Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

sábado, janeiro 30, 2010

Navio Escola Sagres


O Navio Escola Sagres iniciou a 19 de Janeiro a sua terceira viagem de circum-navegação, que deve durar cerca de onze meses. É a terceira vez que a Sagres realiza uma Circum-navegação, tendo a última viagem ocorrido em 1983/84.

Desta vez e graças ao avanço tecnológico temos o privilégio de acompanhar esta Fantastica viagem através do site da rtp. Não sei se este é o mais indicado mas aqui fica o link.


Deliciem-se, mostrem aos vossos familiares e amigos. É algo de verdadeiramente fantástico que vai permitir a quem pouco conhece as rotas marítimas portuguesas, saber bastante mais.
Esta viagem pode ser analisada de 1001 pontos de vista positivos.

Aqui vai 1:
Formação dos Futuros Oficiais da Marinha
O comandante Proença Mendes indica esta como Missão Principal do Navio Escola Sagres

Vale muito a pena ver a sua entrevista neste link


Voltando à Missão Principal achei curiosa uma entrevista televisiva onde o Comandante Proença Mendes realçou a experiência e as condições a que os cadetes estarão sujeitos, referindo que serão estas condições que permitirão o crescimento em termos de maturidade e de experiência destes de jovens.

Experiências deste tipo são pois consideradas fundamentais para jovens que serão futuros lideres.

Completo este meu apontamento com a interrogação:
- Poderemos ter bons lideres sem boa formação e sem boa experiência ?

Infelizmente podemos e temos ( em demasiadas áreas ) “mas não é a mesma coisa”.

domingo, janeiro 24, 2010

Valeu a Pena ? Tudo vale a pena...

“ Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Valeu a pena ? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena. “

Comecei este texto, transcrevendo palavras de Fernando Pessoa
O meu fito é agradecer a todos os membros do Fres e a todos os visitantes ( com nome ou anónimos ) do nosso blog, a atenção com que vão seguindo o que por aqui vamos fazendo e tentando fazer.
É incrível como os anos ( e a vida ) passam num instante. Tenho uma pequena àrvore de natal e um pequeno presépio na sala e estive quase tentado a arrumar já para reabrir e voltar a colocar no próximo natal. Ainda agora acabamos de fazer tantos votos para 2010 e num abrir e fechar de olhos já não temos 12 meses para cumprir os nossos objectivos para este ano. Já só temos 11 meses.
Mas nem o facto de não cumprirmos os sonhos, na completa medida em que os desenhamos na nossa mente, me faz recuar nos propósitos que grupos como o FRES perseguem.
Quem nos lê, ajuda-nos a crescer como seres humanos e como membros de uma sociedade que pretendemos mais coesa.
Quero agradecer em particular aos anónimos que com os seus comentários, enriquecem o nosso debate de ideias. Não fiquem tristes se por vezes não respondemos imediatamente e não damos a continuidade atempada às vossas importantes observações.
Relembro 2 observações de 2 comentadores anónimos ( a que provocatoriamente vou chamar de anónimo 1 e anónimo 2 ) a um artigo que coloquei no inicio do ano.
Anónimo 1
“ Mudanças se avizinham. Dolorosas, cruéis, incómodas... porém necessárias.”
Apetece-me dizer “Touché”. Não somos todos destemidos, mas somos perseverantes e caso essas mudanças necessárias não se cumpram num horizonte curto, podemos sempre relembrar o ditado “Agua mole em pedra dura…”
Anónimo 2
“ Não havia testemunhas - apenas eu e a minha consciência.”
Que delícia de frase. Mostra toda a nobreza de quem a escreveu e mostra-nos porque vale a pena lutar, mesmo quando parece que somos poucos a remar para um determinado lado.
Finalmente o comentário do Mário de Jesus
“ Aqui no FRES a nossa arma é em primeiro lugar, o uso da palavra e das ideias.”
Já a temos usado e gostávamos de relembrar a todos que o FRES acolhe com gosto as palavras e as ideias de todos que quiserem contribuir de uma forma positiva para um Portugal melhor.
Nunca devemos esquecer que continuam a existir muitas formas ( inclusivé gratuitas ) de ajudar os outros.
Querem um exemplo ?
Vai começar já daqui a 1 semana a entrega das declarações de rendimentos por parte dos contribuintes que auferiram rendimentos de trabalho dependente e pensões, vulgo entrega da declaração de IRS respeitante aos rendimentos auferidos em 2009.
O Dec-Lei 16/2001 prevê que possamos consignar 0,5% do imposto liquidado a Insituições Religiosas, a Instituições Particulares de Solidariedade Social ou a Pessoas Colectivas de Utilidade Pública.
Pelo que entendo, não se trata de gastarmos 0,5% do imposto liquidado, ou seja, não existe custo directo para o contribuinte que consigne 0,5% do imposto liquidado. Existe é uma consignação feita pelo contribuinte e será o Estado a entregar à Instituição designada pelo contribuinte esse 0,5% do imposto liquidado.
2 questões se colocam já.
1º - Será mesmo assim? Ou seja, esta contribuição não implica mesmo uma transferência de dinheiro da nossa conta para a instituição que queremos apoiar ?
2º - Que instituição apoiar ? Julgo que não vale a pena indicar nenhuma instituição. Quem estiver disposto a perder uns segundos a colocar uma cruz num campo da sua declaração de IRS e o numero de contribuinte da instituição a apoiar, terá muitas organizações por onde optar, incluindo ( apenas como exemplo ) aquelas que lutam contra doenças graves que continuam a vitimar muitos portugueses e portuguesas.
Gestos simples amigos, gestos simples e ao nosso alcance individual.
Quando os gestos colectivos são mais difíceis de realizar, podemos sempre começar por gestos individuais.
Como disse Pessoa: “ …Se a alma não é pequena.”

sexta-feira, janeiro 22, 2010

ÉTICA E DEONTOLOGIA. PORQUÊ FALAR TANTO DISTO?



Por certo todos estamos, permanentemente, a ouvir, a ler ou a discutir, ainda que de forma indirecta, temas tão vastos e afinal tão simples como Ética, Deontologia, Princípios e Respeito, entre outros.

Mas, efectivamente, de que estamos a falar?

Porque é que, no passado recente, tais temas têm sido objecto de tão profusa divulgação, discussão, reflexão e formação?

Porque é que as ditas reflexões e preocupações (aliás, perfeitamente legítimas e actuais!) levaram a um estádio actual, consubstanciado em múltiplas acções de formação e sensibilização, disciplinas de carácter obrigatório em cursos de formação académica, profissional, de especialização, de integração em associações e ordens profissionais, até como tema central de teses de mestrado e de doutoramento e outros estudos de carácter, supostamente, científico?

Será a "descoberta" de finais do Século XX e o renascer do Homem no Século XXI?

Será que esta "descoberta" é de facto a descoberta do Homem presente, ou é a moda dos tempos actuais?

Será que esta descoberta não é mais do que o acordar, pessoal e colectivo, para algo que, com o decorrer do tempo e mais acutilantemente no passado recente, vem sendo descurado?

Será a justificação pessoal e colectiva para as injustiças que todos nós, genericamente, vimos assistindo e nas quais, não poucas vezes, tomamos parte, neste Mundo cada vez mais global e, simultaneamente, cada vez mais pessoal, canibal e egoísta?

Sinceramente, não sei! Nem encontro, apesar da investigação já realizada, uma resposta de cariz científico ou empírico que permita, com exactidão e pelo menos com consciência tranquila, emitir uma tal opinião.

Mas se estamos a falar de algo que, de alguma forma, está relacionado com Verdade, Isenção, Respeito, Brio, Profissionalismo, Honestidade, Sinceridade, estaremos a falar de algo de novo? Ou de algo já esquecido, ou tentado esquecer no passado ainda recente?

Todos estamos sujeitos, uns mais outros menos, a constantes pressões diárias. De índole pessoal, profissional, de relacionamento, de carácter institucional, de carácter laboral, de raiz familiar.

Cada um resiste, reage e actua de acordo com as condições que se apresentam. Mas será só o elemento externo ao Eu de cada um que norteia e condiciona, de forma vigorosa e quiçá algumas vezes dramática, as suas atitudes, considerações e acções perante factos e terceiros?

Quem é que não gosta que, no seu local de trabalho, lhe seja tecido um elogio ainda que ligeiro?

Quem é que não gosta de ser servido com elegância, deferência e delicadeza no mero acto de refeiçoar num restaurante?

Quem é que não gosta de ser bem acolhido, com cordialidade, atenção e preocupação, num qualquer organismo ou entidade de cariz público ou privado?

Quem é que não gosta de ser objecto de um processo de selecção para determinado cargo ou nova responsabilidade profissional, norteado por princípios de isenção, coerência e de avaliação correcta do perfil, competências e capacidades pessoais?

Quem é que não aprecia não ser preterido por razões de natureza política, ideológica, racial, crença, religião, sexo (ou preferência sexual) nos seus relacionamentos pessoais e de grupo?

É disto tudo que estamos a falar? É disto tudo que estamos a debater e a ser objecto de continuada avaliação (formal e informalmente), em casa, no trabalho, no círculo de amigos considerado e supostamente íntimo, no colectivo generalista e impessoal do quotidiano?

A ser verdade (que não sei, nem encontrei ninguém que até à data o consiga provar!), julgo estarmos a falar simplesmente de uma coisa: de cada um ser ele próprio!

De pautar a sua conduta e postura pessoal, social e profissional por princípios de isenção, rigor, espírito auto-crítico e, sobretudo, de respeito pelos seus semelhantes.

Nada existe que seja supra os ditos valores de honestidade, sinceridade e idoneidade. Por muito que custe. Por muito que se sofra. Por muito de que se arrependa.

Como dizia um amigo pessoal que, no auge da sua sapiência de vida e da sua longevidade, afirmava com a segurança só possível de atingir após muito observar e muito ter feito numa vida recheada de peripécias, sucessos e insucessos:


Hoje em dia, falta muita "coluna vertebral" a muita gente para assumir os erros cometidos e daí tirar ilações, bem como para aceitar as derrotas justificadamente provadas e assim, aceitar os resultados e prestar a devida vénia aos justos vencedores, sem mágoa, rancor ou sentido de desprezo.



João Rocha Santos

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Os professores primários usavam gravata


A propósito das progressões na carreira e da frente de guerra vivida entre o Governo e os Sindicatos de professores durante mais de quatro anos, após o Armistício, há agora que limpar espingardas e contar baixas. Não deixa porém de ser curioso observar com detalhe os benefícios que os professores passam a usufruir, em especial quando comparados com a carreira dos técnicos superiores da Função Pública. De repente e sem uma discussão verdadeiramente suportada simplesmente lhes passaram à frente.

È a função de professor essencial para o país e merecerá destaque especial? Sem dúvida que sim. Aliás os professores deviam ser acarinhados, apoiados e justamente remunerados pois o seu papel é fundamental para a educação e desenvolvimento da Nação. Foi em outros tempos (e merece ser hoje) uma das mais nobres profissões, simplesmente porque se trata de ensinar e educar. Exige pessoas com sentido de observação, rigor, competências, boa formação intelectual e humana, adequado comportamento social. Lembro-me dos meus professores primários usarem gravata!

Mas serão todos os professores merecedores desta distinção? Provavelmente não.

Esta é uma profissão que de repente saltou da fila de trás, escuridão, do cinzentismo que a caracterizava para a rua, tornou-se barulhenta, muitas vezes inoportuna e quezilenta. É verdade. Relembre-se muitos episódios e comportamentos de rua de muitos professores sabendo que é a muitos deles que confiamos parte da educação e formação dos nossos filhos. È bom nem lembrar.

Agora que o Governo cedeu, cedendo mal, observamos as reivindicações expostas em toda a comunicação social e das cedências do Governo. Numa profissão dominada por dinossauros sindicais, onde muitos dos seus dirigentes não dão aulas, cujas comissões e direcções acomodam centenas de membros, parasitas do sistema, ofendendo eles próprios o bom nome e a imagem dos verdadeiros professores que trabalham afincadamente para um sistema de educação mais justo e de qualidade.

E do que se falava nas ruas? E do que falam hoje os jornais, as televisões e os sindicatos?

Das quotas para as notas mais elevadas, dos Bons, Muito Bons e Excelentes, dos anos a decorrer para a progressão, das vagas nos vários escalões da carreira, das bonificações e compensações, dos acréscimos nas classificações, em suma de benefícios e de direitos.
Então onde ficam as responsabilidades e as obrigações? Decorrentes da obrigação de uma educação apurada, exigente, moderna, do cumprimento dos horários, das matérias, da elaboração de exames adequados, da preparação dos jovens para as exigências da vida em sociedade, do sacrifício, do empenho e da dedicação? Quem mede isto, como mede isto e quando se mede isto?

domingo, janeiro 10, 2010

Lojas de Exportação

O Primeiro Ministro José Sócrates anunciou sábado que a primeira de uma rede de 14 Lojas de Exportação a criar no país vai ser instalada em Leiria.

As Lojas de Exportação são uma das medidas do Pacto para a Internacionalização que integra igualmente o Conselho para a Promoção da Internacionalização.
No link www.portaldaempresa.pt podemos ler que

“ Para fomentar o comércio internacional de modo equilibrado e sustentável, o Estado procura introduzir políticas que potenciem as exportações e minimizem as importações. Com o advento do comércio electrónico é mais fácil atingir o mercado internacional, o que representa uma oportunidade. No entanto, também as empresas estrangeiras e multinacionais têm maior facilidade em penetrar no mercado nacional, o que aumenta a concorrência e a competitividade. “
Todas as medidas que promovam a Internacionalização são boas e esta ideia das Lojas de Exportação parece-me bastante interessante. Temos muitas vezes debatido sobre a necessidade de os nossos pequenos empresários terem mais informações e apoios na Internacionalização dos seus negócios.
Num país com um mercado pequeno, pensar além fronteiras, mais do que um sonho, é uma necessidade que começa a ser mais realidade com a inauguração destas Lojas de Exportação.
Claro que ir só à Loja não vai tornar cada visitante num Expert em Internacionalização.
Mas o caminho passa por desmistificar muitos mitos da exportação e provar que se tem capacidade de produzir para e trabalhar com, mercados além fronteiras.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Feliz Ano Novo


Gosto muito do Jornal 2 que é transmitido todas as noites na RTP2 às 22 Horas.
Ao se despedir no final da edição de ontem, a jornalista disse algo como:
“ Está aí o novo ano com 365 dias por estrear, aproveite-os bem.”

Ano novo e estrear, são por si só 2 motivos para nos impulsionar a inovar.

Se atendermos a que uma das maiores motivações do ser o humano é a novidade, estaremos todos “convidados” a ser ainda mais inovadores e criativos em 2010.

Contra toda a inovação está a rotina. E nós sentimos tranquilidade na rotina. A rotina pode ser entediante, mas dá-nos segurança. E a segurança impede-nos de arriscar. Porque mudar se estamos bem no nosso canto seguro ?

Mas depois apercebemo-nos de que muito do que nos rodeia não está bem. Desde as pessoas com que convivemos na rotina casa-emprego, ou casa-hipermercado, ao próprio meio ambiente que nos rodeia, detectamos muitas coisas que não estão bem.

Então desejamos que tudo seja melhor. Nesta quadra natalícia ouvi e li até à exaustão, desejos de paz, amor, saúde, harmonia, tranquildade, etc, etc, misturados com sentimentos de nobres amizades adormecidas durante o ano e miraculosamente ressuscitadas por minutos via e-mail, ou sms.

Diz o povo que de boas intenções está o mundo cheio. E de facto, sozinhos, não temos força para mudar o mundo.

Mas volta o convite simples para que cada um procure por em prática, com as pessoas que o rodeiam, parte do que transmitiram em dezenas de mensagens para outras tantas dezenas de familiares e amigos.

Não é fácil, pois há uma coisa chamada egoísmo que no final, faz sempre pender a balança para um dos lados.

É a velha questão de se existirem 2 pessoas e se só uma tiver comido todo o bife, em média cada uma comeu meio bife o que é uma das maravilhas da estatística.

Podemos fazer alguma coisa para alterar a “falsidade” de algumas estatísticas ? Podemos, e às vezes custa tão pouco.

Não gosto de falar de episódios pessoais pois quem me conhece bem, sabe que raramente falo de coisas que faço. Tenho por política que mais vale fazer do que falar.

Mas perdoem-me por partilhar convosco um episódio ocorrido numa superfície comercial em vésperas de natal.

Todas as caixas estavam com muitas pessoas já com os carrinhos cheios de compras para pagar. Entretanto, na loja decidem abrir mais uma caixa para onde chamaram os clientes, dizendo que aquela caixa era só por multibanco.
Eu era o 3º nessa fila, estando em primeiro lugar uma pessoa com muitas compras e em 2º lugar um idoso com um pão, uma garrafa de azeite e uma caixa com uma garrafa de whisky JB 12 anos.

O funcionário da loja repetiu que aquela caixa era só por multibanco, e o Sr. idoso que tinha uma caixa de whisky perguntou “ Esta caixa é só por multibanco ? “ Ao que o funcionário da loja respondeu que sim. Nisto o sr. volta para trás dizendo que eu podia passar à frente se o 1º cliente fosse entretanto atendido.
Segundos depois volta com outra caixa na mão, agora uma de Whisky Cutty Sark e o funcionário volta a repetir que a caixa era só por multibanco. O Sr. idoso pergunta espantado, esta caixa também é só por multibanco ? E ele que não tinha multibanco pergunta: Então quem tiver sede e não tiver multibanco como é que faz ?

Claro que tanto o funcionário da loja como eu tentamos explicar que não era a caixa do whisky mas a caixa de pagamento que era só por multibanco mas o sr. idoso não estava a entender nada e como não tinha cartão multibanco, rapidamente se gerou um conflito pois o funcionário da caixa não sabia o que fazer e as pessoas atrás de mim protestavam cada vez mais.
Qual a solução para este “complicado” imbróglio ? Simples, ofereci-me eu para pagar as compras do sr. fazendo depois as contas com ele, que só tinha notas e não tinha cartão. Um gesto tão simples causou espanto a todos os que assistiam à cena nessa caixa e nas que a rodeavam.
O funcionário respirou de alivio, os impacientes acalmaram-se e o sr. lá foi com a sua garrafa de whisky continuando a parecer que não tinha percebido nada do filme em que esteve envolvido.

Por mim, fiquei contente. O espírito natalício não é para “papaguear” da boca para fora e depois, mesmo gestos tão simples e perfeitamente ao nosso alcance, deixamos de os fazer porque os problemas são sempre dos outros, mesmo quando a solução está nas nossas mãos.
Desafios não faltam portanto para estes 364 dias de 2010. Muitos bem mais difíceis e complicados, o que tornam mais aliciante a resposta que o FRES irá dar em 2010.
Aproveitemo-los bem, conscientes de que não os iremos resolver todos, mas que o nosso contributo será sempre importante.
Aqui no FRES, atentos ao que nos rodeia, partilhando ideias e experiências, debatendo temas relevantes na nossa sociedade, pelo seu interesse económico ou social, estaremos a dar o nosso pequeno mas firme contributo para melhorar o nosso país e o mundo que nos rodeia.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Tá quase...

A todos os que gostam da quadra natalícia ( como eu ), aqui vão os votos de Boas Festas e Feliz Natal.

Mas como o Natal é tempo de solidariedade, não posso deixar de apoiar todos os que não gostam do Natal, por isso também para todos eles, o meu abraço solidário.

Um dos gestos em que me solidarizo com os que não gostam do Natal é na irritação ao ouvir ano após ano a Canção Last Christmas de George Michael.

No primeiro ano ( há mil anos atrás ) até achei graça.

Agora, ter de aturar a mesma música, ano após ano, é dose de Leão e como eu sou mais amigo das penas…

Enfim, tranquilizem-se amigos, quem gosta, aproveite bem o Natal.

Quem não gosta, fica a saber que daqui a 3 dias vamos ficar 11 meses sem ouvir o Last X´mas do George Michael.

Tá quase…

sábado, dezembro 19, 2009

Acordo e Consenso


O chamado "Acordo de Copenhaga", alcançado esta sexta-feira à noite entre os Estados Unidos, a China, a Índia e a África do Sul com o envolvimento de outros países como o Brasil e países da União Europeia, não reúne o consenso de todos os países representados na Cimeira do Clima, em Copenhaga. Alguns países já garantiram mesmo que não votarão favoravelmente o documento.

A Cimeira das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas decorreu em Copenhaga (Dinamarca) de 7 a 18 de Dezembro, e tinha como principal missão chegar a um acordo sobre metas de diminuição das emissões de carbono (CO2). O novo documento deveria substituir o Protocolo de Quioto, que expira em 2012, e foi discutido por cerca de 15 mil delegados de 192 países, incluindo alguns chefes de Estado. Além das novas metas de redução das emissões, tanto para os países industrializados como para os em vias de desenvolvimento, eram necessários compromissos sobre o financiamento dos esforços de adaptação às alterações climáticas por todos, mas sobretudo nos países mais pobres.
Entretido a comer filhoses e outras delícias da quadra natalícia, ainda não tive tempo de aprofundar minimamente os resultados da cimeira.

Mas uma coisa chamou-me logo a atenção.

A Cimeira foi um sucesso pois chegou-se a um acordo, mas foi um fracasso porque não houve consenso.

E não é que pode estar aqui uma das maravilhas da vida ?

Sejam as populações sejam os países , todos temos consciência de que existem problemas a enfrentar ao longo da vida. E então estamos de acordo, os problemas existem.

A seguir, passamos à fase da resolução dos problemas e aqui é que são elas.

Fazemos mil e um encontros, cimeiras mundiais com representantes de todas as partes interessadas ( ? ) e no final deveríamos chegar a um acordo.

Não sei se entretanto o significado de acordo mudou, mas para mim estarmos de acordo é dizermos todos que sim senhor é assim, ou sim senhor é assado.

Se uns disserem que é assim e outros que é assado, não estamos de acordo.

Quanto ao consenso ele estabelece-se quando duas ou mais partes chegam a um ponto comum de decisão durante uma negociação.

Mas o ser humano, o mais brilhante ( ? ) de todos os seres que habitam neste planeta, consegue uma coisa ainda mais maravilhosa; consegue chegar a acordos globais sem que haja consensos.

Também assim o fazemos no nosso dia-a-dia. Vítimas do nosso orgulho ou egoísmo, vamos estabelecendo sucessivos acordos onde o que mais importa é que a nossa opinião se sobreponha à dos outros.

Mas como estamos em tempos de tréguas natalícias, vamos descansar um pouco, desejar que tudo corra bem a todos e esperar que o ano novo, traga novas ideias às nossas mentes.

sábado, dezembro 05, 2009

A 19ª Cimeira Ibero - Americana. E Portugal?


Realizou-se no Estoril, em Portugal, no passado dia 30 de Novembro e dia 1 de Dezembro, a 19ª Cimeira Ibero-Americana.

Tive a oportunidade de acompanhar um pouco dos trabalhos e a forma, até algo informal e em directo, em como decorreram alguns trabalhos e como se tomaram algumas decisões e negociações.

Observo em simultâneo o mapa mundo e a localização dos países ibero-americanos e interpretando e reflectindo sobre as relações económicas entre Portugal e estes países. O potencial de cooperação, de comércio internacional, de crescimento de negócios com vantagens mútuas do ponto de vista económico entre todos os países participantes, são imensas. A posição geo-estratégica de Portugal como porta da Europa poderá ser essencial para virmos a desempenhar um papel fundamental na relação com estes países. Portugal não soube aproveitar ainda as oportunidades que a integração económica com estes países lhe pode proporcionar nem a riqueza de uma língua que, ainda que sendo diferente, pode ser no entanto considerada como uma lingua irmã.

Sempre defendi a adopção de uma política estratégica internacional desenvolvida através de Portugal (como eixo central) para a América Latina (em especial com o Brasil) com a Europa Comunitária onde estamos integrados não só geográficamente mas como membros de pleno direito, reféns em parte de uma política económica (e dependência financeira) quase comum, e tendo como terceiro eixo a África Lusófona.

Este terá que ser o caminho. Disse-o e escrevi-o em alguns artigos publicados 2003 após ter assistido a uma conferência em Portugal onde esteve Lula da Silva e depois de desempenhar funções profissionais no contexto da África Lusófona sendo esta hoje uma ideia defendida por muitos.

A relação com o Brasil e com a Venezuela não são de hoje, vêm de há muitas décadas e muito antes de se falar da integração de Portugal neste eixo e do advento da globalização.

Este é um tema estratégico que nos pode favorecer como país, se o aproveitarmos com visão de futuro.

Gostaria de salientar que mantenho a convicção, tal como em 2003, que parte do nosso caminho de futuro se deve direccionar para o Brasil.

É verdade que o Brasil pouco precisa de Portugal. Mas precisa. Revejamos os investimentos importantes de Grandes Grupos Empresariais Nacionais como a PT, a Cimpor, o Grupo de Pereira Coutinho (SAG) o Grupo Espírito Santo, ou a família Champalimaud ou Pestana. Estes fazem parte dos grandes investimentos estrangeiros no Brasil, os quais o Brasil agradece. Ainda por mais falando português que mais vantagens lhes trará em termos da criação de emprego local. E estes mantêm-se com sucesso.

Relembro o que disse muito recentemente Paul Krugman, o americano Prémio Nobel da economia do ano passado: desconfia da pujança actual do país (não é o meu caso) quando afirma que o perigo está eminente uma vez que "os investidores estão a gostar demasiado do Brasil" - SIC.

Mas sendo o líder mundial na produção de petróleo em águas profundas, o Brasil descansa hoje sobre uma almofada confortável para os próximos anos (mas não sabemos quantos), em especial se considerarmos que as jazidas futuras de petróleo estão, a maioria delas e das maiores, em águas profundas. Isto para não falar do café, do gado ou do açúcar onde são igualmente líderes mundiais. Como eu, sei que tu também atribuis à língua um dos mais altos valores/activos de uma Nação, como é o caso da nossa, em especial o da nossa, falada por 200? milhões de pessoas. Esta é sempre a mais forte âncora entre dois ou mais países.

Falando da Venezuela, diria o seguinte: Portugal não apresenta relações comerciais de qualquer significado com o Paraguai, o Uruguai, a Argentina, o Chile ou a Bolívia, para referir apenas alguns exemplos de países da América Latina. Porém o mesmo não se aplica à Venezuela, e de que maneira: importamos há décadas petróleo em grande quantidade.

A Venezuela não começa nem acaba com Hugo Chavez. Se é verdade que hoje é um país refém de uma espécie de ditadura moderna, o país não se confina à realidade de hoje mas também à de ontem e do amanhã. Chavez passará e o movimento de nacionalizações acabará. Assim os Venezuelanos acordem a tempo. O que importa é manter boas relações com o mundo empresarial que darão certamente frutos no futuro. Conheço (poucos é verdade) casos de empresas portuguesas que têm parcerias com empresários locais e que há 10 anos fizeram um bom trabalho no país, que estão hoje a ser de novo chamados para novas parcerias, novos trabalhos e novos projectos. Não se esqueceram de quem trabalhou bem! É disto que falo. Semear hoje para colher amanhã. E acredito que o caminho estará por aí.

segunda-feira, novembro 30, 2009

Casa das Histórias de Paula Rêgo


O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, inaugurou em Cascais, no passado mês de Setembro a “Casa das Histórias Paula Rego”.


PAULA REGO, nascida em Lisboa em 1935 disse um dia "Pinto para dar uma face ao medo".

Não sou entendido em artes, nem de longe, nem de perto. Mas gosto de apreciar e reconhecer o muito de bom que os Portugueses vão fazendo com visibilidade nacional e internacional.

O Presidente da República considerou por altura da inauguração que a Casa das Histórias de Paula Rêgo tem condições para ser um “museu europeu” e elogiou a generosidade da pintora que doou 600 trabalhos a Portugal.

Para quem julga que o acesso a arte do mais alto nível só está acessível a alguns, este projecto vem contrariar essa ideia, pois pode ser um ponto de partida para minorar por exemplo a minha ignorância em arte.

Localizado em Cascais a 200 metros da Cidadela (outro lugar interessante para visitar ), esta exposição tem entrada gratuita e um horário compatível com a agenda de qualquer cidadão pois está aberta todos os dias das 10 às 22 Horas.

Mais pormenores podem ser pesquisados no site
http://www.casadashistoriaspaularego.com/

Para já aqui fica o agradecimento a todos os que estão envolvidos neste projecto da Pintora Paula Rego.

Mas como nunca estamos satisfeitos com o que vamos tendo ( que raio de modo de agradecermos o que de bom obtemos ) gostaria também de ver algum projecto que realçasse o percurso da Pianista Maria João Pires.

2498


Duas Mil Quatrocentas e Noventa e Oito Toneladas de Alimentos foram recolhidas este fim de semana pelo Banco Alimentar contra a Fome.

Trata-se de um recorde em termos de alimentos recolhidos e um facto ainda mais assinalável por se registar num ano em que também o desemprego bate recordes.

Os valores de recolha deste fim-de-semana representam para a Delegação do Porto 15 a 20% de tudo o que a associação recolhe ao longo do ano. Outro tanto são sobras mal embaladas da indústria agro-alimentar, mais 20% vêm da União Europeia, 10% é fruta do Instituto de Financiamento da Agricultura e das Pescas e 10% são amealhados duas vezes por semana no mercado abastecedor.

O valor recorde obtido este ano pode ser surpreendente, pois num ano em que se acentua a crise e o desemprego aumenta, seria de esperar menos donativos.

Pois é precisamente aí que Portugal e os Portugueses voltam a demonstrar que são um povo muito solidário.


É um povo que enfrenta grandes dificuldades e por isso entende bem o que cada vez mais famílias estão a sofrer com o aumento do desemprego.

A contribuição obtida este ano pelo Banco Alimentar volta a realçar uma ideia que eles tanto defendem.

Não é preciso que poucos façam muito. Basta que muitos façam pouco.

Esses muitos somos todos nós.

Do pouco ou muito que tenhamos, há sempre uma pequena parcela que faz mais falta a outros do que a nós.

Esse pequeno esforço que façamos, por altura destas campanhas, ou em qualquer altura do ano, não nos vai deixar pobres mas pode fazer toda a diferença a quem nada tem.

quinta-feira, novembro 26, 2009

João Mateus está no Top dos melhores analistas de acções da Europa

Esta notícia chegou-me via sms. Depois recebi o artigo por mail mas confesso que não o li.

Sendo eu da velhíssima guarda dos amantes do jornal em papel e também do papel dos jornais, decidi comprar um exemplar do Jornal que contém a entrevista com um dos membros do FRES, João Mateus .

Não tenho nada contra os jornais digitais, pelo contrário, pois a internet facilita em muito a nossa vida.

Mas nada me podia retirar o prazer de abrir o Jornal nas páginas onde constam a entrevista e a foto do João Mateus.

Pegar com ambas as mãos, bem distanciadas, as folhas do Jornal e ver com orgulho o texto de um lado e a foto do outro, dá uma emoção bem diferente para melhor.

Neste louco frenesim diário em que nos deixamos envolver, não conseguimos parar para desfrutar de pequenos prazeres como este.

O texto digitalizado é lido a correr e passamos rapidamente ao assunto seguinte.

Considero-me pois feliz por viver em décadas em que o jornal ainda é impresso, distribuído pelos muitos quiosques e papelarias e outros pontos de venda.

Muitos parabéns ao João Mateus e a todos os que lutam diariamente nos seus trabalhos, desempenhando com dedicação e brio profissional, as suas profissões.

quinta-feira, novembro 19, 2009

PRÓS E CONTRAS


Não, não é do programa televisivo com este nome que me proponho escrever, mas tem alguma correlação. De facto, sobre qualquer tema ou situação que se discuta ou se julgue, há sempre os que são "Pró" e os que são "Contra". Mas porque razão não podemos discutir e ter as mesmas opiniões? É assim tão difícil concordarmos uns com os outros? Afinal o que determina o nosso comportamento? Não somos todos "crescidos"? Não temos todos "olhos de ver"? Então ...?
Pois bem, podemos dizer que o nosso comportamento é determinado por factores relativos à pessoa (hereditariedade) e factores relativos à sociedade (meio ambiente). Para além da "carga" hereditária que nos é transmitida (aptidões intelectuais, aptidões físicas) pelos nossos progenitores, há todo um processo de integração na sociedade onde vivemos que nos vai facilitar ou dificultar o desenvolvimento dessas características, geralmente designado por "Socialização". Como sabemos, todos herdamos características diferentes, pois temos realidades genéticas diferentes. Do mesmo modo, o processo de socialização é diferente, uma vez que cada sociedade tem normas, valores, crenças, religião, próprias de cada uma e que as distingue das demais.
Logo, quando uma pessoa tem que emitir uma opinião, ou juízo de valor, sobre uma dada situação, baseia-se no seu "Quadro de referência" que foi interiorizado ao longo da sua vida e só assim poderemos entender porque há pessoas que são, por exemplo, "Pró" poligamia e outras que são "Contra", na medida em que a sua opinião é determinada pelos valores intrínsecos à sociedade onde se formou e desenvolveu a sua personalidade. Deste modo, não me parece correcto emitirmos juízos de valor sobre o comportamento dos outros, sem conhecermos previamente as suas origens, o meio onde se desenvolveram, para que tenhamos uma percepção adequada das diferenças individuais, sob pena de corrermos o risco, muito comum, de os avaliarmos a partir do nosso próprio "Quadro de referências", como se eles tivessem tido a nossa "hereditariedade" e tivessem crescido no nosso "meio social".
Mas o caricato é que as pessoas em geral, do ponto de vista cognitivo, já o sabem, só que não o praticam, é só atentarmos à tão falada sabedoria popular, cheia de exemplos, tais como : "Tal pai, tal filho" (refere-se aos factores hereditários) ou "Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso" (refere-se aos factores sociais), então ...?
Então, deveríamos ter mais cuidado ao fazer juízos de valor uns dos outros, mais cuidado com as nossas opiniões e comentários, senão, um dia destes, ainda nos julgamos os detentores da verdade.

quarta-feira, novembro 18, 2009

SGE – Semana Global do Empreendedorismo

A palavra empreendedor (entrepreneur) tem origem francesa e
quer dizer, aquele que assume riscos e começa algo de novo.

Nesta semana em que se celebra e incentiva o desenvolvimento do espírito empreendedor em cerca de 75 países simultaneamente, podemos debater e absorver muita informação sobre bons exemplos a nível mundial.
Podemos também, sem que seja entendido como pessimismo ou “bota abaixo”, entender que ser Empreendedor não é para todos.
É bonito ouvir-se dizer que ao sermos empreendedores do nosso próprio negócio podemos ser “donos do nosso destino” e outras coisas semelhantes que servem para nos encorajar mas, como disse o Mário no artigo anterior, é necessário manter um grau de realismo.
Sempre que se fala em apoio à criação de empresas, aparecem mil e um candidatos, a grande maioria sem nenhumas condições para empreender um negócio, pois muitos deles nem sequer sabem bem o que querem fazer, e o que implica na verdade em investimento de energia, tempo e dinheiro, empreender um negócio.
Caso não disponham de capital próprio ( que é o que acontece com a maioria dos sonhadores em ser empreendedores ), segue-se um caminho por vezes penoso de programa em programa e de apoio em apoio, sem que nenhum julgue o seu projecto válido.
Para os poucos resistentes a esta segunda fase e que conseguem passar à fase do arranque do projecto, outra igualmente penosa se segue.
Um empreendedor normalmente é aquele que está no topo do projecto. Se isso é bom em termos de orgulho, muitas vezes representa na prática, o fim da liberdade da vida pessoal.
Um empreendedor muitas vezes “casa” com o seu projecto e tem de vivê-lo 7 dias por semana e 52 semanas por ano. Férias nos primeiros anos não é fácil e os contratempos são diários, desde o cliente que não paga à quebra de energia eléctrica que dá cabo dos computadores ou outros aparelhos eléctricos e electrónicos.
Ser empreendedor implica também ter uma grande resistência física, psicológica e financeira.
O que quis transmitir com estas palavras ?
Que devemos todos desistir de ser empreendedores porque parece ser algo muito difícil ?
Não, nada disso. Podemos sempre perseguir esse sonho de sermos empreendedores mas só o devemos concretizar depois de analisarmos bem quais são as condições de sucesso, quais as condições de insucesso e sobretudo, quais os custos e implicações do insucesso, para percebermos se estamos mesmo dispostos a correr esses riscos.
A palavra empreendedor (entrepreneur) tem origem francesa e
quer dizer, aquele que começa algo de novo e assume riscos.

terça-feira, novembro 17, 2009

Empreendedorismo – A Concepção de uma Ideia


Ninguém nasce empreendedor. O empreendedor faz-se a si mesmo. É claro que há indivíduos com uma maior predisposição para empreenderem podendo estes ser mais ou menos influenciados por factores que podem contribuir para que se seja caracterizado como um verdadeiro empreendedor. Aliás, importa perguntar o que é um verdadeiro empreendedor? Será aquele que por sua iniciativa e risco resolve tomar a decisão de investir num novo negócio? O que pretende simplesmente mudar de vida? O que quer investir num projecto social, dedicar-se a uma invenção, a uma ideia nunca antes pensada e explorada ou mesmo a investir nos outros?

Ou é antes aquele que por necessidade e vicissitudes da vida se viu obrigado a empreender? Porque perdeu o emprego, porque tem que enfrentar uma nova dificuldade física ou outra, porque o dinheiro que hoje ganha não é suficiente para atingir os seus sonhos ou suprir as suas necessidades?

E qual destes dois modelos caracteriza o verdadeiro empreendedor? Será um mais empreendedor do que o outro?

É sabido que existem determinados factores que ajudam a criar na pessoa alguns traços de personalidade empreendedora. Por exemplo factores inatos de personalidade, a influência (e história) familiar próxima, a vivência num meio onde as relações sociais e profissionais são mais propensas a tal, em virtude de experiências pessoais e profissionais passadas, a formação académica ou, visto de outra perspectiva, a necessidade então surgida. Mas serão estes factores absolutamente determinantes? Quem tem a certeza?

Por vezes ter suporte financeiro e familiar, parecendo que é o suficiente (algumas poucas vezes é assim) não representa nada se faltarem as ideias, a vontade ou capacidade de as concretizar.

De uma ou de outra forma, acredito que, o que mais determina o sentido de empreendedorismo do indivíduo é, em primeiro lugar, os seus traços de personalidade sendo que esta é determinada por alguns dos factores atrás referidos. Penso igualmente que esta característica é em muito gerada pela influência familiar, experiências sociais, pessoais e profissionais vividas, ainda que estas últimas sejam menos importantes para a questão. Recordemos o que nos ensinam os psicólogos e pediatras quando nos referem que a personalidade da criança se forma durante os seus 3 primeiros anos de vida. E durante estes primeiros anos de vida a criança constitui a sua personalidade baseada nas relações com os seus progenitores i.e. no amor, carinho, atenção e segurança que lhe são dedicados mas também na auto confiança que é possível inculcar nessa criança.

Por isso acreditar numa ideia e num projecto é ter capacidade de sonhar e acreditar nesse sonho. E esse sonho configura a concepção de uma ideia, seja ela qual for. Representa crença, tempo e energia dedicados à mesma.

Se nos centrarmos em concreto no empreendedorismo como a criação e desenvolvimento de um projecto empresarial, a concepção de uma ideia diz respeito ao surgimento de algo na cabeça do empreendedor que se pode consubstanciar no desejo e vontade de criar uma empresa ou um negócio. Essa ideia pode surgir de várias origens ou fontes de inspiração: detecção de uma oportunidade de mercado, aplicação de capacidades e experiência profissional adquiridas, hobbies pessoais, invenção criada pelo próprio, paixão por uma determinada actividade etc.

Qualquer que seja a ideia, esta tem acima de tudo que ser realista e ajustada ao mercado onde pretende prosperar. É neste contexto que deve ser desenhado o perfil da empresa tendo em conta o perfil do empreendedor. Por isso este deve ter em conta uma diversidade de aspectos na fase de arranque do seu projecto como sejam:
A sua experiência no negócio;
A adequação da sua formação profissional ou académica;
Como poderá diferenciar a sua oferta e que valor trará aos seus clientes;
O tipo, dimensão e maturidade do mercado onde pretende entrar;
O tipo de concorrentes existentes;
O perfil de consumidor a que se irá dirigir;
As características do produto ou serviço que pretende oferecer;
As suas necessidades de investimento;
A capacidade e as fontes disponíveis para se financiar;
Os apoios disponíveis à sua actividade;
A regulamentação da actividade se a houver,

para além de outras considerações como o capital social necessário, quem, quais e quantos são os sócios do projecto, a localização da empresa, o tipo de licenças (se necessárias) para operar, entre alguns outros.
Acima de tudo importa perceber se o mercado (clientes alvo) reconhecem a importância e a necessidade da sua oferta e se é exequível a criação e o desenvolvimento do negócio tal qual foi pensado. Por outras palavras, a concepção da ideia e a sua implementação devem ser pensadas de forma realista. E é de forma realista que deve ser alimentado o sonho.

domingo, novembro 15, 2009

Irão abre os braços a Portugal


Com o Ocidente a exercer uma pressão política cada vez maior, o Irão vê-se obrigado a procurar bons negócios a Oriente, sendo Portugal, país com quem já tem 5 cinco séculos de história, a única aparente excepção a Ocidente.

No ano de 2008 Portugal comprou de 286 milhões de euros em energias (sobretudo petróleo) mas o Irão investiu bem menos apenas 29,9 milhões de euros em produtos portugueses, sobretudo maquinaria, madeira e cortiça.

Se por um lado temos acusações ao Irão de violações dos Direitos Humanos, o projecto nuclear iraniano ou os recentes protestos pelas ruas da capital, Teerão (a propósito das últimas eleições presidenciais, nas quais o Presidente Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito), por outro temos visões talvez mais realistas que afirmam que não sendo Portugal um país rico, não se pode dar ao luxo de deixar de fazer negócios com quem quer fazer negócios connosco.

O argumento destes últimos é o de que o dinheiro tem sempre a mesma cor. E se o dinheiro é necessário para a construção de escolas, hospitais, etc, sejam Iranianos ou outro povo qualquer, a pretender os nossos produtos, o melhor é mesmo trabalharmos e produzirmos o que eles quiserem comprar, para crescermos e criarmos mais empregos no nosso país.

Mais uma polémica interessante, que os leitores do blog podem enriquecer com os seus pontos de vista para tentarmos perceber o que de facto é mais importante.

Robert Enke


Todo o texto seguinte é retirado do link

http://desporto.sapo.pt/futebol/internacional/liga_alema/artigo/2009/11/15/50_mil_no_adeus_a_enke.html

Cerca de 50 000 pessoas prestaram hoje a derradeira homenagem no estádio do Hannover 96 ao ex-guarda-redes do Benfica Robert Enke, que se suicidou na terça-feira, aos 32 anos, no auge da carreira, vítima de graves depressões.
Os vários oradores da cerimónia elogiaram o carácter e a simplicidade do futebolista internacional alemão e sublinharam que o desporto e o futebol profissional não são tudo na vida.

O presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Theo Zwanyiger, apelou a um maior humanismo que vá para além do desporto.

“Não pensem só nas aparências, pensem também no que é intrínseco aos seres humanos, a dúvida e a fraqueza”, disse Zwanyiger, pedindo ainda a todos, profissionais do futebol, dirigentes e adeptos, para depois do luto por Robert Enke encararem a vida “com mais equilíbrio, mais desportivismo e mais respeito”.

O Benfica - clube que Enke representou de 1999 a 2002 e de que guardava as melhores recordações - esteve representado nas exéquias pelo guarda-redes Moreira, seu ex-companheiro de equipa, e pelo vice-presidente Rui Gomes da Silva.

O governador da Baixa-Saxónia, Christian Wullff, usou também da palavra, perante a urna de Enke deposta no centro do relvado do estádio do seu último clube, entre um mar de flores, para exigir que a sociedade repense a sua atitude face ao suicídio.

Aos pés da urna, havia um coração formado por flores brancas. No início da cerimónia, a viúva, Teresa Enke, acompanhada por uma amiga, foi junto da urna, e o estádio inteiro levantou-se e aplaudiu.

O “capitão” da selecção alemã, Michael Ballack, amigo de infância de Enke, depôs uma coroa de flores junto à urna e todos os membros da equipa nacional, presentes na cerimónia, persignaram-se em memória do falecido companheiro.

“No desporto de alta competição, e noutras profissões, as pessoas estão sujeitas a enorme pressão e quem não funciona é imediatamente considerado uma pessoa fracassada”, disse Wullf.

“Não precisamos de robots, precisamos de pessoas com defeitos e virtudes, com fraquezas, com todas as suas maravilhosas características individuais”, referiu ainda o político democrata-cristão, considerando Enke “uma pessoa extraordinária e um magnífico desportista”.

Fora do estádio, milhares de adeptos, a maioria vestidos de negro, quiseram também mostrar a sua dor pela morte de Enke, que foi depois sepultado no cemitério junto à sua casa, em Empede, a norte de Hannover, ao lado da campa da filha Lara, que morreu em 2006, com apenas dois anos, devido a uma malformação cardíaca.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Os Velhos não são trapos


A maturidade e a humanidade de um povo também se “mede” pela forma como trata os seus idosos.

Com o aumento da esperança média de vida, tanto nos homens como nas mulheres, é natural o aumento da população idosa.

Muitos idosos conseguem ter a sorte de estarem acompanhados na sua velhice.
Mas outros ( e são bastantes de norte a sul do país ) vivem sozinhos, quer vivam em ambiente urbano, quer vivam em ambiente rural.

A solidão faz muita “mossa” e muitos larápios aproveitam as fragilidades dos idosos para os enganar com todo o tipo de burlas, fazendo-se passar por policias e até por funcionários bancários ou da segurança social.

São pois de enaltecer todas as iniciativas que as autoridades policiais têm tido ao efectuar múltiplas sessões de esclarecimento, alterando os idosos para as burlas e as estratégias usadas pelos burlões.

É triste que “os nossos velhotes”, além de isolados ainda tenham de viver dominados pelo medo.
Mais uma vez não conseguimos ser “Salvadores da Pátria” e acudir a todos os idosos necessitados de ajuda, que por vezes é tão pequena.

Um simples palavra que lhes dirigimos ou o simples escutar do que eles têm para dizer, pode fazer toda a diferença.

Outro gesto simples que podemos fazer é limpar as lentes dos óculos de um idoso.

É impressionante como é que com o passar dos anos, até um elementar gesto de limpeza de lentes caia no esquecimento e vemos o olhar do idoso escondido por detrás de um “nevoeiro” que mais não é do que umas lentes sujas.

Mas até este simples gesto deve ser efectuado com cautela.

Muitas vezes até as armações dos óculos dos idosos estão partidas e mal coladas ou simplesmente presas por fita-cola.

Os óculos dos idosos apresentam muitas fracturas, mais fáceis de curar do que as fracturas nos seus corações, realçadas por um envelhecimento triste e cada vez mais isolado de um mundo a que tanto deram e que agora, salvo raras excepções, lhes volta as costas.

Benditas as forças policiais que os alertam e protegem.

terça-feira, novembro 10, 2009

“ Condenados à Diferença ? “


Assinalaram-se esta quarta-feira os 20 anos da queda do Muro de Berlim.

Foi sem dúvida um dos grandes acontecimentos do Século XX, que teve como impulsionador indirecto o então Secretário Geral do Partido Comunista Soviético.

Mikhail Gorbachev anunciou em 1988 que a União Soviética abandonava oficialmente a Doutrina Brejnev, ao admitir que a Europa de Leste adoptasse regimes democráticos, se desejassem.

Isto levou à corrente de revoluções de 1989, nos países de leste, através das quais o comunismo “colapsou”. Revoluções essas que se realizaram de forma pacífica, como na Alemanha, com a queda do muro de Berlim.

À queda do muro sucedeu-se a reunificação das 2 Alemanhas ( Oriental e Ocidental ) e a promessa de uma vida melhor para os Alemães de Leste.

Apesar dos empolgantes discursos ( como o de Gordon Brown ) na cerimónia de comemoração dos 20 anos da queda do Muro de Berlim ( alguém sabe dizer-me porque Obama não foi tendo-se feito representar por Hillary Clinton ? ), apesar destes empolgantes discursos dizia eu, a verdade é que as diferenças entre os cidadãos da Alemanha de Leste para os seus compatriotas da parte Ocidental continuam vincadas.

Os jornalistas diziam que bastava olhar para o modo como as pessoas se vestiam para saber se eram de Berlim Ocidental ou de Berlim Oriental. Isto e o facto de se ouvir dizer que “ O Muro ainda não caiu”, refrearam-me um pouco o entusiasmo nestas comemorações, apesar da simbologia e beleza estética da queda de um muro feito por infindáveis peças de dominó.

Muitos habitantes de Berlim Oriental e muitos habitantes da antiga RDA em geral continuam passados 20 anos, a ter más condições económicas e fraco acesso a emprego.

Não pretendo aqui cavar mais um discurso pessimista. Pretendo apenas referir que mudanças tão profundas como esta, que as duas alemanhas estão ainda a atravessar, levam muitos , muitos anos a efectuar, ultrapassando gerações. Não é fácil a gestão de expectativas.

Muitas vezes, lá como cá, palavras como igualdade de oportunidades soam muito bem, mas têm pouca tradução prática e compete a cada um de nós, não baixar os braços e lutarmos por vencer batalha a batalha, a luta contra as diferenças.

domingo, novembro 08, 2009

O Interior está um pouco esquecido mas não está morto


É tendência natural muitos povos fixarem-se junto ao litoral, esquecendo zonas interiores dos seus territórios. Portugal segue também essa tendência mas começam-se a vislumbrar sinais de mudança embora ainda um pouco ténues.

Gostaria de partilhar com todos visitantes do nosso blog, um dos locais que só agora descobri que existe, embora tenha sido inaugurado há 3 anos e meio.


O texto a seguir é transcrição de parte de um link que fala sobre um Parque Natural próximo da longínqua localidade de Barrancos ( Alentejo ).



O Parque de Natureza de Noudar, propriedade da EDIA, assume-se como uma referência no panorama nacional do turismo de natureza. É um exemplo inovador da forma como as actividades turísticas podem e devem contribuir para a preservação do património natural e para a conservação da biodiversidade.

O conceito deste projecto baseia-se no princípio de que o uso e a actividade promovem a conservação dos territórios. O Parque integra-se numa estratégia de oferta local de emprego qualificado em áreas tão diversas como lazer, gestão cinegética, hotelaria e novas tecnologias associadas à interpretação ambiental.

O Centro de Interpretação Ambiental, outra valência diferenciadora do Parque, tem como objectivo a produção e distribuição de conteúdos, apresentados em formato multimédia e apoiados em contributos de especialistas em conservação da natureza e do património.

A distribuição desta informação será realizada no local através do Guia Digital de Noudar – um dispositivo portátil (da dimensão de um telemóvel) que disponibiliza informação que vai desde o canto de aves aos comentários gravados em vídeo dos especialistas nas diversas matérias, de acordo com o local em que o visitante se encontra.

O Parque de Noudar é um projecto fundamental não só como referência no turismo de natureza nacional, mas também como motor de desenvolvimento económico e social da região, demonstrando que é possível conjugar turismo, economia e biodiversidade.


Fim da transcrição.

Julgo que vale a pena assinalar o último parágrafo, a constituição de mais um projecto que serve de motor de desenvolvimento económico e social de uma região isolada, e para aqueles que tiverem mais curiosidade em conehcer este projecto aqui fica o link do Parque.

sábado, outubro 24, 2009

350.ORG


A Propósito do dia de hoje 24 de Outubro, Dia Internacional da Acção pelo Clima vale a pena ( para quem ainda não conhece ) ficar a conhecer o movimento 350.org
Do site deles retirei estes excertos que dão uma boa visão do que são e como actuam.

"TODAY, the 24 October, people in 181 countries came together for the most widespread day of environmental action in the planet's history. At over 5200 events around the world, people gathered to call for strong action and bold leadership on the climate crisis

http://www.350.org/mission
Our focus is on the number 350--as in parts per million, the level scientists have identified as the safe upper limit for CO2 in our atmosphere. "

Vão iniciar-se a 6 de Dezembro negociações a Nível Mundial em Copenhaga, onde os problemas das alterações climatéricas vão uma vez mais ser debatidas.


Como mote para estarmos atentos a este importante tema, deixo uma ideia de um dos lideres portugueses do movimento condomínio da terra que disse algo como:

“ Não é o planeta que se tem de adaptar ao ser humano, mas o ser humano que se tem de adaptar ao planeta terra.”

Um Fenómeno chamado PORTUGAL


Os mais baratos ? 32 e 57 Euros para o Relvado.

Para a Bancada os Bilhetes vão dos 99, aos 125, chegando mesmo aos simpáticos 250,00 Euros.

A totalidade de Bilhetes disponíveis: 42000.

Dia 17 de Outubro de 2009, em apenas 7 horas esgotaram-se estes 42000 papelinhos mágicos para um Espectáculo que se vai realizar em 02 de Outubro de … 2010. Não, não é engano, o Concerto dos Irlandeses U2 vai ser em Coimbra daqui a 1 ano e em apenas 7 horas, indiferentes aos preços, os Portugueses esgotaram a lotação do Estádio de Coimbra, levando os promotores do evento a reunir-se com os responsáveis pelos espectáculos da Banda de Bono e a solicitar-lhe a realização de um 2º concerto para os fãs que não conseguiram comprar bilhetes para o 1º Concerto.

Dia 24 de Outubro de 2009, a cena repete-se e todos os 39000 papelinhos mágicos para o 2º Concerto dos U2 ( também daqui a um ano), esgotaram-se em menos tempo ainda, apenas 4 horas!!!!????, levando já muitos a falar num 3º Concerto.

Por mim, fico-me por aqui, "passando a bola ao pessoal" do Marketing e aos Sociólogos. Julgo que têm aqui muito para se inspirarem, planearem, escreverem e debaterem.

Mais do que o Fenómeno U2 já reconhecido mundialmente há muitos anos, interessava estudar um Fenómeno chamado Portugal que indiferente a todas as crises “teima” em ser um País diferente para muitos. Poderemos e iremos certamente opinar sobre a questão dos contrastes em que muitos podem viver felizes mas essa felicidade parece não ser para todos.

No entanto e na “cruel ou não” economia de mercado em que vivemos, o Fenómeno Portugal vai ser olhado atentamente por muitos Vendedores de Sonhos, pois Portugal parece demonstrar inequivocamente que existe um Mercado potencial que, não sendo um "filão de ouro", tem muito por onde explorar.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Espaço Pensante

O Espaço ou a palavra Espaço pode possuir vários significados: espaço geográfico, matemático, físico, político, filosófico (Absoluto ou Relativo) ou em Latim Spatiu – Ilimitado e infindavelmente grande que contêm todos os Seres e Coisas.

É sobre este último, ou seja, o ilimitado ou infindavelmente grande que gostaria de falar.
Mas será este importante? Mas que Espaço? O meu, o teu, o nosso? Ou o de todos? Sim! Diria mesmo que o nosso implica o dos outros mas isso não significa que se sobreponha a (Força Individual =Sucesso Colectivo e neste caso Espaço Individual = Espaço Colectivo).

Voltando a visão frívola, mas também correcta dos americanos e à sua sensibilidade para os números, O espaço é algo que possuímos ou que queremos possuir/alcançar e atingir.
Por exemplo: Gostaríamos de ter 1 casa X com 2 varandas Y, 1 garagem p/ 2 viaturas, com portão eléctrico, 1 closet para 25 fatos, enfim, falamos efectivamente de Espaço Físico e também de números. Agora noutra perspectiva, falemos de outro aquele que nós temos, que os outros têm e que afinal de contas…et voilá todos nós humanos temos!

O Espaço, “Pensante” que todos nós temos e que na maior parte das vezes não utilizamos, usufruímos, desfrutamos ou partilhamos, porquê? Porque por vezes, e dando por exemplo uma viagem de automóvel em que vamos concentrados na tarefa (neste caso a condução), com o objectivo de chegar ao destino B, passamos por árvores, arbustos, outras viaturas, pessoas, e que no final da “atribulada” viagem, com operação da BT e tudo, e após algumas referências nos perguntam: Que árvores eram aquelas que passámos, de que cor eram aquelas viaturas que passaram por nós com a sirene ligada a uma velocidade estonteante? Sobreiros ou eucaliptos? Ambulância amarela ou branca?...Qui ça!

Não damos conta, não nos apercebemos, na maior parte dos casos, para não dizer quase sempre, pois o objectivo “Major” é chegarmos ao destino que nos propusemos. Estamos sim a falar de Tempo, timmings, horas, segundos, minutos, dias, meses, anos…sim este é uma variável escassa.

Mas o que é que o tempo tem a ver com o Espaço? Numa primeira abordagem, nada…mas noutras instâncias a seguir, sim.

O espaço é importante sim, tal como o tempo mas será assim tão escasso e Veloz? Não!!!
Debrucemo-nos na observação das pessoas e nas relações inter-pessoais. Vejamos alguns exemplos: Na TV, em espaço nobre e agora com as campanhas políticas para as autárquicas em vigor, vê-se os Srs. Políticos da “nossa praça” a manifestarem as suas opiniões, os seus discursos, neste caso nas várias cadeias de televisão (dos imensos canais que nós portugueses temos direito sem ser pay-tv). Porquê?

Porque que será que ao desfolharmos as revistas da famosa e recente “Imprensa” cor-de-rosa portuguesa, vemos nas mesmas páginas, ou quase sempre nas mesmas (salvo raro excepções), os Srs. Y na Festa X, ah…e quando reparamos que revista de Agosto de 2009 ter os mesmos intervenientes que a edição de 2005?

Porque observamos adolescentes a tentarem concorrer a um determinado programa de TV, utilizando a “easy-way”, mesmo que para isso sejam alvo de risota de milhões de espectadores?
Porque será que as empresas quando colocam um anúncio de jornal para procurar um candidato, são recolhidos no mínimo, 10 vezes mais respostas que as supostamente pretendidas?

Porque é que nos famosos programas americanos “reality-Show”, por exemplo, relatam a competição entre casais como grupo e até mesmo intra-casal é uma constante?
Porque é que existe competição e concorrência no seio das empresas e no seu Exterior? Porque é que se entra no metro e parece-nos que está cheio de pessoas, tipo “overbooking”, mas quando damos um passo em frente, reparamos que por detrás do 1º bloco de pessoas, existe lugares vagos?

Porque não dizemos muitas das vezes em simples conversas, “Dá-lhe tempo!” em detrimento de Dá-lhe espaço!”? Alguns psicólogos e psicoterapeutas afirmam esta ideia.
Espaço! Quer físico, quer social, quer profissional, empresarial, …quer imaginário, garantidamente vai sempre existir!

Porque é que se mantêm, para além de outras variáveis, óbvio, guerras “acessas” entre Países e Culturas…porque é que existem importantes e plausíveis acordos como a NATO, os GT, a CE, as Grandes Potências, o “eldorado” angolano, o espaço Schegen?
Já Neil Amnstrong a 20 de Julho de 1969 na missão Apollo 11, procurava algo de novo…
OK! Espaço é importante, já percebemos, independentemente das expectativas que cada um tem ou possa vir a ter.

Diria mesmo sem bláses e falsas retóricas, que a Procura pelo espaço é algo que vai a continuar a ser uma doutrina, 1 objectivo de cada ser humano? Correcto? Sim! Correctíssimo!
O espaço existe para todos, quer a nível profissional, quer social, quer inter-pessoal, quer empresarial, salientando apenas e só que existe um denominador Comum, 1 “driver” muito relevante, o espaço “Pensante” e claro, “Executante” Em que áreas? Em todas que quisermos, pois certamente não faltará espaço.

O que irá acontecer? Uma bomba cairá para reduzir o nº de pessoas do mundo em Geral? As maternidades e escalas fecharão? As empresas vão ficar sem colaboradores? Não!

Li recentemente que irão haver micro-tendências a nível mundial, mas isso não significa que deixará de haver micro-espaço para pensar, realizar e concretizar, muito menos para viver!
O espaço apesar de também poder ser uma l variável quantificável (por exemplo nas habitações=m2) é algo infinito e que quando percepcionado e bem utilizado é Excelente!
O espaço não significa Poder, pois P = V x C, leia-se Poder = Vontade X Capacidade; o espaço significa um atributo/variável que cada um tem para fazer, mas utilizar, allways!
Em suma se cada um de Nós desfrutar do seu único e intransmissível espaço, de certeza que poderá não temer, com o espaço dos outros.
Se todos pensarmos no seu “Uni-espaço”, certamente que o espaço Global, será maior, mais “open-space”, sem tantas “cotoveladas”, “empurrões” e muito mais proveitoso para todos.

A título de curiosidade e para reflexão:
- Porque será que o Ser humano, ao ser cada vez mais dotado e cabal, é mais inseguro que outrora?
- Porque é que no Sistema político e apesar da responsabilização inerente, não deixa de ser tão apetecível e disputado?
-Porque é que as relações inter-pessoais são cada vez mais frágeis, débeis e curtas?
- Porque é que livros como “The Knowing-Doing-Gap” nos dizem algo?

Será que poderemos apanhar o “comboio”? Haverá “lugar”, ou melhor “Espaço”? É melhor irmos ver…ou esperemos pelo famigerado TGV?Será tarde???

Alexandre Motty

quarta-feira, outubro 07, 2009

Atrasos nos pagamentos entre empresas custam 1,6% do PIB


O início deste post é uma transcrição do artigo do Jornalista João Madeira do Sol constante do seguinte link
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=150130

“ Prazo médio de 92 dias

Atrasos nos pagamentos entre empresas custam 1,6% do PIB
Por João Paulo Madeira

Portugal ocupa a quarta pior posição na Europa no que diz respeito a prazos de pagamentos entre empresas, de acordo com um estudo divulgado hoje pelo Banco Espírito Santo (BES).

Em 2009, o período médio de pagamento entre empresas ascendeu a 92 dias, mais 46 do que o prazo médio contratualizado. Apenas Grécia, Espanha e Itália têm prazos mais dilatados, mas a diferença entre o período real de pagamento e o estabelecido nos contratos é menor do que em Portugal.

O estudo sustenta que o recurso ao crédito bancário pelas empresas, para poderem financiar o atraso de 46 dias, atinja cerca de 47 mil milhões de euros, cerca de 28,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Como os bancos nacionais também se endividam no exterior para assegurar estas operações, o financiamento dos atrasos resulta num encargo adicional de 2,7 mil milhões de euros em juros, o que representa 1,6% do PIB. “
Fim da transcrição.

Já aqui abordamos a questão dos efeitos nefastos nos atrasos de pagamento que se verificam em Portugal.

A maior parte das empresas e instituições que não têm liquidez para fazer face aos seus compromissos de curto prazo recorrem ao crédito bancário como recurso mais frequente para resolver este problema.

A questão não é fácil de abordar pois muitas vezes temos logo à partida 2 pontos de vista diferentes:
- O primeiro é o de muitas empresas estarem só a trabalhar para o banco, ou seja, a margem do seu negócio é “comida” pelo juro que tê de pagar ao banco pelos empréstimos contraídos e o banco surge assim como o “mau da fita”.
- Outros dizem que os bancos estão a ser a “tábua de salvação” de muitas empresas pois só eles, correndo riscos de incumprimento por parte dos clientes, estão dispostos a disponibilizar o tão desejado fundo de maneio.

Cabe às empresas que recorrem ao crédito perceber qual o custo que na realidade vão suportar com o crédito bancário, analisando se ele é comportável no médio-longo prazo, face aos reais resultados da sua normal actividade económica.

Muitas vezes o recurso ao crédito e até a créditos para pagar créditos, resulta numa espiral de custos que levam a prejuízos bem maiores para as empresas.

Por outro lado, é de notar uma diferença de postura de muitas empresas que já não se preocupam tanto em apresentar aos bancos, sucessivos acréscimos de volume de facturação.


O muitas vezes idolatrado “volume de negócios elevado” está a dar gradualmente lugar a um volume de negócios mais adequado ao cumprimento dos clientes. Dito de outro modo é preferível vender 500 e receber 500 do que vender 1000 e só receber 700.


São novas realidades que se colocam aos gestores das empresas e instituições e todos nós devemos estar atentos e preparados para as implicações destas realidades.

segunda-feira, outubro 05, 2009

E a Europa aqui tão perto


A Irlanda acaba de fazer um 2º referendo sobre o Tratado de Lisboa e desta vez o Sim venceu.
Dos 27 países que actualmente constituem a União Europeia, 24 já tinham ratificado a aprovação do Tratado de Lisboa.

Restavam a Irlanda ( que agora deu o sim ), a Polónia e a República Checa.
Aguardamos a decisão destes 2 países mas está aberto o caminho para o Tratado de Lisboa vir realmente a ser adoptado depois de já lhe terem vaticinado o fim, após o 1º referendo Irlandês.
A maior parte das dúvidas sobre o Tratado de Lisboa podem ser tiradas no seguinte link
(Portal Eurocid. Portal de informação europeia em língua portuguesa )
http://www.eurocid.pt/pls/wsd/wsdwcot0.detalhe?p_cot_id=4081&p_est_id=9405

Com as recentes Eleições para o Parlamento Europeu e com a reeleição de José Manuel Durão Barroso como Presidente da Comissão Europeia, inicia-se um novo ciclo de 5 anos que representa uma nova oportunidade de a Europa trilhar novos caminhos, com vista ao reforço do seu espaço, quer em termos políticos, quer em termos económicos, quer em termos sociais.

O “enquadramento” não é fácil ( o mundo recupera lentamente de uma grande crise económica ) e as realidades de cada Estado-Membro são bem diferentes.

No dia em que o Presidente da República voltou a apelar aos políticos que escutassem mais os portugueses, seria também importante que as Estruturas da União Europeia continuassem a busca de um equilíbrio nesta “inacabável construção europeia”, não ignorando os países periféricos, quer a periferia seja entendida geograficamente, quer seja entendida em termos de dimensão ou importância política.

domingo, setembro 27, 2009

Etapas da Internacionalização – As soluções de acesso ao mercado exterior


1. Na sequência do tema relativo às etapas de internacionalização abordarei agora a questão das soluções de acesso ao mercado exterior. É sabido que Portugal é essencialmente um país de micro e pequenas empresas. Recente estudo da Associação Nacional dos Jovens Empresários (ANJE) aponta para a existência de 322.881 empresas em Portugal das quais 80% (259.021) são micro empresas – menos de 10 trabalhadores. As pequenas empresas – com menos de 50 trabalhadores - representam 15% do total (48.000). Já as médias empresas – menos de 250 trabalhadores – correspondem a cerca de 5% (15.000) e as grandes empresas – com mais de 250 trabalhadores - 0.3% (860).

2. Com este quadro não será difícil perceber as limitações à internacionalização da maioria das empresas nacionais em especial quando têm que optar pelas diversas soluções de acesso ao exterior. Estas passam por soluções de domínio total, domínio parcial ou domínio reduzido.

3. Nas soluções de domínio total são do controlo total da empresa as vendas a realizar e são caracterizadas pela constituição de filiais comerciais, sucursais, escritórios de representação, representantes assalariados ou agentes comerciais.

4. Nas soluções de domínio parcial as vendas realizam-se em regime de cooperação com outros intervenientes sendo aquelas caracterizadas pela existência de soluções de franchising, joint ventures ou agrupamentos de exportadores.

5. Já nas soluções de domínio reduzido as vendas são realizadas por intermediários e logo com menor controlo por parte da empresa exportadora, caracterizando-se pela exportação indirecta, existência de importadores, distribuidores, concessionários ou centrais de compras no país destino.

6. Se as soluções de maior domínio representam uma vantagem para as empresas exportadoras pois permitem-lhe a definição da estratégia a adoptar, um maior controlo das actividades e vendas e a obtenção de algumas sinergias entre as empresas interligadas, elas representam porém a exigência de um maior esforço financeiro pelo investimento a realizar.

7. Em contrapartida, soluções de internacionalização mais ligeiras que exigem menor esforço financeiro e de investimento fogem ao controlo das empresas exportadoras uma vez que quer a estratégia comercial quer o desenvolvimento das vendas está no domínio de terceiros.

8. É no campo das capacidades financeiras das nossas PME´s que residem alguns dos principais problemas da internacionalização. A maior parte destas necessita de recorrer a capitais alheios – Bancos – para financiar esse esforço de internacionalização. E muitas vezes não conhecem as diversas soluções disponíveis ou não as conseguem pagar.

9. Consoante o modelo de internacionalização adoptado pelas empresas assim existirão diferentes tipos de soluções financeiras ajustadas às suas necessidades. Para as operações de domínio reduzido, podem dispor de linhas de apoio à importação que servirão para financiar as aquisições de matérias-primas, subprodutos, produtos ou equipamentos a exportar. Podem também dispor de linhas de apoio à exportação mediante as quais podem antecipar receitas relativas às exportações efectuadas ou beneficiarem de cartas de crédito emitidas no âmbito das suas importações ou como garantia de recebimento pelas exportações.

10. Já perante operações de domínio parcial ou total o esforço financeiro e as necessidades de capital serão maiores. Nestes casos, para além dos produtos de financiamento a curto prazo, existem diversas soluções entre as quais os empréstimos bancários de médio e longo prazo, normalmente pelo prazo de 5 a 8 anos, os quais se destinam a financiar investimentos (internos ou externos) no seu arranque, no início do seu curso ou já em fase de crescimento.

Etapas da Internacionalização – As fórmulas de implantação no exterior


1. Na sequência do texto sobre a 1ª etapa da internacionalização – suportada pela elaboração de um plano de Marketing internacional de cariz operacional - segue-se, após definição e clarificação das razões que levam a empresa a decidir-se pela internacionalização das actividades, a escolha da melhor fórmula(s) de implantação dos negócios no estrangeiro.

2. A empresa deverá em primeiro lugar socorrer-se do plano de marketing anteriormente construído para lembrar a cada momento os mercados onde quer operar, adaptando a sua estratégia em termos de produto/serviço, preço, distribuição e promoção aos segmentos alvos escolhidos dentro dos quais definirá o seu posicionamento em face dos concorrentes.

3. Neste ponto será essencial ter perfeitamente definidas e clarificadas as razões para a sua internacionalização: rentabilizar investimentos já efectuados internamente, obter economias de escala com o crescimento do negócio, mero crescimento e expansão do mesmo, desenvolver já uma actividade cujo cariz é claramente internacional, libertar-se de concorrentes internos, projectar a sua imagem em termos transnacionais ou outras.

4. A fase seguinte passa pela decisão sobre quais os países para onde dirigir o esforço de internacionalização. Neste contexto deverá ter presente: o potencial de crescimento do mercado alvo exterior, a regulamentação industrial, laboral ou outra, a estabilidade social, as políticas públicas que possam afectar directamente a sua actividade, a avaliação dos riscos políticos, a segurança, o quadro fiscal geral, os constrangimentos estruturais como o acesso a fontes de energia, redes de transporte ou telecomunicações, matérias primas, as características das redes de distribuição entre outros factores.

5. Quanto à escolha da melhor fórmula(s) de implantação nos mercados externos existem as designadas fórmulas “ligeiras” e fórmulas “pesadas”. Se optar pelas primeiras, a empresa pode optar por uma cedência de licença a agentes locais para venderem os seus produtos, pelo estabelecimento de uma rede de franchising ou pela simples exportação directa ao cliente final, para agentes ou distribuidores locais.

6. No caso de optar por uma fórmula de implantação “pesada” a empresa terá que analisar os recursos internos de que dispõe, humanos, financeiros, tecnológicos ou organizacionais para decidir qual o modelo a adoptar.

7. Neste caso as opções que se lhe apresentam serão escolher entre: um escritório de representação cuja finalidade se resume a acções de prospecção comercial ou representação junto de poderes públicos; a constituição de uma sucursal exterior sem personalidade jurídica cuja gestão e recursos (humanos, tecnológicos, financeiros e outros) serão da sua responsabilidade a qual funcionará como uma extensão da empresa-mãe.

8. Pode optar ainda pela constituição de uma filial, com personalidade jurídica própria, cujo controlo é usualmente total, podendo contudo ser parcial e repartido com um parceiro local para partilha de investimentos, riscos e lucros. Pode também optar pela realização de uma joint-venture com investidores locais através da constituição de uma nova empresa cuja designação é normalmente diferente da marca da empresa-mãe, cujo capital, esforço de investimento, definição das estratégias, repartição de riscos é assumida pelos diversos parceiros.

9. Seja qual for o modelo adoptado, a empresa deve sempre, antes de decidir-se por uma estratégia de internacionalização, analisar os seus recursos, competências, capacidade financeira, factores competitivos e diferenciadores, forças e fraquezas, bem como as oportunidades e ameaças emergentes dos mercados destino.

Etapas da Internacionalização – O plano de marketing internacional


1. O ambiente de negócios sofreu na última década profundas alterações quer pela intensificação da globalização dos mercados, eliminação de barreiras aos fluxos de capitais, evolução dos sistemas de comunicação e tecnologias de informação, aumento da concorrência ou pela simples disponibilidade de mais informação.

2. Portugal sempre se caracterizou como um país de comerciantes, voltado para o exterior, acalentado por sonhos que o levaram além fronteiras. Fosse pela coragem e ousadia herdada dos tempos dos descobrimentos ou apenas pelo facto do seu território ser insuficiente para encerrar a vontade de conquista dos seus empresários, encontramos hoje a presença portuguesa em todas as partes do mundo, da América à Oceânia ou da Ásia à África.

3. Este esforço de internacionalização é, nos tempos de hoje, mais do que uma vontade, uma necessidade e uma obrigação. Portugal é demasiado pequeno para um crescimento da sua economia sustentado na produção e consumo internos. Nem à China lhe basta o seu gigantesco mercado interno. Hoje, o mercado é global.

4. O problema é que, sendo o tecido empresarial representado por cerca de 99% de PME`s, das quais nem 15% internacionalizaram as suas operações, existe um desconhecimento sobre o modo, a forma e as etapas a cumprir quando se pensa seguir o rumo da internacionalização. É nesse âmbito que se apresenta neste texto o resumo das razões e etapas de um processo de internacionalização.

5. Em primeiro lugar há que elaborar um plano de Marketing internacional. Este terá que incorporar informações sobre o mercado (ou mercados) para onde se dirigir, revelando os dados sobre a situação envolvente desses mercados em termos macroeconómicos (instituições, fiscalidade, taxas de juro, inflação, legislação laboral, quadro social e cultural etc) e em termos micro económicos (concorrência, tecnologia disponível, tipo de clientes, rede de distribuição, acesso a matérias primas etc).

6. Deverá igualmente identificar as forças e fraquezas da empresa bem como as oportunidades e ameaças identificadas no mercado destino. Esta análise SWOT estratégica ajudará a perceber quais as variáveis que a empresa pode controlar (endógenas) e as que não pode (exógenas).

7. Deverá ser repensada o tipo de estrutura de Marketing da empresa. Ela existe? Qual o seu lugar no organigrama? Quais as responsabilidades que lhe são conferidas?

8. Partindo de seguida para a definição das variáveis do marketing mix, a empresa tem que escolher: que produtos ou serviços afectará ao segmento(s) de mercado a que se dirige, em função das suas características, culturais, sociais, comportamentais ou outras; qual o tipo de estratégia de preço que deverá adoptar em face da estrutura de preços do mercado e da concorrência; quais os canais de distribuição disponíveis e possíveis; e finalmente o tipo de promoção que pode/quer associar à sua oferta.

9. Este plano terá que contemplar as acções que a empresa irá desenvolver com vista à concretização dos seus objectivos e cumprimento das etapas de entrada no mercado internacional de destino. Para tal terá que estabelecer um conjunto de acções a tomar as quais terão, cada uma delas, que ser ponderadas pelos pontos fortes e fracos da empresa e pelas oportunidades e ameaças do mercado destino.

10. Após a devida ponderação quanto ao risco que cada uma dessas acções comporta (alto, médio e baixo) a empresa decidirá sobre as acções a adoptar na sua estratégia de internacionalização.

11. As acções a adoptar devem ter em consideração: o segmento de mercado escolhido pela empresa, o tipo de posicionamento que pretende adoptar (face à quota de mercado que prevê, ao valor da oferta e ao preço a praticar) e os factores de diferenciação que quer apresentar (em preço, atributos do produto/serviço ou no grau de qualidade).

Etapas para um empreendedorismo com sucesso


Sabemos através de inquéritos efectuados pelo Eurobarómetro que os portugueses são o povo da Europa que mais ambiciona ser empreendedor e criar um negócio próprio. Portugal surge assim na Europa como o país que incorpora, em termos relativos, a maior vontade e ambição de empreender. Segundo dados revelados por um inquérito realizado em 2006 sobre o empreendedorismo na Europa, conclui-se que 62% dos portugueses gostariam de ser patrões de si mesmos contra uma média europeia de 45%. Há porém algo falacioso quando observamos estes números de forma simples, pois se analisarmos a fase da concretização, 65% dos portugueses afirma nunca ter dado passos concretos para a realização desse objectivo, o que não nos coloca num patamar especial em termos de empreendedorismo.

Não há, como todos sabemos, soluções milagrosas ou receitas com sucesso garantido no que diz respeito ao empreendedorismo pois este incorpora desafios e riscos que têm que ser assumidos por quem tem a ousadia de avançar e investir num projecto seja ele de natureza empresarial, social ou outro.

O sucesso de quem empreende, depende do que empreende, quando e em que condições empreende, do perfil do empreendedor, da sua personalidade, experiências pessoais e profissionais anteriores, vivência familiar, atitudes e formas de encarar a vida. Por outro lado o sucesso é variável e relativo. Depende das metas e objectivos que cada empreendedor estabelece para o seu projecto, dos resultados e retornos que espera à partida.

Há porém um conjunto de regras e etapas que deverão ser acauteladas por cada empreendedor das quais dependerá o sucesso de qualquer projecto empresarial, social, pessoal ou outro.

Seguindo estas, as quais se apresentam de forma sintética, acreditamos que o empreendedor passará a reunir certamente um conjunto de saberes que lhe serão úteis e indispensáveis para guiar a sua estratégia, acções, pensamento e atitudes.

1. Como o empreendedor, em boa parte das vezes, é alguém que não tem fortuna nem grande capacidade financeira, não atribua ao dinheiro um valor que ele não tem uma vez que “ o dinheiro não faz o empresário”. É muitas vezes a necessidade financeira que faz o empreendedor.

2. Procure ser persistente e positivo e encontrar novas alternativas para o caminho que pretende trilhar, não desistindo à primeira contrariedade.

3. Procure identificar bem os potenciais clientes e as suas necessidades, analisando se o mercado é suficientemente interessante para acomodar a oferta e fazer vingar o negócio. É indispensável analisar se a sua oferta é importante para o cliente ou para o mercado.

4. Seja modesto nos gastos reduzindo os investimentos e as despesas ao valor estritamente indispensável para que o projecto possa evoluir sem excessos ou desperdícios.

5. Reduza os custos fixos ao indispensável, equacionando contratar em part time ou alugar equipamentos na fase de arranque em vez de os adquirir pois as licenças ou seguros podem ser demasiado onerosos.

6. Negoceie de forma franca e honesta as participações no capital com os parceiros investidores, com sócios ou fornecedores não abdicando da ideia e projecto originais.

7. Saiba negociar, de forma franca e honesta, as participações no capital dos diferentes parceiros.

8. Saiba delegar funções e responsabilidades nos seus colaboradores descentralizando a gestão. Procure identificar parceiros no negócio (internos) e para o negócio (externos) os quais se podem tornar alianças indispensáveis para o sucesso.

9. Respeite os clientes e as suas exigências, procurando escutá-los e percebê-los como sendo a parte mais importante do negócio.

10. Elabore um bom plano de negócios com o máximo de realismo nem que para isso seja necessário contratar um especialista em gestão dada a importância da apresentação deste a futuros investidores.