipação de um conjunto de outras competências que eram consideradas de natureza inferior face ao "status" de um conjunto limitado de competências "superiores" às quais me parece forçado atribuir a exclusividade da racionalidade.

Pessoalmente, parece-me mais útil falarmos de competências (empatia, autopercepção, socialização, de auto-motivação, liderança ...) e de sucesso, seja em que objectivos for. O conjunto de competências que Goleman resolveu "empacotar" na conceito de IE resulta da preponderância de objectivos organizacionais, numa perspectiva de gestão.

Mais útil que empacotar competências parece-me que cada um de nós estabeleça o que para si é sucesso, i.e., o que pretende atingir. O passo seguinte será a detecção das competências necessárias à prossecução desses objectivos como foco de um processo de desenvolvimento pessoal. A boa notícia é que se podem identificar para cima de 70 competências para as quais existem técnicas de desenvolvimento, que podem ser aprendidas e desenvolvidas. A má notícia é que não existe nenhuma "escola" para particulares que resolvam entrar num processo de desenvolvimento pessoal. Existem apenas consultoras ou consultores que se dedicam mais ao mercado empresarial, focados nas necessidades das organizações, e que normalmente se fazem pagar a peso em ouro!

Resta-nos a vasta bibliografia dedicada ao tema e a proficiência no conjunto de competências que compõem a capacidade de autodidactismo. A outra má notícia é que existe uma grande distância entre aprendizagem tácita e explícita de competências. Se um conceito matemático pode ser apreendido mais facilmente por meios explícitos, estes revelam-se claramente insuficientes para o desenvolvimento de competências. Se um curso de liderança baseado em aulas e testes pode ajudar a compreender conceitos de liderança, dificilmente ajudaria alguém a tornar-se melhor líder. O desenvolvimento de competências torna-se possível como resultado de um processo orientado de tentativa e erro, como forma de treino de reacções conscientes e inconscientes. Um desenvolvimento de competências eficaz requer treino, treinador, mentor, ambiente, um local e de uma maneira geral muito mais que a existência de bibliografia sobre o assunto!

Se as organizacões têm merecido a oferta de serviços orientados para o desenvolvimento dos seus recursos humanos, de um conjunto crescente de profissionais e empresas, desde os primórdios da Gestão, os individuais particulares ainda carecem da atenção de uma oferta profissional adequada. Por outro lado, vale a pena analisar a relação entre competências e desenvolvimento económico ao nível das nações, senão na forma de relações de causalidade, pelo menos no estabelecimento de correlações, como fonte motivadora de propostas de abordagem e de teorias de desenvolvimento do recurso mais valioso de qualquer região - as pessoas.


João Mateus

sexta-feira, abril 07, 2006

O ensino técnico-profissional

Em minha opinião o ensino em Portugal vive uma situação de alguma ambivalência, se quisermos focalizar esta análise no âmbito do ensino de nível médio (considerando nesta classificação uma formação de cariz mais técnico-profissional) e do ensino de nível superior universitário.
Ao efectuarmos uma leitura mais atenta à realidade actual do ensino superior universitário, chegamos de forma imediata a quatro principais conclusões : o número de candidatos ao ensino superior diminuiu 10% em 2004 face ao ano anterior; há excesso de universidades para o universo de estudante actuais e potenciais do país, opinião que é partilhada entre os peritos da educação; há uma proliferação excessiva de cursos superiores sem qualquer aderência à realidade da procura e do mercado de trabalho; e por fim, cresce o nível de desemprego entre os detentores de um curso superior. Para melhor ilustrar esta última conclusão, basta referir que, segundo dados recentes do IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional) o desemprego entre licenciados cresceu 51.5% em 2004 face a 2003.

Creio não ser polémica a afirmação de que o actual ensino em Portugal (público ou privado quer seja de nível médio ou superior) é demasiado generalista, de débil relação com as necessidades do tecido empresarial e pouco adequado à realidade económica e social do país. É, nalguns casos, elitista, porque valoriza a formação superior teórica, abstracta e por vezes pouco consistente, face a uma formação de âmbito técnico-profissional de cariz mais prático, que é vista como o parente pobre do ensino. Este elitismo pouco contribui para o desenvolvimento económico e social do país em termos genéricos, sendo muitas vezes difícil aproveitar as suas valências em proveito da indústria e das empresas.

O ensino superior em Portugal, tendo em atenção o vasto leque de cursos disponíveis ( que vão desde as ciências puras às humanidades passando pelas novas tecnologias) está, nalguns casos, divorciado do sector económico e do mundo empresarial. Por um lado, porque o conteúdo programático de uma grande diversidade de cursos universitários pouco tem a ver com as necessidades das empresas, por outro lado, porque também não existem os interfaces adequados para colocar a formação obtida ao serviço e em proveito da indústria (e dentro desta ao nível da investigação e desenvolvimento). Por outras palavras, falta, no decorrer da progressão universitária, efectuar a ligação entre a universidade e a empresa.

Temos por isso em Portugal um ensino pouco ousado e inovador, na preparação dos alunos para uma carreira profissional de grande exigência competitiva, não apenas interna mas internacional. Privilegia-se antes uma formação quase exclusivamente teórica e académica – com grande importância dada aos títulos académicos – em prejuízo de uma sólida formação técnico-profissional. Por isso, Portugal revela carências significativas ao nível da formação média, de cariz mais profissional e experiêncial, em complemento ao ensino universitário actual. Para colmatar esta falha é essencial o desenvolvimento de uma formação de nível técnico-profissional vigorosa e inovadora, que privilegie a obtenção de um grau de especialização técnico-prática, focalizada no objectivo de preparar os jovens estudantes para a aprendizagem de uma profissão. É de pessoas com este tipo de formação que uma larga percentagem de empresas procuram, porque delas necessitam. Serão também estes profissionais de elevada aptidão técnica potencial, que ajudarão a colmatar as debilidades e a falta de competência profissional vigente no seio das empresas nacionais.

Estas são algumas das razões porque importa desenvolver com urgência em Portugal um ensino de grau médio, de vocação técnico-profissional, de cariz prático e experiêncial, como já referido, tendo como finalidade conduzir os alunos ao princípio fundamental do “ saber fazer”.

Seja qual for o ramo da industria nacional ou sector de actividade, existem carências de recursos humanos com estas valências, sendo um facto que existem dificuldades em encontrar profissionais competentes e disponíveis em profissões como electricistas, carpinteiros, pedreiros, canalizadores, ladrilhadores, frezadores, pintores ou torneiros, para dar apenas alguns exemplos. Falta ainda mão-de-obra especializada (com formação em mecânica) para operar nas indústrias utilizadoras de maquinaria mais complexa. Esta escassez de especialistas, contribui, numa boa quota parte, para os problemas de falta de competitividade e eficiência empresarial.

É aqui que se perfila também, a importância dos cursos secundários de cariz tecnológico ( antigos cursos comerciais e industriais já quase extintos) sendo desejável a sua recuperação (apoio e promoção às cerca de 200 escolas ainda existentes) pela adopção de um modelo de ensino secundário que poderá funcionar nos seguintes moldes: a formação secundária no âmbito da escolaridade obrigatória, processar-se-á em tronco comum até ao 9º ano de escolaridade. A partir deste patamar e pelos restantes 3 anos vingará a opção do aluno, podendo esta evoluir por duas vias distintas. Uma de formação mais teórica e generalista, cujo seguimento objectiva o ensino superior universitário. Uma outra via de formação com cariz técnico-profissional, geradora de profissionais bem preparados e melhor qualificados para o emprego com forte componente tecnológica e prática, introduzindo o ensino da informática como ferramenta base. Na primeira via, o aluno terá como destino a universidade, a segunda via, poderá estar concluída no final do secundário, podendo ter o seu seguimento ao nível de um grau de ensino médio, que consolidará os conhecimentos adquiridos ao nível secundário.

Quanto ao papel essencial das escolas neste modelo de ensino, o seu contributo deverá ser analisado tendo como base um modelo de avaliação das mesmas. Sendo estas escolas públicas ou privadas, de formação técnico-profissional mais ou menos acentuada, a sua avaliação poderia ser concretizada pela observação do volume de emprego gerado pela colocação dos seus alunos no mercado de trabalho, pelo que a existência de um ranking nacional será por certo um bom incentivo à melhoria do ensino praticado.


Mário de Jesus

sexta-feira, março 31, 2006

Uma área que necessita de ser apostada com mais determinação por parte das universidades é a do empreendedorismo. Faz falta ao País e ás empresas. Esta, é uma temática que extravasa os limites da Universidade mas, é aqui que se deve começar a trabalhar o conceito. As Universidades não desenvolvem os seus alunos num conjunto de competências chave que lhes permitem encarar de uma forma mais inovadora e criativa o mercado de trabalho, ou seja um curso superior deveria criar valor nos alunos em termos de desenvolvimento do potencial e capacidade de trabalho e no apurar do espírito crítico para que os futuros trabalhadores aprendam a tomar decisões e iniciativas. Há que aproveitar todos esses factores e levar a que se dêem passos que de outra forma jamais seriam dados. Há que exercitar e estimular as mentes. No caso do empreendedorismo, não significa que todos os alunos tenham de criar uma empresa, mas podem e devem tornar-se pessoas mais empreendedoras. As Universidades, hoje em dia, para além do papel fundamental de ensinar e investigar devem também assumir o papel de incentivar e incutir esse espírito nos seus alunos.
Por outro lado, é importante que as empresas criem nas suas estruturas e propósitos corporativos um ambiente propício para o desenvolvimento e implementação destas NOVAS competências.
Para fazer a ponte ( faculdade-mundo laboral) de uma forma construtiva as empresas devem possibilitar ( durante os cursos) aos alunos, pequenos estágios ( blocos de 6 meses) , nos quais, devidamente acompanhados, os alunos poderão liderar pequenos projectos que estimulem precisamente o desenvolvimento destas competências.
Para isso, deveriam ser canalizados apoios e incentivos ( estatais e privados) e a função de uma vaga de estágio deverá ser a de permitir um primeiro contacto e experiência profissional relevante , e não a de “ encher chouriços” à custa de mão de obra “barata”.
Falamos tanto do desemprego entre os jovens licenciados mas, esse desemprego existe em parte, porque esses jovens não saem preparados das faculdades para assumir as tarefas profissionais que o mercado exige, e porquê? Porque as faculdades estiveram 4, 5 ou 6 anos a encher e a atafulhar os cérebros dos jovens com factos e fórmulas, em vez de os ensinar a pensar, a serem criativos, a desenvolverem a auto-estima e a interligar os conhecimentos teóricos com experiências práticas adquiridas em diversos períodos de estágios em empresas.
Estágios estes que poderiam estar inseridos no âmbito de, por exemplo, acordos celebrados entre entidades patronais e universidades, apoiadas pelo governo, fazendo parte do currículo universitário sem os quais os estudantes não poderiam obter a tão almejada licenciatura.

segunda-feira, março 27, 2006

Desenvolvimento, interesse nacional e cultura

Sabemos já que não vale a pena copiar modelos económicos! Cada povo, cada cultura, um modelo. É desta adequação que nasce o desenvolvimento e o progresso. É algo que os economistas tentam compreender e que é tb fonte de crítica ocasional do público em geral. O enquadramento da análise económica em modelos diferentes dá origem a visões diferentes e aparentes desacordos na interpretação do presente e estimação do futuro.
A diferença de opiniões é saudável, principalmente quanto a assuntos para os quais não existem soluções exactas e absolutas! Os economistas não são nem têm que ser uma espécie de partido de classe que precise de se preocupar com uma imagem de coerência para o exterior - imaginem-se reuniões periódicas da ordem dos economistas, cujas deliberações fossem vinculativas, em que se decidisse a corrente de pensamento, interpretações sobre o estado da economia e estimativas a adoptar por todos os economistas membros - absurdo! No entanto, também é verdade que a situação conjuntural das economias pode ditar a maior ou menor adequação de determinada corrente de pensamento.
A tendencia de defesa do "interesse nacional" na economia através da "protecção" dos centros de decisão nas grandes empresas também já não convence. Olhemos para outras economias, e outras culturas, abertas e cosmopolitas, e atente-se ao seu desenvolvimento, patente nos níveis de rendimento, produtividade, de criatividade institucional e de inovação tecnológica. São a justificação do foco na relação equilibrada entre os agentes económicos nos mercados, em detrimento da defesa deste ou daquele "centro de decisão", nacional ou não. A relação equilibrada entre os agentes garante o poder ao mercado como um todo, num lugar onde a procura (o consumidor) tem a possibilidade de escolher entre ofertas alternativas que concorrem pela sua atenção, pelo seu dinheiro, pelo seu voto. Ganha a melhor oferta, ganha o consumidor, ganha uma economia onde sobrevivem as melhores empresas, não as mais subsidiadas, ganha o Estado que recebe mais impostos e concede menos subsídios, ganhamos todos!
Quanto à cultura, parece-me útil o autoconhecimento para enquadramento no que seria um modelo mais "adequado" a Portugal. Sempre com a ressalva de que é sempre possível mudar, mesmo a cultura. Um bom ponto de partida para esse autoconhecimento, numa perspectiva de comparação com o resto do mundo é o estudo de Hoefstede, onde os portugueses aparecem com traços culturais que podem ter tido alguma alteração desde o tempo em que o estudo se efectuou, mas que ainda assim nos dão uma visão da nossa posição no mundo. As diferenças entre portugueses e espanhóis são gritantes! Atente-se às semelhanças com algumas culturas Norte-Europeias ...

Adesão à CEE

Comemorou-se hoje em Bruxelas os 20 anos de adesão de Portugal e Espanha à CEE. Para isso o 1º Ministro Sócrates esteve presente na comemoração desta data. Agora o que julgo ser relevante e merecedor de partilha com todos vós são os números!

Em 20 anos Portugal recebeu da Europa 48 mil milhões de euros de fundos comunitários para o desenvolvimento. Imenso não nos parece? O equivalente a 1/3 do PIB nacional!
E a opinião quase generalizada é que este fundos foram demasiados e ineficientes. Para uns, uma vergonha, uma desgraça para outros, uma benção para tantos, um factor de desenvolvimento e uma ajuda inestimável para ainda outros tantos. Uma economia dependente de Bruxelas disseram alguns.

Arrisco a dizer que eram necessários, bem vindos e justos, mas mal aproveitados uma vez que não investimos o suficiente na formação, na educação e conhecimento, na formação profissional, social e humana. Não investimos o suficiente na preparação das empresas para a internacionalização nem tão pouco na investigação e inovação ao nível das novas tecnologias. E acima de tudo não se geriu de forma rigorosa todos estes fundos. E por isso falámos mal de nós, dos empresários, dos politicos, enfim... de todos nós portugueses.. como habitualmente.

Agora o caso Espanhol: os espanholitos receberam mais do dobro dos fundos destinados a Portugal. Exactamente 100 mil milhões de euros no mesmo período! O que dizer então deste facto? Mereceram mais do que Portugal? Justificaram mais do que Portugal? E quanto à sua utilização? foi melhor ou pior que a portuguesa? Claro que ouve boas e más utilizações e também desvio de utilizações para fins menos próprios. O que é certo, pelo menos para mim, é que nunca ouvi os espanholitos a dizer mal de si próprios, em especial a divulgar aos quatro ventos que os fundos europeus foram desbaratados para fins desadequados.

A questão de Espanha foi mais de estabilidade política (4 governos em 30 anos contra 23 ou 24 em Portugal).

E cá continuamos nós a dar tiros nos pés...


Mário Jesus

sexta-feira, março 17, 2006

E os desafios para Portugal ?

Os desafios para as empresas portugueses que pretendem celebrar sucesso em mercados cada vez mais globais, são muitos e difíceis.
Todavia as empresas são constituídas por pessoas e são estas que estão por detrás de cada caso de sucesso ou insucesso.
A esmagadora maioria das empresas portuguesas são PME´s, cujos destinos, ou melhor dizendo, a responsabilidade da delineação do rumo estratégico a seguir se encontra, muitas das vezes, concentrada nas mãos de uma só pessoa.
Por razões históricas essa pessoa, regra geral, foi o fundador da empresa, esteve na origem da ideia inicial e no desenhar do primeiro plano de negócios, e assim se manteve. Todavia, as empresas vão evoluindo, mas, a organização delas e a capacidade de decisão nem sempre sofreu grandes alterações ao longo dos tempos.
Num mundo complexo, recheado de incertezas, enquadrado num cenário de mudança os nossos empresários necessitam urgentemente de planear estrategicamente. O que significa isso?
Bem, o tema tem sido objecto de constantes debates, inclusive nas campanhas eleitorais, mas existe alguma confusão na interpretação do mesmo.
A essência do Planeamento estratégico para as empresas resume-se, na minha opinião, no colocar de, e responder a, 3 questões chave;
1.) Descobrir o posicionamento em de uma empresa dentro do seu mercado, e qual a Sua competência “core (Missão dessa empresa) ,2.) definir o espaço de negócios que ela pretende vir a ocupar no futuro ( que tipo de oferta ( produtos e/ou serviços) ela pretenderá vir a oferecer e que nichos de mercado ela deverá vir a servir. ( testemunho de visão ). 3.) a forma de como ela pretende vir a atingir esses objectivos ( Plano de negócios ), para isso os lideres dessas PME´s deverão ter a capacidade de conduzir a sua organização através de todo o processo de mudança condicionado por um ambiente Macroeconómico bastante diferente daquele que tínhamos há uns anos atrás.
Existem algumas ferramentas de análise que podem ajudar (ex: SWAT) mas a competência mais importante para vencer este desafio é, na minha opinião, a capacidade de liderança.
Uma liderança que tenha um estilo marcadamente participativo, ou seja uma liderança que tenha por base a capacidade do gestor em inspirar e motivar os seus colaboradores no atingir dos objectivos propostos, aprendendo a delegar, incentivando a iniciativa individual, envolvendo os colaboradores na definição de objectivos e estratégias criando uma cultura empresarial que seja caracterizada por um novo estilo, mais transversal do que vertical ou seja contrário ao modelo tradicional do: “ quero, posso e mando, e quem está mal… muda-se.”
A minha visão é a de que podemos fazer a diferença no nosso país e nas nossas empresas, se “educarmos” os nossos gestores para um novo estilo de liderança que seja inovador e criativo, precisamos de instituir, comunicar e partilhar novos valores corporativos, os nossos gestores necessitam de espelhar uma imagem de entusiasmo, paixão, inspiração, ambição e uma vontade inabalável de vencer.
Criar um ambiente empreendedor dentro das empresas é acima de tudo viver, acreditar e partilhar em todas as situações um sentimento de que vale a pena apostar numa formação profissional adequada e contínua adaptada e desenhada de acordo com as necessidades pessoais de CADA colaborador. A Formação contínua deve ser como uma ida ao alfaiate; cada funcionário deve ter acesso a um pacote de formação individual “feito à medida”.

quarta-feira, março 15, 2006

Portugal Desafios para o futuro

Portugal Desafios para o futuro

(Breve resumo do artigo publicado na edição de Março de 2006 da revista Economia Pura)

“Falta a Portugal a ousadia, capacidade de inovação e de assumir riscos, bem como o atrevimento necessários para criar produtos e serviços de design modernos, com campanhas de promoção agressivas.

Posição geográfica
Plenamente integrado geograficamente no espaço económico, político e social europeu e membro de pleno direito da União Europeia (UE), Portugal está contudo em posição geográfica periférica relativamente ao centro da UE a 25. Por outro lado posiciona-se no centro do triângulo ocupado nos seus vértices pelo Brasil (e América Latina), Europa Ocidental e pela África lusófona (entendida aqui como os países africanos de expressão portuguesa ou PALOP). Este é assim um eixo determinante para Portugal no futuro.

Brasil. As razões a favor do reforço destas relações explicam-se pela própria História dos dois países e em especial pelo papel que Portugal desempenhou enquanto potência colonizadora
Europa. Portugal deve procurar manter-se no que se designa por “pelotão da frente” ou no grupo dos países que correm na “primeira velocidade”. É indispensável que seja cumprido o Pacto de Estabilidade e Crescimento como forma de o País se disciplinar ao nível das finanças públicas e na gestão das variáveis macro-económicas. Cumpridos estes objectivos, estará em melhores condições para atingir um nível de estabilidade económica (e política) indispensável ao crescimento e desenvolvimento social futuros
África. Os países lusófonos são uma excelente plataforma para o relançamento português ao nível económico e empresarial no quadro africano, uma vez que representam mercados alternativos para as empresas e empresários nacionais.
China. Este caso é paradigmático: a presença portuguesa por 500 anos em Macau (eis de novo a importância da História) pode representar um trampolim de acesso à China, dados os sinais da presença Portugal ao nível cultural, económico ou empresarial naquele território.

Educação e escolaridade
No quadro interno são inúmeros os desafios que Portugal vai ter de enfrentar num futuro próximo. De entre estes considero que a problemática da educação e escolaridade é, talvez, a mais determinante de todas as apontadas para o sucesso no futuro. Existe um excesso de oferta a nível universitário dado o elevado número de universidades para os estudantes actuais e potenciais do País havendo também a necessidade de apostar de forma mais vincada no ensino de cariz técnico-profissional.

Organização empresarial
O desafio da produtividade tem muito a ver com três factores essenciais, que, no meu entender, são os principais determinantes para a sua melhoria: a atitude perante o trabalho; as formas de organização empresarial e as competências de gestão dos empresários.

Segurança social
É neste campo que Portugal tem outro dos principais desafios a enfrentar.
Há cerca de 15 anos existiam 8 trabalhadores no activo para cada reformado, hoje este rácio passou de 4 para 1, sendo possível que, daqui a alguns anos (poucos), seja de 2 para 1. Este problema foi agravado na última década com a implementação pelo Estado e empresas (públicas e privadas) das reformas antecipadas.

Emprego
Hoje o desemprego é um dos principais problemas de fundo da sociedade portuguesa e é o que pode provocar não só instabilidade social mas também restrições no consumo interno (menos rendimentos disponíveis para gastar) e ao nível da produtividade agregada (menos indivíduos no activo).

Exportações e internacionalização
Um último ponto: a internacionalização empresarial do País. Se estivermos atentos chegamos à conclusão de que os chamados tradicionais sectores de actividade económica, onde Portugal apresenta elevada experiência, know-how, qualidade e capacidade competitiva, são, na sua maioria, sectores tipicamente exportadores, onde parte dessa competitividade foi obtida (e discutida) nos mercados internacionais. São disso exemplos o sector da cortiça, cristalaria, faianças decorativas, cerâmica, moldes, cortumes, têxteis e calçado, ou dos vinhos (sobretudo os do Porto).
Falta a Portugal enquanto país (e a muitos empresários) a ousadia, capacidade de inovação e de assumir riscos, bem como o atrevimento necessários para criar produtos e serviços cuja oferta se caracterize pela credibilidade, fiabilidade, prestígio e notoriedade, associados a conceitos de design modernos, acompanhados por campanhas de promoção agressivas quer do ponto de vista institucional (do País) quer do ponto de vista empresarial.”

Mário de Jesus

sexta-feira, março 10, 2006


Fala-se hoje tanto na falta de competitividade das empresas portuguesas face ás suas congéneres estrangeiras, da necessidade emergente em ser criado valor para os seus accionistas e do fraco “rendimento” da nossa economia. As sociedades modernas não são economias de mercado, são economias de organizações em que as empresas são o factor fundamental na criação de valor e no progresso económico, ou, tal como Peter Drucker afirmou:” as organizações são a principal invenção da sociedade moderna e no centro delas está a criação de valor”. Mas o que significa a criação de valor? Do ponto de vista financeiro e duma forma muito simplista podemos afirmar que uma empresa estará a criar valor se o resultado da produção de um bem tiver um retorno financeiro maior do que o valor dos recursos investidos no seu fabrico.
Todavia, a questão fundamental, na perspectiva de
Sumantra Ghoshal, não é, como "comer" o máximo de um valor criado mas sim como criar novo valor, pelo que, a missão das organizações comerciais que concorrem num determinado mercado não deve ser a de tentarem apropriar-se da maior fatia desse valor, pois, assim, os interesses delas não são compatíveis com os da sociedade.
Para se adaptarem melhor a este cenário de mudança as empresas portuguesas precisam de estratégias não lineares para criar “o tal “ novo valor, ou como afirma Gary Hamel, de desenvolver as suas capacidades de continuamente redesenhar produtos e conceitos de serviços, recriando as fronteiras dos mercados. No fundo, trata-se de reinventar as regras do jogo.
Existe hoje um consenso generalizado de que vivemos num mundo cada vez mais globalizado e não linear, marcado por uma nova geração de consumidores, que não são tão "leais" como as gerações anteriores, que são mais "experimentais", pelo que, vivemos num mundo económico mais "aberto". A maior parte das estruturas empresariais portuguesas estão obcecadas por uma tentativa sistemática de "apanhar" as líderes de mercado, todavia ,na maior parte dos casos, nunca o conseguem e perdem muito tempo em "benchmarking" e a analisar relatórios de vendas e índices de performance, mas, não resolvem a equação.
As organizações verdadeiramente inovadoras são as que são capazes de revolucionar a sua estratégia. Criar novos conceitos e reinventar os moldes em que operam.
Para que isto aconteça a missão das nossas empresas deverá ser, na minha opinião, a de desenvolver um processo incubador de gerar novo valor e não um objectivo predador de apropriação do valor existente. Uma firma é também uma instituição social e não só económica, ou seja o objectivo não deverá ser o de ganhar cota de mercado, apenas baixando preços e níveis de serviço existentes, reduzindo custos à conta de trabalho precário, não qualificado e mal remunerado esperando assim sobreviver à custa de praticar os preços mais baixos, mas sim, o de procurar e criar novas oportunidades de negócio bem como novos nichos de mercado criando assim o tal novo valor que apoie a criação de postos de trabalho qualificados contribuindo para a comunidade em que está inserida também em termos de pagamentos de impostos suplementares adjacentes a uma melhoria de margens, lucros e vendas.
O preço é, como se sabe, apenas, uma das dimensões da competitividade, e, para celebrar sucesso no futuro as empresas portuguesas necessitam de inovar e reinventar as suas estratégias, para isso, precisam de inspirar e motivar os trabalhadores para atingir os objectivos propostos nessas novas estratégias, aplicando um novo estilo de liderança, um estilo participativo em que tentem captar e fomentar a imaginação e criatividade de cada colaborador.
Para tal os gestores de topo deverão abdicar do seu “direito” exclusivo no delinear de estratégias envolvendo também outros níveis hierárquicos internos nessas análises e discussões, deverão concentrar os seus recursos numa busca incessante de procurar em fornecer novos benefícios para os Seus clientes e travar uma luta sem quartel a todos os factores internos que inibam a criatividade.
Os empresários portugueses necessitam de aprender a encorajar o empreendedorismo a todos os níveis, aprender a celebrar e partilhar sucesso, banir a nostalgia em relação a modelos de negócio obsoletos criando novos e vibrantes mercados internos nos campos da inovação a fim de reter e atrair capital financeiro e humano.



quarta-feira, março 08, 2006

Notoriedade e Imagem positiva

Em recente conferência realizada em Lisboa pelo Banco de Portugal, subordinada ao tema do desenvolvimento económico de Portugal no espaço Europeu, foi apresentado por um dos oradores um modelo de desenvolvimento económico para uma melhor competitividade para Portugal, no meu entender, no mínimo discutível. Não pretendendo referir aqui todas as premissas apresentadas nesse modelo, gostaria apenas de mencionar algumas das questões que me pareceram mais relevantes e objecto de alguma controvérsia.

Defendia esse modelo, a necessidade de proceder a uma desvalorização real dos salários, como forma mais eficaz e imediata de resolver os problemas da falta de competitividade nacional, pelo facto de este caminho poder proporcionar um impacto menos negativo (em termos de desemprego) no processo de ajustamento da economia Portuguesa. Curiosamente esta ideia faz-me recordar o modelo passado de competitividade com base nos baixos salários. Esta proposta era em parte baseada no facto de se verificar, dentro de um determinado período de tempo, um crescimento nominal dos salários e dos custos unitários do trabalho, acima do crescimento da produtividade.

Defendia igualmente este orador (e aqui não estarei em desacordo) que o país deveria investir num turismo vocacionado para os centro Europeus, em idade de reforma, cujos rendimentos que dispõem lhes permitem usufruir (e exigir) de uma oferta turística de alguma qualidade de acordo com as suas necessidades e expectativas. Esta oferta deverá no entanto ser oposta à oferta tradicional e baseada num portfólio diverso de produtos e serviços mais sofisticados, como por exemplo a qualidade de serviços de saúde.

Segundo o autor, este modelo de desenvolvimento com base no crescimento e diferenciação do sector turístico, deverá ser adoptado em vez do tão defendido modelo de desenvolvimento económico português baseado no conhecimento e no desenvolvimento de novas competências nas novas tecnologias. Neste ponto não poderia estar mais em desacordo. Não por não acreditar no turismo.

Em face das soluções atrás referidas, chego à conclusão que o país revela uma necessidade absoluta de investir na sua imagem e notoriedade. Senão vejamos.

Se é certo que para combater os problemas da produtividade, esta deve crescer a taxas superiores às taxas de crescimento nominal dos salários bem como dos custos unitários do trabalho, quanto a mim esta não deve ser a abordagem prioritária para combater o fraco crescimento da produtividade em Portugal.

Não nos esqueçamos de algumas das variáveis do modelo de crescimento e desenvolvimento da Irlanda: aposta determinante na educação e conhecimento como valorização dos recursos humanos, controlo das despesas públicas correntes, redução dos impostos sobre as empresas (o que contribuiu para intensificar o investimento directo estrangeiro) e que permitiu aumentar a produtividade.

Para Portugal o problema essencial passa por: grande investimento na educação e formação – desenvolvimento de novas competências – elevação da motivação – elevação da produtividade per capita e agregada – aumento da competitividade em termos internacionais.

Voltando à questão da imagem e da notoriedade do país, é essencial divulgar lá fora o que de bom e positivo temos vindo a construir nos últimos anos. Como é possivel não nos lembramos dos casos de sucesso e de excelência desenvolvidos internamente em sectores como o das tecnologias de informação e comunicação ( telemóveis pré-pagos, sistema de pagamento da via verde, mapas e livros virtuais, jogos virtuais, ritmo de penetração da internet nas escolas e nas empresas e adopção destas novas tecnologias). Observemos o ritmo e intensidade com que aderimos aos sistemas de pagamento electrónico, como o Multibanco, os cartões de crédito ou o uso do telemóvel ou dos contactos via SMS, para facilmente concluirmos que, ao nível das novas tecnologias, somos early adopters.

Veja-se ainda o sucesso de algumas das nossas empresas de telecomunicações no exterior, em mercados tão distantes como o Brasil ou Angola. E que dizer ainda dos prémios ganhos por alguns dos nossos compatriotas inventores em concursos internacionais? Casos que, infelizmente por falta de investimento em capital, ou porque simplesmente não se revelam rentáveis no curto prazo, são esquecidos. Estes são activos que o país não pode descurar.

Também no campo da genética e da biotecnologia, temos exemplos de sucesso, onde podemos encontrar empresas que desenvolvem investigação na procura de medicamentos aplicados na cura de doenças como o cancro ou que se dedicam ao trabalho de investigação em células estaminais. Estamos a Investir em Portugal em parques de biotecnologia (como o de Cantanhede). Estas nossas empresas são já reconhecidas internacionalmente.

É um facto que Portugal tem um bom activo que é a oferta turistica, a qual não esgotou o enorme potencial que representa como factor de crescimento económico e de competitividade futura. Aqui estou de acordo com o nosso orador. Portugal, para além de bom sol, boas praias, excelente gastronomia e bons vinhos é também pacatez, segurança, estabilidade politica e social. Estes são bens e serviços transaccionáveis, que nos permitem criar uma oferta de elevada qualidade e sofisticação.

Os 800 Km de costa com um mar rico em especies piscícolas e potencial de aproveitamento energético através das ondas, a localização geográfica do país em latitude e longitude e a sua topografia, que nos permitem aproveitar como poucos os recursos para o desenvolvimento da energia eólica e da solar (sendo certo que para tal são necessários determinados recursos financeiros –o que acredito ser uma questão de tempo) e esta beleza natural, são activos potenciais a rentabilizar fora de um modelo de crescimento baseado nos baixos salários. E isto para não falar da desmotivação surgida com um crescimento nominal negativo dos mesmos, tendo em atenção o conhecimento generalizado que já estamos a anos de distancia dos rendimentos médios dos nossos parceiros mais próximos.

É igualmente importante não esquecer alguns dos sectores económicos onde Portugal apresenta uma elevada competitividade internacional, os chamados tradicionais, como os moldes, cortiça, cristalaria, calçado, cerâmicas decorativas, componentes para a industria automóvel ou aglomerados de madeira, onde deveremos continuar a apostar. Nenhum país de elevada competitividade abandona fácilmente os sectores onde conquistou as suas vantagens competitivas ao longo de décadas.

Por tudo isto julgo que existe ainda um preocupante desconhecimento do país nos mercados externos, uma imagem de Portugal desfocada e fora de tempo, que urge rejuvenescer. A qual se demonstra existir entre alguns académicos que nos visitam.

Como alguns afirmam, Portugal deve deixar de aparecer como país do sul da Europa para ser antes um país do Oeste da Europa. Temos que reposicionar-nos geográficamente.

Este rejuvenescimento terá que ser concretizado através de uma campanha de imagem institucional forte, coesa, agressiva e bem organizada, coordenada entre os organismos nacionais responsáveis (embaixadas, consulados, icep) centrada em conceitos de credibilidade, prestígio, fiabilidade, simpatia, calma e segurança. É urgente a criação de um slogan forte de modo a aumentar a notoriedade e a imagem positiva do país.

Mário de Jesus

terça-feira, dezembro 27, 2005

Carta de Princípios e Valores

Liberdade Individual

A liberdade individual é um dos maiores valores do ser humano nos tempos actuais e uma das maiores conquistas do Homem no quadro das sociedades modernas, sendo um valor primordial inalienável. A liberdade do indivíduo ao nível das suas ideias, actos e vontades, é um dos valores que consideramos mais importante para o ser humano e para o são desenvolvimento de uma vivência social e colectiva. Deve ser absolutamente respeitada por todos os cidadãos, Estado e quaisquer Instituições públicas ou privadas, em iniciativas quer de caracter económico quer de caracter social. Contudo esta liberdade deve ser acompanhada por um elevado sentido de responsabilidade pelas ideias, actos e vontades próprias da pessoa humana, no respeito pelos outros cidadãos, pelo Estado e pelas restantes Instituições. É pois essencial que cada indivíduo saiba onde começa e acaba a sua liberdade individual, sem o prejuízo da liberdade do seu semelhante. Deverá ser o Estado, em última instância, o garante dessa liberdade.


Família

Entendemos ser a família, nas suas diversas formas, a célula fundamental da sociedade e um dos pilares não só de cada sociedade mas também do equilíbrio de cada indivíduo que a integra. O desenvolvimento social, intelectual e comportamental do ser humano depende, na sua essência, do núcleo familiar e da própria estabilidade desse núcleo. Cada indivíduo deve escolher o modelo de família que mais se adequar à sua vivência social e à sua estrutura mental, mas sempre no respeito pelos outros modelos familiares. Dada a importância que a família apresenta no crescimento e desenvolvimento das crianças e do equilíbrio do Homem adulto, é essencial que todos prezem, estimulem e protejam as diversas formas de vivência em família e que o Estado, no quadro das suas obrigações sociais, desenvolva as políticas que conduzam ao bem estar económico e social das famílias, que facilite o trabalho conjugado com a educação dos filhos e que promova o debate, o esclarecimento e crie as condições para que outras formas de modelos familiares sejam aceites.


Trabalho

O trabalho deve constituir um direito de todos os cidadãos mas também uma obrigação de cada cidadão, pois deve constituir o contributo de todos os indivíduos na construção de uma sociedade melhor, mais justa, solidária, desenvolvida e evoluída. O esforço decorrente do trabalho produzido pelos cidadãos deve ter o reconhecimento e a devida compensação por parte das organizações em particular e da sociedade em geral, devendo premiar-se a competência, o mérito, a eficiência, os benefícios obtidos e o sucesso alcançado, não só em termos particulares mas também em termos dos benefícios e do bem estar que possa proporcionar à sociedade. O trabalho deve constituir uma forma de realização humana e de investimento no futuro das gerações actuais e vindouras, devendo ainda servir como elemento da construção e felicidade de cada indivíduo.


Independência

Um dos valores fundamentais que partilhamos é o de total independência. Em relação às organizações partidárias ou outras, às correntes políticas, aos modelos sociológicos, sociais ou religiosos de organização da sociedade, às diversas opiniões e correntes de pensamento vigentes ou passadas e em relação aos líderes de opinião. Apenas defendemos a liberdade de expressão e de opinião de forma totalmente independente. É no livre pensamento e opinião, sem sujeição a qualquer tipo de limitações ou tabus quanto a temas a abordar, que encontramos a verdadeira razão para uma intervenção cívica activa e descomprometida.


Sociedade

Viver em sociedade é um dos princípios básicos do ser humano, o qual, tendo como referência o respeito pelos outros seres humanos, deve pautar o seu comportamento e as relações com os outros procurando desenvolver novas formas de socialização, num quadro de liberdade e responsabilidade individual e colectiva. Entendemos a sociedade como o espaço onde as pessoas se movem, se relacionam, coabitam e interagem, onde se criam normas de conduta que a todos podem favorecer, onde se estabelecem regras, procedimentos e modelos comportamentais que a todos podem servir e proteger, onde o ser humano aprende novas formas de organização. É o espaço onde todos devem contribuir com as suas experiências e conhecimentos com vista a construírem uma sociedade melhor, mais forte, solidária, democrática, justa e coesa.


Desenvolvimento

O desenvolvimento constitui um objectivo que cada cidadão e a comunidade em geral devem ter sempre presente no seu quotidiano, dado que é nele que reside o êxito e o progresso económico e social.
É o resultado de um processo iterativo, recorrente e dinâmico que, por envolver muitas variáveis, não tem uma solução única. Para atingir um elevado nível de desenvolvimento (seja individual, colectivo ou nacional), são necessários alguns valores essenciais tais como a responsabilidade, o rigor, a competência e a coragem.
Apenas a adopção de medidas articuladas e sustentadas permite alcançar o objectivo do desenvolvimento. De facto, de pouco serve para o interesse nacional o esforço dos agentes produtivos em assumirem uma forte cultura de trabalho se o Estado, na acepção mais lata da palavra, não praticar a mesma postura empreendedora; mas, por outro lado, também não servirá muito a existência de um Estado moderno e renovado se os agentes tiverem condutas obsoletas ou não progressivas.
Por ser um objectivo de longo prazo, é necessário começar hoje, sendo essencial passar dos discursos, princípios e intenções para as acções.


Justiça

A procura e a promoção de uma sociedade moderna e coesa pressupõem a defesa da justiça como um valor primordial. Uma justiça eficaz é essencial para o desenvolvimento económico e social. Uma sociedade justa deve regular de forma adequada as relações entre os seus cidadãos e as suas instituições, através de um sistema judicial eficaz e eficiente. A importância da justiça traduz-se a vários níveis, quer no âmbito económico quer social. Um dos aspectos que melhor caracterizam as sociedades evoluídas é que existam leis justas e que estas sejam cumpridas. Uma sociedade justa proporciona a protecção dos direitos dos seus cidadãos e das instituições que a compõem, respeitando as iniciativas de caracter privado quer no campo económico ou social.


Educação

A educação é um dos pilares base do desenvolvimento humano e das sociedades. É também a base do desenvolvimento do próprio mundo, entendido como o conjunto de todas as sociedades que o compõem e das múltiplas relações que entre elas se estabelecem. É através da educação que cada sociedade transmite aos seus membros um conjunto de princípios, valores e conhecimentos, que permitem que cada individuo possa desenvolver as suas aptidões, utilizá-las na sua sobrevivência e crescimento e colocá-las ao serviço da sociedade em que se integra. A educação deve abranger ( ao longo da vida do ser humano) um conjunto vasto de competências ( técnicas, humanas, morais, etc. ) de modo a permitir que cada indivíduo paute a sua conduta por um conjunto de saberes e valores actualizados de acordo com o estágio de desenvolvimento e características da sociedade em que se insere.
Tendo em consideração que o crescimento económico moderno deriva da inovação tecnológica e do conhecimento, o qual permite o aumento da criação de valor, a educação não pode deixar de constituir uma prioridade na política de qualquer governo. Uma população com altos níveis educacionais é fundamental para gerar a investigação científica que se traduzirá em inovação tecnológica, crescimento e desenvolvimento.


Ciência

A Ciência é o conhecimento aprofundado do ser humano e do seu meio ambiente. Desenvolve-se através de cada um dos seus inúmeros ramos particulares e específicos, caracterizados pela sua natureza empírica, lógica e sistemática. A ciência deve desenvolver-se em prol da Humanidade, ou se quisermos ser mais específicos, em prol da sociedade, qualquer que seja a sua forma de organização e estágio de desenvolvimento, de modo a proporcionar ao Homem o aumento da sua qualidade de vida.


Economia

A economia é uma ciência que estuda os fenómenos relacionados com a obtenção e utilização dos recursos materiais necessários ao bem-estar da sociedade. Deve, como tal, ser intervencionada pelos diversos agentes económicos, agindo cada um em função dos seus interesses particulares mas em interacção com os outros agentes. Neste quadro, o Estado deve ter um papel pouco interventivo não prescindindo no entanto do seu papel de agente regulador. Os recursos disponíveis deverão ser utilizados de forma cautelosa, eficiente e ponderada para que se reduzam os gastos desnecessários e se evitem os desperdícios, possibilitando por esta via um desenvolvimento económico e social gradual e sustentado. Mas a economia é acima de tudo uma ciência social pelo que a sua acção deve ter como finalidade a melhoria do bem estar dos cidadãos através de uma mais justa distribuição da riqueza gerada.


Relações Sociais e Humanas

A integração de Portugal na UE, a globalização, a competitividade e a produtividade neste mercado aberto e colectivo, pressiona a nossa sociedade para dar respostas adequadas no sentido de promover essa competitividade e produtividade. Os acréscimos de eficiência económica que se pretendem visam, no nosso entender, atingir um grau de satisfação e bem estar colectivos na exacta medida em que se promovam avanços económicos capazes de desenvolver o pais, de modo a que este desenvolvimento nunca esqueça os direitos sociais e o desenvolvimento social e humano que constitui o objectivo final da riqueza de qualquer nação que pretenda aprofundar a sua democracia.
Para trilhar este caminho é cada vez mais indispensável desenvolver um modelo de coesão social, no seio do qual as relações sociais e humanas se desenvolvam sem um clima de crispação o que só será possível se houver uma justa repartição da riqueza criada, o que pressupõe o funcionamento adequado das instituções.


Portugal na Europa e no Mundo

Maximizar as vantagens da integração europeia e das relações bilaterais à escala mundial tem sido, a todos os níveis, um enorme desafio para o nosso País. Portugal nem sempre tem conseguido alcançar o melhor equilíbrio entre o seu papel de Estado Membro da União Europeia e a sua vertente atlântica no relacionamento com outros países, especialmente os lusófonos.
O último alargamento da União Europeia veio aumentar decisivamente esse desafio. É necessário uma postura colectiva, de cooperação, que, de uma vez por todas, nos consciencialize para a importância e urgência em encetar medidas certas e duradouras, a serem implementadas no sentido de se encontrar soluções práticas para os problemas vitais da concorrência e da deslocalização do capital para os novos países aderentes.
É hora de assumir que o nosso destino deve ser mudado. A Europa e as restantes regiões do Mundo não podem ser estanques, como alguns podem ainda pensar; bem pelo contrário, são duas faces da mesma moeda e, portanto, vertentes complementares que requerem uma articulação nas políticas a adoptar. A relação de Portugal com países como a India ou a China, são essenciais para nos posicionarmos no mapa mundial. As relações com os países lusófonos são a saída lógica do país para a crise económica e empresarial que atravessa.
Se alcançarmos o tão desejado e quase épico objectivo de aumentar a qualidade e o valor acrescentado dos nossos bens e serviços, conseguiremos assegurar um feito notável que consiste em aproveitar a melhoria da competitividade da economia portuguesa para conquistar novos mercados, melhorarmos o nível de vida de várias gerações, fortalecer o poder económico e político nacionais face ao exterior e, simultaneamente, revermo‑nos na nossa própria História.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Caracterização

1. Caracterização

É um Fórum de reflexão sobre temas de caracter económico e social. Constituído por um grupo de pessoas com ideias e preocupações comuns, mas naturalmente distintas, é um núcleo de debate de ideias e expressão de opiniões. O Fórum é composto por um conjunto de cidadãos anónimos, cuja motivação é a discussão e partilha de preocupações e ideias que defendem.

Entre os seus membros encontram-se por exemplo professores, economistas, engenheiros, biólogos, gestores, enfermeiros, designers e ainda profissionais de outras áreas. São profissionais liberais, quadros de empresas privadas e de entidades públicas.

O Fórum funciona através do debate de casos concretos da sociedade portuguesa, da partilha de ideias e opiniões sobre determinados temas que ao grupo se apresentem como relevantes e dignos de interesse. Os temas principais são aqueles relacionados com assuntos de caracter económico, sociológico, empresarial e social.

Como temas igualmente importantes para o Fórum estão as questões de carácter ambiental, a educação ou o desenvolvimento tecnológico com impacto social ou económico.

O objectivo é contribuir (através do debate de ideias e expressão de opiniões, sendo estas, sempre que possível e justificável, tornadas públicas através da sua publicação em jornais e revistas ou edição na internet) para a construção de uma sociedade mais competitiva (nos vários âmbitos objecto da discussão) – este é o contributo intelectual dos seus membros para a resolução de problemas da desigualdade, produtividade e competitividade.

2. Funcionamento e Formas de Intervenção

Este Fórum pretende desenvolver várias iniciativas, sendo o limite a criatividade dos seus membros. Essencialmente pretende ser um grupo de acção cívica de observação dos fenómenos que afectam a sociedade portuguesa e de intervenção intelectual através das seguintes acções:

i) Conferências, reuniões ou tertúlias para debater temas, ideias e ocorrências sempre que houver um assunto de relevância sobre a sociedade portuguesa, julgado importante para os membros do Grupo.

ii) Outros eventos como a realização de almoços ou jantares/debate, nos quais poderão vir a participar convidados cujo contributo para o debate seja, no entender do Grupo, importantes e de valor.

O resultado destes eventos/encontros poderá resultar na produção de algum texto que exponha o resultado obtido para o indivíduo ou para o próprio Grupo. Este pode decidir sobre a relevância da sua publicação. A publicação dos textos pode ser efectuada quer a título individual quer sobre a chancela do Grupo. Os trabalhos publicados podem resultar de uma investigação e pesquisa mais aprofundada dos temas em debate, de modo a lhe atribuir mais valor.

iii) Será utilizado o Grupo Google constituído, como forma interactiva de comunicação interna entre todos os membros do Grupo, com o objectivo de discutir e debater inter-grupo os assuntos que estes julgarem relevantes.

iv) Alternativamente será utilizado o Blog do Grupo como forma de comunicação externa e interactiva com o universo de utilizadores da net, utilizando este espaço para publicar colunas ou artigos de opinião, fruto da observação dos seus membros e como forma de intervenção intelectual.


3. Objectivos

1.º OBSERVAÇÃO

Os membros do FRES pretendem ser observadores atentos à evolução e aos problemas da sociedade portuguesa, e ainda críticos activos da realidade que os rodeia. Os seus membros querem estar particularmente atentos a assuntos e problemas de caracter económico, sociológico, empresarial e social. No entanto as suas preocupações são alargadas a outras temáticas como por exemplo as questões ambientais, o desenvolvimento tecnológico com impacto social ou económico, a saúde, a educação e a inovação.


2.º INTERVENÇÃO

O Fórum é composto por um conjunto de cidadãos anónimos, de diversas áreas, cuja motivação é a promoção de um espaço de discussão e partilha de preocupações e ideias, sobre determinados temas que se apresentam como relevantes, dignos de interesse geral e oportunos no contexto socio-económico em que se colocam.
O que lhes é comum é uma consciência social e cívica sobre os problemas da sociedade portuguesa, bem como o desejo de dar um contributo pessoal de cariz intelectual, para a resolução de diversos problemas, através do debate e da expressão das suas opiniões tendo em vista a apresentação de soluções alternativas.


3.º CONTRIBUIÇÃOO Fórum tem igualmente como objectivo contribuir ( através do debate de ideias e expressão de opiniões, com possibilidade de serem tornadas públicas pela sua relevância) para a construção de uma sociedade mais moderna, coesa e competitiva. Este pretende ser o contributo dos seus membros para a resolução de problemas sociais, do desenvolvimento, da produtividade e da competitividade do país.


O lema: «Se não intervirmos e desistirmos, falhámos»

terça-feira, novembro 08, 2005