Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

domingo, agosto 22, 2010

FRES - " SE NÃO INTERVIERMOS E DESISTIRMOS, FALHÁMOS"

A vantagem de estar no FRES, e ter um lema, é o permanente apelo feito à nossa atenção para a realidade que nos cerca. Assim, e ao "passar os olhos" pela imprensa escrita, deparei-me com uma situação assaz interessante. De um artigo de Luís Osório, na revista "Tabu" do jornal "SOL" de 23 de Julho de 2010, relativo a uma conversa tida com o general Ramalho Eanes, a propósito da sua candidatura à Presidência da República em 1976, retive este episódio, passado durante a sua campanha na Figueira da Foz, que nos remete para a estruturação da personalidade dos sujeitos, revelada pelo seu comportamento e que passo a citar:
" O ambiente está pesado e há tentativas de agressão de parte a parte. As mulheres ameaçam o grupo de agitadores e não tiram os olhos de um rapaz, com pouco mais de vinte anos, que grita e insulta Eanes com especial e refinada veemência. Chegada a hora de almoço e à porta do restaurante a confusão não parece abrandar. O candidato ... ordena aos seguranças que convidem o rapaz a vir até si. Contrafeitos, lá o foram buscar e quando o rapaz, perante o homem que insultara antes, começa a esmiuçar as palavras de ordem, Eanes sem pestanejar dá-lhe a lista do restaurante e pergunta-lhe o que vai almoçar. Poucos minutos depois já o jovem revolucionário tratava Ramalho Eanes por senhor Presidente e dizia compreender bem o que realmente estava em equação. Percebeu tão bem que aceitou a boleia de um dos carros de apoio da comitiva ..."
À medida que ia lendo ia pensando ... onde é que eu já vi isto?
Então, folheando " As Farpas" de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, da "Princípia, Publicações Universitárias e Científicas" sob a coordenação de Maria Filomena Mónica e, da página 30, retirei este pequeno excerto relativo ao ano de 1871:
" A pobreza geral produz um aviltamento na dignidade. Todos vivem na dependência: nunca temos por isso a atitude da nossa consciência, temos a atitude do nosso interesse. Serve-se, não quem se respeita, mas quem se vê no poder ..."
E mais adiante, da página 31:
" Lentamente o homem perde também a individualidade do pensamento. Não pensa por si: sobrevem-lhe a preguiça do cérebro. Não tendo de formar o carácter, porque lhe é inútil e teria a todo o momento de o vergar;- não tendo de formar uma opinião porque lhe seria incómoda e teria a todo o momento de a calar,- costuma-se a viver sem carácter e sem opinião. Deixa de frequentar as ideias, perde o amor da educação. Cai na ignorância, e na vileza. Não se respeitando a si, não respeita os outros: mente, atraiçoa, e habitua-se a medrar na intriga."
E em 2010, o que se passa? será que os comportamentos evoluem ou se adaptam? Afinal, e tendo em atenção a diferença temporal, trata-se de uma evolução ou involução?
Com tanta informação disponível, com a preocupação da igualdade de direitos e oportunidades, ou seja com a democracia, ter-se-á alterado este tipo de comportamentos? Nem me parece necessário mencionar casos, pois são do conhecimento geral, tal a sua proliferação. Porém, o que mais impressiona é o facto de determinado tipo de comportamentos se repetirem de geração em geração, independentemente do seu grau de desenvolvimento. Porque razão permitimos a continuidade deste estado de coisas? Porque razão as pessoas, e sobretudo as que têm responsabilidade na "justiça", se calam e manipulam a verdade perante comportamentos menos lícitos de uns? Será porque se vêm projectados e naquelas circunstâncias fariam o mesmo? Ou será por medo, necessidade de segurança? Ou de facto trata-se de uma relação de dependência, de subalternidade, de que o Homem não se consegue libertar? Se atentarmos a que o Homem, logo após o seu nascimento, fica dependente, dependente de quem o alimente, de quem o proteja, de quem lhe transmita o conhecimento, de quem lhe dite as regras de convivência social, então não há ninguém verdadeiramente independente. Assim, e tendo em conta a situação de crise actual e da falta de soluções com que nos deparámos, colocaria, para reflexão, a seguinte questão: será este tipo de relação responsável pela falta de criatividade dada a situação de dependência, sendo que, nos dias de hoje, a económica se afigura como a mais determinante e, talvez daí a razão de apenas alguns conseguirem ser bem sucedidos? Qual a sua correlação com o empreendedorismo? Será este a manifestação de alguma indepedência conquistada ou facilitada ou uma tentativa de conquistar essa mesma independência? Ou será que aqui assentaria bem o lema do FRES : " SE NÃO INTERVIERMOS E DESISTIRMOS, FALHÁMOS"?

quinta-feira, julho 29, 2010

D.Afonso Henriques - 1º. Rei de Portugal


Muito se tem falado ultimamente sobre o 1º Rei de Portugal, o Conquistador, Fundador da Nacionalidade. Coimbra e mais recentemente Viseu pretenderam disputar a sua proveniência, mas a História prevaleceu apesar de alguns historiadores, chegando mesmo a envolver a respectiva Academia, escondendo jogos de interesses pessoais, terem gerado alguma polémica sobre este Rei. Desde a suposição de datas históricas à deturpação de declarações de historiadores consagrados, nomeadamente do Prof. José Mattoso, tudo aconteceu, na tentativa de chamar a si tão ilustre personagem. Porém, e para que constasse, o próprio Prof. José Mattoso veio a terreiro desmistificar o significado das suas declarações e afirmar, de uma vez por todas, que a História é soberana, que houve uso indevido e deturpado das suas afirmações e que não há dados e/ou factos que justifiquem qualquer alteração relativa ao nascimento de D. Afonso Henriques e que, por conseguinte, face à tradição histórica, Guimarães é o Berço da Nação. Coloca assim um ponto final na polémica e deixa em maus lençóis determinados historiadores que quiseram chamar a si algum protagonismo, mas que, para mal dos seus pecados, ficaram bem mal vistos perante a comunidade. É um facto que os seus pais viveram em Guimarães, aí nasceu Afonso, mais tarde Rei de Portugal e aí criou raízes e rumou à conquista de novos territórios, vindo, mais adiante, a fixar-se em Coimbra, onde veio a ser sepultado, deixando-nos como legado a responsabilidade desta Nação.

Esta nota introdutória apenas visa enaltecer a importância desta figura ímpar, o nosso 1º Rei, o Fundador da Nacionalidade, Patrono do Exército Português. Assim, face à desmotivação e apatia que este povo vem denotando, seria importante recordar o nosso passado histórico e que qualquer português que se preze pudesse visitar o túmulo daquele que foi o seu principal obreiro, quiçá como fonte de inspiração.

Porém a realidade é outra, diria mesmo confrangedora e passo a explicar. Recentemente desloquei-me a Coimbra e obrigatoriamente visitei a Igreja de Santa Cruz, onde repousam os restos mortais desta venerável figura. Deparei com a celebração de uma missa, em italiano, destinada a um grupo de visitantes italianos que ali se deslocaram e que, após o referido acto religioso, foram visitar a Igreja, a sua sacristia, os claustros e pasme-se ... o túmulo de D. Afonso Henriques, junto ao altar, ninguém o visitou, não por despeito ou desrespeito, mas porque este está situado atrás do altar, meio escondido, em mau estado de conservação (como ilustra a imagem que junto) em que a única coisa que se vislumbra é uma tímida lápide, em latão, no chão, em que se pode ler "Homenagem do Exército Português ao seu Patrono". Nome? Referências históricas? Nada!! 1 ou 2 turistas, vendo-me a olhar com insistência o túmulo, perguntaram-me quem era. Tive vergonha e estive para ficar calado, mas disse : é o 1º Rei de Portugal, Fundador da nossa Nacionalidade e rapidamente me apercebi da expressão de surpresa estampada nas suas caras. O que pensaram? Não mo disseram, mas não será difícil adiantar que esperavam que um povo tivesse mais respeito e consideração pelo seu 1º Rei. Claro, esperavam, tal como eu, que D. Afonso Henriques tivesse um espaço mais digno e condizente com a sua importância. Será que em Itália tratam assim a figura MAIS IMPORTANTE da sua História? Duvido, mas basta verificar aqui bem perto, na nossa vizinha Espanha, para nos apercebermos da diferença.. D. Afonso Henriques merecia mais consideração. Pobre país este que trata assim a sua História! Onde estão as entidades públicas com responsabilidades nestas áreas? O IPPAR? A Assembleia da República? O Ministério da Cultura? O Presidente da República? Parece que renegamos o nosso passado e depois pedem-se esforços a uma Nação para que, com inspiração no seu passado, ultrapasse a crise? No mínimo é paradoxal e demonstra a (in)capacidade intelectual dos nossos governantes.

É importante dignificarmos as nossas figuras ilustres para que sirvam de exemplo, em situações delicadas da nossa existência, para nos colocarmos à altura da nossa História. A importância atribuída a Amália Rodrigues e mais recentemente o relevo dado à morte de José Saramago, como único prémio Nobel da Literatura Portuguesa, num e noutro caso a ênfase e preocupação de onde repousariam os seus restos mortais, como algo fulcral e da máxima importância para o país, inclusivé as reclamações/manifestações pela ausência do Presidente da República no funeral de José Saramago, podem até ser justificadas, mas, sem menosprezo por essas figuras ilustres, nenhuma se pode comparar em grandeza e dimensão a D. Afonso Henriques. Onde estão essas vozes indignadas, preocupadas com o respeito pelas figuras da nossa História? Serão genuínas ou simplesmente manifestações de vaidades pseudo intelectuais? É pois tempo de acordar, não é a selecção nacional de futebol que levantará o ânimo dos portugueses, o seu êxito, por muito importante que seja, é passageiro. Nós necessitamos de algo mais duradouro, mais profundo, que vá às nossas raízes, que invoque as nossas origens, em suma o nosso passado histórico e, nesse sentido, quem melhor o simboliza? Sobretudo, agora que tanto se fala de empreendedorismo, qual terá sido o nosso maior empreendimento como povo? Quem foi o seu principal mentor?

É pois tempo de tratar de arranjar uma MORADA CONDIGNA a D. Afonso Henriques, afinal de contas é só o nosso 1º Rei, Fundador da Nacionalidade.

quarta-feira, julho 07, 2010

Princípios basilares para um comportamento profissional



Agora que tem estado na ordem do dia a problemática das competências da gestão de grandes empresas, organizações estratégicas, centros de decisão nacionais, presença ou domínio de capitais estrangeiros nas nossas empresas, aqui fica uma pequena reflexão sobre o que são alguns dos princípios basilares de um comportamento profissional.
O repto está lançado, outros princípios haverão. Cada um terá os seus, alguns se cruzarão outros não. Mais algumas reflexões se seguirão.

Organização

É indispensável uma boa capacidade para estabelecer métodos adequados de organização do trabalho extensíveis quer à vida pessoal quer a outras actividades sociais, de cidadania ou outras em que o indivíduo se envolve, priorizando as tarefas a desempenhar.

Rigor

Deve prevalecer a preocupação com os detalhes e com a qualidade quer da informação recebida quer prestada. Deve procurar-se dar cumprimento aos critérios de qualidade definidos pela organização ou por si próprio de acordo com os próprios valores, em todas as suas vertentes, sejam técnicas, de direcção, de orientação ou de relacionamento humano. Deve exigir-se exactidão no que é produzido e no que é solicitado.

Atitude

A atitude muda tudo. Faz tornar possível o que nos parece muitas vezes inalcançável. Permite realizar tudo aquilo a que nos propomos, com maior ou menor dificuldade. Sem atitude e vontade não se criam obras, não se estabelecem metas e não se conquistam objectivos.

Confiança

É determinante uma consistência de pensamento e firmeza na acção. De modo a demonstrar competência e criar laços de confiança entre as pessoas e as organizações. Um discurso firme, sólido, sério e sustentado, suportado no domínio das matérias, cria confiança nos interlocutores com benefícios futuros nas relações e nos negócios.

quinta-feira, junho 17, 2010

Quem é o outro finalista ?


Embora temporariamente mais distante do que desejava, não estou alheio ( bem pelo contrário ) à fase difícil que o País atravessa, com um considerável aumento das medidas de contenção de despesas públicas e que visa promover um equilíbrio orçamental.


Bom, na realidade não estamos ainda a promover um equilíbrio orçamental, mas a minorar um desequilíbrio, cuja principal ameaça é precisamente o de ter ( ou poder vir a ter ) um cariz duradouro.


Tem-se debatido muito sobre a justeza das medidas adoptadas pelo Governo e de facto, na extrema diferença de opiniões pode estar muita da explicação porque é tão difícil entendermo-nos.


Se consideramos que o Plano de Estabilidade, traduzido em Pactos de Estabilidade e Crescimento nas suas diversas versões e nos Orçamentos de Estado que vão vigorar nos próximos anos, se considerarmos, dizia eu, que estes Documentos guia das nossas vidas nos próximos anos, reflectem um grande esforço de redução do défice (procurando que ele volte a ser em 2013 inferior aos 3%), ficaremos com a sensação de que o nosso esforço de contenção da despesa é importante mas, no longo prazo, não será suficiente.


A solução estará no lado da receita, ou seja, na criação de riqueza nacional devendo os esforços concentrar-se na oferta de bens e serviços competitivos.


O Presidente da República voltou a referir a importância de Portugal ter presente nos 4 cantos do mundo, Portugueses que estão a partir agora ou que já são filhos das gerações anteriores que partiram há muitas dezenas de anos.


É mais uma achega importante, pois a luta que hoje se trava a nível mundial, trava-se País a País, mercado a mercado, e muitas vezes o descurarmos de um mercado que pode não parecer significativo, pode revelar-se num erro a longo prazo.


Estejamos pois atentos e participativos ( de forma mais exposta ou mais discreta ).
Há muitas formas de apoiarmos o nosso País e o esforço que vamos continuar a fazer nos próximos anos, vai ser decisivo para nos re-orientar para um caminho saudável em termos financeiros, logo saudável em termos económicos e sociais.


Como infelizmente esta continuará a ser uma luta duradoura, vou agora divagar para temas não importantes:

1º Estou farto das Vuvuzelas.
Desde os miúdos na minha rua, aos adultos na zona do trabalho, aos espectadores nos Estádios onde se Joga o Mundial de Futebol, parece que todos se uniram para nos tramar. As vuvuzelas, usadas como estão a ser, sem o mínimo de respeito pelos aparelhos auditivos dos outros, é de facto algo terrível. Tentando analisar a questão pelo lado positivo, resolvi aproveitar o lado fonético e adoptar em vez de Vuvuzela, Vou a Vouzela.
Porque não descobrir mais uma pequena localidade mas sem dúvida com motivos de interesse para visitar? Fim à Vuvuzela, Viva o Vou a Vouzela. http://www.cm-vouzela.pt/portal/page?_pageid=764,1&_dad=portal&_schema=PORTAL


2º Quem é o outro finalista ?
Ao fim de uma semana de competição a dúvida mantém-se: Com quem irá Portugal disputar a Grande Final do Mundial ?


Ok, venham de lá os cépticos e os realistas dizerem-me que não temos equipa, que os outros são mais fortes e que os nossos mostraram muito pouco no primeiro jogo. Para mim tudo isso é relevante mas não importante.


O importante é mostrarmos aos outros que nós somos capazes de lutar e derrotar os vários adversários que nos vão surgir pela frente ( inclusive o grande Brasil ) e portanto, parece-me legitimo termos curiosidade em saber quem estará na Grande Final a discutir connosco o Título Mundial.

FORÇA PORTUGAL.

sexta-feira, maio 14, 2010

Lisboa a Premiada


Lisboa foi considerada a sexta melhor cidade europeia de negócios segundo o ranking ECER – Banque Populaire, o qual listou as 37 cidades de 18 países da Europa por grau de atractividade para fazer negócios.

Este ranking é elaborado segundo uma consulta efectuada às expectativas e grau de satisfação dos gestores europeus, realizado entre Dezembro de 2009 e Janeiro de 2010.

À frente de Colónia, Helsínquia Lion e Estugarda, Lisboa posiciona-se, não só como uma cidade preferida pelos europeus como o destino turístico para férias como uma cidade referência para negócios.

Certamente que as suas infra-estruturas, o seu clima, a beleza natural e arquitectónica, a oferta de serviços, hotelaria, gastronomia, cultura histórica e restauração, são apenas alguns dos predicados que fazem desta cidade uma das capitais preferidas dos europeus.

Discutimos já por diversas ocasiões entre nós a problemática das cidades e o seu papel como pólos de desenvolvimento regional e como elementos que projectam o país no exterior qual bem transaccionável. Lisboa é um dos melhores activos do país e a prova de que uma aposta estratégica nacional na projecção das nossas cidades é um instrumento valioso de afirmação de Portugal no Mundo.

Temos certamente que concluir que, apesar das insuficiências reconhecidas na sua promoção externa e da necessidade de encarar de forma profissional o desenvolvimento das actividades culturais e turísticas necessárias ao melhor acolhimento de todos aqueles que nos visitam, algo de positivo estará a ser feito para que lhe sejam atribuídos tais prémios. Ou então tudo isto resulta das suas características topológicas, climatéricas, arquitectónicas, gastronómicas e outras muito próprias. Tendencialmente estou mais inclinado a acreditar na primeira hipótese.

Ainda assim, Portugal não se confina a Lisboa, por isso se torna indispensável investir numa estratégia turística de promoção das cidades. Deste modo é bom não esquecer que temos por cá outras pérolas entre as quais, citando apenas algumas, podemos destacar Braga, Évora, Coimbra ou Guimarães. Cada uma com os seus atractivos, cada uma com as suas funções.

Desta vez e mais uma vez, Lisboa deixa-nos bem, e deixa-nos bem alto.

quinta-feira, maio 06, 2010

Quem se segue ?

Hoje as noticias sobre a greve geral na Grécia e as trágicas consequências de uma multidão exaltada e em fúria? 3 mortos ? Quem se segue ? Penso que de momento um facto está bem patente, está cada vez mais difícil arranjar créditos para financiar as colossais dividas contraídas pelos governos ocidentais.Os problemas na Grécia são apenas um indicio para um agravar de uma situação já existente,a de, como reduzir o gigantesco défice nos orçamentos estatais e privados ? Um motivo desta problemática, a partir de 2011 parece estar eminente um refinanciamento de divida global num montante inimaginável ( os zeros quase não cabem numa linha) de dinheiro em grande parte devido á escassez de liquidez a nível mundial,e, um dos países que pode bem estar perante uma crise “ existencial é; o Reino Unido. Senão vejamos:

Se amanhã, e na sequência dos resultados eleitorais assistirmos a um empate técnico, e se chegar a lume , num cenário pós eleitoral , o “real” estado das contas públicas inglesas, a”verdadeira situação “ do já tão desolado sector bancário e do estado da “real” economia, e, se, o governo que for eleito tiver que confessar que a situação do país é , muito pior do que aquela que originalmente seria de supor,( aquela difundida antes das eleições)que acontecerá ?

A propósito, se quisermos “apostar” em qual o país que, próximamente venha a estar numa situação de incumprimento das suas obrigações financeiras, basta seguir uma pista lançada pela Goldman Sachs. E que prevê, que a partir do verão começará uma nova”batalha” pela Inglaterra., com a qual se tentará evitar um “desmoronamento” em torno da libra esterlina e das finanças estatais britanicas. E, uma coisa parece certa, a libra não irá passar incómule esta situação de divida extrema, e que poderá originar por parte do novo governo eleito, o encetar da implementação de um programa de austeridade de dimensões nunca antes vistas. Será que o FMI e a UE irão intervir em favor do Reino Unido ? Se sim , de que forma? Com que montantes ?

Seguramento que os ingleses possuem um argumento que não está á disposição do governo grego, ....a desvalorização da sua divisa, mas , perante o cenário actual, será que é uma medida suficiente ?

Não sou por natureza pessimista nem , muito pelo contrário, um cavaleiro da “Apocalypse”, mas , há alguns anos que venho defendendo a ideia de que “temos que mudar de vida” e mais do que a letra de uma canção, me parece que esta crise nos deixa uma grande oportunidade de mudança de mentalidades, mas, acima de tudo, de atitudes perante as nossas finanças particulares ( numa ambiente micro) as nossas finanças estatais( num ambiente macro ), e sobretudo que nos seja possível ter estas trocas de ideias num ambiente de serenidade social , longe das imagens “radicalizadas”assistidas hoje na Grécia.

Boas reflexões,

quarta-feira, maio 05, 2010

Frente-a-Frente vs Lado-a-Lado

Por razões pessoais tenho estado bastante limitado em termos de tempo disponível para dar o meu pequeno contributo no nosso blog.
Coincidiu este período com o “zapping” que pude fazer entre alguns canais como a Sic Notícias, a TVI 24 e a RTPN, entre outros que, confesso, não fazia a ideia que eram tantos e a dedicar tanto tempo aos chamados frente-a-frente em que se confrontam ideias diferentes.

O confronto de ideias diferentes é algo de bastante positivo se o ponto de chegada for relevante mas parece estar aqui um grande problema.
Nas centenas ( milhares ) de minutos em que se confrontam ideias, a ideia é apenas a confrontação “pura e dura” em que não parece haver nenhuma vontade de entender o ponto de vista do “opositor”.
Este não é quanto a mim um bom caminho, pois deixamos continuamente passar oportunidades de construir algo de bom, partindo dos pontos de vista e contributos relevantes dos vários intervenientes de um debate.
E não sei se é por estar um pouco mais atento mas nunca vi tantas opiniões diferentes sobre uma realidade que deveria ter mais pontos comuns.
O nosso colega Mário colocou recentemente 2 artigos que merecem receber comentários e contributos dos leitores do nosso blog pois dizem respeito ao nosso país e à nossa Europa, ou seja os artigos “A Estratégia de um País que é o nosso” e “Uma Europa mais unida”.
Naturalmente o Mário, como eu ou qualquer outro cidadão ou qualquer outro fresiano, preocupado com o país e a Europa em que vivemos, indica o que na sua perspectiva é mais relevante.
O grande desafio é tentar juntar este puzzle gigantesco em que a cada cabeça corresponde uma sentença. Não somos nós que tomamos as decisões relevantes para os destinos do país. Sonhamos em dar o nosso contributo de uma forma relevante, mas até esse percurso não é pacífico.
A situação torna-se mais confusa quando vemos os grandes “actores” a tomarem posições tão diferentes, tornando quase imperceptível entender o que é de facto mais importante.
Veja-se um exemplo simples. A ajuda da união europeia à Grécia.
Ninguém “perde” tempo a explicar à população que Portugal tem obrigações a nível europeu e tem de dar o seu contributo na ajuda à Grécia, contributo esse que embora bastante elevado na actual conjuntura, é relativamente pequeno face ao que outros países têm de dar. Mas a mensagem que passa para o cidadão da rua é que Portugal não tendo dinheiro ainda vai ter de dar dinheiro à Grécia.
Se não houver tempo e capacidade para se explicar aos cidadãos o que significa viver em sociedade e o que significa estar integrado na união europeia, passaremos a vida a ver serem-nos exigidos sacrifícios. E como ouvi recentemente outra fresiana dizer “ Nós funcionamos melhor quando vemos utilidade no nosso esforço”.
Eu sempre assumi a posição de que mais vale lutar lado-a-lado do que frente-a-frente.
Esta posição pode ser encarada como cobardia e medo do combate, embora eu sempre a tenha privilegiado por pensar primeiro no interesse comum. E qual é actualmente o nosso interesse comum?

Haverá de facto um interesse comum, ou teremos apenas em comum o facto de cada um defender o seu interesse ?

terça-feira, maio 04, 2010

Uma Europa mais unida


Recebemos com agrado a notícia (esperada) da ajuda dos diversos países integrantes da UE à Grécia. Esta ajuda, consubstanciada em valores nunca antes vistos (110 mil milhões de euros) pode ser designada como histórica e reflecte provavelmente uma relevância maior do que à primeira vista pode parecer (em especial após tão vasto debate sobre se esta ajuda se concretizaria ou não).

Como é comum nesta vida, encontrámos diversas posições relativas a esta ajuda: uns a favor, outros contra, uns crentes e optimistas outros descrentes e críticos. A verdade é que, com este acto, a Europa surge mais unida como talvez nunca tenha surgido. Surge mais solidária, forte e demonstrativa do que pode ser o verdadeiro poder e importância de uma verdadeira Europa Unida. Pessoalmente tive sempre poucas dúvidas sobre a concretização desta ajuda pois sempre acreditei que ela seria realizada. Como não seria? Qual seria então o papel da UE?

Sou crente no Euro e com a plena convicção de que o país estaria nas “ruas da amargura” se não nos tivéssemos aliado à Europa e ao Euro. Aliámo-nos no tempo certo e no momento certo à modernidade, à segurança, ao prestígio, ao conhecimento e desenvolvimento mas também à responsabilização, à competitividade, à concorrência e aos desafios do futuro. Mas só assim será possível evoluir.

Mais do que nunca este é o tempo da Europa, ela própria, demonstrar união e força indispensáveis para o confronto com os vários blocos económicos concorrentes – O Mercosul, o Bloco Asiático, ACP, os EUA. É neste “campo de batalha” que a Europa se confronta com os seus adversários comerciais. E Portugal, se integrado na Europa, faz parte do conjunto de soldados que participa nesta batalha. Fora dela, seria um exército já vencido do qual ninguém se lembraria e que não contava para nada.

Nãos nos esqueçamos que os EUA sempre olharam com desdém e cepticismo para a Europa Unida e para o Euro. As posições que muitos defendem tendem a enfraquecer e a desacreditar a nossa moeda. Com o que agora assistimos, a Europa acaba por dar uma lição aos seus detractores e reforçar, acredito, o seu papel e posição/força política no Mundo.

Continuo a ser daqueles que acredita que a Europa é aquele Continente onde todos, mas todos os povos gostariam de viver (ok exceptuando os indígenas americanos e os cowboys do Texas) pois Europa é sinónimo de evolução, modernidade, qualidade de vida e desenvolvimento (sim também desemprego dirão alguns – mas onde não há desemprego?).

A força demonstrada pela Alemanha, a França, o Reino Unido, o Luxemburgo, Portugal ou a Eslováquia, para citar alguns exemplos, demonstraram a união indispensável. Pese embora todas as polémicas, os debates e as críticas. Estas também indispensáveis para tornar o processo totalmente transparente. A comissão do Presidente português Durão Barroso (justiça lhe seja feita) trabalhou muito para esta união e para esta solução. O BCE ajudou e deu um empurrão por detrás.

Agora há que exigir austeridade é certo, realismo, controlo e critério nos gastos. A Europa falhou também porque falhou nos processos de controlo. Mas está a tempo de corrigir o tiro, em especial depois de levar tanta pancada das Agências de Rating, com muito poder americano lá encaixado.

Acredito que este seja apenas um primeiro (grande) passo para a construção de uma Europa mais unida e solidária. Por isso Viva a Europa.

sexta-feira, abril 30, 2010

A Estratégia de um país que é o nosso


Portugal tem sido atingido por uma vaga especulativa (que perpassou mais recentemente também a Grécia e Espanha) proveniente de vários quadrantes em especial das agências de rating (no caso mais recente da parte da Standard & Poors). Esta vaga de ataque especulativo, surgida por interesses vindos de várias direcções, podendo perceber-se as razões da sua existência, não encontram porém justificações que suportem estas tomadas de posição tanto mais que nada se passou nos últimos dias ou semanas (mesmo meses) que demonstrasse qualquer diferença face ao que se passava no final do ano transacto e que tenha agravado qualquer cenário em termos macroeconómicos. O que se diz é que Portugal não denota a capacidade de crescimento com robustez e capacidade competitiva nacional para que esse crescimento seja sustentado. Sendo verdade, nada de novo porém. Estas mesmas agências que (quem se lembra?) tão bem avaliavam e classificavam o Lehman Brothers, o Bear Stearns, o Freddie Mac ou a Fannie Mae…falidos.

Em face disto o país responde através do que já se designa por bloco central de onde são emanadas algumas decisões de endurecimento e aceleração das medidas preconizadas no PEC. E em resultado dessa discussão e encontro estratégico, sabemos que a primeira medida, a mais importante e leonina e determinante como primeiro passo para o contributo para o equilíbrio orçamental e contributiva para o tão necessário crescimento económico é….o corte das prestações sociais e no subsídio de desemprego!

Isto é começar bem, porque começamos por baixo, pelos que mais precisam, pelos mais desfavorecidos, por aqueles que nem a dignidade do emprego possuem. Ou ainda cortar no Rendimento Social de Inserção, única forma de subsistência para muitos. Durante dois dias não se falou noutra coisa em todos os jornais e telejornais que não fosse o corte das prestações sociais ao nível da limitação do tecto de atribuição do subsídio de desemprego. São estas as medidas essenciais para o crescimento económico, o verdadeiro problema nacional e que encerra todos os problemas da economia nacional.

Como se faltassem ideias ou o discernimento para, com coragem, se estabelecerem verdadeiras medidas drásticas de combate ao deficit e contributivas para o crescimento económico nacional por via das empresas e do tecido produtivo. Como cortar em 10% nos salários de todos os políticos e deputados, como aumentar o IRC transitoriamente por 2 ou 3 anos aos Bancos e grandes empresas com resultados acima de determinada fasquia, como congelar os salários da função pública por 1 ou 2 anos, como cortar no crescimento das dotações para as regiões autónomas e para as autarquias, como congelar as despesas públicas com auto-estradas, adiar o novo Aeroporto e o investimento no TGV por mais 2 ou 3 anos, canalizando essas poupanças para as empresas e ajudá-las a desenvolver soluções de exportação, único caminho verdadeiramente realista para o crescimento da nação.

Estas sim, juntamente com um programa nacional de educação à poupança das famílias, seriam medidas draconianas e que certamente fariam toda a diferença no contexto nacional e naquilo que pretendemos alcançar e demonstrar: que Portugal é capaz, tem coragem política e gente à altura para os desafios do futuro.

terça-feira, abril 06, 2010

Lisboa menina e moça




Recente inquérito de Março aos consumidores europeus conclui que é Lisboa o melhor destino turístico da Europa e o preferido dos europeus.

À frente de cidades como Praga, Londres, Barcelona, Amesterdão ou Berlim, a nossa Lisboa traja, menina e moça, vestida de azul do céu, brilhante de sol, com tamancos de prata como as águas do Tejo. Vitoriosa.

E entre as suas virtudes, os europeus apontam o seu povo hospitaleiro e simpático, o clima e o sol extraordinários, a sua luz, as marcas da história e da cultura portuguesas, e, como não podia deixar de ser, a sua (nossa) magnífica gastronomia.

Afinal, a sardinha, o tomate, o carapau, o vinho tinto, a ginjinha ou o torresmo, para já não falar do cozido à portuguesa ou dos pastéis de Belém, tudo isto é apreciado pelos que nos visitam. O que muitos de entre nós consideram brejeiro e popularucho é afinal um trunfo para os de fora.

São imensos os que apreciam a beleza arquitectónica da Estação de Santa Apolónia, os pipis das tasquinhas da baixa lisboeta, o Castelo de São Jorge, a Brasileira ou um passeio do Chiado ao Bairro Alto, os pasteis de bacalhau com um copo de vinho branco, como traços e testemunhos de uma cultura inigualável.

Nenhuma outra tem um Sporting e um Benfica com tal história desportiva e rivalesca, um Tejo e sete colinas. Nenhuma outra pisca o olho aos Jerónimos ou à Torre de Belém. Nenhuma outra assiste aos concertos no Pavilhão Multiusos, bebe umas bejecas no Pinóquio ou passeia pelos jardins Garcia de Horta. Nenhuma contempla à beira rio aquela outra banda.

Eu acrescentaria que de Belém ao Parque das Nações, com um desvio pelo coração da cidade, muitas vezes calma e soalheira, muitas vezes caótica e moderna mas sempre acolhedora, encontramos todos os ingredientes que tornam esta cidade, que é a nossa, na melhor capital do Mundo.

domingo, março 21, 2010

O nosso contributo para a Estratégia da UE 2020 - 2ª Parte


O segundo vector da nossa proposta resumiu-se na seguinte ideia chave:


B) Uma UE (e Portugal) abertos ao exterior

O segundo vector que pretendemos relevar é o da vertente geográfica. Em nosso entender a estratégia da UE 2020 terá que ser virada para fora do espaço europeu uma vez que a Europa também só crescerá se conseguir voltar-se ela própria para o exterior desse espaço europeu e não ficar fechada sobre si mesma, já que numa era de perda de competitividade europeia face ao crescimento asiático e às potências emergentes na cena internacional, a Europa terá que aprofundar as suas relações externas com: EUA, América Latina (Brasil), Japão, China, Índia e Continente Africano (onde os PALOP têm um papel fundamental no caso português).

No caso português e do ponto de vista geográfico, o país encontra-se “ às portas da Europa”. Sendo um país plenamente integrado geograficamente no espaço económico, político e social europeu e membro de pleno direito da União Europeia, encontra-se contudo em posição geográfica periférica relativamente ao centro de UE a 27. Por outro lado posiciona-se no centro do triângulo ocupado nos seus vértices pelo Brasil (e América Latina), pela Europa Ocidental e pela África Lusófona (Países Africanos de Expressão Portuguesa ou PALOP´s).

Este posicionamento geo-estratégico pode ser marcante para o futuro do país no contexto internacional. O eixo Brasil – União Europeia – África Lusófona é determinante para Portugal no quadro das suas relações internacionais nas suas vertentes económica, social, cultural, política e empresarial. Neste contexto, o futuro, o desenvolvimento e o bem-estar dos portugueses dependerá, e muito, da evolução que vier a ocorrer nas relações com os países deste eixo.

No caso específico dos países ibero-americanos é também assinalável o potencial existente ao nível das relações económicas entre Portugal e estes países, desde a cooperação económica ao comércio internacional, onde o crescimento de negócios com vantagens mútuas do ponto de vista económico entre todos os países participantes é de destacar. A posição geo-estratégica de Portugal como porta de entrada numa Europa ainda à procura do seu próprio espaço, único, coerente, integrado e de uma só voz (que tem sido difícil de alcançar) poderá ser essencial para virmos a desempenhar um papel fundamental na relação com estes países. Portugal não soube aproveitar ainda as oportunidades que uma forte cooperação comercial e económica com estes países lhe pode proporcionar nem a riqueza de uma língua que, sendo diferente, pode ser no entanto considerada como uma língua irmã.

Posto isto, Portugal como ex-potência europeia poderá dar um grande contributo no campo de uma mais forte presença externa da Europa no Mundo, dado que possui uma larga experiência de relacionamento internacional contribuindo positivamente para essa Europa aberta ao Mundo. Ao nos prepararmos internamente ao nível da melhoria da qualificação dos nossos recursos humanos e da competitividade tecnológica das nossas empresas, Portugal estará a dar um sinal positivo em como desenvolve (ou contribui para) uma estratégia europeia quer de mobilidade de recursos humanos capazes de competir no mercado laboral global quer criando empresas não apenas de dimensão portuguesa mas sim europeia habilitadas para participar em processos de internacionalização e conquistar novos mercados fora da Europa.

O nosso contributo para a Estratégia UE 2020 -1ª Parte


Sendo vasto o documento em análise e proposto à discussão pela UE por entre os Estados Membros e a sociedade civil, relativamente à estratégia da UE para os próximos 10 anos, não quisemos deixar passar a oportunidade de apresentar um curto e sintético contributo sob a forma de reflexão, o qual incidiu sobre dois dos vectores que consideramos mais relevantes para o problema da competitividade de Portugal, no quadro da estratégia europeia até 2020. O primeiro é o problema das formação, das competências das pessoas e do sistema de ensino em Portugal cujo estádio de desenvolvimento afectam o nível de emprego e a competitividade/produtividade das empresas. Um segundo ponto prende-se com a necessidade de abertura da UE em geral e de Portugal em particular para os mercados extra-comunitários.

A) Educação e Conhecimento

É sabido que Portugal iniciou, a partir de 1997, um processo de afastamento do seu nível de produtividade face à média da União Europeia e aos países que connosco concorrem mais directamente (Espanha, Grécia e Irlanda). Poderemos também afirmar sem grande contestação que a produtividade e, consequentemente, o crescimento económico, dependem de factores de natureza endógena e exógena.

Entre os primeiros, encontram-se, entre outros, a utilização eficiente de novas tecnologias, o ritmo de inovação, investigação e desenvolvimento ou a qualidade do capital humano (derivada da escolaridade, formação, preparação e motivação dos recursos humanos).

Já quanto aos factores de natureza exógena, o que nos condiciona é o ritmo de crescimento do mercado Europeu ou dos mercados internacionais com os quais o nosso país desenvolve de forma mais intensa as suas relações comerciais ou o tipo de políticas mais ou menos expansionistas desses países, pois disso depende a maior ou menor abertura à importação dos nossos bens e serviços.

Independentemente dos aspectos acima revelados, há um que consideramos no momento fortemente influenciador da produtividade e competitividade do país, do qual dependente parte da resolução dos problemas de emprego nacionais: as competências das pessoas derivadas do sistema de ensino e escolaridade em Portugal.

Temos em Portugal um ensino ainda pouco inovador, na preparação dos alunos para uma carreira profissional de grande exigência competitiva, não apenas interna mas internacional. Privilegia-se antes uma formação quase exclusivamente teórica e académica em detrimento de uma sólida formação ao nível quer de competências individuais quer técnico-profissionais. Por isso, Portugal revela ainda carências significativas ao nível da formação média, de cariz mais profissional e experiêncial, em complemento ao ensino universitário actual. Por outro lado o país apresenta um nível de escolaridade demasiado baixo e pouco competitivo, onde as empresas não assumiram ainda a responsabilidade de desenvolver programas de formação, actualização e reciclagem de conhecimentos, numa base contínua, exigidos pelas novas condicionantes dos mercados, não cumprindo muitas vezes a própria lei.

Estas causas levam à consequência de um nível de desemprego alto e em muitos casos com hipóteses irrecuperáveis de emprego em virtude de muitas das pessoas que estão fora do mercado de trabalho não reunirem nenhum tipo de conhecimentos e competências que lhes permita ser reintegrados no mercado de trabalho (designadamente no seio das novas empresas que estão a surgir, muitas delas de base tecnológica). Leva ainda a fenómenos de maior lentidão na reintegração no mercado de trabalho ou de desmotivação para tal esforço.

O crescimento económico deriva cada vez mais da inovação tecnológica e do conhecimento, logo, a educação/formação tendem a afirmar-se cada vez mais como prioridades na política de qualquer governo. Uma população com altos níveis educacionais é fundamental para gerar a investigação científica que se traduzirá em inovação tecnológica, crescimento e desenvolvimento. Assim a educação será sempre um elemento chave para o desenvolvimento e competitividade.

Um nível elevado de educação representa, acreditamos, um contributo essencial para uma maior produtividade. A educação tem um papel determinante no aumento da competitividade das empresas e, consequentemente, do país. Esta maior competitividade induz a um maior crescimento económico, contributo essencial para uma melhoria em termos sociais e consequentemente um maior desenvolvimento do país. Este deve ser o caminho a seguir por Portugal.

Assim resumidamente seria desejável implementar, entre muitas outras, as seguintes medidas:


A1 – Definindo a Educação como um elemento chave para o
desenvolvimento

- Desenvolver um esforço nacional para que todos as crianças em idade escolar e/ou a frequentar a escola terminem a escolaridade obrigatória com o apoio social do estado em todos os casos em que as famílias tal não consigam suportar.

- Criar incentivos financeiros (de natureza fiscal – IRC, outros impostos) às empresas de modo a que façam um esforço para levar de novo os seus colaboradores à escola ou universidades, ou desenvolvendo ainda politicas de formação profissional contínuas.


A2 - Garantir o primado da excelência (educar integrando e premiando o mérito)

- Elevação da percepção sobre a qualidade do sistema de ensino através do estabelecimento de programas de formação e treino dos professores nas diversas áreas da sua especialidade como primeiro passo. Divulgação aos pais dos esforços desenvolvidos pelas escolas para um melhoramento da qualidade de ensino e do corpo docente.

- Desenvolvimento de acções de reintegração de jovens em idade escolar que já estão fora do ensino através de campanhas de sensibilização junto das empresas (onde estes trabalham) atribuindo alguns benefícios às empresas que contribuam para essa reintegração na escola ou que, em compensação, procedam ao desenvolvimento de programas de formação profissional específicos para esses jovens.


A3 - Optimizar a utilização dos recursos públicos

- Redireccionar o esforço da despesa pública em educação afectando mais recursos a áreas mais práticas e com melhor e mais imediato retorno do investimento em termos de qualidade, como sejam as áreas científicas e tecnologias de informação em vez de continuar a investir em cursos teóricos sem qualquer procura no mercado nacional. Aqui referimo-nos às áreas de engenharia, matemática, ciências médicas e biomédicas, ciências da computação, tecnologias de comunicação e informática por exemplo.

- Efectuar um maior investimento na melhoria das técnicas pedagógicas e garantir assim que os conteúdos curriculares e objectivos são cumpridos, desenvolvendo ao mesmo tempo o interesse e a participação dos alunos, com melhor aproveitamento das suas capacidades e competências. Isto em vez de se despender dinheiro com novos e mais extensos programas curriculares que mudam todos os anos.


A4 - Ajustamento do ensino às necessidades efectivas do país

- Uma maior interligação com o mercado de trabalho através da intensificação de estágios curriculares nas empresas como projecto de final de curso o qual deverá contar para a avaliação.
- A valorização do ensino técnico profissional e politécnico de cariz prático e experiêncial, tendo como finalidade conduzir os alunos ao princípio fundamental do “ saber fazer”.

sábado, março 06, 2010

E a falar a gente entende-se ?


Quer falemos na nossa língua materna, quer num idioma estrangeiro, seja europeu, africano, asiático, etc, a questão é sempre a mesma. Será que nos estamos a fazer entender ?


Já nem falo na questão do suposto diálogo, em que dizemos, “ Conversei x horas com determinada pessoa” e na realidade, não houve diálogo nenhum, mas um monólogo em que uma das partes diz tudo o que lhe interessa e não ouve nada do que a outra parte tem para dizer.

Vem este intróito a propósito de uma notícia muito interessante sobre emprego e número de trabalhadores, sobretudo de micro-empresas. A notícia é do Jornalista Pedro Aráujo do Jornal de Notícias e está no link http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1512205

Dado o interesse geral da mesma ( pelo menos na minha perspectiva ) não vou adiantar mais nada, convidando-vos a passar uma vista de olhos por este link.

Uma das análises que deriva desta notícia é a importância de falarmos com base nos mesmos dados, pois, caso contrario, continuaremos década após década ( que ainda são em número limitado para todos nós ) a falar com base em realidades diferentes.

Se resolver problemas complexos (como os que o nosso país enfrenta actualmente) já é uma tarefa árdua, então se os tentarmos resolver com intervenientes com dados e perspectivas completamente díspares e sem um núcleo comum, estaremos sempre a encontrar soluções pontuais que geram contentamentos parciais e um quase descontentamento geral.

Uma das vias para reforçar a base em termos de dados daquilo que estamos a conversar foi indicada pelo nosso colega João Mateus, reforçando eu o convite para visitarem este importante link http://www.pordata.pt/azap_runtime/

Trata-se de uma extraordinária base de dados recentemente disponibilizada online com dados sobre Portugal e sobre os Portugueses.

Será mais um contributo para depois podermos afirmar com propriedade que

A falar é que a gente se entende.

domingo, fevereiro 14, 2010

Crónicas de um Portugal Genial


Há dias tomei conhecimento das crónicas de Alexander Ellis no seu blog pessoal que alimenta de forma séria e docemente refrescante. Ellis é o Embaixador Britânico em Portugal.

Os meus amigos poderão consultar o seu blog e alguns dos seus textos em
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?sid=ex.sections/24971

Entre as fantásticas, optimistas e refrescantes crónicas que li deste autor, destaco aqui duas que relevo como exemplos: “Dez coisas que melhoraram em Portugal nos últimos 15 anos” e “O prazer do Vinho, para o mundo saber”. Convido-vos a ler.

Na primeira, faz referência a dez aspectos que melhoraram em Portugal nos últimos 15 anos, qual português orgulhoso da sua pátria. É ele próprio testemunha de uma evolução e inovação sentidas no nosso país. Na segunda viaja pelos prazeres dos vinhos portugueses a propósito do lançamento da marca nacional “Wines of Portugal”.

Tem sido um prazer ler este “Bife mal passado”.

Estou obviamente a falar das crónicas de um novo tipo de Embaixador, de uma nova geração, que não aquela do croquete, do pastel e do cocktail. De uma nova geração de optimistas e positivos, de pessoas que, para onde quer que olhem, vêm um caminho, revelam uma visão positiva, destacam um elemento de positividade.

Alexander Ellis, tanto quanto sei, desloca-se muitas vezes de bicicleta de casa para a sua embaixada. E fala de Portugal como um português que ama o seu país.

Destaca Eça de Queiroz, que ama, o cheiro, o mar, os parques naturais, o vinho, a saúde, as cores ou o metro de Lisboa como verdadeiros exemplos de evolução, conquista e sucesso em Portugal. De tudo o que diz de Portugal realça positivismo, optimismo, crença, clareza.

Os meus agradecimentos a Alexander Ellis.

Assisti igualmente a um programa na RTP 2 designado por “Iniciativas”. Este é responsável pela apresentação e testemunho de inúmeros casos de sucesso, inovação e empreendedorismo em Portugal. Projectos de muitos jovens e menos jovens empreendedores, muitas vezes solitários, que tiveram um sonho, acreditaram, apostaram, investiram e venceram. Pelos exemplos apresentados no programa de hoje, qual resenha histórica de tudo aquilo que foi conquistado por tantas pessoas, anónimas, ao longo de tanto tempo, temos apenas que nos vergar e fazer uma vénia.

Desde exemplos lançados pelo microcrédito (tema que particularmente me é querido) a projectos e ideias inovadoras, tituladas por cidadãos optimistas, enérgicos, que acreditam no seu país e no seu futuro, que constroem o seu próprio futuro, tudo vimos neste testemunho.

Por onde anda este Portugal e estes portugueses, anónimos mas interpretes de uma faceta de sucesso de que ninguém fala?

São estes os verdadeiros portugueses de futuro e os verdadeiros portugueses geniais. E há quem os acompanhe, quem deles fala e de quem deles se orgulha. Parabéns também à RTP 2 por isso.
Daqui e desta forma quero dar um contributo, um testemunho do apreço que tenho por pessoas desta natureza e deste tipo. São muitos destes que fazem a diferença.

Os verdadeiros portugueses geniais.

sábado, janeiro 30, 2010

Navio Escola Sagres


O Navio Escola Sagres iniciou a 19 de Janeiro a sua terceira viagem de circum-navegação, que deve durar cerca de onze meses. É a terceira vez que a Sagres realiza uma Circum-navegação, tendo a última viagem ocorrido em 1983/84.

Desta vez e graças ao avanço tecnológico temos o privilégio de acompanhar esta Fantastica viagem através do site da rtp. Não sei se este é o mais indicado mas aqui fica o link.


Deliciem-se, mostrem aos vossos familiares e amigos. É algo de verdadeiramente fantástico que vai permitir a quem pouco conhece as rotas marítimas portuguesas, saber bastante mais.
Esta viagem pode ser analisada de 1001 pontos de vista positivos.

Aqui vai 1:
Formação dos Futuros Oficiais da Marinha
O comandante Proença Mendes indica esta como Missão Principal do Navio Escola Sagres

Vale muito a pena ver a sua entrevista neste link


Voltando à Missão Principal achei curiosa uma entrevista televisiva onde o Comandante Proença Mendes realçou a experiência e as condições a que os cadetes estarão sujeitos, referindo que serão estas condições que permitirão o crescimento em termos de maturidade e de experiência destes de jovens.

Experiências deste tipo são pois consideradas fundamentais para jovens que serão futuros lideres.

Completo este meu apontamento com a interrogação:
- Poderemos ter bons lideres sem boa formação e sem boa experiência ?

Infelizmente podemos e temos ( em demasiadas áreas ) “mas não é a mesma coisa”.

domingo, janeiro 24, 2010

Valeu a Pena ? Tudo vale a pena...

“ Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Valeu a pena ? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena. “

Comecei este texto, transcrevendo palavras de Fernando Pessoa
O meu fito é agradecer a todos os membros do Fres e a todos os visitantes ( com nome ou anónimos ) do nosso blog, a atenção com que vão seguindo o que por aqui vamos fazendo e tentando fazer.
É incrível como os anos ( e a vida ) passam num instante. Tenho uma pequena àrvore de natal e um pequeno presépio na sala e estive quase tentado a arrumar já para reabrir e voltar a colocar no próximo natal. Ainda agora acabamos de fazer tantos votos para 2010 e num abrir e fechar de olhos já não temos 12 meses para cumprir os nossos objectivos para este ano. Já só temos 11 meses.
Mas nem o facto de não cumprirmos os sonhos, na completa medida em que os desenhamos na nossa mente, me faz recuar nos propósitos que grupos como o FRES perseguem.
Quem nos lê, ajuda-nos a crescer como seres humanos e como membros de uma sociedade que pretendemos mais coesa.
Quero agradecer em particular aos anónimos que com os seus comentários, enriquecem o nosso debate de ideias. Não fiquem tristes se por vezes não respondemos imediatamente e não damos a continuidade atempada às vossas importantes observações.
Relembro 2 observações de 2 comentadores anónimos ( a que provocatoriamente vou chamar de anónimo 1 e anónimo 2 ) a um artigo que coloquei no inicio do ano.
Anónimo 1
“ Mudanças se avizinham. Dolorosas, cruéis, incómodas... porém necessárias.”
Apetece-me dizer “Touché”. Não somos todos destemidos, mas somos perseverantes e caso essas mudanças necessárias não se cumpram num horizonte curto, podemos sempre relembrar o ditado “Agua mole em pedra dura…”
Anónimo 2
“ Não havia testemunhas - apenas eu e a minha consciência.”
Que delícia de frase. Mostra toda a nobreza de quem a escreveu e mostra-nos porque vale a pena lutar, mesmo quando parece que somos poucos a remar para um determinado lado.
Finalmente o comentário do Mário de Jesus
“ Aqui no FRES a nossa arma é em primeiro lugar, o uso da palavra e das ideias.”
Já a temos usado e gostávamos de relembrar a todos que o FRES acolhe com gosto as palavras e as ideias de todos que quiserem contribuir de uma forma positiva para um Portugal melhor.
Nunca devemos esquecer que continuam a existir muitas formas ( inclusivé gratuitas ) de ajudar os outros.
Querem um exemplo ?
Vai começar já daqui a 1 semana a entrega das declarações de rendimentos por parte dos contribuintes que auferiram rendimentos de trabalho dependente e pensões, vulgo entrega da declaração de IRS respeitante aos rendimentos auferidos em 2009.
O Dec-Lei 16/2001 prevê que possamos consignar 0,5% do imposto liquidado a Insituições Religiosas, a Instituições Particulares de Solidariedade Social ou a Pessoas Colectivas de Utilidade Pública.
Pelo que entendo, não se trata de gastarmos 0,5% do imposto liquidado, ou seja, não existe custo directo para o contribuinte que consigne 0,5% do imposto liquidado. Existe é uma consignação feita pelo contribuinte e será o Estado a entregar à Instituição designada pelo contribuinte esse 0,5% do imposto liquidado.
2 questões se colocam já.
1º - Será mesmo assim? Ou seja, esta contribuição não implica mesmo uma transferência de dinheiro da nossa conta para a instituição que queremos apoiar ?
2º - Que instituição apoiar ? Julgo que não vale a pena indicar nenhuma instituição. Quem estiver disposto a perder uns segundos a colocar uma cruz num campo da sua declaração de IRS e o numero de contribuinte da instituição a apoiar, terá muitas organizações por onde optar, incluindo ( apenas como exemplo ) aquelas que lutam contra doenças graves que continuam a vitimar muitos portugueses e portuguesas.
Gestos simples amigos, gestos simples e ao nosso alcance individual.
Quando os gestos colectivos são mais difíceis de realizar, podemos sempre começar por gestos individuais.
Como disse Pessoa: “ …Se a alma não é pequena.”

sexta-feira, janeiro 22, 2010

ÉTICA E DEONTOLOGIA. PORQUÊ FALAR TANTO DISTO?



Por certo todos estamos, permanentemente, a ouvir, a ler ou a discutir, ainda que de forma indirecta, temas tão vastos e afinal tão simples como Ética, Deontologia, Princípios e Respeito, entre outros.

Mas, efectivamente, de que estamos a falar?

Porque é que, no passado recente, tais temas têm sido objecto de tão profusa divulgação, discussão, reflexão e formação?

Porque é que as ditas reflexões e preocupações (aliás, perfeitamente legítimas e actuais!) levaram a um estádio actual, consubstanciado em múltiplas acções de formação e sensibilização, disciplinas de carácter obrigatório em cursos de formação académica, profissional, de especialização, de integração em associações e ordens profissionais, até como tema central de teses de mestrado e de doutoramento e outros estudos de carácter, supostamente, científico?

Será a "descoberta" de finais do Século XX e o renascer do Homem no Século XXI?

Será que esta "descoberta" é de facto a descoberta do Homem presente, ou é a moda dos tempos actuais?

Será que esta descoberta não é mais do que o acordar, pessoal e colectivo, para algo que, com o decorrer do tempo e mais acutilantemente no passado recente, vem sendo descurado?

Será a justificação pessoal e colectiva para as injustiças que todos nós, genericamente, vimos assistindo e nas quais, não poucas vezes, tomamos parte, neste Mundo cada vez mais global e, simultaneamente, cada vez mais pessoal, canibal e egoísta?

Sinceramente, não sei! Nem encontro, apesar da investigação já realizada, uma resposta de cariz científico ou empírico que permita, com exactidão e pelo menos com consciência tranquila, emitir uma tal opinião.

Mas se estamos a falar de algo que, de alguma forma, está relacionado com Verdade, Isenção, Respeito, Brio, Profissionalismo, Honestidade, Sinceridade, estaremos a falar de algo de novo? Ou de algo já esquecido, ou tentado esquecer no passado ainda recente?

Todos estamos sujeitos, uns mais outros menos, a constantes pressões diárias. De índole pessoal, profissional, de relacionamento, de carácter institucional, de carácter laboral, de raiz familiar.

Cada um resiste, reage e actua de acordo com as condições que se apresentam. Mas será só o elemento externo ao Eu de cada um que norteia e condiciona, de forma vigorosa e quiçá algumas vezes dramática, as suas atitudes, considerações e acções perante factos e terceiros?

Quem é que não gosta que, no seu local de trabalho, lhe seja tecido um elogio ainda que ligeiro?

Quem é que não gosta de ser servido com elegância, deferência e delicadeza no mero acto de refeiçoar num restaurante?

Quem é que não gosta de ser bem acolhido, com cordialidade, atenção e preocupação, num qualquer organismo ou entidade de cariz público ou privado?

Quem é que não gosta de ser objecto de um processo de selecção para determinado cargo ou nova responsabilidade profissional, norteado por princípios de isenção, coerência e de avaliação correcta do perfil, competências e capacidades pessoais?

Quem é que não aprecia não ser preterido por razões de natureza política, ideológica, racial, crença, religião, sexo (ou preferência sexual) nos seus relacionamentos pessoais e de grupo?

É disto tudo que estamos a falar? É disto tudo que estamos a debater e a ser objecto de continuada avaliação (formal e informalmente), em casa, no trabalho, no círculo de amigos considerado e supostamente íntimo, no colectivo generalista e impessoal do quotidiano?

A ser verdade (que não sei, nem encontrei ninguém que até à data o consiga provar!), julgo estarmos a falar simplesmente de uma coisa: de cada um ser ele próprio!

De pautar a sua conduta e postura pessoal, social e profissional por princípios de isenção, rigor, espírito auto-crítico e, sobretudo, de respeito pelos seus semelhantes.

Nada existe que seja supra os ditos valores de honestidade, sinceridade e idoneidade. Por muito que custe. Por muito que se sofra. Por muito de que se arrependa.

Como dizia um amigo pessoal que, no auge da sua sapiência de vida e da sua longevidade, afirmava com a segurança só possível de atingir após muito observar e muito ter feito numa vida recheada de peripécias, sucessos e insucessos:


Hoje em dia, falta muita "coluna vertebral" a muita gente para assumir os erros cometidos e daí tirar ilações, bem como para aceitar as derrotas justificadamente provadas e assim, aceitar os resultados e prestar a devida vénia aos justos vencedores, sem mágoa, rancor ou sentido de desprezo.



João Rocha Santos

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Os professores primários usavam gravata


A propósito das progressões na carreira e da frente de guerra vivida entre o Governo e os Sindicatos de professores durante mais de quatro anos, após o Armistício, há agora que limpar espingardas e contar baixas. Não deixa porém de ser curioso observar com detalhe os benefícios que os professores passam a usufruir, em especial quando comparados com a carreira dos técnicos superiores da Função Pública. De repente e sem uma discussão verdadeiramente suportada simplesmente lhes passaram à frente.

È a função de professor essencial para o país e merecerá destaque especial? Sem dúvida que sim. Aliás os professores deviam ser acarinhados, apoiados e justamente remunerados pois o seu papel é fundamental para a educação e desenvolvimento da Nação. Foi em outros tempos (e merece ser hoje) uma das mais nobres profissões, simplesmente porque se trata de ensinar e educar. Exige pessoas com sentido de observação, rigor, competências, boa formação intelectual e humana, adequado comportamento social. Lembro-me dos meus professores primários usarem gravata!

Mas serão todos os professores merecedores desta distinção? Provavelmente não.

Esta é uma profissão que de repente saltou da fila de trás, escuridão, do cinzentismo que a caracterizava para a rua, tornou-se barulhenta, muitas vezes inoportuna e quezilenta. É verdade. Relembre-se muitos episódios e comportamentos de rua de muitos professores sabendo que é a muitos deles que confiamos parte da educação e formação dos nossos filhos. È bom nem lembrar.

Agora que o Governo cedeu, cedendo mal, observamos as reivindicações expostas em toda a comunicação social e das cedências do Governo. Numa profissão dominada por dinossauros sindicais, onde muitos dos seus dirigentes não dão aulas, cujas comissões e direcções acomodam centenas de membros, parasitas do sistema, ofendendo eles próprios o bom nome e a imagem dos verdadeiros professores que trabalham afincadamente para um sistema de educação mais justo e de qualidade.

E do que se falava nas ruas? E do que falam hoje os jornais, as televisões e os sindicatos?

Das quotas para as notas mais elevadas, dos Bons, Muito Bons e Excelentes, dos anos a decorrer para a progressão, das vagas nos vários escalões da carreira, das bonificações e compensações, dos acréscimos nas classificações, em suma de benefícios e de direitos.
Então onde ficam as responsabilidades e as obrigações? Decorrentes da obrigação de uma educação apurada, exigente, moderna, do cumprimento dos horários, das matérias, da elaboração de exames adequados, da preparação dos jovens para as exigências da vida em sociedade, do sacrifício, do empenho e da dedicação? Quem mede isto, como mede isto e quando se mede isto?

domingo, janeiro 10, 2010

Lojas de Exportação

O Primeiro Ministro José Sócrates anunciou sábado que a primeira de uma rede de 14 Lojas de Exportação a criar no país vai ser instalada em Leiria.

As Lojas de Exportação são uma das medidas do Pacto para a Internacionalização que integra igualmente o Conselho para a Promoção da Internacionalização.
No link www.portaldaempresa.pt podemos ler que

“ Para fomentar o comércio internacional de modo equilibrado e sustentável, o Estado procura introduzir políticas que potenciem as exportações e minimizem as importações. Com o advento do comércio electrónico é mais fácil atingir o mercado internacional, o que representa uma oportunidade. No entanto, também as empresas estrangeiras e multinacionais têm maior facilidade em penetrar no mercado nacional, o que aumenta a concorrência e a competitividade. “
Todas as medidas que promovam a Internacionalização são boas e esta ideia das Lojas de Exportação parece-me bastante interessante. Temos muitas vezes debatido sobre a necessidade de os nossos pequenos empresários terem mais informações e apoios na Internacionalização dos seus negócios.
Num país com um mercado pequeno, pensar além fronteiras, mais do que um sonho, é uma necessidade que começa a ser mais realidade com a inauguração destas Lojas de Exportação.
Claro que ir só à Loja não vai tornar cada visitante num Expert em Internacionalização.
Mas o caminho passa por desmistificar muitos mitos da exportação e provar que se tem capacidade de produzir para e trabalhar com, mercados além fronteiras.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Feliz Ano Novo


Gosto muito do Jornal 2 que é transmitido todas as noites na RTP2 às 22 Horas.
Ao se despedir no final da edição de ontem, a jornalista disse algo como:
“ Está aí o novo ano com 365 dias por estrear, aproveite-os bem.”

Ano novo e estrear, são por si só 2 motivos para nos impulsionar a inovar.

Se atendermos a que uma das maiores motivações do ser o humano é a novidade, estaremos todos “convidados” a ser ainda mais inovadores e criativos em 2010.

Contra toda a inovação está a rotina. E nós sentimos tranquilidade na rotina. A rotina pode ser entediante, mas dá-nos segurança. E a segurança impede-nos de arriscar. Porque mudar se estamos bem no nosso canto seguro ?

Mas depois apercebemo-nos de que muito do que nos rodeia não está bem. Desde as pessoas com que convivemos na rotina casa-emprego, ou casa-hipermercado, ao próprio meio ambiente que nos rodeia, detectamos muitas coisas que não estão bem.

Então desejamos que tudo seja melhor. Nesta quadra natalícia ouvi e li até à exaustão, desejos de paz, amor, saúde, harmonia, tranquildade, etc, etc, misturados com sentimentos de nobres amizades adormecidas durante o ano e miraculosamente ressuscitadas por minutos via e-mail, ou sms.

Diz o povo que de boas intenções está o mundo cheio. E de facto, sozinhos, não temos força para mudar o mundo.

Mas volta o convite simples para que cada um procure por em prática, com as pessoas que o rodeiam, parte do que transmitiram em dezenas de mensagens para outras tantas dezenas de familiares e amigos.

Não é fácil, pois há uma coisa chamada egoísmo que no final, faz sempre pender a balança para um dos lados.

É a velha questão de se existirem 2 pessoas e se só uma tiver comido todo o bife, em média cada uma comeu meio bife o que é uma das maravilhas da estatística.

Podemos fazer alguma coisa para alterar a “falsidade” de algumas estatísticas ? Podemos, e às vezes custa tão pouco.

Não gosto de falar de episódios pessoais pois quem me conhece bem, sabe que raramente falo de coisas que faço. Tenho por política que mais vale fazer do que falar.

Mas perdoem-me por partilhar convosco um episódio ocorrido numa superfície comercial em vésperas de natal.

Todas as caixas estavam com muitas pessoas já com os carrinhos cheios de compras para pagar. Entretanto, na loja decidem abrir mais uma caixa para onde chamaram os clientes, dizendo que aquela caixa era só por multibanco.
Eu era o 3º nessa fila, estando em primeiro lugar uma pessoa com muitas compras e em 2º lugar um idoso com um pão, uma garrafa de azeite e uma caixa com uma garrafa de whisky JB 12 anos.

O funcionário da loja repetiu que aquela caixa era só por multibanco, e o Sr. idoso que tinha uma caixa de whisky perguntou “ Esta caixa é só por multibanco ? “ Ao que o funcionário da loja respondeu que sim. Nisto o sr. volta para trás dizendo que eu podia passar à frente se o 1º cliente fosse entretanto atendido.
Segundos depois volta com outra caixa na mão, agora uma de Whisky Cutty Sark e o funcionário volta a repetir que a caixa era só por multibanco. O Sr. idoso pergunta espantado, esta caixa também é só por multibanco ? E ele que não tinha multibanco pergunta: Então quem tiver sede e não tiver multibanco como é que faz ?

Claro que tanto o funcionário da loja como eu tentamos explicar que não era a caixa do whisky mas a caixa de pagamento que era só por multibanco mas o sr. idoso não estava a entender nada e como não tinha cartão multibanco, rapidamente se gerou um conflito pois o funcionário da caixa não sabia o que fazer e as pessoas atrás de mim protestavam cada vez mais.
Qual a solução para este “complicado” imbróglio ? Simples, ofereci-me eu para pagar as compras do sr. fazendo depois as contas com ele, que só tinha notas e não tinha cartão. Um gesto tão simples causou espanto a todos os que assistiam à cena nessa caixa e nas que a rodeavam.
O funcionário respirou de alivio, os impacientes acalmaram-se e o sr. lá foi com a sua garrafa de whisky continuando a parecer que não tinha percebido nada do filme em que esteve envolvido.

Por mim, fiquei contente. O espírito natalício não é para “papaguear” da boca para fora e depois, mesmo gestos tão simples e perfeitamente ao nosso alcance, deixamos de os fazer porque os problemas são sempre dos outros, mesmo quando a solução está nas nossas mãos.
Desafios não faltam portanto para estes 364 dias de 2010. Muitos bem mais difíceis e complicados, o que tornam mais aliciante a resposta que o FRES irá dar em 2010.
Aproveitemo-los bem, conscientes de que não os iremos resolver todos, mas que o nosso contributo será sempre importante.
Aqui no FRES, atentos ao que nos rodeia, partilhando ideias e experiências, debatendo temas relevantes na nossa sociedade, pelo seu interesse económico ou social, estaremos a dar o nosso pequeno mas firme contributo para melhorar o nosso país e o mundo que nos rodeia.