Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

terça-feira, outubro 24, 2006

Coragem para conversar

Para Jack Straw (ex-Ministro dos Negócios estrangeiros do governo de Tony Blair) - A conversação franca e aberta entre diferentes opiniões é a base de uma sociedade livre e civilizada.

Para João Carlos Espada (investigador, doutorado e Professor universitário em Oxford, Inglaterra) - A arte da conversação foi considerada por Oakeshott, o grande filósofo conservador inglês do século XX, como distintiva de uma sociedade livre. Karl Popper colocou-a no centro da tradição ocidental de sociedade aberta - fazendo remontar a arte da conversação à Atenas comercial e marítima de Sócrates.

Diz ainda João Carlos Espada que Edmund Burke, Adam Smith, David Hume e Jonhson, consideravam a conversação como alicerce de uma sociedade civilizada. Os clubes de Londres nasceram como lugares de conversação - um distintivo da "gentlemanship". O chanceler da Universidade de Oxford, Lord Jenkins, afirmava aos seus discípulos " conversem, conversem sempre; é basicamente isso que se faz nesta universidade há oitocentos anos".

Diz Maria de Fátima Bonifácio, investigadora do I.C.S. na revista “Atlântico” de Setembro de 2006, referindo-se ao Professor Adérito Sedas Nunes, fundador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa – “ Quinzenalmente durante anos funcionou um seminário de sociologia dirigido por Sedas Nunes, aberto a quem quisesse participar e onde os investigadores podiam apresentar livre e informalmente os seus “papers”. Os temas e os domínios disciplinares eram os mais variados. Falava quem tinha que dizer e quem ficava calado ouvia e aprendia. Dependendo do temperamento de cada um, as críticas eram por vezes muito duras e contundentes, possivelmente difíceis de suportar por alguma natureza mais susceptível. Não era raro que as vozes se elevassem no calor da discussão. Ao fim da tarde, separávamo-nos amigos como dantes. O autor do “paper” discutido ia para casa com uma série de objecções em que pensar e certo, portanto, de que a versão final do seu artigo (ou capítulo, ou livro) seria bem melhor do que se não tivesse ouvido as críticas e as perguntas dos colegas.
Haja a coragem para conversar...

terça-feira, outubro 17, 2006

Atitude.......

O Presidente da Républica Portuguesa, o Professor Cavaco Silva afirmou há dias ,no início do seu terceiro Roteiro para a Inclusão, de que é Sua intenção resolver problemas, e não …..criá-los.
Escusando-se a "falar sobre o passado", o Presidente realçou bem a sua intenção de "mostrar os bons exemplos" do que já se faz bem para que estes "possam frutificar".
A mensagem fundamental que eu retiro é a de que; mais que palavras o que o nosso país necessita neste momento é de acção , mais do que boas ideias precisamos de as implementar, mais do que apontar aquilo que está mal necessitamos de propor soluções e publicitar os casos de sucesso como exemplos a seguir.
No caso das empresas temos várias fundadas, desenvolvidas e lideradas por empreendedores portugueses,
com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses: Efacec, Fepsa, Ydreams, GALP, SIBS, BPI, BCP, BES, CGD, Sonae, Brisa, Bial, Grupo Amorim,……mas também algumas grandes empresas multinacionais instaladas no nosso País, mas lideradas por portugueses, com técnicos portugueses, que, ano após ano obtêm grande sucesso como ; a Siemens , Bosch, Alcatel, BP, Nobre apenas para referir algumas.
Na verdade as pessoas que estão por detrás destas organizações tiveram o mérito de agir em vez de “reagir”, actuar em vez de esperar, liderar em vez de gerir denotando uma atitude empreendedora positiva que eu gostaria de ver vivida como lema principal no universo das empresas em Portugal, na sociedade civil em geral e nas organizações governamentais em particular.
È um pouco como a velha questão filosófica de que, para uns o copo está “meio vazio” enquanto que para outros ele está “meio cheio”. Não será preferível responder a esta pergunta da seguinte forma ? Se quisermos mais água…. é só voltar a encher

sábado, outubro 14, 2006

Nobel da Paz para Muhammad Yunus e Grameen Bank



"Todo e cada indivíduo no mundo tem o potencial e o direito de viver uma vida decente. Em várias culturas e civilizações, Yunus e o Banco Grameen têm demonstrado que mesmo os mais pobres dos pobres podem trabalhar para o seu desenvolvimento", afirmou a Comissão Nobel, ao justificar a decisão "

Nobel da Paz para Muhammad Yunus e Grameen Bank


Alguém pode lutar pela paz sem primeiro combater a pobreza?



quinta-feira, outubro 12, 2006

PPPs imperfeitas

Desde o final da década de noventa que muito se tem falado sobre Parcerias Público Privadas, vulgarmente designadas de PPP, e da sua aplicabilidade nos mais diversos sectores de actividade. Quase sempre eram referidas como a solução perfeita e quase milagrosa para todas as ineficiências que subsistiam em alguns sectores de actividade que os governos tinham relutância em ver sair da sua esfera de controlo.

Se as constatações anteriores fossem o título de uma tese, poderíamos afirmar que esta teria ficado provada para todas as economias da Europa Ocidental. Como sempre, não há regra sem excepção, pelo que Portugal está a fazer o favor de confirmar esta regra. Resta saber a razão de tal escolha. Os mais pessimistas dirão que alguém teria de o fazer. Outros pensarão que não foi uma escolha voluntária. Como não acredito em fatalismos, estou de acordo com a segunda ordem de razões.

Como tal penso ser importante perceber o que correu mal até agora na implementação de PPPs em Portugal. Para começar parece-me importante que se explique de forma clara em que consiste uma PPP: trata-se de um contrato estabelecido entre uma entidade pública e outra do sector privado, em que a entidade privada se compromete a desempenhar uma determinada actividade, de acordo com critérios estabelecidos. Nada mais simples. Existe um largo espectro de possibilidades em aberto para este tipo de parcerias, desde simples contratos de manutenção de edifícios, passando pela construção de infra-estruturas, bem como a operação e gestão de serviços públicos tais como hospitais, prisões, e escolas. As PPP têm evoluído para contratos de maior duração, por forma a criar compromissos de longo prazo de ambas as partes e são hoje em dia constituídas por combinações das tarefas descritas anteriormente, tais como concepção, construção, financiamento e operação (Design, Build, Finance and Operate, ou DBFO), incluir igualmente a manutenção (DBFOM), contratos de concessão, etc.

As razões pelas quais um estado tem interesse em criar PPPs são idênticas às razões que nos levam a contratar um sapateiro quando precisamos de arranjar os nossos sapatos. Certamente que para a maior parte de nós, as meias solas colocadas pelo sapateiro resultam num trabalho de melhor qualidade, por um preço menor do que se tivéssemos que comprar a cola e demais utensílios, demorando igualmente menos tempo do que se tivéssemos que aprender o oficio. Maior eficácia, eficiência e produtividade, por um preço mais baixo são razões suficientes para justificar a nossa escolha pelo sapateiro. Melhor ainda seria se pudéssemos pagar em suaves prestações.

Como tal, a criação de uma PPP resulta na obtenção de um negócio mais vantajoso para os contribuintes, ao garantir a prestação de um serviço de maior qualidade por um preço mais baixo. Tem igualmente a vantagem de o valor de investimento necessário, que naturalmente é substancial no caso da edificação de infra-estruturas não sobrecarregar em demasia o erário público, sendo o seu custo diluído pela duração do contrato.

Sendo assim, o que está a falhar na implementação das PPP em Portugal? A resposta é simples: a definição do contrato de parceria assume crucial importância para o sucesso das PPPs. As responsabilidades de ambas as partes bem como o papel a desempenhar pelo sector público e privado deverão ficar claramente definidos nesta fase. A chave para o sucesso e a fonte da eficiência das PPP é a correcta divisão de tarefas, sendo cada parte responsável pelas actividades que desempenha de forma mais eficiente, assumindo e gerindo os riscos que melhor conhece e sabe controlar. O facto de as PPP permitirem a realização de investimentos consideráveis sem o correspondente impacto no défice orçamental, parece ser o critério que tem estado na base das decisões de implementação de PPPs em Portugal, de que o caso das SCUTs é um exemplo bem ilustrativo. A resolução deste problema está longe de ser difícil ou complicada: basta que a prioridade na implementação das PPPs passe a ser a transferência de risco do sector público para o sector privado.


Ricardo Pedrosa

quarta-feira, outubro 11, 2006

Portugal aposta no conhecimento e inovação

Portugal aposta e investe na ciência. Para o próximo ano o orçamento para a ciência e tecnologia irá crescer, segundo o 1º ministro, 64%. Hoje foi um dia importante no caminho a trilhar para o conhecimento. O país assinou um acordo de parceria com o prestigiado MIT (Massachusetts Institute of Technology) subscrito por 7 Universidades portuguesas e cerca de 26 Institutos para além de algumas empresas nacionais. Trata-se de um acordo histórico realizado no Centro Cultural de Belém, que se destina a criar conhecimento, apostar na tecnologia e inovação, a fazer crescer e desenvolver o capital humano nacional. Numa área onde tem existido grande escassez: formação e conhecimento.

Este acordo está direccionado para a cooperação científica nas áreas da engenharia e gestão. Acto único em Portugal. O acordo propõe entre várias coisas aumentar o nº de doutoramentos concluídos em Portugal, a participação e ligação das empresas às universidades para realizar uma das etapas mais relevantes no campo da inovação e desenvolvimento: a investigação, desenvolvimento e criação de valor. Permitirá a exportação de conhecimento e a criação de uma imagem de marca de qualidade da ciência e tecnologia nacionais no quadro da globalização. Várias empresas se ofereceram para este acordo, no sentido de participarem neste movimento do conhecimento. Trata-se de um investimento de cerca de 141 milhões de euros para os próximos 5 anos, dos quais cerca de 32,5 milhões de euros se destinam exclusivamente ao MIT. Várias colaborações e parcerias serão criadas com a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, com o Instituto Superior Técnico, com a Universidade Católica ou com o Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa. O que se pretende é, entre outras coisas, colocar uma escola de Gestão entre as 100 melhores do mundo.

Este é o tipo de apostas de que o país precisa de forma a estar colocado no caminho do conhecimento internacional e global. Fartos de notícias negativas é tempo de aplaudirmos estas iniciativas positivas de grande relevância nacional e internacional. Projecto apadrinhado pelo Presidente da Republica, ele próprio economista, prova-se aqui que é tempo de ultrapassar interesses confinados a circulos político-partidários, particulares ou corporativistas e remar e rumar no mesmo sentido. Apoiar o país no desenvolvimento e caminhar no sentido do conhecimento.

Os Idosos em Portugal - Que esperança senão continuar a pagar

Li hoje na imprensa que o sistema retributivo de pensões da segurança social vai sofrer alterações e que estas vão ser penalizadoras para os reformados em idade avançada e com recursos financeiros limitados.

Sinceramente, eu sou um leigo neste campo da segurança social e gostaria que me explicassem o seguinte: Porque é que em Portugal os idosos nasceram pobres, educaram os filhos com muitas dificuldades e vão morrer pobres? E agora no final da vida ainda vão ser mais afectados na estrutura familiar (marido e mulher) através de mais contribuições e restrição de direitos adquiridos.

Em Portugal ser idoso é sempre pejurativo e visto como algo de negativo quer na vida quotidiana quer na vida laboral. Já estás velho para isto.........a empresa quer um jovem dinâmico e de elevado potencial..........são frases tipicas e correntes no discurso do cidadão comum. No Japão quanto mais velho se é mais se respeitado é (senioridade + sabedoria).
Eu sei que a economia portuguesa está a atravessar imensas dificuldades, principalmente o nosso Estado de Previdência que está em falência.

Mas digam-me em Portugal alguma vez existiu Welfare State que abrangeu todas as classes sociais? O Welfare State que existiu foi sempre para funcionários públicos ou cidadãos pertencentes a determinados regimes sociais.

Na minha opinião nunca existiu um verdadeiro Welfare State universalista como no Reino Unido, Alemanha ou Suécia.

Se estudarmos a história da europa pós 1945 quando foi criado esse sistema no Reino Unido nem Portugal sabia o que isso era nem nunca fomos doutrinadores nesse campo.

A realidade crua é esta: os idosos vão ter que trabalhar mais pois com as reformas de miséria que recebem que nem dá para pagar os medicamentos quanto mais a alimentação, os filhos vão ter que ajudar os pais quando podem, pois com a taxa de desemprego a aumentar como é que eles também vão poder ajudar os pais? .............Desculpem mas isto foi um pesadelo.....pois o sonho tornado em realidade é que neste momento estou a lêr uma noticia de um jornal diário de 2015 que diz tem a seguinte manchete:" Reformados portugueses enchem praias do Algarve e ocupam a maior taxa de ocupação nas Unidades Hoteleiras locais" Segundo uma fonte oficial o instituto de turismo considerou um mercado estratégico a promoção de Portugal junto do segmento dos reformados portugueses, pois, têm elevado poder de compra e são uma alternativa aos turistas do norte da europa.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Dia da República - Dia de Reflexão histórica

Hoje comemora-se em Portugal o dia da República. 5 de Outubro de 1910 marcou a ruptura com a monarquia e a instauração do regime republicano em Portugal. Independentemente de sermos monárquicos, republicanos, maçons ou não maçons ou quer que seja, hoje é um dia de reflexão para olharmos para a nossa história de Portugal feita de rupturas e avanços, de mudanças politicas e sociais, de confrontos entre principios ideológicos e valores politicos. História é continuidade e feita de pessoas que marcaram um determinado periodo e que acreditavam em determinados valores como a coisa pública e na necessidade da mudança.
Hoje o que é a coisa pública? um conceito abstracto...............Mal utilizado e fora de contexto. Tudo é coisa pública. Fecham-se hospitais e maternidades no interior em nome da coisa pública, desertifica-se o interior em nome da coisa pública. Será que também se quer acabar com o conceito de comunidade e de serviço público em nome da coisa pública? O Estado existe porque eu cidadão existo?
Deixo-lhes para reflexão um excerto da obra o Novissimo principe (Edição especial de 1980) do Professor Adriano Moreira que dizia o seguinte: " A comunicação entre as gerações processa-se com resistências inegáveis, que ocasionam cortes irreparáveis entre a experiência dos mais velhos e a criatividade dos mais novos, tudo em prejuizo da preservação do abalado consenso nacional". E continuando a sua leitura: " Existe uma diferença fundamental entre ideólogos, revolucionários, politicos e estadistas. Dos primeiros aquilo que nos chega são traduções sem concorrência de de um pensamento nativo, que nehuma das formações politicas em acção produziu dentro das duas fileiras. O internacionalismo é a regra do nosso tempo, mas isso não implica que a corrente do pensamento circule num único sentido, sem retribuição nascida nas originalidades nacionais".

quarta-feira, outubro 04, 2006

A Adesão de Portugal e Espanha a União Europeia - Visões diferentes caminhos diferentes

Tem sido tema de reflexão para o cidadão comum a seguinte questão: Porque é que Espanha está a viajar em primeira classe no Euro-Train e Portugal continua a viajar em 2ª classe num comboio que se não for aumentada a capacidade poder correr o risco de desativação?
Vejamos uma possivel explicação do ponto de vista estratégico mas que é discutivel e polémica:

Espanha considerou sempre a adesão à União Europeia um factor estratégico de:
- desenvolvimento económico,
- integração de Espanha na cena politica europeia
- engradecimento do seu papel no relacionamento internacional com a Ámerica Latina

Portugal quando aderiu a Ex-CEE numa definiu uma estratégia quer europeia quer internacional, apesar de existir um consenso entre todas as forças politicas da altura que com a perda do império ultramarino e do relacionamento altlântico a possivel alternativa para o nosso desenvolvimento económico estava na Europa. A Europa trouxe-nos uma aproximação as economias mais fortes e a integração no maior espaço comercial do globo com reais vantagens para o progresso da nossa sociedade.
Contudo, toda a ajuda financeira que recebemos e nomeadamente a transferência de fundos comunitários não podem ser vistos como um fim mas como um meio para o alcance de niveis de desevolvimento similares dos Países do centro e norte da Europa. Isso ninguém põe em causa e não gosto de fazer demagogia. O que é criticável é um pais que condiciona o seu desenvolvimento económico a ajudas recebidas do exterior mostra que não tem uma estratégia nacional mas sim uma relação de dependência de centros de decisão externos mas em que a influência no processo de decision-making é reduzido.

Em geoestratégia existe uma fórmula P=VX C (Poder =Vontade x capacidade). Se queremos ter poder internacional e capacidade de influência em Bruxelas devemos seguir a seguinte estratégia:
- Estratégia nacional acima de interesses corporativistas e sectoriais
- Definição do interesse nacional
- Estratégias de Lobbying concertado
- Formulação e implementação de uma politica externa que tenha em conta os interesses nacionais e permanentes de Portugal (Europa-África - América)
- Forte articulação entre Estado, Empresas, Sindicatos e forças vivas da sociedade civil de forma a reforçar a imagem de um pais coeso, forte e aberto ao Mundo com grandes consensos sobre as questões principais que entravam o nosso desenvolvimento: competitividade das empresas; educação e formação; reforma do Estado.
- Diversificação das relações internacionais de Portugal: os Pequenos países podem escolher os amigos mas não os vizinhos.
- Internacionalização da lingua portuguesa: a Lingua portuguesa deverá serdivulgada pelo sector privado e não apenas pelo Estado vejamos o caso dainternacionalização da lingua inglesa e espanhola: quantos institutos de linguas desses países existem espalhados pelo mundo? Em Portugal só falamosno defunto instituto camões.
- Organização definitiva do modelo de promoção das exportações e de captação de IDE.
Agora extinguiu-se a API antes criou-se a API............brinca-se com instrumentos diplomáticos como quem joga ás damas......... que reflexos têm estas decisões no exterior? O que irão pensar os potenciais investidores? Os jogadores e o relvado estão sempre a ser mudados..............

Em Espanha o ICEX não muda porque mudam ministros ou presidentes, pois, são instrumentos diplomáticos e a arma diplomática implica continuidade mesmo que haja mudanças politicas internas "My country right or wrong" disse Churchill.

Quando os Espanhois aderiram à União Europeia afirmaram: daqui a 10 ou 15 anos queremos estar no posicionamento internacional X......Portugal não................apesar de termos feitos grandes progressos......leiam o que diz António Barreto no seu livro "tempo de incerteza" que é uma análise" brilhante do ponto de vista sociológico da nossa história económica e social pós 25 de Abril.

O que falta infelizmente em Portugal é uma nova geração de politicos com visão estratégica e descomprometidos de traumas do passado, mas essa geração ainda não têm acesso aos centros de decisão.
Portugal evoluiu bastante no pós adesão e não se esqueçam que num sistema internacional globalizado um País pequeno tem sempre a ganhar estando dentro do sistema em vez de estar fora.
Estar fora implica isolamento internacional......vejamos a albânia.......o que é importante é defendermos os nossos interesses nacionais e ter pessoas capacitadas e qualificadas para essa missão.

Os Espanhois nisso são bons já que através das posições e lugares internacionais que têm acesso engrandecem a MARCA ESPANHA. podemos aprender com os nuestros hermanos.

Em pleno 2006 e vinte anos passados após adesão à UE entristece-me sermos vistos como os pobres da europa, atrás da República Checa, Eslovénia e Grécia, termos portugueses a serem explorados no mercado de trabalho em Espanha e na Holanda e a serem expulso dos Açores e porquê? porque começando pela máquina diplomática e consular não existe espirito de defesa do interesse dos nossos cidadãos. Ser português devia ser motivo de orgulho para esses cidadãos......numa europa alargada os Portugueses ainda são vistos como eram antes de 1974? ir a salto... e o conceito de cidadania europeia?

Os nuestros hermanos já estão na europa rica e EL TORO associado ao orgulho(vontade x capacidade) dá-lhes poder para serem tratados como gold members da União Europeia nós ainda parece que estamos longe disso.

terça-feira, outubro 03, 2006

Internacionalização e lingua portuguesa

Hoje em dia o tema da internacionalização está na ordem do dia. Governo e empresários todos defendem que o caminho para a sobrevivência da nossa economia passa pela internacionalização. Contudo, quando se fala em internacionalização existe um factor que tem sido menosprezado e que é o factor -lingua portuguesa.
Porque é que não valorizamos a nossa lingua nos processos de internacionalização?Como o fazem os americanos, os espanhóis, os britânicos e o franceses?

Espanha quando definiu por exemplo a sua estratégia de politica económica externa para o mercado brasileiro teve como suporte a diplomacia da lingua e da cultura castelhana como factor de afirmação cultural e económica no mercado. O que é que fez? enviou um conjunto de professores/leitores de lingua castelhana para o brasil e abriu localmente dezenas de institutos cervantes.

Os ingleses também têm o seu British Council que é um instrumento diplomático de divulgação da lingua e cultura inglesa e para além disso contam com a internacionalização da lingua inglesa via sector privado como é o caso de institutos de lingua como a International House e EF
ou outras marcas que actuam nesse campo e que já são verdadeiras insignias internacionais.

E em Portugal o que temos feito? temos o defunto Instituto Camões e meia-dúzia de leitorados que lutam com dificuldades orçamentais. Enquanto que também da parte do sector privado não temos grupos empresariais constituidos que actuem no ensino e divulgação da lingua e lingua portuguesa no plano internacional como existe no Reino Unido.

Nas recentes multinacionais portuguesas os programas de lingua portuguesa deveriam estar mais presentes e deviam ser ministrados aos quadros das filiais estrangeiras.

Nas bibliotecas estrangeiras deviamos encontrar mais livros de autores portugueses. As campanhas de promoção de Portugal no Mundo não deviam menosprezar a componente da lingua e especificidades culturais de portugal de forma a apresentarmos um produto diferenciado.

Os nossos escritores deviam estar associados aos processos de internacionalização. As empresas portuguesas ao internacionalizarem-se para determinados mercados localmente deveriam apoiar acções de comunicação e de divulgação da lingua e cultura portuguesa de modo a reforçar empresas com identidade portuguesa.

Sabemos que é um trabalho longo e continuo mas se analisarmos o sucesso de determinados países com capacidade de projecção internacional temos sempre associado uma estratégia global com variaveis: económicas, culturais, financeiras, financeiras e acima de tudo com assumpção de obtenção de prestigio e influência internacional.

Why diplomacy matters?

Portugal é uma velha nação europeia aberta ao mundo e a globalização. Ser uma Nação aberta ao Mundo significa elevada capacidade de relacionamento internacional e uma leitura atenta e permanente dos desenvolvimentos internacionais em várias áreas geográficas do globo.

Para que essa capacidade de relacionamento internacional seja posta em prática torna-se imperativo um novo modelo de diplomacia atentas as mutações dos sistemas politico e económico internacionais e aos mercados emergentes com potencial de investimento e de exportação para as empresas portuguesas.

A diplomacia deverá estar munida de um eficaz sistema de market research como suporte de forma a os decisores politicos e empresariais obterem informação em tempo útil quando têm que formular estratégias politicas e empresariais.
A chamada E-Diplomacy que já é praticada nos EUA e em outros países com interesses globais é uma ferramenta fundamental nesta era de informação.
As embaixadas e as delegações do ICEP no exterior deverão funcionar em network e estar munidas de Sistemas de Informação actualizados e com apropriados Data Base Management. A expressão utilizada no mundo empresarial " gathering information" deverá estar presente na diplomacia portuguesa de forma a serem recolhidas informações correctas na politica e economia internacional.
Para além disso, o planeamento estratégico deverá ter um papel relevante na detecção das nossas forças e fraquezas e das ameaças e oportunidades para as empresas portuguesas que operam no mercado internacional.
Sempre que fosse definido um mercado-alvo ou uma prioridade da nossa politica externa esses temas deveriam ser debatidos com os actores intervenientes nesse processo e com todos aqueles que têm interesses nesses mercados ou nessa prioridade de politica externa.
A Politica externa de um País tem sempre como objectivo a defesa do interesse nacional. A definição de interesse nacional hoje em dia tem componentes diferentes do passado. Contudo, a vertente diplomacia económica e a sua interacção com a politica doméstica cada vez são mais relevantes o que implica a articulação entre o Estado e outros agentes económicos.

Deslocalização para Espanha e os seus Opositores

A deslocalização das empresas internacionais para Espanha deve-se na minha perspectiva aos seguintes factores: Centralidade Ibérica e consolidação do mercado Ibérico que é um mercado único na perspectiva das multinacionais há bastantes anos. Principalmente das multinacionais norte-americanas. Forte relacionamento politico-diplomático EUA-Espanha que se aprofundoubastante com o Governo de Aznar e que já é uma continuidade e um eixo permanente da politica externa espanhola. Imagem de prestigio internacional de Espanha e o seu crescente papel como actor na cena económica e comercial internacional. Atractividade fiscal do mercado. Melhores custos operacionais em termos de logistica e de supply chain. Forte competitividade dos Portos Espanhóis: Barcelona e Valência emdetrimentos dos Portos Portugueses. Qualificação dos RH e internacionalização das universidades espanholas.Por exemplo no ranking dos MBA do The Economist o IESE já está no topo a competir com o mundo anglo-sáxonico. Para não falar em ESADE e Instituto de Empresa. As Universidades Espanholas e digo isto por conhecimento de causa todos os anos atraem milhares de estudantes qualificados do mundo latino-americano na área das pós-graduações. Se uma multinacional norte-americana com interesses na america latina quiser recrutar um quadro para mobilidade internacional ou para ser expatriado para esses mercados pode recrutá-lo em Espanha ou nos EUA (hispano-falantes).
Posicionamento internacional de cidades como Barcelona e Madrid que desenvolveram estratégias de marketing territorial com vista a atrair quadros internacionais e IDE. O que é que Lisboa e Porto por exemplo têm feito nesse sentido? O Mestre Kotler já falava deste novo marketing que nos lembra o velho modelo das cidades-Estados. Politicas públicas coerentes e transparentes. O modelo de comunidades autónomas em Espanha torna-se mais fácil para quem quer investir e obter incentivos. Forte articulação Estado/Banca e Associações de empresários quer na estratégia de promoção das exportações quer na atraacção de IDE. Diplomacia económica profissionalizada. A existência de um grande número de quadros espanhóis em posições de destaque em empresas internacionais que podem influenciar os mecanismos de decisão. Na internacionalização das economias e captação de IDE esse aspecto não deve ser descurado e Espanha sabe utilizar com habilidade.No caso português temos que saber "vender os nossos atributos positivos"numa perspectiva de longo prazo.O investidor olha para Portugal como um todo. E como sabem as nossas politicas públicas não são coerentes e numa perspectiva de longo prazo mas meramente de carácter imediatista e mediático.Como captar investimento para Portugal? quando o todo não funciona em harmonia? Poder Central, Autárquico, Institutos Públicos? a Johnson Controls fecha............a GM da Azambuja fecha........e o português fica sempre a espera que o D. Sebastião do Terreiro de Paço venha resolver-lhe esta questão? sempre o Estado omnipresente...... E os clusters nacionais com PME portuguesas onde estão? essas não apoiam porque não dão direito a capa de jornal e feira de vaidades.....toca a apoiá-las na sua internacionalização com programas realistas e exequiveis como se faz em Espanha

sexta-feira, setembro 29, 2006

FALTA CUMPRIR PORTUGAL

Fazendo eco e decalque do que é o sentimento de muitos de nós fresianos, deixamos o registo das palavras do mestre, as quais, em seu tempo, demonstraram a esta nação, outrora valente, que faltava cumprir Portugal. Acreditamos que ainda nos falta cumprir Portugal...

O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse,
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal.


Fernando Pessoa em “A Mensagem”

quarta-feira, setembro 20, 2006

Uma fusão anunciada

Entre a API e o ICEP.
O Governo decidiu e anunciou a fusão entre estas duas instituições, ambas criadas, é verdade, com objectivos estratégicos similares, como sejam, em termos globais, a contribuição para o fortalecimento, crescimento e desenvolvimento do sector empresarial e da economia portuguesa. No entanto a cada uma é atribuída uma função diferente e uma missão distinta. Por isso discordamos desta fusão. Quanto a nós estamos perante uma decisão que resulta de um equívoco, pois ainda que existam objectivos genericamente confluentes, ambas as instituições estabelecem formas de actuação e trilham caminhos diferentes, pelo que, não vislumbramos qualquer vantagem nem complementaridade na sua fusão. Para melhor nos elucidarmos sobre a missão e o âmbito de actuação da API e do ICEP vejamos primeiro a API em http://www.investinportugal.pt/:

“A API – Agência Portuguesa para o Investimento tem como objecto a promoção activa de condições propícias e apoios, para a realização de grandes projectos de investimento, de origem nacional ou de origem estrangeira... assume o papel de interlocutor único para os promotores de investimento de dimensão elevada, sejam nacionais ou estrangeiros”.

Quanto ao ICEP podemos ver em http://www.icep.pt/ que o ICEP tem como missão “desenvolver e executar politicas de apoio à internacionalização da economia portuguesa, à promoção e divulgação das actividades económicas, nomeadamente na área do comércio de bens e serviços, da imagem de Portugal e das marcas portuguesas no exterior”.

Posto isto, é mais do que evidente as diferenças na missão de cada uma delas. Não estamos aqui a defender a sua extinção nem a menosprezar os seus objectivos, como defendem alguns economistas, por exemplo no caso da API, quando defendem que só os maus países que não são atraentes têm necessidade de captar o investimento do exterior, pois caso o fossem, não teriam essa necesssidade pois vendiam-se a si próprios. O que dizemos é que esta decisão corre ao contrário do que acontece noutros países.

Este modelo de fusão é o oposto do que está a ser adoptado pelas economias mais fortes, que revelam maior capacidade exportadora e elevado grau de atractividade de IDE como é o caso da Espanha.
Espanha tem o seu ICEP (ICEX) mas acaba de criar recentemente a INTERES (ver em http://www.interes.org/).

Segundo notícia recentemente publicada no reliable FDI magazine (Grupo FT) em Junho deste ano onde se entrevistava a responsável pela gestão de marketing e comunicação do INTERES “ o INTERES foi criado em Outubro de 2005 com um capital social de € 300.000. O accionista é o ICEX, Instituto do Comércio Externo Espanhol. De acordo com o relatório sobre o investimento mundial em 2005 da UNCTAD, Espanha é um dos países destino mais atractivos para o investimento estrangeiro e está classificado no 8º lugar entre os países que mais investimento captou no exterior… a criação de um organismo como este torna-se necessário e essencial tendo em vista publicitar as vantagens competitivas e a imagem de Espanha como país atractivo para o investimento estrangeiro”.
As funções de captação do investimento estrangeiro em Espanha, antes da responsabilidade da Direcção Geral para o Turismo e Investimento, departamento do Ministério da Industria, Comércio e Turismo, passam a partir de finais de 2005 para a esfera da responsabilidade do INTERES.

Mas há mais exemplos: A República Checa tem dois organismos:

- Czech Trade- Czech Invest

Hong Kong tem dois organismos:

- Invest HK- Hong Kong Trade and Development Council

A Suécia tem igualmente duas instituições distintas:

- Invest in Sweden (ISA)- Swedish Trade Council


Quando a tendência nos outros países é fazer a separação entre a instituição que promove o país no exterior e a que é responsável por captar o investimento estrangeiro, em Portugal caminha-se no sentido oposto e pretende fundir-se. Com que objectivos e vantagens? Para desburocratizar? Para racionalizar?
Julgamos que nem tudo deve ser pensado apenas na perspectiva da desburocratização, uma vez que, com seriedade política, eficiência na gestão, preserverança e realismo nos objectivos, a burocracia não incomodará assim tanto. Qual a relevância e o papel actual do IAPMEI? Porque não agilizar a interligação deste organismo com as associações empresariais e com as câmaras de comércio e indústria?

Sabemos por experiência profissional que a maioria das empresas portuguesas não estão presentes nos marketplaces de comércio internacional e que quase desconhecem as estratégias de e-business.O próprio site do ICEP é medíocre prestando notícias passadas. Relevante seria apresentar relatórios sectoriais sobre os clusters nacionais, divulgar oportunidades de negócio em tempo real, informação que seria de extrema utilidade para os empresários nacionais promoverem os seus produtos e serviços e ainda para os importadores estrangeiros conhecerem a oferta nacional desses produtos e serviços.
Do ICEP gostaríamos de ver ministradas acções de formação contínua sobre temáticas de comércio internacional como acontece em Espanha no homólogo ICEX. Em Portugal, contrariamente ao que encontramos na Irlanda com o Irish Exporters Association, não existe nenhuma associação privada para promoção do comércio além fronteiras, o que certamente representaria uma forma complementar de atender às necessidades do país em termos de promoção nos mercados internacionais e concorreria com as acções do ICEP reduzindo assim a responsabilidade e o excessivo papel do Estado na promoção do comércio externo.


Alfredo Motty e Mário de Jesus

segunda-feira, setembro 18, 2006

A China no caminho do turismo nacional

Tal como previmos e desejámos em recente discussão do FRES, eis a China no caminho do turismo português. Os dados apontam para que não nos tenhamos enganado.

Fazendo referência a um artigo de hoje do Jornal de Negócios, o qual se baseia num estudo efectuado pelo Espírito Santo Research, a China e a Irlanda deverão ser as apostas do país.
O sector do turismo representa 11% do PIB nacional (um dos sectores mais importantes da economia). Mas o seu crescimento é ainda insuficiente, estando atrás do registado pelos nossos parceiros (e concorrentes) espanhóis. Em 2004 Portugal encontrava-se na 20ª posição do ranking mundial de destinos turísticos, o que, segundo a World Tourism Organization, equivale a uma (pequena) quota de 1,5%. Havíamos caído 5 posições relativamente aos dados de 2002. No topo temos a França, Espanha e EUA. Entre 2004 e 2014 o turismo em Portugal deverá registar uma quota média de crescimento anual de 4,6%. Segundo o mesmo estudo Portugal deve apostar na captação de turistas provenientes da China e Irlanda. Porquê? Porque a relação histórica com a China (via Macau), o potencial de turistas que no futuro podem gastar mais, assim o exige. Com a Irlanda porque, ainda que apenas 2,5% dos turistas sejam Irlandeses, são os que permanecem, em média, mais noites. Segundo o Eurostat, os principais turistas em Portugal são os espanhóis, britânicos, alemães e holandeses. Apostas estratégicas do turismo nacional: congressos,, golfe, mar, turismo residencial e termas.

A China, já a 6ª maior economia do Mundo em 2004, à frente da Itália, prevê-se que venha a ser a 5ª maior após dados recolhidos de 2005 (à frente da França). As maiores: EUA, Alemanha, Inglaterra, França, China e Itália. Fantástico, para um país fechado ao Mundo há 1 década.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Jantar/Debate

Realizou-se ontem, dia 12, no Restaurante Kardápio em Lisboa, mais um jantar/debate organizado pelo FRES.
Em discussão estiveram temas como a preparação de Portugal para a sociedade do conhecimento, no âmbito da estratégia nacional para o desenvolvimento sustentável, com especial incidência na discussão do estado da educação em Portugal. Foram ainda abordados exemplos de sistemas educativos como o Alemão, Finlandês (Escandinavo) e Americano.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Rumo à China

A propósito da Cimeira Europa-Ásia realizada hoje em Helsínquia, Finlândia, assistimos ao aperto de mão entre o 1º Ministro Sócrates e o 1º Ministro Chinês.
O que se espera é que este não tenha sido apenas um acto mediático para a fotografia da posteridade mas sim um acto consciente e realista que manifeste a importância que a China pode ter para o futuro da economia e das empresas portuguesas.

Mais ainda é de louvar a intenção divulgada por Sócrates em preparar em breve uma visita com missão empresarial a este país. De facto a China é já e será no futuro um parceiro incontornável nas relações económicas e empresariais, para a Europa em geral e para Portugal em particular. Não esqueçamos a alavanca politica, cultural, económica e empresarial que representa Macau para nós (ou não fosse a presença portuguesa naquele país durante 500 anos). O caminho é este e está certo – rumo à China.Vendemos muito daquilo que a China compra – por exemplo serviços financeiros sofisticados – a China compra muito daquilo que vendemos – por exemplo Turismo. Aguardamos a continuidade.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Como promover Portugal

Portugal tem em curso um plano estratégico de promoção do país no estrangeiro, designado por “Programa Marca Portugal” gerido pelo Ministério de Economia e Inovação e operado pelo ICEP em colaboração com vários organismos públicos. Tendo em vista a necessidade do país em captar mais investimento estrangeiro, aumentar as exportações e atrair um maior número de turistas, tais metas só serão alcançadas se o país apresentar uma imagem positiva e de confiança no exterior, aliada a uma reputação de qualidade.

Este programa insere um conjunto de iniciativas desenvolvidas segundo 7 eixos de acção com objectivos específicos:

Eixo 1 – Padrão Portugal

Eixo 2 – Clube de Marcas Portuguesas

Eixo 3 – Difusão Portugal

Eixo 4 – Acções de Portugal Marca nos Mercados

Eixo 5 – Portugal Acolhe

Eixo 6 – “Prefiro Portugal”

Eixo 7 – Medir para Gerir

Tendo em vista o programa acima referido, Portugal deve aproveitar o marketing “Word of Mouth” como ferramenta para divulgar e promover o país no exterior. É opinião dos profissionais do sector, dos governantes e aceite por muitos portugueses, que o turismo é um dos vectores em que o país mais deve apostar, dada a qualidade de factores como a beleza natural, o clima, o mar, as praias, a gastronomia, a segurança, sem esquecer a riqueza histórica e a amabilidade intrínseca de um povo de brandos costumes. Os predicados estão cá todos. Como fácilmente percebemos, este conceito de marketing será especialmente eficaz ao nível dos eixos 5 e 6 deste programa.
Que melhor forma existe para divulgar o país que não seja pela própria palavra e através daqueles que todos os anos nos visitam? Portugal recebe todos os anos mais de 27 milhões de visitantes. Só de Espanha vêm mais de 20 milhões de visitantes - que de norte a sul do país conhecem a nossa história, cultura, lugares, sabores, tradições, gostos e simpatia. Veja-se a amplitude que pode tomar a promoção do nosso país através destas pessoas. Quem melhor do que eles para falar de nós, se puderem retornar ao seu país para contar os bons momentos e experiências aqui passadas? Mas para que isso aconteça têm que ser bem recebidos e tratados, servidos de forma ímpar e profissional, acompanhados nas suas necessidades, demonstrando-lhes interesse no seu bem estar, superando as suas expectativas ao nível da qualidade dos serviços prestados.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Portugal com tradição na pesca

Fiquei mais uma vez simultâneamente surpreendido e encantado pelas notícias que li sobre Portugal.

Temos a maior Zona Económica Exclusiva da UE no Atlântico, com uma área de 1.656.000 Km quadrados de mar sob a nossa jurisdição, a 4ª maior frota de pesca comunitária, que representa 11,2% do total da UE, temos o 3º lugar no nº de pescadores e empregados na industria transformadora de pescado, no contexto europeu, com cerca de 20 mil postos de trabalho. Por ano e ainda no contexto europeu, temos o 10º lugar em termos de produção, com 221 mil toneladas de peixe capturado.

Mais interessante ainda é que somos o 3º país do mundo a consumir peixe e o 1º na comunidade europeia. A Islândia é o líder com um consumo de 91 kilos/pessoa/ano, o Japão o segundo, com 65 Kilos/pessoa/ano e Portugal com 57 kilos/pessoa/ano.

No entanto como exportamos muito, das 221 mil toneladas capturadas, exportamos 117 mil, isto significa que temos que importar dois terços do que consumimos, i.e. cerca de 371 mil toneladas para satisfazer as 466 mil toneladas que consumimos.

Porém o sector tem vindo a sofrer, como muitos outros: os empregados neste sector já foram mais de 30 mil há 10 anos e só nos últimos 6 anos foram abatidas 264 embarcações (porque nos dizem que pescamos demais!). Por outro lado e apesar destes números apenas 3,6% do que produzimos (capturamos) é consumido pelos 25 de UE, muito pouco.

Outros problemas no sector são o excesso de corporativismo (mais uma vez), com demasiadas associações e organismos associativos, com os quais não é fácil (nem muitas vezes possível) falar, com muitos jogos de interesses à mistura, o que se vira contra os próprios pescadores.

Recomenda-se o combate ao excesso de corporativismo, com coragem política, com sabedoria empresarial, com esclarecimentos aos interessados (os pescadores) e com clarificação das suas vantagens e ganhos em combater esta burocracia e os lóbis instalados. O sector precisa e o país agradece. Este é um dos seus males. Vá Portugal fazer Lóbi em Bruxelas a lutar pelo sector em defesa do seu mar.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Estratégia Nacional para o Desenvolvimento Sustentável

É um dos desígnios nacionais e a estratégia com a qual os governantes portugueses se comprometeram perante os parceiros europeus (estratégia de Lisboa em 2000) e que têm que cumprir. Deve ser do conhecimento de todos os portugueses sendo obrigação da sociedade civil proceder ao seu acompanhamento, análise, crítica e eventuais correcções através de sugestões.

Como tal deve ser do conhecimento de todos os fresianos. Daqui que seja importante o seu debate, até porque incorpora um dos temas do nosso actual debate e discussão: a educação e o conhecimento.

É obrigatória a visita ao site www.desenvolvimentosustentavel.pt

Aqui ficam resumidos os seus objectivos:

1. Preparar Portugal para a “Sociedade do Conhecimento”- acelerar o desenvolvimento científico e tecnológico e melhorar as qualificações e a valorização do capital humano.

2. Crescimento sustentado,competitividade à escala global e eficiência energética – assegurar o crescimento mais rápido da economia portuguesa.

3. Melhor ambiente e valorização do património natural – modelo de desenvolvimento que integre a protecção do ambiente e a conservação dos recursos naturais.

4. Mais equidade, igualdade de oportunidades e coesão social – assegurar a satisfação de necessidades básicas como a saúde, justiça, formação, educação, cultura e segurança social.

5. Melhor conectividade internacional do país e valorização equilibrada do território – melhor planeamento com efeitos directos no território de modo a reduzir a periferia geográfica do país no contexto europeu.

6. Um papel activo de Portugal na construção europeia e na cooperação internacional - afirmação de Portugal no Mundo através de uma estratégia de sustentabilidade global e do reforço das relações internacionais do país com algumas regiões mais determinantes para o nosso futuro.

7. Uma administração pública mais eficiente e modernizada – elemento fundamental para uma governação com sentido estratégico e o caminho para uma maior eficiência do estado.

O Governo e o país estão a solicitar a colaboração da sociedade civil a participar neste debate do desenvolvimento sustentável e a dar o seu contributo. A sociedade civil não pode demitir-se desta sua responsabilidade. Por isso ao FRES é pedido que colabore e participe. Para o efeito é obrigatório intervirmos neste debate através de recomendações a prestar no site indicado.

Está no entanto aberto o debate entre nós sobre este tema, se acharmos necessário, até ao final do mês de Agosto e até 15 de Setembro, data limite para as nossas recomendações.

Saudações Fresianas