Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

domingo, setembro 13, 2009

Mosteiro de Tibães reabre integralmente após 23 anos


Mais de 20 anos de intervenções no Mosteiro de S. Martinho de Tibães, em Braga, chegaram ao fim. A terceira fase de recuperação do monumento nacional foi ontem inaugurada, pondo termo a uma longa renovação do edifício. A antiga casa-mãe da congregação beneditina em Portugal vai passar a acolher uma hospedaria, um restaurante e um centro de estudos.


O Mosteiro de São Martinho de Tibães foi adquirido pelo Estado Português em 1986 e afecto ao Instituto Português do Património Arquitectónico ( IPPAR). Foi objecto de uma operação integrada de restauro, recuperação e reabilitação, co-financiada pelos Fundos Comunitários, através do FEDER – Programa Operacional da Cultura (POC).


Conheço mal Braga ( Cidade próxima do Mosteiro de Tibães ) e a Reabertura do Mosteiro será uma oportunidade de “matar 2 coelhos com uma cajadada”.

Estas notícias deixam-me bastante satisfeito. Tenho defendido que o aproveitamento que cada terra faz das suas riquezas, funciona como motor de desenvolvimento local quer em termos económicos quer em termos sociais, pois temos sempre associado a estas valorizações de riquezas locais, a criação de postos de trabalho e a atracção de turistas, que vão promover o desenvolvimento da industria, do comércio e serviços locais.

Portugal continua a ter de Norte a Sul, um vasto Património Arquitectónico e não temos infelizmente fundos para fazer uma recuperação integral de todo esse Património. Mas aproveitando sempre que possível, Fundos Comunitários ou outro tipo de apoios, poderemos continuar a recuperar gradualmente um Património que a todos enriquece e deixa orgulhosos.

terça-feira, setembro 08, 2009

Brincar com as pessoas

Os defensores da economia de mercado invocam entre outros argumentos de que a existência de vários concorrentes num determinado sector, beneficiará o consumidor final quer em termos de preços mais competitivos, quer em termos de acesso a melhores produtos/serviços.

E em geral assim acontece mas o caso que vos trago hoje contraria essa tendência.
Não sei ainda as razões técnicas ou comerciais envolvidas mas neste momento andam milhares de famílias portuguesas intrigadas porque não conseguem comunicar com os seus familiares e amigos através de telefones de rede fixa.
O caso em concreto parece envolver apenas a Tele2 ( agora detida pela Clix ) e a PT ( Portugal Telecom ). E o que acontece é que quando alguém que tem o Telefone da PT tenta ligar para alguém da Rede da Tele2/Clix recebe de imediato a informação de que “o número para o qual está a marcar não se encontra atribuído”.
Depois de repetidas tentativas das duas uma: ou existe uma forma alternativa de comunicação ( exª telemóvel ), ou se fica impedido de comunicar com o destinatário. Poder-se-ia julgar que o telefone do destinatário está avariado mas não é esse o caso. Também se poderia dar o caso de o destinatário não ter pago a sua conta telefónica mas também não é esse o caso.
O que está a acontecer é que quem tem telefone da Tele2/Clix, deixou de poder receber chamadas de quem telefones da PT.
Volto a referir que ainda não sei as razões que estão por detrás deste procedimento que não se trata de uma avaria momentânea pois já dura cerca de uma semana pelo menos.
O que afirmo é que não se pode brincar assim com as pessoas. Os telefones são meios de comunicação para nos mantermos em contacto com família e amigos mas também são um meio de busca de auxílio em caso de emergência ou de perigo inclusive de vida.
Ora se os operadores envolvidos se encontram com alguma divergência, os consumidores finais não deveriam estar a ser prejudicados desta forma.
Se se tratar de um problema de tarifário, a estúpida e falsa mensagem de que o número não se encontra atribuído deveria ser substituída por uma mensagem que informasse que poderá continuar a chamada pagando um valor, seja ele qual for.
Os meus receios de que cada vez somos mais pequenos e reféns de interesses que atentam contra os direitos mais básicos dos consumidores, vão infelizmente traduzindo-se em realidades.
Se o assunto das eleições não fosse tão sério quase que me apetecia dizer que votaria no partido que assegurasse que as pessoas que pagam as suas contas telefónicas deveriam poder comunicar entre si.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Site da Comissão Nacional de Eleições


Olá Amigos,


Para ajudar a esclarecer ou complicar as escolhas dos indecisos nas próximas eleições para a Assembleia da República, nada como visitar o site da Comissão Nacional de Eleições.


Lá poderão encontrar toda a informação sobre todos os actos eleitorais já realizados, com indicações em valores e percentagens de inscritos, votantes, abstenções, votos nulos, votos em branco e os votos de cada partido ou candidato.


Está bastante completo e à distancia de um click.






Boas Análises e Boa Reflexão


Otavio

sexta-feira, agosto 14, 2009

É tempo de Leitura, de Mar e de Amar




É tempo de Verão, de férias, de prazer e reflexão.

É tempo de paragem, de pensamento e de diversão.

É tempo de sol, de praia e de observação.

É tempo de leitura.

Por isso sugiro a leitura de David Lodge e do seu último romance "A vida em surdina". Mais um exemplo de um autor excepcional. Cuja linguística, enredo e inteligência na escrita são inigualáveis.

E aproveitar para amar...muito. O mar, a familia, o peixe fresco e salgado e a companhia dos amigos.

Mais tarde voltarei ao tema do mar. Da economia do mar.

Portugal e o seu mar, a sua costa e as actividades que o país poderá usufruir se explorar de forma adequada o que está em estreita ligação com o mar.

O sol, a praia e o turismo. A gastronomia própria e única e a riqueza da mesma, ímpar e inigualável.

A nossa história, os monumentos que a testemunham.

A exploração das actividades marítimas como a pesca desportiva, as actividades turístico-culturais e os desportos ligados aos rios, ao surf, à vela ou outros.

As ofertas de um país único como Portugal.

O investimento político nas actividades piscatórias: a sardinha, o carapau, o sargo, o robalo, o selongo, o cherne, a garoupa, a dourada ou o linguado.

O investimento político nas actividades de saúde privada aos nossos turistas: um serviço nacional de saúde dedicado de forma eficiente aos portugueses e aos turistas que nos visitam. Num país ameno de clima ameno e de enorme riqueza cultural e paisagística.

Não tenhamos dúvidas: é isto que nos distingue.

É, por isso, tempo de leitura, de mar, e de amar Portugal.




terça-feira, agosto 11, 2009

As Cidades como pólos de desenvolvimento local e regional - II


4. Uma forma de medir a competitividade

Um recente estudo efectuado por dois académicos portugueses sobre as capitais de distrito portuguesas, utilizou o método que o Fórum Económico Mundial aplica para elaborar anualmente o ranking da competitividade mundial.

Este índice de competitividade global (constituido como um indicador de competitividade compósito) integra quatro sub-índices que medem: a competitividade laboral, a empresarial, a demográfica e de conforto. Os autores basearam o seu trabalho no Atlas das Cidades de Portugal (*).

Para determinar o sub-índice de competitividade empresarial são utilizados indicadores como o volume de negócios no comércio, a capacidade de alojamento média, a taxa bruta de ocupação de cama nos hoteis, as licenças para construções novas e para habitação e o número de visitantes por museu.

Já o sub-índice de competitividade demográfica utiliza indicadores como a densidade populacional, a taxa de crescimento da população, a idade média dos residentes, a esperança média de vida, a taxa de mortalidade infantil e a percentagem de recolha de resíduos sólidos.

Quanto ao sub-índice conforto, este agrega indicadores como o número de pessoas e de divisões por alojamento, alojamentos sem pelo menos uma infra-estrutura básica, alojamentos familiares vagos e edifícios exclusivamente residenciais.

Finalmente o sub-índice de competitividade laboral, inclui a taxa de desemprego, o número de trabalhadores das empresas existentes e o número de empresários em nome individual.

Curioso é constatar que os índices de competitividade utilizados neste estudo (e relembre-se, pelo Fórum Económico Mundial) focalizam-se muito em variáveis de âmbito social e demográfico mais do que em variáveis de natureza macroeconómica como muitas vezes se tem em conta na análise dos factores de competitividade.


5. Diagnósticos e recomendações sobre Lisboa

Lisboa tem bons exemplos de urbanização como por exemplo o bairro dos Olivais, bairro modelo não só ao nível nacional mas também europeu em meados dos anos 60, dada a harmonia de espaços, a coerência arquitectónica e as preocupações de carácter ambiental pelos espaços verdes que o integraram. O mesmo se aplica ao bairro lisboeta da Encarnação ou Alvalade.

Julgamos no entanto que falta à capital um plano estratégico de médio e longo prazo que lhe defina uma missão. Embora exista um PDM faltam planos de pormenor para zonas históricas, nobres ou com carências significativas de um bom ordenamento do território, o que gera a confusão, a indecisão e afasta investidores internacionais como bancos de investimento imobiliário e fundos de investimento imobiliários internacionais. Estes, gostando do que conhecem e julgando as potencialidades de desenvolvimento existentes, desistem em face da indefinição de regras tão elementares como o que se pode construir, o que se pode remodelar, como se pode construir ou quanto se pode construir.

Parte dos problemas de desordenamento existentes, do envelhecimento quer das infra-estruturas imobiliárias ou até da população residente na capital, seriam ultrapassados com o estabelecimento deste plano estratégico, o qual permitiria a recuperação, viabilização e rejuvenescimento da cidade.

Desta forma se definiriam as regras para a recuperação, modernização jurisdição, utilização e melhoramento das estruturas existentes e se encontrariam novas funções para os equipamentos.


6. Cidades e Estratégias de Internacionalização: Algumas propostas

As cidades são, como se sabe, veículos de captação de receitas importantes e essenciais por via do turismo (de habitação, cultural, mas sobretudo de negócios). Uma cidade competitiva é uma cidade que atrai e gera riqueza.

Num contexto actual de globalização das cidades é urgente que as cidades portuguesas se posicionem estrategicamente no plano internacional como eixos geoestratégicos e geoeconómicos geradores de riqueza e com elevada atractividade de pessoas, investimentos e serviços de qualidade.

Para que isso se torne possível é indispensável melhorar a competitividade dos portos marítimos de cidades como Lisboa, Leixões, Aveiro, Sines e Setúbal, tendo em conta a nossa especificidades geográfica como país de vocação marítima e como ponto de ligação no eixo Europa- Ámerica – África. Por outro lado, cada cidade deve ter definido um plano de internacionalização com vista à captação de investimento cultural, científico e comercial entre outros.

Esse plano de internacionalização implicará o fomento de parcerias internacionais com cidades de dimensão e funções semelhantes de outros países, em sectores onde ambas apresentem pontos fortes, que tenham servido de benchmarking em termos de pólos de desenvolvimento e que possam ser alvo de avaliação e partilha de experiência com os responsáveis das cidades portuguesas.

Esse plano de internacionalização implicará também uma análise SWOT (Strenghts, Weaknesses, Opportunities and Threats, ou seja Pontos Fortes, Pontos Fracos, oportunidades e Ameaças) de cada cidade e uma estratégia de marketing internacional com o objectivo de se criar um produto diferenciado (cidade diferenciada) com um preço atractivo (em serviços, em novos investimentos, actividades culturais e sociais) bem com um plano de comunicação internacional que a torne única de modo a que, na mente do residente ou do investidor, esta esteja associada a factores positivos (“market a city as a desirable place to live” usando uma expressão anglo-saxónica do marketing das cidades).

segunda-feira, agosto 10, 2009

As Cidades como pólos de desenvolvimento local e regional - I


Aqui damos a conhecer o ponto de vista do FRES através deste trabalho sobre o papel sócio económico e de desenvolvimento que atribuímos às cidades - como pólos de desenvolvimento local e regional. Este artigo foi publicado no Jornal de Negócios, no semanário Vida Económica e nos Cadernos de Economia.


1. O Papel das cidades e as assimetrias

As cidades desempenham diferentes papéis no contexto económico e social de um país, funcionando como pólos de crescimento e desenvolvimento territorial, como modelos de atractividade de pessoas, saberes, cultura, lazer, ciência e conhecimento, mas também como factores de assimetria social e económica em termos regionais ou nacionais. Estas assimetrias são resultado dos diferentes graus de afectação do investimento dedicado ao desenvolvimento do interior.

Sendo muitas vezes uma bandeira do seu país, pelos pontos de interesse e funções que podem desempenhar e projectar internacionalmente (cidades culturais, turísticas, desportivas) as cidades da era moderna são hoje instrumentos de criação de assimetrias regionais mesmo em países pequenos da dimensão de Portugal por via da intensificação de desigualdades sociais que provocam.

Encontramos porém tais assimetrias em países de maior dimensão como por exemplo Espanha ou o Japão, onde assistimos igualmente ao problema da desertificação do interior causado pela migração das populações para as cidades em virtude da procura de melhores oportunidades e condições de vida. É hoje em dia cada vez mais difícil encontrar emprego fora dos grandes centros urbanos uma vez que essa oferta é muito escassa e o fenómeno do crescimento do desemprego tem agravado o problema.


2. A origem e a evolução das metrópoles

O fenómeno do nascimento das grandes cidades surge pela criação e instalação à sua volta das cinturas industriais (fábricas) o que fixou as pessoas do interior tornando-as um foco de criação de emprego, através do fenómeno das migrações.

Estas cinturas industriais foram criando e alargando as zonas semi-urbanas (dormitórios) o que veio provocar a fixação das populações em anéis à sua volta. Mais tarde vem proliferar o fenómeno das cidades satélite, após os movimentos de afastamento das unidades industriais para zonas mais distantes do núcleo urbano ou para parques industriais – quando surgem as novas políticas de desenvolvimento, ambientais e de ordenamento do território. Esse crescimento tornou-se assim contínuo e muitas vezes desordenado.

No contexto da evolução das cidades, temos como referência Rosabeth Moss Kanter, professora americana da Harvard Business School e o seu novo livro “World Class – Thriving Locally in the Global Economy” no qual a autora apresenta o que designa como os “ingredientes da vantagem competitiva das cidades”, com a apresentação da teoria dos três cês ou seja, três activos intangíveis que as cidades devem possuir e saber operar:


i) conceitos - novas ideias e formulações para os produtos e serviços que criam valor para os consumidores;

ii) competências - ideias inovadoras com aplicações para o mercado e que exprimem as melhores práticas e os melhores standards;

iii) conexões – alianças entre negócios para alavancar competências centrais, criar valor acrescentado ou abrir portas para as oportunidades da globalização da economia.

Kanter defende que estes três activos definem formas de “ligação do local ao global”. Segundo a autora, há cidades que se cosmopolitizaram e que “casaram o local com o global” e as que não conseguiram sair da sua paróquia, deixaram morrer as indústrias e os serviços, perderam os quadros e desertificaram-se.

A autora classifica ainda as cidades vencedoras em três vertentes:

* Cidades de conceitos – as pensadoras (thinkers) que se especializam em conceitos e funcionando como ímanes de massa cinzenta e das industrias do saber. Caracterizam-se pela inovação e exportação de conhecimento.

* Cidades laboriosas – as fazedoras (makers) que são competentes na execução em áreas de fabrico e de produção. São locais de atracção para as industrias de manufactura.

* Cidades de conexões – as intermediárias (traders) que se especializam em conexões para concretizar negócios.


3. Factores de competitividade das cidades

São vários os factores que concorrem para a classificação da competitividade de uma cidade em geral e das cidades portuguesas em particular. Quanto a estas últimas, uma das questões que consideramos mais importantes é a existência de um plano estratégico, plano esse que defina uma missão, um rumo ou orientação funcional para a cidade. Há opiniões que defendem que em termos micro (pequenos locais específicos ou actividades) existem alguns planos mas que não são implementados, muitas vezes por pressões vindas de grupos de interesse ou por inconvenientes de natureza política.

Qualquer que seja o plano estratégico de qualquer cidade, este terá que se focalizar em variáveis relacionadas com a qualidade de vida dos habitantes (mais e melhor mobilidade, mais segurança, mais cultura, menores desigualdades sociais, melhor ordenamento do território, melhor burocracia, melhores serviços públicos de transporte ou melhor comércio).

Pela sua natureza, dimensão e importância poderemos questionarmos: terá por exemplo a cidade-capital Lisboa um plano estratégico bem definido para o futuro? Se sim, qual?

Perguntemos aos lisboetas ou aos cidadãos do país como classificam a sua capital: como uma cidade turística? De negócios? Cultural? Financeira? Ou como uma cidade multifacetada? E qual é o seu posicionamento entre as suas congéneres? Certamente a dúvida ou as diferenças persistem. Não conhecemos a sua missão em termos internacionais e Lisboa tem que se afirmar como uma cidade internacional.

Os interesses político-partidários e a pressão de diferentes lobbies são igualmente factores de pressão e elementos de bloqueio que impedem muitas vezes que certos projectos se desenvolvam (isto é especialmente verdade no que concerne às principais cidades do nosso país).

sábado, agosto 08, 2009

Are we human ? Or are we dancers ?


Pois é, cá estamos nós naquelas semanas de Agosto em que a maioria dos portugueses está de férias.


A maior parte dos assuntos mais sérios fica para Setembro e surge algum tempo para relaxar e quem sabe, divagar.

Para os que por cá continuam a trabalhar, mas também com o pensamento nas férias, aqui fica a questão da Banda “The Killers”

Are we human ? Or are we dancers ?


Como não conseguimos ser humanos o tempo todo, acho que no final deveremos ser Dancers.

quarta-feira, julho 29, 2009

Reformas no Serviço Nacional de Saúde - V



Encerramos este trabalho colectivo do FRES sobre o Sistema Nacional de Saúde com a publicação da última parte do artigo já publicado.


5. Em defesa de apoio psicológico

Para além das propostas para o SNS, importa referenciar igualmente os comportamentos dos profissionais de saúde e a qualidade do apoio psicológico que qualquer unidade de saúde deve prestar, factores determinantes para a população aferir sobre a qualidade dos serviços de saúde.
Verifica-se em Portugal, por demasiadas vezes, uma falta de sensibilidade (em particular nas grandes unidades hospitalares) para as questões relacionadas com o apoio psicológico e emocional que em muitos casos tem que ser prestado não só aos doentes mas aos seus familiares.

Este apoio pode muitas vezes resumir-se apenas à prestação de informações à familia sobre o estado do doente ou do resultado de uma intervenção cirúrgica. Estes comportamentos reflectem a falta de alguns conhecimentos ou de formação básica em psicologia que consideramos ser absolutamente necessários a um profissional de saúde competente.

Os doentes (ou os seus familiares) num qualquer hospital, são sempre “clientes” em situação fragilizada pelo que o apoio emocional e psicológico, por mais simples que seja, é muitas vezes indispensável. Um apoio familiar adequado é um factor determinante para a classificação do que é “a qualidade da saúde do país”.

Reformas no Serviço Nacional de Saúde - IV


4. Propostas para o SNS

A grande questão a colocar às pessoas é se julgam que o Serviço Nacional de Saúde deve ou não assegurar o serviço básico de saúde a todos os cidadãos, independentemente da sua capacidade financeira.

Em nossa opinião julgamos que sim uma vez que esta é claramente para nós uma função social do estado ao qual ninguém se deve substituir. Este é um dos papeis fundamentais que assiste a um estado de direito, moderno, democrático e cumpridor dos principios de solidariedade social. Todos devem ter acesso livre e gratuito à saúde, ainda que, em certos casos, possa haver lugar ao pagamento de taxas moderadoras ou para serviços complementares, sempre no estricto cumprimento do principio da equidade i.e., quem mais paga, é quem mais pode pagar.

Aceitamos contudo um modelo complementar de serviço de saúde privado, utilizado por todos aqueles que apresentem condições financeiras de o pagar. Este pode e deve ser colocado em casos excepcionais ao serviço do cidadão comum, no âmbito do serviço público, sempre que este não esteja em condições de actuar no âmbito público, pela urgência ou gravidade de determinadas situações. O seu custo deverá ser, nestes casos, suportado pelo estado.

Um outro factor que afecta a boa prestação dos cuidados públicos de saúde prende-se com a descentralidade dos serviços. A designada desertificação do país deve ser tida em atenção, de modo a não se criarem fenómenos de descriminação quer na qualidade e diversidade dos serviços prestados quer na disponibilidade dos equipamentos. Nos casos em que estamos perante situações de interioridade, a politica da saúde não pode ser medida e avaliada apenas por critérios economicistas relativamente às unidades prestadoras desses serviços. Estas deverão ser preocupações de um estado social.

Acreditamos seguramente que se houvessem condições técnicas e pessoais, provavelmente muitos médicos e profissionais de saúde estariam disponíveis para trabalhar fora dos grandes centros urbanos. Parte do problema reside, sabemos, na falta de dinheiro, o que não permite expandir os investimentos para um interior menos povoado, levando assim ao corte das verbas para onde há menor procura de serviços médicos.

quinta-feira, julho 23, 2009

Sintra não é como Paris


A Câmara de Sintra quer transformar o concelho na Capital do Romantismo.
Quem conhece bem Sintra facilmente reconhecerá que este projecto tem fundamentos muito fortes.


Sintra é um lugar único em Portugal, e talvez na Europa e no Mundo.

Uma das jovens turistas estrangeiras entrevistadas recentemente por uma estação televisiva, disse espontaneamente que Sintra é um lugar muito bonito e disse ainda que Sintra é como Paris.

Dizer que Sintra é um lugar muito bonito é aceitável sem qualquer tipo de problema. Já quanto à afirmação de que Sintra é como Paris, tenho de confessar que me causa algum incómodo.

O Professor José Hermano Saraiva há muitos anos que diz que se queremos vingar a nível internacional, temos de promover o que cada região tem de diferente. Ser bom não basta, é preciso ser diferente.

Sei que é um pouco ( ou muito ? ) presunçoso da minha parte pois nunca estive em Paris mas não posso aceitar de modo algum que tentem dizer que Sintra é como Paris. Paris tem muitos encantos e acredito que seja uma cidade fantástica.

Já a nossa Sintra é especial por um micro-clima único que potenciou uma série de outros factores em redor:
- Potenciou uma Paisagem absolutamente deslumbrante, quer se esteja embrenhado na Serra de Sintra, quer se esteja no seu topo contemplando toda a região da Grande Lisboa.
- Potenciou a Construção de Castelo, Palácios, Convento, Parques, e um sem número de Quintas de beleza sem paralelo.
- Potenciou uma atmosfera propícia a romantismos e misticismos.

Milhares de turistas de todo país e de todo o mundo visitam Sintra todos os anos. Todos eles saem encantados com tudo o que vêem e sentem ao pisar aquele pedaço especial da terra.

Os turistas que visitam Sintra uma vez, ficam a conhecer o Palácio da Vila, O Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros, o Palácio de Seteais e talvez pouco mais. Ficarão também a conhecer o centro da vila que tem muitos atractivos em termos de artesanato e guloseimas como os famosos Travesseiros da Periquita.

Mas eu que conheço Sintra desde os meus 15 anos, recomendo que quem ainda não conhece Sintra, a visite cem vezes. Em cada visita descobrirão novos cantos e novos encantos. Sintra é uma caixinha de surpresas sendo uma das mais deslumbrantes a Quinta da Regaleira. De carro ( ou a pé para os mais aventureiros ), há muito mais a descobrir nas estradas de Sintra desde o Palácio de Monserrate ao Convento dos Capuchos.

Todos esses momentos são temperados por um clima fresco e húmido, um privilégio, especialmente nestes dias de verão.

Quem conhece Sintra e Paris diga-me por favor, Sintra é como Paris ?

segunda-feira, julho 20, 2009

Época do Detalhe, Pormenor e Rigor

Época do Detalhe, Pormenor e Rigor

Vivemos numa “arena” social onde se tudo se passa a uma velocidade abismal, onde não há tempo para parar escutar e observar. O dia é constituído por 24 horas, 1440, marcados por “Blocos”, género manhã até almoço, tarde até ao jantar, e por continuidade…reparamos que as horas, os dias, as semanas, meses, anos passam e não ligamos ao conjunto de pormenores que constituem as peças do puzzle que é a vida.

Os detalhes da Vida, aqueles momentos singulares que todos nós temos no nosso dia-a-dia mas que não damos conta por força do hábito, ie da própria rotina, que passam despercebidos, enfim que não valorizamos…os pormenores que marcam a diferença!

Há dias num café, observei que, estando a Senhora (a funcionária) na outra ponta do balcão
(no fundo do estabelecimento), e ao sentir a entrada de mais um suposto Cliente na loja disse sem tirar os olhos da tarefa que estava a realizar; “Café?”. Reparei e percebi de imediato que a interrogação era para a última pessoa/cliente que acabaria de entrar.

A Cliente, neste caso uma Senhora, dirigiu-se à montra rica em bolos e também percebendo que a interrogação se destinava a ela, deixou “cair” a interrogação e com calma, aguardou pelo “face-to-face” com a Senhora do Café.

Neste caso, bem como em muitos outros devido à rotina, pensamentos exteriores, outras variáveis, o detalhe, neste caso grande detalhe, leva-nos comuns cidadãos, seres sociais a evitar a Comunicação, ao desenvolvimento de relações inter-pessoais, à Escuta ao mero diálogo, ao simples e mero trocar de olhar, à linguagem não verbal.
Ao invés de sermos “robotizados”, mecanizados tentemos dar um “ar” mais natural, humano aos pormenores, detalhes da Vida, não falo apenas na execução, pois todos nós queremos ser e ir ao encontro do perfeccionismo, mas sim na observação, escuta, no pensamento!
No tentar decifrar o “Porquê” daquelas respostas, daquela atitude, na utilização daquele objecto em virtude de outro, nas palavras ditas, por exemplo, já dizia os sábios chineses: “As palavras que usamos influenciam a vida que vivemos. Escolha-as sabiamente!”.
Neste nível conseguimos não ver apenas e só ver a árvore, mas sim a Floresta!
Talvez possamos preencher os 3 Ego´s: o “id”, o “ego” e o “superego”. Possamos preencher o nosso jornal da vida com mais alegria compreensão, satisfação, entusiasmo, paixão e vontade, e rigor, enfim como dizem os franceses “rapport”!

Vamos junto do detalhe do pormenor, ao rigor, ao singular, do geral ao isolado, escutar perceber sem cair de uma forma simples e “gratuita” em comentários/observações.

Fazer o que tem de ser feito dando relevância aos “inputs” nossos, dos outros e fortalecer desta forma a nossa Linha de Pensamento. Tentar ser jornalistas, ie falar/pensar apenas no “Eu”, isentos no discurso, observar, escutar, ainda remontando aos sábios chineses “Temos uma boca e dois ouvidos, mas jamais nos comportamos proporcionalmente”.

Despertemos o nosso ser social (não num só sentido, do nosso mas dos outros para connosco, sem cairmos na standarização, no “pret-à-corter” que a sociedade de forma directa e indirecta nos tenta influenciar!
Valorizemos os detalhes, os pormenores o rigor, dos nossos e dos outros, Quando?, Como? Em que Circunstâncias?
Hoje! Escutando/Observando e Pensando! Sempre!

Alexandre Motty

quarta-feira, julho 15, 2009

Crises e Oportunidades


A Pandemia de GRIPE A é uma crise global pois está a afectar o mundo inteiro.
Não é demais relembrar os conselhos e os esclarecimentos de dúvidas, pois está em causa a saúde de todos.

Ficam aqui alguns links onde se encontram muitos esclarecimentos e cuidados a ter para enfrentar a Gripe A.
A Informação oficial do Ministério da Saúde pode ser vista em:
http://www.dgs.pt/ms/2/default.aspx?pl=&id=5509&acess=0&cpp=1 (microsite)

Outros portais apresentam conselhos semelhantes com outra apresentação:
http://saude.sapo.pt/abc_saude/g/gripe_a/ver.html?id=1006800
Sendo uma crise global que deve ser encarada com serenidade e seriedade, a GRIPE A está também a provocar movimentos positivos em todo o mundo.
A prova de que ela, sendo uma crise constitui também uma oportunidade, é dada pela rápida troca de informação via internet entre milhões de pessoas em todo o mundo, sobre os cuidados a ter para se lidar com a Gripe A.
Se repararmos bem, veremos que muitos dos conselhos incluem cuidados gerais de saúde, que andavam alheados de muitas pessoas, ou seja, como não havia algo tão grave, as pessoas nem se lembravam da necessidade de se lavar frequentemente as mãos (antes e depois das refeições, após a ida à casa de banho, entre actividades, etc)
Ao se lavar as mãos de forma correcta, podemos ver um exemplo em (http://www.youtube.com/watch?v=V1SiYgLvYEU ) não estamos só a prevenir a Gripe A mas também outras doenças pelo que esta crise é de facto uma oportunidade para se passar mensagens à população, que de outra forma, pouco impacto teriam.
Deve-se procurar efectuar também uma boa ventilação de ambientes habitualmente fechados.
Constatamos assim que uma crise não traz exclusivamente más notícias.
Podemos aprender com ela e aproveitar as oportunidades que ela apresenta.

domingo, julho 12, 2009

Desistir ou Insistir ?


O prémio Nobel da Paz Muhammad Yunus afirmou ontem que a crise económica global pode constituir uma oportunidade para uma mudança social positiva.

Yunus, fundador de um sistema de micro-crédito para os pobres, falava em Joanesburgo durante uma palestra em honra do antigo presidente da África do Sul, Nelson Mandela, que completa 91 anos no próximo dia 18.

O economista, do Bangladesh, defende que a crise financeira mostrou que as formas tradicionais de negócios não funcionam e advoga, pelo contrário, um modelo novo de negócios sociais que possam ajudar a reduzir a pobreza, proporcionar cuidados médicos e água potável às pequenas localidades.

Fundador do Projecto Banco dos Pobres que se oficializou em 1983 com a Constituição Formal do GRAMEEN BANK, Muhammad Yunus continua a ser uma voz de esperança para um equilíbrio social que quase todos desejam mas poucos trabalham para que aconteça.

Um dos méritos do Professor Yunus reflecte uma ideia recentemente realçada por uma pessoa próxima em termos profissionais, ou seja a necessidade de insistir em vez de desistir.

Como é que palavras com uma fonética parcialmente similar podem de uma forma tão determinante, traduzir consequências tão diferentes ?

Face a todas as dificuldades que qualquer projecto enfrenta, uma das atitudes naturais é desistirmos. Muhammad Yunus nunca desistiu, e o facto de em 2006, conjuntamente com o Banco Grameen, que ele próprio fundou, terem alcançado o prémio Nobel da Paz, mostra que muitas vezes o caminho não passa por desistir mas sim por insistir.

Neste processo de insistência, a participação de todos ou de uma grande maioria, torna muito mais fácil a prossecução de objectivos bons para toda uma comunidade.

A nossa principal preocupação é uma comunidade especial chamada Portugal.

Não somos os únicos a querer que muitos rumos errados se alterem. Não somos os únicos a contribuir de forma livre e espontânea para que mais ideias se debatam e mais consensos se alcancem.

Quando o caminho mais fácil é desistir, continuaremos a optar por insistir constituindo assim um "Porto de Abrigo" para todos os que não se querem resignar.

Não é necessário que todos se dediquem a esta ou a outras causas em regime exclusivo. Basta que paremos e dispensemos uns minutos por semana para entender que uma sociedade coesa não se constrói com todos os seus elementos a fecharem-se em “bunkers de egoísmo”.

Sem prejudicar o que cada um alcançou com o seu próprio mérito, é possível construir um espaço complementar de contribuição para uma vida melhor de toda uma sociedade. Podemos não ter ainda noção de quais são os grandes desígnios nacionais que os nossos dirigentes deveriam traçar. Mas o desígnio de cada um em contribuir de forma parcial e complementar a outros objectivos pessoais que traçam para si próprios, não me parece um desígnio tão difícil de alcançar.


Basta mudar algumas letras e transformar o desistir em insistir.

sábado, julho 04, 2009

A vida é um jogo



Um apontamento prévio, para nos situarmos no contexto e, para não expressar apenas a minha opinião e minimizar o efeito da subjectividade, recolhi as considerações abaixo na “Wikipedia”. Assim temos:

“Jogo é uma actividade estruturada ou semi-estruturada, normalmente praticada com fins recreativos e, em alguns casos, como instrumento educacional. É, geralmente, distinto do trabalho, que visa remuneração e da arte, que está geralmente associado à expressão de idéias. Esta separação não é sempre precisa, assim, há jogos praticados por remuneração e outros associados à expressão de idéias e emoções.”
“Ingénuo é alguém, por definição natural; simples,
inocente, onde não há artifício ou malícia.”
Quotidianamente vamos assistindo a diversos jogos, nomeadamente desportivos, de poder, de estratégia, politicos, de influência, de interesses, etc., o que nos leva a crer que , de facto, a vida não é mais do que um jogo.
Se atentarmos ao que nos rodeia, somos capazes de encontrar alguns exemplos que ilustram estas considerações e nos reduzem as nossas margens de incerteza.
Por exemplo, ao nível desportivo, temos um clube que, sistematicamente, nestes ultimos anos, não conseguindo afirmar-se desportivamente no local próprio, procura logo argumentos de secretaria para se manter no escalão que pretende, acusando os outros de irregularidades e de se aproveitarem da ingenuidade dos demais. Enfim, é um outro tipo de jogo, não se joga com bolas mas com influências. Serão jogos de interesses? Quem sabe?
Outro exemplo é o caso de um Banco, onde alguém com responsabilidades de gestão, que até já teve funções públicas, não sabia o que se passava, crédulo da honestidade dos outros, foi enganado! Ah! Mas antes tinha ido às instâncias de controlo pedir para ser controlado. Afinal sabia? Ou não sabia? Mais um ingénuo e só agora vai tomando conhecimento pela imprensa … alguém se andou a aproveitar da inocência dos outros … não há direito! Ou será mais um jogo de estratégia? Quem sabe?
Há também o caso de um centro comercial, na outra margem, em que todos desconheciam que havia facilidades concedidas com a ingenuidade e boa vontade própria dos inocentes. Ninguém sabia de nada, mas alguém sabia e aproveitou-se da pureza dos outros. Já não se pode ser sério e honesto! Ou será mais um jogo de poder? Quem sabe?
Então e na Educação? Será que o problema está na avaliação dos professores, na definição dos estatutos do aluno ou na carreira dos docentes? Ou será que alguém se está a aproveitar desta situação, baralhando os dados, para se autopromover socialmente? Ou será mais um jogo de interesses? Quiçá políticos? Quem sabe?
Pois é, somos um país de jogos e jogadores, e admiramo-nos de quê? Não dizem que a vida é um jogo? Todos nós , à nossa maneira, somos jogadores .
Mas parece que ninguém quer saber das situações a resolver, o que querem é resolver as suas situações! Afinal viver a vida resume-se a jogar o jogo!
Porém, há um aspecto comum a alguns destes jogadores, é o facto dos seus bolsos , sem qualquer intenção ou malícia, ficarem cheios, como?
Como diz o velho aforismo popular “Quem cabritos vende e cabras não tem … de algum lado lhe vem!” Pois é, parafraseando uma velha máxima, concluiria dizendo que viver não custa … o que custa é saber viver ... ou jogar! Para bom entendedor …

quinta-feira, julho 02, 2009

Reformas no Serviço Nacional de Saúde - III



3. Que investimentos alternativos?

Em face das limitações orçamentais onde é que se torna prioritário investir? Em megaestruturas como o novo aeroporto na OTA ou no TGV? Numa nova cidade aeroportuária? Ou em novos hospitais e centros de saúde adequados às características demográficas de uma população cada vez mais envelhecida?

Se o país não apresenta capacidade financeira para abraçar todos os grandes (e importantes não temos dúvidas) projectos, terá que fazer escolhas e opções. E estas parecem-nos claras.
Não há estado de direito verdadeiramente solidário e social que não proporcione aos seus concidadãos a dignidade de uma saúde tendencialmente gratuita mas onde se favoreça de igual forma um serviço de saúde privado, visando este naturalmente o lucro, como uma qualquer outra actividade económica mas exigindo-se dele a melhor qualidade. O que terá maior impacto na competitividade, notoriedade ou reputação do país face ao exterior? Aquelas infra-estuturas ou uma rede de hospitais e unidades de saúde do melhor nível, com profissionais de saúde altamente motivados e dedicados, que sirva não só os cidadãos nacionais mas todos aqueles que nos visitam (temos uma população europeia igualmente envelhecida) tornando assim o país apelativo e atractivo a quem nos pensa visitar? Não será o turismo uma das apostas estratégicas de Portugal para o futuro?

Pensamos que para a coexistência de um bom serviço de saúde público com um privado de elevado nível podem adoptar-se nalguns casos o modelo das parcerias público-privadas, do qual resultará, se desenvolvido de forma correcta e eficaz, uma solução favorável à população. Parece-nos lógico combinar a experiência pública e a capacidade financeira do estado na área da saúde, com os meios e experiência de gestão que alguns operadores privados podem trazer para esta relação.

Há na Europa bons exemplos destas parcerias, que funcionam com benefícios e custos equivalentes para ambas as partes ( à parte o modelo de saúde nórdico que privilegia o papel e a responsabilidade social do estado nesta área e que é no entanto um modelo de sucesso).

terça-feira, junho 30, 2009

Reformas no Serviço Nacional de Saúde - II


2. O papel da tutela

Um outro problema do SNS que não tem que ver com a qualidade dos médicos e enfermeiros ou outros profissionais da saúde, diz respeito à qualidade da tutela e da sua capacidade de gestão. Sabemos que ao longo de muitos anos Portugal andou aos ziguezagues na condução das políticas de saúde, com governos que iniciavam dossiers que outros não concluíam.

Vivendo sucessivas e nem sempre coerentes reformas, o SNS sofreu também com a variabilidade do pensamento e estratégias politicas e dos politicos. Hoje temos a certeza de que a boa prestação de cuidados de saúde nos hospitais e centros de saúde, passa pela boa organização de todo o sistema, medindo-se aquela não só pela atenção e profissionalismo dos médicos e enfermeiros, mas por uma boa capacidade de gestão, pela competência da tutela em exigir aos condutores das politicas de saúde a nível micro (entenda-se na gestão hospitalar) objectivos, metas e resultados.

Por sua vez, estes gestores hospitalares, devem ser escolhidos por critérios de competência, capacidade de liderança e provas dadas, devendo ser não só motivados a cumprirem os seus objectivos e metas mas também sendo capazes de liderar e motivar aqueles que dirigem. No fim da linha, a tutela deverá controlar de forma rigorosa a gestão da saúde, observar as metas alcançadas e definir as necessárias correções a implementar. Sabemos que foi isto que falhou em Portugal durante muitos anos.

Ora isto significa gerir os hospitais como organizações empresariais, que actuem de forma eficiente e eficaz, cumprindo com os seus objectivos, gerindo orçamentos por vezes apertados, satisfazendo os seus clientes (utentes) e atingindo os resultados pré-definidos.

segunda-feira, junho 29, 2009

Reformas no Sistema Nacional de Saúde - I


Iremos passar a apresentar os diversos capítulos que constituem o trabalho de diagnóstico, reflexões e recomendações da equipa do FRES que se debruçou sobre as reformas em curso no Sistema Nacional de Saúde.


1.Reforma da rede de urgências


Em Janeiro deste ano foi apresentado pelo Ministério da Saúde através de uma comissão técnica de avaliação e apoio ao processo de requalificação das urgências, o relatório final com propostas concretas sobre a rede de urgências nacionais. Este relatório apresenta um conjunto de nove critérios de avaliação e a consignar no âmbito das reformas propostas. Em termos globais são apresentadas dezassete propostas de reajustamento à rede de urgências. Dada a sua extensão não nos iremos debruçar com detalhe sobre todos os pontos propostos neste relatório mas apenas reflectir sobre o que nos parece merecer particular atenção.


Estão definidos três níveis de serviço de urgência quando o anterior regime definia apenas dois. São estes o Serviço de Urgência Polivalente (SUP) o Serviço de Urgência Médico-Cirúrgico (SUMC) e o Serviço de Urgência Básico (SUB). Estes diferentes níveis de urgência distinguem-se pela sua capacidade de atendimento e capacidade cirúrgica, critérios estes dependentes quer da população local quer da afluência previsível de doentes. Numa primeira análise, considerando a distribuição e hierarquização da rede de urgências pelos hospitais e centros de saude do país, parecem-nos adequadas as propostas apresentadas. Parece-nos correcto que, por exemplo, hospitais como o de Santo António ou São João no Porto, Universitários de Coimbra, Santa Maria e São José em Lisboa, Fernando Fonseca na Amadora ou de Santarém, usufruam dos serviços de urgência de maior dimensão e oferta de serviços médico-cirúrgicos.

Um outro aspecto que pretendemos realçar são os critérios relativos ao tempo de resposta ao socorro local. Estes são suportados em considerações de natureza geográfica e tempos de chegada aos locais de socorro. Neste campo, as metas estabelecidas, pelos critérios que consideram, parecem-nos à partida racionais. É certo que é sempre dificil estabelecer com absoluta certeza a aplicabilidade adequada destes tempos quando falamos de socorrer vidas humanas. Cada circunstância pode ser diferente da anterior e nunca ninguém aceita como justificável a perda de uma vida humana devido a um atraso na chegada de apoio. Mas tendo em conta que os tempos de resposta preconizados nesta proposta se enquadram no que se considera serem os padrões internacionais, o que defendemos é que os meios aplicados e a distribuição dos mesmos seja adequada à realidade do país que temos, às características demográficas das populações e sua estrutura etária, às redes de comunicação e às condições físicas do local. É igualmente difícil de aferir sobre a adequabilidade do número de ambulâncias por um determinado número de habitantes. Aqui mais uma vez os critérios parecem-nos razoáveis, mas cada situação diverge da anterior podendo contudo acontecer que uma ambulância de emergência por cada 40.000 habitantes seja insuficiente. O que importa é que, nestes casos, haja de imediato a possibilidade de aparecerem duas em vez de uma.

domingo, junho 28, 2009

Centros de Decisão Nacional


A Abordagem

Tem estado recentemente em discussão a problemática sobre a manutenção dos “centros de decisão” nas mãos dos investidores nacionais e o risco da sua transferência para o estrangeiro. Este debate surge reforçado após a consciência plena do que é (pode ser) a globalização. Fará sentido esta discussão no quadro da nossa integração no espaço económico e social comum, no âmbito da União Europeia? Seremos demasiado proteccionistas? Acreditamos que pelo menos merece haver espaço para esta reflexão.

Há uma grande diversidade de argumentos, uns a favor e outros contra a transferência do capital das empresas nacionais para mãos estrangeiras. Em ambos os entendimentos, encontramos posições razoáveis e sensatas. Por isso acreditamos que a questão não é simples e de conclusão linear. Encontrámos, entre outros, alguns dos argumentos que nos merecem maior reflexão e discussão.

i) A favor da transferência do capital para estrangeiros:

- a importação de conhecimento, novas tecnologias, know how e novas competências de gestão;

- a criação de emprego, o aproveitamento da mão-de-obra especializada que, se bem gerida, revela bons níveis de competência e produtividade;

- a captação de importantes níveis de capital não disponível em mãos de investidores nacionais;

- a possibilidade de alavancar a economia para novos graus de produtividade e desenvolvimento tecnológico;

- a integração de Portugal nos modelos de crescimento dos países parceiros mais desenvolvidos da União Europeia (caso da Inglaterra, Holanda, Suécia ou Espanha).

ii) Contra esta posição de deslocalização do capital:

- a procura pelos estrangeiros de um modelo de mão-de-obra barata que desqualifica o país;

- o risco de provocar o desemprego, com o impacto social negativo consequente, quando este modelo de baixo custo da mão-de-obra sofre a concorrência de países como a China, Índia, Republica Checa ou Roménia;

- o mesmo fenómeno que o anterior mas baseado na deslocalização da produção para os países da Europa de Leste cujas qualificações da população são mais elevadas;

- o mero aproveitamento dos benefícios fiscais do estado por um longo período de anos, findos os quais se encerra a actividade e se deslocaliza para os países atrás referidos;

A politica

Apesar dos argumentos acima apresentados, continua para nós a não ser simples uma tomada de posição, a favor ou contra os mesmos, uma vez que tais argumentos não reflectem por si só a profundidade do problema. A exemplo de países já referidos como a Holanda, Suécia, Reino Unido ou Espanha, também em Portugal será de grande conveniência permitir a transferência do capital para accionistas estrangeiros (quer de grandes, pequenas ou médias empresas) desde que estes investidores nos tragam não só novos capitais mas também uma forte capacidade financeira que permita ao país mais desenvolvimento, inovação e criação de riqueza. Isto é igualmente aplicável a negócios em sectores estratégicos para Portugal. No momento em que tanto se fala (e trabalha) para a captação de investimento estrangeiro, o país não pode e não deve actuar em contradição com esta politica dado que a criação de riqueza permitirá a obtenção de sinergias com outras empresas a montante e a jusante (clusters) tão importantes para o país.

Os reguladores

O risco da transferência de capitais, a existir, poderá ser significativamente reduzido, extinto mesmo, se houver uma forte política reguladora em Portugal (como no Reino Unido). Acreditamos que uma forte entidade reguladora em cada sector estratégico permitirá dar cumprimento às normas estabelecidas no mercado de cada sector, o que permitirá a protecção dos interesses económicos, políticos e sociais nacionais, reduzindo o perigo de uma nefasta detenção de capital nacional em mãos estrangeiras. Estes riscos, se os houver (desemprego acelerado, encerramento de operações e desinvestimento, atropelo das normas de concorrência, politicas empresariais com impacto social negativo na sociedade, fragilidade na defesa e coesão nacional) serão minorados com uma politica reguladora de rigor e exigência. A existir tal politica, será possível manter em Portugal o capital na posse de quem terá melhores condições para criar valor de forma mais acelerada mas desenvolvendo (e protegendo) um modelo de coesão social.

Uma dúvida nos assola. Deverão as entidades reguladoras que definem as regras do mercado e da concorrência contribuir igualmente para a definição do que são as políticas estratégicas nacionais para o sector? Estamos inclinados a concluir que não. Essa tarefa é da competência dos concorrentes.

O Estado

Caberá ao Estado em última instância responder pela manutenção do modelo de coesão social, soberania e segurança nacionais. A questão que mais dúvida nos suscita é se o estado deverá sobrepor-se aos reguladores sectoriais. Se tomarmos como certo que tal não deva acontecer, poderá (deverá) o Estado no limite, proceder a compensações fiscais em sede de IRS, IRC ou outros. Um exemplo: havendo decisões num mercado ou sector com impacto negativo directo nos rendimentos dos mais desfavorecidos, o Estado compensará quem recebe o salário mínimo nacional ou rendimentos abaixo de um valor/limite mínimo estipulado. A isto se chamaria actuação seguindo o interesse nacional.

Mário de Jesus
Cecília Santos
Estela Domingos
Jorge Carriço
João Mateus

Grupo de Trabalho do FRES

domingo, junho 21, 2009

Desenrascar e Aprender com Prazer!


A propósito do artigo "Queremos Explicações" comecei a escrever um pequeno comentário que acabou nesta contribuição.

As informações, conclusões e comentários recolhidos naquele artigo, são perturbadores para mim.

Dei comigo a pensar: como é que à beira do ano 2010 continuam os Portugueses a ser educados para serem, tão só, verdadeiros Mestres na "bela Arte do Desenrasca" que nos tem caracterizado?

Começam já enquanto estudantes a "desenrascar" a passagem de ano através de explicações de ultima hora. E, naturalmente, os pais até colaboram. Não tivessem eles, também, sido criados com o mesmo estigma.

A propósito desta característica portuguesa conta-se a nível internacional uma anedota que vou resumir:

"Todos os bons gestores sabem que devem manter na sua empresa ou fábrica, bem no centro das instalações, uma redoma de vidro com as seguintes instruções: Quebrar em caso de calamidade, crise, ou problema sem solução.
Dentro da redoma o que estará? Um português!
Com a sua capacidade de "desenrascar" é o único elemento capaz de resolver a situação a contento e dentro do prazo."

Longe de estar aqui a lamentar-me por ser portuguesa, muito pelo contrário, pretendo que nos foquemos naquilo que há de positivo nesta história. Temos, realmente, este espírito de "desenrasca" que até nos é reconhecido internacionalmente. Em momentos de grande crise e tensão somos capazes de encontrar soluções que nem passariam pela cabeça de outros que até podem estar, teoricamente, melhor posicionados para o fazer.

O que precisamos, mesmo, é de capitalizar essa capacidade e não ficar por aí.

Conjugando este ponto com o tema do artigo “Queremos Explicações” e porque gosto de ser positiva: se esta nossa capacidade fosse reforçada com conhecimentos mais profundos chegaríamos muito mais longe.

Felizmente, já muitos portugueses perceberam isso (mesmo que não se tenham dado conta de forma consciente) e distinguem-se todos os dias no mundo, de várias maneiras, tal como o fazem cidadãos de muitos outros países.

Seria bom que conseguíssemos ter todo um povo a dirigir-se nesse sentido, em vez de apenas excepções.

A minha sugestão vai para a necessidade de passar às nossas crianças, aos nossos estudantes, a todos os envolvidos no ensino e educação, desde os pais aos professores, o prazer que pode ser a aquisição de conhecimentos. Aprender, pelo prazer de aprender é algo muito diferente de aprender porque tem que ser, porque fico bem visto, porque dou prazer ao papá, porque... porque... mas dá muito trabalho e é um grande sacrifício... Tudo, menos: porque gosto de saber mais, de crescer no conhecimento e retiro prazer desse crescimento.

E não sou eu quem inventa esta fórmula. Já dizia Alfred Mercier, (1816-1894): “Aquilo que aprendemos com prazer, jamais esquecemos”.

Transforme-se a aprendizagem num 'bem de consumo por prazer'. Explique-se, de forma positiva e atraente, a crianças e a adultos qual o valor acrescentado do 'saber' e muito pode mudar.

Eu acredito, e você?

segunda-feira, junho 15, 2009

O FRES e a Conferência de Empreendedorismo do AUDAX

Estimados amigos e visitantes
Informamos que o FRES estará presente como participante e apoiante da Conferência sobre Empreendedorismo do AUDAX - Centro de Investigação em Empreendedorismo e Criação de empresas familiares constituído no seio do ISCTE, a qual se irá realizar nos próximos dias 22 e 23 de Junho no mesmo ISCTE.
O tema principal da Conferência será "o Empreendedorismo em tempos de crise" e conta com a participação do reputado Professor e Investigador Jerome Engel da Universidade de Berkeley da Califórnia.
A nossa participação irá ocorrer no âmbito do painel sobre empreendedorismo social.
Aqui fica desde já o convite a todos os nossos visitantes e participantes para que se juntem a nós na próxima semana no AUDAX.
Os nossos melhores cumprimentos