quarta-feira, outubro 08, 2008
O sistema financeiro e a tasca do Ti Joaquim
O Ti Joaquim tem uma tasca, na Vila Carrapato, e decide que vai vender copos 'fiados' aos seus leais fregueses, uns borracholas, outros desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose do tintol e da branquinha (a diferença é o sobre preço que os pinguços pagam pelo crédito).
O gerente do banco do Ti Joaquim, um ousado administrador com um MBA muito reconhecido, decide que o livrinho das dívidas da tasca constitui, afinal, um activo negociável, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o 'fiado' dos pinguços como garantia.
Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e transformam-nos em Warrants, CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrónimo financeiro que nem todos sabem exactamente o que quer dizer. Esses produtos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzema operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (os tais livrinhos das dívidas do Ti Joaquim). Esses derivados vão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.
Até que alguém descobre que os borracholas de Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e a tasca do Ti Joaquim vai à falência.
Com algum racional correspondente à situação da dívida hipotecária, diria que a Tasca do Ti Joaquim não foi necessariamente à falência, visto ter "vendido" os créditos ao Banco. Note-se a situação do Ti Joaquim que, não sendo uma instituição financeira, não esteve nunca sujeito à supervisão ou a qualquer tipo de controlo no processo de concessão de crédito, nem esteve sequer motivado a manter a qualidade do crédito. A sua única motivação foi vender o tinto - o crédito era um problema entre o Banco e os borracholas.
Por sua vez, o Banco tinha uma forma de dividir e vender o crédito adquirido, atribuindo-lhe varios níveis de risco por construção de produtos derivados com garantias de terceiros (seguradoras e outras instituições financeiras) e que vendia no mercado.
A tasca do Ti Joaquim sofre agora de risco de falência, porque os borracholas estão falidos e já não conseguem pagar mais "visitas" à tasca e o Banco do Ti Joaquim deixou de comprar créditos ao Ti Joaquim.O conjunto de financeiros que adquiriu os "créditos borracholas" está a par com a incapacidade dos clientes do Ti Joaquim para pagar o que devem, e o único "bem" que existe para ser executado é um conjunto de garrafas vazias dos clientes, que o Ti Joaquim foi guardando nas traseiras da tasca e que não valem o que os borracholas pediram emprestado para as adquirir.
Entretanto apareceu um senhor lá de Lisboa chamado Paulo Sim, que disse ter um plano nacional para salvar o Banco do Ti Joaquim e as outras instituições financeiras envolvidas no processo, a bem da civilização tal como a conhecemos e do sistema económico que a suporta. O problema do plano Paulo Sim é que, apesar de tentar salvar o sistema, não resolve o problema de fundo para evitar situações semelhantes no futuro e ainda por cima ataca profundamente a lógica e bases do sistema. Para além disso, o valor considerado não é suficiente para cobrir todos os créditos borracholas.
O plano do senhor de Lisboa consiste em comprar os créditos borracholas às instituições que os têm, incluindo ao Banco do Ti Joaquim. Isto faz muita gente feliz, em primeiro lugar o Presidente do Banco do Ti Joaquim e as administrações das financeiras que entraram no processo e ainda todos os accionistas destas instituições. Ou seja, andaram todos a arriscar à grande e por isso ganharam à grande - até aqui tudo bem. O problema é que agora que chegou a hora de perder à grande, vem um senhor lá de Lisboa para os salvar, e ainda por cima com o dinheiro de todos, que inclui todos aqueles que sempre foram prudentes e consequentemente nunca tiveram grandes ganhos e aqueles que sempre viveram modestamente e até aqueles que viveram com dificuldades.
A justeza do capitalismo assenta na igualdade ao nível das regras, na equidade ao nível do processo, da igualdade na oportunidade. O socialismo, ao contrário, tende mais para um conceito de justeza no resultado final. Dai que o capitalismo seja compatível com o deixar viver e morrer, é verdade, mas para todos da mesma maneira, com regras claras, com transparência. Um plano que "salva" quem tem que morrer e que, ainda por cima, foi (ir)responsável pela ameaça ao sistema, com consequências potencialmente devastadoras a nível global, não pode ser bom, ou justo.
Então como se resolve o problema? Para não salvar o prevaricador vamos deixar o sistema afundar? A situação é complexa e a solução não será simples, mas deverá ser rápida. Os temas são: deixar o sistema funcionar e salvar o sistema. Parece um paradoxo, mas não tem que ser. Se considerarmos que deixar o sistema funcionar significa deixar afundar o prevaricador e salvar o sistema significa garantir a continuidade das instituições financeiras relevantes.
Durante o último "crash" de 2000, não se puseram em causa as falências das tecnológicas, as perdas dos investidores e de postos de trabalho. Porque deverá ser diferente agora? Por outro lado, a principal função do sistema financeiro não deverá ser prejudicada, principalmente a de ponte entre o aforrador e o investidor. Com uma quebra importante na capacidade de concessão de crédito dos Bancos, teremos uma inevitável transmissão do problema à economia real, nomeadamente às empresas que baseiam na obtenção de crédito não só o investimento, mas a própria actividade corrente. Uma quebra importante na capacidade de concessão de crédito pode, no curto prazo, afundar a maioria das empresas que poderíamos considerar financeiramente saudáveis, bem geridas, grandes ou pequenas. Teríamos boas empresas a morrer, simplesmente por operarem em sectores com necessidades de financiamento de fundo de maneio. Em simultâneo, teríamos empresas a sobreviver, não necessariamente bem geridas, simplesmente por operarem em sectores geradores de fundos de maneio superavitários. Mesmo nestas últimas, o investimento estaria comprometido enquanto a crise financeira durasse. Em qualquer caso, o resultado seria uma profunda e prolongada recessão que provocaria um retrocesso incalculável dos níveis de riqueza e um inevitável reposicionamento de poder económico, em que os países mais expostos, nomeadamente os Estados Unidos, a Europa e até mercados emergentes com certo grau de dependência da economia americana, como a China, ficariam prejudicados.
Para manter a moralidade do sistema, os investidores (accionistas) das instituições em risco devem perder o seu investimento e os "management" dessas instituições perder o emprego. Neste âmbito, haverá níveis de responsabilidade e consciência diferentes, mas isso é "business as usual". Por outro lado, as funções das instituições financeiras de depósitos (e algumas de aforro mais relevantes) e crédito e prestadoras de garantias (incluindo seguradoras) deverão ser salvas através da nacionalização dos activos e passivos. Pode ser realizado pela entrada do Estado no capital (directamente ou através de fundos especiais) com o objectivo de garantir as aplicações mais líquidas e fazer o "turnaround" das instituições. Dependendo da situação de cada instituição, o Estado poderá entrar por via de um aumento de capital, caso os capitais próprios ainda mantenham algum valor, ou simplesmente por aquisição da instituição por um valor simbólico e posterior injecção de capital. Entretanto, operar um reformulação da regulação para evitar situações semelhantes no futuro. Depois de assegurado o funcionamento normal do sistema, os Estados poderão alienar as instituições "nacionalizadas", a preços de mercado, o que não invalida a hipótese de os Estados poderem vir a efectuar ganhos ou mais valias face ao "investimento", ficando assim salvaguardado o património do Estado no sentido mais estrito.
sábado, outubro 04, 2008
O Envelhecimento nos dias de hoje
Existem contudo formas muito variadas de se chegar a / viver esta idade avançada. Por um lado, temos um grupo de pessoas que se mantêm saudáveis e activas e com boas condições socioeconómicas.
Por outro lado, para muitos idosos, a gradual perda de saúde e de qualidade de vida, representa um início de um longo e penoso caminho.
Desafios que o envelhecimento representa:
- Declínio da população activa com consequente envelhecimento da mão-de-obra;
- Maior pressão sobre os regimes de segurança social e finanças públicas, provocada pelo número crescente de reformados e pela diminuição da população activa;
- Maior necessidade de cuidados de saúde e de assistência às pessoas idosas;
- Maior diversidade de recursos e de necessidades dos idosos;
- Inactividade abrupta, aquando da reforma, o que cria sentimentos de inutilidade, de rejeição e de afastamento das pessoas idosas.
Apesar de se saber que o idoso vai perdendo a sua capacidade física, psíquica, mental e social ao longo dos anos, devemos ter presente que o envelhecimento é uma nova fase da vida que deve ser abordada e vivida da forma mais saudável, positiva e feliz possível.
Como Cuidados à Pessoa Idosa, temos que ter em consideração:
- Investimento na prevenção;
- Promoção de estilos de vida saudáveis;
- Educação dos mais novos para o envelhecimento;
- Educação para a saúde familiar;
- Melhoria das condições de vida;
- Promoção do auto – cuidado;
- Viver com mais saúde e por mais anos
Nos casos em que o idoso se encontra com algum grau de dependência e para lhe proporcionar um melhor acompanhamento tendo também em conta a sua vontade, qual será o melhor local para permanecer com a referida qualidade de vida? Será a sua casa? Será a casa de familiares? Será o centro de acolhimento ou será a casa de repouso?
Existem recursos de apoio aos Idosos como: Lares de Idosos, Lares para Cidadãos Dependentes, Centros de Dia, Centros de Convívio, O Apoio Domiciliário, Acolhimento Familiar, As Colónias de Férias e o Turismo Sénior, O Termalismo.
No apoio ao idoso tem também de se ter em conta as estruturas interna e externa à família.
Estrutura interna da família – como se organizam e como se reestruturam perante a dependência do idoso.
Estrutura externa da família, ou seja, as outras redes de apoio (Redes de Vizinhança e Amigos, Centros de Saúde, R.N.C.C.I.-Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, I.P.S.S.–Instituição Particular de Solidariedade Social)
Ter família é ter a certeza de que se possui alguém com quem se pode partilhar sentimentos; é ter a presença segura de alguém que é querido, que apoia e que cuida; é uma forma de ultrapassar o isolamento. Não nos devemos esquecer que em muitos casos é a família (cuidador ou cuidadores principal/principais) quem passa 24 horas por dia com o idoso.
As famílias também elas necessitam de ser cuidadas, escutadas e apoiadas. Quando ela é solicitada para a prestação informal de cuidados ao doente no domicílio, torna-se necessário ter uma família envolvida e, sobretudo, uma família apoiada, diminuindo assim a ansiedade e a sensação de impotência dos familiares, para que tudo se desenvolva de forma harmoniosa em prol da saúde do idoso.
De forma directa ou indirecta, para promover uma melhor qualidade de vida, nossa e dos nossos entes queridos, começamos todos a ter de ver com diferentes olhos e a prestar mais atenção ao envelhecimento nos dias de hoje.
segunda-feira, setembro 29, 2008
Um Mundo dois sistemas

Com crises constantes e crescentes de liquidez e falta de confiança entre as instituições europeias, temos assistido com frequência desde o início desta crise, a acções de socorro prestadas pelo Banco Central Europeu (BCE) o qual, ao emprestar avultados montantes em fundos a curto prazo, tem ajudado a resolver as dificuldades financeiras existentes em muitos dos principais bancos europeus. Ainda há poucos dias assistimos a duas injecções de capital por parte do BCE no sistema bancário europeu, as quais somaram 100 mil milhões de euros em empréstimos a curto prazo. E o que sabemos é que pouco sabemos ainda da profundidade e longevidade desta crise.
Mas não tem sido apenas o BCE a prestar socorro às instituições financeiras europeias. São conhecidas as intervenções do tesouro americano na solvência e salvação de grandes instituições como a Fannie Mãe e Freddie Mac ou a seguradora AIG, intervenções estas já destinadas à recuperação total destas instituições. No Reino Unido, a nacionalização do Northern Rock e a aquisição do HBOS pelo Lloyds TSB, ou no caso da Dinamarca o socorro dado pelo Banco Central com mais 100 instituições ao Roskilde ou ao pequeno Ebh Bank, são exemplos da profundidade desta crise. Ao mesmo tempo que escrevo estas linhas tomamos conhecimento da intervenção conjunta dos governos da Bélgica, Holanda e Luxemburgo na salvação do Fortis Bank.
Nenhuma instituição financeira (bancária ou seguradora) poderá dizer que está incólume a esta crise financeira e à instabilidade do sistema financeiro mundial. Todos os bancos emprestam dinheiro a outros e recebem de outros empréstimos. Todos os bancos aplicam algures os seus fundos e excedentes de liquidez. Ainda que acredite na transparência do sistema, sabemos que, em muitos casos, o dinheiro recebido é depois reaplicado ou canalizado para produtos de maior complexidade. De qualquer forma é minha convicção que os governos, os bancos centrais e as instituições financeiras saudáveis, em articulação uns com os outros, não deixarão de intervir e de pôr a funcionar os mecanismos de salvaguarda que evitem um aprofundamento dramático desta crise. É preciso confiança no mercado, mas ao mesmo tempo é necessária uma dose de serenidade, bom senso e sangue frio para analisar os problemas e aplicar as curas respectivas. Nem que o sistema financeiro mundial tenha que se reposicionar em relação às linhas de orientação estratégicas do passado. A maturidade do sistema assim o obriga.
Mas ao mesmo tempo que assistimos à falta de liquidez de alguns dos bancos europeus e americanos, ao clima de algum pessimismo, depressão e “cinzentismo” vivido nos mercados ocidentais, podemos olhar para o sistema financeiro angolano com outras lentes e observar a dinâmica de crescimento, o brilho da confiança e a robustez da intervenção das instituições financeiras deste país. Por lá podemos observar que se respira confiança e ânimo. Os bancos com um bom nível de liquidez (a taxa de poupança em Angola muito perto dos 50% - valor estimado para 2008) que permitirá potencialmente financiar os investimentos há muito esperados. Os excedentes comerciais positivos que representarão este ano, pensa-se, cerca de 20% do PIB, com a consequente acumulação de reservas líquidas a atingir cerca de 20 mil milhões de USD em 2008, são razões de sobra para este optimismo. Os resultados das instituições bancárias angolanas e a dinâmica das mais recentes posições accionistas, dizem o resto sobre a alegria que se vive no sistema.
sábado, setembro 27, 2008
Precisam-se Mentes Brilhantes
“ O Produto Interno Bruto (PIB) irlandês registou uma quebra no segundo trimestre deste ano face ao anterior e pela segunda vez consecutiva, o que torna a Irlanda a primeira economia da Zona Euro a entrar em recessão técnica.
Primeiro-Ministro e Deus
Deus na figura humana de um Mestre surgiu diante de um aviador, que ficou encantado e intrigado por o Avião do Mestre não ter no vidro as marcas de centenas de insectos que morrem projectando-se contra o avião em pleno voo.
Europa a diferentes Estabilidades
Quando a Irlanda em referendo votou Não ao Tratado de Lisboa, sentiu-se que a União Europeia acabava de “dar mais um tiro no pé”, afastando-se da convergência que uma construção europeia obriga, e a que supostamente o Tratado de Lisboa iria ajudar.
2º Estaremos nós a fazer bem em ser tão obsessivos com o cumprimento do Pacto ?
3º Que custos teria o não cumprimento do Pacto ?
4º Que custos terá a França em prolongar os prazos para cumprimento do Pacto ?
5º Sendo inegável que o rigor e a disciplina orçamental devem pautar o comportamento dos diversos países da zona euro, como podem uns países ser tão severos consigo próprios enquanto outros procuram minorar tensões sociais não exigindo tantos sacrifícios às suas populações ?
De tudo isto, resulta que a Europa, a União Europeia, continua a ser uma Construção marcada por diferentes vontades, por diferentes velocidades e agora também, por diferentes estabilidades.
domingo, setembro 21, 2008
Energia das Ondas
Alguns ( ainda poucos ) pormenores podem ser lidos em
http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/a7dfe7c1f4706b1f8a3a8d.html
É mais um dos passos na aposta nas energias renováveis.
É certo que se trata apenas de mais um pequeno passo na redução da dependência das energias não renováveis. Mas parafraseando Madre Teresa de Calcutá, relembro que “ Tudo o que fazemos, são apenas gotas no oceano, mas se não o fizermos, essas gotas irão perder-se para sempre. “
Trata-se de uma aposta há muito falada e Portugal surge na dianteira deste projecto que, também por isso, será acompanhado com natural interesse.
Relança também a questão da importância das energias renováveis, que são geralmente aceites como uma aposta válida.
O que já não é tão pacífico é saber quais as energias renováveis é que são realmente vantajosas, atendendo a critérios que analisam o que se obtém em termos quantitativos, e quais os custos directos e indirectos da sua obtenção. É aqui que as coisas já não são tão pacíficas, pois muitos defendem que os custos são demasiados altos e não justificam a aposta nestas energias.
Por mim gostava de ter acesso a um estudo com alguma profundidade, que reflectisse em termos globais do planeta e em termos locais de cada região, o que realmente pode e deve ser feito a nível das diferentes energias renováveis, e que conduza a um aproveitamento salutar e equilibrado em termos mundiais, destas mesmas energias renováveis.
sexta-feira, setembro 19, 2008
Desperdiçar o Dom da Vida
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=109849
Suicídios aumentam nos jovens
Por Sónia Graça e Sónia Trigueirão
Jovens cada vez mais novos estão a pôr termo à vida. Esta semana, uma rapariga de 15 anos, que em Maio fora eleita ‘miss Norte’, deu um tiro na cabeça.
Nos últimos cinco anos, 220 jovens entre os 15 e os 24 anos suicidaram-se. Há jovens de idades entre os 10 e os 20 anos internados para evitar tentativas de suicídio
Tinha ganho, há dois meses, o título Miss Norte 2008, quando, a 13 de Maio, foi encontrada pela mãe morta no chão do seu quarto. Liliana, de 15 anos, acabara de desistir da vida com um tiro na cabeça.
Um mês antes, a 27 de Abril, Leandro, um jovem actor de 16 anos, suicidou-se numa linha de comboio em Ovar. À família, deixou apenas um bilhete: «Vou-me matar».
É o grupo etário destes adolescentes que mais está a preocupar os médicos. Segundo dados divulgados na semana passada, no Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, o fenómeno está a aumentar entre os jovens.
Em cinco anos (de 2002 a 2006), de acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, seis crianças, entre os cinco e os 14 anos, e 214 jovens, entre os 15 e os 24 anos, puseram termo à vida.
Fim de citação
Não tenho dúvidas em afirmar que um dos maiores tesouros de cada ser humano, quiçá de cada ser vivo, é a sua própria vida.
Fiquei completamente arrepiado ao ler esta notícia.
Se o suicídio de qualquer pessoa impressiona pela dimensão trágica que acarreta, o suicídio de jovens, que teriam uma longa vida pela frente, impressionam e chocam ainda mais.
Um dos riscos que enfermam as sociedades modernas, é o risco da indiferença.
Como podemos ficar indiferentes perante o crescente número de jovens que decidem colocar fim à sua própria vida ?
Todos temos altos e baixos na nossa vida. Seja por motivos financeiros, amorosos ou de saúde, todos nós já tivemos momentos da nossa vida em que tudo parecia estar contra nós e em que a vida pouco sentido fazia.
Mas resistimos e hoje aqui estamos, adultos e maduros e com vontade de dizer aos jovens e aos menos jovens, que vale a pena viver, vale a pena lutar, vale a pena sofrer. É preciso aprendermos e ensinarmos que a vida é composta de coisas boas e de coisas más.
É preciso que todos acreditemos que depois da tempestade vem a bonança. Temos de fortalecer o espírito dos nossos familiares, vizinhos, amigos, compatriotas, etc.
Podemos e devemos dizer a todos que nos rodeiam que os problemas podem ser ultrapassados, e quando uma limitação não for possível de todo de ser resolvida, isso será um sinal que teremos outros caminhos a seguir.
Existem sempre outros caminhos a seguir, e todos eles passam pela defesa da vida de cada um.
Crises e Investimentos
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=109826
pode-se ler que:
A crise financeira internacional está a afectar o plano de investimento em infra-estruturas do Governo. Os consórcios privados estão com dificuldade em conseguir dinheiro para projectos superiores a 20 mil milhões de euros e já avisaram que as propostas irão ficar mais caras.
Fim de citação
quinta-feira, setembro 18, 2008
Richard Wright (1943 – 2008) – Pigs won´t fly anymore

O artista, compositor e autor de peças que mudaram a história da música contemporânea como The great gig in the sky, Us and Them ou o lendário Shine on You Crazy Diamond. Homem gentil, educado e modesto na sua arte, segundo os amigos, que tocava trombone, guitarra, piano ou saxofone. O verdadeiro british gentleman.
Pela primeira vez presto homenagem escrita a quem partiu e que deixou um legado a milhões de fans, seguidores, apreciadores da sua arte ou outra coisa qualquer que lhe queiram chamar. É ir à net e ver os registos, vídeos e comentários sobre a sua morte.
Confesso que sou pouco dado a estas coisas de escrever sobre um efeito ainda emocional de algo que aconteceu e que nos marca. Mas não consigo desta vez ficar indiferente. Richard Wright brindou-me e brindou a milhões como eu, com momentos de absoluta magia, química musical e sonoridades transcendentais que nunca antes ouvira ou sentira. Tal como muitos foi o parceiro de horas boas finitas e horas más infinitas. Acompanhou-me e a muitos dos meus amigos, uns presentes e outros que também já partiram.
Contribuiu para tornar mais feliz a minha adolescência. Em momentos de alegria, criancices e coisas de gente madura. Esteve lá, todo o tempo. As suas sonoridades foram sempre uma inspiração e algumas vezes um rumo.
Sem ele a música como forma de cultura fica mais pobre. A humanidade fica mais pobre.
Shine on you Richard…thank you for all
quinta-feira, setembro 11, 2008
Euriboom
A taxa comercial voltou a aumentar esta quinta-feira, dos 5,175 para os 5,179%.
~
Actualmente a taxa de inflação da Zona Euro está muito acima dos 2% e as previsões apontam para que a mesma continue em níveis elevados.
domingo, setembro 07, 2008
MAMMA MIA
Era eu um menino quando os ABBA arrebataram o mundo com as suas canções, tornando-se um dos maiores fenómenos de popularidade a nível mundial.
quarta-feira, setembro 03, 2008
Diplomacia Económica Portuguesa - Uma Visão Estratégica
terça-feira, setembro 02, 2008
Caminhos
1ª Notícia
É desejável que Auto-Europa, EDP, PT, Martifer e as restantes maiores empresas nacionais tenham bons desempenhos.
domingo, agosto 31, 2008
Trabalho em equipa
A criação deste cargo já designado de “super-polícia”, terá certamente vantagens e desvantagens derivadas da concentração numa só pessoa, de um conjunto de poderes e obrigações bastante elevado.
sexta-feira, agosto 22, 2008
In ( Segurança )
quinta-feira, agosto 21, 2008
Sorrisos de Pequim
terça-feira, agosto 12, 2008
Lágrimas de Pequim
quinta-feira, agosto 07, 2008
A Gosto
Restaurantes, Lojas, Cafés e muitos serviços encerram neste mês, proporcionando aos seus donos e empregados um merecido repouso.
quarta-feira, julho 30, 2008
Uma nova Revolução – Uma nova Era


Quanto ao Ponto 9 do referido documento onde se fala do Ressurgir da Rússia e Índia em virtude da sua evolução tecnológica, económica e social “a uma velocidade estonteante” devo dizer que a Rússia foi já no século passado uma potência importante (uma das duas potências lembram-se?) a qual se afunda depois da queda do muro de Berlim e após a manutenção de uma desastrosa política económica, centralista e obsoleta que levou ao descalabro da sua sociedade e tecido empresarial. A Rússia surge hoje dos escombros, refeita e mais enérgica do que antes como um poderoso interventor no quadro da globalização. E isto só pode ser bom.
Já no caso da Índia, que bom seria se a Europa dominasse o inglês, a matemática, a física ou as ciências da computação como os indianos. Que bom seria ver um país como Portugal a vencer os valores como a dedicação, a disciplina, o espírito de sacrifício e a vontade de aprender, de correr atrás do conhecimento. Ainda que seja um país do terceiro mundo onde se observam as maiores disparidades e uma pobreza desmesurada, começa a despontar uma nova Índia cujos intérpretes têm trazido ao mundo novos conhecimentos, inteligência e conhecimentos científicos.
Neste ponto, refiro que aquilo que já disse: As sociedades actuais revelam, em termos globais, uma grande capacidade de ajustamento e de integração de novas realidades. Terão certamente capacidade de se ajustar a um novo paradigma económico (sempre o fizeram antes) no qual teremos que passar a contar com estes novos parceiros.
Quanto ao Ponto 7 do referido texto no qual o autor fala de uma China ao assalto, temo que este termo seja absolutamente verdadeiro e assustador. Mas… porque revela este novo paradigma de que falo. Não será assustador pela ameaça que nos traz mas antes pelas oportunidades que provocará e na necessidade de termos de mudar todos os paradigmas até então adoptados.
Se as indústrias naval e automóvel chinesas são uma ameaça para o mundo ocidental, então o mundo ocidental terá que se virar e descobrir outros caminhos e contornar o problema. Não aconteceu o mesmo com os americanos com a ameaça japonesa no sector automóvel nos anos 80? Alguém se lembra do proteccionismo americano (e do medo) face ao Japão? No sector automóvel e nas novas tecnologias por exemplo? E alguém hoje se lembra disso?
Não acredito que a Europa não tenha capacidade de defesa em sectores como estas indústrias às quais se junta a têxtil. Terá sim mas através da adopção de outras estratégias mas eficientes e competitivas. A Europa necessita da China mas a China necessita igualmente da Europa. Como é que esta alimenta a fome consumista que tolhe uma classe média de mais de 300 milhões de habitantes?
A China trazer-nos á capitais, força de trabalho, muitos produtos, mas também território e oportunidades infindáveis no futuro. É tudo uma questão de (boa) negociação.
Além do mais acredito que, no caso hipotético de se confirmar o cenário apresentado pelo autor, os países não se exporiam a uma ameaça de desemprego colossal sem antes adoptar uma política proteccionista, de segregação da China ...se tivesse que ser... para não colocar os seus concidadãos na miséria e no desemprego. Estão a ver a Europa a aceitar isso? Alguém daria pela certa um pontapé à China para fora da OMC. Negociar-se-iam novas cláusula de salvaguarda. Além disso nem toda a gente gosta de carros chineses…
Some food for Thought…
domingo, julho 27, 2008
Grão a Grão enche a galinha o papo
quinta-feira, julho 17, 2008
Rendimento menos Consumo = Poupança ?
1º Facto - Os portugueses precisam de poupar mais para limitarem o défice externo português, alerta hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O alerta foi deixado pelos especialistas do FMI nas conclusões preliminares do relatório sobre Portugal, elaborado no âmbito do artigo IV e que hoje foram divulgadas.
"A acumulação de desequilíbrios externos não pode continuar indefinidamente", diz o FMI.
"Resolver este problema exige que todos os sectores da economia ajustem e poupem mais", acrescenta o Fundo.
http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_digital/news.asp?section_id=1&id_news=101896
domingo, julho 13, 2008
Proliferação de armas ilegais e insegurança
Parece que só uma força dessa natureza consegue desmotivar os grupos rivais.
Sinais da crise internacional, os fluxos de Emigração e Africa
De acordo com a BCC, 45% das empresas espera um decréscimo de encomendas superou. Este número supera, pela primeira desde 1990, o universo daquelas que projectam aumento de pedidos.
terça-feira, julho 08, 2008
O Estado da Nação

Ao mesmo tempo surge a notícia de que só no primeiro semestre o nº de empresas que abriu falência duplicou face a igual período do ano anterior, tendo sido decretadas 50 mil falências de empresas só em 2008.
Tudo isto ao mesmo tempo em que se discute o TGV, Alcochete, as SCUT´s ou a terceira travessia sobre o Tejo. As obras em carteira, somando plataformas logísticas e novos Km de auto-estradas somam cerca de 50 mil milhões de € de investimento.
Aqui ao lado vemos uma Espanha a definhar em termos de crescimento económico, com um aumento do nível de desemprego, a crise imobiliária e a de falta de liquidez dos seus bancos. Dizem-nos que só crescendo mais do que a Espanha, nosso principal parceiro comercial, Portugal conseguirá ir-se aproximando da média do nível de vida e competitividade da UE.
Entretanto o mundo vai padecendo de algumas crises e enferma de doenças difíceis de curar: é a crise financeira nascida nos EUA através do crédito sub-prime, transformada em crise de liquidez acentuada uma vez que expôs inúmeros bancos por esse mundo fora; é a subida dos combustíveis alimentada por vários factores entre os quais o crescimento registado no consumo (China, Índia e Brasil) e alimentado pelas tensões no oriente médio; é a crise alimentar surgida com a subida o preço dos cereais e restantes commodities que encarecem de sobremaneira o custo de vida e a sustentabilidade alimentar de muitos povos (com o consequente impacto em muitas famílias portuguesas); é o crescimento do custo do crédito hipotecário (em especial à habitação) que coloca em muitas famílias uma espada sobre as suas cabeças; é a verdadeira inflação sentida nos preços dos bens alimentares, esta, creio, não se confinando aos números que nos são apresentados na casa dos 2,5 % mas muito acima disto.
Importa pois perceber e saber para onde queremos ir, como iremos, com que objectivos, qual a nossa missão, como sairemos e nos defendemos destes ataques cerrados que nos surgem de todo o lado. Importa sair deste atavismo lusitano, como ouvi recentemente no seio do maior Think Tank português (a rádio TSF), lutar por um país que vale a pena, ajudar a reconstruir, participar e intervir.
Portugal precisa de um rumo, de uma missão. Como nos queremos apresentar? Com que factores distintivos? É esta sociedade sustentável tal qual a estamos a conduzir? Como combateremos o afastamento que nos vai puxando para baixo? Queremos exigir mais dos políticos e do país? De que forma devemos actuar?
Estas são reflexões que mais do que nunca é obrigatório fazer. Sair do sofá. Participar e expressar posições, denunciar e não assobiar. Inscrevermo-nos, pois este tem sido o país da não inscrição.
Há que ajudar a procurar novos rumos e expressar como queremos ver o país na próxima geração, aquela que há-de ser a dos nossos filhos. Como diz o Presidente, não nos resignar-mos, nunca nos resignar-mos. Até porque parece tempos mais difíceis se aproximam.
Hoje a SEDES apresentará às 21h 30m no auditório da livraria Byblos o seu último documento sobre o Estado da Nação. Diz a SEDES que o governo, que desenvolveu nos últimos 3 anos “vários esforços de estabilização orçamental e várias reformas que exigiram coragem politica, começa agora a recuar, por exemplo com a recente descida de impostos e ao decretar o fim da crise orçamental” procura agora governar para as eleições.
A discussão politica está lançada, quem se mostrar interessado que participe ou acompanhe. Será interessante poder estar presente logo à noite.
Como em tempo de guerra não se limpam armas e como não temos munições para todas as armas, diria que é necessário recentrar a discussão à volta dos grandes investimentos públicos previstos. Ainda que parte dos fundos venham da Europa e do sector privado. Alcochete será sempre importante, estratégico para o desenvolvimento urbano e para o turismo. Portos, fundamentais. Leixões, Lisboa e Sines. Necessitamos de 3 grandes, funcionais e estratégicos Portos (atente-se à nossa posição geográfica).O comércio marítimo será cada vez mais importante. Excelente aposta na energia eólica e na hídrica (esta através dos investimentos programados em mini-hidricas e barragens de maior escala – a água será a preocupação que se segue muito em breve).
segunda-feira, julho 07, 2008
Aprendendo com os verdadeiros especialistas
Volta este tema a ser notícia agora a propósito do início de mais uma reunião do G8, alargada a membros convidados
Ambos haviam participado antes numa reunião com os líderes do G8 e oito chefes de Estado ou governo africanos.
O presidente do Banco Mundial afirmou que a actual crise é uma oportunidade para que o mundo consiga alcançar um caminho de desenvolvimento a longo prazo, mas que para isso é necessário um comprometimento dos países ricos em mais investimentos.
Nota: Fim das frases retiradas do link acima indicado.
Que sorte terão então milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza ?
Pois bem nada melhor do que exemplos concretos.
sábado, julho 05, 2008
Actores e Espectadores
Destruir ou nada fazer sempre foi mais fácil que construir. Qualquer projecto de carácter desportivo, cultural, social ou económico, encontra tantos obstáculos que é natural os seus promotores sentirem algum desânimo.
Esta alteração à lei vai permitir incluir nos cadernos eleitorais mais de 300 mil jovens dos 18 aos 24 anos que não estão recenseados.
O recenseamento eleitoral em Portugal é obrigatório, a partir dos 18 anos havendo porém, jovens que não fazem a sua inscrição.
José Magalhães sublinhou que a lei permitirá «incluir nos cadernos eleitorais mais de 300.600 jovens entre os 18 e os 24 anos que figurando na base de dados de identificação civil, não estão hoje recenseados».
A proposta, aprovada a 05 de Junho em Conselho de Ministros, evita que os cidadãos se desloquem às juntas de freguesia para fazer o recenseamento, está integrada no programa SIMPLEX, e será desenvolvida a partir da base de dados do Cartão do Cidadão.
A lei visa também garantir, através de um Sistema de Informação e Gestão do Recenseamento Eleitoral (SIGRE), «mecanismos de actualização permanente» para que o recenseamento «corresponda tendencialmente ao universo eleitoral».
quarta-feira, julho 02, 2008
Sabor, Doce ou Amargo ?
http://www.edp.pt/EDPI/Internet/PT/Group/Media/EDPNews/2007/Baixo_Sabor.htm
segunda-feira, junho 30, 2008
A vida depois do Euro 2008
sábado, junho 28, 2008
Reféns da Informática
http://www.rvr.pt/netimages/file/L_26_A_2008.pdf
Entre a notícia dada da intenção da redução do Iva divulgada no final do passado mês de Maio e a aprovação agora alcançada da Lei 26-A/2008, decorreu pouco mais de um mês. E a Lei agora publicada no dia 27 de Junho, entra em vigor 4 dias depois, ou seja já no próximo dia 01 de Julho de 2008.
Sendo o tecido empresarial constituído na quase totalidade por pequenas, médias e micro-empresas, estando quase todas elas dependentes de empresas de venda e assistência de software informático, não será difícil de imaginar um período inicial de muitas dificuldades de implementação da Lei.
A maior dificuldade deriva do facto de os programas de facturação se terem tornado cada vez mais complexos e não ser uma simples rotina proceder à actualização de 21 para 20% da taxa de Iva nos documentos de stocks, de compras e vendas.
Muitas empresas de software informático já disponibilizaram utilitários que permitem aos seus clientes a conversão automática desta taxa. Mas como não há bela sem senão, esses utilitários não são de implementação fácil por leigos, obrigando à intervenção dos técnicos informáticos. Não mencionando aqui o contra-senso de uma medida de baixa de Iva constituir uma imediata despesa adicional de implementação de actualizações informáticas, ficam contudo dezenas de milhares de empresas reféns da disponibilidade humana dos técnicos das empresas informáticas em se deslocarem às instalações das empresas para se conseguir a implementação desta actualização.
Fica então a sugestão de que medidas desta natureza, talvez necessitassem de um período ligeiramente superior para a sua implementação.
Bill Gates e o Mundo / Microsfot e Valores Portugueses
O criador do império Microsoft, Bill Gates, retirou-se esta sexta-feira da companhia que o converteu num dos homens mais ricos do mundo, num momento de incerteza para o gigante informático, que vive tempos agitados.
terça-feira, junho 17, 2008
ESPANHA: Sem bons ventos mas (alguns) bons casamentos

Sendo verdade que mais de 28% das exportações portuguesas se destinam ao país vizinho, sendo estas o factor essencial de arranque da nossa economia e do crescimento económico (ainda que débil) que se tem registado, devemos pois olhar com atenção e alguma preocupação para o que aqui se passa ao lado.
Por outro lado importamos de igual forma e por valores acima de 30% do total do nosso parceiro Espanha. É por isso o nosso principal parceiro comercial. E se este se constipa, aparece-nos febre.
Em recente conversa com alguém do mesmo ramo económico e profissional do que o meu, pude constatar idêntica preocupação vivida directamente pela relação directa havida com Espanha por parte deste meu interlocutor. Tenho inclusivamente o registo de alguns testemunhos de que os bancos em Espanha passam por algumas dificuldades de liquidez, fruto quer da crise financeira instalada mas também pela desaceleração e abrandamento da economia do país vizinho.
Imaginemos o que será Espanha a fechar-se sobre si mesma, reduzindo as importações e as compras às empresas portuguesas! Como se reflectirá isto nas nossas empresas e no nosso crescimento económico, este, como já disse, suportado na dinâmica das exportações.
Uma conclusão a que poderemos chegar, entre muitas outras, poderá ser a tentativa das empresas espanholas, mais fortes e musculadas, à procura de mercados alternativos à crise interna, se lançará sobre o mercado nacional, batendo as nossas de menor escala. Poderá ser assim no sector da construção. De facto foi no sector imobiliário que surgiram os primeiros sinais de abrandamento e da crise espanhola. Esta não existe, é apenas aparente, mas pode ser real.
sexta-feira, junho 13, 2008
Dia Não
Este acontecimento merece múltiplas abordagens. Tentarei aqui focar algumas.
A Europa quer ( e precisa de ) andar para a frente. No entanto o consenso entre os europeus não está fácil de alcançar. Impressiono-me com o poder do não irlandês. Um projecto tão abrangente e com implicações em centenas de milhões de europeus pode, pelos vistos, ser posto em causa por uma minoria de pouco mais de 3 Milhões de eleitores. Aqui está mais um ponto interessante pois desses 3 Milhões de eleitores apenas cerca de 40% votaram. Como é que uma votação democrática, que nem tem 50% dos votantes pode ter uma força tão grande ? São as virtudes da democracia.
Por outro lado é super interessante ler o que pensaram e disseram muitos Irlandeses a propósito do referendo ao Tratado de Lisboa.
"Ninguém me explicou do que se trata, para que eu, o comum dos mortais, possa perceber o que é o tratado", diz Jason Hills, que acabou por votar contra naquele que é o único referendo em 27 Estados membros da União Europeia.”
“Na mesma linha, Maria Duggan, que tentou ler o documento, brinca, à porta da assembleia de voto, que "eles lá em Bruxelas devem ter um tradutor de japonês muito mau, aquela coisa é impossível de ler!".
Quando se fala da construção europeia, falamos da construção da nossa Europa, local onde todos os cidadãos-membros da União Europeia residem e trabalham. No entanto, atendendo a estas 2 representativas opiniões, ficamos mais uma vez com a opinião de que há mesmo 2 Europas: a nossa Europa e a Europa deles. A Europa deles aqui é entendida como a Europa dos políticos europeus que devem de uma vez por todas tentar explicar aos seus povos, o que andam a fazer. Se pode ser mau haver um não ao tratado de Lisboa, haver um não porque não foi explicado aos eleitores o que é o tratado, parece-me mau demais.
Com maior ou menor ignorância, a verdade é que o não vingou.
O Presidente da Comissão Europeia Durão Barroso, antecipou-se e fez uma declaração em Bruxelas dizendo que o chumbo irlandês é um resultado que deve ser assumido por todos os países membros da união e não apenas pela Irlanda.
«Este voto não deve ser encarado como um voto contra a União Europeia», sublinhou Durão barroso. «Acredito que a Irlanda continua empenhada em construir uma Europa forte e em ter um papel activo na UE».