Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

quarta-feira, outubro 08, 2008

Ainda a securitização da tasca do Ti Joaquim

Ainda a propósito dos artigos dos nossos amigos Otávio e João quero dizer que concordo em geral com as ideias gerais do artigo anterior do Joáo o qual classifico de fantástico, sendo que quero relevar em particular o último parágrafo.
Considero ser um facto incontornável considerar como opção correcta, quando e se for o caso, uma intervenção estatal (sob a forma de uma nacionalização ainda que parcial ou transitória) como processo de recuperação de uma instituição financeira relevante para o sistema financeiro do país e para a economia. Já o disse, a economia e a sociedade necessitam do crédito para evoluir. Não me choca esta intervenção pelo impacto que a sua ausência poderiam provocar em factores como o agravamento do desemprego, da quebra na produtividade, na redução da criação de riqueza, no agravamento, em suma, da qualidade e nível de vida das pessoas.
As sociedades modernas estão directamente dependentes do sistema financeiro que tem obrigatóriamente que ser acarinhado (refiro-me ao sistema financeiro que alavanca e apoia a economia real - a realidade em que vivemos - empresas, fábricas, estradas, hospitais, energia, saúde...).
Por isso classifico como decisões racionais e sustentadas (sei que algumas delas são concretizadas nalguns países como medidas de fuga ao desastre) a intervenção central (do tesouro e dos governos) aquelas que se têm dirigido à recapitalização dos bancos em situação de quase falência.
Como já referi, o que seria da vida dos cidadãos e das empresas sem as instituições que gerem as poupanças e apoiam os investimentos e que concedem crédito. É devido ao crédito que as pessoas viajam e adquirem conhecimento, que compram cultura, que compram as suas casas e os seus carros, que educam muitas vezes os filhos ou os mandam à escola, que investem e criam emprego e riqueza, em suma, este contribui para o bem estar geral.
Mas este crédito deve ser comprado (ou oferecido) na justa medida da sua razoabilidade e de acordo com a capacidade de reembolso dos adquirentes. Quando as instituições financeiras derivaram (e mal) para além da sua função genuína e central e as autoridades voltaram as costas à sua responsabilidade de supervisores e polícias do sistema, veio o desastre.

O sistema financeiro e a tasca do Ti Joaquim

Seque na "net" uma explicação grosseira sobre a situação económica e financeira actual. Essa explicação, entre nós divulgada pelo Octávio Rebelo, traça um paralelismo entre uma tasca na Vila Carrapato e as agências americanas concessoras de créditos imobiliários, entre imóveis e copos de tinto e entre os sofisticados Bancos de Investimento de Wall Street e o Banco do Ti Joaquim. Para melhor enquadramento, segue o dito conto de autoria desconhecida:

O Ti Joaquim tem uma tasca, na Vila Carrapato, e decide que vai vender copos 'fiados' aos seus leais fregueses, uns borracholas, outros desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose do tintol e da branquinha (a diferença é o sobre preço que os pinguços pagam pelo crédito).
O gerente do banco do Ti Joaquim, um ousado administrador com um MBA muito reconhecido, decide que o livrinho das dívidas da tasca constitui, afinal, um activo negociável, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o 'fiado' dos pinguços como garantia.
Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e transformam-nos em Warrants, CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrónimo financeiro que nem todos sabem exactamente o que quer dizer. Esses produtos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzema operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (os tais livrinhos das dívidas do Ti Joaquim). Esses derivados vão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.
Até que alguém descobre que os borracholas de Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e a tasca do Ti Joaquim vai à falência.


Com algum racional correspondente à situação da dívida hipotecária, diria que a Tasca do Ti Joaquim não foi necessariamente à falência, visto ter "vendido" os créditos ao Banco. Note-se a situação do Ti Joaquim que, não sendo uma instituição financeira, não esteve nunca sujeito à supervisão ou a qualquer tipo de controlo no processo de concessão de crédito, nem esteve sequer motivado a manter a qualidade do crédito. A sua única motivação foi vender o tinto - o crédito era um problema entre o Banco e os borracholas.

Por sua vez, o Banco tinha uma forma de dividir e vender o crédito adquirido, atribuindo-lhe varios níveis de risco por construção de produtos derivados com garantias de terceiros (seguradoras e outras instituições financeiras) e que vendia no mercado.

A tasca do Ti Joaquim sofre agora de risco de falência, porque os borracholas estão falidos e já não conseguem pagar mais "visitas" à tasca e o Banco do Ti Joaquim deixou de comprar créditos ao Ti Joaquim.O conjunto de financeiros que adquiriu os "créditos borracholas" está a par com a incapacidade dos clientes do Ti Joaquim para pagar o que devem, e o único "bem" que existe para ser executado é um conjunto de garrafas vazias dos clientes, que o Ti Joaquim foi guardando nas traseiras da tasca e que não valem o que os borracholas pediram emprestado para as adquirir.

Entretanto apareceu um senhor lá de Lisboa chamado Paulo Sim, que disse ter um plano nacional para salvar o Banco do Ti Joaquim e as outras instituições financeiras envolvidas no processo, a bem da civilização tal como a conhecemos e do sistema económico que a suporta. O problema do plano Paulo Sim é que, apesar de tentar salvar o sistema, não resolve o problema de fundo para evitar situações semelhantes no futuro e ainda por cima ataca profundamente a lógica e bases do sistema. Para além disso, o valor considerado não é suficiente para cobrir todos os créditos borracholas.

O plano do senhor de Lisboa consiste em comprar os créditos borracholas às instituições que os têm, incluindo ao Banco do Ti Joaquim. Isto faz muita gente feliz, em primeiro lugar o Presidente do Banco do Ti Joaquim e as administrações das financeiras que entraram no processo e ainda todos os accionistas destas instituições. Ou seja, andaram todos a arriscar à grande e por isso ganharam à grande - até aqui tudo bem. O problema é que agora que chegou a hora de perder à grande, vem um senhor lá de Lisboa para os salvar, e ainda por cima com o dinheiro de todos, que inclui todos aqueles que sempre foram prudentes e consequentemente nunca tiveram grandes ganhos e aqueles que sempre viveram modestamente e até aqueles que viveram com dificuldades.

A justeza do capitalismo assenta na igualdade ao nível das regras, na equidade ao nível do processo, da igualdade na oportunidade. O socialismo, ao contrário, tende mais para um conceito de justeza no resultado final. Dai que o capitalismo seja compatível com o deixar viver e morrer, é verdade, mas para todos da mesma maneira, com regras claras, com transparência. Um plano que "salva" quem tem que morrer e que, ainda por cima, foi (ir)responsável pela ameaça ao sistema, com consequências potencialmente devastadoras a nível global, não pode ser bom, ou justo.

Então como se resolve o problema? Para não salvar o prevaricador vamos deixar o sistema afundar? A situação é complexa e a solução não será simples, mas deverá ser rápida. Os temas são: deixar o sistema funcionar e salvar o sistema. Parece um paradoxo, mas não tem que ser. Se considerarmos que deixar o sistema funcionar significa deixar afundar o prevaricador e salvar o sistema significa garantir a continuidade das instituições financeiras relevantes.

Durante o último "crash" de 2000, não se puseram em causa as falências das tecnológicas, as perdas dos investidores e de postos de trabalho. Porque deverá ser diferente agora? Por outro lado, a principal função do sistema financeiro não deverá ser prejudicada, principalmente a de ponte entre o aforrador e o investidor. Com uma quebra importante na capacidade de concessão de crédito dos Bancos, teremos uma inevitável transmissão do problema à economia real, nomeadamente às empresas que baseiam na obtenção de crédito não só o investimento, mas a própria actividade corrente. Uma quebra importante na capacidade de concessão de crédito pode, no curto prazo, afundar a maioria das empresas que poderíamos considerar financeiramente saudáveis, bem geridas, grandes ou pequenas. Teríamos boas empresas a morrer, simplesmente por operarem em sectores com necessidades de financiamento de fundo de maneio. Em simultâneo, teríamos empresas a sobreviver, não necessariamente bem geridas, simplesmente por operarem em sectores geradores de fundos de maneio superavitários. Mesmo nestas últimas, o investimento estaria comprometido enquanto a crise financeira durasse. Em qualquer caso, o resultado seria uma profunda e prolongada recessão que provocaria um retrocesso incalculável dos níveis de riqueza e um inevitável reposicionamento de poder económico, em que os países mais expostos, nomeadamente os Estados Unidos, a Europa e até mercados emergentes com certo grau de dependência da economia americana, como a China, ficariam prejudicados.

Para manter a moralidade do sistema, os investidores (accionistas) das instituições em risco devem perder o seu investimento e os "management" dessas instituições perder o emprego. Neste âmbito, haverá níveis de responsabilidade e consciência diferentes, mas isso é "business as usual". Por outro lado, as funções das instituições financeiras de depósitos (e algumas de aforro mais relevantes) e crédito e prestadoras de garantias (incluindo seguradoras) deverão ser salvas através da nacionalização dos activos e passivos. Pode ser realizado pela entrada do Estado no capital (directamente ou através de fundos especiais) com o objectivo de garantir as aplicações mais líquidas e fazer o "turnaround" das instituições. Dependendo da situação de cada instituição, o Estado poderá entrar por via de um aumento de capital, caso os capitais próprios ainda mantenham algum valor, ou simplesmente por aquisição da instituição por um valor simbólico e posterior injecção de capital. Entretanto, operar um reformulação da regulação para evitar situações semelhantes no futuro. Depois de assegurado o funcionamento normal do sistema, os Estados poderão alienar as instituições "nacionalizadas", a preços de mercado, o que não invalida a hipótese de os Estados poderem vir a efectuar ganhos ou mais valias face ao "investimento", ficando assim salvaguardado o património do Estado no sentido mais estrito.

sábado, outubro 04, 2008

O Envelhecimento nos dias de hoje

A ciência, a produtividade, as medidas de saúde pública e de saneamento e os cuidados individuais de saúde, constituem os principais factores de desenvolvimento que tornaram possível a descida da mortalidade e, consequentemente, o aumento do número de pessoas que atingem idades avançadas.

Existem contudo formas muito variadas de se chegar a / viver esta idade avançada. Por um lado, temos um grupo de pessoas que se mantêm saudáveis e activas e com boas condições socioeconómicas.

Por outro lado, para muitos idosos, a gradual perda de saúde e de qualidade de vida, representa um início de um longo e penoso caminho.

Desafios que o envelhecimento representa:

  • Declínio da população activa com consequente envelhecimento da mão-de-obra;
  • Maior pressão sobre os regimes de segurança social e finanças públicas, provocada pelo número crescente de reformados e pela diminuição da população activa;
  • Maior necessidade de cuidados de saúde e de assistência às pessoas idosas;
  • Maior diversidade de recursos e de necessidades dos idosos;
  • Inactividade abrupta, aquando da reforma, o que cria sentimentos de inutilidade, de rejeição e de afastamento das pessoas idosas.


Apesar de se saber que o idoso vai perdendo a sua capacidade física, psíquica, mental e social ao longo dos anos, devemos ter presente que o envelhecimento é uma nova fase da vida que deve ser abordada e vivida da forma mais saudável, positiva e feliz possível.

Como Cuidados à Pessoa Idosa, temos que ter em consideração:

  • Investimento na prevenção;
  • Promoção de estilos de vida saudáveis;
  • Educação dos mais novos para o envelhecimento;
  • Educação para a saúde familiar;
  • Melhoria das condições de vida;
  • Promoção do auto – cuidado;
  • Viver com mais saúde e por mais anos

Nos casos em que o idoso se encontra com algum grau de dependência e para lhe proporcionar um melhor acompanhamento tendo também em conta a sua vontade, qual será o melhor local para permanecer com a referida qualidade de vida? Será a sua casa? Será a casa de familiares? Será o centro de acolhimento ou será a casa de repouso?

Existem recursos de apoio aos Idosos como: Lares de Idosos, Lares para Cidadãos Dependentes, Centros de Dia, Centros de Convívio, O Apoio Domiciliário, Acolhimento Familiar, As Colónias de Férias e o Turismo Sénior, O Termalismo.

No apoio ao idoso tem também de se ter em conta as estruturas interna e externa à família.

Estrutura interna da família – como se organizam e como se reestruturam perante a dependência do idoso.

Estrutura externa da família, ou seja, as outras redes de apoio (Redes de Vizinhança e Amigos, Centros de Saúde, R.N.C.C.I.-Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, I.P.S.S.–Instituição Particular de Solidariedade Social)

Ter família é ter a certeza de que se possui alguém com quem se pode partilhar sentimentos; é ter a presença segura de alguém que é querido, que apoia e que cuida; é uma forma de ultrapassar o isolamento. Não nos devemos esquecer que em muitos casos é a família (cuidador ou cuidadores principal/principais) quem passa 24 horas por dia com o idoso.

As famílias também elas necessitam de ser cuidadas, escutadas e apoiadas. Quando ela é solicitada para a prestação informal de cuidados ao doente no domicílio, torna-se necessário ter uma família envolvida e, sobretudo, uma família apoiada, diminuindo assim a ansiedade e a sensação de impotência dos familiares, para que tudo se desenvolva de forma harmoniosa em prol da saúde do idoso.

De forma directa ou indirecta, para promover uma melhor qualidade de vida, nossa e dos nossos entes queridos, começamos todos a ter de ver com diferentes olhos e a prestar mais atenção ao envelhecimento nos dias de hoje.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Um Mundo dois sistemas


O Mundo vive desde meados do ano de 2007 uma crise financeira, para uns como não há memória, para outros como há poucas conhecidas. O fenómeno designado como “crise do crédito subprime” que se iniciou nos Estados Unidos da América no verão do ano transacto, depressa alastrou através de um “efeito dominó”, principalmente à Europa mas também à Ásia e Extremo Oriente. Este “efeito dominó” é nada mais do que o grau de interdependência e inter - relação existente entre os sistemas financeiros dos vários Continentes, dentro destes, entre os vários países e depois ainda entre todos os bancos que os compõem.

Com crises constantes e crescentes de liquidez e falta de confiança entre as instituições europeias, temos assistido com frequência desde o início desta crise, a acções de socorro prestadas pelo Banco Central Europeu (BCE) o qual, ao emprestar avultados montantes em fundos a curto prazo, tem ajudado a resolver as dificuldades financeiras existentes em muitos dos principais bancos europeus. Ainda há poucos dias assistimos a duas injecções de capital por parte do BCE no sistema bancário europeu, as quais somaram 100 mil milhões de euros em empréstimos a curto prazo. E o que sabemos é que pouco sabemos ainda da profundidade e longevidade desta crise.

Mas não tem sido apenas o BCE a prestar socorro às instituições financeiras europeias. São conhecidas as intervenções do tesouro americano na solvência e salvação de grandes instituições como a Fannie Mãe e Freddie Mac ou a seguradora AIG, intervenções estas já destinadas à recuperação total destas instituições. No Reino Unido, a nacionalização do Northern Rock e a aquisição do HBOS pelo Lloyds TSB, ou no caso da Dinamarca o socorro dado pelo Banco Central com mais 100 instituições ao Roskilde ou ao pequeno Ebh Bank, são exemplos da profundidade desta crise. Ao mesmo tempo que escrevo estas linhas tomamos conhecimento da intervenção conjunta dos governos da Bélgica, Holanda e Luxemburgo na salvação do Fortis Bank.

Nenhuma instituição financeira (bancária ou seguradora) poderá dizer que está incólume a esta crise financeira e à instabilidade do sistema financeiro mundial. Todos os bancos emprestam dinheiro a outros e recebem de outros empréstimos. Todos os bancos aplicam algures os seus fundos e excedentes de liquidez. Ainda que acredite na transparência do sistema, sabemos que, em muitos casos, o dinheiro recebido é depois reaplicado ou canalizado para produtos de maior complexidade. De qualquer forma é minha convicção que os governos, os bancos centrais e as instituições financeiras saudáveis, em articulação uns com os outros, não deixarão de intervir e de pôr a funcionar os mecanismos de salvaguarda que evitem um aprofundamento dramático desta crise. É preciso confiança no mercado, mas ao mesmo tempo é necessária uma dose de serenidade, bom senso e sangue frio para analisar os problemas e aplicar as curas respectivas. Nem que o sistema financeiro mundial tenha que se reposicionar em relação às linhas de orientação estratégicas do passado. A maturidade do sistema assim o obriga.

Mas ao mesmo tempo que assistimos à falta de liquidez de alguns dos bancos europeus e americanos, ao clima de algum pessimismo, depressão e “cinzentismo” vivido nos mercados ocidentais, podemos olhar para o sistema financeiro angolano com outras lentes e observar a dinâmica de crescimento, o brilho da confiança e a robustez da intervenção das instituições financeiras deste país. Por lá podemos observar que se respira confiança e ânimo. Os bancos com um bom nível de liquidez (a taxa de poupança em Angola muito perto dos 50% - valor estimado para 2008) que permitirá potencialmente financiar os investimentos há muito esperados. Os excedentes comerciais positivos que representarão este ano, pensa-se, cerca de 20% do PIB, com a consequente acumulação de reservas líquidas a atingir cerca de 20 mil milhões de USD em 2008, são razões de sobra para este optimismo. Os resultados das instituições bancárias angolanas e a dinâmica das mais recentes posições accionistas, dizem o resto sobre a alegria que se vive no sistema.

sábado, setembro 27, 2008

Precisam-se Mentes Brilhantes

Para os que duvidam da profundidade da crise que se está a instalar em muitos países da União Europeia, aqui fica mais uma notícia:

“ O Produto Interno Bruto (PIB) irlandês registou uma quebra no segundo trimestre deste ano face ao anterior e pela segunda vez consecutiva, o que torna a Irlanda a primeira economia da Zona Euro a entrar em recessão técnica.
O PIB da Irlanda contraiu-se 0,5 por cento nos três meses terminados em Junho, face ao trimestre anterior, período em que recuara 0,3 por cento, anunciou hoje o departamento de estatísticas, COS. Em termos homólogos (face ao segundo trimestre de 2007), a quebra registada foi de 0,8 por cento.
O rebentar da bolha imobiliária que se formara nos últimos anos na Irlanda, juntamente com a crise global do crédito, forçou o governo a cortar nas despesas para manter o défice sob controlo e levou o mercado bolsista a cair mais do que em qualquer outro país da Europa ocidental este ano.
A contracção segue-se a uma década de boom económico sustentado pelo dinamismo das exportações em meados dos anos 90, e por um forte desenvolvimento do imobiliário.
A quebra da economia irlandesa poderá ser seguida por recessões na Alemanha e na Espanha, membros da zona euro e na Grã-Bretanha, segundo a Comissão Europeia, que reviu em baixa recentemente as previsões de crescimento na zona euro e na União Europeia. “
Fonte: Diário Digital/ Lusa
Mais uma vez não se trata de fomentar um alarmismo exacerbado.
Trata-se apenas de ir construindo o puzzle económico que nos rodeia. Os países acima referidos são importantes parceiros comerciais de Portugal sendo destino de muitas das nossas exportações. Se as economias desses países não s e encontram bem, os reflexos directos e indirectos na nossa economia não se fazem esperar.
São também destinos tradicionais de muita mão-de-obra nacional, que vendo esgotadas as possibilidades de trabalhar no nosso país, procuravam nesses países um refúgio mas que agora vêem mais difícil, o abraçar dessa hipótese.
Outra das consequências ( ainda pouco visíveis ) das tensões geradas pela falta de emprego, são o crescer do racismo e xenofobia em relação às comunidades imigrantes. De Itália, França, Espanha e Inglaterra têm vindo sinais de que estas tensões têm vindo a aumentar.
Os imigrantes tornam-se assim um alvo fácil da frustração de muitos que vêem neles, não aquilo que são, uma mão-de-obra útil e muitas vezes indispensável que vem colmatar funções que os locais não sabem ou não querem exercer, mas uma ameaça aos empregos que eles próprios nunca desejaram.
Se é certo que as tensões se atenuam ou resolvem no curto prazo havendo sensatez, não deixa de ser verdade que a médio e longo prazo, elas são difíceis de controlar. É necessário e urgente, inverter esta tendência de recessão que se verifica em tantos países.
A economia mundial e as economias europeias em particular, devem procurar de forma segura e inteligente, os remédios para crises que deixam marcas cada vez mais profundas. Também a economia americana está em grandes dificuldades e como se constatou nas duas últimas semanas, o tempo dos planos milagrosos já lá vai.
Ninguém espere que os americanos consigam com apenas um plano, debelar a grave crise em que a sua economia e as suas instituições financeiras em particular, mergulharam.
Há quem diga pura e simplesmente que as medidas que estão a ser tomadas, nada vão resolver, e que se seguirá uma crise ainda mais profunda.
Eu prefiro acreditar que as medidas que se estão a adoptar são importantes, mas outras terão de ser tomadas tendo em conta as enormes ramificações e consequências desta crise a nível planetário.
Está na altura de surgirem as Mentes Brilhantes.

Primeiro-Ministro e Deus

Há muitos anos li um Livro de Richard Bach, retendo dele o seguinte episódio ( que não é contado com o devido rigor pois a minha memória está a atraiçoar-me ):

Deus na figura humana de um Mestre surgiu diante de um aviador, que ficou encantado e intrigado por o Avião do Mestre não ter no vidro as marcas de centenas de insectos que morrem projectando-se contra o avião em pleno voo.
O Mestre perguntou ao Aviador se queria substituí-lo no papel de Mestre Milagreiro. Como o papel parecia aliciante, o Aviador aceitou e em cada localidade que pousava, centenas de pessoas iam ao seu encontro, buscando os seus milagres. Acontece que essa busca era constante e nunca mais o aviador teve descanso, sendo obrigado a fazer cada vez mais milagres.
As pessoas nunca pareciam satisfeitas e havia sempre uma necessidade por satisfazer. A tarefa de Deus ou Mestre Milagreiro mais do que aliciante, tornou-se extenuante.
Com as devidas desculpas a quem leu o livro e se lembre com mais rigor deste episódio, não quis deixar de o relatar para associá-lo à seguinte notícia:
“Acompanhado pela ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, numa visita a Escola Secundaria Pinheiro e Rosa, José Sócrates testemunhou a vídeo-conferência entre aquela escola e a Escola Serafim Leite, em São João da Madeira.
«Queremos que todas as escolas do país estejam ligadas à Internet com uma velocidade não inferior a 48 megabits e que 100 delas, como é o caso desta, estejam ligadas a 100 megabits», disse.
O Chefe do Governo disse que é também objectivo do Executivo que «todas as salas de aula tenham uma ligação à Internet» e que «cada escola tenha uma rede de videovigilância para aumentar a segurança».
«Queremos também que haja um cartão de aluno que permita uma melhor gestão escolar e que o dinheiro seja eliminado do perímetro escolar», para além de mais computadores, mais quadros interactivos e videoprojectores», adiantou.
Durante a sua visita, José Sócrates só não respondeu a um aluno com mobilidade reduzida que perguntou ao primeiro-ministro quando é que aquela escola terá um elevador para poder aceder ao primeiro andar.”
Não está minimamente em causa o direito legítimo do aluno em poder aceder os espaços da sua escola.
No entanto não posso deixar de pensar quão ingrato deve ser o papel de Primeiro-Ministro a quem exigem constantemente que faça o papel de Deus. Ele (José Sócrates), é apenas um ser humano, que sente que tem capacidade para liderar o governo de Portugal.
Segundo uns, tem-no feito muito bem, segundo outros, não será assim tão bem. O que é certo é que por mais que faça, sempre lhe será exigido mais. Se temos necessidades, temos de exigir a sua satisfação a alguém. E quem melhor do que o Primeiro-Ministro, para ouvir as nossas lamúrias.
Quanto a mim, continuo a acreditar que todos contam, os que lideram, e os que são liderados. Todos temos uma parte do papel a desempenhar, para que Portugal seja o país que todos desejamos.

Europa a diferentes Estabilidades

Se há projectos denominados de “oportunidades perdidas”, julgo que a Construção Europeia por diversas vezes , quiçá demasiadas vezes, se aproxima dessa designação.

Quando a Irlanda em referendo votou Não ao Tratado de Lisboa, sentiu-se que a União Europeia acabava de “dar mais um tiro no pé”, afastando-se da convergência que uma construção europeia obriga, e a que supostamente o Tratado de Lisboa iria ajudar.
A Europa entrou então num impasse, denominado de grave na altura, mas que neste momento não sei bem em que ponto está. As notícias sobre a Europa são assim, ou dominam os noticiários, ou desaparecem, pura e simplesmente.
Outra das “lutas” da União Europeia é a que obriga diversos países a cumprir o PEC (Pacto e Estabilidade e Crescimento ).
Quando Portugal e os Portugueses têm feito um esforço enorme para se cumprir esse Pacto ( vivemos obcecados e dominados pela necessidade de baixar o deficit das contas públicas ), surge a seguinte notícia:
“ A França abdicou do compromisso de chegar com a situação orçamental próxima do equilíbrio em 2010, conforme definido no quadro do Tratado de Maastricht e constantes do Pacto e Estabilidade e Crescimento da zona euro.
De acordo com a lei de programação das finanças públicas elaborada para o triénio 2009-20012 e aprovada esta sexta-feira em reunião do conselho de ministros, a França só espera alcançar a meta de um défice público na casa dos 0,5% do PIB lá para 2012.
De acordo com o documento citado pelo jornal La Tribune, o défice público francês será d 2,7% em 2008 e 2009, recuando para 2%, em 2010 (data para a meta definida no PEC). Para 2011, o governo francês espera que o défice recue para 1,2%, descendo a 0,5% do PIB no ano seguinte.
Quanto à dívida pública, o ministério de Christine Lagarde projecta um montante equivalente a 66% do PIB no próximo ano, descendo para os 61,8% no fim do período considerado. Ainda assim, acima dos 60% preconizados pelo Pacto de Estabilidade. “
Confesso que esta notícia me deixa um pouco intrigado e levanta uma série de questões:
1º O Pacto de Estabilidade e Crescimento tem um limite temporal ou pode ser adiado segundo a conveniência de alguns países ?
2º Estaremos nós a fazer bem em ser tão obsessivos com o cumprimento do Pacto ?
3º Que custos teria o não cumprimento do Pacto ?
4º Que custos terá a França em prolongar os prazos para cumprimento do Pacto ?
5º Sendo inegável que o rigor e a disciplina orçamental devem pautar o comportamento dos diversos países da zona euro, como podem uns países ser tão severos consigo próprios enquanto outros procuram minorar tensões sociais não exigindo tantos sacrifícios às suas populações ?

De tudo isto, resulta que a Europa, a União Europeia, continua a ser uma Construção marcada por diferentes vontades, por diferentes velocidades e agora também, por diferentes estabilidades.
Se a união faz a força, “algo vai mal no reino da Dinamarca”, quando essa união é mais teórica que prática.

domingo, setembro 21, 2008

Energia das Ondas

O primeiro parque mundial de aproveitamento da energia das ondas vai ser inaugurado terça-feira ao largo da Póvoa de Varzim, na costa norte portuguesa, num investimento global superior a 8,5 milhões de euros.

Alguns ( ainda poucos ) pormenores podem ser lidos em

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/a7dfe7c1f4706b1f8a3a8d.html

É mais um dos passos na aposta nas energias renováveis.

É certo que se trata apenas de mais um pequeno passo na redução da dependência das energias não renováveis. Mas parafraseando Madre Teresa de Calcutá, relembro que “ Tudo o que fazemos, são apenas gotas no oceano, mas se não o fizermos, essas gotas irão perder-se para sempre. “

Trata-se de uma aposta há muito falada e Portugal surge na dianteira deste projecto que, também por isso, será acompanhado com natural interesse.

Relança também a questão da importância das energias renováveis, que são geralmente aceites como uma aposta válida.

O que já não é tão pacífico é saber quais as energias renováveis é que são realmente vantajosas, atendendo a critérios que analisam o que se obtém em termos quantitativos, e quais os custos directos e indirectos da sua obtenção. É aqui que as coisas já não são tão pacíficas, pois muitos defendem que os custos são demasiados altos e não justificam a aposta nestas energias.

Por mim gostava de ter acesso a um estudo com alguma profundidade, que reflectisse em termos globais do planeta e em termos locais de cada região, o que realmente pode e deve ser feito a nível das diferentes energias renováveis, e que conduza a um aproveitamento salutar e equilibrado em termos mundiais, destas mesmas energias renováveis.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Desperdiçar o Dom da Vida

Mais uma notícia muito preocupante a ser lida em

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=109849
Suicídios aumentam nos jovens

Por Sónia Graça e Sónia Trigueirão

Jovens cada vez mais novos estão a pôr termo à vida. Esta semana, uma rapariga de 15 anos, que em Maio fora eleita ‘miss Norte’, deu um tiro na cabeça.

Nos últimos cinco anos, 220 jovens entre os 15 e os 24 anos suicidaram-se. Há jovens de idades entre os 10 e os 20 anos internados para evitar tentativas de suicídio

Tinha ganho, há dois meses, o título Miss Norte 2008, quando, a 13 de Maio, foi encontrada pela mãe morta no chão do seu quarto. Liliana, de 15 anos, acabara de desistir da vida com um tiro na cabeça.

Um mês antes, a 27 de Abril, Leandro, um jovem actor de 16 anos, suicidou-se numa linha de comboio em Ovar. À família, deixou apenas um bilhete: «Vou-me matar».

É o grupo etário destes adolescentes que mais está a preocupar os médicos. Segundo dados divulgados na semana passada, no Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, o fenómeno está a aumentar entre os jovens.

Em cinco anos (de 2002 a 2006), de acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, seis crianças, entre os cinco e os 14 anos, e 214 jovens, entre os 15 e os 24 anos, puseram termo à vida.

Fim de citação

Não tenho dúvidas em afirmar que um dos maiores tesouros de cada ser humano, quiçá de cada ser vivo, é a sua própria vida.

Fiquei completamente arrepiado ao ler esta notícia.

Se o suicídio de qualquer pessoa impressiona pela dimensão trágica que acarreta, o suicídio de jovens, que teriam uma longa vida pela frente, impressionam e chocam ainda mais.

Um dos riscos que enfermam as sociedades modernas, é o risco da indiferença.
Como podemos ficar indiferentes perante o crescente número de jovens que decidem colocar fim à sua própria vida ?

Todos temos altos e baixos na nossa vida. Seja por motivos financeiros, amorosos ou de saúde, todos nós já tivemos momentos da nossa vida em que tudo parecia estar contra nós e em que a vida pouco sentido fazia.

Mas resistimos e hoje aqui estamos, adultos e maduros e com vontade de dizer aos jovens e aos menos jovens, que vale a pena viver, vale a pena lutar, vale a pena sofrer. É preciso aprendermos e ensinarmos que a vida é composta de coisas boas e de coisas más.

É preciso que todos acreditemos que depois da tempestade vem a bonança. Temos de fortalecer o espírito dos nossos familiares, vizinhos, amigos, compatriotas, etc.

Podemos e devemos dizer a todos que nos rodeiam que os problemas podem ser ultrapassados, e quando uma limitação não for possível de todo de ser resolvida, isso será um sinal que teremos outros caminhos a seguir.

Existem sempre outros caminhos a seguir, e todos eles passam pela defesa da vida de cada um.

Crises e Investimentos

Crise financeira põe grandes obras do Governo em risco
No link

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=109826

pode-se ler que:

A crise financeira internacional está a afectar o plano de investimento em infra-estruturas do Governo. Os consórcios privados estão com dificuldade em conseguir dinheiro para projectos superiores a 20 mil milhões de euros e já avisaram que as propostas irão ficar mais caras.

Jorge Coelho, presidente-executivo do grupo Mota, diz ao SOL que é necessário «formatar os projectos às novas exigências» e apela a uma negociação com o Governo. A falta de dinheiro no mercado internacional pode atrasar a concretização do novo aeroporto de Alcochete, a rede ferroviária de alta velocidade e ainda as novas concessões rodoviárias.
Por António José Gouveia
Fim de citação
O acentuar da crise financeira internacional, marcada esta semana pela Falência do Banco Americano Lehman Brothers, com consequências financeiras à escala planetária, veio trazer de novo para primeiro plano, uma série de questões.
A principal de todas é a de que quando no global as coisas correm bem, muitos erros ( financeiros, de gestão, especulativos, etc ) são absorvidos pelo próprio sistema e não há perdedores nem responsabilidades a imputar.
Contudo, quando algo corre mal, ou bem mal como no presente caso, temos muitos perdedores, grandes perdedores e muitas responsabilidades a imputar aos diversos intervenientes do sistema financeiro.
Fica também o aviso à navegação, ou seja a todos os utilizadores do sistema financeiro e sobretudo aos que buscam nele os recursos para os seus consumos ou investimentos: o sistema financeiro tem riscos, o financiamento tem riscos, os valores disponíveis para financiamento estão cada vez mais restritos e o seu custo cada vez mais elevado.
Nunca como agora, se tornou tão importante equacionar os investimentos presentes e futuros.
Há que ter muita cautela com a utilização da chamada “fuga para a frente”. Se antes da crise financeira internacional, já se exigia muita ponderação, agora então, atingimos um grau de risco tão elevado, que qualquer grande erro pode ser a “morte” não do artista mas de uma população inteira.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Richard Wright (1943 – 2008) – Pigs won´t fly anymore


Morreu o homem do sorriso sereno e tranquilo.

O artista, compositor e autor de peças que mudaram a história da música contemporânea como The great gig in the sky, Us and Them ou o lendário Shine on You Crazy Diamond. Homem gentil, educado e modesto na sua arte, segundo os amigos, que tocava trombone, guitarra, piano ou saxofone. O verdadeiro british gentleman.

Pela primeira vez presto homenagem escrita a quem partiu e que deixou um legado a milhões de fans, seguidores, apreciadores da sua arte ou outra coisa qualquer que lhe queiram chamar. É ir à net e ver os registos, vídeos e comentários sobre a sua morte.

Confesso que sou pouco dado a estas coisas de escrever sobre um efeito ainda emocional de algo que aconteceu e que nos marca. Mas não consigo desta vez ficar indiferente. Richard Wright brindou-me e brindou a milhões como eu, com momentos de absoluta magia, química musical e sonoridades transcendentais que nunca antes ouvira ou sentira. Tal como muitos foi o parceiro de horas boas finitas e horas más infinitas. Acompanhou-me e a muitos dos meus amigos, uns presentes e outros que também já partiram.

Contribuiu para tornar mais feliz a minha adolescência. Em momentos de alegria, criancices e coisas de gente madura. Esteve lá, todo o tempo. As suas sonoridades foram sempre uma inspiração e algumas vezes um rumo.

Sem ele a música como forma de cultura fica mais pobre. A humanidade fica mais pobre.

Shine on you Richard…thank you for all

quinta-feira, setembro 11, 2008

Euriboom

Passo a passo, a Euribor a seis meses, principal indexante dos contratos de crédito à habitação no nosso País, vai registando sucessivos máximos.
Há oito anos que não se registavam níveis tão altos.
A taxa comercial voltou a aumentar esta quinta-feira, dos 5,175 para os 5,179%.
~
São sobretudo más notícias para quem tem créditos contraídos junto da banca, já que a tendência de alta se tem mostrado bastante consistente nos últimos meses.
Inflação é considerada o maior inimigo.
Actualmente a taxa de inflação da Zona Euro está muito acima dos 2% e as previsões apontam para que a mesma continue em níveis elevados.
2009 também não será um ano fácil, mantendo-se a expectativa em saber se a pressão inflacionista será ou não suficiente para ofuscar o abrandamento económico e fazer com que o BCE mantenha o preço do dinheiro em níveis tão altos.
No final de múltiplas análises e contra-análises sobre as evoluções da Euribor , da Inflação e do Crescimento Económico, fica a certeza de que o comum dos cidadãos foi apanhado completamente desprevenido, estando a enfrentar dificuldades inesperadas e, pior ainda, está sem mais margem financeira para fazer face ao boom que a Euribor continua a sofrer.
Quando se fala na aposta na educação, pouco se fala na aposta na educação económica.
Quem tiver o privilégio de herdar património de familiares e muito bons hábitos orçamentais, pode respirar um pouco mais tranquilo.
Todos os outros, inclusive aqueles que sempre tiveram alguns cuidados em termos orçamentais mas cometeram a maldade de sonhar que poderiam viver com um pouco mais de conforto, têm na Euriboom uma resposta violenta aos seus desejos.
Para nós que estamos aqui num cantinho da Europa, não seria mau se ouvíssemos falar mais vezes no Banco Central Europeu ( BCE ). Mais vezes sem ser apenas para ler que o BCE voltou a subir a taxa de referência dos juros na zona euro.

domingo, setembro 07, 2008

MAMMA MIA

Já está nas salas de cinema o musical Mamma Mia que recria as músicas eternas de um dos mais famosos quartetos mundiais, os Suecos ABBA.

Era eu um menino quando os ABBA arrebataram o mundo com as suas canções, tornando-se um dos maiores fenómenos de popularidade a nível mundial.
Tornaram-se igualmente numa das maiores “máquinas de fazer dinheiro”, sendo durante muitos anos uma das “empresas” suecas de maior sucesso.
A um período áureo, sucedeu-se um período de menor notoriedade, mas sempre com presença nas rádios e televisões de todo o mundo.
É desejo repetidamente vincado dos ABBA não mais voltarem a actuar em público. Embora respeitando a sua vontade, não deixo de ficar um pouco triste.
Tenho assistido a outros “resistentes” (cantores e grupos) que voltam aos palcos e trazem de novo magia, aos corações e ao imaginário dos inúmeros fans que grangearam ao longo dos tempos nos mais variados recantos do globo.
Não tenho dúvidas que uma tournée mundial dos ABBA seria um espectáculo notável.
Mas como não podemos pedir os céus e a terra, voltemos à terra e às salas de cinema, para assistir a um fabuloso musical.
Prendendo os espectadores quase desde o primeiro minuto, este é um dos filmes que faz jus à magia que a Sétima Arte nos traz.
O filme está muito bem feito, construindo-se uma história rocambolesca e divertida, ao sabor dos inúmeros êxitos musicais dos ABBA.
É sobretudo um filme construído com humor e com amor que diverte públicos de diversas gerações. Para os mais velhos, os que ouviram vezes sem conta as cassetes dos ABBA, fica a magia adicional de reviverem temas da sua juventude e maturidade, muitos deles ligados para sempre aos momentos mais fortes e apaixonantes dos seus corações.
Foi ainda uma alegria ter assistido este filme numa sala de cinema magnífica. A Sala 1 do FREEPORT de Alcochete.
Trata-se de uma sala enorme, onde todos podem assistir com boa visibilidade e boa qualidade sonora, aos filmes exibidos num écran que é mesmo um Grande Écran.
Aos produtores e actores do filme, o meu obrigado, por me brindarem com momentos tão divertidos e de tanta qualidade, trazendo muita cor e alegria a um mundo que muitas vezes teima em nos massacrar a vista e os ouvidos com imagens e sons menos coloridos.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Diplomacia Económica Portuguesa - Uma Visão Estratégica

A propósito da visita de Estado do Presidente da República à Polónia o qual se faz acompanhar de uma missão empresarial àquele país, pretendo, muito em síntese, realçar aqui o que considero serem os passos acertados de uma verdadeira estratégia da Diplomacia Económica Portuguesa, a qual se tem estabelecido (intencionalmente ou não - não importa) de forma concertada entre o Governo e o Presidente da República.
A ida dos representantes portugueses (PR ou Governo) a países como Angola, a Índia, a China, a Venezuela e agora a Polónia, revela por si só, se estivermos atentos e entendermos alguma coisa de mercados internacionais, internacionalização empresarial, relações económicas exteriores ou relevância estratégica em matéria de expansão, globalização (já para não falar da problemática do petróleo) revela uma leitura correcta, uma percepção da importância dos factores que acima relevei e uma atenção extrema à internacionalização do país, das empresas e das instituições nacionais - do próprio país. Porque não nos confinamos (nem podemos) apenas e só à Europa.
O caminho é este e tem que ser este. Os países distinguidos, são absolutamente cruciais para o desenvolvimento, actual e futuro, das nossas empresas, dos seus mercados e da nossa economia como um todo, já para não falar da projecção internacional do país.
Governo e Presidente disso têm estado cientes. Por isso merecem esta nossa distinção. Falta agora igual relevância, atenção estratégica, nova direcção e novo rumo para o Brasil. Muitas oportunidades (e riscos também) o mesmo comporta. Porém, o papel de Portugal como presidente da CPLP, pode e deve projectar maior intensidade na extensão da nossa diplomacia económica para o aquele lado do atlântico.

terça-feira, setembro 02, 2008

Caminhos

Trago hoje para leitura e reflexão 2 excertos de notícias relacionadas com 2 empresas nacionais com percursos completamente.

1ª Notícia
Prejuízos na Carris ultrapassam valor de uma frota de mais de 3 mil autocarros
Na Carris, a situação financeira é cada vez mais preocupante. Os prejuízos reais ultrapassam o valor de uma frota de mais de três mil autocarros. Pelos números mais recentes esta empresa registou em 2007 prejuízos na ordem dos 23 milhões de euros.
Esta manhã, no Público, há um alerta do Revisor Oficial de Contas da Carris que avisa que pode estar em causa a manutenção da actividade da Carris, caso as dotações de Capital do Estado, suspensas há cinco anos, não sejam retomadas.
2ª Notícia
EDP lança primeira pedra do que será o maior parque eólico da Polónia
A EDP Renováveis lança na quinta-feira a primeira pedra do futuro parque eólico de Margonin, o maior parque eólico na Polónia, com uma capacidade instalada de 120 megawatts (MW) e que entrará em funcionamento no final de 2009
Com o lançamento desta primeira pedra, a EDP Renováveis entra em definitivo no mercado polaco da energia eólica, o segmento que lidera o crescimento do sector das energias renováveis na Polónia.
A Polónia é, como tem sido referido pela EDP, um dos países da Europa Central e de Leste com maior potencial de crescimento no sector das energias renováveis, tendo como objectivo que entre 2010 e 2014 cerca de 10 por cento da energia consumida seja de origem renovável.
O mercado polaco servirá ainda ao objectivo estratégicos da EDP de criar uma plataforma adicional de crescimento para a expansão do negócio das energias renováveis na Europa Central e de Leste.
Meus comentários
A notícia sobre o colapso financeiro da Carris impressiona sobretudo pela dimensão exagerada do prejuízo registado ( 23 Milhões de Euros em 2007 ). Este resultado contribui fortemente para tornar a empresa inviável. Ainda não estou bem a imaginar a Capital sem os seus Autocarros e Eléctricos mas algo terá de ser feito (depressa e bem) para colocar ordem nas contas da Carris.
Por outro lado, regista-se com agrado a expansão da EDP a Leste, mostrando que algumas empresas nacionais fazem da internacionalização uma realidade. É claro que há empresas e empresas.
As grandes empresas partem em posição de vantagem e empresas em crescimento contínuo, como a Martifer, cujos investimentos se estão a expandir até à Austrália, deixam o país orgulhoso mas ao mesmo tempo pensativo em como poderiam as empresas de menor dimensão, aprender com estes gigantes.
É que não podemos resumir a economia nacional aos grandes contribuintes para o PIB.
É desejável que Auto-Europa, EDP, PT, Martifer e as restantes maiores empresas nacionais tenham bons desempenhos.
Mas também é desejável e vital que as empresas de menor dimensão (médias, pequenas e micros) também tenham as suas vitórias.
Delas dependem as vidas de centenas de milhar de trabalhadores portugueses.

domingo, agosto 31, 2008

Trabalho em equipa

Já está escolhido e oficialmente anunciado o nome de Mário Mendes como o homem que irá estrear o cargo de Secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, ficando portanto a seu cargo, a coordenação de todas as polícias portuguesas.

A criação deste cargo já designado de “super-polícia”, terá certamente vantagens e desvantagens derivadas da concentração numa só pessoa, de um conjunto de poderes e obrigações bastante elevado.
Porque ter poderes não significa fazer tudo sozinho, muito do sucesso do seu trabalho terá de advir da capacidade de trabalho em equipa.
Este é um dos factores críticos de sucesso, mas que é esquecido muitas vezes em áreas tão diversas como a saúde, a educação, os transportes e tantas outras.
Não basta termos pessoas capazes nas diferentes áreas. È necessário dotá-las de meios minimamente suficientes para que executem o seu trabalho e é necessário que as pessoas oiçam os outros e se façam ouvir.
De que me serve ter uma informação chave ou conhecimento importante se não for capaz de partilhá-lo ?
Não devemos viver sob o medo de sermos ultrapassados pelos outros pelo simples facto de partilharmos informação. As capacidades de trabalho de cada um não começam nem acabam nas informações que detemos.
Devemos portanto manter um espírito aberto em que a nossa valia profissional é conjugada com a valia profissional dos que connosco interagem.
Temos de incentivar as rotinas de trabalho em equipa.
Com as competências e autoridades devidamente definidas, fica mais fácil cada um dar o máximo naquilo que pode e deve fazer bem. Só assim se pode realizar obra.
E o país está carente de obras, em todos os sentidos. Obras de Construção que não têm necessariamente que ser projectos megalómanos e obras no sentido de realização de múltiplas tarefas que permitirão que o país como um todo, caminhe no sentido do desejado e necessário progresso.

sexta-feira, agosto 22, 2008

In ( Segurança )

Quando a maioria dos portugueses se aproxima do fim das férias e do regresso às rotinas normais de casa, trabalho e escola, o país vê-se a braços com uma invulgar onda de assaltos.
Os assaltos são generalizados, de norte a sul do país, variam de pequenos a grandes furtos e têm aumentado na violência que acompanha cada assalto.
Se os assaltos que são notícia nos jornais e televisões fossem os únicos, já as coisas não andavam muito bem.
O pior é que eles estão longe de ser únicos. Não dispomos de dados concretos mas a chamada sensação de insegurança passou a ser cada vez mais real em quase todos os distritos do país.
Ao escrever estas linhas, penso em duas situações concretas:
1º Os 2 assaltos que ocorreram hoje no meu bairro, onde um grupo de assaltantes atacou com toda a tranquilidade e na mesma tarde, uma farmácia e um supermercado do bairro. Assaltos à mão armada, com roubo não apenas do dinheiro mas das próprias máquinas registadoras, em plena luz do dia e com o terror provocado nos empregados dos referidos estabelecimentos.
2º Sua Excelência o Sr. Ministro da Administração Interna, questionado no telejornal da sic sobre o combate a esta onda de criminalidade, disse que o seu antecessor e ele próprio tomaram as medidas adequadas para dentro de um a dois anos, termos uma polícia com mais condições reais para fazer face a estas situações. Gostava de ficar mais tranquilo com o que o nosso governo está a fazer em matéria de segurança ( um dos principais bens a preservar, incluindo as vidas humanas ) mas, a avaliar pela distante serenidade com que o Ministro respondia às perguntas sobre a onda de criminalidade actual, e a avaliar pela sua quase exclusiva preocupação com a tomada de posição de um partido da oposição, fiquei com a sensação de que mais uma vez os nossos governantes estão distanciando-se da realidade vivida e sofrida na pele pelo número crescente de pessoas que vivem o drama de serem assaltadas.
Espero estar a fazer uma avaliação errada, mas julgo que a criminalidade, a posse e venda de armas ilegais, a situação económica cada vez mais difícil que o país atravessa, são vectores que o governo deseja controlar mas, está longe de o fazer, o que não augura nada de bom para os próximos tempos.
Não sei se estarei a exagerar ao pensar que a insegurança crescente vivida nas lojas, nos bancos, nos postos de combustíveis e até nos próprios carros no caso das vítimas de carjacking, faz-nos aproximar perigosamente de padrões típicos de insegurança até agora característicos em países como o Brasil.
O nosso Portugal, país calmo e tranquilo, de bons e brandos costumes, à beira-mar plantado, pode estar a assistir a um forte e crescente ataque ao nosso espírito pacifista.
Temos todos um desafio adicional de pensar como podemos ajudar as forças de segurança do nosso país a combater este “monstro” perigoso que é o crescente número de assaltantes e assaltos.
Não somos nem queremos ser super-heróis, mas a nossa polícia não me parece capaz de sozinha, fazer frente a esta situação.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Sorrisos de Pequim

"É bom poder dar esta alegria aos portugueses", foi com esta frase e com a bandeira portuguesa aos ombros que Nélson Évora, o quarto português a conquistar uma medalha de ouro olímpica, saiu hoje da pista de Pequim, tendo acabado de vencer a prova do triplo salto.
Quase ao cair do pano, eis que surge finalmente o ouro para Portugal.
Dias antes já a bandeira portuguesa tinha sido vista, graças à medalha de prata de Vanessa Fernandes no triatlo.
Mas guardada estava a melhor surpresa que nos podiam oferecer: o orgulho de vermos a bandeira subir até ao lugar mais alto, acompanhada finalmente pelo Hino Nacional que vai ser ouvido pela primeira e, provavelmente, última vez, nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008.
Apesar de uma participação na generalidade fraca em termos de resultados, Portugal acaba com a Prata de Vanessa e o Ouro de Nelson, por ter a melhor participação de sempre em termos de medalhas olímpicas.
Sem esquecer que há muitas ilações a retirar dos aspectos positivos e negativos desta participação, temos finalmente sorrisos em Pequim.

terça-feira, agosto 12, 2008

Lágrimas de Pequim

Depois de uma surpreendente e maravilhosa cerimónia de abertura, começaram os Jogos Olímpicos de Pequim 2008.
Mais uma vez estão reunidos atletas de todo o mundo que competindo em variadas modalidades sonham em honrar os seus países com boas prestações e as almejadas medalhas.
Sonhar com medalhas é bom, mas não deveríamos estar obcecados ou cegos por esse sonho.
Competir significa esgrimir argumentos com outros atletas que têm os mesmos sonhos, as mesmas ambições.
Talvez os atletas portugueses tenham colocado a fasquia demasiado alta.
Ainda não se iniciaram as provas de atletismo, e em algumas das outras modalidades, como o judo, a natação, as provas de tiro e esgrima, muitos foram os atletas lusos que sonhavam com melhores prestações e até mesmo, em trazer o ouro para Portugal.
Infelizmente a realidade é bem diferente e à excepção de recordes nacionais ou melhores marcas pessoais do ano, quase tudo o que trouxemos até agora resume-se a lágrimas de amargura e grande desilusão.
Para os atletas que mais sonharam e mais desilusões sofreram, fica a Lição de que competir não significa sempre ganhar. Para ganhar, é necessário competir ao melhor nível e superar outros atletas que têm os mesmos objectivos.
No atletismo residem agora as principais esperanças de ver a bandeira Portuguesa hasteada e de ouvir o Hino Nacional.
Nessa prova e noutras em que ainda participamos, como as provas de vela e remo, aqui ficam os votos de sucesso aos nossos atletas.
Que saibam competir bem e saibam ganhar ou perder.

quinta-feira, agosto 07, 2008

A Gosto

Ao fim da primeira semana de Agosto sente-se que o País “ foi a banhos “.

Restaurantes, Lojas, Cafés e muitos serviços encerram neste mês, proporcionando aos seus donos e empregados um merecido repouso.
Para quem não gostar muito de Praia, o País continua a apresentar de norte a sul, uma oferta alargada que cobre quase todos os gostos.
Em tempo de repouso, temos mais tempo para apreciar como cada canto do nosso país, se esforça para oferecer a quem o visita, o que de melhor possuem.
Também nos apercebemos que o turismo já não é sol e praia.
Da Gastronomia aos Produtos Artesanais, viajando pela história e cultura de cada local, muito se tem feito para o desenvolvimento sócio-económico de regiões menos favorecidas.
Cada região apresenta o que tem de melhor e muitas acabam por se destacar pela qualidade da sua oferta, ficando conhecidas nacional e internacionalmente, por um determinado acontecimento relevante.
Tendo o nosso país, séculos de história, aqui fica o convite a quem estiver desocupado nestes dias, a visitar Santa Maria da Feira.
Ano após ano, a sua Feira Medieval tem crescido em participantes e qualidade.
Alguma informação pode ser vista em
http://www.viagemmedieval.com/index2.php
Continuação de votos de boas férias para quem está de férias e bom trabalho para quem ainda não foi ou já voltou.

quarta-feira, julho 30, 2008

Uma nova Revolução – Uma nova Era




A propósito do excelente documento de reflexão de Carlos Lacerda que nos foi enviado pelo nosso confrade José Alves, o qual daria para um longuíssimo serão de debate, gostaria de partilhar aqui alguns pensamentos entre os fresianos e os visitantes em geral. Em especial no tocante àqueles pontos que considero mais relevantes para uma primeira discussão.

Quanto ao Ponto 9 do referido documento onde se fala do Ressurgir da Rússia e Índia em virtude da sua evolução tecnológica, económica e social “a uma velocidade estonteante” devo dizer que a Rússia foi já no século passado uma potência importante (uma das duas potências lembram-se?) a qual se afunda depois da queda do muro de Berlim e após a manutenção de uma desastrosa política económica, centralista e obsoleta que levou ao descalabro da sua sociedade e tecido empresarial. A Rússia surge hoje dos escombros, refeita e mais enérgica do que antes como um poderoso interventor no quadro da globalização. E isto só pode ser bom.

Já no caso da Índia, que bom seria se a Europa dominasse o inglês, a matemática, a física ou as ciências da computação como os indianos. Que bom seria ver um país como Portugal a vencer os valores como a dedicação, a disciplina, o espírito de sacrifício e a vontade de aprender, de correr atrás do conhecimento. Ainda que seja um país do terceiro mundo onde se observam as maiores disparidades e uma pobreza desmesurada, começa a despontar uma nova Índia cujos intérpretes têm trazido ao mundo novos conhecimentos, inteligência e conhecimentos científicos.

Neste ponto, refiro que aquilo que já disse: As sociedades actuais revelam, em termos globais, uma grande capacidade de ajustamento e de integração de novas realidades. Terão certamente capacidade de se ajustar a um novo paradigma económico (sempre o fizeram antes) no qual teremos que passar a contar com estes novos parceiros.

Quanto ao Ponto 7 do referido texto no qual o autor fala de uma China ao assalto, temo que este termo seja absolutamente verdadeiro e assustador. Mas… porque revela este novo paradigma de que falo. Não será assustador pela ameaça que nos traz mas antes pelas oportunidades que provocará e na necessidade de termos de mudar todos os paradigmas até então adoptados.

Se as indústrias naval e automóvel chinesas são uma ameaça para o mundo ocidental, então o mundo ocidental terá que se virar e descobrir outros caminhos e contornar o problema. Não aconteceu o mesmo com os americanos com a ameaça japonesa no sector automóvel nos anos 80? Alguém se lembra do proteccionismo americano (e do medo) face ao Japão? No sector automóvel e nas novas tecnologias por exemplo? E alguém hoje se lembra disso?

Não acredito que a Europa não tenha capacidade de defesa em sectores como estas indústrias às quais se junta a têxtil. Terá sim mas através da adopção de outras estratégias mas eficientes e competitivas. A Europa necessita da China mas a China necessita igualmente da Europa. Como é que esta alimenta a fome consumista que tolhe uma classe média de mais de 300 milhões de habitantes?

A China trazer-nos á capitais, força de trabalho, muitos produtos, mas também território e oportunidades infindáveis no futuro. É tudo uma questão de (boa) negociação.

Além do mais acredito que, no caso hipotético de se confirmar o cenário apresentado pelo autor, os países não se exporiam a uma ameaça de desemprego colossal sem antes adoptar uma política proteccionista, de segregação da China ...se tivesse que ser... para não colocar os seus concidadãos na miséria e no desemprego. Estão a ver a Europa a aceitar isso? Alguém daria pela certa um pontapé à China para fora da OMC. Negociar-se-iam novas cláusula de salvaguarda. Além disso nem toda a gente gosta de carros chineses…

Some food for Thought…

domingo, julho 27, 2008

Grão a Grão enche a galinha o papo

Quase a entrar em Agosto, período em que a maioria dos trabalhadores portugueses entram de férias, aqui temos uma óptima notícia:
A empresa brasileira de aeronáutica Embraer, um dos maiores construtores mundiais de aviões, vai investir cerca de 400 milhões de euros em duas fábricas na cidade de Évora.
O investimento da empresa brasileira em Portugal está previsto num acordo Ogma/Embraer, e é um projecto considerado de interesse estratégico nacional, estando previsto incentivos do Estado português, tendo em conta a localização no interior do país.
As duas unidades fabris de componentes estruturais de aviões vão ser construídas na área do aeródromo da cidade alentejana.
O investimento prevê a criação de cerca de 500 postos de trabalho directos e mais de mil indirectos.
A brasileira Embraer é uma das maiores empresas aeroespaciais do mundo, que já produziu cerca de cinco mil aviões, que operam em 76 países dos cinco continentes.
Quando apenas vemos o resultado final, ou seja, a notícia de que o projecto vai mesmo avançar, tendemos a esquecer o trabalho de base que está na origem do mesmo.
Com efeito para que se chegasse à apresentação deste acordo e deste projecto, muito trabalho de bastidor foi desenvolvido pelo governo português, tendo as negociações iniciado há mais de 2 anos.
Está pois o governo português de parabéns. São iniciativas como esta que ajudam a aumentar o Investimento Estrangeiro em Portugal.
A luta pela captação de investimentos estrangeiros é mais outra das lutas entre as economias mundiais.
Neste caso fomos nós que vencemos e, como diz o ditado, grão-a-grão enche a galinha o papo.

quinta-feira, julho 17, 2008

Rendimento menos Consumo = Poupança ?

Agora que muitos de nós já fomos ou estamos prestes a “ ir a banhos “ aqui fica uma leitura de 2 factos, para mim Contraditórios:

1º Facto - Os portugueses precisam de poupar mais para limitarem o défice externo português, alerta hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O alerta foi deixado pelos especialistas do FMI nas conclusões preliminares do relatório sobre Portugal, elaborado no âmbito do artigo IV e que hoje foram divulgadas.
"A acumulação de desequilíbrios externos não pode continuar indefinidamente", diz o FMI.
"Resolver este problema exige que todos os sectores da economia ajustem e poupem mais", acrescenta o Fundo.
Este alerta do FMI surge depois do Banco de Portugal ter anunciado terça-feira que espera que o défice externo português suba este ano para perto dos 11 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), o valor mais elevado em 26 anos.
Os especialistas do FMI deixam uma sugestão: o desenvolvimento de fundos de pensões privados, um segmento que está ainda "pouco desenvolvido" em Portugal.
2º Facto - Dívidas disparam
O total das dívidas dos portugueses ultrapassa os 129 por cento do rendimento disponível. Uma percentagem que não tem parado de crescer nos últimos três anos.
Não é preciso tirar um curso de economia para saber que a Poupança é a Diferença entre o Rendimento e o Consumo. Ora se as dívidas das famílias já correspondem a 129% do Rendimento disponível, onde irão elas “inventar” rendimento para poupar ?
Com o Governo e muitos analistas a desaconselhar novos aumentos salariais, tais poupanças só serão possíveis se os Portugueses abdicarem dos eventualmente bens supérfluos e também de bens essenciais que aliás já estão a fazer.
Muito se defendeu a subida da qualidade de vida por onde também passava a qualidade alimentar.
Com pouco mais onde poupar, voltamos a ter más alimentações, que podem representar um alívio no exíguo bolso dos portugueses mas que terão consequências nefastas na sua saúde a curto prazo.

domingo, julho 13, 2008

Proliferação de armas ilegais e insegurança

A semana que agora terminou trouxe de novo às primeiras páginas vários cenários de violência urbana.
A insegurança foi desde as praias, onde na praia da Torre em Oeiras se vêm repetindo com demasiada frequência, cenas de pancadaria entre gangs rivais, até à Quinta da Fonte no Concelho de Loures, onde assistimos a cenas dignas de um qualquer filme de cowboys americano, onde em pleno dia e na rua principal do referido bairro, demasiadas pessoas disparavam tiros, numa luta entre grupos rivais.
Comum a estes e a outros cenários, está a presença de um incrivelmente levado número de armas ilegais. Em Portugal, excluindo as forças armadas e as restantes forças de segurança, a maior parte das armas legais encontra-se na mão dos caçadores que desenvolvem nos períodos e locais estipulados por lei a sua actividade de caça.
No entanto e apesar de já se estarem a fazer esforços no sentido de diminuir e controlar o número de armas ilegais, ninguém sabe com rigor, quantas armas ilegais existem em Portugal e na posse de quem é que estão.
Ouve-se também dizer que não é muito difícil adquirir armas ilegais em Portugal, o que parece ser verdade a avaliar pela quantidade de armas que só nos confrontos da Quinta da Fonte foram utilizadas.
Vamos a meio do ano e já tivemos as notícias mais incríveis.
Foi o caso de Moscavide onde uma pessoa que foi assaltada e estava a ser agredida pelos seus assaltantes, decidiu, imagine-se lá porquê, refugiar-se na esquadra da polícia, acabando por ser perseguida até ao seu interior, tendo continuado a ser agredido e agora com a companhia do único policia que se encontrava na esquadra e que acabou também por ser agredido.
Foi o caso de 2 assassinatos no espaço de uma semana, um em Sacavém e outro no Centro Centro Comercial Oeiras Parque.
Foi ainda o mais recente caso também completamente inqualificável da agressão aos juízes em Santa Maria da Feira, tendo representado um ataque também ele inadmissível num Estado de Direito.
Estes são apenas alguns dos casos mais mediáticos e estão longe de representar todos os casos de violência que varrem o país de norte a sul. Nem as ilhas escapam, vendo por exemplo o caso da Madeira onde grupos de jovens entretêm-se a agredir pessoas só com o intuito de filmar as agressões e colocá-las na internet.
Disse num comentário recente que questões como a da segurança, acabam por ficar para segundo plano quando estamos perante questões graves de ordem económica. No entanto devo voltar um pouco atrás e admitir que devemos todos esperar que os nossos governantes façam mais pela segurança de todos nós inclusivé pela segurança dos próprios polícias.
Este fim-de-semana vimos uma grande presença do corpo de intervenção na Quinta da Fonte.
Parece que só uma força dessa natureza consegue desmotivar os grupos rivais.
Que dizer ou fazer então com outras centenas de ocorrência onde apenas 2 ou 3 ou 4 policias, sem qualquer outro tipo de apoio ou protecção, avançam para tentar controlar situações igualmente explosivas nesses e em tantos outros bairros problemáticos dos grandes centros urbanos ?
Precisamos mesmo de ver reforçadas as medidas no campo da segurança, para que todos possamos andar de dia e dormir de noite, mais descansados.

Sinais da crise internacional, os fluxos de Emigração e Africa

Não param de chegar à imprensa ecos da crise internacional. Descrevo aqui dois casos com forte ligação a Portugal e aos trabalhadores portugueses:
1. Reino Unido enfrenta «risco grave» de recessão
A economia do Reino Unido enfrenta um «risco grave» de entrar em recessão, adverte um relatório da BCC (British Chambers of Commerce) divulgado na imprensa britânica esta terça-feira.
O mais recente inquérito da confederação de câmaras de comércio sublinha que as empresas de serviços, sector que pesa três quartos do produto, detectaram sinais «alarmantes» de deterioração no segundo trimestre.
As perspectivas de deterioração da conjuntura são acentuadas pelo aumento dos custos de factores de produção na indústria e aperto nas condições de acesso ao crédito bancário.
De acordo com a BCC, 45% das empresas espera um decréscimo de encomendas superou. Este número supera, pela primeira desde 1990, o universo daquelas que projectam aumento de pedidos.
O relatório realizado com base em inquéritos a cerca de 5.000 companhias refere que, além do abrandamento da actividade, as dificuldades financeiras do próprio Tesouro britânico complicará ainda mais a vida das empresas, acentuando a falta de confiança das famílias e o consumo.
2. A economia espanhola, liderada por Zapatero, enfrenta riscos crescentes de recessão em paralelo com uma inflação ao ritmo mais elevado num quarto de século,
A inflação anual da Espanha aumentou para 5% em junho, seu mais alto patamar em uma década, puxada pela alta dos preços internacionais do petróleo.
Os preços ao consumidor subiram na Zona do Euro nos últimos meses, devido à alta dos preços do petróleo e dos alimentos. O efeito tem sido especialmente agudo na Espanha porque os alimentos têm um grande peso no índice de preços ao consumidor do país e porque a Espanha tem uma grande dependência das importações de petróleo.
Muitas vezes se diz que “com o mal dos outros podemos nós bem”.
Mas nem sempre assim acontece. A boa saúde das economias do Reino Unido e da Espanha muito interessa aos portugueses. A Espanha é um dos principais destinos das nossas exportações e ambos os países têm sido na última década, locais de acolhimento de dezenas milhares de portugueses que procuram nesses dois países o trabalho que não encontram em Portugal.
Com ambos países a ameaçarem seriamente entrar em recessão, poderemos assistir ao regresso forçado dessas dezenas de milhar de emigrantes que chegarão ao nosso país com partiram, ou seja, sem nenhuma perspectiva de poder exercer um dos direitos mais básicos de qualquer cidadão, o direito ao trabalho.
Com a dificuldade do Governo Português em promover uma criação líquida de emprego positiva, estas más notícias externas vêm em má altura. Tornam ainda mais difícil a nossa tarefa e a dos nossos Governantes.
Pode estar na hora de pensarmos em desenvolver uma estratégia forte, consistente, duradoura e global com Africa, um dos últimos possíveis refúgios para contrariar esta crise generalizada.
Com os países africanos de Língua Oficial Portuguesa pode e deve ser efectuado um trabalho a dois níveis: um primeiro nível de cooperação directa promovendo o seu desenvolvimento assente sempre que possível na exportação de nossos produtos e serviços. E um segundo nível, que seria a utilização desses países como plataformas de fomento de relações com os outros países africanos.
Dada a importância desta questão, espero voltar a ela em breve, aguardando entretanto que outros Fresianos, partilhem as suas opiniões e experiências sobre a viabilidade ou não deste caminho.

terça-feira, julho 08, 2008

O Estado da Nação


Diz recentemente a OCDE que no próximo ano existirão cerca de 3 milhões de novos desempregados entre os países membros. Que em Portugal a taxa de desemprego se manterá na casa dos 7,9% e que não se perspectivam melhorias neste campo. A dívida externa portuguesa terá já atingido os 100% do PIB.

Ao mesmo tempo surge a notícia de que só no primeiro semestre o nº de empresas que abriu falência duplicou face a igual período do ano anterior, tendo sido decretadas 50 mil falências de empresas só em 2008.

Tudo isto ao mesmo tempo em que se discute o TGV, Alcochete, as SCUT´s ou a terceira travessia sobre o Tejo. As obras em carteira, somando plataformas logísticas e novos Km de auto-estradas somam cerca de 50 mil milhões de € de investimento.

Aqui ao lado vemos uma Espanha a definhar em termos de crescimento económico, com um aumento do nível de desemprego, a crise imobiliária e a de falta de liquidez dos seus bancos. Dizem-nos que só crescendo mais do que a Espanha, nosso principal parceiro comercial, Portugal conseguirá ir-se aproximando da média do nível de vida e competitividade da UE.

Entretanto o mundo vai padecendo de algumas crises e enferma de doenças difíceis de curar: é a crise financeira nascida nos EUA através do crédito sub-prime, transformada em crise de liquidez acentuada uma vez que expôs inúmeros bancos por esse mundo fora; é a subida dos combustíveis alimentada por vários factores entre os quais o crescimento registado no consumo (China, Índia e Brasil) e alimentado pelas tensões no oriente médio; é a crise alimentar surgida com a subida o preço dos cereais e restantes commodities que encarecem de sobremaneira o custo de vida e a sustentabilidade alimentar de muitos povos (com o consequente impacto em muitas famílias portuguesas); é o crescimento do custo do crédito hipotecário (em especial à habitação) que coloca em muitas famílias uma espada sobre as suas cabeças; é a verdadeira inflação sentida nos preços dos bens alimentares, esta, creio, não se confinando aos números que nos são apresentados na casa dos 2,5 % mas muito acima disto.

Importa pois perceber e saber para onde queremos ir, como iremos, com que objectivos, qual a nossa missão, como sairemos e nos defendemos destes ataques cerrados que nos surgem de todo o lado. Importa sair deste atavismo lusitano, como ouvi recentemente no seio do maior Think Tank português (a rádio TSF), lutar por um país que vale a pena, ajudar a reconstruir, participar e intervir.

Portugal precisa de um rumo, de uma missão. Como nos queremos apresentar? Com que factores distintivos? É esta sociedade sustentável tal qual a estamos a conduzir? Como combateremos o afastamento que nos vai puxando para baixo? Queremos exigir mais dos políticos e do país? De que forma devemos actuar?

Estas são reflexões que mais do que nunca é obrigatório fazer. Sair do sofá. Participar e expressar posições, denunciar e não assobiar. Inscrevermo-nos, pois este tem sido o país da não inscrição.

Há que ajudar a procurar novos rumos e expressar como queremos ver o país na próxima geração, aquela que há-de ser a dos nossos filhos. Como diz o Presidente, não nos resignar-mos, nunca nos resignar-mos. Até porque parece tempos mais difíceis se aproximam.

Hoje a SEDES apresentará às 21h 30m no auditório da livraria Byblos o seu último documento sobre o Estado da Nação. Diz a SEDES que o governo, que desenvolveu nos últimos 3 anos “vários esforços de estabilização orçamental e várias reformas que exigiram coragem politica, começa agora a recuar, por exemplo com a recente descida de impostos e ao decretar o fim da crise orçamental” procura agora governar para as eleições.

A discussão politica está lançada, quem se mostrar interessado que participe ou acompanhe. Será interessante poder estar presente logo à noite.

Como em tempo de guerra não se limpam armas e como não temos munições para todas as armas, diria que é necessário recentrar a discussão à volta dos grandes investimentos públicos previstos. Ainda que parte dos fundos venham da Europa e do sector privado. Alcochete será sempre importante, estratégico para o desenvolvimento urbano e para o turismo. Portos, fundamentais. Leixões, Lisboa e Sines. Necessitamos de 3 grandes, funcionais e estratégicos Portos (atente-se à nossa posição geográfica).O comércio marítimo será cada vez mais importante. Excelente aposta na energia eólica e na hídrica (esta através dos investimentos programados em mini-hidricas e barragens de maior escala – a água será a preocupação que se segue muito em breve).

Quanto ao resto, aguardamos por novas munições para as armas que temos.

segunda-feira, julho 07, 2008

Aprendendo com os verdadeiros especialistas

No passado dia 18 de Maio, a nossa colega Cecília Santos escreveu aqui no blogdofres um brilhante artigo intitulado “As razões da fome”.

Volta este tema a ser notícia agora a propósito do início de mais uma reunião do G8, alargada a membros convidados
Do seguinte link retirei alguns dos seguintes parágrafos.
“ A alta dos preços dos alimentos ameaça inverter todos os avanços globais em termos de desenvolvimento e levar 100 milhões de pessoas em todo o mundo abaixo da linha de pobreza, advertiram hoje o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.
A declaração de ambos foi feita na ilha de Hokkaido, no Japão, onde decorre a cimeira anual do G8, o grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia.
Ambos haviam participado antes numa reunião com os líderes do G8 e oito chefes de Estado ou governo africanos.
Ban e Zoellick pediram aos países do G8 uma acção urgente para combater a actual crise e para prevenir futuras altas nos preços dos alimentos.
Segundo o secretário-geral da ONU, o mundo enfrenta três crises simultâneas e interligadas - dos alimentos, do clima e de desenvolvimento - para as quais são necessárias soluções integradas.
«Os nossos esforços até agora têm sido muito divididos e esporádicos. Agora é a hora de termos uma abordagem diferente», afirmou Ban.
«A ONU está pronta para ajudar com todos esses desafios globais», disse, acrescentando que «cada dólar investido hoje equivale a 10 amanhã ou a 100 no dia seguinte».

O presidente do Banco Mundial afirmou que a actual crise é uma oportunidade para que o mundo consiga alcançar um caminho de desenvolvimento a longo prazo, mas que para isso é necessário um comprometimento dos países ricos em mais investimentos.
Acrescentou que investimentos em projectos como irrigação podem ajudar a expandir as colheitas, principalmente em África, e ajudar a combater a escassez global de alimentos.
«Só 4,9% das terras aráveis de África são irrigadas, contra 40% no Sudeste Asiático», disse, salientando que os caminhos para possíveis soluções para os problemas actuais já são conhecidos, mas faltam mais recursos.”
Nota: Fim das frases retiradas do link acima indicado.
Sempre que há uma reunião ou cimeira importante, os participantes manifestam o desejo de que dela resultem mais do que declarações de intenções. Actualmente vivemos um problema vincado de falta de recursos. George Bush diz que a América já não está nos seus melhores momentos, indicando claramente que os mais países ricos e poderosos, já não são ( estão ) tão ricos e tão poderosos.

Que sorte terão então milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza ?
Eu não participo no G8, mas gostava de lhes dizer que aos pobres e aos que têm poucos recursos financeiros ou naturais, resta-lhes a astúcia.
“Quem não tem cão, caça com gato” diz o ditado
Pois bem nada melhor do que exemplos concretos.
Se o problema é escassez de água, porque não aprendemos com países como Israel e Omã ?
Julgo que há 2 anos atrás estiveram em Portugal, alguns peritos Israelitas em aproveitamentos hídricos. Estiveram em Bragança, uma região onde os agricultores se queixam de falta de água para regadio. Deixaram muitos conselhos mas ficaram surpresos ao verem que ao mesmo tempo que nos queixamos de faltas de faltas de recursos, administramos de forma bastante errada os recursos disponíveis, conduzindo inevitavelmente a grandes desperdícios.
Exemplos como este podem multiplicar-se por outras áreas. Se os problemas se tornam maiores e não há tempo a perder, aumentemos a nossa astúcia a combatê-los, sobretudo aprendendo com os verdadeiros especialistas.

sábado, julho 05, 2008

Actores e Espectadores

“Se os seus esforços forem vistos com indiferença, não desanime. Todos os dias o Sol dá a cada raiar do dia, um espectáculo especial, mas a plateia continua dormindo.” Anónimo.

Destruir ou nada fazer sempre foi mais fácil que construir. Qualquer projecto de carácter desportivo, cultural, social ou económico, encontra tantos obstáculos que é natural os seus promotores sentirem algum desânimo.
No entanto, o que distingue os projectos vencedores é a forte convicção dos seus criadores nas ideias e nos projectos que estão a desenvolver. Esses são os alicerces para que se mantenham de pé, enfrentando toda a espécie de contrariedades.
Isto torna-se tanto mais verdade quanto maior é a indiferença dos destinatários ou beneficiários dos projectos que se estão a promover.
Sente-se hoje na sociedade portuguesa uma apatia e uma indiferença quase confrangedoras pois envolvem quase todos os sectores da vida dos cidadãos. Estas características evoluem em proporção directa a um crescente isolamento e individualismo das pessoas que, incapazes de lutarem por si e pelo mundo que as rodeia, resolveram lutar apenas por si próprias.
Também a nossa democracia, embora jovem e segura, torna-se vítima da crescente indiferença dos eleitores em geral, e dos jovens em particular.
A Assembleia da República aprovou esta semana, na generalidade, e por unanimidade, uma alteração à lei que torna automático o recenseamento eleitoral.
Esta alteração à lei vai permitir incluir nos cadernos eleitorais mais de 300 mil jovens dos 18 aos 24 anos que não estão recenseados.
O recenseamento eleitoral em Portugal é obrigatório, a partir dos 18 anos havendo porém, jovens que não fazem a sua inscrição.
José Magalhães sublinhou que a lei permitirá «incluir nos cadernos eleitorais mais de 300.600 jovens entre os 18 e os 24 anos que figurando na base de dados de identificação civil, não estão hoje recenseados».
A proposta, aprovada a 05 de Junho em Conselho de Ministros, evita que os cidadãos se desloquem às juntas de freguesia para fazer o recenseamento, está integrada no programa SIMPLEX, e será desenvolvida a partir da base de dados do Cartão do Cidadão.
A lei visa também garantir, através de um Sistema de Informação e Gestão do Recenseamento Eleitoral (SIGRE), «mecanismos de actualização permanente» para que o recenseamento «corresponda tendencialmente ao universo eleitoral».
Aprovando uma Lei, o Parlamento consegue vencer a indiferença dos jovens e à margem da sua iniciativa, promove o seu recenseamento.
No entanto, será que esses jovens, que nem iniciativa e interesse tiveram em se recensearem, irão, pelo simples facto de estarem automaticamente inscritos, participar nos actos eleitorais onde se define o presente e futuro do nosso país ?
Permitam-me duvidar. Os nossos actores principais ( os nossos políticos ) têm um longo caminho a percorrer se quiserem mobilizar esses jovens indiferentes e também todos aqueles que deixaram de acreditar neles e nos partidos em que se integram, abdicando do seu maior poder numa democracia, o poder de votar.
Cada vez há mais espectadores passivos, indiferentes e comodistas. Talvez se um dia for possível votarmos via telemóvel, enviando confortavelmente um sms sentado nos nossos sofás, ou bebendo um refresco numa esplanada, tenhamos uma maior participação dos cidadãos nas decisões que influenciam a vida de todos.
Enquanto esse avanço tecnológico não é viável, resta-nos desejar aos actores que aumentem a qualidade das suas performances, com esperança que possam cativar os indiferentes espectadores.

quarta-feira, julho 02, 2008

Sabor, Doce ou Amargo ?

O Primeiro-Ministro José Sócrates esteve no início da semana no Distrito de Bragança onde foram assinaladas as evoluções no projecto da construção da Barragem do Baixo Sabor.
Envolto há mais de dez anos em sucessivas polémicas, talvez seja desta que o projecto “vai para a frente”.
Embora já um pouco antigo aqui deixo um link onde dados sobre a construção desta barragem podem ser observados
http://www.edp.pt/EDPI/Internet/PT/Group/Media/EDPNews/2007/Baixo_Sabor.htm
Se é um facto que as Associações de Defesa do Ambiente muito têm feito em defesa do equilíbrio ambiental em Portugal, também não é menos verdade que as suas posições nem sempre se revelaram as mais equilibradas, tendo os ambientalistas efectuado despropositados bloqueios ao progresso e sustentabilidade económica e social.
Fica sempre a dúvida de saber quando é que têm razão e quando é que estão ( segundo já diversas vezes foram apelidados ) a ser “fundamentalistas”.
A barragem do baixo sabor vai continuar a ser palco da “batalha” entre Governo e Ambientalistas.
Numa altura em que se acentua a crise energética, até que ponto se torna legítimo bloquear projectos com a dimensão importância regional e nacional que tem a Barragem do Baixo Sabor ?
Gostaria de ouvir e sentir a vossa sensibilidade para esta questão em particular e para o papel em geral das Associações Ambientalistas. Estarão elas a desempenhar bem o seu papel? Ou estarão a ser um despropositado entrave ao avanço da generalidade dos projectos energéticos ou turísticos que muitas vantagens trariam a Portugal em termos de receitas e criação de emprego ?

segunda-feira, junho 30, 2008

A vida depois do Euro 2008

Terminou o Campeonato Europeu de Futebol com uma vitória da Selecção Espanhola.
Durante cerca de um mês grande parte dos shares televisivos foram dominados pelas transmissões dos jogos e pelas reportagens antes e depois dos jogos.
A estação detentora dos direitos de transmissão televisiva exclusivos para Portugal, TVI, bateu neste mês de Junho os seus recordes de audiência e de shares televisos, “fintando” o domínio da SportTV que pouco tem de democrático pois a maioria dos Portugueses não tem dinheiro para pagar um valor extra todos os meses para ver a SportTV. A SportTV entre muitas “maldades” ditadas pela lei da economia de mercado, já retirou da vista de muitos portugueses amantes do desporto, diversas competições importantes que nos habituamos a ver durante décadas, tal como o Mundial de Fórmula 1, a mais importante competição automobilística Mundial.
Goste-se ou não do fenómeno futebol, a sua importância é demasiado vasta para ser negligenciada. Poucos são os acontecimentos que conseguem mobilizar tantas pessoas e tantas nações, “prendendo-as” ao pequeno écran durante horas a fio.
O futebol hoje é um fenómeno planetário com dimensão desportiva, económica e social.
A desportiva tem a ver com o jogo propriamente dito, que bem interpretado pelos “nuestros hermanos” possibilitou-lhes provar que vale a pena trabalhar bem e trabalhar em equipa tendo sempre como objectivo principal, o interesse colectivo.
A económica prende-se com todo o “circo” que gira à roda de um Campeonato de Futebol. Desde as receitas de bilheteiras às receitas derivadas das transmissões televisivas para o mundo inteiro, passando pelas receitas da publicidade, temos um autêntico carrossel económico girando em torno deste acontecimento. Também as actividades turísticas saem beneficiadas vendo-se disparar as receitas de operadores de viagens e de hotelaria, e vendo-se aumentar também significativamente as receitas da restauração. Em Portugal todas elas teriam sido bem maiores caso a nossa Selecção fosse mais além, mas infelizmente desta vez não foi. É tempo de aprender com os melhores e este ano os melhores foram os Espanhóis.
Finalmente uma nota à dimensão social do fenómeno futebol. A grande audiência directa ( nos estádios ) e indirecta ( via transmissões televisivas ) são um óptimo veículo para a “passagem” de mensagens de carácter social. O Futebol, embora muitas vezes palco de despropositadas violências, tem procurado cada vez mais ser um espaço de concórdia e tolerância entre os povos. Foi esta a mensagem que a Organizadora da Competição, A UEFA ( União Europeia de Associações de Futebol ) passou ao promover em todos os encontros a mensagem NO TO RACISM ( NÃO AO RACISMO ) que repetidamente foi vista e ouvida ao longo da competição. O veículo futebol, com a sua dimensão planetária, revela-se uma das poucas universais formas de comunicação entre os povos. Diz-se na gíria que a linguagem do futebol é universal. Atrás desta linguagem muitas “pontes” têm sido estabelecidas entre os povos.
Terminou o Euro 2008, teremos em breve outro fenómeno ainda mais Universal, Os Jogos Olímpicos que a martirizada China vai acolher.
Para os amantes do futebol , os olhos começam já a ser postos no Mundial de 2010 que vai ser organizado pela Africa do Sul, naquela que será a primeira competição Mundial de Selecções a ser organizado por um País Africano.
Para os não amantes do futebol, fica a certeza de que poderão descansar largos meses sem terem de ser “absorvidos” pela força do Futebol.

sábado, junho 28, 2008

Reféns da Informática

A Assembleia da República aprovou no passado dia 19 de Junho a Lei n.º 26-A/2008, que reduz a Taxa Normal de Iva de 21% para 20% que pode ser lida em

http://www.rvr.pt/netimages/file/L_26_A_2008.pdf
No nosso blog já tínhamos dado conta há menos de um mês desta medida do Governo e não pretendo agora ajuizar da bondade desta medida mas do seu “timing”.
Entre a notícia dada da intenção da redução do Iva divulgada no final do passado mês de Maio e a aprovação agora alcançada da Lei 26-A/2008, decorreu pouco mais de um mês. E a Lei agora publicada no dia 27 de Junho, entra em vigor 4 dias depois, ou seja já no próximo dia 01 de Julho de 2008.

Sendo o tecido empresarial constituído na quase totalidade por pequenas, médias e micro-empresas, estando quase todas elas dependentes de empresas de venda e assistência de software informático, não será difícil de imaginar um período inicial de muitas dificuldades de implementação da Lei.

A maior dificuldade deriva do facto de os programas de facturação se terem tornado cada vez mais complexos e não ser uma simples rotina proceder à actualização de 21 para 20% da taxa de Iva nos documentos de stocks, de compras e vendas.

Muitas empresas de software informático já disponibilizaram utilitários que permitem aos seus clientes a conversão automática desta taxa. Mas como não há bela sem senão, esses utilitários não são de implementação fácil por leigos, obrigando à intervenção dos técnicos informáticos. Não mencionando aqui o contra-senso de uma medida de baixa de Iva constituir uma imediata despesa adicional de implementação de actualizações informáticas, ficam contudo dezenas de milhares de empresas reféns da disponibilidade humana dos técnicos das empresas informáticas em se deslocarem às instalações das empresas para se conseguir a implementação desta actualização.
Se atenderemos a que dia 1 de Julho é já na próxima terça-feira, teremos obviamente milhares de empresas a não conseguirem emitir facturas e vendas-a-dinheiro com o IVA à taxa de 20%. Mas como o Português é conhecido pelo seu espírito de “desenrascar” as situações mais complicadas e de trabalhar bem sob pressão, estou esperançado que esta seja uma situação temporária e de pouca expressão, ficando tudo normalizado em poucos dias e com poucos “danos colaterais”.

Fica então a sugestão de que medidas desta natureza, talvez necessitassem de um período ligeiramente superior para a sua implementação.