Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

domingo, outubro 29, 2006

Educação e Formação no mercado de trabalho global-Mudança de paradigma

Na sexta-feira passada dia 27 de Outubro decorreu no hotel Embaixador em Lisboa um encontro do FRES onde se abordou a temática dos sistemas de educação e em que três membros da direcção do FRES expuseram ao público assistente três case studies de sistemas de educação: 2 europeus Alemanha e Islândia e um não europeu que foi o caso da India.
As pessoas podem perguntar ? porque é que estes oradores vêm falar de outros sistemas de educação e não do português que é o que interessa resolver? interessante questão....Contudo, o que é que temos hoje? um Portugal numa europa alargada a 25 estados-membros e a partir de Janeiro de 2007 a 27 Estados (Bulgária e Roménia) e talvez num futuro a 28 com a adesão da Turquia.

E este cenário coloca-se as gerações presentes e vindouras de Portugal: Como melhorar o nosso sistema de educação e formação num mercado de trabalho a escala global? Qualquer jovem saido do liceu ou da Universidade no minimo ( integrado no Sistema de Bolonha) vai ter que concorrer a partir de 2007 no mercado de trabalho com jovens de 27 países se cingir geograficamente apenas a União Europeia. Mas se quer entrar no mercado global tem que ter em conta países como: China, India, Singapura, Malásia, Rússia, Ucrânia, Turquia,Estados Unidos e Brasil forte emissores de mão de obra qualificada para serem trabalhadores globais.

Numa interessante obra dos cientista politicos alemães Hans Peter Martin e Harald Shumann
"A armadilha da globalização" os autores citam uma quadro dirigente da Sun Microsytems que numa conferência realizada em São Francisco consagrada ao tema: "Tecnologia e trabalho na economia global" afirmou o seguinte: " Na nossa empresa, cada um pode trabalhar quanto queira" e também não precisamos de visto para o pessoal estrangeiro. Segundo ele, os governos e as regras por estes impostas ao mundo do trabalho perderam todo o significado. Por agora são de preferência "bons cérebros da india" que trabalham quanto podem. A empresa diz esse quadro, recebe por computador eloquentes candidaturas do mundo inteiro. "Contratamos os nossos empregados por computador, eles trabalham por computador e são despedidos por computador". A mundialização da economia, as altas tecnologias de comunicação, o baixo custo dos transportes e a globalização do comércio mundial tranformaram o mundo num mercado único o que conduz a uma concorrência global no mercado de trabalho.

A maioria das empresas europeias estão a criar postos de trabalho nos mercados onde se estão a internacionalizar e não nos mercados de origem nacional. Por exemplo na alemanha os empresários dizem que os alemães trabalham muito pouco, têm rendimentos demasiado elevados, tiram férias demasiado longas e gozam demasiadas baixas por doença e os empresários quando tomam decisões de investimento olham para o leste da europa e para a Ásia onde a ética no trabalho tem valores diferentes dos europeus e os custos sociais são mais baixos.

Este é um exemplo de um cenário que Portugal deve estar atento, pois, se não melhorarmos os nossos sistemas de educação e formação as nossas gerações futuras não serão competitivas no mercado de trabalho global.

As empresas globais procuram novo tipo de trabalhadores: os chamado knowledge workers que como dizia Peter Drucker " A sociedade do saber é uma sociedade de grandes organizações - Governos e Empresas - que funcionam necessariamente com o fluxo de informação" As oprtunidades de carreira citando ainda o autor " requerem cada vez mais um diploma universitário, pois, o centro de gravidade deslocou-se para o trabalhador do conhecimento, no entanto, nenhuma instituição educativa - nem mesmo as escolas superiores de gestão - tenta equipar os alunos com as competências elementares que lhe permitiriam tornar-se membros efectivos de uma organização: a capacidade de apresentar ideias oralmente e por escrito; a capacidade de trabalhar com outras pessoas; a capacidade de moldar e orientar o trabalho pessoal, a sua contribuição e a sua carreira. A pessoa educada deveria ser o novo arquétipo da sociedade pós-empresarial.

Portugal e os trabalhadores portugueses para serem competitivos no mercado global deverão ter sistemas de educação e formação tendo em conta modelos de economias do conhecimento e não modelos de economias de mão de obra intensiva como foi implementado no passado. Se não mudarmos este paradigma estamos a comprometer as gerações presentes e futuras.

Devemos preparar as pessoas para a possibilidade de abraçarem carreiras globais e para isso as escolas devem proporcionar programas de educação e comprensão global de outras culturas e modos de viver. A chamada educação para a tolerância e global awareness.

Segundo especialistas em RH internacionais os futuros trabalhadores globais devem ter o seguinte perfil: " A estamina de um corredor olimpico, a agilidade mental de um Einstein; os skills de comunicação de um professor de linguas, a capaciade de discernimento de um juiz, o tacto de um diplomata e a preserverança de um construtor egipcio de pirâmides". E se esses trabalhadores globais vão medir as exigências de viver num país estrangeiro, deverão ter uma sensibilidade a cultural local, o julgamento moral não deverá ser muito rigido e deverão fundir-se com o ambiente local e não mostrarem sinais de preconceito".

Ao preparamos a nossa sociedade para este novo tipo de realidades no mundo laboral estamos a preparar jovens competentes e abertos ao mundo. Portugal sempre cresceu quando foi aberto ao Mundo. Vejamos a era dos descobrimentos. As novas elites que se formarem nos bancos das escolas devererão ser formadas nos principios da compreensão do : Nós e os Outros de forma a quando se depararem com situações de dificuldades não afirmarem: " o Inferno são os outros" mas somos nós próprios (Portugueses no geral: Estado, Sociedade e Empresas) que não melhoramos os nossos sistemas de educação e formação usando modelos antigos em situações novas (nova realidade internacional).

sexta-feira, outubro 27, 2006

6º Encontro FRES

Estimados Fresianos e distintos visitantes

O FRES informa que irá realizar hoje a partir das 19 Horas no Hotel Embaixador em Lisboa, o seu 6º encontro geral. Em ambiente de tertúlia, entre outros temas serão abordados alguns dados e análises sobre o sistema de ensino de alguns países europeus e asiáticos.

Daremos posteriormente notícias sobre esta sessão de trabalho.

Saudações Fresianas

terça-feira, outubro 24, 2006

Coragem para conversar

Para Jack Straw (ex-Ministro dos Negócios estrangeiros do governo de Tony Blair) - A conversação franca e aberta entre diferentes opiniões é a base de uma sociedade livre e civilizada.

Para João Carlos Espada (investigador, doutorado e Professor universitário em Oxford, Inglaterra) - A arte da conversação foi considerada por Oakeshott, o grande filósofo conservador inglês do século XX, como distintiva de uma sociedade livre. Karl Popper colocou-a no centro da tradição ocidental de sociedade aberta - fazendo remontar a arte da conversação à Atenas comercial e marítima de Sócrates.

Diz ainda João Carlos Espada que Edmund Burke, Adam Smith, David Hume e Jonhson, consideravam a conversação como alicerce de uma sociedade civilizada. Os clubes de Londres nasceram como lugares de conversação - um distintivo da "gentlemanship". O chanceler da Universidade de Oxford, Lord Jenkins, afirmava aos seus discípulos " conversem, conversem sempre; é basicamente isso que se faz nesta universidade há oitocentos anos".

Diz Maria de Fátima Bonifácio, investigadora do I.C.S. na revista “Atlântico” de Setembro de 2006, referindo-se ao Professor Adérito Sedas Nunes, fundador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa – “ Quinzenalmente durante anos funcionou um seminário de sociologia dirigido por Sedas Nunes, aberto a quem quisesse participar e onde os investigadores podiam apresentar livre e informalmente os seus “papers”. Os temas e os domínios disciplinares eram os mais variados. Falava quem tinha que dizer e quem ficava calado ouvia e aprendia. Dependendo do temperamento de cada um, as críticas eram por vezes muito duras e contundentes, possivelmente difíceis de suportar por alguma natureza mais susceptível. Não era raro que as vozes se elevassem no calor da discussão. Ao fim da tarde, separávamo-nos amigos como dantes. O autor do “paper” discutido ia para casa com uma série de objecções em que pensar e certo, portanto, de que a versão final do seu artigo (ou capítulo, ou livro) seria bem melhor do que se não tivesse ouvido as críticas e as perguntas dos colegas.
Haja a coragem para conversar...

terça-feira, outubro 17, 2006

Atitude.......

O Presidente da Républica Portuguesa, o Professor Cavaco Silva afirmou há dias ,no início do seu terceiro Roteiro para a Inclusão, de que é Sua intenção resolver problemas, e não …..criá-los.
Escusando-se a "falar sobre o passado", o Presidente realçou bem a sua intenção de "mostrar os bons exemplos" do que já se faz bem para que estes "possam frutificar".
A mensagem fundamental que eu retiro é a de que; mais que palavras o que o nosso país necessita neste momento é de acção , mais do que boas ideias precisamos de as implementar, mais do que apontar aquilo que está mal necessitamos de propor soluções e publicitar os casos de sucesso como exemplos a seguir.
No caso das empresas temos várias fundadas, desenvolvidas e lideradas por empreendedores portugueses,
com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses: Efacec, Fepsa, Ydreams, GALP, SIBS, BPI, BCP, BES, CGD, Sonae, Brisa, Bial, Grupo Amorim,……mas também algumas grandes empresas multinacionais instaladas no nosso País, mas lideradas por portugueses, com técnicos portugueses, que, ano após ano obtêm grande sucesso como ; a Siemens , Bosch, Alcatel, BP, Nobre apenas para referir algumas.
Na verdade as pessoas que estão por detrás destas organizações tiveram o mérito de agir em vez de “reagir”, actuar em vez de esperar, liderar em vez de gerir denotando uma atitude empreendedora positiva que eu gostaria de ver vivida como lema principal no universo das empresas em Portugal, na sociedade civil em geral e nas organizações governamentais em particular.
È um pouco como a velha questão filosófica de que, para uns o copo está “meio vazio” enquanto que para outros ele está “meio cheio”. Não será preferível responder a esta pergunta da seguinte forma ? Se quisermos mais água…. é só voltar a encher

sábado, outubro 14, 2006

Nobel da Paz para Muhammad Yunus e Grameen Bank



"Todo e cada indivíduo no mundo tem o potencial e o direito de viver uma vida decente. Em várias culturas e civilizações, Yunus e o Banco Grameen têm demonstrado que mesmo os mais pobres dos pobres podem trabalhar para o seu desenvolvimento", afirmou a Comissão Nobel, ao justificar a decisão "

Nobel da Paz para Muhammad Yunus e Grameen Bank


Alguém pode lutar pela paz sem primeiro combater a pobreza?



quinta-feira, outubro 12, 2006

PPPs imperfeitas

Desde o final da década de noventa que muito se tem falado sobre Parcerias Público Privadas, vulgarmente designadas de PPP, e da sua aplicabilidade nos mais diversos sectores de actividade. Quase sempre eram referidas como a solução perfeita e quase milagrosa para todas as ineficiências que subsistiam em alguns sectores de actividade que os governos tinham relutância em ver sair da sua esfera de controlo.

Se as constatações anteriores fossem o título de uma tese, poderíamos afirmar que esta teria ficado provada para todas as economias da Europa Ocidental. Como sempre, não há regra sem excepção, pelo que Portugal está a fazer o favor de confirmar esta regra. Resta saber a razão de tal escolha. Os mais pessimistas dirão que alguém teria de o fazer. Outros pensarão que não foi uma escolha voluntária. Como não acredito em fatalismos, estou de acordo com a segunda ordem de razões.

Como tal penso ser importante perceber o que correu mal até agora na implementação de PPPs em Portugal. Para começar parece-me importante que se explique de forma clara em que consiste uma PPP: trata-se de um contrato estabelecido entre uma entidade pública e outra do sector privado, em que a entidade privada se compromete a desempenhar uma determinada actividade, de acordo com critérios estabelecidos. Nada mais simples. Existe um largo espectro de possibilidades em aberto para este tipo de parcerias, desde simples contratos de manutenção de edifícios, passando pela construção de infra-estruturas, bem como a operação e gestão de serviços públicos tais como hospitais, prisões, e escolas. As PPP têm evoluído para contratos de maior duração, por forma a criar compromissos de longo prazo de ambas as partes e são hoje em dia constituídas por combinações das tarefas descritas anteriormente, tais como concepção, construção, financiamento e operação (Design, Build, Finance and Operate, ou DBFO), incluir igualmente a manutenção (DBFOM), contratos de concessão, etc.

As razões pelas quais um estado tem interesse em criar PPPs são idênticas às razões que nos levam a contratar um sapateiro quando precisamos de arranjar os nossos sapatos. Certamente que para a maior parte de nós, as meias solas colocadas pelo sapateiro resultam num trabalho de melhor qualidade, por um preço menor do que se tivéssemos que comprar a cola e demais utensílios, demorando igualmente menos tempo do que se tivéssemos que aprender o oficio. Maior eficácia, eficiência e produtividade, por um preço mais baixo são razões suficientes para justificar a nossa escolha pelo sapateiro. Melhor ainda seria se pudéssemos pagar em suaves prestações.

Como tal, a criação de uma PPP resulta na obtenção de um negócio mais vantajoso para os contribuintes, ao garantir a prestação de um serviço de maior qualidade por um preço mais baixo. Tem igualmente a vantagem de o valor de investimento necessário, que naturalmente é substancial no caso da edificação de infra-estruturas não sobrecarregar em demasia o erário público, sendo o seu custo diluído pela duração do contrato.

Sendo assim, o que está a falhar na implementação das PPP em Portugal? A resposta é simples: a definição do contrato de parceria assume crucial importância para o sucesso das PPPs. As responsabilidades de ambas as partes bem como o papel a desempenhar pelo sector público e privado deverão ficar claramente definidos nesta fase. A chave para o sucesso e a fonte da eficiência das PPP é a correcta divisão de tarefas, sendo cada parte responsável pelas actividades que desempenha de forma mais eficiente, assumindo e gerindo os riscos que melhor conhece e sabe controlar. O facto de as PPP permitirem a realização de investimentos consideráveis sem o correspondente impacto no défice orçamental, parece ser o critério que tem estado na base das decisões de implementação de PPPs em Portugal, de que o caso das SCUTs é um exemplo bem ilustrativo. A resolução deste problema está longe de ser difícil ou complicada: basta que a prioridade na implementação das PPPs passe a ser a transferência de risco do sector público para o sector privado.


Ricardo Pedrosa

quarta-feira, outubro 11, 2006

Portugal aposta no conhecimento e inovação

Portugal aposta e investe na ciência. Para o próximo ano o orçamento para a ciência e tecnologia irá crescer, segundo o 1º ministro, 64%. Hoje foi um dia importante no caminho a trilhar para o conhecimento. O país assinou um acordo de parceria com o prestigiado MIT (Massachusetts Institute of Technology) subscrito por 7 Universidades portuguesas e cerca de 26 Institutos para além de algumas empresas nacionais. Trata-se de um acordo histórico realizado no Centro Cultural de Belém, que se destina a criar conhecimento, apostar na tecnologia e inovação, a fazer crescer e desenvolver o capital humano nacional. Numa área onde tem existido grande escassez: formação e conhecimento.

Este acordo está direccionado para a cooperação científica nas áreas da engenharia e gestão. Acto único em Portugal. O acordo propõe entre várias coisas aumentar o nº de doutoramentos concluídos em Portugal, a participação e ligação das empresas às universidades para realizar uma das etapas mais relevantes no campo da inovação e desenvolvimento: a investigação, desenvolvimento e criação de valor. Permitirá a exportação de conhecimento e a criação de uma imagem de marca de qualidade da ciência e tecnologia nacionais no quadro da globalização. Várias empresas se ofereceram para este acordo, no sentido de participarem neste movimento do conhecimento. Trata-se de um investimento de cerca de 141 milhões de euros para os próximos 5 anos, dos quais cerca de 32,5 milhões de euros se destinam exclusivamente ao MIT. Várias colaborações e parcerias serão criadas com a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, com o Instituto Superior Técnico, com a Universidade Católica ou com o Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa. O que se pretende é, entre outras coisas, colocar uma escola de Gestão entre as 100 melhores do mundo.

Este é o tipo de apostas de que o país precisa de forma a estar colocado no caminho do conhecimento internacional e global. Fartos de notícias negativas é tempo de aplaudirmos estas iniciativas positivas de grande relevância nacional e internacional. Projecto apadrinhado pelo Presidente da Republica, ele próprio economista, prova-se aqui que é tempo de ultrapassar interesses confinados a circulos político-partidários, particulares ou corporativistas e remar e rumar no mesmo sentido. Apoiar o país no desenvolvimento e caminhar no sentido do conhecimento.

Os Idosos em Portugal - Que esperança senão continuar a pagar

Li hoje na imprensa que o sistema retributivo de pensões da segurança social vai sofrer alterações e que estas vão ser penalizadoras para os reformados em idade avançada e com recursos financeiros limitados.

Sinceramente, eu sou um leigo neste campo da segurança social e gostaria que me explicassem o seguinte: Porque é que em Portugal os idosos nasceram pobres, educaram os filhos com muitas dificuldades e vão morrer pobres? E agora no final da vida ainda vão ser mais afectados na estrutura familiar (marido e mulher) através de mais contribuições e restrição de direitos adquiridos.

Em Portugal ser idoso é sempre pejurativo e visto como algo de negativo quer na vida quotidiana quer na vida laboral. Já estás velho para isto.........a empresa quer um jovem dinâmico e de elevado potencial..........são frases tipicas e correntes no discurso do cidadão comum. No Japão quanto mais velho se é mais se respeitado é (senioridade + sabedoria).
Eu sei que a economia portuguesa está a atravessar imensas dificuldades, principalmente o nosso Estado de Previdência que está em falência.

Mas digam-me em Portugal alguma vez existiu Welfare State que abrangeu todas as classes sociais? O Welfare State que existiu foi sempre para funcionários públicos ou cidadãos pertencentes a determinados regimes sociais.

Na minha opinião nunca existiu um verdadeiro Welfare State universalista como no Reino Unido, Alemanha ou Suécia.

Se estudarmos a história da europa pós 1945 quando foi criado esse sistema no Reino Unido nem Portugal sabia o que isso era nem nunca fomos doutrinadores nesse campo.

A realidade crua é esta: os idosos vão ter que trabalhar mais pois com as reformas de miséria que recebem que nem dá para pagar os medicamentos quanto mais a alimentação, os filhos vão ter que ajudar os pais quando podem, pois com a taxa de desemprego a aumentar como é que eles também vão poder ajudar os pais? .............Desculpem mas isto foi um pesadelo.....pois o sonho tornado em realidade é que neste momento estou a lêr uma noticia de um jornal diário de 2015 que diz tem a seguinte manchete:" Reformados portugueses enchem praias do Algarve e ocupam a maior taxa de ocupação nas Unidades Hoteleiras locais" Segundo uma fonte oficial o instituto de turismo considerou um mercado estratégico a promoção de Portugal junto do segmento dos reformados portugueses, pois, têm elevado poder de compra e são uma alternativa aos turistas do norte da europa.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Dia da República - Dia de Reflexão histórica

Hoje comemora-se em Portugal o dia da República. 5 de Outubro de 1910 marcou a ruptura com a monarquia e a instauração do regime republicano em Portugal. Independentemente de sermos monárquicos, republicanos, maçons ou não maçons ou quer que seja, hoje é um dia de reflexão para olharmos para a nossa história de Portugal feita de rupturas e avanços, de mudanças politicas e sociais, de confrontos entre principios ideológicos e valores politicos. História é continuidade e feita de pessoas que marcaram um determinado periodo e que acreditavam em determinados valores como a coisa pública e na necessidade da mudança.
Hoje o que é a coisa pública? um conceito abstracto...............Mal utilizado e fora de contexto. Tudo é coisa pública. Fecham-se hospitais e maternidades no interior em nome da coisa pública, desertifica-se o interior em nome da coisa pública. Será que também se quer acabar com o conceito de comunidade e de serviço público em nome da coisa pública? O Estado existe porque eu cidadão existo?
Deixo-lhes para reflexão um excerto da obra o Novissimo principe (Edição especial de 1980) do Professor Adriano Moreira que dizia o seguinte: " A comunicação entre as gerações processa-se com resistências inegáveis, que ocasionam cortes irreparáveis entre a experiência dos mais velhos e a criatividade dos mais novos, tudo em prejuizo da preservação do abalado consenso nacional". E continuando a sua leitura: " Existe uma diferença fundamental entre ideólogos, revolucionários, politicos e estadistas. Dos primeiros aquilo que nos chega são traduções sem concorrência de de um pensamento nativo, que nehuma das formações politicas em acção produziu dentro das duas fileiras. O internacionalismo é a regra do nosso tempo, mas isso não implica que a corrente do pensamento circule num único sentido, sem retribuição nascida nas originalidades nacionais".

quarta-feira, outubro 04, 2006

A Adesão de Portugal e Espanha a União Europeia - Visões diferentes caminhos diferentes

Tem sido tema de reflexão para o cidadão comum a seguinte questão: Porque é que Espanha está a viajar em primeira classe no Euro-Train e Portugal continua a viajar em 2ª classe num comboio que se não for aumentada a capacidade poder correr o risco de desativação?
Vejamos uma possivel explicação do ponto de vista estratégico mas que é discutivel e polémica:

Espanha considerou sempre a adesão à União Europeia um factor estratégico de:
- desenvolvimento económico,
- integração de Espanha na cena politica europeia
- engradecimento do seu papel no relacionamento internacional com a Ámerica Latina

Portugal quando aderiu a Ex-CEE numa definiu uma estratégia quer europeia quer internacional, apesar de existir um consenso entre todas as forças politicas da altura que com a perda do império ultramarino e do relacionamento altlântico a possivel alternativa para o nosso desenvolvimento económico estava na Europa. A Europa trouxe-nos uma aproximação as economias mais fortes e a integração no maior espaço comercial do globo com reais vantagens para o progresso da nossa sociedade.
Contudo, toda a ajuda financeira que recebemos e nomeadamente a transferência de fundos comunitários não podem ser vistos como um fim mas como um meio para o alcance de niveis de desevolvimento similares dos Países do centro e norte da Europa. Isso ninguém põe em causa e não gosto de fazer demagogia. O que é criticável é um pais que condiciona o seu desenvolvimento económico a ajudas recebidas do exterior mostra que não tem uma estratégia nacional mas sim uma relação de dependência de centros de decisão externos mas em que a influência no processo de decision-making é reduzido.

Em geoestratégia existe uma fórmula P=VX C (Poder =Vontade x capacidade). Se queremos ter poder internacional e capacidade de influência em Bruxelas devemos seguir a seguinte estratégia:
- Estratégia nacional acima de interesses corporativistas e sectoriais
- Definição do interesse nacional
- Estratégias de Lobbying concertado
- Formulação e implementação de uma politica externa que tenha em conta os interesses nacionais e permanentes de Portugal (Europa-África - América)
- Forte articulação entre Estado, Empresas, Sindicatos e forças vivas da sociedade civil de forma a reforçar a imagem de um pais coeso, forte e aberto ao Mundo com grandes consensos sobre as questões principais que entravam o nosso desenvolvimento: competitividade das empresas; educação e formação; reforma do Estado.
- Diversificação das relações internacionais de Portugal: os Pequenos países podem escolher os amigos mas não os vizinhos.
- Internacionalização da lingua portuguesa: a Lingua portuguesa deverá serdivulgada pelo sector privado e não apenas pelo Estado vejamos o caso dainternacionalização da lingua inglesa e espanhola: quantos institutos de linguas desses países existem espalhados pelo mundo? Em Portugal só falamosno defunto instituto camões.
- Organização definitiva do modelo de promoção das exportações e de captação de IDE.
Agora extinguiu-se a API antes criou-se a API............brinca-se com instrumentos diplomáticos como quem joga ás damas......... que reflexos têm estas decisões no exterior? O que irão pensar os potenciais investidores? Os jogadores e o relvado estão sempre a ser mudados..............

Em Espanha o ICEX não muda porque mudam ministros ou presidentes, pois, são instrumentos diplomáticos e a arma diplomática implica continuidade mesmo que haja mudanças politicas internas "My country right or wrong" disse Churchill.

Quando os Espanhois aderiram à União Europeia afirmaram: daqui a 10 ou 15 anos queremos estar no posicionamento internacional X......Portugal não................apesar de termos feitos grandes progressos......leiam o que diz António Barreto no seu livro "tempo de incerteza" que é uma análise" brilhante do ponto de vista sociológico da nossa história económica e social pós 25 de Abril.

O que falta infelizmente em Portugal é uma nova geração de politicos com visão estratégica e descomprometidos de traumas do passado, mas essa geração ainda não têm acesso aos centros de decisão.
Portugal evoluiu bastante no pós adesão e não se esqueçam que num sistema internacional globalizado um País pequeno tem sempre a ganhar estando dentro do sistema em vez de estar fora.
Estar fora implica isolamento internacional......vejamos a albânia.......o que é importante é defendermos os nossos interesses nacionais e ter pessoas capacitadas e qualificadas para essa missão.

Os Espanhois nisso são bons já que através das posições e lugares internacionais que têm acesso engrandecem a MARCA ESPANHA. podemos aprender com os nuestros hermanos.

Em pleno 2006 e vinte anos passados após adesão à UE entristece-me sermos vistos como os pobres da europa, atrás da República Checa, Eslovénia e Grécia, termos portugueses a serem explorados no mercado de trabalho em Espanha e na Holanda e a serem expulso dos Açores e porquê? porque começando pela máquina diplomática e consular não existe espirito de defesa do interesse dos nossos cidadãos. Ser português devia ser motivo de orgulho para esses cidadãos......numa europa alargada os Portugueses ainda são vistos como eram antes de 1974? ir a salto... e o conceito de cidadania europeia?

Os nuestros hermanos já estão na europa rica e EL TORO associado ao orgulho(vontade x capacidade) dá-lhes poder para serem tratados como gold members da União Europeia nós ainda parece que estamos longe disso.

terça-feira, outubro 03, 2006

Internacionalização e lingua portuguesa

Hoje em dia o tema da internacionalização está na ordem do dia. Governo e empresários todos defendem que o caminho para a sobrevivência da nossa economia passa pela internacionalização. Contudo, quando se fala em internacionalização existe um factor que tem sido menosprezado e que é o factor -lingua portuguesa.
Porque é que não valorizamos a nossa lingua nos processos de internacionalização?Como o fazem os americanos, os espanhóis, os britânicos e o franceses?

Espanha quando definiu por exemplo a sua estratégia de politica económica externa para o mercado brasileiro teve como suporte a diplomacia da lingua e da cultura castelhana como factor de afirmação cultural e económica no mercado. O que é que fez? enviou um conjunto de professores/leitores de lingua castelhana para o brasil e abriu localmente dezenas de institutos cervantes.

Os ingleses também têm o seu British Council que é um instrumento diplomático de divulgação da lingua e cultura inglesa e para além disso contam com a internacionalização da lingua inglesa via sector privado como é o caso de institutos de lingua como a International House e EF
ou outras marcas que actuam nesse campo e que já são verdadeiras insignias internacionais.

E em Portugal o que temos feito? temos o defunto Instituto Camões e meia-dúzia de leitorados que lutam com dificuldades orçamentais. Enquanto que também da parte do sector privado não temos grupos empresariais constituidos que actuem no ensino e divulgação da lingua e lingua portuguesa no plano internacional como existe no Reino Unido.

Nas recentes multinacionais portuguesas os programas de lingua portuguesa deveriam estar mais presentes e deviam ser ministrados aos quadros das filiais estrangeiras.

Nas bibliotecas estrangeiras deviamos encontrar mais livros de autores portugueses. As campanhas de promoção de Portugal no Mundo não deviam menosprezar a componente da lingua e especificidades culturais de portugal de forma a apresentarmos um produto diferenciado.

Os nossos escritores deviam estar associados aos processos de internacionalização. As empresas portuguesas ao internacionalizarem-se para determinados mercados localmente deveriam apoiar acções de comunicação e de divulgação da lingua e cultura portuguesa de modo a reforçar empresas com identidade portuguesa.

Sabemos que é um trabalho longo e continuo mas se analisarmos o sucesso de determinados países com capacidade de projecção internacional temos sempre associado uma estratégia global com variaveis: económicas, culturais, financeiras, financeiras e acima de tudo com assumpção de obtenção de prestigio e influência internacional.

Why diplomacy matters?

Portugal é uma velha nação europeia aberta ao mundo e a globalização. Ser uma Nação aberta ao Mundo significa elevada capacidade de relacionamento internacional e uma leitura atenta e permanente dos desenvolvimentos internacionais em várias áreas geográficas do globo.

Para que essa capacidade de relacionamento internacional seja posta em prática torna-se imperativo um novo modelo de diplomacia atentas as mutações dos sistemas politico e económico internacionais e aos mercados emergentes com potencial de investimento e de exportação para as empresas portuguesas.

A diplomacia deverá estar munida de um eficaz sistema de market research como suporte de forma a os decisores politicos e empresariais obterem informação em tempo útil quando têm que formular estratégias politicas e empresariais.
A chamada E-Diplomacy que já é praticada nos EUA e em outros países com interesses globais é uma ferramenta fundamental nesta era de informação.
As embaixadas e as delegações do ICEP no exterior deverão funcionar em network e estar munidas de Sistemas de Informação actualizados e com apropriados Data Base Management. A expressão utilizada no mundo empresarial " gathering information" deverá estar presente na diplomacia portuguesa de forma a serem recolhidas informações correctas na politica e economia internacional.
Para além disso, o planeamento estratégico deverá ter um papel relevante na detecção das nossas forças e fraquezas e das ameaças e oportunidades para as empresas portuguesas que operam no mercado internacional.
Sempre que fosse definido um mercado-alvo ou uma prioridade da nossa politica externa esses temas deveriam ser debatidos com os actores intervenientes nesse processo e com todos aqueles que têm interesses nesses mercados ou nessa prioridade de politica externa.
A Politica externa de um País tem sempre como objectivo a defesa do interesse nacional. A definição de interesse nacional hoje em dia tem componentes diferentes do passado. Contudo, a vertente diplomacia económica e a sua interacção com a politica doméstica cada vez são mais relevantes o que implica a articulação entre o Estado e outros agentes económicos.

Deslocalização para Espanha e os seus Opositores

A deslocalização das empresas internacionais para Espanha deve-se na minha perspectiva aos seguintes factores: Centralidade Ibérica e consolidação do mercado Ibérico que é um mercado único na perspectiva das multinacionais há bastantes anos. Principalmente das multinacionais norte-americanas. Forte relacionamento politico-diplomático EUA-Espanha que se aprofundoubastante com o Governo de Aznar e que já é uma continuidade e um eixo permanente da politica externa espanhola. Imagem de prestigio internacional de Espanha e o seu crescente papel como actor na cena económica e comercial internacional. Atractividade fiscal do mercado. Melhores custos operacionais em termos de logistica e de supply chain. Forte competitividade dos Portos Espanhóis: Barcelona e Valência emdetrimentos dos Portos Portugueses. Qualificação dos RH e internacionalização das universidades espanholas.Por exemplo no ranking dos MBA do The Economist o IESE já está no topo a competir com o mundo anglo-sáxonico. Para não falar em ESADE e Instituto de Empresa. As Universidades Espanholas e digo isto por conhecimento de causa todos os anos atraem milhares de estudantes qualificados do mundo latino-americano na área das pós-graduações. Se uma multinacional norte-americana com interesses na america latina quiser recrutar um quadro para mobilidade internacional ou para ser expatriado para esses mercados pode recrutá-lo em Espanha ou nos EUA (hispano-falantes).
Posicionamento internacional de cidades como Barcelona e Madrid que desenvolveram estratégias de marketing territorial com vista a atrair quadros internacionais e IDE. O que é que Lisboa e Porto por exemplo têm feito nesse sentido? O Mestre Kotler já falava deste novo marketing que nos lembra o velho modelo das cidades-Estados. Politicas públicas coerentes e transparentes. O modelo de comunidades autónomas em Espanha torna-se mais fácil para quem quer investir e obter incentivos. Forte articulação Estado/Banca e Associações de empresários quer na estratégia de promoção das exportações quer na atraacção de IDE. Diplomacia económica profissionalizada. A existência de um grande número de quadros espanhóis em posições de destaque em empresas internacionais que podem influenciar os mecanismos de decisão. Na internacionalização das economias e captação de IDE esse aspecto não deve ser descurado e Espanha sabe utilizar com habilidade.No caso português temos que saber "vender os nossos atributos positivos"numa perspectiva de longo prazo.O investidor olha para Portugal como um todo. E como sabem as nossas politicas públicas não são coerentes e numa perspectiva de longo prazo mas meramente de carácter imediatista e mediático.Como captar investimento para Portugal? quando o todo não funciona em harmonia? Poder Central, Autárquico, Institutos Públicos? a Johnson Controls fecha............a GM da Azambuja fecha........e o português fica sempre a espera que o D. Sebastião do Terreiro de Paço venha resolver-lhe esta questão? sempre o Estado omnipresente...... E os clusters nacionais com PME portuguesas onde estão? essas não apoiam porque não dão direito a capa de jornal e feira de vaidades.....toca a apoiá-las na sua internacionalização com programas realistas e exequiveis como se faz em Espanha

sexta-feira, setembro 29, 2006

FALTA CUMPRIR PORTUGAL

Fazendo eco e decalque do que é o sentimento de muitos de nós fresianos, deixamos o registo das palavras do mestre, as quais, em seu tempo, demonstraram a esta nação, outrora valente, que faltava cumprir Portugal. Acreditamos que ainda nos falta cumprir Portugal...

O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse,
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal.


Fernando Pessoa em “A Mensagem”

quarta-feira, setembro 20, 2006

Uma fusão anunciada

Entre a API e o ICEP.
O Governo decidiu e anunciou a fusão entre estas duas instituições, ambas criadas, é verdade, com objectivos estratégicos similares, como sejam, em termos globais, a contribuição para o fortalecimento, crescimento e desenvolvimento do sector empresarial e da economia portuguesa. No entanto a cada uma é atribuída uma função diferente e uma missão distinta. Por isso discordamos desta fusão. Quanto a nós estamos perante uma decisão que resulta de um equívoco, pois ainda que existam objectivos genericamente confluentes, ambas as instituições estabelecem formas de actuação e trilham caminhos diferentes, pelo que, não vislumbramos qualquer vantagem nem complementaridade na sua fusão. Para melhor nos elucidarmos sobre a missão e o âmbito de actuação da API e do ICEP vejamos primeiro a API em http://www.investinportugal.pt/:

“A API – Agência Portuguesa para o Investimento tem como objecto a promoção activa de condições propícias e apoios, para a realização de grandes projectos de investimento, de origem nacional ou de origem estrangeira... assume o papel de interlocutor único para os promotores de investimento de dimensão elevada, sejam nacionais ou estrangeiros”.

Quanto ao ICEP podemos ver em http://www.icep.pt/ que o ICEP tem como missão “desenvolver e executar politicas de apoio à internacionalização da economia portuguesa, à promoção e divulgação das actividades económicas, nomeadamente na área do comércio de bens e serviços, da imagem de Portugal e das marcas portuguesas no exterior”.

Posto isto, é mais do que evidente as diferenças na missão de cada uma delas. Não estamos aqui a defender a sua extinção nem a menosprezar os seus objectivos, como defendem alguns economistas, por exemplo no caso da API, quando defendem que só os maus países que não são atraentes têm necessidade de captar o investimento do exterior, pois caso o fossem, não teriam essa necesssidade pois vendiam-se a si próprios. O que dizemos é que esta decisão corre ao contrário do que acontece noutros países.

Este modelo de fusão é o oposto do que está a ser adoptado pelas economias mais fortes, que revelam maior capacidade exportadora e elevado grau de atractividade de IDE como é o caso da Espanha.
Espanha tem o seu ICEP (ICEX) mas acaba de criar recentemente a INTERES (ver em http://www.interes.org/).

Segundo notícia recentemente publicada no reliable FDI magazine (Grupo FT) em Junho deste ano onde se entrevistava a responsável pela gestão de marketing e comunicação do INTERES “ o INTERES foi criado em Outubro de 2005 com um capital social de € 300.000. O accionista é o ICEX, Instituto do Comércio Externo Espanhol. De acordo com o relatório sobre o investimento mundial em 2005 da UNCTAD, Espanha é um dos países destino mais atractivos para o investimento estrangeiro e está classificado no 8º lugar entre os países que mais investimento captou no exterior… a criação de um organismo como este torna-se necessário e essencial tendo em vista publicitar as vantagens competitivas e a imagem de Espanha como país atractivo para o investimento estrangeiro”.
As funções de captação do investimento estrangeiro em Espanha, antes da responsabilidade da Direcção Geral para o Turismo e Investimento, departamento do Ministério da Industria, Comércio e Turismo, passam a partir de finais de 2005 para a esfera da responsabilidade do INTERES.

Mas há mais exemplos: A República Checa tem dois organismos:

- Czech Trade- Czech Invest

Hong Kong tem dois organismos:

- Invest HK- Hong Kong Trade and Development Council

A Suécia tem igualmente duas instituições distintas:

- Invest in Sweden (ISA)- Swedish Trade Council


Quando a tendência nos outros países é fazer a separação entre a instituição que promove o país no exterior e a que é responsável por captar o investimento estrangeiro, em Portugal caminha-se no sentido oposto e pretende fundir-se. Com que objectivos e vantagens? Para desburocratizar? Para racionalizar?
Julgamos que nem tudo deve ser pensado apenas na perspectiva da desburocratização, uma vez que, com seriedade política, eficiência na gestão, preserverança e realismo nos objectivos, a burocracia não incomodará assim tanto. Qual a relevância e o papel actual do IAPMEI? Porque não agilizar a interligação deste organismo com as associações empresariais e com as câmaras de comércio e indústria?

Sabemos por experiência profissional que a maioria das empresas portuguesas não estão presentes nos marketplaces de comércio internacional e que quase desconhecem as estratégias de e-business.O próprio site do ICEP é medíocre prestando notícias passadas. Relevante seria apresentar relatórios sectoriais sobre os clusters nacionais, divulgar oportunidades de negócio em tempo real, informação que seria de extrema utilidade para os empresários nacionais promoverem os seus produtos e serviços e ainda para os importadores estrangeiros conhecerem a oferta nacional desses produtos e serviços.
Do ICEP gostaríamos de ver ministradas acções de formação contínua sobre temáticas de comércio internacional como acontece em Espanha no homólogo ICEX. Em Portugal, contrariamente ao que encontramos na Irlanda com o Irish Exporters Association, não existe nenhuma associação privada para promoção do comércio além fronteiras, o que certamente representaria uma forma complementar de atender às necessidades do país em termos de promoção nos mercados internacionais e concorreria com as acções do ICEP reduzindo assim a responsabilidade e o excessivo papel do Estado na promoção do comércio externo.


Alfredo Motty e Mário de Jesus

segunda-feira, setembro 18, 2006

A China no caminho do turismo nacional

Tal como previmos e desejámos em recente discussão do FRES, eis a China no caminho do turismo português. Os dados apontam para que não nos tenhamos enganado.

Fazendo referência a um artigo de hoje do Jornal de Negócios, o qual se baseia num estudo efectuado pelo Espírito Santo Research, a China e a Irlanda deverão ser as apostas do país.
O sector do turismo representa 11% do PIB nacional (um dos sectores mais importantes da economia). Mas o seu crescimento é ainda insuficiente, estando atrás do registado pelos nossos parceiros (e concorrentes) espanhóis. Em 2004 Portugal encontrava-se na 20ª posição do ranking mundial de destinos turísticos, o que, segundo a World Tourism Organization, equivale a uma (pequena) quota de 1,5%. Havíamos caído 5 posições relativamente aos dados de 2002. No topo temos a França, Espanha e EUA. Entre 2004 e 2014 o turismo em Portugal deverá registar uma quota média de crescimento anual de 4,6%. Segundo o mesmo estudo Portugal deve apostar na captação de turistas provenientes da China e Irlanda. Porquê? Porque a relação histórica com a China (via Macau), o potencial de turistas que no futuro podem gastar mais, assim o exige. Com a Irlanda porque, ainda que apenas 2,5% dos turistas sejam Irlandeses, são os que permanecem, em média, mais noites. Segundo o Eurostat, os principais turistas em Portugal são os espanhóis, britânicos, alemães e holandeses. Apostas estratégicas do turismo nacional: congressos,, golfe, mar, turismo residencial e termas.

A China, já a 6ª maior economia do Mundo em 2004, à frente da Itália, prevê-se que venha a ser a 5ª maior após dados recolhidos de 2005 (à frente da França). As maiores: EUA, Alemanha, Inglaterra, França, China e Itália. Fantástico, para um país fechado ao Mundo há 1 década.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Jantar/Debate

Realizou-se ontem, dia 12, no Restaurante Kardápio em Lisboa, mais um jantar/debate organizado pelo FRES.
Em discussão estiveram temas como a preparação de Portugal para a sociedade do conhecimento, no âmbito da estratégia nacional para o desenvolvimento sustentável, com especial incidência na discussão do estado da educação em Portugal. Foram ainda abordados exemplos de sistemas educativos como o Alemão, Finlandês (Escandinavo) e Americano.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Rumo à China

A propósito da Cimeira Europa-Ásia realizada hoje em Helsínquia, Finlândia, assistimos ao aperto de mão entre o 1º Ministro Sócrates e o 1º Ministro Chinês.
O que se espera é que este não tenha sido apenas um acto mediático para a fotografia da posteridade mas sim um acto consciente e realista que manifeste a importância que a China pode ter para o futuro da economia e das empresas portuguesas.

Mais ainda é de louvar a intenção divulgada por Sócrates em preparar em breve uma visita com missão empresarial a este país. De facto a China é já e será no futuro um parceiro incontornável nas relações económicas e empresariais, para a Europa em geral e para Portugal em particular. Não esqueçamos a alavanca politica, cultural, económica e empresarial que representa Macau para nós (ou não fosse a presença portuguesa naquele país durante 500 anos). O caminho é este e está certo – rumo à China.Vendemos muito daquilo que a China compra – por exemplo serviços financeiros sofisticados – a China compra muito daquilo que vendemos – por exemplo Turismo. Aguardamos a continuidade.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Como promover Portugal

Portugal tem em curso um plano estratégico de promoção do país no estrangeiro, designado por “Programa Marca Portugal” gerido pelo Ministério de Economia e Inovação e operado pelo ICEP em colaboração com vários organismos públicos. Tendo em vista a necessidade do país em captar mais investimento estrangeiro, aumentar as exportações e atrair um maior número de turistas, tais metas só serão alcançadas se o país apresentar uma imagem positiva e de confiança no exterior, aliada a uma reputação de qualidade.

Este programa insere um conjunto de iniciativas desenvolvidas segundo 7 eixos de acção com objectivos específicos:

Eixo 1 – Padrão Portugal

Eixo 2 – Clube de Marcas Portuguesas

Eixo 3 – Difusão Portugal

Eixo 4 – Acções de Portugal Marca nos Mercados

Eixo 5 – Portugal Acolhe

Eixo 6 – “Prefiro Portugal”

Eixo 7 – Medir para Gerir

Tendo em vista o programa acima referido, Portugal deve aproveitar o marketing “Word of Mouth” como ferramenta para divulgar e promover o país no exterior. É opinião dos profissionais do sector, dos governantes e aceite por muitos portugueses, que o turismo é um dos vectores em que o país mais deve apostar, dada a qualidade de factores como a beleza natural, o clima, o mar, as praias, a gastronomia, a segurança, sem esquecer a riqueza histórica e a amabilidade intrínseca de um povo de brandos costumes. Os predicados estão cá todos. Como fácilmente percebemos, este conceito de marketing será especialmente eficaz ao nível dos eixos 5 e 6 deste programa.
Que melhor forma existe para divulgar o país que não seja pela própria palavra e através daqueles que todos os anos nos visitam? Portugal recebe todos os anos mais de 27 milhões de visitantes. Só de Espanha vêm mais de 20 milhões de visitantes - que de norte a sul do país conhecem a nossa história, cultura, lugares, sabores, tradições, gostos e simpatia. Veja-se a amplitude que pode tomar a promoção do nosso país através destas pessoas. Quem melhor do que eles para falar de nós, se puderem retornar ao seu país para contar os bons momentos e experiências aqui passadas? Mas para que isso aconteça têm que ser bem recebidos e tratados, servidos de forma ímpar e profissional, acompanhados nas suas necessidades, demonstrando-lhes interesse no seu bem estar, superando as suas expectativas ao nível da qualidade dos serviços prestados.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Portugal com tradição na pesca

Fiquei mais uma vez simultâneamente surpreendido e encantado pelas notícias que li sobre Portugal.

Temos a maior Zona Económica Exclusiva da UE no Atlântico, com uma área de 1.656.000 Km quadrados de mar sob a nossa jurisdição, a 4ª maior frota de pesca comunitária, que representa 11,2% do total da UE, temos o 3º lugar no nº de pescadores e empregados na industria transformadora de pescado, no contexto europeu, com cerca de 20 mil postos de trabalho. Por ano e ainda no contexto europeu, temos o 10º lugar em termos de produção, com 221 mil toneladas de peixe capturado.

Mais interessante ainda é que somos o 3º país do mundo a consumir peixe e o 1º na comunidade europeia. A Islândia é o líder com um consumo de 91 kilos/pessoa/ano, o Japão o segundo, com 65 Kilos/pessoa/ano e Portugal com 57 kilos/pessoa/ano.

No entanto como exportamos muito, das 221 mil toneladas capturadas, exportamos 117 mil, isto significa que temos que importar dois terços do que consumimos, i.e. cerca de 371 mil toneladas para satisfazer as 466 mil toneladas que consumimos.

Porém o sector tem vindo a sofrer, como muitos outros: os empregados neste sector já foram mais de 30 mil há 10 anos e só nos últimos 6 anos foram abatidas 264 embarcações (porque nos dizem que pescamos demais!). Por outro lado e apesar destes números apenas 3,6% do que produzimos (capturamos) é consumido pelos 25 de UE, muito pouco.

Outros problemas no sector são o excesso de corporativismo (mais uma vez), com demasiadas associações e organismos associativos, com os quais não é fácil (nem muitas vezes possível) falar, com muitos jogos de interesses à mistura, o que se vira contra os próprios pescadores.

Recomenda-se o combate ao excesso de corporativismo, com coragem política, com sabedoria empresarial, com esclarecimentos aos interessados (os pescadores) e com clarificação das suas vantagens e ganhos em combater esta burocracia e os lóbis instalados. O sector precisa e o país agradece. Este é um dos seus males. Vá Portugal fazer Lóbi em Bruxelas a lutar pelo sector em defesa do seu mar.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Estratégia Nacional para o Desenvolvimento Sustentável

É um dos desígnios nacionais e a estratégia com a qual os governantes portugueses se comprometeram perante os parceiros europeus (estratégia de Lisboa em 2000) e que têm que cumprir. Deve ser do conhecimento de todos os portugueses sendo obrigação da sociedade civil proceder ao seu acompanhamento, análise, crítica e eventuais correcções através de sugestões.

Como tal deve ser do conhecimento de todos os fresianos. Daqui que seja importante o seu debate, até porque incorpora um dos temas do nosso actual debate e discussão: a educação e o conhecimento.

É obrigatória a visita ao site www.desenvolvimentosustentavel.pt

Aqui ficam resumidos os seus objectivos:

1. Preparar Portugal para a “Sociedade do Conhecimento”- acelerar o desenvolvimento científico e tecnológico e melhorar as qualificações e a valorização do capital humano.

2. Crescimento sustentado,competitividade à escala global e eficiência energética – assegurar o crescimento mais rápido da economia portuguesa.

3. Melhor ambiente e valorização do património natural – modelo de desenvolvimento que integre a protecção do ambiente e a conservação dos recursos naturais.

4. Mais equidade, igualdade de oportunidades e coesão social – assegurar a satisfação de necessidades básicas como a saúde, justiça, formação, educação, cultura e segurança social.

5. Melhor conectividade internacional do país e valorização equilibrada do território – melhor planeamento com efeitos directos no território de modo a reduzir a periferia geográfica do país no contexto europeu.

6. Um papel activo de Portugal na construção europeia e na cooperação internacional - afirmação de Portugal no Mundo através de uma estratégia de sustentabilidade global e do reforço das relações internacionais do país com algumas regiões mais determinantes para o nosso futuro.

7. Uma administração pública mais eficiente e modernizada – elemento fundamental para uma governação com sentido estratégico e o caminho para uma maior eficiência do estado.

O Governo e o país estão a solicitar a colaboração da sociedade civil a participar neste debate do desenvolvimento sustentável e a dar o seu contributo. A sociedade civil não pode demitir-se desta sua responsabilidade. Por isso ao FRES é pedido que colabore e participe. Para o efeito é obrigatório intervirmos neste debate através de recomendações a prestar no site indicado.

Está no entanto aberto o debate entre nós sobre este tema, se acharmos necessário, até ao final do mês de Agosto e até 15 de Setembro, data limite para as nossas recomendações.

Saudações Fresianas

quinta-feira, julho 27, 2006

Por um país capaz e audaz

Portugal é um país negativo. Negativo no crescimento. Negativo no comércio. Negativo na atitude colectiva. Negativo na governação. Negativo nas deseconomias externas. De tão negativo, que tem transformado forças em fraquezas, amarrado a desculpas, ideologias e direitos adquiridos.
Este país é hoje a negação da História, do seu contributo para a civilização moderna, da sua incomparável História multicultural e multiracial. É a negação da grande Nação que Afonso Henriques fundou, da afirmação do Santo Condestável, do pioneirismo do Infante D. Henrique, da visão estratégica de D. João II. O país negativo de hoje é o mesmo que Eça de Queiroz descrevia nas “Farpas” ou que Camilo Castelo Branco resumiu com “A queda de um anjo”. Um país cuja decadência económica e política se acentua a partir de 1820 e que nunca soube conjugar a suposta “democratização” e o suposto “constitucionalismo” com a sua tradução em crescimento e desenvolvimento económico.
Um país que não se constrói pelas elites, pois elas não se afirmam enquanto tais. Um país em que o povo inculto não assume uma atitude proactiva. Em que as pessoas preferem ser enganadas pela febres da Expo, do Europeu ou do Mundial de Futebol do que pensar diariamente que só podem ter futuro se se empenharem quotidianamente no presente.
Ora, para termos um país positivo, é preciso mudar tudo, ou pelo menos quase. A capacidade de fazer rupturas marca a evolução dos grandes povos. Mesmo que duras, são necessárias. E marcam a mudança colectiva. Mostram às pessoas que não há fora do prazo, que não há adiamentos, que é agora, pois o futuro - a Ásia - não espera por ninguém.
Exemplos simbólicos - ou talvez não? Fazer uma nova Constituição, elegendo para isso um parlamento extraordinário; eliminar todos os direitos e privilégios que discriminam os portugueses, consoante trabalhem para um dos muitos regimes da administração pública ou para uma empresa; mudar um hino anacrónico e uma bandeira folclórica; responsabilizar tudo e todos; dar espaço aos criadores, para que livremente formem novas elites; promover a excelência dispersa pelo país, em vez de importar megalomanias e especialistas, que grandes danos têm causado às finanças.
Este esforço também depende de todos nós. No recente discurso do dia de Portugal, o Presidente da República defendeu e bem, a co-responsabilização de todos os cidadãos com a construção do país. Com a educação que os pais promovem, com a saúde. Quase glosando Kennedy e a histórica frase “não perguntem o que o vosso país pode fazer por vocês, mas o que podem vocês fazer pelo vosso país”. E em boa hora, Cavaco Silva alerta desafia os portugueses, porque o país negativo também se alimenta de quem só se queixa, de quem não reclama quando deve, de quem fica indiferente no trabalho e na cidadania.
Mas para mobilizar o povo para um país positivo, é necessário ter estratégia, governação e elites. A primeira não pode passar por definir como estratégicos os sectores do betão e auto-estradas, nem pela Ota ou TGV. A governação faz-se com decisões diárias que, promovam a concorrência, a capacidade empresarial e a liberdade económica. E as elites aparecem na proporção inversa à da mão instrumentalizadora do Estado. Porque um Estado medíocre com dirigentes risíveis não quer elites: prefere múmias, vassalos, seguidores e bajuladores. Dirigentes do Estado incompetentes e danosos querem é ter interlocutores frágeis e na sua dependência, que digam “sim” e “ámen”, que esperem pelo cheque, e que mais tarde ou mais cedo não se esqueçam de quem subsidiou. Em resumo, as elites autónomas, vivas a criativas, só despertam quando confiam no país e não como desde há muito por cá sucede, têm medo de ser notadas, copiadas e abatidas pelos tais funcionários medíocres que servem superiores interesses políticos e económicos.
Este Estado negativo leva a que cérebros, criadores, empresários e inovadores, saiam de Portugal à procura de mercado ou simplesmente de espaço. Porque não acedem aos privilégios de derrogações ministeriais reservadas à elite de serviço, não fazem parte de grupos que vivem à custa dos favores políticos, não se resumem à mediocridade de empregar os “servidores públicos”, antes ou depois, consoante seja conveniente.
É este Estado negativo que tem que ser erradicado. Alguém pensa que seria possível Aljubarrota, a conquista de Ceuta, a descoberta do caminho marítimo para a Índia, o achamento e colonização desse colosso que é o Brasil, caso não tivéssemos uma estratégia, uma governação e elites, coesas e competentes, não unidas pela baixa política e pela mediocridade dos golpes baixos e do tráfico orçamental, mas pelo compromisso, pelo risco, pela aventura, pela parceria público-privada?
Na magnífica odisseia dos Descobrimentos, convém lembrar que Portugal inventou a economia-mundo ao ligar sem intermediários Europa, Ásia, África e América. Não foi o Estado que criou essa economia-mundo! É que a descoberta era feita por concessão pelo Estado do direito de exploração a privados das terras que descobrissem. Concessão por décadas e onde os privados punham o dinheiro e o risco, enquanto o Estado ganhava expansão, impostos. Era assim que na altura – não como hoje – se faziam as parcerias público-privadas: dando o Estado espaço e transferindo risco para os privados. Num País de edifícios sem utilização, de SCUTs sem risco para o promotor, da inimputabilidade e de irresponsabilidade dos “boys”, pode isto existir?
Para termos um país positivo, um dirigente público que minta, que seja incompetente, que não sirva o país tem que ser exemplarmente demitido. Mesmo que seja amigo de alguém, temos que distinguir amizades de competências. E não apenas exigir atitude a todos os cidadãos, mas dar o exemplo. O que significa não permitir que, em nome de instituições públicas, se cometam absurdos e abusos por quem as comanda. Só porque se é amigo de alguém que os tutela. Só eliminando-os do Estado, deixaremos espaço para que outros, capazes e audazes, permitam aos portugueses construírem um país positivo.



Joaquim Rocha da Cunha

quarta-feira, julho 26, 2006

Nada é Simplex nas empresas públicas e privadas - por Jorge Castro

"Lamentavelmente, estou em crer que para este «mal» não há, em Portugal, empresas públicas ou privadas.Trata-se de uma questão cultural, se quisermos, que define uma atitude.Numa empresa pública, como numa privada, atribui-se um computador topo de gama a um director, por exemplo, não porque seja necessário ou, sequer, porque esse director domine as técnicas, mas sim porque é um director, logo, «merece» mais do que os seus subordinados.É esta «lógica» que subverte as relações laborais, nas perspectivas de competências e de eficácias, torcendo-as para o espúrio lado do status... que não levam as empresas a lado nenhum que não seja o da falência.A diferença, aqui, entre público e privado, é apenas esta: no privado, a fonte seca e a empresa fecha, depois de atribuídos os Ferraris aos respectivos donos; nas empresas públicas, a fonte não seca, não se atribuem Ferraris, mas os Mercedes e os Jaguares e os BMW têm a sua quota de venda permanentemente assegurada.E, assim, Portugal terá a melhor frota automóvel da Europa em circulação nas piores estradas da Europa.Como se vê, nem tudo é mau!Concluindo raciocínios, já de si intermináveis:- As estradas serão, em média, as piores da Europa, mas a gasolina é das mais caras... e as portagens, também... e a electricidade, também... e o gás também... e a água também... e a saúde também... e a internet também... e valerá a pena continuar?...Apenas porque uma escassa minoria de umas centenas de milhar (que parecem muitos, mas não são!) se permite estabelecer padrões de vida, sem rei nem roque, dos quais são os únicos beneficiários, numa lógica autista que determina, afinal, as vivências de muitos milhões.Não é assim? Bem, por estas razões, a que se aliam convenientes e cúmplices fechar-de-olhos a elementares regras de concorrência e, até, de legalidade democrática, é que um IKEA - privadíssimo - quando aparece em Portugal apresenta os preços mais elevados de toda a sua cadeia europeia, num país com a média de salários (per capita) mais baixa da Europa.Estratégia estúpida? Claro que não. Em Roma, sê romano. À falta de controlo generalizado, é um fartar vilanagem. E a malta lá vai pagando.Nos intervalos, vai quase tudo aos jogos de futebol e compra os jornais «desportivos» para se manter informado acerca da arte de se tornar num imbecil sem dor, mas com muita anestesia.

Este Texto é da autoria de Jorge Castro e foi publicado por Paulo Moura no Blog Persuacção em:


http://persuaccao.blogspot.com/2006/05/nada-simplex-nas-empresas-pblicas-e.html

segunda-feira, julho 10, 2006

O Pessimismo Português

Segundo o último Eurobarómetro realizado entre Março e Abril últimos, os portugueses sentem-se muito pouco realizados com a vida que levam e a larga maioria não acredita que a sua situação financeira vai melhorar nos próximos 12 meses.
Segundo este estudo, 44% dos portugueses está insatisfeito com a vida que leva. Só os húngaros estão mais insatisfeitos, com 46%. Já os nórdicos vivem a felicidade plena, a acreditar nas sondagens que revelam: 97% dos dinamarqueses e 94% dos finlandeses, estão satisfeitos e avaliam positivamente a vida que levam. Também 94% dos suecos, 92% dos luxemburgueses e belgas e 90% dos irlandeses, avaliam também positivamente a vida. Como tal é possível? Não têm o nosso sol! Nem o nosso clima, as nossas praias, a nossa gastronomia ou o nosso mar! Têm nevoeiro, humidade, chuva e frio. O suficiente para nos deixar a todos, portugueses, deprimidos. Mas eles não. Se nos compararmos com os espanhóis, esses sim, nossos verdadeiros e mais directos competidores, 88% dos espanholitos estão satisfeitos e optimistas com a vida.Já percebemos que o problema aqui não é apenas de contexto climático, geográfico ou gastronómico. É de carácter económico e psico-sociológico. Aumentemos o ordenado em 20% a todos os portugueses! E o pessimismo? Desaparecerá? Nós gostamos de viver com o fado e para o fado, de falar do nosso destino e de chorar nos funerais dos vizinhos. Falta-nos a atitude positiva, o optimismo, a energia positiva, a vontade de ser vencedor e de acreditar nas nossas forças, combatendo as fraquezas. Deve o país (as famílias e os outros grupos sociais) combater este negativismo. Acreditar que é possível, contribuir para crescer melhor, aprender melhor, ser melhor, conhecer e saber mais e melhor. Isto devemo-lo, todos, aos nossos filhos. Ensinar-lhes de pequenos a serem positivos, enérgicos, optimistas. Ensinar-lhes a combater, enfim, as estatísticas negativas. Ensinar-lhes a serem bons estudantes porque um dia valerá a pena. Fazer-lhes acreditar em Portugal e nas cores da nossa bandeira. Sim, como no futebol. Como iremos crescer mais e melhor, ser mais competitivos, mais profissionais, mais enérgicos e dedicados, se nos falta a atitude? A motivação? Se não acreditamos em nós mesmos? É verdadeiramente impressionante analisar que apenas 0,3% dos dinamarqueses, 0,5% dos holandeses, 0,6% dos suecos e dos finlandeses ou 0,8% dos belgas estão insatisfeitos com a vida que levam nos seus países. Nós, portugueses, sem termos feito absolutamente nada para com eles competir, partimos logo desde o início, com uma distância abismal desfavorável… em motivação e certamente em atitude.

sexta-feira, julho 07, 2006

5º Encontro FRES

Estimados FRESianos e caros visitantes

Informamos que se realiza hoje às 19 horas no Hotel Embaixador, 10º andar, em Lisboa, o 5º encontro geral do FRES. De entre outros assuntos da agenda, serão discutidos e votados os Estatutos do Fórum.

Saudações FRESianas

quarta-feira, junho 28, 2006

General Motors

Mais uma vez o problema da fuga do capital e do investimento estrangeiro. A distância do país face ao centro da europa e a relativa marginalidade geográfica, leva a maiores custos de produção em virtude do transporte de peças e acessórios (e ausência de fornecedores locais). Má gestão, dizem uns, falta de pensamento estratégico, dizem outros, uma vez que a GM se esqueceu da importância da criação de um cluster como se verificou no caso da Auto Europa. Cerca de 90% dos fornecedores da GM em Portugal estão em Espanha e na Alemanha. O objectivo é concentrar a produção no centro da europa, com custos inferiores. Como combater este cenário? Com melhor serviço, boa gestão, mais rapidez, mais profissionalismo, maior competência e maior ritmo de produção. São também necessários incentivos governamentais é certo. Porém, sendo tudo isto verdade, a maior parte destes pressupostos já se verificavam. O problema é mais complexo. De facto é necessário muito mais do que isto. E o que falta teria em parte que partir do investidor porque ao criar um cluster, uma boa parte destes custos seriam abatidos. E isto teria que ter sido observado há muitos anos, aquando do investimento inicial. Neste caso Porugal esteve (e está bem) porque luta pela manutenção deste investimento. Aqui a má gestão veio de fora.

terça-feira, junho 27, 2006

Os nossos Estatutos

Caros Visitantes

O FRES informa que está em preparação e discussão o Projecto de Estatutos do Fórum, pelo que, dentro em breve, poderão proceder à consulta dos mesmos neste mesmo Blog.

Saudações Fresianas

domingo, junho 11, 2006

ENERGIA: FONTES ALTERNATIVAS

A propósito do recente debate sobre as fontes de energia alternativas e renováveis, ocorrido no seio do FRES, junto alguns exemplos e características de energias alternativas que, a serem utilizadas de forma complementar, reduzirão a forte dependência que Portugal tem do petróleo.

Eólica – temos serras e costas marítimas que reúnem condições para tornar economicamente viáveis investimentos neste tipo de energia. O potencial de crescimento é significativo dado que, dos 2.900 MW de potência atribuída para exploração, apenas estão a funcionar 350 MW, quando o objectivo para 2010 é ter 3.750 MW de potência instalada. A causa desta atraso tem sido, segundo a Associação Portuguesa de Energias Renováveis ( APREN), a burocracia ao nível do licenciamento dos parques eólicos, o qual demora de três a sete anos ( em Espanha vai de dois a três anos).

Ondas – segundo especialistas nacionais, o país tem nesta fonte de energia não poluente, um potencial que permitiria satisfazer 25% das actuais necessidades domésticas. Os 500 km de costa continental permitem instalar, segundo aqueles, uma potência entre os 6 gigawatts (GW) e os 9 GW, com custos que poderiam ser suportados gradualmente a médio/longo prazo. Aliás, a primeira central eléctrica a nível mundial de dimensão industrial ( 400 KW) que explora este tipo de energia foi construída em 1993 na ilha do Pico –Açores.

Solar – é uma fonte energética disponível dadas as características climatéricas do país, que se tem tornado cada vez mais acessível dados os avanços tecnológicos na sua obtenção. É contudo ainda cara, devido ao preços dos painéis solares face ao rendimento estimado da sua produção, devendo a sua utilização ser vista como complemento a outras fontes energéticas.

Biomassa – tratando-se de um combustível proveniente dos resíduos florestais, pois é composto por subprodutos como o desperdício da madeira ou o metano dos estrumes, a sua utilização poderá contribuir para a limpeza da floresta e reduzir a intensidade de incêndios que assolam anualmente o país.

Biocombustíveis – podendo ser aplicável ao nível agrícola e industrial, o biodiesel provém de um composto de óleos alimentares que pode ser utilizado em motores a diesel, sendo produzido através de plantas ricas em óleo e de baixo preço, como a colza, palmeira e soja. Esta seria uma forma de rentabilizar a utilização dos terrenos agrícolas disponíveis. O Governo tem como meta conseguir que 10% do consumo de combustíveis pelos transportes públicos, seja deste tipo de energia, pretendendo ainda estimular a produção nacional quer agrícola quer industrial.

Nuclear – polémica quanto baste, os defensores desta fonte energética apresentam-na como uma fonte de energia barata e pouco poluente pois não recorre à combustão fóssil e por isso tem baixas emissões de dióxido de carbono, com grande potencial de produção em larga escala. A sua utilização permitirá, segundo aqueles, a redução do maior problema ambiental do planeta: o aquecimento global causado pelas emissões crescentes de dióxido de carbono. Alguns especialistas defendem no entanto que esta não é solução para o actual problema energético nacional uma vez que serve apenas para a produção de electricidade e não para a produção de calor ( na industria) nem para a utilização nos transportes, pelo menos nos anos mais próximos.
Em conclusão, nenhuma das fontes energéticas renováveis irá suprir, por si só, as necessidades totais do país. O que importa é prosseguir uma estratégia de integração daquelas, de forma complementar e optimizada, na rede eléctrica nacional.

sábado, maio 27, 2006

Escolaridade versus Produtividade

Tendo em referência os estudos e pesquisas em curso relativamente ainda ao tema educação, acrescento mais alguns dados que podem ajudar a provar a correlação entre educação, escolaridade e formação, e a produtividade.

Conclusões de estudos recentes afirmam que cerca de 75% dos portugueses não têm a formação necessária para participar nas tarefas de modernização do país. A OCDE revela que Portugal tem das taxas de escolaridade mais baixas da Europa a 25, sendo ultrapassado por quase todos os países do alargamento, Temos pois que qualificar cerca de 5 milhões de adultos para podermos ultrapassar o fosso que nos separa dos países mais desenvolvidos – Finlândia, Dinamarca e Holanda. Apenas 12% da população activa possui o ensino superior e dois terços dos trabalhadores não chegam sequer ao ensino secundário. Mais de metade dos alunos não concluiu a escolaridade obrigatória. Três em cada dez trabalhadores portugueses têm apenas o 1º ciclo do ensino básico, antiga escola primária. 6% da população não sabe ler nem escrever. Apenas 20% dos portugueses concluem a escolaridade obrigatória.

Há um outro factor extremamente relevante que reforça a importância da formação e qualificação na produtividade: Segundo um inquérito recente ao impacto das acções de formação profissional nas empresas, coordenado pela Direcção Geral de Estudos Estatísticos e Planeamento, quatro em cada cinco empresas que deram formação profissional aos seus funcionários, registaram uma melhoria da produtividade. Em todas elas se registou um aumento da capacidade produtiva, uma elevação da produtividade e da qualidade dos bens e serviços oferecidos, uma melhoria da competitividade, maior satisfação dos clientes e um aumento das exportações.

É, de todas as maneiras, inquestionável, que uma boa parte dos problemas do país reside na educação e formação. A correlação? Com este nível de escolaridade temos associada uma das mais baixas produtividades da União Europeia.

Recomendação entre muitas possíveis: Aproveitar as boas escolas de ensino técnico profissional existentes no país e estabelecer protocolos empresa-escola, de modo a elevar os conhecimentos técnicos dos trabalhadores das empresas. Os empresários e as empresas deverão fomentar, promover e por em prática cursos de formação profissional para os seus colaboradores em articulação com estas escolas – ensino nocturno pós-laboral- cursos trimestrais, semestrais ou anuais ou programas mais longos de 3 anos, de modo desenvolver competências nos trabalhadores das empresas e de igual forma nos próprios empresários. A palavra de ordem deverá ser: levar as pessoas à escola, reciclar, melhorar conhecimentos.

quarta-feira, maio 24, 2006



Ontem começámos mal a nossa campanha dos sub 21, e a reacção? Ainda o jogo não tinha acabado e já se ouviam assobios e apupos por parte do público em vez de manifestações de incentivo e apoio numa altura em que a equipa mais precisava, mas, infelizmente, esta é uma reacção típica do nosso povo.
A OCDE reviu ontem em baixa o crescimento económico para Portugal, e o que fazemos nós? Começamos a discutir se o valor correcto é 0,7 ou 1,1 %. O valor em si é irrelevante, facto é que continuamos a divergir da média da OCDE aumentando a clivagem e o diferencial que nos separam dos países de melhor performance.
Existem várias razões para a perca de performance da nossa economia, uma, é a nossa falta de capacidade de corrermos riscos e tomar a iniciativa.
Ter medo de correr riscos é um sentimento perfeitamente natural. Mas, a verdade é que não existe maior risco para a economia de um país do que a inércia dos seus gestores. Deixar o tempo passar e ficar à espera do momento “certo” para começar a actuar é veneno para o futuro estratégico de uma organização, e por consequência, o maior risco que se pode correr.
Por vezes tomamos a ausência de risco como um ideal, de acordo com o qual o risco é inerentemente perigoso e, o perigo, diz-nos o nosso bom senso deve ser evitado.
Neste caso, todavia, a questão fundamental não é a de eliminar o risco mas sim gerir da melhor forma o risco “ calculado” de uma forma inteligente, inovadora e criativa.
Como empreendedor, o pressuposto fundamental é desenvolver uma pré-disposição para correr riscos. Todavia, arriscar é enfrentar desafios conscientemente porque disso depende o seu sucesso.
È importante aprender a conviver e sobreviver com uma certa “instabilidade” emocional. Os riscos fazem parte de qualquer actividade, é necessário aprender a lidar com o fracasso e não a encará-lo como uma derrota mas sim como uma oportunidade de aprendizagem. Trata-se de aprender com os nossos erros.
Os gestores/colaboradores das nossas empresas deveriam aprender a preocupar-se menos com a Sua imagem e mais com aquilo que pretendem vir a atingir ou seja com a Sua visão do negócio. Para ter A coragem de correr riscos é necessário praticar o acto de correr esses riscos, e arriscar naquilo e nas acções em que acreditamos, e perguntar a nós próprios de uma forma sincera aquilo que no fundo receamos perder.
“Agir em vez de reagir”
Para mudarmos algo temos de acreditar em nós próprios, desenvolver as nossas capacidades, tomarmos a iniciativa. Se queremos mudar o nosso país começemos por mudar a nossa atitude e isso aplica-se ao nosso trabalho diário, ao futebol a outras manifestações desportivas e sociais e, também……… ao FRES.

sexta-feira, maio 19, 2006

EDUCAÇÃO E CONHECIMENTO


A propósito do nosso actual tema de reflexão e investigação: a Educação e o Conhecimento, quero adicionar algumas reflexões pessoais como contributo.
Muito se tem falado da educação em Portugal como factor de produtividade, competitividade e desenvolvimento. Acredito sinceramente que sem educação e conhecimento dificilmente uma empresa, organização ou o próprio país, se tornarão competitivos e desenvolvidos. Contudo creio que não bastam apenas bons níveis de educação, formação ou escolaridade. Parte da produtividade resulta de um certo tipo e qualidade das lideranças existentes, dos níveis de motivação das pessoas, da qualidade das próprias organizações no que diz respeito à sua capacidade de estabelecer adequados métodos de trabalho e, acima de tudo, da atitude das pessoas (sendo certo que desta atitude depende obviamente a sua educação e formação).
Em Portugal o problema da educação e do seu impacto no desenvolvimento e crescimento do país, depende de factores mais complexos do que estes, que designaria de carácter mais estrutural. Em primeiro lugar trata-se de um problema cultural. Como afirma Pedro Carneiro, economista, no seu paper “Equality of opportunity and educational achievement in Portugal” já anteriormente dissecado e apresentado ao FRES pela Cecília Santos - a politica educativa terá que ser criativa e inovadora e envolver sempre a escola e a família. É necessário intervir na criança e na família desfavorecida muito antes desta criança chegar à escola, já que existe uma forte associação entre a educação dos pais e aquela que os seus filhos irão ter. Conclui-se também que a desigualdade quanto ao sucesso escolar é, em parte, explicada pelo sucesso educativo vivido pela família – é esclarecedor deste problema cultural.
Como tem sido defendido por muitos que se preocupam com o problema da educação, acredito igualmente que a melhoria do ensino em Portugal só evoluirá quando os programas escolares (incluindo aqui os universitários) forem mais ousados, menos arcaicos, mais virados para as novas tecnologias nos mais diversos campos (informática, design, ambiente, robótica, energias renováveis, medicina, saúde, marketing, marcas, turismo, gestão empresarial). A prova disto são as estatísticas actuais sobre o ensino em Portugal: temos apenas 11% de licenciados, quando a média da OCDE está acima dos 22%; temos apenas 21% da população com o ensino secundário quando a Espanha tem mais de 60%; apenas 35% da população entre os 25 e os 35 anos tem este nível de escolaridade; etc. Isto apesar de Portugal apresentar um gasto na educação (em percentagem do seu PIB) superior à media dos países da OCDE, um gasto médio por aluno acima da média destes mesmos países e do rácio do número de alunos por professor estar abaixo da média dos mesmos países.
Por fim torna-se indispensável que os pais possam escolher as escolas que querem para os seus filhos (tal qual o modelo Britânico apresentado recentemente por Tony Blair) devendo aquelas desenvolver a sua actividade num quadro competitivo, i.e, em primeiro lugar, terem autonomia de gestão, segundo um plano orçamental previamente estabelecido; depois, lutar pelos seus clientes - os alunos - sendo que se torna indispensável estabelecer um ranking nacional de escolas, no qual esteja reflectida a avaliação destas segundo vários critérios de avaliação, entre os quais, no caso particular das universidades, baseado no número de licenciados do último ano que foram integrados no mercado de trabalho nos primeiros 6 a 12 meses após a licenciatura.

sexta-feira, maio 12, 2006

Artigo publicado por membro do FRES

Foi publicado o artigo do "nosso" Ricardo Pedrosa no Jornal de Negócios sobre a criação de um Banco Multilateral de Desenvolvimento - pag 54, de hoje, sexta -feira, 12 de Maio

segunda-feira, maio 08, 2006

Outrora fomos uma potência mundial, um país que tomou a iniciativa e o rumo do seu destino nas Suas mãos.
Temos um legado e uma tradição de empreendedores a preservar. No passado descobrimos o mundo contra todas as adversidades.
Hoje, em Portugal, estamos sempre à espera de que venha alguém superior (chefe, politico) com as directrizes ou um plano de actuação que tenhamos de seguir.
Não se toma a iniciativa, o espírito empreendedor e a tomada de riscos não são incentivados nas universidades, escolas e em grande parte das empresas. Tem tudo a ver, na minha opinião, com a qualidade de líderes que estamos a formar na nossa sociedade.
Um verdadeiro líder pode não ter a autoridade formal para recompensar ou punir boas/ más prestações, mas as pessoas que o rodeiam reconhecem nele uma verdadeira autoridade ao satisfazer os seus pedidos, ou seja se devidamente motivados os colaboradores tomam a iniciativa sem que seja necessário andar a puxar pelos “ galões”.
Nas organizações inovadoras e modernas as pessoas que são o motor do desenvolvimento das empresas assumem a autoridade apenas e só através do sucesso alcançado em anteriores iniciativas.
A questão vital nesta nova teoria de gestão é a de que os colaboradores seguem um líder porque é essa a sua livre vontade e não porque o têm de fazer.
È essa a motivação que os faz ir para além do trabalho necessário e esperado ou seja o de ir sempre um pouco mais além daquilo que lhes é “ exigido”e que acaba por fazer a diferença com entusiasmo, motivação e paixão.
O Marechal da Prússia Helmuth von Moltke (1800 - 1891) estabeleceu a elaboração de directrizes aos seus oficiais em vez de ordens.
Moltke pretendeu desenvolver o empreendedorismo nas suas fileiras ao motivar os oficiais prussianos a tomas decisões por iniciativa própria.
Os grandes empreendedores criam uma cultura empresarial na qual a sua visão e valores são vividos por colaboradores que pensam de uma forma independente.
Hans Hinterhuber e Wolfgang Popp elaboraram para a HBR um artigo em que , partindo da análise de Moltke sugeriram que os empreendedores e gestores á semelhança de atletas de alta competição ( ex. de Michael Schumacher ou Tiger Woods ) para se tornarem campeões necessitam de muito treino e trabalho continuo com a finalidade de desenvolverem competências pessoais a fim de melhorem as Suas aptidões naturais. Hinterhuber e Popp criaram um questionário que pode ajudar um gestor a medir a Sua competência de liderança e gestão estratégica.
Aqui estão descriminadas as questões que servirão de base para uma análise introspectiva de cada um de nós. 1. Tem uma visão empreendedora sobre o futuro da Sua empresa/departamento? 2. Está consciente da filosofia da empresa e do papel que desempenha nela ? 3. Sente que os seus produtos, serviços ou marca oferecem ao seu cliente um claro beneficio e à sua empresa uma vantagem competitiva sobre os seus concorrentes?
4. As pessoas que dependem de si hierarquicamente agem de uma forma independente e de acordo com os objectivos da empresa sem uma dose exagerada de “supervisão” da Sua parte?
5. O seu departamento/empresa reflecte a Sua própria visão? 6. Envolve os Seus subordinados no planeamento estratégico?
7. Os valores corporativos da sua empresa/departamento estão alinhados com esse planeamento estratégico? 8. Observa atentamente os seus concorrentes de mercado e tenta aprender algo de novo com eles? 9. É da opinião de que o seu sucesso se deve ao seu trabalho árduo e não à sorte? 10. Está a tentar deixar o mundo num local melhor do que aquele que é no presente?

terça-feira, maio 02, 2006

Produtividade e Eficiência Empresarial

Ao reflectir sobre as questões relacionadas com a produtividade e eficiência empresarial, tenho sempre defendido a ideia de que, o que falta às empresas portuguesas, é o desenvolvimento de práticas de gestão numa óptica de marketing.

Significa isto que as empresas nacionais devem estar aptas a saber diagnosticar a situação macro e micro envolvente, identificar mercados alvo, segmentos de clientes e necessidades por satisfazer, planear, estabelecer objectivos, implementar estratégias ao nível do marketing mix, controlar resultados e analisar os desvios face aos objectivos. É aliás, ao nível da gestão estratégica e da capacidade de planear a médio e longo prazos, que encontramos algumas das principais debilidades das empresas e empresários nacionais. Isto porque os gestores e empresários portugueses têm revelado dificuldades em estabelecer objectivos claros, precisos, quantificáveis e realistas e definir as etapas para os atingir. Estas dificuldades resultam em parte da incapacidade, ou aversão, de quem é responsável pela gestão, em redigir planos de trabalho, quer sejam respeitantes a actividades de cariz estratégico, comercial, financeiro ou operacional.

Um plano de marketing bem escrito e adequadamente fundamentado, seja ele de carácter estratégico ou operacional, sustentado em análises e considerações quantitativas e qualitativas estabelecidas segundo um método racional, constitui um instrumento de trabalho precioso, que obriga pelo menos a quem o escreve e a quem o lê, a reflectir sobre questões como: Onde se encontra a organização? Quais as características do seu meio envolvente? Para onde se pretende que esta caminhe?
Parecendo simples, este documento obriga a desenvolver um trabalho de pesquisa, investigação, estudo, análise e observação do mercado, dos clientes e dos concorrentes, o que por um lado, enriquece quem o executa, e que por outro irá beneficiar a organização se adequadamente utilizado.

No entanto surgem com frequência anticorpos à sua criação pelo facto de grande parte dos gestores e empresários nacionais terem aversão, expressando mesmo alguma incapacidade, em passar a escrito as suas ideias e projectos, por outras palavras, redigir um plano. Não nos devemos esquecer que “ palavras leva-as o vento”.
Por outro lado e quando existem, é também difícil por vezes pôr em prática estes planos, dado que, não raramente, estes ficam na gaveta pelo simples facto de que não lhes é atribuída a devida importância o que revela por si só uma forma de ignorância, pois não nos esqueçamos que planear significa trabalhar melhor, permitindo-nos ser mais produtivos e eficientes, e isto, aplica-se tanto no plano organizacional como no plano individual.

Outras questões que afectam a produtividade e eficiência empresarial são aquelas relacionadas com os comportamentos e atitudes das pessoas dentro da organização. Assistimos muitas vezes por parte de alguns colaboradores, à adopção de atitudes que constituem verdadeiros obstáculos ao crescimento interno de uma filosofia e cultura empresarial que possa revestir-se de um espírito de vitória e de positivismo. Emana com frequência destas pessoas um espirito crítico destrutivo acerca de tudo o que as rodeia, resultando não raramente desta atitude, um comportamento de afrontamento contra as ideias de quem se apresenta num outro plano ao nível criativo e motivacional. É também destas pessoas que surgem as maiores dificuldades ao nível comunicacional, as quais se mostram muitas vezes indisponíveis e avessas a dar respostas rápidas, claras, precisas e concisas às questões que lhes são colocadas.

Sabemos também que a produtividade é afectada por hábitos errados de trabalho que teimam em persistir e que são apanágio de uma boa fatia do empresariado nacional, e que se consubstanciam por exemplo em múltiplas reuniões improdutivas, em conversas telefónicas longas e inconsequentes ou em longos almoços sem resultados práticos. Estou em crer que parte da resolução destes problemas passará pela adopção pelas pessoas de novos ritmos e de novas metodologias de trabalho.

Termino esta reflexão sublinhando ainda que uma forte cultura empresarial é, em meu entender, um requisito essencial para uma boa produtividade. Toda a organização deve estar dotada de uma cultura empresarial forte, o que significa que os seus colaboradores partilham de certos princípios, valores, atitudes e comportamentos em relação ao trabalho, desenvolvendo estes numa direcção comum em prol da organização em geral e de cada um deles em particular. E isto significa que a energia de todos é orientada para os mesmos objectivos, significa ainda partilhar experiências e transmitir conhecimentos e a filosofia interna aos novos que ainda não estão aculturados, de modo a contribuir para o aumento da sua motivação, com o objectivo de que estes se sintam como um elemento importante e decisivo para o projecto.

Para estarem à altura dos novos desafios, actuais e futuros, num mundo onde a inovação é contínua, as empresas portuguesas estão obrigadas a atender à importância da cultura empresarial nos termos em que a defini.


Mário de Jesus


sexta-feira, abril 21, 2006

Inteligência vs competências

O conceito de Inteligência Emocional (IE) parte de um conjunto de competências que, em conjunto, definem o que é entendido como relevante para o sucesso individual e organizacional. O conceito não foi inovador, mas Daniel Goleman terá sido responsável pela redefinição, com repercussões mais alargadas na sociedade (principalmente no meio empresarial) da "inteligência" como fonte de sucesso. Assim, a inteligência lógico-matemática perde preponderância para competências como a autopercepção, a percepção social, a auto gestão e a gestão de relações.

Uma competência é uma característica de um indivíduo que está causalmente relacionada com uma performance superior ou efectiva, criteriosamente orientada para uma tarefa ou situação (Spencer & Spencer, Competence at Work).

A Inteligência Emocional aparece, mais tarde que cedo, como uma nova forma de "embalar" um conceito que se define pelos objectivos a atingir. aparece quase como uma emancipação de um conjunto de outras competências que eram consideradas de natureza inferior face ao "status" de um conjunto limitado de competências "superiores" às quais me parece forçado atribuir a exclusividade da racionalidade.

Pessoalmente, parece-me mais útil falarmos de competências (empatia, autopercepção, socialização, de auto-motivação, liderança ...) e de sucesso, seja em que objectivos for. O conjunto de competências que Goleman resolveu "empacotar" na conceito de IE resulta da preponderância de objectivos organizacionais, numa perspectiva de gestão.

Mais útil que empacotar competências parece-me que cada um de nós estabeleça o que para si é sucesso, i.e., o que pretende atingir. O passo seguinte será a detecção das competências necessárias à prossecução desses objectivos como foco de um processo de desenvolvimento pessoal. A boa notícia é que se podem identificar para cima de 70 competências para as quais existem técnicas de desenvolvimento, que podem ser aprendidas e desenvolvidas. A má notícia é que não existe nenhuma "escola" para particulares que resolvam entrar num processo de desenvolvimento pessoal. Existem apenas consultoras ou consultores que se dedicam mais ao mercado empresarial, focados nas necessidades das organizações, e que normalmente se fazem pagar a peso em ouro!

Resta-nos a vasta bibliografia dedicada ao tema e a proficiência no conjunto de competências que compõem a capacidade de autodidactismo. A outra má notícia é que existe uma grande distância entre aprendizagem tácita e explícita de competências. Se um conceito matemático pode ser apreendido mais facilmente por meios explícitos, estes revelam-se claramente insuficientes para o desenvolvimento de competências. Se um curso de liderança baseado em aulas e testes pode ajudar a compreender conceitos de liderança, dificilmente ajudaria alguém a tornar-se melhor líder. O desenvolvimento de competências torna-se possível como resultado de um processo orientado de tentativa e erro, como forma de treino de reacções conscientes e inconscientes. Um desenvolvimento de competências eficaz requer treino, treinador, mentor, ambiente, um local e de uma maneira geral muito mais que a existência de bibliografia sobre o assunto!

Se as organizacões têm merecido a oferta de serviços orientados para o desenvolvimento dos seus recursos humanos, de um conjunto crescente de profissionais e empresas, desde os primórdios da Gestão, os individuais particulares ainda carecem da atenção de uma oferta profissional adequada. Por outro lado, vale a pena analisar a relação entre competências e desenvolvimento económico ao nível das nações, senão na forma de relações de causalidade, pelo menos no estabelecimento de correlações, como fonte motivadora de propostas de abordagem e de teorias de desenvolvimento do recurso mais valioso de qualquer região - as pessoas.


João Mateus

sexta-feira, abril 07, 2006

O ensino técnico-profissional

Em minha opinião o ensino em Portugal vive uma situação de alguma ambivalência, se quisermos focalizar esta análise no âmbito do ensino de nível médio (considerando nesta classificação uma formação de cariz mais técnico-profissional) e do ensino de nível superior universitário.
Ao efectuarmos uma leitura mais atenta à realidade actual do ensino superior universitário, chegamos de forma imediata a quatro principais conclusões : o número de candidatos ao ensino superior diminuiu 10% em 2004 face ao ano anterior; há excesso de universidades para o universo de estudante actuais e potenciais do país, opinião que é partilhada entre os peritos da educação; há uma proliferação excessiva de cursos superiores sem qualquer aderência à realidade da procura e do mercado de trabalho; e por fim, cresce o nível de desemprego entre os detentores de um curso superior. Para melhor ilustrar esta última conclusão, basta referir que, segundo dados recentes do IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional) o desemprego entre licenciados cresceu 51.5% em 2004 face a 2003.

Creio não ser polémica a afirmação de que o actual ensino em Portugal (público ou privado quer seja de nível médio ou superior) é demasiado generalista, de débil relação com as necessidades do tecido empresarial e pouco adequado à realidade económica e social do país. É, nalguns casos, elitista, porque valoriza a formação superior teórica, abstracta e por vezes pouco consistente, face a uma formação de âmbito técnico-profissional de cariz mais prático, que é vista como o parente pobre do ensino. Este elitismo pouco contribui para o desenvolvimento económico e social do país em termos genéricos, sendo muitas vezes difícil aproveitar as suas valências em proveito da indústria e das empresas.

O ensino superior em Portugal, tendo em atenção o vasto leque de cursos disponíveis ( que vão desde as ciências puras às humanidades passando pelas novas tecnologias) está, nalguns casos, divorciado do sector económico e do mundo empresarial. Por um lado, porque o conteúdo programático de uma grande diversidade de cursos universitários pouco tem a ver com as necessidades das empresas, por outro lado, porque também não existem os interfaces adequados para colocar a formação obtida ao serviço e em proveito da indústria (e dentro desta ao nível da investigação e desenvolvimento). Por outras palavras, falta, no decorrer da progressão universitária, efectuar a ligação entre a universidade e a empresa.

Temos por isso em Portugal um ensino pouco ousado e inovador, na preparação dos alunos para uma carreira profissional de grande exigência competitiva, não apenas interna mas internacional. Privilegia-se antes uma formação quase exclusivamente teórica e académica – com grande importância dada aos títulos académicos – em prejuízo de uma sólida formação técnico-profissional. Por isso, Portugal revela carências significativas ao nível da formação média, de cariz mais profissional e experiêncial, em complemento ao ensino universitário actual. Para colmatar esta falha é essencial o desenvolvimento de uma formação de nível técnico-profissional vigorosa e inovadora, que privilegie a obtenção de um grau de especialização técnico-prática, focalizada no objectivo de preparar os jovens estudantes para a aprendizagem de uma profissão. É de pessoas com este tipo de formação que uma larga percentagem de empresas procuram, porque delas necessitam. Serão também estes profissionais de elevada aptidão técnica potencial, que ajudarão a colmatar as debilidades e a falta de competência profissional vigente no seio das empresas nacionais.

Estas são algumas das razões porque importa desenvolver com urgência em Portugal um ensino de grau médio, de vocação técnico-profissional, de cariz prático e experiêncial, como já referido, tendo como finalidade conduzir os alunos ao princípio fundamental do “ saber fazer”.

Seja qual for o ramo da industria nacional ou sector de actividade, existem carências de recursos humanos com estas valências, sendo um facto que existem dificuldades em encontrar profissionais competentes e disponíveis em profissões como electricistas, carpinteiros, pedreiros, canalizadores, ladrilhadores, frezadores, pintores ou torneiros, para dar apenas alguns exemplos. Falta ainda mão-de-obra especializada (com formação em mecânica) para operar nas indústrias utilizadoras de maquinaria mais complexa. Esta escassez de especialistas, contribui, numa boa quota parte, para os problemas de falta de competitividade e eficiência empresarial.

É aqui que se perfila também, a importância dos cursos secundários de cariz tecnológico ( antigos cursos comerciais e industriais já quase extintos) sendo desejável a sua recuperação (apoio e promoção às cerca de 200 escolas ainda existentes) pela adopção de um modelo de ensino secundário que poderá funcionar nos seguintes moldes: a formação secundária no âmbito da escolaridade obrigatória, processar-se-á em tronco comum até ao 9º ano de escolaridade. A partir deste patamar e pelos restantes 3 anos vingará a opção do aluno, podendo esta evoluir por duas vias distintas. Uma de formação mais teórica e generalista, cujo seguimento objectiva o ensino superior universitário. Uma outra via de formação com cariz técnico-profissional, geradora de profissionais bem preparados e melhor qualificados para o emprego com forte componente tecnológica e prática, introduzindo o ensino da informática como ferramenta base. Na primeira via, o aluno terá como destino a universidade, a segunda via, poderá estar concluída no final do secundário, podendo ter o seu seguimento ao nível de um grau de ensino médio, que consolidará os conhecimentos adquiridos ao nível secundário.

Quanto ao papel essencial das escolas neste modelo de ensino, o seu contributo deverá ser analisado tendo como base um modelo de avaliação das mesmas. Sendo estas escolas públicas ou privadas, de formação técnico-profissional mais ou menos acentuada, a sua avaliação poderia ser concretizada pela observação do volume de emprego gerado pela colocação dos seus alunos no mercado de trabalho, pelo que a existência de um ranking nacional será por certo um bom incentivo à melhoria do ensino praticado.


Mário de Jesus