Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

domingo, setembro 27, 2009

Etapas da Internacionalização – As soluções de acesso ao mercado exterior


1. Na sequência do tema relativo às etapas de internacionalização abordarei agora a questão das soluções de acesso ao mercado exterior. É sabido que Portugal é essencialmente um país de micro e pequenas empresas. Recente estudo da Associação Nacional dos Jovens Empresários (ANJE) aponta para a existência de 322.881 empresas em Portugal das quais 80% (259.021) são micro empresas – menos de 10 trabalhadores. As pequenas empresas – com menos de 50 trabalhadores - representam 15% do total (48.000). Já as médias empresas – menos de 250 trabalhadores – correspondem a cerca de 5% (15.000) e as grandes empresas – com mais de 250 trabalhadores - 0.3% (860).

2. Com este quadro não será difícil perceber as limitações à internacionalização da maioria das empresas nacionais em especial quando têm que optar pelas diversas soluções de acesso ao exterior. Estas passam por soluções de domínio total, domínio parcial ou domínio reduzido.

3. Nas soluções de domínio total são do controlo total da empresa as vendas a realizar e são caracterizadas pela constituição de filiais comerciais, sucursais, escritórios de representação, representantes assalariados ou agentes comerciais.

4. Nas soluções de domínio parcial as vendas realizam-se em regime de cooperação com outros intervenientes sendo aquelas caracterizadas pela existência de soluções de franchising, joint ventures ou agrupamentos de exportadores.

5. Já nas soluções de domínio reduzido as vendas são realizadas por intermediários e logo com menor controlo por parte da empresa exportadora, caracterizando-se pela exportação indirecta, existência de importadores, distribuidores, concessionários ou centrais de compras no país destino.

6. Se as soluções de maior domínio representam uma vantagem para as empresas exportadoras pois permitem-lhe a definição da estratégia a adoptar, um maior controlo das actividades e vendas e a obtenção de algumas sinergias entre as empresas interligadas, elas representam porém a exigência de um maior esforço financeiro pelo investimento a realizar.

7. Em contrapartida, soluções de internacionalização mais ligeiras que exigem menor esforço financeiro e de investimento fogem ao controlo das empresas exportadoras uma vez que quer a estratégia comercial quer o desenvolvimento das vendas está no domínio de terceiros.

8. É no campo das capacidades financeiras das nossas PME´s que residem alguns dos principais problemas da internacionalização. A maior parte destas necessita de recorrer a capitais alheios – Bancos – para financiar esse esforço de internacionalização. E muitas vezes não conhecem as diversas soluções disponíveis ou não as conseguem pagar.

9. Consoante o modelo de internacionalização adoptado pelas empresas assim existirão diferentes tipos de soluções financeiras ajustadas às suas necessidades. Para as operações de domínio reduzido, podem dispor de linhas de apoio à importação que servirão para financiar as aquisições de matérias-primas, subprodutos, produtos ou equipamentos a exportar. Podem também dispor de linhas de apoio à exportação mediante as quais podem antecipar receitas relativas às exportações efectuadas ou beneficiarem de cartas de crédito emitidas no âmbito das suas importações ou como garantia de recebimento pelas exportações.

10. Já perante operações de domínio parcial ou total o esforço financeiro e as necessidades de capital serão maiores. Nestes casos, para além dos produtos de financiamento a curto prazo, existem diversas soluções entre as quais os empréstimos bancários de médio e longo prazo, normalmente pelo prazo de 5 a 8 anos, os quais se destinam a financiar investimentos (internos ou externos) no seu arranque, no início do seu curso ou já em fase de crescimento.

Etapas da Internacionalização – As fórmulas de implantação no exterior


1. Na sequência do texto sobre a 1ª etapa da internacionalização – suportada pela elaboração de um plano de Marketing internacional de cariz operacional - segue-se, após definição e clarificação das razões que levam a empresa a decidir-se pela internacionalização das actividades, a escolha da melhor fórmula(s) de implantação dos negócios no estrangeiro.

2. A empresa deverá em primeiro lugar socorrer-se do plano de marketing anteriormente construído para lembrar a cada momento os mercados onde quer operar, adaptando a sua estratégia em termos de produto/serviço, preço, distribuição e promoção aos segmentos alvos escolhidos dentro dos quais definirá o seu posicionamento em face dos concorrentes.

3. Neste ponto será essencial ter perfeitamente definidas e clarificadas as razões para a sua internacionalização: rentabilizar investimentos já efectuados internamente, obter economias de escala com o crescimento do negócio, mero crescimento e expansão do mesmo, desenvolver já uma actividade cujo cariz é claramente internacional, libertar-se de concorrentes internos, projectar a sua imagem em termos transnacionais ou outras.

4. A fase seguinte passa pela decisão sobre quais os países para onde dirigir o esforço de internacionalização. Neste contexto deverá ter presente: o potencial de crescimento do mercado alvo exterior, a regulamentação industrial, laboral ou outra, a estabilidade social, as políticas públicas que possam afectar directamente a sua actividade, a avaliação dos riscos políticos, a segurança, o quadro fiscal geral, os constrangimentos estruturais como o acesso a fontes de energia, redes de transporte ou telecomunicações, matérias primas, as características das redes de distribuição entre outros factores.

5. Quanto à escolha da melhor fórmula(s) de implantação nos mercados externos existem as designadas fórmulas “ligeiras” e fórmulas “pesadas”. Se optar pelas primeiras, a empresa pode optar por uma cedência de licença a agentes locais para venderem os seus produtos, pelo estabelecimento de uma rede de franchising ou pela simples exportação directa ao cliente final, para agentes ou distribuidores locais.

6. No caso de optar por uma fórmula de implantação “pesada” a empresa terá que analisar os recursos internos de que dispõe, humanos, financeiros, tecnológicos ou organizacionais para decidir qual o modelo a adoptar.

7. Neste caso as opções que se lhe apresentam serão escolher entre: um escritório de representação cuja finalidade se resume a acções de prospecção comercial ou representação junto de poderes públicos; a constituição de uma sucursal exterior sem personalidade jurídica cuja gestão e recursos (humanos, tecnológicos, financeiros e outros) serão da sua responsabilidade a qual funcionará como uma extensão da empresa-mãe.

8. Pode optar ainda pela constituição de uma filial, com personalidade jurídica própria, cujo controlo é usualmente total, podendo contudo ser parcial e repartido com um parceiro local para partilha de investimentos, riscos e lucros. Pode também optar pela realização de uma joint-venture com investidores locais através da constituição de uma nova empresa cuja designação é normalmente diferente da marca da empresa-mãe, cujo capital, esforço de investimento, definição das estratégias, repartição de riscos é assumida pelos diversos parceiros.

9. Seja qual for o modelo adoptado, a empresa deve sempre, antes de decidir-se por uma estratégia de internacionalização, analisar os seus recursos, competências, capacidade financeira, factores competitivos e diferenciadores, forças e fraquezas, bem como as oportunidades e ameaças emergentes dos mercados destino.

Etapas da Internacionalização – O plano de marketing internacional


1. O ambiente de negócios sofreu na última década profundas alterações quer pela intensificação da globalização dos mercados, eliminação de barreiras aos fluxos de capitais, evolução dos sistemas de comunicação e tecnologias de informação, aumento da concorrência ou pela simples disponibilidade de mais informação.

2. Portugal sempre se caracterizou como um país de comerciantes, voltado para o exterior, acalentado por sonhos que o levaram além fronteiras. Fosse pela coragem e ousadia herdada dos tempos dos descobrimentos ou apenas pelo facto do seu território ser insuficiente para encerrar a vontade de conquista dos seus empresários, encontramos hoje a presença portuguesa em todas as partes do mundo, da América à Oceânia ou da Ásia à África.

3. Este esforço de internacionalização é, nos tempos de hoje, mais do que uma vontade, uma necessidade e uma obrigação. Portugal é demasiado pequeno para um crescimento da sua economia sustentado na produção e consumo internos. Nem à China lhe basta o seu gigantesco mercado interno. Hoje, o mercado é global.

4. O problema é que, sendo o tecido empresarial representado por cerca de 99% de PME`s, das quais nem 15% internacionalizaram as suas operações, existe um desconhecimento sobre o modo, a forma e as etapas a cumprir quando se pensa seguir o rumo da internacionalização. É nesse âmbito que se apresenta neste texto o resumo das razões e etapas de um processo de internacionalização.

5. Em primeiro lugar há que elaborar um plano de Marketing internacional. Este terá que incorporar informações sobre o mercado (ou mercados) para onde se dirigir, revelando os dados sobre a situação envolvente desses mercados em termos macroeconómicos (instituições, fiscalidade, taxas de juro, inflação, legislação laboral, quadro social e cultural etc) e em termos micro económicos (concorrência, tecnologia disponível, tipo de clientes, rede de distribuição, acesso a matérias primas etc).

6. Deverá igualmente identificar as forças e fraquezas da empresa bem como as oportunidades e ameaças identificadas no mercado destino. Esta análise SWOT estratégica ajudará a perceber quais as variáveis que a empresa pode controlar (endógenas) e as que não pode (exógenas).

7. Deverá ser repensada o tipo de estrutura de Marketing da empresa. Ela existe? Qual o seu lugar no organigrama? Quais as responsabilidades que lhe são conferidas?

8. Partindo de seguida para a definição das variáveis do marketing mix, a empresa tem que escolher: que produtos ou serviços afectará ao segmento(s) de mercado a que se dirige, em função das suas características, culturais, sociais, comportamentais ou outras; qual o tipo de estratégia de preço que deverá adoptar em face da estrutura de preços do mercado e da concorrência; quais os canais de distribuição disponíveis e possíveis; e finalmente o tipo de promoção que pode/quer associar à sua oferta.

9. Este plano terá que contemplar as acções que a empresa irá desenvolver com vista à concretização dos seus objectivos e cumprimento das etapas de entrada no mercado internacional de destino. Para tal terá que estabelecer um conjunto de acções a tomar as quais terão, cada uma delas, que ser ponderadas pelos pontos fortes e fracos da empresa e pelas oportunidades e ameaças do mercado destino.

10. Após a devida ponderação quanto ao risco que cada uma dessas acções comporta (alto, médio e baixo) a empresa decidirá sobre as acções a adoptar na sua estratégia de internacionalização.

11. As acções a adoptar devem ter em consideração: o segmento de mercado escolhido pela empresa, o tipo de posicionamento que pretende adoptar (face à quota de mercado que prevê, ao valor da oferta e ao preço a praticar) e os factores de diferenciação que quer apresentar (em preço, atributos do produto/serviço ou no grau de qualidade).

Etapas para um empreendedorismo com sucesso


Sabemos através de inquéritos efectuados pelo Eurobarómetro que os portugueses são o povo da Europa que mais ambiciona ser empreendedor e criar um negócio próprio. Portugal surge assim na Europa como o país que incorpora, em termos relativos, a maior vontade e ambição de empreender. Segundo dados revelados por um inquérito realizado em 2006 sobre o empreendedorismo na Europa, conclui-se que 62% dos portugueses gostariam de ser patrões de si mesmos contra uma média europeia de 45%. Há porém algo falacioso quando observamos estes números de forma simples, pois se analisarmos a fase da concretização, 65% dos portugueses afirma nunca ter dado passos concretos para a realização desse objectivo, o que não nos coloca num patamar especial em termos de empreendedorismo.

Não há, como todos sabemos, soluções milagrosas ou receitas com sucesso garantido no que diz respeito ao empreendedorismo pois este incorpora desafios e riscos que têm que ser assumidos por quem tem a ousadia de avançar e investir num projecto seja ele de natureza empresarial, social ou outro.

O sucesso de quem empreende, depende do que empreende, quando e em que condições empreende, do perfil do empreendedor, da sua personalidade, experiências pessoais e profissionais anteriores, vivência familiar, atitudes e formas de encarar a vida. Por outro lado o sucesso é variável e relativo. Depende das metas e objectivos que cada empreendedor estabelece para o seu projecto, dos resultados e retornos que espera à partida.

Há porém um conjunto de regras e etapas que deverão ser acauteladas por cada empreendedor das quais dependerá o sucesso de qualquer projecto empresarial, social, pessoal ou outro.

Seguindo estas, as quais se apresentam de forma sintética, acreditamos que o empreendedor passará a reunir certamente um conjunto de saberes que lhe serão úteis e indispensáveis para guiar a sua estratégia, acções, pensamento e atitudes.

1. Como o empreendedor, em boa parte das vezes, é alguém que não tem fortuna nem grande capacidade financeira, não atribua ao dinheiro um valor que ele não tem uma vez que “ o dinheiro não faz o empresário”. É muitas vezes a necessidade financeira que faz o empreendedor.

2. Procure ser persistente e positivo e encontrar novas alternativas para o caminho que pretende trilhar, não desistindo à primeira contrariedade.

3. Procure identificar bem os potenciais clientes e as suas necessidades, analisando se o mercado é suficientemente interessante para acomodar a oferta e fazer vingar o negócio. É indispensável analisar se a sua oferta é importante para o cliente ou para o mercado.

4. Seja modesto nos gastos reduzindo os investimentos e as despesas ao valor estritamente indispensável para que o projecto possa evoluir sem excessos ou desperdícios.

5. Reduza os custos fixos ao indispensável, equacionando contratar em part time ou alugar equipamentos na fase de arranque em vez de os adquirir pois as licenças ou seguros podem ser demasiado onerosos.

6. Negoceie de forma franca e honesta as participações no capital com os parceiros investidores, com sócios ou fornecedores não abdicando da ideia e projecto originais.

7. Saiba negociar, de forma franca e honesta, as participações no capital dos diferentes parceiros.

8. Saiba delegar funções e responsabilidades nos seus colaboradores descentralizando a gestão. Procure identificar parceiros no negócio (internos) e para o negócio (externos) os quais se podem tornar alianças indispensáveis para o sucesso.

9. Respeite os clientes e as suas exigências, procurando escutá-los e percebê-los como sendo a parte mais importante do negócio.

10. Elabore um bom plano de negócios com o máximo de realismo nem que para isso seja necessário contratar um especialista em gestão dada a importância da apresentação deste a futuros investidores.

quarta-feira, setembro 23, 2009

AÍ ESTÁ O CAMINHO


Depois de várias medidas de sucessivos Governos. Depois das recomendações da OCDE, do Banco Mundial, de Bruxelas, do Banco de Portugal e de um sem números de Organizações e Instituições a Economia Portuguesa continua “moribunda”.

Qual a forma de darmos um definitivo “ pontapé na crise “?

Só nos resta uma alternativa.

É o Benfica ser Campeão Nacional.

2 Décadas de domínio portista arrastaram o país para uma depressão profunda.

Se fizermos uma correlação estatística entre indicadores de crescimento económico e as não vitórias do Benfica, constataremos que existe uma relação directa.


Ou seja, sempre que o Benfica não ganha o campeonato nacional de futebol, a economia não arranca, as pessoas andam tristes, consomem pouco e não estimulam o desenvolvimento económico.

Por outro lado, quando o Benfica joga bem e ganha, tudo muda.

As pessoas andam bem-dispostas, produzem, ganham e gastam mais, lançando sucessivos estímulos ao desenvolvimento da economia.

Os números da Luz não mentem:
- Mais 26 mil espectadores em média nos estádios desde que o campeonato começou
- Subida de 30% na Cotação Bolsista
- Mais 100% de Receitas de Bilheteira

E caso se confirme esta tendência de vitória e o Benfica se sagre Campeão Nacional, os reflexos na economia e na alegria do País vão ser enormes.

Serão directamente 6 Milhões de Portugueses felizes. Esses, por sua vez, vão comprar produtos, contratar serviços e ajudar os outros 4 Milhões de Portugueses a venderem os seus produtos ou a encontrarem ocupações.

Poderá o Porto ser novamente Campeão? Claro que sim. Têm a melhor estrutura competitiva, ou seja não basta os 11 Jogadores em Campo mas é importante toda a estrutura desde o Presidente do clube até ao Roupeiro, estarem unidos numa corrente de vitória. E isso, o Porto tem tido nos últimos anos.

Poderá o Sporting ser Campeão? Claro que sim. Paulo Bento com menos contratações e reforços levou o Sporting ao 2º lugar nos últimos 3 anos. Poderá agora ser a hora de chegar ao 1º lugar.

Mas tenhamos todos uma certeza, para os benefícios serem gerais para o País, só mesmo uma vitória do Benfica ajudará.

Não se trata apenas de sermos Patriotas, mas sobretudo de sermos realistas.

Só a grande Alma Benfiquista, e a alegria de uma enorme mole humana, que batem todos os recordes de audiências quer nos estádios quer nas televisões, podem trazer de volta os sorrisos aos rostos dos portugueses em Portugal e em todo o Mundo.

domingo, setembro 20, 2009

Sobre Rodas


Vou apenas referir ( e não desenvolver ) uma triste notícia para o desporto nacional:
Nuno Ribeiro teve um controlo antidoping positivo antes da Volta a Portugal em bicicleta 2009, prova que ganhou, devendo vir a ser desclassificado e a vitória passar para o espanhol David Blanco.
Poderemos voltar a este assunto mais tarde mas para não estar sempre a falar de coisas negativas, gostava de falar das 2 Rodas da Bicicleta, referindo 2 outros aspectos.

1º Cada vez se vendem mais Bicicletas em Portugal

O número de Bicicletas Vendidas em Portugal tem vindo a aumentar todos anos. Já tinha uma amostra desta realidade pois moro próximo da EN 10, e Domingo após Domingo, vou vendo o número de ciclistas amadores a aumentar.

Dá gosto ver os cliclistas de domingo de manhã nas suas voltas. Raramente andam isolados e vê-los em grupo é algo bastante gratificante.

Somos também conhecidos por ser um povo de convívio e de sã camaradagem e a alegria e espírito de grupo que reinam nos múltiplos agrupamentos que passeiam nas manhãs de domingo, reforçam esses laços. Por mim fico por enquanto a roer-me de inveja.

Não sei (ainda) andar de bicicleta e ponho-me a pensar no número crescente de pessoas que estão a praticar este e outros desportos salutares e chego à conclusão que tenho de passar da inveja aos actos.

Resta saber em que desporto pois a minha proeminente barriga e bastantes quilos a mais não me permitem começar já pelo futebol, meu desporto de eleição.

2º Juan Carlos Castaño, presidente da Real Federação Espanhola de Ciclismo, considerou que o Velódromo Nacional é um "ponto de partida para o ciclismo português".

O Velódromo Nacional - Centro de Alto Rendimento de Anadia foi oficialmente inaugurado numa cerimónia plural com exibições nas modalidades de ciclismo, esgrima, trampolim, judo e ginástica. Alves Barbosa, com as credenciais de referência do ciclismo da região, foi o primeiro a estrear o novo pavimento desfilando perante o público durante duas voltas. Posteriormente foi a vez dos integrantes da I Taça Ibérica de Pista no novo velódromo, pedalarem em ritmo de exibição.
http://www.uvp-fpc.pt/modalidade.php?id_modalidade_new=6

Estes equipamentos desportivos são uma excelente aposta na disponibilização de óptimas condições para a prática de desportos.

Estando localizado fora dos grandes centros urbanos, trazem vantagens adicionais em termos de desenvolvimento regional, no caso em questão, da Região de Anadia.

Pleno Emprego = Plena Utopia


Longe vão os tempos de escola onde estudávamos modelos económicos e se ouvia ( na teoria ) a palavra pleno emprego. Uma economia com pleno emprego era o que todos pretendiam.


Os tempos passam e à medida que novas palavras e expressões surgem, outras caem em desuso. Confesso que nunca mais ouvi a expressão Pleno Emprego.

E avaliando os sucessivos dados que vão surgindo sobre o Emprego/ Desemprego, tão cedo não irei ouvir nada próximo dessa expressão.

O que ouço e leio é:
Desemprego - número de inscritos ultrapassou barreira dos 500 mil em Agosto

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego subiu 28,7
por cento em Agosto em relação ao mesmo mês do ano passado, e aumentou
1 por cento face a Julho, segundo os dados divulgados sexta-feira pelo
Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).
http://sic.sapo.pt/online/noticias/dinheiro/Desemprego+numero+de+inscritos+ultrapassou+barreira+dos+500+mil+em+Agosto.htm

Há quem indique ( ver comentário no link acima indicado ) que o número real de desempregados é ainda maior, indicando que se somasse aos 500.000 os 80.000 que estão a frequentar cursos de formação e os 130.000 que já não têm direito a subsidio de desemprego, teríamos não 500.000 Desempregados mas um numero ainda mais pesado de 710.000 Desempregados.

Por mim, quer sejam 710.000 ou 500.000 ou 400.000 ou 300.000 ou mesmo 100.000 Desempregados, qualquer destes números impressiona-me bastante.

Por mais voltas que demos existem 2 Sectores que deveriam estar no topo das nossas preocupações: Saúde e Emprego.

Individualmente podemos estar confortáveis por termos acesso a ambos mas colectivamente, vendo para além do nosso umbigo e considerando a importância de termos uma sociedade justa e equilibrada, facilmente percebemos que outros sectores importantes como a Segurança Interna a Educação, etc, dependem também destes vectores.

Não adianta pois apontar baterias em todas direcções. Não temos recursos humanos e materiais para isso.

Mas esta semana também ouvi afirmarem que apesar do crescimento económico que se prevê para 2010, o desemprego não vai baixar.

Isso deixou-me intrigado mas, fazendo uma pesquisa e leitura um pouco mais profunda encontrei as palavras do Ex-Director do Diário Económico que ajudam a perceber esta questão.

Martim Avillez Figueiredo, afirma que é importante lembrar às pessoas que só a partir de um crescimento de 2% é que se começam a gerar novos empregos e que o crescimento de 0,3% da economia portuguesa divulgado no mês passado é pouco significativo.

sábado, setembro 19, 2009

Criação / Dissolução de Empresas

Esta semana tivemos a notícia de que Cinquenta mil empresas forma dissolvidas em 12 meses.
Gostaria de analisar esta notícia sobre 4 dos seus distintos pontos:
Ponto 1
A falência atingiu 50 583 empresas entre Agosto último e o igual mês de 2008. No mesmo período, constituíram-se 33 665. Contas feitas, Portugal perdeu 16 918 empresas. Indústrias com custos fixos elevados terão sido as maiores vítimas.
Por cada 10 empresas que vêem o seu fim decretado nos tribunais, há 6,7 sociedades que nascem no mercado. Representando o Norte 31% do tecido empresarial, a região contabilizou, só em Agosto último, 33,5% das constituições de sociedade e 22,2% das falências. A região de Lisboa e Vale do Tejo, com um peso de 33,5% no tecido empresarial, destacou-se no último mês com 33,3% das novas sociedades constituídas e 36,7% das dissoluções.
"Os sectores retalhista e grossista (366 dissoluções em Agosto), bem como as indústrias transformadoras (121), são muito penalizadas. Os grossistas e retalhistas são vítimas do aumento de escala das grandes cadeias. A indústria transformadora compreende-se porque é aquela que tem mais custos fixos, quando comparada com os serviços. Quando as vendas caem, é fácil as indústrias entrarem no prejuízo", afirma João Carvalho das Neves, professor do ISEG.
Por outro lado, uma análise simplista indica que 50000 empresas fechadas – 33000 empresas criadas, representa uma perda de 17000 Empresas.
Não levamos aqui em consideração 2 dados importantes: qual o volume de negócios e qual o nº de empregados, quer das empresas que faliram, quer das que foram constituídas ( nestas o volume de negócios terá de ser naturalmente previsional ).
Isto porque uma criação negativa de empresas pode não ser necessariamente mau, pois podemos estar em face de encerramento de empresas com baixos volumes de negócios e reduzido numero de empregados, ou talvez não.

Ponto 2
"Os governos têm muita preocupação em manter empresas que não tem viabilidade. Só servem para prejudicar a concorrência, praticam preços desvirtuados e entram em atrasos nos pagamentos. A dissolução de empresas tecnicamente falidas é melhor para a economia", considera o professor do ISEG.
Aqui vem de novo à baila a dicotomia razão vs coração, sendo talvez hora de ponderar mais a sério se se deve manter indefinidamente empresas economicamente inviáveis.

Ponto 3
"Os credores deviam ter muito mais poder para recuperar os activos. Nós tínhamos um Código de Insolvência muito bom e que os advogados e juízes conheciam bem. Fizeram tudo de novo e só veio trazer mais dificuldades. As alterações foram prejudiciais", critica João Carvalho das Neves.
Este é outro problema pois quando as empresas não são capazes de solver os seus compromissos, os activos disponíveis são em regra bastante inferiores aos passivos e muitos dos fornecedores acabam por não recuperar os seus valores criando um efeito “bola de neve” pois A não paga a B, B não tem dinheiro para pagar a C e assim por diante.

Ponto 4
O Professor João Carvalho das Neves alerta também as novas empresas para o facto de os níveis de custos terem de estar adaptados à potencial procura.
Isto significa entre outras coisas que as empresas têm de ser cada vez mais rígidas na contratação de pessoal, parcela que representa em muitas empresas uma importante percentagem de todos os custos operacionais.

Em resumo percebe-se que a criação de empresas e de emprego é algo cada vez mais complexo.
O desejável seria que as empresas tivessem maiores longevidades mas num mundo onde todas as mudanças, inclusive as económicas, são cada vez mais rápidas, até a longevidade das empresas é posta constantemente em causa, o que acaba por criar outros níveis de instabilidade, exigindo de todos, patrões e empregados, uma abordagem necessariamente diferente.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Sacar os filhos da Internet

É hora de jantar e o chamamento repete-se; “Meninos, venham jantar !”

Após repetidas chamadas os miúdos lá largam os portáteis ligados à internet, e aparecem, não para comer mas para engolir o jantar e rapidamente voltarem aos seus portáteis onde os esperam mais horas na net a sacarem jogos, filmes e músicas.
Entre conversas simultâneas com vários amigos e amigas, nas várias salas de chat, messengers, facebooks, twitters, hi5s e outros que tais, lá vão fazendo os seus downloads.
Enquanto isso, os pais que trabalharam todo o dia e contavam com aqueles minutos ao jantar ou a seguir ao jantar, lá terão de tratar sozinhos da louça, da comida para o dia seguinte e do resto que será necessário para a escola dos miúdos ou para os seus trabalhos.
Terminadas essas tarefas e apesar de cansados, têm ainda vontade de conversar um bocado com os filhos.
Infelizmente a tecnologia dos computadores já está bastante avançada mas ainda não inventaram um programa que permita “arrancar ou sacar os filhos da internet”.
E nem se pode acusá-los de não saberem comunicar.
Eles comunicam e bastante, com os seus amigos, no seu mundo.
De tanto evoluirmos, criamos vários mundos dentro do nosso próprio mundo.
Não me lembro bem da frase mas ouvi algo que diz “Solidão não é não termos ninguém à nossa volta. Solidão é estarmos rodeados de pessoas e sentirmo-nos sozinhos”.

domingo, setembro 13, 2009

Mosteiro de Tibães reabre integralmente após 23 anos


Mais de 20 anos de intervenções no Mosteiro de S. Martinho de Tibães, em Braga, chegaram ao fim. A terceira fase de recuperação do monumento nacional foi ontem inaugurada, pondo termo a uma longa renovação do edifício. A antiga casa-mãe da congregação beneditina em Portugal vai passar a acolher uma hospedaria, um restaurante e um centro de estudos.


O Mosteiro de São Martinho de Tibães foi adquirido pelo Estado Português em 1986 e afecto ao Instituto Português do Património Arquitectónico ( IPPAR). Foi objecto de uma operação integrada de restauro, recuperação e reabilitação, co-financiada pelos Fundos Comunitários, através do FEDER – Programa Operacional da Cultura (POC).


Conheço mal Braga ( Cidade próxima do Mosteiro de Tibães ) e a Reabertura do Mosteiro será uma oportunidade de “matar 2 coelhos com uma cajadada”.

Estas notícias deixam-me bastante satisfeito. Tenho defendido que o aproveitamento que cada terra faz das suas riquezas, funciona como motor de desenvolvimento local quer em termos económicos quer em termos sociais, pois temos sempre associado a estas valorizações de riquezas locais, a criação de postos de trabalho e a atracção de turistas, que vão promover o desenvolvimento da industria, do comércio e serviços locais.

Portugal continua a ter de Norte a Sul, um vasto Património Arquitectónico e não temos infelizmente fundos para fazer uma recuperação integral de todo esse Património. Mas aproveitando sempre que possível, Fundos Comunitários ou outro tipo de apoios, poderemos continuar a recuperar gradualmente um Património que a todos enriquece e deixa orgulhosos.

terça-feira, setembro 08, 2009

Brincar com as pessoas

Os defensores da economia de mercado invocam entre outros argumentos de que a existência de vários concorrentes num determinado sector, beneficiará o consumidor final quer em termos de preços mais competitivos, quer em termos de acesso a melhores produtos/serviços.

E em geral assim acontece mas o caso que vos trago hoje contraria essa tendência.
Não sei ainda as razões técnicas ou comerciais envolvidas mas neste momento andam milhares de famílias portuguesas intrigadas porque não conseguem comunicar com os seus familiares e amigos através de telefones de rede fixa.
O caso em concreto parece envolver apenas a Tele2 ( agora detida pela Clix ) e a PT ( Portugal Telecom ). E o que acontece é que quando alguém que tem o Telefone da PT tenta ligar para alguém da Rede da Tele2/Clix recebe de imediato a informação de que “o número para o qual está a marcar não se encontra atribuído”.
Depois de repetidas tentativas das duas uma: ou existe uma forma alternativa de comunicação ( exª telemóvel ), ou se fica impedido de comunicar com o destinatário. Poder-se-ia julgar que o telefone do destinatário está avariado mas não é esse o caso. Também se poderia dar o caso de o destinatário não ter pago a sua conta telefónica mas também não é esse o caso.
O que está a acontecer é que quem tem telefone da Tele2/Clix, deixou de poder receber chamadas de quem telefones da PT.
Volto a referir que ainda não sei as razões que estão por detrás deste procedimento que não se trata de uma avaria momentânea pois já dura cerca de uma semana pelo menos.
O que afirmo é que não se pode brincar assim com as pessoas. Os telefones são meios de comunicação para nos mantermos em contacto com família e amigos mas também são um meio de busca de auxílio em caso de emergência ou de perigo inclusive de vida.
Ora se os operadores envolvidos se encontram com alguma divergência, os consumidores finais não deveriam estar a ser prejudicados desta forma.
Se se tratar de um problema de tarifário, a estúpida e falsa mensagem de que o número não se encontra atribuído deveria ser substituída por uma mensagem que informasse que poderá continuar a chamada pagando um valor, seja ele qual for.
Os meus receios de que cada vez somos mais pequenos e reféns de interesses que atentam contra os direitos mais básicos dos consumidores, vão infelizmente traduzindo-se em realidades.
Se o assunto das eleições não fosse tão sério quase que me apetecia dizer que votaria no partido que assegurasse que as pessoas que pagam as suas contas telefónicas deveriam poder comunicar entre si.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Site da Comissão Nacional de Eleições


Olá Amigos,


Para ajudar a esclarecer ou complicar as escolhas dos indecisos nas próximas eleições para a Assembleia da República, nada como visitar o site da Comissão Nacional de Eleições.


Lá poderão encontrar toda a informação sobre todos os actos eleitorais já realizados, com indicações em valores e percentagens de inscritos, votantes, abstenções, votos nulos, votos em branco e os votos de cada partido ou candidato.


Está bastante completo e à distancia de um click.






Boas Análises e Boa Reflexão


Otavio

sexta-feira, agosto 14, 2009

É tempo de Leitura, de Mar e de Amar




É tempo de Verão, de férias, de prazer e reflexão.

É tempo de paragem, de pensamento e de diversão.

É tempo de sol, de praia e de observação.

É tempo de leitura.

Por isso sugiro a leitura de David Lodge e do seu último romance "A vida em surdina". Mais um exemplo de um autor excepcional. Cuja linguística, enredo e inteligência na escrita são inigualáveis.

E aproveitar para amar...muito. O mar, a familia, o peixe fresco e salgado e a companhia dos amigos.

Mais tarde voltarei ao tema do mar. Da economia do mar.

Portugal e o seu mar, a sua costa e as actividades que o país poderá usufruir se explorar de forma adequada o que está em estreita ligação com o mar.

O sol, a praia e o turismo. A gastronomia própria e única e a riqueza da mesma, ímpar e inigualável.

A nossa história, os monumentos que a testemunham.

A exploração das actividades marítimas como a pesca desportiva, as actividades turístico-culturais e os desportos ligados aos rios, ao surf, à vela ou outros.

As ofertas de um país único como Portugal.

O investimento político nas actividades piscatórias: a sardinha, o carapau, o sargo, o robalo, o selongo, o cherne, a garoupa, a dourada ou o linguado.

O investimento político nas actividades de saúde privada aos nossos turistas: um serviço nacional de saúde dedicado de forma eficiente aos portugueses e aos turistas que nos visitam. Num país ameno de clima ameno e de enorme riqueza cultural e paisagística.

Não tenhamos dúvidas: é isto que nos distingue.

É, por isso, tempo de leitura, de mar, e de amar Portugal.




terça-feira, agosto 11, 2009

As Cidades como pólos de desenvolvimento local e regional - II


4. Uma forma de medir a competitividade

Um recente estudo efectuado por dois académicos portugueses sobre as capitais de distrito portuguesas, utilizou o método que o Fórum Económico Mundial aplica para elaborar anualmente o ranking da competitividade mundial.

Este índice de competitividade global (constituido como um indicador de competitividade compósito) integra quatro sub-índices que medem: a competitividade laboral, a empresarial, a demográfica e de conforto. Os autores basearam o seu trabalho no Atlas das Cidades de Portugal (*).

Para determinar o sub-índice de competitividade empresarial são utilizados indicadores como o volume de negócios no comércio, a capacidade de alojamento média, a taxa bruta de ocupação de cama nos hoteis, as licenças para construções novas e para habitação e o número de visitantes por museu.

Já o sub-índice de competitividade demográfica utiliza indicadores como a densidade populacional, a taxa de crescimento da população, a idade média dos residentes, a esperança média de vida, a taxa de mortalidade infantil e a percentagem de recolha de resíduos sólidos.

Quanto ao sub-índice conforto, este agrega indicadores como o número de pessoas e de divisões por alojamento, alojamentos sem pelo menos uma infra-estrutura básica, alojamentos familiares vagos e edifícios exclusivamente residenciais.

Finalmente o sub-índice de competitividade laboral, inclui a taxa de desemprego, o número de trabalhadores das empresas existentes e o número de empresários em nome individual.

Curioso é constatar que os índices de competitividade utilizados neste estudo (e relembre-se, pelo Fórum Económico Mundial) focalizam-se muito em variáveis de âmbito social e demográfico mais do que em variáveis de natureza macroeconómica como muitas vezes se tem em conta na análise dos factores de competitividade.


5. Diagnósticos e recomendações sobre Lisboa

Lisboa tem bons exemplos de urbanização como por exemplo o bairro dos Olivais, bairro modelo não só ao nível nacional mas também europeu em meados dos anos 60, dada a harmonia de espaços, a coerência arquitectónica e as preocupações de carácter ambiental pelos espaços verdes que o integraram. O mesmo se aplica ao bairro lisboeta da Encarnação ou Alvalade.

Julgamos no entanto que falta à capital um plano estratégico de médio e longo prazo que lhe defina uma missão. Embora exista um PDM faltam planos de pormenor para zonas históricas, nobres ou com carências significativas de um bom ordenamento do território, o que gera a confusão, a indecisão e afasta investidores internacionais como bancos de investimento imobiliário e fundos de investimento imobiliários internacionais. Estes, gostando do que conhecem e julgando as potencialidades de desenvolvimento existentes, desistem em face da indefinição de regras tão elementares como o que se pode construir, o que se pode remodelar, como se pode construir ou quanto se pode construir.

Parte dos problemas de desordenamento existentes, do envelhecimento quer das infra-estruturas imobiliárias ou até da população residente na capital, seriam ultrapassados com o estabelecimento deste plano estratégico, o qual permitiria a recuperação, viabilização e rejuvenescimento da cidade.

Desta forma se definiriam as regras para a recuperação, modernização jurisdição, utilização e melhoramento das estruturas existentes e se encontrariam novas funções para os equipamentos.


6. Cidades e Estratégias de Internacionalização: Algumas propostas

As cidades são, como se sabe, veículos de captação de receitas importantes e essenciais por via do turismo (de habitação, cultural, mas sobretudo de negócios). Uma cidade competitiva é uma cidade que atrai e gera riqueza.

Num contexto actual de globalização das cidades é urgente que as cidades portuguesas se posicionem estrategicamente no plano internacional como eixos geoestratégicos e geoeconómicos geradores de riqueza e com elevada atractividade de pessoas, investimentos e serviços de qualidade.

Para que isso se torne possível é indispensável melhorar a competitividade dos portos marítimos de cidades como Lisboa, Leixões, Aveiro, Sines e Setúbal, tendo em conta a nossa especificidades geográfica como país de vocação marítima e como ponto de ligação no eixo Europa- Ámerica – África. Por outro lado, cada cidade deve ter definido um plano de internacionalização com vista à captação de investimento cultural, científico e comercial entre outros.

Esse plano de internacionalização implicará o fomento de parcerias internacionais com cidades de dimensão e funções semelhantes de outros países, em sectores onde ambas apresentem pontos fortes, que tenham servido de benchmarking em termos de pólos de desenvolvimento e que possam ser alvo de avaliação e partilha de experiência com os responsáveis das cidades portuguesas.

Esse plano de internacionalização implicará também uma análise SWOT (Strenghts, Weaknesses, Opportunities and Threats, ou seja Pontos Fortes, Pontos Fracos, oportunidades e Ameaças) de cada cidade e uma estratégia de marketing internacional com o objectivo de se criar um produto diferenciado (cidade diferenciada) com um preço atractivo (em serviços, em novos investimentos, actividades culturais e sociais) bem com um plano de comunicação internacional que a torne única de modo a que, na mente do residente ou do investidor, esta esteja associada a factores positivos (“market a city as a desirable place to live” usando uma expressão anglo-saxónica do marketing das cidades).

segunda-feira, agosto 10, 2009

As Cidades como pólos de desenvolvimento local e regional - I


Aqui damos a conhecer o ponto de vista do FRES através deste trabalho sobre o papel sócio económico e de desenvolvimento que atribuímos às cidades - como pólos de desenvolvimento local e regional. Este artigo foi publicado no Jornal de Negócios, no semanário Vida Económica e nos Cadernos de Economia.


1. O Papel das cidades e as assimetrias

As cidades desempenham diferentes papéis no contexto económico e social de um país, funcionando como pólos de crescimento e desenvolvimento territorial, como modelos de atractividade de pessoas, saberes, cultura, lazer, ciência e conhecimento, mas também como factores de assimetria social e económica em termos regionais ou nacionais. Estas assimetrias são resultado dos diferentes graus de afectação do investimento dedicado ao desenvolvimento do interior.

Sendo muitas vezes uma bandeira do seu país, pelos pontos de interesse e funções que podem desempenhar e projectar internacionalmente (cidades culturais, turísticas, desportivas) as cidades da era moderna são hoje instrumentos de criação de assimetrias regionais mesmo em países pequenos da dimensão de Portugal por via da intensificação de desigualdades sociais que provocam.

Encontramos porém tais assimetrias em países de maior dimensão como por exemplo Espanha ou o Japão, onde assistimos igualmente ao problema da desertificação do interior causado pela migração das populações para as cidades em virtude da procura de melhores oportunidades e condições de vida. É hoje em dia cada vez mais difícil encontrar emprego fora dos grandes centros urbanos uma vez que essa oferta é muito escassa e o fenómeno do crescimento do desemprego tem agravado o problema.


2. A origem e a evolução das metrópoles

O fenómeno do nascimento das grandes cidades surge pela criação e instalação à sua volta das cinturas industriais (fábricas) o que fixou as pessoas do interior tornando-as um foco de criação de emprego, através do fenómeno das migrações.

Estas cinturas industriais foram criando e alargando as zonas semi-urbanas (dormitórios) o que veio provocar a fixação das populações em anéis à sua volta. Mais tarde vem proliferar o fenómeno das cidades satélite, após os movimentos de afastamento das unidades industriais para zonas mais distantes do núcleo urbano ou para parques industriais – quando surgem as novas políticas de desenvolvimento, ambientais e de ordenamento do território. Esse crescimento tornou-se assim contínuo e muitas vezes desordenado.

No contexto da evolução das cidades, temos como referência Rosabeth Moss Kanter, professora americana da Harvard Business School e o seu novo livro “World Class – Thriving Locally in the Global Economy” no qual a autora apresenta o que designa como os “ingredientes da vantagem competitiva das cidades”, com a apresentação da teoria dos três cês ou seja, três activos intangíveis que as cidades devem possuir e saber operar:


i) conceitos - novas ideias e formulações para os produtos e serviços que criam valor para os consumidores;

ii) competências - ideias inovadoras com aplicações para o mercado e que exprimem as melhores práticas e os melhores standards;

iii) conexões – alianças entre negócios para alavancar competências centrais, criar valor acrescentado ou abrir portas para as oportunidades da globalização da economia.

Kanter defende que estes três activos definem formas de “ligação do local ao global”. Segundo a autora, há cidades que se cosmopolitizaram e que “casaram o local com o global” e as que não conseguiram sair da sua paróquia, deixaram morrer as indústrias e os serviços, perderam os quadros e desertificaram-se.

A autora classifica ainda as cidades vencedoras em três vertentes:

* Cidades de conceitos – as pensadoras (thinkers) que se especializam em conceitos e funcionando como ímanes de massa cinzenta e das industrias do saber. Caracterizam-se pela inovação e exportação de conhecimento.

* Cidades laboriosas – as fazedoras (makers) que são competentes na execução em áreas de fabrico e de produção. São locais de atracção para as industrias de manufactura.

* Cidades de conexões – as intermediárias (traders) que se especializam em conexões para concretizar negócios.


3. Factores de competitividade das cidades

São vários os factores que concorrem para a classificação da competitividade de uma cidade em geral e das cidades portuguesas em particular. Quanto a estas últimas, uma das questões que consideramos mais importantes é a existência de um plano estratégico, plano esse que defina uma missão, um rumo ou orientação funcional para a cidade. Há opiniões que defendem que em termos micro (pequenos locais específicos ou actividades) existem alguns planos mas que não são implementados, muitas vezes por pressões vindas de grupos de interesse ou por inconvenientes de natureza política.

Qualquer que seja o plano estratégico de qualquer cidade, este terá que se focalizar em variáveis relacionadas com a qualidade de vida dos habitantes (mais e melhor mobilidade, mais segurança, mais cultura, menores desigualdades sociais, melhor ordenamento do território, melhor burocracia, melhores serviços públicos de transporte ou melhor comércio).

Pela sua natureza, dimensão e importância poderemos questionarmos: terá por exemplo a cidade-capital Lisboa um plano estratégico bem definido para o futuro? Se sim, qual?

Perguntemos aos lisboetas ou aos cidadãos do país como classificam a sua capital: como uma cidade turística? De negócios? Cultural? Financeira? Ou como uma cidade multifacetada? E qual é o seu posicionamento entre as suas congéneres? Certamente a dúvida ou as diferenças persistem. Não conhecemos a sua missão em termos internacionais e Lisboa tem que se afirmar como uma cidade internacional.

Os interesses político-partidários e a pressão de diferentes lobbies são igualmente factores de pressão e elementos de bloqueio que impedem muitas vezes que certos projectos se desenvolvam (isto é especialmente verdade no que concerne às principais cidades do nosso país).

sábado, agosto 08, 2009

Are we human ? Or are we dancers ?


Pois é, cá estamos nós naquelas semanas de Agosto em que a maioria dos portugueses está de férias.


A maior parte dos assuntos mais sérios fica para Setembro e surge algum tempo para relaxar e quem sabe, divagar.

Para os que por cá continuam a trabalhar, mas também com o pensamento nas férias, aqui fica a questão da Banda “The Killers”

Are we human ? Or are we dancers ?


Como não conseguimos ser humanos o tempo todo, acho que no final deveremos ser Dancers.

quarta-feira, julho 29, 2009

Reformas no Serviço Nacional de Saúde - V



Encerramos este trabalho colectivo do FRES sobre o Sistema Nacional de Saúde com a publicação da última parte do artigo já publicado.


5. Em defesa de apoio psicológico

Para além das propostas para o SNS, importa referenciar igualmente os comportamentos dos profissionais de saúde e a qualidade do apoio psicológico que qualquer unidade de saúde deve prestar, factores determinantes para a população aferir sobre a qualidade dos serviços de saúde.
Verifica-se em Portugal, por demasiadas vezes, uma falta de sensibilidade (em particular nas grandes unidades hospitalares) para as questões relacionadas com o apoio psicológico e emocional que em muitos casos tem que ser prestado não só aos doentes mas aos seus familiares.

Este apoio pode muitas vezes resumir-se apenas à prestação de informações à familia sobre o estado do doente ou do resultado de uma intervenção cirúrgica. Estes comportamentos reflectem a falta de alguns conhecimentos ou de formação básica em psicologia que consideramos ser absolutamente necessários a um profissional de saúde competente.

Os doentes (ou os seus familiares) num qualquer hospital, são sempre “clientes” em situação fragilizada pelo que o apoio emocional e psicológico, por mais simples que seja, é muitas vezes indispensável. Um apoio familiar adequado é um factor determinante para a classificação do que é “a qualidade da saúde do país”.

Reformas no Serviço Nacional de Saúde - IV


4. Propostas para o SNS

A grande questão a colocar às pessoas é se julgam que o Serviço Nacional de Saúde deve ou não assegurar o serviço básico de saúde a todos os cidadãos, independentemente da sua capacidade financeira.

Em nossa opinião julgamos que sim uma vez que esta é claramente para nós uma função social do estado ao qual ninguém se deve substituir. Este é um dos papeis fundamentais que assiste a um estado de direito, moderno, democrático e cumpridor dos principios de solidariedade social. Todos devem ter acesso livre e gratuito à saúde, ainda que, em certos casos, possa haver lugar ao pagamento de taxas moderadoras ou para serviços complementares, sempre no estricto cumprimento do principio da equidade i.e., quem mais paga, é quem mais pode pagar.

Aceitamos contudo um modelo complementar de serviço de saúde privado, utilizado por todos aqueles que apresentem condições financeiras de o pagar. Este pode e deve ser colocado em casos excepcionais ao serviço do cidadão comum, no âmbito do serviço público, sempre que este não esteja em condições de actuar no âmbito público, pela urgência ou gravidade de determinadas situações. O seu custo deverá ser, nestes casos, suportado pelo estado.

Um outro factor que afecta a boa prestação dos cuidados públicos de saúde prende-se com a descentralidade dos serviços. A designada desertificação do país deve ser tida em atenção, de modo a não se criarem fenómenos de descriminação quer na qualidade e diversidade dos serviços prestados quer na disponibilidade dos equipamentos. Nos casos em que estamos perante situações de interioridade, a politica da saúde não pode ser medida e avaliada apenas por critérios economicistas relativamente às unidades prestadoras desses serviços. Estas deverão ser preocupações de um estado social.

Acreditamos seguramente que se houvessem condições técnicas e pessoais, provavelmente muitos médicos e profissionais de saúde estariam disponíveis para trabalhar fora dos grandes centros urbanos. Parte do problema reside, sabemos, na falta de dinheiro, o que não permite expandir os investimentos para um interior menos povoado, levando assim ao corte das verbas para onde há menor procura de serviços médicos.

quinta-feira, julho 23, 2009

Sintra não é como Paris


A Câmara de Sintra quer transformar o concelho na Capital do Romantismo.
Quem conhece bem Sintra facilmente reconhecerá que este projecto tem fundamentos muito fortes.


Sintra é um lugar único em Portugal, e talvez na Europa e no Mundo.

Uma das jovens turistas estrangeiras entrevistadas recentemente por uma estação televisiva, disse espontaneamente que Sintra é um lugar muito bonito e disse ainda que Sintra é como Paris.

Dizer que Sintra é um lugar muito bonito é aceitável sem qualquer tipo de problema. Já quanto à afirmação de que Sintra é como Paris, tenho de confessar que me causa algum incómodo.

O Professor José Hermano Saraiva há muitos anos que diz que se queremos vingar a nível internacional, temos de promover o que cada região tem de diferente. Ser bom não basta, é preciso ser diferente.

Sei que é um pouco ( ou muito ? ) presunçoso da minha parte pois nunca estive em Paris mas não posso aceitar de modo algum que tentem dizer que Sintra é como Paris. Paris tem muitos encantos e acredito que seja uma cidade fantástica.

Já a nossa Sintra é especial por um micro-clima único que potenciou uma série de outros factores em redor:
- Potenciou uma Paisagem absolutamente deslumbrante, quer se esteja embrenhado na Serra de Sintra, quer se esteja no seu topo contemplando toda a região da Grande Lisboa.
- Potenciou a Construção de Castelo, Palácios, Convento, Parques, e um sem número de Quintas de beleza sem paralelo.
- Potenciou uma atmosfera propícia a romantismos e misticismos.

Milhares de turistas de todo país e de todo o mundo visitam Sintra todos os anos. Todos eles saem encantados com tudo o que vêem e sentem ao pisar aquele pedaço especial da terra.

Os turistas que visitam Sintra uma vez, ficam a conhecer o Palácio da Vila, O Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros, o Palácio de Seteais e talvez pouco mais. Ficarão também a conhecer o centro da vila que tem muitos atractivos em termos de artesanato e guloseimas como os famosos Travesseiros da Periquita.

Mas eu que conheço Sintra desde os meus 15 anos, recomendo que quem ainda não conhece Sintra, a visite cem vezes. Em cada visita descobrirão novos cantos e novos encantos. Sintra é uma caixinha de surpresas sendo uma das mais deslumbrantes a Quinta da Regaleira. De carro ( ou a pé para os mais aventureiros ), há muito mais a descobrir nas estradas de Sintra desde o Palácio de Monserrate ao Convento dos Capuchos.

Todos esses momentos são temperados por um clima fresco e húmido, um privilégio, especialmente nestes dias de verão.

Quem conhece Sintra e Paris diga-me por favor, Sintra é como Paris ?

segunda-feira, julho 20, 2009

Época do Detalhe, Pormenor e Rigor

Época do Detalhe, Pormenor e Rigor

Vivemos numa “arena” social onde se tudo se passa a uma velocidade abismal, onde não há tempo para parar escutar e observar. O dia é constituído por 24 horas, 1440, marcados por “Blocos”, género manhã até almoço, tarde até ao jantar, e por continuidade…reparamos que as horas, os dias, as semanas, meses, anos passam e não ligamos ao conjunto de pormenores que constituem as peças do puzzle que é a vida.

Os detalhes da Vida, aqueles momentos singulares que todos nós temos no nosso dia-a-dia mas que não damos conta por força do hábito, ie da própria rotina, que passam despercebidos, enfim que não valorizamos…os pormenores que marcam a diferença!

Há dias num café, observei que, estando a Senhora (a funcionária) na outra ponta do balcão
(no fundo do estabelecimento), e ao sentir a entrada de mais um suposto Cliente na loja disse sem tirar os olhos da tarefa que estava a realizar; “Café?”. Reparei e percebi de imediato que a interrogação era para a última pessoa/cliente que acabaria de entrar.

A Cliente, neste caso uma Senhora, dirigiu-se à montra rica em bolos e também percebendo que a interrogação se destinava a ela, deixou “cair” a interrogação e com calma, aguardou pelo “face-to-face” com a Senhora do Café.

Neste caso, bem como em muitos outros devido à rotina, pensamentos exteriores, outras variáveis, o detalhe, neste caso grande detalhe, leva-nos comuns cidadãos, seres sociais a evitar a Comunicação, ao desenvolvimento de relações inter-pessoais, à Escuta ao mero diálogo, ao simples e mero trocar de olhar, à linguagem não verbal.
Ao invés de sermos “robotizados”, mecanizados tentemos dar um “ar” mais natural, humano aos pormenores, detalhes da Vida, não falo apenas na execução, pois todos nós queremos ser e ir ao encontro do perfeccionismo, mas sim na observação, escuta, no pensamento!
No tentar decifrar o “Porquê” daquelas respostas, daquela atitude, na utilização daquele objecto em virtude de outro, nas palavras ditas, por exemplo, já dizia os sábios chineses: “As palavras que usamos influenciam a vida que vivemos. Escolha-as sabiamente!”.
Neste nível conseguimos não ver apenas e só ver a árvore, mas sim a Floresta!
Talvez possamos preencher os 3 Ego´s: o “id”, o “ego” e o “superego”. Possamos preencher o nosso jornal da vida com mais alegria compreensão, satisfação, entusiasmo, paixão e vontade, e rigor, enfim como dizem os franceses “rapport”!

Vamos junto do detalhe do pormenor, ao rigor, ao singular, do geral ao isolado, escutar perceber sem cair de uma forma simples e “gratuita” em comentários/observações.

Fazer o que tem de ser feito dando relevância aos “inputs” nossos, dos outros e fortalecer desta forma a nossa Linha de Pensamento. Tentar ser jornalistas, ie falar/pensar apenas no “Eu”, isentos no discurso, observar, escutar, ainda remontando aos sábios chineses “Temos uma boca e dois ouvidos, mas jamais nos comportamos proporcionalmente”.

Despertemos o nosso ser social (não num só sentido, do nosso mas dos outros para connosco, sem cairmos na standarização, no “pret-à-corter” que a sociedade de forma directa e indirecta nos tenta influenciar!
Valorizemos os detalhes, os pormenores o rigor, dos nossos e dos outros, Quando?, Como? Em que Circunstâncias?
Hoje! Escutando/Observando e Pensando! Sempre!

Alexandre Motty