Hoje comemora-se em Portugal o dia da República. 5 de Outubro de 1910 marcou a ruptura com a monarquia e a instauração do regime republicano em Portugal. Independentemente de sermos monárquicos, republicanos, maçons ou não maçons ou quer que seja, hoje é um dia de reflexão para olharmos para a nossa história de Portugal feita de rupturas e avanços, de mudanças politicas e sociais, de confrontos entre principios ideológicos e valores politicos. História é continuidade e feita de pessoas que marcaram um determinado periodo e que acreditavam em determinados valores como a coisa pública e na necessidade da mudança.
Hoje o que é a coisa pública? um conceito abstracto...............Mal utilizado e fora de contexto. Tudo é coisa pública. Fecham-se hospitais e maternidades no interior em nome da coisa pública, desertifica-se o interior em nome da coisa pública. Será que também se quer acabar com o conceito de comunidade e de serviço público em nome da coisa pública? O Estado existe porque eu cidadão existo?
Deixo-lhes para reflexão um excerto da obra o Novissimo principe (Edição especial de 1980) do Professor Adriano Moreira que dizia o seguinte: " A comunicação entre as gerações processa-se com resistências inegáveis, que ocasionam cortes irreparáveis entre a experiência dos mais velhos e a criatividade dos mais novos, tudo em prejuizo da preservação do abalado consenso nacional". E continuando a sua leitura: " Existe uma diferença fundamental entre ideólogos, revolucionários, politicos e estadistas. Dos primeiros aquilo que nos chega são traduções sem concorrência de de um pensamento nativo, que nehuma das formações politicas em acção produziu dentro das duas fileiras. O internacionalismo é a regra do nosso tempo, mas isso não implica que a corrente do pensamento circule num único sentido, sem retribuição nascida nas originalidades nacionais".
Fórum de Reflexão Económica e Social
«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»
quinta-feira, outubro 05, 2006
quarta-feira, outubro 04, 2006
A Adesão de Portugal e Espanha a União Europeia - Visões diferentes caminhos diferentes
Tem sido tema de reflexão para o cidadão comum a seguinte questão: Porque é que Espanha está a viajar em primeira classe no Euro-Train e Portugal continua a viajar em 2ª classe num comboio que se não for aumentada a capacidade poder correr o risco de desativação?
Vejamos uma possivel explicação do ponto de vista estratégico mas que é discutivel e polémica:
Espanha considerou sempre a adesão à União Europeia um factor estratégico de:
- desenvolvimento económico,
- integração de Espanha na cena politica europeia
- engradecimento do seu papel no relacionamento internacional com a Ámerica Latina
Portugal quando aderiu a Ex-CEE numa definiu uma estratégia quer europeia quer internacional, apesar de existir um consenso entre todas as forças politicas da altura que com a perda do império ultramarino e do relacionamento altlântico a possivel alternativa para o nosso desenvolvimento económico estava na Europa. A Europa trouxe-nos uma aproximação as economias mais fortes e a integração no maior espaço comercial do globo com reais vantagens para o progresso da nossa sociedade.
Contudo, toda a ajuda financeira que recebemos e nomeadamente a transferência de fundos comunitários não podem ser vistos como um fim mas como um meio para o alcance de niveis de desevolvimento similares dos Países do centro e norte da Europa. Isso ninguém põe em causa e não gosto de fazer demagogia. O que é criticável é um pais que condiciona o seu desenvolvimento económico a ajudas recebidas do exterior mostra que não tem uma estratégia nacional mas sim uma relação de dependência de centros de decisão externos mas em que a influência no processo de decision-making é reduzido.
Em geoestratégia existe uma fórmula P=VX C (Poder =Vontade x capacidade). Se queremos ter poder internacional e capacidade de influência em Bruxelas devemos seguir a seguinte estratégia:
- Estratégia nacional acima de interesses corporativistas e sectoriais
- Definição do interesse nacional
- Estratégias de Lobbying concertado
- Formulação e implementação de uma politica externa que tenha em conta os interesses nacionais e permanentes de Portugal (Europa-África - América)
- Forte articulação entre Estado, Empresas, Sindicatos e forças vivas da sociedade civil de forma a reforçar a imagem de um pais coeso, forte e aberto ao Mundo com grandes consensos sobre as questões principais que entravam o nosso desenvolvimento: competitividade das empresas; educação e formação; reforma do Estado.
- Diversificação das relações internacionais de Portugal: os Pequenos países podem escolher os amigos mas não os vizinhos.
- Internacionalização da lingua portuguesa: a Lingua portuguesa deverá serdivulgada pelo sector privado e não apenas pelo Estado vejamos o caso dainternacionalização da lingua inglesa e espanhola: quantos institutos de linguas desses países existem espalhados pelo mundo? Em Portugal só falamosno defunto instituto camões.
- Organização definitiva do modelo de promoção das exportações e de captação de IDE.
Agora extinguiu-se a API antes criou-se a API............brinca-se com instrumentos diplomáticos como quem joga ás damas......... que reflexos têm estas decisões no exterior? O que irão pensar os potenciais investidores? Os jogadores e o relvado estão sempre a ser mudados..............
Em Espanha o ICEX não muda porque mudam ministros ou presidentes, pois, são instrumentos diplomáticos e a arma diplomática implica continuidade mesmo que haja mudanças politicas internas "My country right or wrong" disse Churchill.
Quando os Espanhois aderiram à União Europeia afirmaram: daqui a 10 ou 15 anos queremos estar no posicionamento internacional X......Portugal não................apesar de termos feitos grandes progressos......leiam o que diz António Barreto no seu livro "tempo de incerteza" que é uma análise" brilhante do ponto de vista sociológico da nossa história económica e social pós 25 de Abril.
O que falta infelizmente em Portugal é uma nova geração de politicos com visão estratégica e descomprometidos de traumas do passado, mas essa geração ainda não têm acesso aos centros de decisão.
Portugal evoluiu bastante no pós adesão e não se esqueçam que num sistema internacional globalizado um País pequeno tem sempre a ganhar estando dentro do sistema em vez de estar fora.
Estar fora implica isolamento internacional......vejamos a albânia.......o que é importante é defendermos os nossos interesses nacionais e ter pessoas capacitadas e qualificadas para essa missão.
Os Espanhois nisso são bons já que através das posições e lugares internacionais que têm acesso engrandecem a MARCA ESPANHA. podemos aprender com os nuestros hermanos.
Em pleno 2006 e vinte anos passados após adesão à UE entristece-me sermos vistos como os pobres da europa, atrás da República Checa, Eslovénia e Grécia, termos portugueses a serem explorados no mercado de trabalho em Espanha e na Holanda e a serem expulso dos Açores e porquê? porque começando pela máquina diplomática e consular não existe espirito de defesa do interesse dos nossos cidadãos. Ser português devia ser motivo de orgulho para esses cidadãos......numa europa alargada os Portugueses ainda são vistos como eram antes de 1974? ir a salto... e o conceito de cidadania europeia?
Os nuestros hermanos já estão na europa rica e EL TORO associado ao orgulho(vontade x capacidade) dá-lhes poder para serem tratados como gold members da União Europeia nós ainda parece que estamos longe disso.
Vejamos uma possivel explicação do ponto de vista estratégico mas que é discutivel e polémica:
Espanha considerou sempre a adesão à União Europeia um factor estratégico de:
- desenvolvimento económico,
- integração de Espanha na cena politica europeia
- engradecimento do seu papel no relacionamento internacional com a Ámerica Latina
Portugal quando aderiu a Ex-CEE numa definiu uma estratégia quer europeia quer internacional, apesar de existir um consenso entre todas as forças politicas da altura que com a perda do império ultramarino e do relacionamento altlântico a possivel alternativa para o nosso desenvolvimento económico estava na Europa. A Europa trouxe-nos uma aproximação as economias mais fortes e a integração no maior espaço comercial do globo com reais vantagens para o progresso da nossa sociedade.
Contudo, toda a ajuda financeira que recebemos e nomeadamente a transferência de fundos comunitários não podem ser vistos como um fim mas como um meio para o alcance de niveis de desevolvimento similares dos Países do centro e norte da Europa. Isso ninguém põe em causa e não gosto de fazer demagogia. O que é criticável é um pais que condiciona o seu desenvolvimento económico a ajudas recebidas do exterior mostra que não tem uma estratégia nacional mas sim uma relação de dependência de centros de decisão externos mas em que a influência no processo de decision-making é reduzido.
Em geoestratégia existe uma fórmula P=VX C (Poder =Vontade x capacidade). Se queremos ter poder internacional e capacidade de influência em Bruxelas devemos seguir a seguinte estratégia:
- Estratégia nacional acima de interesses corporativistas e sectoriais
- Definição do interesse nacional
- Estratégias de Lobbying concertado
- Formulação e implementação de uma politica externa que tenha em conta os interesses nacionais e permanentes de Portugal (Europa-África - América)
- Forte articulação entre Estado, Empresas, Sindicatos e forças vivas da sociedade civil de forma a reforçar a imagem de um pais coeso, forte e aberto ao Mundo com grandes consensos sobre as questões principais que entravam o nosso desenvolvimento: competitividade das empresas; educação e formação; reforma do Estado.
- Diversificação das relações internacionais de Portugal: os Pequenos países podem escolher os amigos mas não os vizinhos.
- Internacionalização da lingua portuguesa: a Lingua portuguesa deverá serdivulgada pelo sector privado e não apenas pelo Estado vejamos o caso dainternacionalização da lingua inglesa e espanhola: quantos institutos de linguas desses países existem espalhados pelo mundo? Em Portugal só falamosno defunto instituto camões.
- Organização definitiva do modelo de promoção das exportações e de captação de IDE.
Agora extinguiu-se a API antes criou-se a API............brinca-se com instrumentos diplomáticos como quem joga ás damas......... que reflexos têm estas decisões no exterior? O que irão pensar os potenciais investidores? Os jogadores e o relvado estão sempre a ser mudados..............
Em Espanha o ICEX não muda porque mudam ministros ou presidentes, pois, são instrumentos diplomáticos e a arma diplomática implica continuidade mesmo que haja mudanças politicas internas "My country right or wrong" disse Churchill.
Quando os Espanhois aderiram à União Europeia afirmaram: daqui a 10 ou 15 anos queremos estar no posicionamento internacional X......Portugal não................apesar de termos feitos grandes progressos......leiam o que diz António Barreto no seu livro "tempo de incerteza" que é uma análise" brilhante do ponto de vista sociológico da nossa história económica e social pós 25 de Abril.
O que falta infelizmente em Portugal é uma nova geração de politicos com visão estratégica e descomprometidos de traumas do passado, mas essa geração ainda não têm acesso aos centros de decisão.
Portugal evoluiu bastante no pós adesão e não se esqueçam que num sistema internacional globalizado um País pequeno tem sempre a ganhar estando dentro do sistema em vez de estar fora.
Estar fora implica isolamento internacional......vejamos a albânia.......o que é importante é defendermos os nossos interesses nacionais e ter pessoas capacitadas e qualificadas para essa missão.
Os Espanhois nisso são bons já que através das posições e lugares internacionais que têm acesso engrandecem a MARCA ESPANHA. podemos aprender com os nuestros hermanos.
Em pleno 2006 e vinte anos passados após adesão à UE entristece-me sermos vistos como os pobres da europa, atrás da República Checa, Eslovénia e Grécia, termos portugueses a serem explorados no mercado de trabalho em Espanha e na Holanda e a serem expulso dos Açores e porquê? porque começando pela máquina diplomática e consular não existe espirito de defesa do interesse dos nossos cidadãos. Ser português devia ser motivo de orgulho para esses cidadãos......numa europa alargada os Portugueses ainda são vistos como eram antes de 1974? ir a salto... e o conceito de cidadania europeia?
Os nuestros hermanos já estão na europa rica e EL TORO associado ao orgulho(vontade x capacidade) dá-lhes poder para serem tratados como gold members da União Europeia nós ainda parece que estamos longe disso.
terça-feira, outubro 03, 2006
Internacionalização e lingua portuguesa
Hoje em dia o tema da internacionalização está na ordem do dia. Governo e empresários todos defendem que o caminho para a sobrevivência da nossa economia passa pela internacionalização. Contudo, quando se fala em internacionalização existe um factor que tem sido menosprezado e que é o factor -lingua portuguesa.
Porque é que não valorizamos a nossa lingua nos processos de internacionalização?Como o fazem os americanos, os espanhóis, os britânicos e o franceses?
Espanha quando definiu por exemplo a sua estratégia de politica económica externa para o mercado brasileiro teve como suporte a diplomacia da lingua e da cultura castelhana como factor de afirmação cultural e económica no mercado. O que é que fez? enviou um conjunto de professores/leitores de lingua castelhana para o brasil e abriu localmente dezenas de institutos cervantes.
Os ingleses também têm o seu British Council que é um instrumento diplomático de divulgação da lingua e cultura inglesa e para além disso contam com a internacionalização da lingua inglesa via sector privado como é o caso de institutos de lingua como a International House e EF
ou outras marcas que actuam nesse campo e que já são verdadeiras insignias internacionais.
E em Portugal o que temos feito? temos o defunto Instituto Camões e meia-dúzia de leitorados que lutam com dificuldades orçamentais. Enquanto que também da parte do sector privado não temos grupos empresariais constituidos que actuem no ensino e divulgação da lingua e lingua portuguesa no plano internacional como existe no Reino Unido.
Nas recentes multinacionais portuguesas os programas de lingua portuguesa deveriam estar mais presentes e deviam ser ministrados aos quadros das filiais estrangeiras.
Nas bibliotecas estrangeiras deviamos encontrar mais livros de autores portugueses. As campanhas de promoção de Portugal no Mundo não deviam menosprezar a componente da lingua e especificidades culturais de portugal de forma a apresentarmos um produto diferenciado.
Os nossos escritores deviam estar associados aos processos de internacionalização. As empresas portuguesas ao internacionalizarem-se para determinados mercados localmente deveriam apoiar acções de comunicação e de divulgação da lingua e cultura portuguesa de modo a reforçar empresas com identidade portuguesa.
Sabemos que é um trabalho longo e continuo mas se analisarmos o sucesso de determinados países com capacidade de projecção internacional temos sempre associado uma estratégia global com variaveis: económicas, culturais, financeiras, financeiras e acima de tudo com assumpção de obtenção de prestigio e influência internacional.
Porque é que não valorizamos a nossa lingua nos processos de internacionalização?Como o fazem os americanos, os espanhóis, os britânicos e o franceses?
Espanha quando definiu por exemplo a sua estratégia de politica económica externa para o mercado brasileiro teve como suporte a diplomacia da lingua e da cultura castelhana como factor de afirmação cultural e económica no mercado. O que é que fez? enviou um conjunto de professores/leitores de lingua castelhana para o brasil e abriu localmente dezenas de institutos cervantes.
Os ingleses também têm o seu British Council que é um instrumento diplomático de divulgação da lingua e cultura inglesa e para além disso contam com a internacionalização da lingua inglesa via sector privado como é o caso de institutos de lingua como a International House e EF
ou outras marcas que actuam nesse campo e que já são verdadeiras insignias internacionais.
E em Portugal o que temos feito? temos o defunto Instituto Camões e meia-dúzia de leitorados que lutam com dificuldades orçamentais. Enquanto que também da parte do sector privado não temos grupos empresariais constituidos que actuem no ensino e divulgação da lingua e lingua portuguesa no plano internacional como existe no Reino Unido.
Nas recentes multinacionais portuguesas os programas de lingua portuguesa deveriam estar mais presentes e deviam ser ministrados aos quadros das filiais estrangeiras.
Nas bibliotecas estrangeiras deviamos encontrar mais livros de autores portugueses. As campanhas de promoção de Portugal no Mundo não deviam menosprezar a componente da lingua e especificidades culturais de portugal de forma a apresentarmos um produto diferenciado.
Os nossos escritores deviam estar associados aos processos de internacionalização. As empresas portuguesas ao internacionalizarem-se para determinados mercados localmente deveriam apoiar acções de comunicação e de divulgação da lingua e cultura portuguesa de modo a reforçar empresas com identidade portuguesa.
Sabemos que é um trabalho longo e continuo mas se analisarmos o sucesso de determinados países com capacidade de projecção internacional temos sempre associado uma estratégia global com variaveis: económicas, culturais, financeiras, financeiras e acima de tudo com assumpção de obtenção de prestigio e influência internacional.
Why diplomacy matters?
Portugal é uma velha nação europeia aberta ao mundo e a globalização. Ser uma Nação aberta ao Mundo significa elevada capacidade de relacionamento internacional e uma leitura atenta e permanente dos desenvolvimentos internacionais em várias áreas geográficas do globo.
Para que essa capacidade de relacionamento internacional seja posta em prática torna-se imperativo um novo modelo de diplomacia atentas as mutações dos sistemas politico e económico internacionais e aos mercados emergentes com potencial de investimento e de exportação para as empresas portuguesas.
A diplomacia deverá estar munida de um eficaz sistema de market research como suporte de forma a os decisores politicos e empresariais obterem informação em tempo útil quando têm que formular estratégias politicas e empresariais.
A chamada E-Diplomacy que já é praticada nos EUA e em outros países com interesses globais é uma ferramenta fundamental nesta era de informação.
As embaixadas e as delegações do ICEP no exterior deverão funcionar em network e estar munidas de Sistemas de Informação actualizados e com apropriados Data Base Management. A expressão utilizada no mundo empresarial " gathering information" deverá estar presente na diplomacia portuguesa de forma a serem recolhidas informações correctas na politica e economia internacional.
Para além disso, o planeamento estratégico deverá ter um papel relevante na detecção das nossas forças e fraquezas e das ameaças e oportunidades para as empresas portuguesas que operam no mercado internacional.
Sempre que fosse definido um mercado-alvo ou uma prioridade da nossa politica externa esses temas deveriam ser debatidos com os actores intervenientes nesse processo e com todos aqueles que têm interesses nesses mercados ou nessa prioridade de politica externa.
A Politica externa de um País tem sempre como objectivo a defesa do interesse nacional. A definição de interesse nacional hoje em dia tem componentes diferentes do passado. Contudo, a vertente diplomacia económica e a sua interacção com a politica doméstica cada vez são mais relevantes o que implica a articulação entre o Estado e outros agentes económicos.
Para que essa capacidade de relacionamento internacional seja posta em prática torna-se imperativo um novo modelo de diplomacia atentas as mutações dos sistemas politico e económico internacionais e aos mercados emergentes com potencial de investimento e de exportação para as empresas portuguesas.
A diplomacia deverá estar munida de um eficaz sistema de market research como suporte de forma a os decisores politicos e empresariais obterem informação em tempo útil quando têm que formular estratégias politicas e empresariais.
A chamada E-Diplomacy que já é praticada nos EUA e em outros países com interesses globais é uma ferramenta fundamental nesta era de informação.
As embaixadas e as delegações do ICEP no exterior deverão funcionar em network e estar munidas de Sistemas de Informação actualizados e com apropriados Data Base Management. A expressão utilizada no mundo empresarial " gathering information" deverá estar presente na diplomacia portuguesa de forma a serem recolhidas informações correctas na politica e economia internacional.
Para além disso, o planeamento estratégico deverá ter um papel relevante na detecção das nossas forças e fraquezas e das ameaças e oportunidades para as empresas portuguesas que operam no mercado internacional.
Sempre que fosse definido um mercado-alvo ou uma prioridade da nossa politica externa esses temas deveriam ser debatidos com os actores intervenientes nesse processo e com todos aqueles que têm interesses nesses mercados ou nessa prioridade de politica externa.
A Politica externa de um País tem sempre como objectivo a defesa do interesse nacional. A definição de interesse nacional hoje em dia tem componentes diferentes do passado. Contudo, a vertente diplomacia económica e a sua interacção com a politica doméstica cada vez são mais relevantes o que implica a articulação entre o Estado e outros agentes económicos.
Deslocalização para Espanha e os seus Opositores
A deslocalização das empresas internacionais para Espanha deve-se na minha perspectiva aos seguintes factores: Centralidade Ibérica e consolidação do mercado Ibérico que é um mercado único na perspectiva das multinacionais há bastantes anos. Principalmente das multinacionais norte-americanas. Forte relacionamento politico-diplomático EUA-Espanha que se aprofundoubastante com o Governo de Aznar e que já é uma continuidade e um eixo permanente da politica externa espanhola. Imagem de prestigio internacional de Espanha e o seu crescente papel como actor na cena económica e comercial internacional. Atractividade fiscal do mercado. Melhores custos operacionais em termos de logistica e de supply chain. Forte competitividade dos Portos Espanhóis: Barcelona e Valência emdetrimentos dos Portos Portugueses. Qualificação dos RH e internacionalização das universidades espanholas.Por exemplo no ranking dos MBA do The Economist o IESE já está no topo a competir com o mundo anglo-sáxonico. Para não falar em ESADE e Instituto de Empresa. As Universidades Espanholas e digo isto por conhecimento de causa todos os anos atraem milhares de estudantes qualificados do mundo latino-americano na área das pós-graduações. Se uma multinacional norte-americana com interesses na america latina quiser recrutar um quadro para mobilidade internacional ou para ser expatriado para esses mercados pode recrutá-lo em Espanha ou nos EUA (hispano-falantes).
Posicionamento internacional de cidades como Barcelona e Madrid que desenvolveram estratégias de marketing territorial com vista a atrair quadros internacionais e IDE. O que é que Lisboa e Porto por exemplo têm feito nesse sentido? O Mestre Kotler já falava deste novo marketing que nos lembra o velho modelo das cidades-Estados. Politicas públicas coerentes e transparentes. O modelo de comunidades autónomas em Espanha torna-se mais fácil para quem quer investir e obter incentivos. Forte articulação Estado/Banca e Associações de empresários quer na estratégia de promoção das exportações quer na atraacção de IDE. Diplomacia económica profissionalizada. A existência de um grande número de quadros espanhóis em posições de destaque em empresas internacionais que podem influenciar os mecanismos de decisão. Na internacionalização das economias e captação de IDE esse aspecto não deve ser descurado e Espanha sabe utilizar com habilidade.No caso português temos que saber "vender os nossos atributos positivos"numa perspectiva de longo prazo.O investidor olha para Portugal como um todo. E como sabem as nossas politicas públicas não são coerentes e numa perspectiva de longo prazo mas meramente de carácter imediatista e mediático.Como captar investimento para Portugal? quando o todo não funciona em harmonia? Poder Central, Autárquico, Institutos Públicos? a Johnson Controls fecha............a GM da Azambuja fecha........e o português fica sempre a espera que o D. Sebastião do Terreiro de Paço venha resolver-lhe esta questão? sempre o Estado omnipresente...... E os clusters nacionais com PME portuguesas onde estão? essas não apoiam porque não dão direito a capa de jornal e feira de vaidades.....toca a apoiá-las na sua internacionalização com programas realistas e exequiveis como se faz em Espanha
Posicionamento internacional de cidades como Barcelona e Madrid que desenvolveram estratégias de marketing territorial com vista a atrair quadros internacionais e IDE. O que é que Lisboa e Porto por exemplo têm feito nesse sentido? O Mestre Kotler já falava deste novo marketing que nos lembra o velho modelo das cidades-Estados. Politicas públicas coerentes e transparentes. O modelo de comunidades autónomas em Espanha torna-se mais fácil para quem quer investir e obter incentivos. Forte articulação Estado/Banca e Associações de empresários quer na estratégia de promoção das exportações quer na atraacção de IDE. Diplomacia económica profissionalizada. A existência de um grande número de quadros espanhóis em posições de destaque em empresas internacionais que podem influenciar os mecanismos de decisão. Na internacionalização das economias e captação de IDE esse aspecto não deve ser descurado e Espanha sabe utilizar com habilidade.No caso português temos que saber "vender os nossos atributos positivos"numa perspectiva de longo prazo.O investidor olha para Portugal como um todo. E como sabem as nossas politicas públicas não são coerentes e numa perspectiva de longo prazo mas meramente de carácter imediatista e mediático.Como captar investimento para Portugal? quando o todo não funciona em harmonia? Poder Central, Autárquico, Institutos Públicos? a Johnson Controls fecha............a GM da Azambuja fecha........e o português fica sempre a espera que o D. Sebastião do Terreiro de Paço venha resolver-lhe esta questão? sempre o Estado omnipresente...... E os clusters nacionais com PME portuguesas onde estão? essas não apoiam porque não dão direito a capa de jornal e feira de vaidades.....toca a apoiá-las na sua internacionalização com programas realistas e exequiveis como se faz em Espanha
sexta-feira, setembro 29, 2006
FALTA CUMPRIR PORTUGAL
Fazendo eco e decalque do que é o sentimento de muitos de nós fresianos, deixamos o registo das palavras do mestre, as quais, em seu tempo, demonstraram a esta nação, outrora valente, que faltava cumprir Portugal. Acreditamos que ainda nos falta cumprir Portugal...
O Infante
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse,
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal.
Fernando Pessoa em “A Mensagem”
O Infante
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse,
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal.
Fernando Pessoa em “A Mensagem”
quarta-feira, setembro 20, 2006
Uma fusão anunciada
Entre a API e o ICEP.
O Governo decidiu e anunciou a fusão entre estas duas instituições, ambas criadas, é verdade, com objectivos estratégicos similares, como sejam, em termos globais, a contribuição para o fortalecimento, crescimento e desenvolvimento do sector empresarial e da economia portuguesa. No entanto a cada uma é atribuída uma função diferente e uma missão distinta. Por isso discordamos desta fusão. Quanto a nós estamos perante uma decisão que resulta de um equívoco, pois ainda que existam objectivos genericamente confluentes, ambas as instituições estabelecem formas de actuação e trilham caminhos diferentes, pelo que, não vislumbramos qualquer vantagem nem complementaridade na sua fusão. Para melhor nos elucidarmos sobre a missão e o âmbito de actuação da API e do ICEP vejamos primeiro a API em http://www.investinportugal.pt/:
“A API – Agência Portuguesa para o Investimento tem como objecto a promoção activa de condições propícias e apoios, para a realização de grandes projectos de investimento, de origem nacional ou de origem estrangeira... assume o papel de interlocutor único para os promotores de investimento de dimensão elevada, sejam nacionais ou estrangeiros”.
Quanto ao ICEP podemos ver em http://www.icep.pt/ que o ICEP tem como missão “desenvolver e executar politicas de apoio à internacionalização da economia portuguesa, à promoção e divulgação das actividades económicas, nomeadamente na área do comércio de bens e serviços, da imagem de Portugal e das marcas portuguesas no exterior”.
Posto isto, é mais do que evidente as diferenças na missão de cada uma delas. Não estamos aqui a defender a sua extinção nem a menosprezar os seus objectivos, como defendem alguns economistas, por exemplo no caso da API, quando defendem que só os maus países que não são atraentes têm necessidade de captar o investimento do exterior, pois caso o fossem, não teriam essa necesssidade pois vendiam-se a si próprios. O que dizemos é que esta decisão corre ao contrário do que acontece noutros países.
Este modelo de fusão é o oposto do que está a ser adoptado pelas economias mais fortes, que revelam maior capacidade exportadora e elevado grau de atractividade de IDE como é o caso da Espanha.
Espanha tem o seu ICEP (ICEX) mas acaba de criar recentemente a INTERES (ver em http://www.interes.org/).
Segundo notícia recentemente publicada no reliable FDI magazine (Grupo FT) em Junho deste ano onde se entrevistava a responsável pela gestão de marketing e comunicação do INTERES “ o INTERES foi criado em Outubro de 2005 com um capital social de € 300.000. O accionista é o ICEX, Instituto do Comércio Externo Espanhol. De acordo com o relatório sobre o investimento mundial em 2005 da UNCTAD, Espanha é um dos países destino mais atractivos para o investimento estrangeiro e está classificado no 8º lugar entre os países que mais investimento captou no exterior… a criação de um organismo como este torna-se necessário e essencial tendo em vista publicitar as vantagens competitivas e a imagem de Espanha como país atractivo para o investimento estrangeiro”.
As funções de captação do investimento estrangeiro em Espanha, antes da responsabilidade da Direcção Geral para o Turismo e Investimento, departamento do Ministério da Industria, Comércio e Turismo, passam a partir de finais de 2005 para a esfera da responsabilidade do INTERES.
Mas há mais exemplos: A República Checa tem dois organismos:
- Czech Trade- Czech Invest
Hong Kong tem dois organismos:
- Invest HK- Hong Kong Trade and Development Council
A Suécia tem igualmente duas instituições distintas:
- Invest in Sweden (ISA)- Swedish Trade Council
Quando a tendência nos outros países é fazer a separação entre a instituição que promove o país no exterior e a que é responsável por captar o investimento estrangeiro, em Portugal caminha-se no sentido oposto e pretende fundir-se. Com que objectivos e vantagens? Para desburocratizar? Para racionalizar?
Julgamos que nem tudo deve ser pensado apenas na perspectiva da desburocratização, uma vez que, com seriedade política, eficiência na gestão, preserverança e realismo nos objectivos, a burocracia não incomodará assim tanto. Qual a relevância e o papel actual do IAPMEI? Porque não agilizar a interligação deste organismo com as associações empresariais e com as câmaras de comércio e indústria?
Sabemos por experiência profissional que a maioria das empresas portuguesas não estão presentes nos marketplaces de comércio internacional e que quase desconhecem as estratégias de e-business.O próprio site do ICEP é medíocre prestando notícias passadas. Relevante seria apresentar relatórios sectoriais sobre os clusters nacionais, divulgar oportunidades de negócio em tempo real, informação que seria de extrema utilidade para os empresários nacionais promoverem os seus produtos e serviços e ainda para os importadores estrangeiros conhecerem a oferta nacional desses produtos e serviços.
Do ICEP gostaríamos de ver ministradas acções de formação contínua sobre temáticas de comércio internacional como acontece em Espanha no homólogo ICEX. Em Portugal, contrariamente ao que encontramos na Irlanda com o Irish Exporters Association, não existe nenhuma associação privada para promoção do comércio além fronteiras, o que certamente representaria uma forma complementar de atender às necessidades do país em termos de promoção nos mercados internacionais e concorreria com as acções do ICEP reduzindo assim a responsabilidade e o excessivo papel do Estado na promoção do comércio externo.
Alfredo Motty e Mário de Jesus
O Governo decidiu e anunciou a fusão entre estas duas instituições, ambas criadas, é verdade, com objectivos estratégicos similares, como sejam, em termos globais, a contribuição para o fortalecimento, crescimento e desenvolvimento do sector empresarial e da economia portuguesa. No entanto a cada uma é atribuída uma função diferente e uma missão distinta. Por isso discordamos desta fusão. Quanto a nós estamos perante uma decisão que resulta de um equívoco, pois ainda que existam objectivos genericamente confluentes, ambas as instituições estabelecem formas de actuação e trilham caminhos diferentes, pelo que, não vislumbramos qualquer vantagem nem complementaridade na sua fusão. Para melhor nos elucidarmos sobre a missão e o âmbito de actuação da API e do ICEP vejamos primeiro a API em http://www.investinportugal.pt/:
“A API – Agência Portuguesa para o Investimento tem como objecto a promoção activa de condições propícias e apoios, para a realização de grandes projectos de investimento, de origem nacional ou de origem estrangeira... assume o papel de interlocutor único para os promotores de investimento de dimensão elevada, sejam nacionais ou estrangeiros”.
Quanto ao ICEP podemos ver em http://www.icep.pt/ que o ICEP tem como missão “desenvolver e executar politicas de apoio à internacionalização da economia portuguesa, à promoção e divulgação das actividades económicas, nomeadamente na área do comércio de bens e serviços, da imagem de Portugal e das marcas portuguesas no exterior”.
Posto isto, é mais do que evidente as diferenças na missão de cada uma delas. Não estamos aqui a defender a sua extinção nem a menosprezar os seus objectivos, como defendem alguns economistas, por exemplo no caso da API, quando defendem que só os maus países que não são atraentes têm necessidade de captar o investimento do exterior, pois caso o fossem, não teriam essa necesssidade pois vendiam-se a si próprios. O que dizemos é que esta decisão corre ao contrário do que acontece noutros países.
Este modelo de fusão é o oposto do que está a ser adoptado pelas economias mais fortes, que revelam maior capacidade exportadora e elevado grau de atractividade de IDE como é o caso da Espanha.
Espanha tem o seu ICEP (ICEX) mas acaba de criar recentemente a INTERES (ver em http://www.interes.org/).
Segundo notícia recentemente publicada no reliable FDI magazine (Grupo FT) em Junho deste ano onde se entrevistava a responsável pela gestão de marketing e comunicação do INTERES “ o INTERES foi criado em Outubro de 2005 com um capital social de € 300.000. O accionista é o ICEX, Instituto do Comércio Externo Espanhol. De acordo com o relatório sobre o investimento mundial em 2005 da UNCTAD, Espanha é um dos países destino mais atractivos para o investimento estrangeiro e está classificado no 8º lugar entre os países que mais investimento captou no exterior… a criação de um organismo como este torna-se necessário e essencial tendo em vista publicitar as vantagens competitivas e a imagem de Espanha como país atractivo para o investimento estrangeiro”.
As funções de captação do investimento estrangeiro em Espanha, antes da responsabilidade da Direcção Geral para o Turismo e Investimento, departamento do Ministério da Industria, Comércio e Turismo, passam a partir de finais de 2005 para a esfera da responsabilidade do INTERES.
Mas há mais exemplos: A República Checa tem dois organismos:
- Czech Trade- Czech Invest
Hong Kong tem dois organismos:
- Invest HK- Hong Kong Trade and Development Council
A Suécia tem igualmente duas instituições distintas:
- Invest in Sweden (ISA)- Swedish Trade Council
Quando a tendência nos outros países é fazer a separação entre a instituição que promove o país no exterior e a que é responsável por captar o investimento estrangeiro, em Portugal caminha-se no sentido oposto e pretende fundir-se. Com que objectivos e vantagens? Para desburocratizar? Para racionalizar?
Julgamos que nem tudo deve ser pensado apenas na perspectiva da desburocratização, uma vez que, com seriedade política, eficiência na gestão, preserverança e realismo nos objectivos, a burocracia não incomodará assim tanto. Qual a relevância e o papel actual do IAPMEI? Porque não agilizar a interligação deste organismo com as associações empresariais e com as câmaras de comércio e indústria?
Sabemos por experiência profissional que a maioria das empresas portuguesas não estão presentes nos marketplaces de comércio internacional e que quase desconhecem as estratégias de e-business.O próprio site do ICEP é medíocre prestando notícias passadas. Relevante seria apresentar relatórios sectoriais sobre os clusters nacionais, divulgar oportunidades de negócio em tempo real, informação que seria de extrema utilidade para os empresários nacionais promoverem os seus produtos e serviços e ainda para os importadores estrangeiros conhecerem a oferta nacional desses produtos e serviços.
Do ICEP gostaríamos de ver ministradas acções de formação contínua sobre temáticas de comércio internacional como acontece em Espanha no homólogo ICEX. Em Portugal, contrariamente ao que encontramos na Irlanda com o Irish Exporters Association, não existe nenhuma associação privada para promoção do comércio além fronteiras, o que certamente representaria uma forma complementar de atender às necessidades do país em termos de promoção nos mercados internacionais e concorreria com as acções do ICEP reduzindo assim a responsabilidade e o excessivo papel do Estado na promoção do comércio externo.
Alfredo Motty e Mário de Jesus
segunda-feira, setembro 18, 2006
A China no caminho do turismo nacional
Tal como previmos e desejámos em recente discussão do FRES, eis a China no caminho do turismo português. Os dados apontam para que não nos tenhamos enganado.
Fazendo referência a um artigo de hoje do Jornal de Negócios, o qual se baseia num estudo efectuado pelo Espírito Santo Research, a China e a Irlanda deverão ser as apostas do país.
O sector do turismo representa 11% do PIB nacional (um dos sectores mais importantes da economia). Mas o seu crescimento é ainda insuficiente, estando atrás do registado pelos nossos parceiros (e concorrentes) espanhóis. Em 2004 Portugal encontrava-se na 20ª posição do ranking mundial de destinos turísticos, o que, segundo a World Tourism Organization, equivale a uma (pequena) quota de 1,5%. Havíamos caído 5 posições relativamente aos dados de 2002. No topo temos a França, Espanha e EUA. Entre 2004 e 2014 o turismo em Portugal deverá registar uma quota média de crescimento anual de 4,6%. Segundo o mesmo estudo Portugal deve apostar na captação de turistas provenientes da China e Irlanda. Porquê? Porque a relação histórica com a China (via Macau), o potencial de turistas que no futuro podem gastar mais, assim o exige. Com a Irlanda porque, ainda que apenas 2,5% dos turistas sejam Irlandeses, são os que permanecem, em média, mais noites. Segundo o Eurostat, os principais turistas em Portugal são os espanhóis, britânicos, alemães e holandeses. Apostas estratégicas do turismo nacional: congressos,, golfe, mar, turismo residencial e termas.
A China, já a 6ª maior economia do Mundo em 2004, à frente da Itália, prevê-se que venha a ser a 5ª maior após dados recolhidos de 2005 (à frente da França). As maiores: EUA, Alemanha, Inglaterra, França, China e Itália. Fantástico, para um país fechado ao Mundo há 1 década.
Fazendo referência a um artigo de hoje do Jornal de Negócios, o qual se baseia num estudo efectuado pelo Espírito Santo Research, a China e a Irlanda deverão ser as apostas do país.
O sector do turismo representa 11% do PIB nacional (um dos sectores mais importantes da economia). Mas o seu crescimento é ainda insuficiente, estando atrás do registado pelos nossos parceiros (e concorrentes) espanhóis. Em 2004 Portugal encontrava-se na 20ª posição do ranking mundial de destinos turísticos, o que, segundo a World Tourism Organization, equivale a uma (pequena) quota de 1,5%. Havíamos caído 5 posições relativamente aos dados de 2002. No topo temos a França, Espanha e EUA. Entre 2004 e 2014 o turismo em Portugal deverá registar uma quota média de crescimento anual de 4,6%. Segundo o mesmo estudo Portugal deve apostar na captação de turistas provenientes da China e Irlanda. Porquê? Porque a relação histórica com a China (via Macau), o potencial de turistas que no futuro podem gastar mais, assim o exige. Com a Irlanda porque, ainda que apenas 2,5% dos turistas sejam Irlandeses, são os que permanecem, em média, mais noites. Segundo o Eurostat, os principais turistas em Portugal são os espanhóis, britânicos, alemães e holandeses. Apostas estratégicas do turismo nacional: congressos,, golfe, mar, turismo residencial e termas.
A China, já a 6ª maior economia do Mundo em 2004, à frente da Itália, prevê-se que venha a ser a 5ª maior após dados recolhidos de 2005 (à frente da França). As maiores: EUA, Alemanha, Inglaterra, França, China e Itália. Fantástico, para um país fechado ao Mundo há 1 década.
quarta-feira, setembro 13, 2006
Jantar/Debate
Realizou-se ontem, dia 12, no Restaurante Kardápio em Lisboa, mais um jantar/debate organizado pelo FRES.
Em discussão estiveram temas como a preparação de Portugal para a sociedade do conhecimento, no âmbito da estratégia nacional para o desenvolvimento sustentável, com especial incidência na discussão do estado da educação em Portugal. Foram ainda abordados exemplos de sistemas educativos como o Alemão, Finlandês (Escandinavo) e Americano.
segunda-feira, setembro 11, 2006
Rumo à China
A propósito da Cimeira Europa-Ásia realizada hoje em Helsínquia, Finlândia, assistimos ao aperto de mão entre o 1º Ministro Sócrates e o 1º Ministro Chinês.
O que se espera é que este não tenha sido apenas um acto mediático para a fotografia da posteridade mas sim um acto consciente e realista que manifeste a importância que a China pode ter para o futuro da economia e das empresas portuguesas.
Mais ainda é de louvar a intenção divulgada por Sócrates em preparar em breve uma visita com missão empresarial a este país. De facto a China é já e será no futuro um parceiro incontornável nas relações económicas e empresariais, para a Europa em geral e para Portugal em particular. Não esqueçamos a alavanca politica, cultural, económica e empresarial que representa Macau para nós (ou não fosse a presença portuguesa naquele país durante 500 anos). O caminho é este e está certo – rumo à China.Vendemos muito daquilo que a China compra – por exemplo serviços financeiros sofisticados – a China compra muito daquilo que vendemos – por exemplo Turismo. Aguardamos a continuidade.
O que se espera é que este não tenha sido apenas um acto mediático para a fotografia da posteridade mas sim um acto consciente e realista que manifeste a importância que a China pode ter para o futuro da economia e das empresas portuguesas.
Mais ainda é de louvar a intenção divulgada por Sócrates em preparar em breve uma visita com missão empresarial a este país. De facto a China é já e será no futuro um parceiro incontornável nas relações económicas e empresariais, para a Europa em geral e para Portugal em particular. Não esqueçamos a alavanca politica, cultural, económica e empresarial que representa Macau para nós (ou não fosse a presença portuguesa naquele país durante 500 anos). O caminho é este e está certo – rumo à China.Vendemos muito daquilo que a China compra – por exemplo serviços financeiros sofisticados – a China compra muito daquilo que vendemos – por exemplo Turismo. Aguardamos a continuidade.
quinta-feira, setembro 07, 2006
Como promover Portugal
Portugal tem em curso um plano estratégico de promoção do país no estrangeiro, designado por “Programa Marca Portugal” gerido pelo Ministério de Economia e Inovação e operado pelo ICEP em colaboração com vários organismos públicos. Tendo em vista a necessidade do país em captar mais investimento estrangeiro, aumentar as exportações e atrair um maior número de turistas, tais metas só serão alcançadas se o país apresentar uma imagem positiva e de confiança no exterior, aliada a uma reputação de qualidade.
Este programa insere um conjunto de iniciativas desenvolvidas segundo 7 eixos de acção com objectivos específicos:
Eixo 1 – Padrão Portugal
Eixo 2 – Clube de Marcas Portuguesas
Eixo 3 – Difusão Portugal
Eixo 4 – Acções de Portugal Marca nos Mercados
Eixo 5 – Portugal Acolhe
Eixo 6 – “Prefiro Portugal”
Eixo 7 – Medir para Gerir
Tendo em vista o programa acima referido, Portugal deve aproveitar o marketing “Word of Mouth” como ferramenta para divulgar e promover o país no exterior. É opinião dos profissionais do sector, dos governantes e aceite por muitos portugueses, que o turismo é um dos vectores em que o país mais deve apostar, dada a qualidade de factores como a beleza natural, o clima, o mar, as praias, a gastronomia, a segurança, sem esquecer a riqueza histórica e a amabilidade intrínseca de um povo de brandos costumes. Os predicados estão cá todos. Como fácilmente percebemos, este conceito de marketing será especialmente eficaz ao nível dos eixos 5 e 6 deste programa.
Que melhor forma existe para divulgar o país que não seja pela própria palavra e através daqueles que todos os anos nos visitam? Portugal recebe todos os anos mais de 27 milhões de visitantes. Só de Espanha vêm mais de 20 milhões de visitantes - que de norte a sul do país conhecem a nossa história, cultura, lugares, sabores, tradições, gostos e simpatia. Veja-se a amplitude que pode tomar a promoção do nosso país através destas pessoas. Quem melhor do que eles para falar de nós, se puderem retornar ao seu país para contar os bons momentos e experiências aqui passadas? Mas para que isso aconteça têm que ser bem recebidos e tratados, servidos de forma ímpar e profissional, acompanhados nas suas necessidades, demonstrando-lhes interesse no seu bem estar, superando as suas expectativas ao nível da qualidade dos serviços prestados.
Este programa insere um conjunto de iniciativas desenvolvidas segundo 7 eixos de acção com objectivos específicos:
Eixo 1 – Padrão Portugal
Eixo 2 – Clube de Marcas Portuguesas
Eixo 3 – Difusão Portugal
Eixo 4 – Acções de Portugal Marca nos Mercados
Eixo 5 – Portugal Acolhe
Eixo 6 – “Prefiro Portugal”
Eixo 7 – Medir para Gerir
Tendo em vista o programa acima referido, Portugal deve aproveitar o marketing “Word of Mouth” como ferramenta para divulgar e promover o país no exterior. É opinião dos profissionais do sector, dos governantes e aceite por muitos portugueses, que o turismo é um dos vectores em que o país mais deve apostar, dada a qualidade de factores como a beleza natural, o clima, o mar, as praias, a gastronomia, a segurança, sem esquecer a riqueza histórica e a amabilidade intrínseca de um povo de brandos costumes. Os predicados estão cá todos. Como fácilmente percebemos, este conceito de marketing será especialmente eficaz ao nível dos eixos 5 e 6 deste programa.
Que melhor forma existe para divulgar o país que não seja pela própria palavra e através daqueles que todos os anos nos visitam? Portugal recebe todos os anos mais de 27 milhões de visitantes. Só de Espanha vêm mais de 20 milhões de visitantes - que de norte a sul do país conhecem a nossa história, cultura, lugares, sabores, tradições, gostos e simpatia. Veja-se a amplitude que pode tomar a promoção do nosso país através destas pessoas. Quem melhor do que eles para falar de nós, se puderem retornar ao seu país para contar os bons momentos e experiências aqui passadas? Mas para que isso aconteça têm que ser bem recebidos e tratados, servidos de forma ímpar e profissional, acompanhados nas suas necessidades, demonstrando-lhes interesse no seu bem estar, superando as suas expectativas ao nível da qualidade dos serviços prestados.
segunda-feira, agosto 21, 2006
Portugal com tradição na pesca
Fiquei mais uma vez simultâneamente surpreendido e encantado pelas notícias que li sobre Portugal.
Temos a maior Zona Económica Exclusiva da UE no Atlântico, com uma área de 1.656.000 Km quadrados de mar sob a nossa jurisdição, a 4ª maior frota de pesca comunitária, que representa 11,2% do total da UE, temos o 3º lugar no nº de pescadores e empregados na industria transformadora de pescado, no contexto europeu, com cerca de 20 mil postos de trabalho. Por ano e ainda no contexto europeu, temos o 10º lugar em termos de produção, com 221 mil toneladas de peixe capturado.
Mais interessante ainda é que somos o 3º país do mundo a consumir peixe e o 1º na comunidade europeia. A Islândia é o líder com um consumo de 91 kilos/pessoa/ano, o Japão o segundo, com 65 Kilos/pessoa/ano e Portugal com 57 kilos/pessoa/ano.
No entanto como exportamos muito, das 221 mil toneladas capturadas, exportamos 117 mil, isto significa que temos que importar dois terços do que consumimos, i.e. cerca de 371 mil toneladas para satisfazer as 466 mil toneladas que consumimos.
Porém o sector tem vindo a sofrer, como muitos outros: os empregados neste sector já foram mais de 30 mil há 10 anos e só nos últimos 6 anos foram abatidas 264 embarcações (porque nos dizem que pescamos demais!). Por outro lado e apesar destes números apenas 3,6% do que produzimos (capturamos) é consumido pelos 25 de UE, muito pouco.
Outros problemas no sector são o excesso de corporativismo (mais uma vez), com demasiadas associações e organismos associativos, com os quais não é fácil (nem muitas vezes possível) falar, com muitos jogos de interesses à mistura, o que se vira contra os próprios pescadores.
Recomenda-se o combate ao excesso de corporativismo, com coragem política, com sabedoria empresarial, com esclarecimentos aos interessados (os pescadores) e com clarificação das suas vantagens e ganhos em combater esta burocracia e os lóbis instalados. O sector precisa e o país agradece. Este é um dos seus males. Vá Portugal fazer Lóbi em Bruxelas a lutar pelo sector em defesa do seu mar.
Temos a maior Zona Económica Exclusiva da UE no Atlântico, com uma área de 1.656.000 Km quadrados de mar sob a nossa jurisdição, a 4ª maior frota de pesca comunitária, que representa 11,2% do total da UE, temos o 3º lugar no nº de pescadores e empregados na industria transformadora de pescado, no contexto europeu, com cerca de 20 mil postos de trabalho. Por ano e ainda no contexto europeu, temos o 10º lugar em termos de produção, com 221 mil toneladas de peixe capturado.
Mais interessante ainda é que somos o 3º país do mundo a consumir peixe e o 1º na comunidade europeia. A Islândia é o líder com um consumo de 91 kilos/pessoa/ano, o Japão o segundo, com 65 Kilos/pessoa/ano e Portugal com 57 kilos/pessoa/ano.
No entanto como exportamos muito, das 221 mil toneladas capturadas, exportamos 117 mil, isto significa que temos que importar dois terços do que consumimos, i.e. cerca de 371 mil toneladas para satisfazer as 466 mil toneladas que consumimos.
Porém o sector tem vindo a sofrer, como muitos outros: os empregados neste sector já foram mais de 30 mil há 10 anos e só nos últimos 6 anos foram abatidas 264 embarcações (porque nos dizem que pescamos demais!). Por outro lado e apesar destes números apenas 3,6% do que produzimos (capturamos) é consumido pelos 25 de UE, muito pouco.
Outros problemas no sector são o excesso de corporativismo (mais uma vez), com demasiadas associações e organismos associativos, com os quais não é fácil (nem muitas vezes possível) falar, com muitos jogos de interesses à mistura, o que se vira contra os próprios pescadores.
Recomenda-se o combate ao excesso de corporativismo, com coragem política, com sabedoria empresarial, com esclarecimentos aos interessados (os pescadores) e com clarificação das suas vantagens e ganhos em combater esta burocracia e os lóbis instalados. O sector precisa e o país agradece. Este é um dos seus males. Vá Portugal fazer Lóbi em Bruxelas a lutar pelo sector em defesa do seu mar.
segunda-feira, agosto 14, 2006
Estratégia Nacional para o Desenvolvimento Sustentável
É um dos desígnios nacionais e a estratégia com a qual os governantes portugueses se comprometeram perante os parceiros europeus (estratégia de Lisboa em 2000) e que têm que cumprir. Deve ser do conhecimento de todos os portugueses sendo obrigação da sociedade civil proceder ao seu acompanhamento, análise, crítica e eventuais correcções através de sugestões.
Como tal deve ser do conhecimento de todos os fresianos. Daqui que seja importante o seu debate, até porque incorpora um dos temas do nosso actual debate e discussão: a educação e o conhecimento.
É obrigatória a visita ao site www.desenvolvimentosustentavel.pt
Aqui ficam resumidos os seus objectivos:
1. Preparar Portugal para a “Sociedade do Conhecimento”- acelerar o desenvolvimento científico e tecnológico e melhorar as qualificações e a valorização do capital humano.
2. Crescimento sustentado,competitividade à escala global e eficiência energética – assegurar o crescimento mais rápido da economia portuguesa.
3. Melhor ambiente e valorização do património natural – modelo de desenvolvimento que integre a protecção do ambiente e a conservação dos recursos naturais.
4. Mais equidade, igualdade de oportunidades e coesão social – assegurar a satisfação de necessidades básicas como a saúde, justiça, formação, educação, cultura e segurança social.
5. Melhor conectividade internacional do país e valorização equilibrada do território – melhor planeamento com efeitos directos no território de modo a reduzir a periferia geográfica do país no contexto europeu.
6. Um papel activo de Portugal na construção europeia e na cooperação internacional - afirmação de Portugal no Mundo através de uma estratégia de sustentabilidade global e do reforço das relações internacionais do país com algumas regiões mais determinantes para o nosso futuro.
7. Uma administração pública mais eficiente e modernizada – elemento fundamental para uma governação com sentido estratégico e o caminho para uma maior eficiência do estado.
O Governo e o país estão a solicitar a colaboração da sociedade civil a participar neste debate do desenvolvimento sustentável e a dar o seu contributo. A sociedade civil não pode demitir-se desta sua responsabilidade. Por isso ao FRES é pedido que colabore e participe. Para o efeito é obrigatório intervirmos neste debate através de recomendações a prestar no site indicado.
Está no entanto aberto o debate entre nós sobre este tema, se acharmos necessário, até ao final do mês de Agosto e até 15 de Setembro, data limite para as nossas recomendações.
Saudações Fresianas
Como tal deve ser do conhecimento de todos os fresianos. Daqui que seja importante o seu debate, até porque incorpora um dos temas do nosso actual debate e discussão: a educação e o conhecimento.
É obrigatória a visita ao site www.desenvolvimentosustentavel.pt
Aqui ficam resumidos os seus objectivos:
1. Preparar Portugal para a “Sociedade do Conhecimento”- acelerar o desenvolvimento científico e tecnológico e melhorar as qualificações e a valorização do capital humano.
2. Crescimento sustentado,competitividade à escala global e eficiência energética – assegurar o crescimento mais rápido da economia portuguesa.
3. Melhor ambiente e valorização do património natural – modelo de desenvolvimento que integre a protecção do ambiente e a conservação dos recursos naturais.
4. Mais equidade, igualdade de oportunidades e coesão social – assegurar a satisfação de necessidades básicas como a saúde, justiça, formação, educação, cultura e segurança social.
5. Melhor conectividade internacional do país e valorização equilibrada do território – melhor planeamento com efeitos directos no território de modo a reduzir a periferia geográfica do país no contexto europeu.
6. Um papel activo de Portugal na construção europeia e na cooperação internacional - afirmação de Portugal no Mundo através de uma estratégia de sustentabilidade global e do reforço das relações internacionais do país com algumas regiões mais determinantes para o nosso futuro.
7. Uma administração pública mais eficiente e modernizada – elemento fundamental para uma governação com sentido estratégico e o caminho para uma maior eficiência do estado.
O Governo e o país estão a solicitar a colaboração da sociedade civil a participar neste debate do desenvolvimento sustentável e a dar o seu contributo. A sociedade civil não pode demitir-se desta sua responsabilidade. Por isso ao FRES é pedido que colabore e participe. Para o efeito é obrigatório intervirmos neste debate através de recomendações a prestar no site indicado.
Está no entanto aberto o debate entre nós sobre este tema, se acharmos necessário, até ao final do mês de Agosto e até 15 de Setembro, data limite para as nossas recomendações.
Saudações Fresianas
quinta-feira, julho 27, 2006
Por um país capaz e audaz
Portugal é um país negativo. Negativo no crescimento. Negativo no comércio. Negativo na atitude colectiva. Negativo na governação. Negativo nas deseconomias externas. De tão negativo, que tem transformado forças em fraquezas, amarrado a desculpas, ideologias e direitos adquiridos.
Este país é hoje a negação da História, do seu contributo para a civilização moderna, da sua incomparável História multicultural e multiracial. É a negação da grande Nação que Afonso Henriques fundou, da afirmação do Santo Condestável, do pioneirismo do Infante D. Henrique, da visão estratégica de D. João II. O país negativo de hoje é o mesmo que Eça de Queiroz descrevia nas “Farpas” ou que Camilo Castelo Branco resumiu com “A queda de um anjo”. Um país cuja decadência económica e política se acentua a partir de 1820 e que nunca soube conjugar a suposta “democratização” e o suposto “constitucionalismo” com a sua tradução em crescimento e desenvolvimento económico.
Um país que não se constrói pelas elites, pois elas não se afirmam enquanto tais. Um país em que o povo inculto não assume uma atitude proactiva. Em que as pessoas preferem ser enganadas pela febres da Expo, do Europeu ou do Mundial de Futebol do que pensar diariamente que só podem ter futuro se se empenharem quotidianamente no presente.
Ora, para termos um país positivo, é preciso mudar tudo, ou pelo menos quase. A capacidade de fazer rupturas marca a evolução dos grandes povos. Mesmo que duras, são necessárias. E marcam a mudança colectiva. Mostram às pessoas que não há fora do prazo, que não há adiamentos, que é agora, pois o futuro - a Ásia - não espera por ninguém.
Exemplos simbólicos - ou talvez não? Fazer uma nova Constituição, elegendo para isso um parlamento extraordinário; eliminar todos os direitos e privilégios que discriminam os portugueses, consoante trabalhem para um dos muitos regimes da administração pública ou para uma empresa; mudar um hino anacrónico e uma bandeira folclórica; responsabilizar tudo e todos; dar espaço aos criadores, para que livremente formem novas elites; promover a excelência dispersa pelo país, em vez de importar megalomanias e especialistas, que grandes danos têm causado às finanças.
Este esforço também depende de todos nós. No recente discurso do dia de Portugal, o Presidente da República defendeu e bem, a co-responsabilização de todos os cidadãos com a construção do país. Com a educação que os pais promovem, com a saúde. Quase glosando Kennedy e a histórica frase “não perguntem o que o vosso país pode fazer por vocês, mas o que podem vocês fazer pelo vosso país”. E em boa hora, Cavaco Silva alerta desafia os portugueses, porque o país negativo também se alimenta de quem só se queixa, de quem não reclama quando deve, de quem fica indiferente no trabalho e na cidadania.
Mas para mobilizar o povo para um país positivo, é necessário ter estratégia, governação e elites. A primeira não pode passar por definir como estratégicos os sectores do betão e auto-estradas, nem pela Ota ou TGV. A governação faz-se com decisões diárias que, promovam a concorrência, a capacidade empresarial e a liberdade económica. E as elites aparecem na proporção inversa à da mão instrumentalizadora do Estado. Porque um Estado medíocre com dirigentes risíveis não quer elites: prefere múmias, vassalos, seguidores e bajuladores. Dirigentes do Estado incompetentes e danosos querem é ter interlocutores frágeis e na sua dependência, que digam “sim” e “ámen”, que esperem pelo cheque, e que mais tarde ou mais cedo não se esqueçam de quem subsidiou. Em resumo, as elites autónomas, vivas a criativas, só despertam quando confiam no país e não como desde há muito por cá sucede, têm medo de ser notadas, copiadas e abatidas pelos tais funcionários medíocres que servem superiores interesses políticos e económicos.
Este Estado negativo leva a que cérebros, criadores, empresários e inovadores, saiam de Portugal à procura de mercado ou simplesmente de espaço. Porque não acedem aos privilégios de derrogações ministeriais reservadas à elite de serviço, não fazem parte de grupos que vivem à custa dos favores políticos, não se resumem à mediocridade de empregar os “servidores públicos”, antes ou depois, consoante seja conveniente.
É este Estado negativo que tem que ser erradicado. Alguém pensa que seria possível Aljubarrota, a conquista de Ceuta, a descoberta do caminho marítimo para a Índia, o achamento e colonização desse colosso que é o Brasil, caso não tivéssemos uma estratégia, uma governação e elites, coesas e competentes, não unidas pela baixa política e pela mediocridade dos golpes baixos e do tráfico orçamental, mas pelo compromisso, pelo risco, pela aventura, pela parceria público-privada?
Na magnífica odisseia dos Descobrimentos, convém lembrar que Portugal inventou a economia-mundo ao ligar sem intermediários Europa, Ásia, África e América. Não foi o Estado que criou essa economia-mundo! É que a descoberta era feita por concessão pelo Estado do direito de exploração a privados das terras que descobrissem. Concessão por décadas e onde os privados punham o dinheiro e o risco, enquanto o Estado ganhava expansão, impostos. Era assim que na altura – não como hoje – se faziam as parcerias público-privadas: dando o Estado espaço e transferindo risco para os privados. Num País de edifícios sem utilização, de SCUTs sem risco para o promotor, da inimputabilidade e de irresponsabilidade dos “boys”, pode isto existir?
Para termos um país positivo, um dirigente público que minta, que seja incompetente, que não sirva o país tem que ser exemplarmente demitido. Mesmo que seja amigo de alguém, temos que distinguir amizades de competências. E não apenas exigir atitude a todos os cidadãos, mas dar o exemplo. O que significa não permitir que, em nome de instituições públicas, se cometam absurdos e abusos por quem as comanda. Só porque se é amigo de alguém que os tutela. Só eliminando-os do Estado, deixaremos espaço para que outros, capazes e audazes, permitam aos portugueses construírem um país positivo.
Joaquim Rocha da Cunha
Este país é hoje a negação da História, do seu contributo para a civilização moderna, da sua incomparável História multicultural e multiracial. É a negação da grande Nação que Afonso Henriques fundou, da afirmação do Santo Condestável, do pioneirismo do Infante D. Henrique, da visão estratégica de D. João II. O país negativo de hoje é o mesmo que Eça de Queiroz descrevia nas “Farpas” ou que Camilo Castelo Branco resumiu com “A queda de um anjo”. Um país cuja decadência económica e política se acentua a partir de 1820 e que nunca soube conjugar a suposta “democratização” e o suposto “constitucionalismo” com a sua tradução em crescimento e desenvolvimento económico.
Um país que não se constrói pelas elites, pois elas não se afirmam enquanto tais. Um país em que o povo inculto não assume uma atitude proactiva. Em que as pessoas preferem ser enganadas pela febres da Expo, do Europeu ou do Mundial de Futebol do que pensar diariamente que só podem ter futuro se se empenharem quotidianamente no presente.
Ora, para termos um país positivo, é preciso mudar tudo, ou pelo menos quase. A capacidade de fazer rupturas marca a evolução dos grandes povos. Mesmo que duras, são necessárias. E marcam a mudança colectiva. Mostram às pessoas que não há fora do prazo, que não há adiamentos, que é agora, pois o futuro - a Ásia - não espera por ninguém.
Exemplos simbólicos - ou talvez não? Fazer uma nova Constituição, elegendo para isso um parlamento extraordinário; eliminar todos os direitos e privilégios que discriminam os portugueses, consoante trabalhem para um dos muitos regimes da administração pública ou para uma empresa; mudar um hino anacrónico e uma bandeira folclórica; responsabilizar tudo e todos; dar espaço aos criadores, para que livremente formem novas elites; promover a excelência dispersa pelo país, em vez de importar megalomanias e especialistas, que grandes danos têm causado às finanças.
Este esforço também depende de todos nós. No recente discurso do dia de Portugal, o Presidente da República defendeu e bem, a co-responsabilização de todos os cidadãos com a construção do país. Com a educação que os pais promovem, com a saúde. Quase glosando Kennedy e a histórica frase “não perguntem o que o vosso país pode fazer por vocês, mas o que podem vocês fazer pelo vosso país”. E em boa hora, Cavaco Silva alerta desafia os portugueses, porque o país negativo também se alimenta de quem só se queixa, de quem não reclama quando deve, de quem fica indiferente no trabalho e na cidadania.
Mas para mobilizar o povo para um país positivo, é necessário ter estratégia, governação e elites. A primeira não pode passar por definir como estratégicos os sectores do betão e auto-estradas, nem pela Ota ou TGV. A governação faz-se com decisões diárias que, promovam a concorrência, a capacidade empresarial e a liberdade económica. E as elites aparecem na proporção inversa à da mão instrumentalizadora do Estado. Porque um Estado medíocre com dirigentes risíveis não quer elites: prefere múmias, vassalos, seguidores e bajuladores. Dirigentes do Estado incompetentes e danosos querem é ter interlocutores frágeis e na sua dependência, que digam “sim” e “ámen”, que esperem pelo cheque, e que mais tarde ou mais cedo não se esqueçam de quem subsidiou. Em resumo, as elites autónomas, vivas a criativas, só despertam quando confiam no país e não como desde há muito por cá sucede, têm medo de ser notadas, copiadas e abatidas pelos tais funcionários medíocres que servem superiores interesses políticos e económicos.
Este Estado negativo leva a que cérebros, criadores, empresários e inovadores, saiam de Portugal à procura de mercado ou simplesmente de espaço. Porque não acedem aos privilégios de derrogações ministeriais reservadas à elite de serviço, não fazem parte de grupos que vivem à custa dos favores políticos, não se resumem à mediocridade de empregar os “servidores públicos”, antes ou depois, consoante seja conveniente.
É este Estado negativo que tem que ser erradicado. Alguém pensa que seria possível Aljubarrota, a conquista de Ceuta, a descoberta do caminho marítimo para a Índia, o achamento e colonização desse colosso que é o Brasil, caso não tivéssemos uma estratégia, uma governação e elites, coesas e competentes, não unidas pela baixa política e pela mediocridade dos golpes baixos e do tráfico orçamental, mas pelo compromisso, pelo risco, pela aventura, pela parceria público-privada?
Na magnífica odisseia dos Descobrimentos, convém lembrar que Portugal inventou a economia-mundo ao ligar sem intermediários Europa, Ásia, África e América. Não foi o Estado que criou essa economia-mundo! É que a descoberta era feita por concessão pelo Estado do direito de exploração a privados das terras que descobrissem. Concessão por décadas e onde os privados punham o dinheiro e o risco, enquanto o Estado ganhava expansão, impostos. Era assim que na altura – não como hoje – se faziam as parcerias público-privadas: dando o Estado espaço e transferindo risco para os privados. Num País de edifícios sem utilização, de SCUTs sem risco para o promotor, da inimputabilidade e de irresponsabilidade dos “boys”, pode isto existir?
Para termos um país positivo, um dirigente público que minta, que seja incompetente, que não sirva o país tem que ser exemplarmente demitido. Mesmo que seja amigo de alguém, temos que distinguir amizades de competências. E não apenas exigir atitude a todos os cidadãos, mas dar o exemplo. O que significa não permitir que, em nome de instituições públicas, se cometam absurdos e abusos por quem as comanda. Só porque se é amigo de alguém que os tutela. Só eliminando-os do Estado, deixaremos espaço para que outros, capazes e audazes, permitam aos portugueses construírem um país positivo.
Joaquim Rocha da Cunha
quarta-feira, julho 26, 2006
Nada é Simplex nas empresas públicas e privadas - por Jorge Castro
"Lamentavelmente, estou em crer que para este «mal» não há, em Portugal, empresas públicas ou privadas.Trata-se de uma questão cultural, se quisermos, que define uma atitude.Numa empresa pública, como numa privada, atribui-se um computador topo de gama a um director, por exemplo, não porque seja necessário ou, sequer, porque esse director domine as técnicas, mas sim porque é um director, logo, «merece» mais do que os seus subordinados.É esta «lógica» que subverte as relações laborais, nas perspectivas de competências e de eficácias, torcendo-as para o espúrio lado do status... que não levam as empresas a lado nenhum que não seja o da falência.A diferença, aqui, entre público e privado, é apenas esta: no privado, a fonte seca e a empresa fecha, depois de atribuídos os Ferraris aos respectivos donos; nas empresas públicas, a fonte não seca, não se atribuem Ferraris, mas os Mercedes e os Jaguares e os BMW têm a sua quota de venda permanentemente assegurada.E, assim, Portugal terá a melhor frota automóvel da Europa em circulação nas piores estradas da Europa.Como se vê, nem tudo é mau!Concluindo raciocínios, já de si intermináveis:- As estradas serão, em média, as piores da Europa, mas a gasolina é das mais caras... e as portagens, também... e a electricidade, também... e o gás também... e a água também... e a saúde também... e a internet também... e valerá a pena continuar?...Apenas porque uma escassa minoria de umas centenas de milhar (que parecem muitos, mas não são!) se permite estabelecer padrões de vida, sem rei nem roque, dos quais são os únicos beneficiários, numa lógica autista que determina, afinal, as vivências de muitos milhões.Não é assim? Bem, por estas razões, a que se aliam convenientes e cúmplices fechar-de-olhos a elementares regras de concorrência e, até, de legalidade democrática, é que um IKEA - privadíssimo - quando aparece em Portugal apresenta os preços mais elevados de toda a sua cadeia europeia, num país com a média de salários (per capita) mais baixa da Europa.Estratégia estúpida? Claro que não. Em Roma, sê romano. À falta de controlo generalizado, é um fartar vilanagem. E a malta lá vai pagando.Nos intervalos, vai quase tudo aos jogos de futebol e compra os jornais «desportivos» para se manter informado acerca da arte de se tornar num imbecil sem dor, mas com muita anestesia.
Este Texto é da autoria de Jorge Castro e foi publicado por Paulo Moura no Blog Persuacção em:
http://persuaccao.blogspot.com/2006/05/nada-simplex-nas-empresas-pblicas-e.html
Este Texto é da autoria de Jorge Castro e foi publicado por Paulo Moura no Blog Persuacção em:
http://persuaccao.blogspot.com/2006/05/nada-simplex-nas-empresas-pblicas-e.html
segunda-feira, julho 10, 2006
O Pessimismo Português
Segundo o último Eurobarómetro realizado entre Março e Abril últimos, os portugueses sentem-se muito pouco realizados com a vida que levam e a larga maioria não acredita que a sua situação financeira vai melhorar nos próximos 12 meses.
Segundo este estudo, 44% dos portugueses está insatisfeito com a vida que leva. Só os húngaros estão mais insatisfeitos, com 46%. Já os nórdicos vivem a felicidade plena, a acreditar nas sondagens que revelam: 97% dos dinamarqueses e 94% dos finlandeses, estão satisfeitos e avaliam positivamente a vida que levam. Também 94% dos suecos, 92% dos luxemburgueses e belgas e 90% dos irlandeses, avaliam também positivamente a vida. Como tal é possível? Não têm o nosso sol! Nem o nosso clima, as nossas praias, a nossa gastronomia ou o nosso mar! Têm nevoeiro, humidade, chuva e frio. O suficiente para nos deixar a todos, portugueses, deprimidos. Mas eles não. Se nos compararmos com os espanhóis, esses sim, nossos verdadeiros e mais directos competidores, 88% dos espanholitos estão satisfeitos e optimistas com a vida.Já percebemos que o problema aqui não é apenas de contexto climático, geográfico ou gastronómico. É de carácter económico e psico-sociológico. Aumentemos o ordenado em 20% a todos os portugueses! E o pessimismo? Desaparecerá? Nós gostamos de viver com o fado e para o fado, de falar do nosso destino e de chorar nos funerais dos vizinhos. Falta-nos a atitude positiva, o optimismo, a energia positiva, a vontade de ser vencedor e de acreditar nas nossas forças, combatendo as fraquezas. Deve o país (as famílias e os outros grupos sociais) combater este negativismo. Acreditar que é possível, contribuir para crescer melhor, aprender melhor, ser melhor, conhecer e saber mais e melhor. Isto devemo-lo, todos, aos nossos filhos. Ensinar-lhes de pequenos a serem positivos, enérgicos, optimistas. Ensinar-lhes a combater, enfim, as estatísticas negativas. Ensinar-lhes a serem bons estudantes porque um dia valerá a pena. Fazer-lhes acreditar em Portugal e nas cores da nossa bandeira. Sim, como no futebol. Como iremos crescer mais e melhor, ser mais competitivos, mais profissionais, mais enérgicos e dedicados, se nos falta a atitude? A motivação? Se não acreditamos em nós mesmos? É verdadeiramente impressionante analisar que apenas 0,3% dos dinamarqueses, 0,5% dos holandeses, 0,6% dos suecos e dos finlandeses ou 0,8% dos belgas estão insatisfeitos com a vida que levam nos seus países. Nós, portugueses, sem termos feito absolutamente nada para com eles competir, partimos logo desde o início, com uma distância abismal desfavorável… em motivação e certamente em atitude.
Segundo este estudo, 44% dos portugueses está insatisfeito com a vida que leva. Só os húngaros estão mais insatisfeitos, com 46%. Já os nórdicos vivem a felicidade plena, a acreditar nas sondagens que revelam: 97% dos dinamarqueses e 94% dos finlandeses, estão satisfeitos e avaliam positivamente a vida que levam. Também 94% dos suecos, 92% dos luxemburgueses e belgas e 90% dos irlandeses, avaliam também positivamente a vida. Como tal é possível? Não têm o nosso sol! Nem o nosso clima, as nossas praias, a nossa gastronomia ou o nosso mar! Têm nevoeiro, humidade, chuva e frio. O suficiente para nos deixar a todos, portugueses, deprimidos. Mas eles não. Se nos compararmos com os espanhóis, esses sim, nossos verdadeiros e mais directos competidores, 88% dos espanholitos estão satisfeitos e optimistas com a vida.Já percebemos que o problema aqui não é apenas de contexto climático, geográfico ou gastronómico. É de carácter económico e psico-sociológico. Aumentemos o ordenado em 20% a todos os portugueses! E o pessimismo? Desaparecerá? Nós gostamos de viver com o fado e para o fado, de falar do nosso destino e de chorar nos funerais dos vizinhos. Falta-nos a atitude positiva, o optimismo, a energia positiva, a vontade de ser vencedor e de acreditar nas nossas forças, combatendo as fraquezas. Deve o país (as famílias e os outros grupos sociais) combater este negativismo. Acreditar que é possível, contribuir para crescer melhor, aprender melhor, ser melhor, conhecer e saber mais e melhor. Isto devemo-lo, todos, aos nossos filhos. Ensinar-lhes de pequenos a serem positivos, enérgicos, optimistas. Ensinar-lhes a combater, enfim, as estatísticas negativas. Ensinar-lhes a serem bons estudantes porque um dia valerá a pena. Fazer-lhes acreditar em Portugal e nas cores da nossa bandeira. Sim, como no futebol. Como iremos crescer mais e melhor, ser mais competitivos, mais profissionais, mais enérgicos e dedicados, se nos falta a atitude? A motivação? Se não acreditamos em nós mesmos? É verdadeiramente impressionante analisar que apenas 0,3% dos dinamarqueses, 0,5% dos holandeses, 0,6% dos suecos e dos finlandeses ou 0,8% dos belgas estão insatisfeitos com a vida que levam nos seus países. Nós, portugueses, sem termos feito absolutamente nada para com eles competir, partimos logo desde o início, com uma distância abismal desfavorável… em motivação e certamente em atitude.
sexta-feira, julho 07, 2006
5º Encontro FRES
Estimados FRESianos e caros visitantes
Informamos que se realiza hoje às 19 horas no Hotel Embaixador, 10º andar, em Lisboa, o 5º encontro geral do FRES. De entre outros assuntos da agenda, serão discutidos e votados os Estatutos do Fórum.
Saudações FRESianas
Informamos que se realiza hoje às 19 horas no Hotel Embaixador, 10º andar, em Lisboa, o 5º encontro geral do FRES. De entre outros assuntos da agenda, serão discutidos e votados os Estatutos do Fórum.
Saudações FRESianas
quarta-feira, junho 28, 2006
General Motors
Mais uma vez o problema da fuga do capital e do investimento estrangeiro. A distância do país face ao centro da europa e a relativa marginalidade geográfica, leva a maiores custos de produção em virtude do transporte de peças e acessórios (e ausência de fornecedores locais). Má gestão, dizem uns, falta de pensamento estratégico, dizem outros, uma vez que a GM se esqueceu da importância da criação de um cluster como se verificou no caso da Auto Europa. Cerca de 90% dos fornecedores da GM em Portugal estão em Espanha e na Alemanha. O objectivo é concentrar a produção no centro da europa, com custos inferiores. Como combater este cenário? Com melhor serviço, boa gestão, mais rapidez, mais profissionalismo, maior competência e maior ritmo de produção. São também necessários incentivos governamentais é certo. Porém, sendo tudo isto verdade, a maior parte destes pressupostos já se verificavam. O problema é mais complexo. De facto é necessário muito mais do que isto. E o que falta teria em parte que partir do investidor porque ao criar um cluster, uma boa parte destes custos seriam abatidos. E isto teria que ter sido observado há muitos anos, aquando do investimento inicial. Neste caso Porugal esteve (e está bem) porque luta pela manutenção deste investimento. Aqui a má gestão veio de fora.
terça-feira, junho 27, 2006
Os nossos Estatutos
Caros Visitantes
O FRES informa que está em preparação e discussão o Projecto de Estatutos do Fórum, pelo que, dentro em breve, poderão proceder à consulta dos mesmos neste mesmo Blog.
Saudações Fresianas
O FRES informa que está em preparação e discussão o Projecto de Estatutos do Fórum, pelo que, dentro em breve, poderão proceder à consulta dos mesmos neste mesmo Blog.
Saudações Fresianas
domingo, junho 11, 2006
ENERGIA: FONTES ALTERNATIVAS
A propósito do recente debate sobre as fontes de energia alternativas e renováveis, ocorrido no seio do FRES, junto alguns exemplos e características de energias alternativas que, a serem utilizadas de forma complementar, reduzirão a forte dependência que Portugal tem do petróleo.
Eólica – temos serras e costas marítimas que reúnem condições para tornar economicamente viáveis investimentos neste tipo de energia. O potencial de crescimento é significativo dado que, dos 2.900 MW de potência atribuída para exploração, apenas estão a funcionar 350 MW, quando o objectivo para 2010 é ter 3.750 MW de potência instalada. A causa desta atraso tem sido, segundo a Associação Portuguesa de Energias Renováveis ( APREN), a burocracia ao nível do licenciamento dos parques eólicos, o qual demora de três a sete anos ( em Espanha vai de dois a três anos).
Ondas – segundo especialistas nacionais, o país tem nesta fonte de energia não poluente, um potencial que permitiria satisfazer 25% das actuais necessidades domésticas. Os 500 km de costa continental permitem instalar, segundo aqueles, uma potência entre os 6 gigawatts (GW) e os 9 GW, com custos que poderiam ser suportados gradualmente a médio/longo prazo. Aliás, a primeira central eléctrica a nível mundial de dimensão industrial ( 400 KW) que explora este tipo de energia foi construída em 1993 na ilha do Pico –Açores.
Solar – é uma fonte energética disponível dadas as características climatéricas do país, que se tem tornado cada vez mais acessível dados os avanços tecnológicos na sua obtenção. É contudo ainda cara, devido ao preços dos painéis solares face ao rendimento estimado da sua produção, devendo a sua utilização ser vista como complemento a outras fontes energéticas.
Biomassa – tratando-se de um combustível proveniente dos resíduos florestais, pois é composto por subprodutos como o desperdício da madeira ou o metano dos estrumes, a sua utilização poderá contribuir para a limpeza da floresta e reduzir a intensidade de incêndios que assolam anualmente o país.
Biocombustíveis – podendo ser aplicável ao nível agrícola e industrial, o biodiesel provém de um composto de óleos alimentares que pode ser utilizado em motores a diesel, sendo produzido através de plantas ricas em óleo e de baixo preço, como a colza, palmeira e soja. Esta seria uma forma de rentabilizar a utilização dos terrenos agrícolas disponíveis. O Governo tem como meta conseguir que 10% do consumo de combustíveis pelos transportes públicos, seja deste tipo de energia, pretendendo ainda estimular a produção nacional quer agrícola quer industrial.
Nuclear – polémica quanto baste, os defensores desta fonte energética apresentam-na como uma fonte de energia barata e pouco poluente pois não recorre à combustão fóssil e por isso tem baixas emissões de dióxido de carbono, com grande potencial de produção em larga escala. A sua utilização permitirá, segundo aqueles, a redução do maior problema ambiental do planeta: o aquecimento global causado pelas emissões crescentes de dióxido de carbono. Alguns especialistas defendem no entanto que esta não é solução para o actual problema energético nacional uma vez que serve apenas para a produção de electricidade e não para a produção de calor ( na industria) nem para a utilização nos transportes, pelo menos nos anos mais próximos.
Eólica – temos serras e costas marítimas que reúnem condições para tornar economicamente viáveis investimentos neste tipo de energia. O potencial de crescimento é significativo dado que, dos 2.900 MW de potência atribuída para exploração, apenas estão a funcionar 350 MW, quando o objectivo para 2010 é ter 3.750 MW de potência instalada. A causa desta atraso tem sido, segundo a Associação Portuguesa de Energias Renováveis ( APREN), a burocracia ao nível do licenciamento dos parques eólicos, o qual demora de três a sete anos ( em Espanha vai de dois a três anos).
Ondas – segundo especialistas nacionais, o país tem nesta fonte de energia não poluente, um potencial que permitiria satisfazer 25% das actuais necessidades domésticas. Os 500 km de costa continental permitem instalar, segundo aqueles, uma potência entre os 6 gigawatts (GW) e os 9 GW, com custos que poderiam ser suportados gradualmente a médio/longo prazo. Aliás, a primeira central eléctrica a nível mundial de dimensão industrial ( 400 KW) que explora este tipo de energia foi construída em 1993 na ilha do Pico –Açores.
Solar – é uma fonte energética disponível dadas as características climatéricas do país, que se tem tornado cada vez mais acessível dados os avanços tecnológicos na sua obtenção. É contudo ainda cara, devido ao preços dos painéis solares face ao rendimento estimado da sua produção, devendo a sua utilização ser vista como complemento a outras fontes energéticas.
Biomassa – tratando-se de um combustível proveniente dos resíduos florestais, pois é composto por subprodutos como o desperdício da madeira ou o metano dos estrumes, a sua utilização poderá contribuir para a limpeza da floresta e reduzir a intensidade de incêndios que assolam anualmente o país.
Biocombustíveis – podendo ser aplicável ao nível agrícola e industrial, o biodiesel provém de um composto de óleos alimentares que pode ser utilizado em motores a diesel, sendo produzido através de plantas ricas em óleo e de baixo preço, como a colza, palmeira e soja. Esta seria uma forma de rentabilizar a utilização dos terrenos agrícolas disponíveis. O Governo tem como meta conseguir que 10% do consumo de combustíveis pelos transportes públicos, seja deste tipo de energia, pretendendo ainda estimular a produção nacional quer agrícola quer industrial.
Nuclear – polémica quanto baste, os defensores desta fonte energética apresentam-na como uma fonte de energia barata e pouco poluente pois não recorre à combustão fóssil e por isso tem baixas emissões de dióxido de carbono, com grande potencial de produção em larga escala. A sua utilização permitirá, segundo aqueles, a redução do maior problema ambiental do planeta: o aquecimento global causado pelas emissões crescentes de dióxido de carbono. Alguns especialistas defendem no entanto que esta não é solução para o actual problema energético nacional uma vez que serve apenas para a produção de electricidade e não para a produção de calor ( na industria) nem para a utilização nos transportes, pelo menos nos anos mais próximos.
Em conclusão, nenhuma das fontes energéticas renováveis irá suprir, por si só, as necessidades totais do país. O que importa é prosseguir uma estratégia de integração daquelas, de forma complementar e optimizada, na rede eléctrica nacional.
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