Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

terça-feira, agosto 11, 2009

As Cidades como pólos de desenvolvimento local e regional - II


4. Uma forma de medir a competitividade

Um recente estudo efectuado por dois académicos portugueses sobre as capitais de distrito portuguesas, utilizou o método que o Fórum Económico Mundial aplica para elaborar anualmente o ranking da competitividade mundial.

Este índice de competitividade global (constituido como um indicador de competitividade compósito) integra quatro sub-índices que medem: a competitividade laboral, a empresarial, a demográfica e de conforto. Os autores basearam o seu trabalho no Atlas das Cidades de Portugal (*).

Para determinar o sub-índice de competitividade empresarial são utilizados indicadores como o volume de negócios no comércio, a capacidade de alojamento média, a taxa bruta de ocupação de cama nos hoteis, as licenças para construções novas e para habitação e o número de visitantes por museu.

Já o sub-índice de competitividade demográfica utiliza indicadores como a densidade populacional, a taxa de crescimento da população, a idade média dos residentes, a esperança média de vida, a taxa de mortalidade infantil e a percentagem de recolha de resíduos sólidos.

Quanto ao sub-índice conforto, este agrega indicadores como o número de pessoas e de divisões por alojamento, alojamentos sem pelo menos uma infra-estrutura básica, alojamentos familiares vagos e edifícios exclusivamente residenciais.

Finalmente o sub-índice de competitividade laboral, inclui a taxa de desemprego, o número de trabalhadores das empresas existentes e o número de empresários em nome individual.

Curioso é constatar que os índices de competitividade utilizados neste estudo (e relembre-se, pelo Fórum Económico Mundial) focalizam-se muito em variáveis de âmbito social e demográfico mais do que em variáveis de natureza macroeconómica como muitas vezes se tem em conta na análise dos factores de competitividade.


5. Diagnósticos e recomendações sobre Lisboa

Lisboa tem bons exemplos de urbanização como por exemplo o bairro dos Olivais, bairro modelo não só ao nível nacional mas também europeu em meados dos anos 60, dada a harmonia de espaços, a coerência arquitectónica e as preocupações de carácter ambiental pelos espaços verdes que o integraram. O mesmo se aplica ao bairro lisboeta da Encarnação ou Alvalade.

Julgamos no entanto que falta à capital um plano estratégico de médio e longo prazo que lhe defina uma missão. Embora exista um PDM faltam planos de pormenor para zonas históricas, nobres ou com carências significativas de um bom ordenamento do território, o que gera a confusão, a indecisão e afasta investidores internacionais como bancos de investimento imobiliário e fundos de investimento imobiliários internacionais. Estes, gostando do que conhecem e julgando as potencialidades de desenvolvimento existentes, desistem em face da indefinição de regras tão elementares como o que se pode construir, o que se pode remodelar, como se pode construir ou quanto se pode construir.

Parte dos problemas de desordenamento existentes, do envelhecimento quer das infra-estruturas imobiliárias ou até da população residente na capital, seriam ultrapassados com o estabelecimento deste plano estratégico, o qual permitiria a recuperação, viabilização e rejuvenescimento da cidade.

Desta forma se definiriam as regras para a recuperação, modernização jurisdição, utilização e melhoramento das estruturas existentes e se encontrariam novas funções para os equipamentos.


6. Cidades e Estratégias de Internacionalização: Algumas propostas

As cidades são, como se sabe, veículos de captação de receitas importantes e essenciais por via do turismo (de habitação, cultural, mas sobretudo de negócios). Uma cidade competitiva é uma cidade que atrai e gera riqueza.

Num contexto actual de globalização das cidades é urgente que as cidades portuguesas se posicionem estrategicamente no plano internacional como eixos geoestratégicos e geoeconómicos geradores de riqueza e com elevada atractividade de pessoas, investimentos e serviços de qualidade.

Para que isso se torne possível é indispensável melhorar a competitividade dos portos marítimos de cidades como Lisboa, Leixões, Aveiro, Sines e Setúbal, tendo em conta a nossa especificidades geográfica como país de vocação marítima e como ponto de ligação no eixo Europa- Ámerica – África. Por outro lado, cada cidade deve ter definido um plano de internacionalização com vista à captação de investimento cultural, científico e comercial entre outros.

Esse plano de internacionalização implicará o fomento de parcerias internacionais com cidades de dimensão e funções semelhantes de outros países, em sectores onde ambas apresentem pontos fortes, que tenham servido de benchmarking em termos de pólos de desenvolvimento e que possam ser alvo de avaliação e partilha de experiência com os responsáveis das cidades portuguesas.

Esse plano de internacionalização implicará também uma análise SWOT (Strenghts, Weaknesses, Opportunities and Threats, ou seja Pontos Fortes, Pontos Fracos, oportunidades e Ameaças) de cada cidade e uma estratégia de marketing internacional com o objectivo de se criar um produto diferenciado (cidade diferenciada) com um preço atractivo (em serviços, em novos investimentos, actividades culturais e sociais) bem com um plano de comunicação internacional que a torne única de modo a que, na mente do residente ou do investidor, esta esteja associada a factores positivos (“market a city as a desirable place to live” usando uma expressão anglo-saxónica do marketing das cidades).

segunda-feira, agosto 10, 2009

As Cidades como pólos de desenvolvimento local e regional - I


Aqui damos a conhecer o ponto de vista do FRES através deste trabalho sobre o papel sócio económico e de desenvolvimento que atribuímos às cidades - como pólos de desenvolvimento local e regional. Este artigo foi publicado no Jornal de Negócios, no semanário Vida Económica e nos Cadernos de Economia.


1. O Papel das cidades e as assimetrias

As cidades desempenham diferentes papéis no contexto económico e social de um país, funcionando como pólos de crescimento e desenvolvimento territorial, como modelos de atractividade de pessoas, saberes, cultura, lazer, ciência e conhecimento, mas também como factores de assimetria social e económica em termos regionais ou nacionais. Estas assimetrias são resultado dos diferentes graus de afectação do investimento dedicado ao desenvolvimento do interior.

Sendo muitas vezes uma bandeira do seu país, pelos pontos de interesse e funções que podem desempenhar e projectar internacionalmente (cidades culturais, turísticas, desportivas) as cidades da era moderna são hoje instrumentos de criação de assimetrias regionais mesmo em países pequenos da dimensão de Portugal por via da intensificação de desigualdades sociais que provocam.

Encontramos porém tais assimetrias em países de maior dimensão como por exemplo Espanha ou o Japão, onde assistimos igualmente ao problema da desertificação do interior causado pela migração das populações para as cidades em virtude da procura de melhores oportunidades e condições de vida. É hoje em dia cada vez mais difícil encontrar emprego fora dos grandes centros urbanos uma vez que essa oferta é muito escassa e o fenómeno do crescimento do desemprego tem agravado o problema.


2. A origem e a evolução das metrópoles

O fenómeno do nascimento das grandes cidades surge pela criação e instalação à sua volta das cinturas industriais (fábricas) o que fixou as pessoas do interior tornando-as um foco de criação de emprego, através do fenómeno das migrações.

Estas cinturas industriais foram criando e alargando as zonas semi-urbanas (dormitórios) o que veio provocar a fixação das populações em anéis à sua volta. Mais tarde vem proliferar o fenómeno das cidades satélite, após os movimentos de afastamento das unidades industriais para zonas mais distantes do núcleo urbano ou para parques industriais – quando surgem as novas políticas de desenvolvimento, ambientais e de ordenamento do território. Esse crescimento tornou-se assim contínuo e muitas vezes desordenado.

No contexto da evolução das cidades, temos como referência Rosabeth Moss Kanter, professora americana da Harvard Business School e o seu novo livro “World Class – Thriving Locally in the Global Economy” no qual a autora apresenta o que designa como os “ingredientes da vantagem competitiva das cidades”, com a apresentação da teoria dos três cês ou seja, três activos intangíveis que as cidades devem possuir e saber operar:


i) conceitos - novas ideias e formulações para os produtos e serviços que criam valor para os consumidores;

ii) competências - ideias inovadoras com aplicações para o mercado e que exprimem as melhores práticas e os melhores standards;

iii) conexões – alianças entre negócios para alavancar competências centrais, criar valor acrescentado ou abrir portas para as oportunidades da globalização da economia.

Kanter defende que estes três activos definem formas de “ligação do local ao global”. Segundo a autora, há cidades que se cosmopolitizaram e que “casaram o local com o global” e as que não conseguiram sair da sua paróquia, deixaram morrer as indústrias e os serviços, perderam os quadros e desertificaram-se.

A autora classifica ainda as cidades vencedoras em três vertentes:

* Cidades de conceitos – as pensadoras (thinkers) que se especializam em conceitos e funcionando como ímanes de massa cinzenta e das industrias do saber. Caracterizam-se pela inovação e exportação de conhecimento.

* Cidades laboriosas – as fazedoras (makers) que são competentes na execução em áreas de fabrico e de produção. São locais de atracção para as industrias de manufactura.

* Cidades de conexões – as intermediárias (traders) que se especializam em conexões para concretizar negócios.


3. Factores de competitividade das cidades

São vários os factores que concorrem para a classificação da competitividade de uma cidade em geral e das cidades portuguesas em particular. Quanto a estas últimas, uma das questões que consideramos mais importantes é a existência de um plano estratégico, plano esse que defina uma missão, um rumo ou orientação funcional para a cidade. Há opiniões que defendem que em termos micro (pequenos locais específicos ou actividades) existem alguns planos mas que não são implementados, muitas vezes por pressões vindas de grupos de interesse ou por inconvenientes de natureza política.

Qualquer que seja o plano estratégico de qualquer cidade, este terá que se focalizar em variáveis relacionadas com a qualidade de vida dos habitantes (mais e melhor mobilidade, mais segurança, mais cultura, menores desigualdades sociais, melhor ordenamento do território, melhor burocracia, melhores serviços públicos de transporte ou melhor comércio).

Pela sua natureza, dimensão e importância poderemos questionarmos: terá por exemplo a cidade-capital Lisboa um plano estratégico bem definido para o futuro? Se sim, qual?

Perguntemos aos lisboetas ou aos cidadãos do país como classificam a sua capital: como uma cidade turística? De negócios? Cultural? Financeira? Ou como uma cidade multifacetada? E qual é o seu posicionamento entre as suas congéneres? Certamente a dúvida ou as diferenças persistem. Não conhecemos a sua missão em termos internacionais e Lisboa tem que se afirmar como uma cidade internacional.

Os interesses político-partidários e a pressão de diferentes lobbies são igualmente factores de pressão e elementos de bloqueio que impedem muitas vezes que certos projectos se desenvolvam (isto é especialmente verdade no que concerne às principais cidades do nosso país).

sábado, agosto 08, 2009

Are we human ? Or are we dancers ?


Pois é, cá estamos nós naquelas semanas de Agosto em que a maioria dos portugueses está de férias.


A maior parte dos assuntos mais sérios fica para Setembro e surge algum tempo para relaxar e quem sabe, divagar.

Para os que por cá continuam a trabalhar, mas também com o pensamento nas férias, aqui fica a questão da Banda “The Killers”

Are we human ? Or are we dancers ?


Como não conseguimos ser humanos o tempo todo, acho que no final deveremos ser Dancers.

quarta-feira, julho 29, 2009

Reformas no Serviço Nacional de Saúde - V



Encerramos este trabalho colectivo do FRES sobre o Sistema Nacional de Saúde com a publicação da última parte do artigo já publicado.


5. Em defesa de apoio psicológico

Para além das propostas para o SNS, importa referenciar igualmente os comportamentos dos profissionais de saúde e a qualidade do apoio psicológico que qualquer unidade de saúde deve prestar, factores determinantes para a população aferir sobre a qualidade dos serviços de saúde.
Verifica-se em Portugal, por demasiadas vezes, uma falta de sensibilidade (em particular nas grandes unidades hospitalares) para as questões relacionadas com o apoio psicológico e emocional que em muitos casos tem que ser prestado não só aos doentes mas aos seus familiares.

Este apoio pode muitas vezes resumir-se apenas à prestação de informações à familia sobre o estado do doente ou do resultado de uma intervenção cirúrgica. Estes comportamentos reflectem a falta de alguns conhecimentos ou de formação básica em psicologia que consideramos ser absolutamente necessários a um profissional de saúde competente.

Os doentes (ou os seus familiares) num qualquer hospital, são sempre “clientes” em situação fragilizada pelo que o apoio emocional e psicológico, por mais simples que seja, é muitas vezes indispensável. Um apoio familiar adequado é um factor determinante para a classificação do que é “a qualidade da saúde do país”.

Reformas no Serviço Nacional de Saúde - IV


4. Propostas para o SNS

A grande questão a colocar às pessoas é se julgam que o Serviço Nacional de Saúde deve ou não assegurar o serviço básico de saúde a todos os cidadãos, independentemente da sua capacidade financeira.

Em nossa opinião julgamos que sim uma vez que esta é claramente para nós uma função social do estado ao qual ninguém se deve substituir. Este é um dos papeis fundamentais que assiste a um estado de direito, moderno, democrático e cumpridor dos principios de solidariedade social. Todos devem ter acesso livre e gratuito à saúde, ainda que, em certos casos, possa haver lugar ao pagamento de taxas moderadoras ou para serviços complementares, sempre no estricto cumprimento do principio da equidade i.e., quem mais paga, é quem mais pode pagar.

Aceitamos contudo um modelo complementar de serviço de saúde privado, utilizado por todos aqueles que apresentem condições financeiras de o pagar. Este pode e deve ser colocado em casos excepcionais ao serviço do cidadão comum, no âmbito do serviço público, sempre que este não esteja em condições de actuar no âmbito público, pela urgência ou gravidade de determinadas situações. O seu custo deverá ser, nestes casos, suportado pelo estado.

Um outro factor que afecta a boa prestação dos cuidados públicos de saúde prende-se com a descentralidade dos serviços. A designada desertificação do país deve ser tida em atenção, de modo a não se criarem fenómenos de descriminação quer na qualidade e diversidade dos serviços prestados quer na disponibilidade dos equipamentos. Nos casos em que estamos perante situações de interioridade, a politica da saúde não pode ser medida e avaliada apenas por critérios economicistas relativamente às unidades prestadoras desses serviços. Estas deverão ser preocupações de um estado social.

Acreditamos seguramente que se houvessem condições técnicas e pessoais, provavelmente muitos médicos e profissionais de saúde estariam disponíveis para trabalhar fora dos grandes centros urbanos. Parte do problema reside, sabemos, na falta de dinheiro, o que não permite expandir os investimentos para um interior menos povoado, levando assim ao corte das verbas para onde há menor procura de serviços médicos.

quinta-feira, julho 23, 2009

Sintra não é como Paris


A Câmara de Sintra quer transformar o concelho na Capital do Romantismo.
Quem conhece bem Sintra facilmente reconhecerá que este projecto tem fundamentos muito fortes.


Sintra é um lugar único em Portugal, e talvez na Europa e no Mundo.

Uma das jovens turistas estrangeiras entrevistadas recentemente por uma estação televisiva, disse espontaneamente que Sintra é um lugar muito bonito e disse ainda que Sintra é como Paris.

Dizer que Sintra é um lugar muito bonito é aceitável sem qualquer tipo de problema. Já quanto à afirmação de que Sintra é como Paris, tenho de confessar que me causa algum incómodo.

O Professor José Hermano Saraiva há muitos anos que diz que se queremos vingar a nível internacional, temos de promover o que cada região tem de diferente. Ser bom não basta, é preciso ser diferente.

Sei que é um pouco ( ou muito ? ) presunçoso da minha parte pois nunca estive em Paris mas não posso aceitar de modo algum que tentem dizer que Sintra é como Paris. Paris tem muitos encantos e acredito que seja uma cidade fantástica.

Já a nossa Sintra é especial por um micro-clima único que potenciou uma série de outros factores em redor:
- Potenciou uma Paisagem absolutamente deslumbrante, quer se esteja embrenhado na Serra de Sintra, quer se esteja no seu topo contemplando toda a região da Grande Lisboa.
- Potenciou a Construção de Castelo, Palácios, Convento, Parques, e um sem número de Quintas de beleza sem paralelo.
- Potenciou uma atmosfera propícia a romantismos e misticismos.

Milhares de turistas de todo país e de todo o mundo visitam Sintra todos os anos. Todos eles saem encantados com tudo o que vêem e sentem ao pisar aquele pedaço especial da terra.

Os turistas que visitam Sintra uma vez, ficam a conhecer o Palácio da Vila, O Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros, o Palácio de Seteais e talvez pouco mais. Ficarão também a conhecer o centro da vila que tem muitos atractivos em termos de artesanato e guloseimas como os famosos Travesseiros da Periquita.

Mas eu que conheço Sintra desde os meus 15 anos, recomendo que quem ainda não conhece Sintra, a visite cem vezes. Em cada visita descobrirão novos cantos e novos encantos. Sintra é uma caixinha de surpresas sendo uma das mais deslumbrantes a Quinta da Regaleira. De carro ( ou a pé para os mais aventureiros ), há muito mais a descobrir nas estradas de Sintra desde o Palácio de Monserrate ao Convento dos Capuchos.

Todos esses momentos são temperados por um clima fresco e húmido, um privilégio, especialmente nestes dias de verão.

Quem conhece Sintra e Paris diga-me por favor, Sintra é como Paris ?

segunda-feira, julho 20, 2009

Época do Detalhe, Pormenor e Rigor

Época do Detalhe, Pormenor e Rigor

Vivemos numa “arena” social onde se tudo se passa a uma velocidade abismal, onde não há tempo para parar escutar e observar. O dia é constituído por 24 horas, 1440, marcados por “Blocos”, género manhã até almoço, tarde até ao jantar, e por continuidade…reparamos que as horas, os dias, as semanas, meses, anos passam e não ligamos ao conjunto de pormenores que constituem as peças do puzzle que é a vida.

Os detalhes da Vida, aqueles momentos singulares que todos nós temos no nosso dia-a-dia mas que não damos conta por força do hábito, ie da própria rotina, que passam despercebidos, enfim que não valorizamos…os pormenores que marcam a diferença!

Há dias num café, observei que, estando a Senhora (a funcionária) na outra ponta do balcão
(no fundo do estabelecimento), e ao sentir a entrada de mais um suposto Cliente na loja disse sem tirar os olhos da tarefa que estava a realizar; “Café?”. Reparei e percebi de imediato que a interrogação era para a última pessoa/cliente que acabaria de entrar.

A Cliente, neste caso uma Senhora, dirigiu-se à montra rica em bolos e também percebendo que a interrogação se destinava a ela, deixou “cair” a interrogação e com calma, aguardou pelo “face-to-face” com a Senhora do Café.

Neste caso, bem como em muitos outros devido à rotina, pensamentos exteriores, outras variáveis, o detalhe, neste caso grande detalhe, leva-nos comuns cidadãos, seres sociais a evitar a Comunicação, ao desenvolvimento de relações inter-pessoais, à Escuta ao mero diálogo, ao simples e mero trocar de olhar, à linguagem não verbal.
Ao invés de sermos “robotizados”, mecanizados tentemos dar um “ar” mais natural, humano aos pormenores, detalhes da Vida, não falo apenas na execução, pois todos nós queremos ser e ir ao encontro do perfeccionismo, mas sim na observação, escuta, no pensamento!
No tentar decifrar o “Porquê” daquelas respostas, daquela atitude, na utilização daquele objecto em virtude de outro, nas palavras ditas, por exemplo, já dizia os sábios chineses: “As palavras que usamos influenciam a vida que vivemos. Escolha-as sabiamente!”.
Neste nível conseguimos não ver apenas e só ver a árvore, mas sim a Floresta!
Talvez possamos preencher os 3 Ego´s: o “id”, o “ego” e o “superego”. Possamos preencher o nosso jornal da vida com mais alegria compreensão, satisfação, entusiasmo, paixão e vontade, e rigor, enfim como dizem os franceses “rapport”!

Vamos junto do detalhe do pormenor, ao rigor, ao singular, do geral ao isolado, escutar perceber sem cair de uma forma simples e “gratuita” em comentários/observações.

Fazer o que tem de ser feito dando relevância aos “inputs” nossos, dos outros e fortalecer desta forma a nossa Linha de Pensamento. Tentar ser jornalistas, ie falar/pensar apenas no “Eu”, isentos no discurso, observar, escutar, ainda remontando aos sábios chineses “Temos uma boca e dois ouvidos, mas jamais nos comportamos proporcionalmente”.

Despertemos o nosso ser social (não num só sentido, do nosso mas dos outros para connosco, sem cairmos na standarização, no “pret-à-corter” que a sociedade de forma directa e indirecta nos tenta influenciar!
Valorizemos os detalhes, os pormenores o rigor, dos nossos e dos outros, Quando?, Como? Em que Circunstâncias?
Hoje! Escutando/Observando e Pensando! Sempre!

Alexandre Motty

quarta-feira, julho 15, 2009

Crises e Oportunidades


A Pandemia de GRIPE A é uma crise global pois está a afectar o mundo inteiro.
Não é demais relembrar os conselhos e os esclarecimentos de dúvidas, pois está em causa a saúde de todos.

Ficam aqui alguns links onde se encontram muitos esclarecimentos e cuidados a ter para enfrentar a Gripe A.
A Informação oficial do Ministério da Saúde pode ser vista em:
http://www.dgs.pt/ms/2/default.aspx?pl=&id=5509&acess=0&cpp=1 (microsite)

Outros portais apresentam conselhos semelhantes com outra apresentação:
http://saude.sapo.pt/abc_saude/g/gripe_a/ver.html?id=1006800
Sendo uma crise global que deve ser encarada com serenidade e seriedade, a GRIPE A está também a provocar movimentos positivos em todo o mundo.
A prova de que ela, sendo uma crise constitui também uma oportunidade, é dada pela rápida troca de informação via internet entre milhões de pessoas em todo o mundo, sobre os cuidados a ter para se lidar com a Gripe A.
Se repararmos bem, veremos que muitos dos conselhos incluem cuidados gerais de saúde, que andavam alheados de muitas pessoas, ou seja, como não havia algo tão grave, as pessoas nem se lembravam da necessidade de se lavar frequentemente as mãos (antes e depois das refeições, após a ida à casa de banho, entre actividades, etc)
Ao se lavar as mãos de forma correcta, podemos ver um exemplo em (http://www.youtube.com/watch?v=V1SiYgLvYEU ) não estamos só a prevenir a Gripe A mas também outras doenças pelo que esta crise é de facto uma oportunidade para se passar mensagens à população, que de outra forma, pouco impacto teriam.
Deve-se procurar efectuar também uma boa ventilação de ambientes habitualmente fechados.
Constatamos assim que uma crise não traz exclusivamente más notícias.
Podemos aprender com ela e aproveitar as oportunidades que ela apresenta.

domingo, julho 12, 2009

Desistir ou Insistir ?


O prémio Nobel da Paz Muhammad Yunus afirmou ontem que a crise económica global pode constituir uma oportunidade para uma mudança social positiva.

Yunus, fundador de um sistema de micro-crédito para os pobres, falava em Joanesburgo durante uma palestra em honra do antigo presidente da África do Sul, Nelson Mandela, que completa 91 anos no próximo dia 18.

O economista, do Bangladesh, defende que a crise financeira mostrou que as formas tradicionais de negócios não funcionam e advoga, pelo contrário, um modelo novo de negócios sociais que possam ajudar a reduzir a pobreza, proporcionar cuidados médicos e água potável às pequenas localidades.

Fundador do Projecto Banco dos Pobres que se oficializou em 1983 com a Constituição Formal do GRAMEEN BANK, Muhammad Yunus continua a ser uma voz de esperança para um equilíbrio social que quase todos desejam mas poucos trabalham para que aconteça.

Um dos méritos do Professor Yunus reflecte uma ideia recentemente realçada por uma pessoa próxima em termos profissionais, ou seja a necessidade de insistir em vez de desistir.

Como é que palavras com uma fonética parcialmente similar podem de uma forma tão determinante, traduzir consequências tão diferentes ?

Face a todas as dificuldades que qualquer projecto enfrenta, uma das atitudes naturais é desistirmos. Muhammad Yunus nunca desistiu, e o facto de em 2006, conjuntamente com o Banco Grameen, que ele próprio fundou, terem alcançado o prémio Nobel da Paz, mostra que muitas vezes o caminho não passa por desistir mas sim por insistir.

Neste processo de insistência, a participação de todos ou de uma grande maioria, torna muito mais fácil a prossecução de objectivos bons para toda uma comunidade.

A nossa principal preocupação é uma comunidade especial chamada Portugal.

Não somos os únicos a querer que muitos rumos errados se alterem. Não somos os únicos a contribuir de forma livre e espontânea para que mais ideias se debatam e mais consensos se alcancem.

Quando o caminho mais fácil é desistir, continuaremos a optar por insistir constituindo assim um "Porto de Abrigo" para todos os que não se querem resignar.

Não é necessário que todos se dediquem a esta ou a outras causas em regime exclusivo. Basta que paremos e dispensemos uns minutos por semana para entender que uma sociedade coesa não se constrói com todos os seus elementos a fecharem-se em “bunkers de egoísmo”.

Sem prejudicar o que cada um alcançou com o seu próprio mérito, é possível construir um espaço complementar de contribuição para uma vida melhor de toda uma sociedade. Podemos não ter ainda noção de quais são os grandes desígnios nacionais que os nossos dirigentes deveriam traçar. Mas o desígnio de cada um em contribuir de forma parcial e complementar a outros objectivos pessoais que traçam para si próprios, não me parece um desígnio tão difícil de alcançar.


Basta mudar algumas letras e transformar o desistir em insistir.

sábado, julho 04, 2009

A vida é um jogo



Um apontamento prévio, para nos situarmos no contexto e, para não expressar apenas a minha opinião e minimizar o efeito da subjectividade, recolhi as considerações abaixo na “Wikipedia”. Assim temos:

“Jogo é uma actividade estruturada ou semi-estruturada, normalmente praticada com fins recreativos e, em alguns casos, como instrumento educacional. É, geralmente, distinto do trabalho, que visa remuneração e da arte, que está geralmente associado à expressão de idéias. Esta separação não é sempre precisa, assim, há jogos praticados por remuneração e outros associados à expressão de idéias e emoções.”
“Ingénuo é alguém, por definição natural; simples,
inocente, onde não há artifício ou malícia.”
Quotidianamente vamos assistindo a diversos jogos, nomeadamente desportivos, de poder, de estratégia, politicos, de influência, de interesses, etc., o que nos leva a crer que , de facto, a vida não é mais do que um jogo.
Se atentarmos ao que nos rodeia, somos capazes de encontrar alguns exemplos que ilustram estas considerações e nos reduzem as nossas margens de incerteza.
Por exemplo, ao nível desportivo, temos um clube que, sistematicamente, nestes ultimos anos, não conseguindo afirmar-se desportivamente no local próprio, procura logo argumentos de secretaria para se manter no escalão que pretende, acusando os outros de irregularidades e de se aproveitarem da ingenuidade dos demais. Enfim, é um outro tipo de jogo, não se joga com bolas mas com influências. Serão jogos de interesses? Quem sabe?
Outro exemplo é o caso de um Banco, onde alguém com responsabilidades de gestão, que até já teve funções públicas, não sabia o que se passava, crédulo da honestidade dos outros, foi enganado! Ah! Mas antes tinha ido às instâncias de controlo pedir para ser controlado. Afinal sabia? Ou não sabia? Mais um ingénuo e só agora vai tomando conhecimento pela imprensa … alguém se andou a aproveitar da inocência dos outros … não há direito! Ou será mais um jogo de estratégia? Quem sabe?
Há também o caso de um centro comercial, na outra margem, em que todos desconheciam que havia facilidades concedidas com a ingenuidade e boa vontade própria dos inocentes. Ninguém sabia de nada, mas alguém sabia e aproveitou-se da pureza dos outros. Já não se pode ser sério e honesto! Ou será mais um jogo de poder? Quem sabe?
Então e na Educação? Será que o problema está na avaliação dos professores, na definição dos estatutos do aluno ou na carreira dos docentes? Ou será que alguém se está a aproveitar desta situação, baralhando os dados, para se autopromover socialmente? Ou será mais um jogo de interesses? Quiçá políticos? Quem sabe?
Pois é, somos um país de jogos e jogadores, e admiramo-nos de quê? Não dizem que a vida é um jogo? Todos nós , à nossa maneira, somos jogadores .
Mas parece que ninguém quer saber das situações a resolver, o que querem é resolver as suas situações! Afinal viver a vida resume-se a jogar o jogo!
Porém, há um aspecto comum a alguns destes jogadores, é o facto dos seus bolsos , sem qualquer intenção ou malícia, ficarem cheios, como?
Como diz o velho aforismo popular “Quem cabritos vende e cabras não tem … de algum lado lhe vem!” Pois é, parafraseando uma velha máxima, concluiria dizendo que viver não custa … o que custa é saber viver ... ou jogar! Para bom entendedor …

quinta-feira, julho 02, 2009

Reformas no Serviço Nacional de Saúde - III



3. Que investimentos alternativos?

Em face das limitações orçamentais onde é que se torna prioritário investir? Em megaestruturas como o novo aeroporto na OTA ou no TGV? Numa nova cidade aeroportuária? Ou em novos hospitais e centros de saúde adequados às características demográficas de uma população cada vez mais envelhecida?

Se o país não apresenta capacidade financeira para abraçar todos os grandes (e importantes não temos dúvidas) projectos, terá que fazer escolhas e opções. E estas parecem-nos claras.
Não há estado de direito verdadeiramente solidário e social que não proporcione aos seus concidadãos a dignidade de uma saúde tendencialmente gratuita mas onde se favoreça de igual forma um serviço de saúde privado, visando este naturalmente o lucro, como uma qualquer outra actividade económica mas exigindo-se dele a melhor qualidade. O que terá maior impacto na competitividade, notoriedade ou reputação do país face ao exterior? Aquelas infra-estuturas ou uma rede de hospitais e unidades de saúde do melhor nível, com profissionais de saúde altamente motivados e dedicados, que sirva não só os cidadãos nacionais mas todos aqueles que nos visitam (temos uma população europeia igualmente envelhecida) tornando assim o país apelativo e atractivo a quem nos pensa visitar? Não será o turismo uma das apostas estratégicas de Portugal para o futuro?

Pensamos que para a coexistência de um bom serviço de saúde público com um privado de elevado nível podem adoptar-se nalguns casos o modelo das parcerias público-privadas, do qual resultará, se desenvolvido de forma correcta e eficaz, uma solução favorável à população. Parece-nos lógico combinar a experiência pública e a capacidade financeira do estado na área da saúde, com os meios e experiência de gestão que alguns operadores privados podem trazer para esta relação.

Há na Europa bons exemplos destas parcerias, que funcionam com benefícios e custos equivalentes para ambas as partes ( à parte o modelo de saúde nórdico que privilegia o papel e a responsabilidade social do estado nesta área e que é no entanto um modelo de sucesso).

terça-feira, junho 30, 2009

Reformas no Serviço Nacional de Saúde - II


2. O papel da tutela

Um outro problema do SNS que não tem que ver com a qualidade dos médicos e enfermeiros ou outros profissionais da saúde, diz respeito à qualidade da tutela e da sua capacidade de gestão. Sabemos que ao longo de muitos anos Portugal andou aos ziguezagues na condução das políticas de saúde, com governos que iniciavam dossiers que outros não concluíam.

Vivendo sucessivas e nem sempre coerentes reformas, o SNS sofreu também com a variabilidade do pensamento e estratégias politicas e dos politicos. Hoje temos a certeza de que a boa prestação de cuidados de saúde nos hospitais e centros de saúde, passa pela boa organização de todo o sistema, medindo-se aquela não só pela atenção e profissionalismo dos médicos e enfermeiros, mas por uma boa capacidade de gestão, pela competência da tutela em exigir aos condutores das politicas de saúde a nível micro (entenda-se na gestão hospitalar) objectivos, metas e resultados.

Por sua vez, estes gestores hospitalares, devem ser escolhidos por critérios de competência, capacidade de liderança e provas dadas, devendo ser não só motivados a cumprirem os seus objectivos e metas mas também sendo capazes de liderar e motivar aqueles que dirigem. No fim da linha, a tutela deverá controlar de forma rigorosa a gestão da saúde, observar as metas alcançadas e definir as necessárias correções a implementar. Sabemos que foi isto que falhou em Portugal durante muitos anos.

Ora isto significa gerir os hospitais como organizações empresariais, que actuem de forma eficiente e eficaz, cumprindo com os seus objectivos, gerindo orçamentos por vezes apertados, satisfazendo os seus clientes (utentes) e atingindo os resultados pré-definidos.

segunda-feira, junho 29, 2009

Reformas no Sistema Nacional de Saúde - I


Iremos passar a apresentar os diversos capítulos que constituem o trabalho de diagnóstico, reflexões e recomendações da equipa do FRES que se debruçou sobre as reformas em curso no Sistema Nacional de Saúde.


1.Reforma da rede de urgências


Em Janeiro deste ano foi apresentado pelo Ministério da Saúde através de uma comissão técnica de avaliação e apoio ao processo de requalificação das urgências, o relatório final com propostas concretas sobre a rede de urgências nacionais. Este relatório apresenta um conjunto de nove critérios de avaliação e a consignar no âmbito das reformas propostas. Em termos globais são apresentadas dezassete propostas de reajustamento à rede de urgências. Dada a sua extensão não nos iremos debruçar com detalhe sobre todos os pontos propostos neste relatório mas apenas reflectir sobre o que nos parece merecer particular atenção.


Estão definidos três níveis de serviço de urgência quando o anterior regime definia apenas dois. São estes o Serviço de Urgência Polivalente (SUP) o Serviço de Urgência Médico-Cirúrgico (SUMC) e o Serviço de Urgência Básico (SUB). Estes diferentes níveis de urgência distinguem-se pela sua capacidade de atendimento e capacidade cirúrgica, critérios estes dependentes quer da população local quer da afluência previsível de doentes. Numa primeira análise, considerando a distribuição e hierarquização da rede de urgências pelos hospitais e centros de saude do país, parecem-nos adequadas as propostas apresentadas. Parece-nos correcto que, por exemplo, hospitais como o de Santo António ou São João no Porto, Universitários de Coimbra, Santa Maria e São José em Lisboa, Fernando Fonseca na Amadora ou de Santarém, usufruam dos serviços de urgência de maior dimensão e oferta de serviços médico-cirúrgicos.

Um outro aspecto que pretendemos realçar são os critérios relativos ao tempo de resposta ao socorro local. Estes são suportados em considerações de natureza geográfica e tempos de chegada aos locais de socorro. Neste campo, as metas estabelecidas, pelos critérios que consideram, parecem-nos à partida racionais. É certo que é sempre dificil estabelecer com absoluta certeza a aplicabilidade adequada destes tempos quando falamos de socorrer vidas humanas. Cada circunstância pode ser diferente da anterior e nunca ninguém aceita como justificável a perda de uma vida humana devido a um atraso na chegada de apoio. Mas tendo em conta que os tempos de resposta preconizados nesta proposta se enquadram no que se considera serem os padrões internacionais, o que defendemos é que os meios aplicados e a distribuição dos mesmos seja adequada à realidade do país que temos, às características demográficas das populações e sua estrutura etária, às redes de comunicação e às condições físicas do local. É igualmente difícil de aferir sobre a adequabilidade do número de ambulâncias por um determinado número de habitantes. Aqui mais uma vez os critérios parecem-nos razoáveis, mas cada situação diverge da anterior podendo contudo acontecer que uma ambulância de emergência por cada 40.000 habitantes seja insuficiente. O que importa é que, nestes casos, haja de imediato a possibilidade de aparecerem duas em vez de uma.

domingo, junho 28, 2009

Centros de Decisão Nacional


A Abordagem

Tem estado recentemente em discussão a problemática sobre a manutenção dos “centros de decisão” nas mãos dos investidores nacionais e o risco da sua transferência para o estrangeiro. Este debate surge reforçado após a consciência plena do que é (pode ser) a globalização. Fará sentido esta discussão no quadro da nossa integração no espaço económico e social comum, no âmbito da União Europeia? Seremos demasiado proteccionistas? Acreditamos que pelo menos merece haver espaço para esta reflexão.

Há uma grande diversidade de argumentos, uns a favor e outros contra a transferência do capital das empresas nacionais para mãos estrangeiras. Em ambos os entendimentos, encontramos posições razoáveis e sensatas. Por isso acreditamos que a questão não é simples e de conclusão linear. Encontrámos, entre outros, alguns dos argumentos que nos merecem maior reflexão e discussão.

i) A favor da transferência do capital para estrangeiros:

- a importação de conhecimento, novas tecnologias, know how e novas competências de gestão;

- a criação de emprego, o aproveitamento da mão-de-obra especializada que, se bem gerida, revela bons níveis de competência e produtividade;

- a captação de importantes níveis de capital não disponível em mãos de investidores nacionais;

- a possibilidade de alavancar a economia para novos graus de produtividade e desenvolvimento tecnológico;

- a integração de Portugal nos modelos de crescimento dos países parceiros mais desenvolvidos da União Europeia (caso da Inglaterra, Holanda, Suécia ou Espanha).

ii) Contra esta posição de deslocalização do capital:

- a procura pelos estrangeiros de um modelo de mão-de-obra barata que desqualifica o país;

- o risco de provocar o desemprego, com o impacto social negativo consequente, quando este modelo de baixo custo da mão-de-obra sofre a concorrência de países como a China, Índia, Republica Checa ou Roménia;

- o mesmo fenómeno que o anterior mas baseado na deslocalização da produção para os países da Europa de Leste cujas qualificações da população são mais elevadas;

- o mero aproveitamento dos benefícios fiscais do estado por um longo período de anos, findos os quais se encerra a actividade e se deslocaliza para os países atrás referidos;

A politica

Apesar dos argumentos acima apresentados, continua para nós a não ser simples uma tomada de posição, a favor ou contra os mesmos, uma vez que tais argumentos não reflectem por si só a profundidade do problema. A exemplo de países já referidos como a Holanda, Suécia, Reino Unido ou Espanha, também em Portugal será de grande conveniência permitir a transferência do capital para accionistas estrangeiros (quer de grandes, pequenas ou médias empresas) desde que estes investidores nos tragam não só novos capitais mas também uma forte capacidade financeira que permita ao país mais desenvolvimento, inovação e criação de riqueza. Isto é igualmente aplicável a negócios em sectores estratégicos para Portugal. No momento em que tanto se fala (e trabalha) para a captação de investimento estrangeiro, o país não pode e não deve actuar em contradição com esta politica dado que a criação de riqueza permitirá a obtenção de sinergias com outras empresas a montante e a jusante (clusters) tão importantes para o país.

Os reguladores

O risco da transferência de capitais, a existir, poderá ser significativamente reduzido, extinto mesmo, se houver uma forte política reguladora em Portugal (como no Reino Unido). Acreditamos que uma forte entidade reguladora em cada sector estratégico permitirá dar cumprimento às normas estabelecidas no mercado de cada sector, o que permitirá a protecção dos interesses económicos, políticos e sociais nacionais, reduzindo o perigo de uma nefasta detenção de capital nacional em mãos estrangeiras. Estes riscos, se os houver (desemprego acelerado, encerramento de operações e desinvestimento, atropelo das normas de concorrência, politicas empresariais com impacto social negativo na sociedade, fragilidade na defesa e coesão nacional) serão minorados com uma politica reguladora de rigor e exigência. A existir tal politica, será possível manter em Portugal o capital na posse de quem terá melhores condições para criar valor de forma mais acelerada mas desenvolvendo (e protegendo) um modelo de coesão social.

Uma dúvida nos assola. Deverão as entidades reguladoras que definem as regras do mercado e da concorrência contribuir igualmente para a definição do que são as políticas estratégicas nacionais para o sector? Estamos inclinados a concluir que não. Essa tarefa é da competência dos concorrentes.

O Estado

Caberá ao Estado em última instância responder pela manutenção do modelo de coesão social, soberania e segurança nacionais. A questão que mais dúvida nos suscita é se o estado deverá sobrepor-se aos reguladores sectoriais. Se tomarmos como certo que tal não deva acontecer, poderá (deverá) o Estado no limite, proceder a compensações fiscais em sede de IRS, IRC ou outros. Um exemplo: havendo decisões num mercado ou sector com impacto negativo directo nos rendimentos dos mais desfavorecidos, o Estado compensará quem recebe o salário mínimo nacional ou rendimentos abaixo de um valor/limite mínimo estipulado. A isto se chamaria actuação seguindo o interesse nacional.

Mário de Jesus
Cecília Santos
Estela Domingos
Jorge Carriço
João Mateus

Grupo de Trabalho do FRES

domingo, junho 21, 2009

Desenrascar e Aprender com Prazer!


A propósito do artigo "Queremos Explicações" comecei a escrever um pequeno comentário que acabou nesta contribuição.

As informações, conclusões e comentários recolhidos naquele artigo, são perturbadores para mim.

Dei comigo a pensar: como é que à beira do ano 2010 continuam os Portugueses a ser educados para serem, tão só, verdadeiros Mestres na "bela Arte do Desenrasca" que nos tem caracterizado?

Começam já enquanto estudantes a "desenrascar" a passagem de ano através de explicações de ultima hora. E, naturalmente, os pais até colaboram. Não tivessem eles, também, sido criados com o mesmo estigma.

A propósito desta característica portuguesa conta-se a nível internacional uma anedota que vou resumir:

"Todos os bons gestores sabem que devem manter na sua empresa ou fábrica, bem no centro das instalações, uma redoma de vidro com as seguintes instruções: Quebrar em caso de calamidade, crise, ou problema sem solução.
Dentro da redoma o que estará? Um português!
Com a sua capacidade de "desenrascar" é o único elemento capaz de resolver a situação a contento e dentro do prazo."

Longe de estar aqui a lamentar-me por ser portuguesa, muito pelo contrário, pretendo que nos foquemos naquilo que há de positivo nesta história. Temos, realmente, este espírito de "desenrasca" que até nos é reconhecido internacionalmente. Em momentos de grande crise e tensão somos capazes de encontrar soluções que nem passariam pela cabeça de outros que até podem estar, teoricamente, melhor posicionados para o fazer.

O que precisamos, mesmo, é de capitalizar essa capacidade e não ficar por aí.

Conjugando este ponto com o tema do artigo “Queremos Explicações” e porque gosto de ser positiva: se esta nossa capacidade fosse reforçada com conhecimentos mais profundos chegaríamos muito mais longe.

Felizmente, já muitos portugueses perceberam isso (mesmo que não se tenham dado conta de forma consciente) e distinguem-se todos os dias no mundo, de várias maneiras, tal como o fazem cidadãos de muitos outros países.

Seria bom que conseguíssemos ter todo um povo a dirigir-se nesse sentido, em vez de apenas excepções.

A minha sugestão vai para a necessidade de passar às nossas crianças, aos nossos estudantes, a todos os envolvidos no ensino e educação, desde os pais aos professores, o prazer que pode ser a aquisição de conhecimentos. Aprender, pelo prazer de aprender é algo muito diferente de aprender porque tem que ser, porque fico bem visto, porque dou prazer ao papá, porque... porque... mas dá muito trabalho e é um grande sacrifício... Tudo, menos: porque gosto de saber mais, de crescer no conhecimento e retiro prazer desse crescimento.

E não sou eu quem inventa esta fórmula. Já dizia Alfred Mercier, (1816-1894): “Aquilo que aprendemos com prazer, jamais esquecemos”.

Transforme-se a aprendizagem num 'bem de consumo por prazer'. Explique-se, de forma positiva e atraente, a crianças e a adultos qual o valor acrescentado do 'saber' e muito pode mudar.

Eu acredito, e você?

segunda-feira, junho 15, 2009

O FRES e a Conferência de Empreendedorismo do AUDAX

Estimados amigos e visitantes
Informamos que o FRES estará presente como participante e apoiante da Conferência sobre Empreendedorismo do AUDAX - Centro de Investigação em Empreendedorismo e Criação de empresas familiares constituído no seio do ISCTE, a qual se irá realizar nos próximos dias 22 e 23 de Junho no mesmo ISCTE.
O tema principal da Conferência será "o Empreendedorismo em tempos de crise" e conta com a participação do reputado Professor e Investigador Jerome Engel da Universidade de Berkeley da Califórnia.
A nossa participação irá ocorrer no âmbito do painel sobre empreendedorismo social.
Aqui fica desde já o convite a todos os nossos visitantes e participantes para que se juntem a nós na próxima semana no AUDAX.
Os nossos melhores cumprimentos

sábado, junho 13, 2009

CR 7 ou CR 9 ? Who Cares ?


Estou super feliz porque hoje, dia 13 de Junho dia de Santo António, nasceu a minha sobrinha Leonor. Gostava de anunciar esta boa nova ao mundo, mas acho que o mundo não está muito interessado nisso.


A avaliar pelos noticiários dos últimos dias, o que interessa mesmo é que o nosso (?) Cristiano Ronaldo, melhor jogador de futebol do mundo (?), acaba de ser protagonista da mais cara transferência de sempre na história do futebol.

Coincide esta transferência multimilionária com um período em que o mundo está a atravessar uma crise financeira e também por isso já se registaram todo o tipo de reacções ( algumas muito interessantes como a do Presidente da FIFA, Sr. Joseph Blatter e a do nosso Seleccionador Nacional de Futebol, Sr. Carlos Queiroz ) a esta transferência e aos números “escandalosamente altos” que ela envolve.

Podemos e devemos analisar essas reacções favoráveis e desfavoráveis pois esse é um exercício proveitoso, com boas lições práticas sobre economia e que mostra o quão hipócrita e volátil pode ser o nosso pensamento.

Mas um facto que não podemos negar é que mais uma vez e em última análise, o que interessa é apenas e só mesmo o valor monetário, que se sobrepõe a todos os outros valores de natureza ética, moral, etc.

Cristiano, com a ajuda preciosa de Sir Alex Fergusson e do Manchester United que o projectaram à escala planetária, tornou-se numa “fabulosa máquina de fazer dinheiro”.
Dreams and Money, that´s what moves the world.

Em Madrid, terra que idolatra num minuto e destrói no minuto seguinte, o nosso (?) Bambino D´Oro vai ter uma Real prova de fogo.

Ele construiu a já famosa marca CR7 ( Cristiano Ronaldo número 7 ) mas em Madrid e pelo menos nesta época, pode ter de se sujeitar a deixar a camisola número 7 com o Mítico Raúl, e ficar com a camisola número 9.

Mas mesmo que isso aconteça, o Marketing que o envolve só terá de mudar o CR7 para CR9.

Por isso a questão inicial:
CR7 ou CR9, who cares ?

quinta-feira, junho 11, 2009

Queremos Explicações

Embora já metade do País esteja a preparar-se para ir de férias, ainda existem tarefas e provas importantes a cumprir. Relembro hoje a recta final em que estão muitos dos alunos candidatos ao acesso ao ensino superior, recomendando que leiam o artigo sobre explicações no link
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1259827

Todo o texto é extremamente interessante, nomeadamente para nós que abordamos de forma regular e contínua as questões relacionadas com a Educação.
Transcrevo os seguintes 2 parágrafos para vos dar uma ideia do artigo, relembrando de seguida pontos e afirmações extremamente pertinentes, oportunos e preocupantes.
“ A poucos dias do início dos exames do 12.º ano, a maioria dos centros de explicações estão lotados devido às inscrições de última hora. Os alunos que vão concorrer ao Ensino Superior procuram cada vez mais o apoio de explicadores e ainda chegam inscrições, sendo Matemática e Físico-Química são as grandes dores de cabeça.. "Continuam a aparecer alunos", reconhece Sara Amado, directora do Nota 20, em Lisboa.
A partir de terça-feira e até 23 de Junho, 156 860 alunos vão ser postos à prova na primeira fase dos exames nacionais. E se alguns começam a preparar a época desde o início do ano lectivo, a maioria apenas se preocupa na véspera do exame, inscrevendo-se à pressa nas explicações. Uma situação que para a professora Maria Saraiva de Menezes "é uma causa perdida". A autora do livro "30 Conselhos para Educar o Seu Filho" considera que as inscrições em cima da data revelam "a atitude portuguesa da irresponsabilidade de tentar a sorte à última hora". “
Para verdadeiramente resolvermos um problema, devemos começar por identificar as suas causas pelo que considero importante reter para nossa análise os seguintes pontos/ afirmações:
- Estudo de última hora não é recomendado por professores nem por explicadores que não garantem sucesso.
- Mas os jovens tentam tudo para não falhar nas provas.
- Matemática e Físico-Química são as grandes dores de cabeça.
- E se alguns começam a preparar a época desde o início do ano lectivo, a maioria apenas se preocupa na véspera do exame…o que revela "a atitude portuguesa da irresponsabilidade de tentar a sorte à última hora".
- Os próprios centros de explicações não garantem sucesso de resultados para os alunos que chegam nos últimos dias.
- Estudo individual pode custar cerca de 170 Euros por mês.
- Os números de inscritos espelham a confiança dos jovens e pais nas explicações. E os explicadores culpam a escola por não ensinar a estudar em casa. "A maior parte dos alunos não sabem estudar sozinhos e quando têm uma dúvida param", diz Mónica Pinto.
- Albino Almeida da Confap (Confederação das Associações de Pais) também aponta o dedo ao sistema de ensino. "A escola ensina todos da mesma maneira e esquece-se que todos aprendem de forma diferente". Por isso, os pais que têm dinheiro têm de se socorrer das explicações para ajudar os filhos a ter boas notas, critica.

Estes pontos são claros e sintomáticos de uma forma de ser estar e pensar de muitos portugueses. As deficiências do sistema de ensino e da própria educação que os pais dão aos seus filhos, deixam muitos jovens completamente perdidos e desorientados.
Toda a educação dos jovens deveria ser no sentido de ajudar a formar adultos conscientes, responsáveis e organizados, qualidades indispensáveis para se tornarem bons profissionais.
No entanto ano após ano vemos os mesmos erros a serem cometidos por quase todos os envolvidos directa ou indirectamente no sistema educativo.
Não basta dizer que temos de ser mais competitivos no panorama da globalização, etc, etc
Há que trabalhar dia-a-dia, mês-a-mês, ano-a-ano, para que aprendamos a corrigir os erros e a fazer as coisas certas.

domingo, junho 07, 2009

Gestão do Tempo e da Informação

Um dos maiores desafios dos tempos modernos que se colocam a todos, Instituições, Empresas ou cidadãos, é saber como gerir o Tempo e como gerir a Informação.
Nunca tivemos tanta informação disponível e tão pouco tempo para a “processar”.
Somos bombardeados diáriamente por via de televisões, rádios, jornais, revistas e internet ( onde se repetem todos os meios atrás indicados e se acrescentam um infindável número de novas formas de comunicação ) já não contando com folhetos e panfletos que nos são entregues directamente em mão ou através das velhinhas caixas de correio.
O problema reside em como gerir toda essa informação, que se for toda guardada para posterior análise, leva-nos a um labirinto de que quase nunca saímos.
Cada um vai delineando a sua estratégia:
- Uns pura e simplesmente rejeitam 90% da informação que lhes chega.
- Outros procuram formas selectivas de analisar a informação que lhes chega, fazendo “leituras na diagonal”, recortes e cópias das partes que consideram mais relevantes.
- Outros procuram não guardar nada pois têm quase a certeza de que não vão lembrar-se dos temas ou às vezes, até do local onde guardaram essa informação.
Sendo complicado gerir a informação que nos chega, não devemos considerar esta uma “Missão Impossível”.
O nosso esforço deve ser no sentido de seleccionar as fontes de informação que nos garantam
uma maior actualidade e fiabilidade na informação que recebemos.
Nesse aspecto devemos olhar cada vez com mais atenção para os meios electrónicos de transmissão da informação. A Internet veio mesmo para ficar e os Governos da maioria dos países do Mundo já se aperceberam dessa realidade.
O nosso também tem olhado com alguma atenção para este campo e entre várias “ferramentas” ou meios que temos disponíveis para aceder a informação importante em tempo útil temos uma coisa chamada Newsletter do Portal do Cidadão, que todos podem subscrever gratuitamente e que nos dá com rigor e actualidade uma quantidade enorme de informação sobre o que vai acontecendo no nosso país.
Como exemplos da última Newsletter destaco:
- 'Associação na Hora' em Quatro Novos Locais (05-06-2009)
- DGCI envia Mensagens aos Contribuintes para Pagamento do IUC (05-06-2009)
- 'Dia Mundial do Ambiente': O Teu Planeta precisa de Ti (05-06-2009)
- Estudo revela Satisfação dos Utentes com Unidades de Saúde Familiar (04-06-2009)
- UE propõe Estratégia para enfrentar Impacto da Crise no Emprego (04-06-2009)
- Anunciados Vencedores dos Prémios Boas Práticas na AP (04-06-2009)
- Cirurgia Oftalmológica com Tempo de Espera de Dois Meses (03-06-2009)
- Novas Regras de Serviços de 'Call Centers' protegem Consumidores (03-06-2009)
- Eco-Condução: IMTT vai desenvolver Simuladores de Condução (03-06-2009)
- Instituídas Novas Regras para Celebração de Contratos de Crédito (03-06-2009)
- Lançado 'Cluster' para Redes de Nova Geração (02-06-2009)
- Praias com Águas de Melhor Qualidade em 2008 (02-06-2009)
- Novo Portal do Governo com Áreas para Cidadãos e Empresas (01-06-2009)
Com este tipo de informação disponível gratuitamente, não nos podemos queixar de que a informação está inacessível.
Continua o desafio de sabermos gerir o tempo e a informação.

domingo, maio 31, 2009

Impressionante capacidade de poluir

Mais de 180 voluntários estiveram ontem na Praia dos Pescadores, na Baía de Cascais, numa operação de limpeza subaquática de resíduos no âmbito do Projectmar.
A iniciativa foi promovida pela escola de mergulho Divetek em parceria com a Sociedade Ponto Verde (SPV).

Ao todo foram retiradas do fundo do mar mais de quatro mil toneladas de resíduos, saldando-se esta operação numa das maiores iniciativas do género em Portugal e rara na Europa.
Todos os resíduos removidos vão ser agora encaminhados para valorização através da SPV, entidade responsável pela gestão de resíduos de embalagens em Portugal e parceira no projecto.
"Entre os resíduos recolhidos com o apoio da grua presente no local contam-se embalagens de plástico, metal, vidro e madeira e, entre os de maior porte, carrinhos de supermercados, tubagens, material de pesca e pneus. Todos estes resíduos vão ser encaminhados para valorização através da SPV" afirma Luís Veiga Martins Director-Geral da Sociedade Ponto Verde.
Registo com agrado esta iniciativa. Para contrabalançar a nossa impressionante capacidade de poluir só iniciativas deste género poderão dar uma forte ajuda.
É também um sinal que existem projectos e acções concretas para defesa e protecção do nosso ambiente. A ideia de fazer do mar um dos nossos caixotes de lixo, tem de ser erradicada.
O mundo vive num cenário de diminuição de recursos naturais por explorar e Portugal tem no Mar, um dos seus mais valiosos recursos.
Ouvi falar de um projecto que pretende reclamar para Portugal uma vasta extensão de território marítimo, ou seja, este Oceano aqui tão perto de nós, tem nas suas profundezas muito potencial a explorar. Caso alguém saiba mais sobre este projecto agradeço que partilhem essas notícias. Eu próprio irei tentar aprofundar-me mais sobre este tema, pois o Mar merece todo o nosso respeito.
No passado foi através dos Mares que nos demos a conhecer ao mundo. No presente e no futuro, muito podemos ainda aprender e aproveitar com o Mar.

domingo, maio 24, 2009

Os Homens do Leme

No link
http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1242665
podemos ler a seguinte notícia da Agência Lusa
Robert Zoellick-Presidente do Banco Mundial prevê crise por muito tempo
O presidente do Banco Mundial considerou, numa entrevista hoje publicada em Espanha, que a crise mundial poderá resultar numa «grave crise humana e social», se não foram tomadas a tempo medidas adequadas.
«Se não tomarmos medidas, existe o risco de se chegar a uma grave crise humana e social, com implicações políticas muito importantes. As medidas de relançamento podem ser determinantes», declarou Robert Zoellick ao jornal espanhol El Pais.
«O que começou como uma grande crise financeira e se tornou numa profunda crise económica, deriva actualmente para uma crise de desemprego», sublinhou.
«Se criarmos infra-estruturas que empreguem pessoas, isso pode ser um meio de associar estes desafios a curto prazo com estratégicos a longo prazo», acrescentou Zoellick.
O presidente do Banco Mundial afirmou que dado «este contexto, ninguém sabe verdadeiramente o que se vai passar e o melhor é estar pronto para qualquer imprevisto».
«Existe aquilo que chamo o 'factor x' e que nunca vemos chegar, como a gripe» A (H1N1), acrescentou, alertanto também para outras «zonas de sombra»: «os perigos ligadosao proteccionismo e à dívida privada no mundo emergente, apesar das ajudas do FMI» (Fundo Monetário Internacional).
O presidente do Banco Mundial sublinhou que a recuperação económica tardará a chegar e quando ocorrer será de "baixa intensidade durante muito tempo" porque a indústria não tem escoamento e o desemprego vai continuar a crescer.
Zoellick considerou pouco provável que se repita uma depressão como a dos anos 30, embora "se acontecesse, seria terrível", com alto custo social, sobretudo nos países em desenvolvimento.
Por outro lado, disse que o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, com quem se reuniu esta semana em Madrid, é "optimista por natureza" por acreditar que a recuperação "pode chegar antes do que se pensa".
Fim da transcrição da notícia.
Na qualidade de simples cidadão português, europeu e mundial não posso deixar de ficar preocupado com as ambiguidades deste excerto de discurso do presidente do Banco Mundial, devendo a preocupação aos seguintes factores:
1. “ …crise mundial poderá resultar numa «grave crise humana e social», se não foram tomadas a tempo medidas adequadas.” Perante esta afirmação de Robert Zoellick, pergunto eu: que medidas devem ser então tomadas, qual o tempo em que devem ser tomadas e por quem devem ser tomadas ?
2. “… dado este contexto, ninguém sabe verdadeiramente o que se vai passar e o melhor é estar pronto para qualquer imprevisto”. Aqui parece-me mais um exercício ambíguo e difícil, como é que podemos estar preparados para qualquer imprevisto se estamos constantemente a ser surpreendidos pelos efeitos em cadeia da crise financeira ?
3. Mais um dado ambíguo: “ Existe aquilo que chamo o 'factor x' e que nunca vemos chegar, como a gripe» A (H1N1), acrescentou, alertando também para outras «zonas de sombra»: «os perigos ligados ao proteccionismo e à dívida privada no mundo emergente, apesar das ajudas do FMI» (Fundo Monetário Internacional)” . O que me parece sinceramente é que estamos a “navegar” por demasiadas zonas de sombra. É tempo de começarmos a ter algumas certezas. Como é que podemos pedir a colaboração de todos na luta contra a crise se estamos dominados por tantas sombras e incertezas ?
4. “ O presidente do Banco Mundial sublinhou que a recuperação económica tardará a chegar e quando ocorrer será de "baixa intensidade durante muito tempo" porque a indústria não tem escoamento e o desemprego vai continuar a crescer.” Esta afirmação então é demais. Todos estamos numa lenta agonia à espera da retoma económica. Agora surge-nos o presidente do Banco Mundial a dizer que tardará ( ou seja não faz ideia de quando ocorrerá ) e quando finalmente chegar será de baixa intensidade durante muito tempo, que também não fazemos nenhuma ideia do que isso quererá dizer. Aqui a questão principal é saber qual o cenário actual, de curto e médio prazo com base nas quais estamos a definir as nossas estratégias de luta contra a crise. Os cenários que traçamos têm a validade de 1 ano, 2 anos , 10 anos ? Não faço a mínima ideia, mas eu que até nem sei nadar, estou a ter muita dificuldade em “navegar” nesta maré de incertezas.
5. “Zoellick considerou pouco provável que se repita uma depressão como a dos anos 30, embora "se acontecesse, seria terrível", com alto custo social, sobretudo nos países em desenvolvimento.” Mais uma no cravo e outra na ferradura o que me deixa ainda mais nervoso e intranquilo.
Peço desculpas por num texto tão pequeno, duplicar tantas partes. O que pretendi transmitir é que os cidadãos estão prontos para dar o seu contributo e no dia-a-dia vão dando o seu melhor.
Agora o que deve também acontecer é os detentores de cargos de maior responsabilidade a nível nacional , europeu ou mundial, não se deixarem dominar por discursos totalmente ambíguos e nada esclarecedores.
Está na hora de os homens do leme assumirem posições claras. Caso não saibam o que fazer, em vez de teimosamente ficarem agarrados ao poder, talvez seja melhor saírem de cena e darem lugar a outros que estejam e sejam mais esclarecidos.

sexta-feira, maio 15, 2009

OS PÁSSAROS

 Sair de Lisboa, ou de uma outra cidade , mais ou menos agitada e poluída, e passar uns dias no campo, é uma forma de retemperar o corpo e a mente. Assim o fizemos e rumamos ao Alentejo.

Mas, para além das nossas expectativas, de contemplar o horizonte da planície alentejana, ouvir o sossego dos sons da natureza, desde o cacarejar das galinhas e do canto dos galos, passando pelo balir das ovelhas até ao chilrear dos pássaros, o que, por si só, já justificava a nossa demanda, ainda fomos aprender como se reage a situações adversas, o significado de persistência e o que realmente é o trabalho de grupo.

Pois é, fomos aprender, não ouvindo dissertações académicas de doutores e teóricos em estratégias e tácticas que nunca vivenciaram, mas tão simplesmente observando na prática o comportamento de alguns pássaros. Como? Passamos a expor : na casa onde ficamos, deixada por uns avós, simples casa térrea num dos vários montes alentejanos, junto a Almodôvar, e por nós recuperada, existe um alpendre, cujas telhas estão a descoberto, suportadas por pequenas vigas de cimento e que apresentam alguns espaços abertos, que os pardais, de há uns tempos a esta parte, têm vindo a aproveitar para aí construírem os seus ninhos. Cansados da sujidade que os referidos pássaros diariamente fazem, resolvemos este ano, antes de fazerem os ninhos, porque aí já não teríamos coragem de os destruir, tapar os espaços abertos com pedaços de esferovite, até porque a primavera espreita e já se nota o bulício dos pássaros em busca de locais de nidificação.

Porém, um dia destes, quando nos levantamos e abrimos a porta para o alpendre, deparámos com 2 pássaros fugindo e, com espanto nosso, tinham retirado “à bicada” esferovite desenhando uma abertura para passarem, obtendo, deste modo, uma confortável casa com isolamento térmico e acústico. Mas como é possível manterem-se no ar se não são colibris e não têm o bico comprido? Desconfiados voltamos a tapar os espaços com esferovite mais volumosa como forma de resolver de vez a situação: Mas, no dia seguinte, a cena repete-se, constatando que já eram cerca de 4 ou 5 pássaros a esvoaçarem quando abrimos a porta. Isto já nos parecia trabalho de grupo e, como tal, para grandes males ... grandes remédios. Desta feita tapámos com pedras e assim ficaria o assunto resolvido de vez.

No dia seguinte, abrimos a porta e já só fugiram 2 pássaros e nada tinha acontecido. Pensámos ... finalmente estão convencidos de que perderam a causa.

Qual não é o nosso espanto quando, no dia seguinte, ao abrir a porta, deparámos com mais de meia dúzia de pardais a esvoaçarem e no chão jazia inerte uma das pedras que tínhamos enfiado dentro do buraco junto às telhas ... quase não acreditávamos.

Perante os factos, decidimos deixar em aberto um espaço para recompensar o esforço, a persistência e sobretudo o trabalho de equipa, pois, em poucos dias, entenderam que só com o esforço concentrado de todos, em torno de um objectivo comum é possível superar as adversidades.

Ainda bem para eles, que não são como nós (salvo raras e honrosas excepções, a que eu gostaria de pertencer) que nos preocupamos mais com dividir para reinar, olhamos mais para os nossos umbigos e somos mais egocêntricos do que sociais, faltando-nos espírito e coesão de grupo.

De facto o que temos e nos confunde são objectivos comuns, em que procuramos atingir não o bem estar global mas o nosso próprio bem estar, pensando que  estamos assim a trabalhar para a sociedade, só que o nosso conceito de sociedade assenta na definição de que esta é “eu e os outros ... e não nós”.

Era bom uma mudança de atitudes, a começar pelos nossos políticos, já que temos de começar por algum lado, que seja por aqueles que têm ... ou deviam ter, a responsabilidade de observar os pássaros e entender, de uma vez por todas,  o que é governar/trabalhar para o bem comum e não para si próprios!

domingo, maio 03, 2009

Investimento, Desenvolvimento e segurança


Tem sido um tema recorrente no país retomar a polémica gerada quanto ao custo-benefício do investimento em grandes obras públicas. Para uns, o investimento no betão é um desperdício pois estamos perante aquilo que se designa por um bem não transaccionável. Para outros é sinónimo de desenvolvimento e maior competitividade para o país.

Sem pretender alongar muito a discussão diria que tenho sido cauteloso nas minhas posições. Nos actuais tempos de crise o país tem que ser muito criterioso no gasto/investimento do dinheiro público e gerir segundo critérios de prioridade, começando pela resolução dos problemas de natureza social (riscos com a elevada taxa de desemprego).

O tempo exige pois uma prioritização e re-calendarização das decisões de investimento desta natureza. Viajo diversas vezes Lisboa/Porto e vice-versa em Alfa Pendular e digo que não temos necessidade de investir milhares de milhões de euros neste trajecto para TGV quando aquele comboio cumpre o trajecto em 2 horas e 45 minutos com o maior do conforto. Já a importância futura entre Lisboa e Madrid se me apresenta como merecendo maior reflexão. Digo maior reflexão, não decisão e investimento imediato.

E agora vou ao tema que aqui me trouxe. Portugal tem investido muito em novas auto-estradas e vias rápidas secundárias. É um facto que a malha rodoviária nacional é hoje das mais desenvolvidas da Europa. Trouxe-nos isto vantagens apara a nossa qualidade de vida? É inquestionável que sim. Os fundos investidos foram os apropriados? Talvez, não sei. O que é facto é que hoje é possível (por esta razão - não abordo aqui outras) deslocalizar qualquer actividade e cobrir o país de lés a lés com rapidez e conforto. E saberemos nós em concreto o que o investimento nesta malha rodoviária nos trouxe de mais positivo? Talvez não saibamos. Aqui ficam alguns dados.

Em 1995 Portugal estava na cauda da Europa quanto ao nº de acidentes na estrada e mortes na rodovia (Autoridade Nacional para a Segurança Rodoviária).

De 1989 a 2008 a evolução em alguns indicadores foi a seguinte:

O crescimento dos veículos em circulação –> 200%
O crescimento no consumo de combustíveis –> 112%
O decréscimo dos acidentes com vitimas –> 23%
O decréscimo em vítimas mortais –> 67%
O decréscimo em feridos graves –> 79%

De 1991 a 2007 Portugal aproximou-se do nº médio de vitimas mortais em acidentes rodoviários na UE quando em 1995 essa diferença era negativa em 105% e ainda em 2005 o era em 30%.

Entre 1997 e 2006 Portugal, juntamente com a Letónia e Estónia, foram os países que registaram maior decréscimo no nº de mortos por acidentes com veículos de 2 rodas a motor.

Nesse mesmo período Portugal esteve no grupo dos 4 países (juntamente com a Suíça, Eslovénia e Holanda) que mais reduziram o nº de mortes em acidentes na auto-estrada.

Portugal foi dos poucos países (juntamente com a França e Irlanda) que obteve uma taxa média de redução da mortalidade das crianças em quase 15%.

Entre 2001 e 2008 o país esteve entre os 3 primeiros com os melhores resultados na redução do nº de vitimas mortais por milhão de habitantes (Luxemburgo – 50%, França - 49% e Portugal - 47%).

Estes resultados são a causa directa da melhoria dos investimentos nas vias rodoviárias do país. Não sejamos ingénuos ao ponto de pensar que resultaram de alterações comportamentais profundas. Necessários e indispensáveis para este progresso. Agora há que medir e analisar opções quando o dinheiro não dá para tudo.

segunda-feira, abril 27, 2009

Todo o Alentejo deste mundo

“ A maior feira agrícola que anualmente se realiza em Portugal atingiu a maioridade. De 29 de Abril a 3 de Maio, a 26ª edição da OVIBEJA – que elege a cultura do olival e a produção do azeite como temática central – mantém-se fiel às suas linhas fundadoras.

Alia a tradição ao desenvolvimento, associa os saberes populares às mais arrojadas inovações tecnológicas, alia as culturas antigas à produção de riqueza e de bem-estar para as novas gerações.
Considerado o maior evento cultural, político, económico e social do interior do país, a OVIBEJA continua a congregar “Todo o Alentejo Deste Mundo”. “
Eu pretendo ir à Ovibeja. Nunca fui, e gostava de conhecer. Digo bem, gostava pois a parte mais complicada é mesmo encontrar alojamento.
No site da feira www.ovibeja.com de onde retirei a introdução deste post, aparecem uma lista enorme de possíveis soluções de alojamento. Ao fim de meia dúzia de telefonemas resolvi desistir pois a resposta è a mesma: está tudo esgotado há pelo menos 2 semanas.
Talvez não seja ainda desta que consiga ir à Ovibeja mas fico contente por continuar a ver que certames desta natureza têm tanto êxito. É um sinal de dinamismo dado por uma cidade interior do país e de um Alentejo que tem tanto para nos oferecer.
As feiras têm sido uma grande resposta de muitas regiões do nosso país. De norte a Sul vemos os diferentes municípios a apoiar feiras de actividades económicas, sendo uma excelente montra de produtos regionais.
Como atractivos adicionais, temos nestas feiras muitos espectáculos culturais, incluindo espectáculos musicais, dança e teatro.
São feiras que aglutinam as gentes das redondezas do local onde se realizam, mas que atraem muitos visitantes de paragens mais distantes.
Certamente que os visitantes deste blog conhecem inúmeras feiras de actividades económicas por todo o país. Caso não conheçam mas saibam de alguma, aproveitem para ir pois vão gostar de certeza.
O nosso país tem tanto para oferecer e nestes eventos ficamos a conhecer muito do Portugal real e actual; Sempre tradicional e no entanto cada vez mais inovador.

domingo, abril 26, 2009

“Assaltos” Legais

No ano passado comprei um Computador Portátil.
Como não tinha disponibilidade financeira para pagar a pronto, optei pela hipótese que a Loja me dava de comprar a crédito, em 12 prestações mensais e sem juros, tendo apenas de pagar, para além do preço do computador, as despesas do contrato.

Passado um ano e já com as prestações todas liquidadas, recebo um folheto promocional da Instituição Financeira que apoiou este crédito, com o título sugestivo “ Quer ficar mais leve ? “
Subjacente a esta mensagem estava a campanha de atribuição de crédito pessoal, até ao montante de 8000,00 Euros, “para usar como e onde quiser”.
Ficar mais leve, dinheiro fresco até 8000,00 Euros, para usar onde e como quiser, sem grandes burocracias e complicações, à primeira vista parece interessante.
Eu até quero comprar um carro usado e esta poderia ser uma solução.
Poderia digo bem, pois ao ver com mais atenção as condições deste financiamento, vejo que pedindo 1000,00 Euros, ficaria com uma prestação de 40,00 Euros/mês, por período de 38 meses e com a Taxa TAEG de… 25,01 % .
Pensei que estava a ler mal mas não, a Taxa de Juro Efectiva suportada no final do contrato seria de 25%.
Depois lembrei-me que sou cidadão da União Europeia e que deveria beneficiar da Estabilidade Economica e Financeira da Zona Euro, que se traduz entre outras coisas, em Taxas Euribor com valores bastante baixos.
Senão vejamos, consultando o link
http://www.euribor.org/html/content/euribor_data.html
vi que a Euribor a 12 meses começou por ser 3,025 % no inicio do ano ( Dia 02-01-2009 ), tendo descido para 1,774 % no Dia 14-04-2009, dia em que me enviaram esta proposta aliciante.
Fiquei confuso e pensando que se calhar não estou a viver na Europa e não pertenço à Comunidade Europeia.
Com uma Euribor a 1,8 %, porque é que eu tenho de pagar 25% de Juros ?
Não sou totalmente ingénuo e percebo que as Instituições Financeiras têm de ganhar dinheiro. Elas prestam um serviço e têm de ter uma remuneração do Capital que emprestam, adicionado do risco que incorrem em emprestar esse mesmo capital.
Mas passar de uma Euribor de 1,8% para um Juro a pagar de 25% parece-me naturalmente um enorme exagero.
Preocupa-me ainda mais o facto de as vítimas destes “assaltos” legais, serem os consumidores mais pobres.
Um consumidor rico, por natureza não necessita de pedir um crédito de 1000,00 Euros. E caso necessite, certamente recorrerá ao seu banco que nunca lhe apresentará uma taxa de juro abusiva de 25%.
São mais uma vez os consumidores pobres a ter de ficar ainda mais pobres e a ter de pagar 250,00 Euros de Juros por um empréstimo de 1000,00 Euros.
É preciso dinamizar o consumo, mas desta forma, apenas parte do dinheiro vai pagar o consumo. Outra parte significativa vai para as Instituições Financeiras, que têm obviamente de apresentar lucros, mas poderiam ter uma consideração mais elevada pelos seus clientes.