Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

terça-feira, junho 30, 2009

Reformas no Serviço Nacional de Saúde - II


2. O papel da tutela

Um outro problema do SNS que não tem que ver com a qualidade dos médicos e enfermeiros ou outros profissionais da saúde, diz respeito à qualidade da tutela e da sua capacidade de gestão. Sabemos que ao longo de muitos anos Portugal andou aos ziguezagues na condução das políticas de saúde, com governos que iniciavam dossiers que outros não concluíam.

Vivendo sucessivas e nem sempre coerentes reformas, o SNS sofreu também com a variabilidade do pensamento e estratégias politicas e dos politicos. Hoje temos a certeza de que a boa prestação de cuidados de saúde nos hospitais e centros de saúde, passa pela boa organização de todo o sistema, medindo-se aquela não só pela atenção e profissionalismo dos médicos e enfermeiros, mas por uma boa capacidade de gestão, pela competência da tutela em exigir aos condutores das politicas de saúde a nível micro (entenda-se na gestão hospitalar) objectivos, metas e resultados.

Por sua vez, estes gestores hospitalares, devem ser escolhidos por critérios de competência, capacidade de liderança e provas dadas, devendo ser não só motivados a cumprirem os seus objectivos e metas mas também sendo capazes de liderar e motivar aqueles que dirigem. No fim da linha, a tutela deverá controlar de forma rigorosa a gestão da saúde, observar as metas alcançadas e definir as necessárias correções a implementar. Sabemos que foi isto que falhou em Portugal durante muitos anos.

Ora isto significa gerir os hospitais como organizações empresariais, que actuem de forma eficiente e eficaz, cumprindo com os seus objectivos, gerindo orçamentos por vezes apertados, satisfazendo os seus clientes (utentes) e atingindo os resultados pré-definidos.

segunda-feira, junho 29, 2009

Reformas no Sistema Nacional de Saúde - I


Iremos passar a apresentar os diversos capítulos que constituem o trabalho de diagnóstico, reflexões e recomendações da equipa do FRES que se debruçou sobre as reformas em curso no Sistema Nacional de Saúde.


1.Reforma da rede de urgências


Em Janeiro deste ano foi apresentado pelo Ministério da Saúde através de uma comissão técnica de avaliação e apoio ao processo de requalificação das urgências, o relatório final com propostas concretas sobre a rede de urgências nacionais. Este relatório apresenta um conjunto de nove critérios de avaliação e a consignar no âmbito das reformas propostas. Em termos globais são apresentadas dezassete propostas de reajustamento à rede de urgências. Dada a sua extensão não nos iremos debruçar com detalhe sobre todos os pontos propostos neste relatório mas apenas reflectir sobre o que nos parece merecer particular atenção.


Estão definidos três níveis de serviço de urgência quando o anterior regime definia apenas dois. São estes o Serviço de Urgência Polivalente (SUP) o Serviço de Urgência Médico-Cirúrgico (SUMC) e o Serviço de Urgência Básico (SUB). Estes diferentes níveis de urgência distinguem-se pela sua capacidade de atendimento e capacidade cirúrgica, critérios estes dependentes quer da população local quer da afluência previsível de doentes. Numa primeira análise, considerando a distribuição e hierarquização da rede de urgências pelos hospitais e centros de saude do país, parecem-nos adequadas as propostas apresentadas. Parece-nos correcto que, por exemplo, hospitais como o de Santo António ou São João no Porto, Universitários de Coimbra, Santa Maria e São José em Lisboa, Fernando Fonseca na Amadora ou de Santarém, usufruam dos serviços de urgência de maior dimensão e oferta de serviços médico-cirúrgicos.

Um outro aspecto que pretendemos realçar são os critérios relativos ao tempo de resposta ao socorro local. Estes são suportados em considerações de natureza geográfica e tempos de chegada aos locais de socorro. Neste campo, as metas estabelecidas, pelos critérios que consideram, parecem-nos à partida racionais. É certo que é sempre dificil estabelecer com absoluta certeza a aplicabilidade adequada destes tempos quando falamos de socorrer vidas humanas. Cada circunstância pode ser diferente da anterior e nunca ninguém aceita como justificável a perda de uma vida humana devido a um atraso na chegada de apoio. Mas tendo em conta que os tempos de resposta preconizados nesta proposta se enquadram no que se considera serem os padrões internacionais, o que defendemos é que os meios aplicados e a distribuição dos mesmos seja adequada à realidade do país que temos, às características demográficas das populações e sua estrutura etária, às redes de comunicação e às condições físicas do local. É igualmente difícil de aferir sobre a adequabilidade do número de ambulâncias por um determinado número de habitantes. Aqui mais uma vez os critérios parecem-nos razoáveis, mas cada situação diverge da anterior podendo contudo acontecer que uma ambulância de emergência por cada 40.000 habitantes seja insuficiente. O que importa é que, nestes casos, haja de imediato a possibilidade de aparecerem duas em vez de uma.

domingo, junho 28, 2009

Centros de Decisão Nacional


A Abordagem

Tem estado recentemente em discussão a problemática sobre a manutenção dos “centros de decisão” nas mãos dos investidores nacionais e o risco da sua transferência para o estrangeiro. Este debate surge reforçado após a consciência plena do que é (pode ser) a globalização. Fará sentido esta discussão no quadro da nossa integração no espaço económico e social comum, no âmbito da União Europeia? Seremos demasiado proteccionistas? Acreditamos que pelo menos merece haver espaço para esta reflexão.

Há uma grande diversidade de argumentos, uns a favor e outros contra a transferência do capital das empresas nacionais para mãos estrangeiras. Em ambos os entendimentos, encontramos posições razoáveis e sensatas. Por isso acreditamos que a questão não é simples e de conclusão linear. Encontrámos, entre outros, alguns dos argumentos que nos merecem maior reflexão e discussão.

i) A favor da transferência do capital para estrangeiros:

- a importação de conhecimento, novas tecnologias, know how e novas competências de gestão;

- a criação de emprego, o aproveitamento da mão-de-obra especializada que, se bem gerida, revela bons níveis de competência e produtividade;

- a captação de importantes níveis de capital não disponível em mãos de investidores nacionais;

- a possibilidade de alavancar a economia para novos graus de produtividade e desenvolvimento tecnológico;

- a integração de Portugal nos modelos de crescimento dos países parceiros mais desenvolvidos da União Europeia (caso da Inglaterra, Holanda, Suécia ou Espanha).

ii) Contra esta posição de deslocalização do capital:

- a procura pelos estrangeiros de um modelo de mão-de-obra barata que desqualifica o país;

- o risco de provocar o desemprego, com o impacto social negativo consequente, quando este modelo de baixo custo da mão-de-obra sofre a concorrência de países como a China, Índia, Republica Checa ou Roménia;

- o mesmo fenómeno que o anterior mas baseado na deslocalização da produção para os países da Europa de Leste cujas qualificações da população são mais elevadas;

- o mero aproveitamento dos benefícios fiscais do estado por um longo período de anos, findos os quais se encerra a actividade e se deslocaliza para os países atrás referidos;

A politica

Apesar dos argumentos acima apresentados, continua para nós a não ser simples uma tomada de posição, a favor ou contra os mesmos, uma vez que tais argumentos não reflectem por si só a profundidade do problema. A exemplo de países já referidos como a Holanda, Suécia, Reino Unido ou Espanha, também em Portugal será de grande conveniência permitir a transferência do capital para accionistas estrangeiros (quer de grandes, pequenas ou médias empresas) desde que estes investidores nos tragam não só novos capitais mas também uma forte capacidade financeira que permita ao país mais desenvolvimento, inovação e criação de riqueza. Isto é igualmente aplicável a negócios em sectores estratégicos para Portugal. No momento em que tanto se fala (e trabalha) para a captação de investimento estrangeiro, o país não pode e não deve actuar em contradição com esta politica dado que a criação de riqueza permitirá a obtenção de sinergias com outras empresas a montante e a jusante (clusters) tão importantes para o país.

Os reguladores

O risco da transferência de capitais, a existir, poderá ser significativamente reduzido, extinto mesmo, se houver uma forte política reguladora em Portugal (como no Reino Unido). Acreditamos que uma forte entidade reguladora em cada sector estratégico permitirá dar cumprimento às normas estabelecidas no mercado de cada sector, o que permitirá a protecção dos interesses económicos, políticos e sociais nacionais, reduzindo o perigo de uma nefasta detenção de capital nacional em mãos estrangeiras. Estes riscos, se os houver (desemprego acelerado, encerramento de operações e desinvestimento, atropelo das normas de concorrência, politicas empresariais com impacto social negativo na sociedade, fragilidade na defesa e coesão nacional) serão minorados com uma politica reguladora de rigor e exigência. A existir tal politica, será possível manter em Portugal o capital na posse de quem terá melhores condições para criar valor de forma mais acelerada mas desenvolvendo (e protegendo) um modelo de coesão social.

Uma dúvida nos assola. Deverão as entidades reguladoras que definem as regras do mercado e da concorrência contribuir igualmente para a definição do que são as políticas estratégicas nacionais para o sector? Estamos inclinados a concluir que não. Essa tarefa é da competência dos concorrentes.

O Estado

Caberá ao Estado em última instância responder pela manutenção do modelo de coesão social, soberania e segurança nacionais. A questão que mais dúvida nos suscita é se o estado deverá sobrepor-se aos reguladores sectoriais. Se tomarmos como certo que tal não deva acontecer, poderá (deverá) o Estado no limite, proceder a compensações fiscais em sede de IRS, IRC ou outros. Um exemplo: havendo decisões num mercado ou sector com impacto negativo directo nos rendimentos dos mais desfavorecidos, o Estado compensará quem recebe o salário mínimo nacional ou rendimentos abaixo de um valor/limite mínimo estipulado. A isto se chamaria actuação seguindo o interesse nacional.

Mário de Jesus
Cecília Santos
Estela Domingos
Jorge Carriço
João Mateus

Grupo de Trabalho do FRES

domingo, junho 21, 2009

Desenrascar e Aprender com Prazer!


A propósito do artigo "Queremos Explicações" comecei a escrever um pequeno comentário que acabou nesta contribuição.

As informações, conclusões e comentários recolhidos naquele artigo, são perturbadores para mim.

Dei comigo a pensar: como é que à beira do ano 2010 continuam os Portugueses a ser educados para serem, tão só, verdadeiros Mestres na "bela Arte do Desenrasca" que nos tem caracterizado?

Começam já enquanto estudantes a "desenrascar" a passagem de ano através de explicações de ultima hora. E, naturalmente, os pais até colaboram. Não tivessem eles, também, sido criados com o mesmo estigma.

A propósito desta característica portuguesa conta-se a nível internacional uma anedota que vou resumir:

"Todos os bons gestores sabem que devem manter na sua empresa ou fábrica, bem no centro das instalações, uma redoma de vidro com as seguintes instruções: Quebrar em caso de calamidade, crise, ou problema sem solução.
Dentro da redoma o que estará? Um português!
Com a sua capacidade de "desenrascar" é o único elemento capaz de resolver a situação a contento e dentro do prazo."

Longe de estar aqui a lamentar-me por ser portuguesa, muito pelo contrário, pretendo que nos foquemos naquilo que há de positivo nesta história. Temos, realmente, este espírito de "desenrasca" que até nos é reconhecido internacionalmente. Em momentos de grande crise e tensão somos capazes de encontrar soluções que nem passariam pela cabeça de outros que até podem estar, teoricamente, melhor posicionados para o fazer.

O que precisamos, mesmo, é de capitalizar essa capacidade e não ficar por aí.

Conjugando este ponto com o tema do artigo “Queremos Explicações” e porque gosto de ser positiva: se esta nossa capacidade fosse reforçada com conhecimentos mais profundos chegaríamos muito mais longe.

Felizmente, já muitos portugueses perceberam isso (mesmo que não se tenham dado conta de forma consciente) e distinguem-se todos os dias no mundo, de várias maneiras, tal como o fazem cidadãos de muitos outros países.

Seria bom que conseguíssemos ter todo um povo a dirigir-se nesse sentido, em vez de apenas excepções.

A minha sugestão vai para a necessidade de passar às nossas crianças, aos nossos estudantes, a todos os envolvidos no ensino e educação, desde os pais aos professores, o prazer que pode ser a aquisição de conhecimentos. Aprender, pelo prazer de aprender é algo muito diferente de aprender porque tem que ser, porque fico bem visto, porque dou prazer ao papá, porque... porque... mas dá muito trabalho e é um grande sacrifício... Tudo, menos: porque gosto de saber mais, de crescer no conhecimento e retiro prazer desse crescimento.

E não sou eu quem inventa esta fórmula. Já dizia Alfred Mercier, (1816-1894): “Aquilo que aprendemos com prazer, jamais esquecemos”.

Transforme-se a aprendizagem num 'bem de consumo por prazer'. Explique-se, de forma positiva e atraente, a crianças e a adultos qual o valor acrescentado do 'saber' e muito pode mudar.

Eu acredito, e você?

segunda-feira, junho 15, 2009

O FRES e a Conferência de Empreendedorismo do AUDAX

Estimados amigos e visitantes
Informamos que o FRES estará presente como participante e apoiante da Conferência sobre Empreendedorismo do AUDAX - Centro de Investigação em Empreendedorismo e Criação de empresas familiares constituído no seio do ISCTE, a qual se irá realizar nos próximos dias 22 e 23 de Junho no mesmo ISCTE.
O tema principal da Conferência será "o Empreendedorismo em tempos de crise" e conta com a participação do reputado Professor e Investigador Jerome Engel da Universidade de Berkeley da Califórnia.
A nossa participação irá ocorrer no âmbito do painel sobre empreendedorismo social.
Aqui fica desde já o convite a todos os nossos visitantes e participantes para que se juntem a nós na próxima semana no AUDAX.
Os nossos melhores cumprimentos

sábado, junho 13, 2009

CR 7 ou CR 9 ? Who Cares ?


Estou super feliz porque hoje, dia 13 de Junho dia de Santo António, nasceu a minha sobrinha Leonor. Gostava de anunciar esta boa nova ao mundo, mas acho que o mundo não está muito interessado nisso.


A avaliar pelos noticiários dos últimos dias, o que interessa mesmo é que o nosso (?) Cristiano Ronaldo, melhor jogador de futebol do mundo (?), acaba de ser protagonista da mais cara transferência de sempre na história do futebol.

Coincide esta transferência multimilionária com um período em que o mundo está a atravessar uma crise financeira e também por isso já se registaram todo o tipo de reacções ( algumas muito interessantes como a do Presidente da FIFA, Sr. Joseph Blatter e a do nosso Seleccionador Nacional de Futebol, Sr. Carlos Queiroz ) a esta transferência e aos números “escandalosamente altos” que ela envolve.

Podemos e devemos analisar essas reacções favoráveis e desfavoráveis pois esse é um exercício proveitoso, com boas lições práticas sobre economia e que mostra o quão hipócrita e volátil pode ser o nosso pensamento.

Mas um facto que não podemos negar é que mais uma vez e em última análise, o que interessa é apenas e só mesmo o valor monetário, que se sobrepõe a todos os outros valores de natureza ética, moral, etc.

Cristiano, com a ajuda preciosa de Sir Alex Fergusson e do Manchester United que o projectaram à escala planetária, tornou-se numa “fabulosa máquina de fazer dinheiro”.
Dreams and Money, that´s what moves the world.

Em Madrid, terra que idolatra num minuto e destrói no minuto seguinte, o nosso (?) Bambino D´Oro vai ter uma Real prova de fogo.

Ele construiu a já famosa marca CR7 ( Cristiano Ronaldo número 7 ) mas em Madrid e pelo menos nesta época, pode ter de se sujeitar a deixar a camisola número 7 com o Mítico Raúl, e ficar com a camisola número 9.

Mas mesmo que isso aconteça, o Marketing que o envolve só terá de mudar o CR7 para CR9.

Por isso a questão inicial:
CR7 ou CR9, who cares ?

quinta-feira, junho 11, 2009

Queremos Explicações

Embora já metade do País esteja a preparar-se para ir de férias, ainda existem tarefas e provas importantes a cumprir. Relembro hoje a recta final em que estão muitos dos alunos candidatos ao acesso ao ensino superior, recomendando que leiam o artigo sobre explicações no link
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1259827

Todo o texto é extremamente interessante, nomeadamente para nós que abordamos de forma regular e contínua as questões relacionadas com a Educação.
Transcrevo os seguintes 2 parágrafos para vos dar uma ideia do artigo, relembrando de seguida pontos e afirmações extremamente pertinentes, oportunos e preocupantes.
“ A poucos dias do início dos exames do 12.º ano, a maioria dos centros de explicações estão lotados devido às inscrições de última hora. Os alunos que vão concorrer ao Ensino Superior procuram cada vez mais o apoio de explicadores e ainda chegam inscrições, sendo Matemática e Físico-Química são as grandes dores de cabeça.. "Continuam a aparecer alunos", reconhece Sara Amado, directora do Nota 20, em Lisboa.
A partir de terça-feira e até 23 de Junho, 156 860 alunos vão ser postos à prova na primeira fase dos exames nacionais. E se alguns começam a preparar a época desde o início do ano lectivo, a maioria apenas se preocupa na véspera do exame, inscrevendo-se à pressa nas explicações. Uma situação que para a professora Maria Saraiva de Menezes "é uma causa perdida". A autora do livro "30 Conselhos para Educar o Seu Filho" considera que as inscrições em cima da data revelam "a atitude portuguesa da irresponsabilidade de tentar a sorte à última hora". “
Para verdadeiramente resolvermos um problema, devemos começar por identificar as suas causas pelo que considero importante reter para nossa análise os seguintes pontos/ afirmações:
- Estudo de última hora não é recomendado por professores nem por explicadores que não garantem sucesso.
- Mas os jovens tentam tudo para não falhar nas provas.
- Matemática e Físico-Química são as grandes dores de cabeça.
- E se alguns começam a preparar a época desde o início do ano lectivo, a maioria apenas se preocupa na véspera do exame…o que revela "a atitude portuguesa da irresponsabilidade de tentar a sorte à última hora".
- Os próprios centros de explicações não garantem sucesso de resultados para os alunos que chegam nos últimos dias.
- Estudo individual pode custar cerca de 170 Euros por mês.
- Os números de inscritos espelham a confiança dos jovens e pais nas explicações. E os explicadores culpam a escola por não ensinar a estudar em casa. "A maior parte dos alunos não sabem estudar sozinhos e quando têm uma dúvida param", diz Mónica Pinto.
- Albino Almeida da Confap (Confederação das Associações de Pais) também aponta o dedo ao sistema de ensino. "A escola ensina todos da mesma maneira e esquece-se que todos aprendem de forma diferente". Por isso, os pais que têm dinheiro têm de se socorrer das explicações para ajudar os filhos a ter boas notas, critica.

Estes pontos são claros e sintomáticos de uma forma de ser estar e pensar de muitos portugueses. As deficiências do sistema de ensino e da própria educação que os pais dão aos seus filhos, deixam muitos jovens completamente perdidos e desorientados.
Toda a educação dos jovens deveria ser no sentido de ajudar a formar adultos conscientes, responsáveis e organizados, qualidades indispensáveis para se tornarem bons profissionais.
No entanto ano após ano vemos os mesmos erros a serem cometidos por quase todos os envolvidos directa ou indirectamente no sistema educativo.
Não basta dizer que temos de ser mais competitivos no panorama da globalização, etc, etc
Há que trabalhar dia-a-dia, mês-a-mês, ano-a-ano, para que aprendamos a corrigir os erros e a fazer as coisas certas.

domingo, junho 07, 2009

Gestão do Tempo e da Informação

Um dos maiores desafios dos tempos modernos que se colocam a todos, Instituições, Empresas ou cidadãos, é saber como gerir o Tempo e como gerir a Informação.
Nunca tivemos tanta informação disponível e tão pouco tempo para a “processar”.
Somos bombardeados diáriamente por via de televisões, rádios, jornais, revistas e internet ( onde se repetem todos os meios atrás indicados e se acrescentam um infindável número de novas formas de comunicação ) já não contando com folhetos e panfletos que nos são entregues directamente em mão ou através das velhinhas caixas de correio.
O problema reside em como gerir toda essa informação, que se for toda guardada para posterior análise, leva-nos a um labirinto de que quase nunca saímos.
Cada um vai delineando a sua estratégia:
- Uns pura e simplesmente rejeitam 90% da informação que lhes chega.
- Outros procuram formas selectivas de analisar a informação que lhes chega, fazendo “leituras na diagonal”, recortes e cópias das partes que consideram mais relevantes.
- Outros procuram não guardar nada pois têm quase a certeza de que não vão lembrar-se dos temas ou às vezes, até do local onde guardaram essa informação.
Sendo complicado gerir a informação que nos chega, não devemos considerar esta uma “Missão Impossível”.
O nosso esforço deve ser no sentido de seleccionar as fontes de informação que nos garantam
uma maior actualidade e fiabilidade na informação que recebemos.
Nesse aspecto devemos olhar cada vez com mais atenção para os meios electrónicos de transmissão da informação. A Internet veio mesmo para ficar e os Governos da maioria dos países do Mundo já se aperceberam dessa realidade.
O nosso também tem olhado com alguma atenção para este campo e entre várias “ferramentas” ou meios que temos disponíveis para aceder a informação importante em tempo útil temos uma coisa chamada Newsletter do Portal do Cidadão, que todos podem subscrever gratuitamente e que nos dá com rigor e actualidade uma quantidade enorme de informação sobre o que vai acontecendo no nosso país.
Como exemplos da última Newsletter destaco:
- 'Associação na Hora' em Quatro Novos Locais (05-06-2009)
- DGCI envia Mensagens aos Contribuintes para Pagamento do IUC (05-06-2009)
- 'Dia Mundial do Ambiente': O Teu Planeta precisa de Ti (05-06-2009)
- Estudo revela Satisfação dos Utentes com Unidades de Saúde Familiar (04-06-2009)
- UE propõe Estratégia para enfrentar Impacto da Crise no Emprego (04-06-2009)
- Anunciados Vencedores dos Prémios Boas Práticas na AP (04-06-2009)
- Cirurgia Oftalmológica com Tempo de Espera de Dois Meses (03-06-2009)
- Novas Regras de Serviços de 'Call Centers' protegem Consumidores (03-06-2009)
- Eco-Condução: IMTT vai desenvolver Simuladores de Condução (03-06-2009)
- Instituídas Novas Regras para Celebração de Contratos de Crédito (03-06-2009)
- Lançado 'Cluster' para Redes de Nova Geração (02-06-2009)
- Praias com Águas de Melhor Qualidade em 2008 (02-06-2009)
- Novo Portal do Governo com Áreas para Cidadãos e Empresas (01-06-2009)
Com este tipo de informação disponível gratuitamente, não nos podemos queixar de que a informação está inacessível.
Continua o desafio de sabermos gerir o tempo e a informação.

domingo, maio 31, 2009

Impressionante capacidade de poluir

Mais de 180 voluntários estiveram ontem na Praia dos Pescadores, na Baía de Cascais, numa operação de limpeza subaquática de resíduos no âmbito do Projectmar.
A iniciativa foi promovida pela escola de mergulho Divetek em parceria com a Sociedade Ponto Verde (SPV).

Ao todo foram retiradas do fundo do mar mais de quatro mil toneladas de resíduos, saldando-se esta operação numa das maiores iniciativas do género em Portugal e rara na Europa.
Todos os resíduos removidos vão ser agora encaminhados para valorização através da SPV, entidade responsável pela gestão de resíduos de embalagens em Portugal e parceira no projecto.
"Entre os resíduos recolhidos com o apoio da grua presente no local contam-se embalagens de plástico, metal, vidro e madeira e, entre os de maior porte, carrinhos de supermercados, tubagens, material de pesca e pneus. Todos estes resíduos vão ser encaminhados para valorização através da SPV" afirma Luís Veiga Martins Director-Geral da Sociedade Ponto Verde.
Registo com agrado esta iniciativa. Para contrabalançar a nossa impressionante capacidade de poluir só iniciativas deste género poderão dar uma forte ajuda.
É também um sinal que existem projectos e acções concretas para defesa e protecção do nosso ambiente. A ideia de fazer do mar um dos nossos caixotes de lixo, tem de ser erradicada.
O mundo vive num cenário de diminuição de recursos naturais por explorar e Portugal tem no Mar, um dos seus mais valiosos recursos.
Ouvi falar de um projecto que pretende reclamar para Portugal uma vasta extensão de território marítimo, ou seja, este Oceano aqui tão perto de nós, tem nas suas profundezas muito potencial a explorar. Caso alguém saiba mais sobre este projecto agradeço que partilhem essas notícias. Eu próprio irei tentar aprofundar-me mais sobre este tema, pois o Mar merece todo o nosso respeito.
No passado foi através dos Mares que nos demos a conhecer ao mundo. No presente e no futuro, muito podemos ainda aprender e aproveitar com o Mar.

domingo, maio 24, 2009

Os Homens do Leme

No link
http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1242665
podemos ler a seguinte notícia da Agência Lusa
Robert Zoellick-Presidente do Banco Mundial prevê crise por muito tempo
O presidente do Banco Mundial considerou, numa entrevista hoje publicada em Espanha, que a crise mundial poderá resultar numa «grave crise humana e social», se não foram tomadas a tempo medidas adequadas.
«Se não tomarmos medidas, existe o risco de se chegar a uma grave crise humana e social, com implicações políticas muito importantes. As medidas de relançamento podem ser determinantes», declarou Robert Zoellick ao jornal espanhol El Pais.
«O que começou como uma grande crise financeira e se tornou numa profunda crise económica, deriva actualmente para uma crise de desemprego», sublinhou.
«Se criarmos infra-estruturas que empreguem pessoas, isso pode ser um meio de associar estes desafios a curto prazo com estratégicos a longo prazo», acrescentou Zoellick.
O presidente do Banco Mundial afirmou que dado «este contexto, ninguém sabe verdadeiramente o que se vai passar e o melhor é estar pronto para qualquer imprevisto».
«Existe aquilo que chamo o 'factor x' e que nunca vemos chegar, como a gripe» A (H1N1), acrescentou, alertanto também para outras «zonas de sombra»: «os perigos ligadosao proteccionismo e à dívida privada no mundo emergente, apesar das ajudas do FMI» (Fundo Monetário Internacional).
O presidente do Banco Mundial sublinhou que a recuperação económica tardará a chegar e quando ocorrer será de "baixa intensidade durante muito tempo" porque a indústria não tem escoamento e o desemprego vai continuar a crescer.
Zoellick considerou pouco provável que se repita uma depressão como a dos anos 30, embora "se acontecesse, seria terrível", com alto custo social, sobretudo nos países em desenvolvimento.
Por outro lado, disse que o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, com quem se reuniu esta semana em Madrid, é "optimista por natureza" por acreditar que a recuperação "pode chegar antes do que se pensa".
Fim da transcrição da notícia.
Na qualidade de simples cidadão português, europeu e mundial não posso deixar de ficar preocupado com as ambiguidades deste excerto de discurso do presidente do Banco Mundial, devendo a preocupação aos seguintes factores:
1. “ …crise mundial poderá resultar numa «grave crise humana e social», se não foram tomadas a tempo medidas adequadas.” Perante esta afirmação de Robert Zoellick, pergunto eu: que medidas devem ser então tomadas, qual o tempo em que devem ser tomadas e por quem devem ser tomadas ?
2. “… dado este contexto, ninguém sabe verdadeiramente o que se vai passar e o melhor é estar pronto para qualquer imprevisto”. Aqui parece-me mais um exercício ambíguo e difícil, como é que podemos estar preparados para qualquer imprevisto se estamos constantemente a ser surpreendidos pelos efeitos em cadeia da crise financeira ?
3. Mais um dado ambíguo: “ Existe aquilo que chamo o 'factor x' e que nunca vemos chegar, como a gripe» A (H1N1), acrescentou, alertando também para outras «zonas de sombra»: «os perigos ligados ao proteccionismo e à dívida privada no mundo emergente, apesar das ajudas do FMI» (Fundo Monetário Internacional)” . O que me parece sinceramente é que estamos a “navegar” por demasiadas zonas de sombra. É tempo de começarmos a ter algumas certezas. Como é que podemos pedir a colaboração de todos na luta contra a crise se estamos dominados por tantas sombras e incertezas ?
4. “ O presidente do Banco Mundial sublinhou que a recuperação económica tardará a chegar e quando ocorrer será de "baixa intensidade durante muito tempo" porque a indústria não tem escoamento e o desemprego vai continuar a crescer.” Esta afirmação então é demais. Todos estamos numa lenta agonia à espera da retoma económica. Agora surge-nos o presidente do Banco Mundial a dizer que tardará ( ou seja não faz ideia de quando ocorrerá ) e quando finalmente chegar será de baixa intensidade durante muito tempo, que também não fazemos nenhuma ideia do que isso quererá dizer. Aqui a questão principal é saber qual o cenário actual, de curto e médio prazo com base nas quais estamos a definir as nossas estratégias de luta contra a crise. Os cenários que traçamos têm a validade de 1 ano, 2 anos , 10 anos ? Não faço a mínima ideia, mas eu que até nem sei nadar, estou a ter muita dificuldade em “navegar” nesta maré de incertezas.
5. “Zoellick considerou pouco provável que se repita uma depressão como a dos anos 30, embora "se acontecesse, seria terrível", com alto custo social, sobretudo nos países em desenvolvimento.” Mais uma no cravo e outra na ferradura o que me deixa ainda mais nervoso e intranquilo.
Peço desculpas por num texto tão pequeno, duplicar tantas partes. O que pretendi transmitir é que os cidadãos estão prontos para dar o seu contributo e no dia-a-dia vão dando o seu melhor.
Agora o que deve também acontecer é os detentores de cargos de maior responsabilidade a nível nacional , europeu ou mundial, não se deixarem dominar por discursos totalmente ambíguos e nada esclarecedores.
Está na hora de os homens do leme assumirem posições claras. Caso não saibam o que fazer, em vez de teimosamente ficarem agarrados ao poder, talvez seja melhor saírem de cena e darem lugar a outros que estejam e sejam mais esclarecidos.

sexta-feira, maio 15, 2009

OS PÁSSAROS

 Sair de Lisboa, ou de uma outra cidade , mais ou menos agitada e poluída, e passar uns dias no campo, é uma forma de retemperar o corpo e a mente. Assim o fizemos e rumamos ao Alentejo.

Mas, para além das nossas expectativas, de contemplar o horizonte da planície alentejana, ouvir o sossego dos sons da natureza, desde o cacarejar das galinhas e do canto dos galos, passando pelo balir das ovelhas até ao chilrear dos pássaros, o que, por si só, já justificava a nossa demanda, ainda fomos aprender como se reage a situações adversas, o significado de persistência e o que realmente é o trabalho de grupo.

Pois é, fomos aprender, não ouvindo dissertações académicas de doutores e teóricos em estratégias e tácticas que nunca vivenciaram, mas tão simplesmente observando na prática o comportamento de alguns pássaros. Como? Passamos a expor : na casa onde ficamos, deixada por uns avós, simples casa térrea num dos vários montes alentejanos, junto a Almodôvar, e por nós recuperada, existe um alpendre, cujas telhas estão a descoberto, suportadas por pequenas vigas de cimento e que apresentam alguns espaços abertos, que os pardais, de há uns tempos a esta parte, têm vindo a aproveitar para aí construírem os seus ninhos. Cansados da sujidade que os referidos pássaros diariamente fazem, resolvemos este ano, antes de fazerem os ninhos, porque aí já não teríamos coragem de os destruir, tapar os espaços abertos com pedaços de esferovite, até porque a primavera espreita e já se nota o bulício dos pássaros em busca de locais de nidificação.

Porém, um dia destes, quando nos levantamos e abrimos a porta para o alpendre, deparámos com 2 pássaros fugindo e, com espanto nosso, tinham retirado “à bicada” esferovite desenhando uma abertura para passarem, obtendo, deste modo, uma confortável casa com isolamento térmico e acústico. Mas como é possível manterem-se no ar se não são colibris e não têm o bico comprido? Desconfiados voltamos a tapar os espaços com esferovite mais volumosa como forma de resolver de vez a situação: Mas, no dia seguinte, a cena repete-se, constatando que já eram cerca de 4 ou 5 pássaros a esvoaçarem quando abrimos a porta. Isto já nos parecia trabalho de grupo e, como tal, para grandes males ... grandes remédios. Desta feita tapámos com pedras e assim ficaria o assunto resolvido de vez.

No dia seguinte, abrimos a porta e já só fugiram 2 pássaros e nada tinha acontecido. Pensámos ... finalmente estão convencidos de que perderam a causa.

Qual não é o nosso espanto quando, no dia seguinte, ao abrir a porta, deparámos com mais de meia dúzia de pardais a esvoaçarem e no chão jazia inerte uma das pedras que tínhamos enfiado dentro do buraco junto às telhas ... quase não acreditávamos.

Perante os factos, decidimos deixar em aberto um espaço para recompensar o esforço, a persistência e sobretudo o trabalho de equipa, pois, em poucos dias, entenderam que só com o esforço concentrado de todos, em torno de um objectivo comum é possível superar as adversidades.

Ainda bem para eles, que não são como nós (salvo raras e honrosas excepções, a que eu gostaria de pertencer) que nos preocupamos mais com dividir para reinar, olhamos mais para os nossos umbigos e somos mais egocêntricos do que sociais, faltando-nos espírito e coesão de grupo.

De facto o que temos e nos confunde são objectivos comuns, em que procuramos atingir não o bem estar global mas o nosso próprio bem estar, pensando que  estamos assim a trabalhar para a sociedade, só que o nosso conceito de sociedade assenta na definição de que esta é “eu e os outros ... e não nós”.

Era bom uma mudança de atitudes, a começar pelos nossos políticos, já que temos de começar por algum lado, que seja por aqueles que têm ... ou deviam ter, a responsabilidade de observar os pássaros e entender, de uma vez por todas,  o que é governar/trabalhar para o bem comum e não para si próprios!

domingo, maio 03, 2009

Investimento, Desenvolvimento e segurança


Tem sido um tema recorrente no país retomar a polémica gerada quanto ao custo-benefício do investimento em grandes obras públicas. Para uns, o investimento no betão é um desperdício pois estamos perante aquilo que se designa por um bem não transaccionável. Para outros é sinónimo de desenvolvimento e maior competitividade para o país.

Sem pretender alongar muito a discussão diria que tenho sido cauteloso nas minhas posições. Nos actuais tempos de crise o país tem que ser muito criterioso no gasto/investimento do dinheiro público e gerir segundo critérios de prioridade, começando pela resolução dos problemas de natureza social (riscos com a elevada taxa de desemprego).

O tempo exige pois uma prioritização e re-calendarização das decisões de investimento desta natureza. Viajo diversas vezes Lisboa/Porto e vice-versa em Alfa Pendular e digo que não temos necessidade de investir milhares de milhões de euros neste trajecto para TGV quando aquele comboio cumpre o trajecto em 2 horas e 45 minutos com o maior do conforto. Já a importância futura entre Lisboa e Madrid se me apresenta como merecendo maior reflexão. Digo maior reflexão, não decisão e investimento imediato.

E agora vou ao tema que aqui me trouxe. Portugal tem investido muito em novas auto-estradas e vias rápidas secundárias. É um facto que a malha rodoviária nacional é hoje das mais desenvolvidas da Europa. Trouxe-nos isto vantagens apara a nossa qualidade de vida? É inquestionável que sim. Os fundos investidos foram os apropriados? Talvez, não sei. O que é facto é que hoje é possível (por esta razão - não abordo aqui outras) deslocalizar qualquer actividade e cobrir o país de lés a lés com rapidez e conforto. E saberemos nós em concreto o que o investimento nesta malha rodoviária nos trouxe de mais positivo? Talvez não saibamos. Aqui ficam alguns dados.

Em 1995 Portugal estava na cauda da Europa quanto ao nº de acidentes na estrada e mortes na rodovia (Autoridade Nacional para a Segurança Rodoviária).

De 1989 a 2008 a evolução em alguns indicadores foi a seguinte:

O crescimento dos veículos em circulação –> 200%
O crescimento no consumo de combustíveis –> 112%
O decréscimo dos acidentes com vitimas –> 23%
O decréscimo em vítimas mortais –> 67%
O decréscimo em feridos graves –> 79%

De 1991 a 2007 Portugal aproximou-se do nº médio de vitimas mortais em acidentes rodoviários na UE quando em 1995 essa diferença era negativa em 105% e ainda em 2005 o era em 30%.

Entre 1997 e 2006 Portugal, juntamente com a Letónia e Estónia, foram os países que registaram maior decréscimo no nº de mortos por acidentes com veículos de 2 rodas a motor.

Nesse mesmo período Portugal esteve no grupo dos 4 países (juntamente com a Suíça, Eslovénia e Holanda) que mais reduziram o nº de mortes em acidentes na auto-estrada.

Portugal foi dos poucos países (juntamente com a França e Irlanda) que obteve uma taxa média de redução da mortalidade das crianças em quase 15%.

Entre 2001 e 2008 o país esteve entre os 3 primeiros com os melhores resultados na redução do nº de vitimas mortais por milhão de habitantes (Luxemburgo – 50%, França - 49% e Portugal - 47%).

Estes resultados são a causa directa da melhoria dos investimentos nas vias rodoviárias do país. Não sejamos ingénuos ao ponto de pensar que resultaram de alterações comportamentais profundas. Necessários e indispensáveis para este progresso. Agora há que medir e analisar opções quando o dinheiro não dá para tudo.

segunda-feira, abril 27, 2009

Todo o Alentejo deste mundo

“ A maior feira agrícola que anualmente se realiza em Portugal atingiu a maioridade. De 29 de Abril a 3 de Maio, a 26ª edição da OVIBEJA – que elege a cultura do olival e a produção do azeite como temática central – mantém-se fiel às suas linhas fundadoras.

Alia a tradição ao desenvolvimento, associa os saberes populares às mais arrojadas inovações tecnológicas, alia as culturas antigas à produção de riqueza e de bem-estar para as novas gerações.
Considerado o maior evento cultural, político, económico e social do interior do país, a OVIBEJA continua a congregar “Todo o Alentejo Deste Mundo”. “
Eu pretendo ir à Ovibeja. Nunca fui, e gostava de conhecer. Digo bem, gostava pois a parte mais complicada é mesmo encontrar alojamento.
No site da feira www.ovibeja.com de onde retirei a introdução deste post, aparecem uma lista enorme de possíveis soluções de alojamento. Ao fim de meia dúzia de telefonemas resolvi desistir pois a resposta è a mesma: está tudo esgotado há pelo menos 2 semanas.
Talvez não seja ainda desta que consiga ir à Ovibeja mas fico contente por continuar a ver que certames desta natureza têm tanto êxito. É um sinal de dinamismo dado por uma cidade interior do país e de um Alentejo que tem tanto para nos oferecer.
As feiras têm sido uma grande resposta de muitas regiões do nosso país. De norte a Sul vemos os diferentes municípios a apoiar feiras de actividades económicas, sendo uma excelente montra de produtos regionais.
Como atractivos adicionais, temos nestas feiras muitos espectáculos culturais, incluindo espectáculos musicais, dança e teatro.
São feiras que aglutinam as gentes das redondezas do local onde se realizam, mas que atraem muitos visitantes de paragens mais distantes.
Certamente que os visitantes deste blog conhecem inúmeras feiras de actividades económicas por todo o país. Caso não conheçam mas saibam de alguma, aproveitem para ir pois vão gostar de certeza.
O nosso país tem tanto para oferecer e nestes eventos ficamos a conhecer muito do Portugal real e actual; Sempre tradicional e no entanto cada vez mais inovador.

domingo, abril 26, 2009

“Assaltos” Legais

No ano passado comprei um Computador Portátil.
Como não tinha disponibilidade financeira para pagar a pronto, optei pela hipótese que a Loja me dava de comprar a crédito, em 12 prestações mensais e sem juros, tendo apenas de pagar, para além do preço do computador, as despesas do contrato.

Passado um ano e já com as prestações todas liquidadas, recebo um folheto promocional da Instituição Financeira que apoiou este crédito, com o título sugestivo “ Quer ficar mais leve ? “
Subjacente a esta mensagem estava a campanha de atribuição de crédito pessoal, até ao montante de 8000,00 Euros, “para usar como e onde quiser”.
Ficar mais leve, dinheiro fresco até 8000,00 Euros, para usar onde e como quiser, sem grandes burocracias e complicações, à primeira vista parece interessante.
Eu até quero comprar um carro usado e esta poderia ser uma solução.
Poderia digo bem, pois ao ver com mais atenção as condições deste financiamento, vejo que pedindo 1000,00 Euros, ficaria com uma prestação de 40,00 Euros/mês, por período de 38 meses e com a Taxa TAEG de… 25,01 % .
Pensei que estava a ler mal mas não, a Taxa de Juro Efectiva suportada no final do contrato seria de 25%.
Depois lembrei-me que sou cidadão da União Europeia e que deveria beneficiar da Estabilidade Economica e Financeira da Zona Euro, que se traduz entre outras coisas, em Taxas Euribor com valores bastante baixos.
Senão vejamos, consultando o link
http://www.euribor.org/html/content/euribor_data.html
vi que a Euribor a 12 meses começou por ser 3,025 % no inicio do ano ( Dia 02-01-2009 ), tendo descido para 1,774 % no Dia 14-04-2009, dia em que me enviaram esta proposta aliciante.
Fiquei confuso e pensando que se calhar não estou a viver na Europa e não pertenço à Comunidade Europeia.
Com uma Euribor a 1,8 %, porque é que eu tenho de pagar 25% de Juros ?
Não sou totalmente ingénuo e percebo que as Instituições Financeiras têm de ganhar dinheiro. Elas prestam um serviço e têm de ter uma remuneração do Capital que emprestam, adicionado do risco que incorrem em emprestar esse mesmo capital.
Mas passar de uma Euribor de 1,8% para um Juro a pagar de 25% parece-me naturalmente um enorme exagero.
Preocupa-me ainda mais o facto de as vítimas destes “assaltos” legais, serem os consumidores mais pobres.
Um consumidor rico, por natureza não necessita de pedir um crédito de 1000,00 Euros. E caso necessite, certamente recorrerá ao seu banco que nunca lhe apresentará uma taxa de juro abusiva de 25%.
São mais uma vez os consumidores pobres a ter de ficar ainda mais pobres e a ter de pagar 250,00 Euros de Juros por um empréstimo de 1000,00 Euros.
É preciso dinamizar o consumo, mas desta forma, apenas parte do dinheiro vai pagar o consumo. Outra parte significativa vai para as Instituições Financeiras, que têm obviamente de apresentar lucros, mas poderiam ter uma consideração mais elevada pelos seus clientes.

sexta-feira, abril 24, 2009

África às Quintas apresenta sessões de cinema Africano

“O Herói” do realizador angolano, Zezé Gamboa é apresentado no dia 30 de Abril pelas 18h30 no Auditório B 104, edifício II, ISCTE ( Lisboa ) no âmbito do ciclo de animação “África às Quintas”.
Vencedor do prémio para melhor filme dramático estrangeiro no Festival Sundance, nos EUA em 2008, o filme retrata a história de Vitório, um soldado de 35 anos que regressa a Luanda mutilado pela explosão de uma mina, protagonizado pelo actor senegalês, Oumar Makena Diop.
Interessante esta proposta, “ Africa às Quintas “.
Volto a pegar nas palavras de Angelo Correia quando aqui há uns anos atrás disse a propósito de eventuais negócios com os Países Ricos dos Sheiks, que não basta pensarmos apenas na vertente técnica dos negócios.
Temos também de ter em mente que os negócios se fazem entre pessoas, nestes casos entre pessoas de diferentes culturas. Numa troca internacional há troca de valores monetários mas elas correm ainda melhor quando há proximidade cultural no sentido de que sabemos entender a cultura do povo com o qual estamos a estabelecer relações comerciais.
Africa está a ficar na moda. Não sou eu que o digo, são os milhares de Portugueses que vêem neste Continente, oportunidades que já não encontram no “Velho Continente”.
Também por isso se tornam interessantes as iniciativas que nos falem desse distante mas próximo continente. Ele está aqui mesmo ao nosso lado, mas viveu distante muito tempo, pois o longe e a distância dependem muito dos nossos olhos.
Aproveitem para visitar esta iniciativa do Africa às Quintas.
Certamente ficarão a conhecer um pouco mais da cultura e história de Povos que já sofreram muito, mas mantêm a esperança de um futuro melhor, futuro para o qual contam com a ajuda de muitos portugueses.

Lutas desiguais

Acabo de ler esta notícia que me deixou simultaneamente animado e perturbado:
“Violência doméstica: Governo lança três "projectos inovadores" para apoiar vítimas e controlar agressores
24 de Abril de 2009, 19:37
Coimbra, 24 Abr (Lusa) - Três projectos de combate à violência doméstica, para controlo dos agressores e de apoio às vítimas, com o valor de 1,5 milhão de euros, foram anunciados hoje em Coimbra numa sessão com três membros do Governo.
Um dos programas prevê a vigilância electrónica de agressores em casos de violência doméstica e vai decorrer entre 2009 e 2012 em zonas das regiões Norte e Centro, podendo vir a ser alargado a todo o país.
Vai permitir a fiscalização do agressor através de uma pulseira que emite sinais de rádio frequência enquanto a vítima possui em sua casa uma unidade de monitorização, visando possibilitar alertá-la a ela e às autoridades da proximidade de uma agressão iminente.”
Fim da Notícia.
Mais uma vez louvo o esforço do Governo numa luta que devia ser de todos nós.
Como nos podemos intitular sociedade desenvolvida e civilizada quando convivemos com a crescente violência que é exercida em muitos dos lares do nosso país ?
Apologista da não violência, custa-me a aceitar toda e qualquer forma de opressão. Mais ainda quando ela é perpetuada de forma cobarde, por um qualquer pequeno tirano, que utilizando a sua vantagem em termos de força bruta, fragiliza até uma dimensão que não consigo imaginar, pobres vítimas que pouco ou nada conseguem fazer, sofrendo em silêncio.
Nesta constante luta desigual, fico contente por o Governo continuar a dar sinais de que pretende ajudar conforme pode, as vítimas deste flagelo, maioritariamente mulheres.
Perturbado mas ao mesmo tempo animado, irei procurar formas de ajudar as vítimas, talvez indirectamente, através das associações que apoiam as vítimas da violência doméstica.

Mea Culpa


O Presidente da República e o primeiro-ministro felicitaram, esta sexta-feira, Telma Monteiro, que se sagrou campeã europeia de Judo na categoria de menos de 57 kgs, ao vencer a final dos europeus que decorrem em Tiblissi, na Geórgia.


«Quero felicitá-la pelo alto nível desportivo demonstrado e pelo extraordinário empenho que tem caracterizado o seu percurso enquanto atleta, confirmado pelos títulos anteriormente obtidos», lê-se numa mensagem do chefe de Estado enviada a Telma Monteiro.


O Chefe de Estado sublinhou que «esta vitória é mais uma prova viva de que a dedicação e perseverança desportivas são o melhor caminho para o sucesso».

Faço aqui o meu “mea culpa” pois, não acompanhando com regularidade muitas provas desportivas, fui crítico da participação bastante abaixo das expectativas de muitos dos nossos atletas nos últimos Jogos Olímpicos de Pequim.

Embora os Jogos Olímpicos sejam o expoente máximo na vida de um atleta, não constituem o único palco onde os atletas podem brilhar e mostrar o seu valor.

Depois de uma participação discreta em Pequim, e enquanto eu me ocupava de outros assuntos, Telma Monteiro foi diariamente treinando e lutando até chegar a estes Europeus, em boa forma, de tal modo que arrecadou a medalha de ouro e fez com que mais uma vez o Hino Português fosse ouvido e a Bandeira Nacional Hasteada.

À Telma Monteiro apresento os meus pedidos de desculpa e dou-lhe os meus parabéns, aprendendo com a lição que ela nos deu, retratada na voz do Presidente da República, «esta vitória é mais uma prova viva de que a dedicação e perseverança desportivas são o melhor caminho para o sucesso».

Parabéns Telma

domingo, abril 19, 2009

“ Casa onde não há pão…

…todos ralham e ninguém tem razão “

Lancei há dias o desafio de fazermos um pequeno exercício de diagnóstico sobre o que julgamos estar bem e o que julgamos estar mal no nosso país.
Existe a convicção generalizada de que os diagnósticos estão todos feitos, não sendo necessário fazer mais diagnósticos.
Eu tenho a opinião contrária. Concordo que muitos diagnósticos foram feitos nos últimos anos. Agora já não concordo é que sejam diagnósticos adequados à realidade que hoje vivemos.
Alguém fez um diagnóstico e chegou à conclusão que Portugal precisa de ter Comboio de Alta Velocidade ( TGV ). Então deveríamos dizer que como o diagnóstico está feito, está tudo bem ?
Dúvido.
Outras pessoas fizeram também outros diagnósticos e chegaram à conclusão de que os elevados custos de investimento na implementação e manutenção do TGV, não serão comportáveis nem a curto, nem a médio, nem a longo prazo.
Alguém fez um diagnóstico e decidiu que Lisboa precisa de ter já um novo Aeroporto Internacional. Soluções para aproveitar o actual Aeroporto da Portela ( onde têm sido feitos avultados investimentos de melhoria ), que poderiam passar pela solução Portela + 1, foram todas abandonadas.
Até mesmo a solução de adiar por uns anos o Investimento no novo Aeroporto não parece aceitável para o Governo. Apesar das vozes a criticar um investimento que, conjuntamente com outros grandes investimentos, pode hipotecar gerações futuras, existe a vontade de lançar já e a grande velocidade, todas essas obras.
De tempos a tempos, temos "avisos à navegação" vindos do Presidente da República. Daqui a uns dias voltaremos a ter mais um episódio, o Presidente da República irá aproveitar o 25 de Abril, para enviar mais recados aos nossos Governantes e a toda a classe política.
Cavaco Silva insiste recorrentemente ( e não é o único ) em que se deve falar a verdade aos Portugueses.

Ficamos com a sensação de que alguém não nos anda a dizer a verdade. Ou pelo menos não temos direito a ter acesso a toda a verdade.
Quando repetidamente o Presidente se vê na obrigação de lançar avisos à classe política para que, quer estejam no governo ou na oposição, desempenhem bem os seus papéis, ficamos com a sensação de que os nossos políticos não estão a desempenhar bem esses papéis.
Na minha opinião, o papel dos nossos governantes seria bem desempenhado se tivessem como referencia as necessidades do povo. Esta referencia também deveria ser a base da actuação dos partidos da oposição.
No entanto ficamos com a sensação de que muitas vezes existem interesses pouco claros em muitas decisões dos governantes, que parecem beneficiar determinados sectores e não a generalidade da população.
E também ficamos com a sensação de que a oposição também actua de forma pouco clara e consistente. Só isso justifica que uma larga fatia de portugueses estejam insatisfeitos em simultâneo com o Governo e com a Oposição.
Em quem poderão eles acreditar então ?
Quem estará a fazer os diagnósticos correctos ?
Que caminhos e que políticos deverão escolher ?
Julgam que os diagnósticos estão todos feitos e são actuais ?
Eu acho que não.
Casa onde não há pão…

quarta-feira, abril 15, 2009

Ideias simples para uma crise complexa


O que sabemos:

Projecções recentes do Banco de Portugal apontam para uma recessão em 2009 com um decréscimo do PIB de 3,5%.

As exportações e o investimento a caírem 14% e 15% respectivamente neste trimestre face ao período homólogo do ano anterior.

No primeiro trimestre do ano, a insolvência de 957 empresas o que corresponde a um acréscimo do nº de insolvência de 31% face ao mesmo período do ano anterior.

O consumo a cair e a confiança nos seus níveis mais baixos. Uma economia que só irá recuperar quando os nossos parceiros europeus derem início à sua recuperação.

Basta de diagnósticos e vamos às soluções.

Repensar e re-calendarizar os grandes investimentos públicos de longo prazo (que os economistas chamam de investimentos provocadores de despesa) cujo retorno é de muito longo prazo e direccionar esforços para outros de menor escala com impacto social, empresarial e económico mais imediato, em especial na criação de emprego (que fará descolar o consumo interno).

Exemplos: apoiar as PME´s a exportar (há mercados que ainda têm margem de absorção dos nossos produtos só que não chegamos lá).

Como? Pagando o IVA em prazos curtos, reduzindo a dívida pública às empresas – melhor do que qualquer política de redução fiscal.

Acreditação do sistema bancário através do apoio deste (já por si apoiado pelo Estado) às empresas através de uma eficiente alocação das linhas de crédito estabelecidas às suas necessidades. Acompanhar muito de perto estes créditos.

Aproveitar estas linhas para financiar start up´s criadoras de emprego. Onde encontrá-las? Nas universidades técnicas e politécnicos. Há muitas ideias e projectos por aí.

Algumas ideias simples. Sem complicações.

Pôr a funcionar o que existe

Eleições para o Parlamento Europeu
Eleições para a Assembleia da República
Eleições Autárquicas

Em ano de 3 eleições, podemos reflectir um pouco sobre a forma com estamos política e administrativamente organizados.
Há quem defenda para Portugal um Modelo de Regionalização que reorganizaria o País com base em cerca de 5 regiões principais. Não tenho uma opinião totalmente formada sobre a regionalização mas não creio que a actual estrutura esteja desadequada à nossa realidade.
Pertencemos a um espaço comunitário que envolve a grande maioria dos países europeus pelo que faz todo o sentido existir e funcionar bem um Parlamento Europeu que decide muito da vida dos seus Estados Membros.
Temos uma Assembleia da República e um Governo que devem Legislar e vigiar o que acontece de concreto no nosso país.
E temos Câmaras Municipais cobrindo o País de norte a sul, incluindo as regiões autónomas.
Talvez o que nos falte mesmo seja a capacidade de articulação entre estas 3 dimensões tendo como base os cidadãos de cada Município e de cada País.
Como as casas não se começam a construir pelo telhado, o mais importante seria que cada Município conseguisse auscultar as opiniões e as necessidades dos seus Munícipes.
Partiríamos assim de uma base local e concreta, que traduziria de uma forma fiel lógica, quais as necessidades das populações, vivam elas ou não, em regiões limítrofes e isoladas.
Mais do que despender esforços em organizações e reorganizações sem fim, talvez fosse mais importante pôr a funcionar o que existe.