Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

domingo, maio 31, 2009

Impressionante capacidade de poluir

Mais de 180 voluntários estiveram ontem na Praia dos Pescadores, na Baía de Cascais, numa operação de limpeza subaquática de resíduos no âmbito do Projectmar.
A iniciativa foi promovida pela escola de mergulho Divetek em parceria com a Sociedade Ponto Verde (SPV).

Ao todo foram retiradas do fundo do mar mais de quatro mil toneladas de resíduos, saldando-se esta operação numa das maiores iniciativas do género em Portugal e rara na Europa.
Todos os resíduos removidos vão ser agora encaminhados para valorização através da SPV, entidade responsável pela gestão de resíduos de embalagens em Portugal e parceira no projecto.
"Entre os resíduos recolhidos com o apoio da grua presente no local contam-se embalagens de plástico, metal, vidro e madeira e, entre os de maior porte, carrinhos de supermercados, tubagens, material de pesca e pneus. Todos estes resíduos vão ser encaminhados para valorização através da SPV" afirma Luís Veiga Martins Director-Geral da Sociedade Ponto Verde.
Registo com agrado esta iniciativa. Para contrabalançar a nossa impressionante capacidade de poluir só iniciativas deste género poderão dar uma forte ajuda.
É também um sinal que existem projectos e acções concretas para defesa e protecção do nosso ambiente. A ideia de fazer do mar um dos nossos caixotes de lixo, tem de ser erradicada.
O mundo vive num cenário de diminuição de recursos naturais por explorar e Portugal tem no Mar, um dos seus mais valiosos recursos.
Ouvi falar de um projecto que pretende reclamar para Portugal uma vasta extensão de território marítimo, ou seja, este Oceano aqui tão perto de nós, tem nas suas profundezas muito potencial a explorar. Caso alguém saiba mais sobre este projecto agradeço que partilhem essas notícias. Eu próprio irei tentar aprofundar-me mais sobre este tema, pois o Mar merece todo o nosso respeito.
No passado foi através dos Mares que nos demos a conhecer ao mundo. No presente e no futuro, muito podemos ainda aprender e aproveitar com o Mar.

domingo, maio 24, 2009

Os Homens do Leme

No link
http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1242665
podemos ler a seguinte notícia da Agência Lusa
Robert Zoellick-Presidente do Banco Mundial prevê crise por muito tempo
O presidente do Banco Mundial considerou, numa entrevista hoje publicada em Espanha, que a crise mundial poderá resultar numa «grave crise humana e social», se não foram tomadas a tempo medidas adequadas.
«Se não tomarmos medidas, existe o risco de se chegar a uma grave crise humana e social, com implicações políticas muito importantes. As medidas de relançamento podem ser determinantes», declarou Robert Zoellick ao jornal espanhol El Pais.
«O que começou como uma grande crise financeira e se tornou numa profunda crise económica, deriva actualmente para uma crise de desemprego», sublinhou.
«Se criarmos infra-estruturas que empreguem pessoas, isso pode ser um meio de associar estes desafios a curto prazo com estratégicos a longo prazo», acrescentou Zoellick.
O presidente do Banco Mundial afirmou que dado «este contexto, ninguém sabe verdadeiramente o que se vai passar e o melhor é estar pronto para qualquer imprevisto».
«Existe aquilo que chamo o 'factor x' e que nunca vemos chegar, como a gripe» A (H1N1), acrescentou, alertanto também para outras «zonas de sombra»: «os perigos ligadosao proteccionismo e à dívida privada no mundo emergente, apesar das ajudas do FMI» (Fundo Monetário Internacional).
O presidente do Banco Mundial sublinhou que a recuperação económica tardará a chegar e quando ocorrer será de "baixa intensidade durante muito tempo" porque a indústria não tem escoamento e o desemprego vai continuar a crescer.
Zoellick considerou pouco provável que se repita uma depressão como a dos anos 30, embora "se acontecesse, seria terrível", com alto custo social, sobretudo nos países em desenvolvimento.
Por outro lado, disse que o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, com quem se reuniu esta semana em Madrid, é "optimista por natureza" por acreditar que a recuperação "pode chegar antes do que se pensa".
Fim da transcrição da notícia.
Na qualidade de simples cidadão português, europeu e mundial não posso deixar de ficar preocupado com as ambiguidades deste excerto de discurso do presidente do Banco Mundial, devendo a preocupação aos seguintes factores:
1. “ …crise mundial poderá resultar numa «grave crise humana e social», se não foram tomadas a tempo medidas adequadas.” Perante esta afirmação de Robert Zoellick, pergunto eu: que medidas devem ser então tomadas, qual o tempo em que devem ser tomadas e por quem devem ser tomadas ?
2. “… dado este contexto, ninguém sabe verdadeiramente o que se vai passar e o melhor é estar pronto para qualquer imprevisto”. Aqui parece-me mais um exercício ambíguo e difícil, como é que podemos estar preparados para qualquer imprevisto se estamos constantemente a ser surpreendidos pelos efeitos em cadeia da crise financeira ?
3. Mais um dado ambíguo: “ Existe aquilo que chamo o 'factor x' e que nunca vemos chegar, como a gripe» A (H1N1), acrescentou, alertando também para outras «zonas de sombra»: «os perigos ligados ao proteccionismo e à dívida privada no mundo emergente, apesar das ajudas do FMI» (Fundo Monetário Internacional)” . O que me parece sinceramente é que estamos a “navegar” por demasiadas zonas de sombra. É tempo de começarmos a ter algumas certezas. Como é que podemos pedir a colaboração de todos na luta contra a crise se estamos dominados por tantas sombras e incertezas ?
4. “ O presidente do Banco Mundial sublinhou que a recuperação económica tardará a chegar e quando ocorrer será de "baixa intensidade durante muito tempo" porque a indústria não tem escoamento e o desemprego vai continuar a crescer.” Esta afirmação então é demais. Todos estamos numa lenta agonia à espera da retoma económica. Agora surge-nos o presidente do Banco Mundial a dizer que tardará ( ou seja não faz ideia de quando ocorrerá ) e quando finalmente chegar será de baixa intensidade durante muito tempo, que também não fazemos nenhuma ideia do que isso quererá dizer. Aqui a questão principal é saber qual o cenário actual, de curto e médio prazo com base nas quais estamos a definir as nossas estratégias de luta contra a crise. Os cenários que traçamos têm a validade de 1 ano, 2 anos , 10 anos ? Não faço a mínima ideia, mas eu que até nem sei nadar, estou a ter muita dificuldade em “navegar” nesta maré de incertezas.
5. “Zoellick considerou pouco provável que se repita uma depressão como a dos anos 30, embora "se acontecesse, seria terrível", com alto custo social, sobretudo nos países em desenvolvimento.” Mais uma no cravo e outra na ferradura o que me deixa ainda mais nervoso e intranquilo.
Peço desculpas por num texto tão pequeno, duplicar tantas partes. O que pretendi transmitir é que os cidadãos estão prontos para dar o seu contributo e no dia-a-dia vão dando o seu melhor.
Agora o que deve também acontecer é os detentores de cargos de maior responsabilidade a nível nacional , europeu ou mundial, não se deixarem dominar por discursos totalmente ambíguos e nada esclarecedores.
Está na hora de os homens do leme assumirem posições claras. Caso não saibam o que fazer, em vez de teimosamente ficarem agarrados ao poder, talvez seja melhor saírem de cena e darem lugar a outros que estejam e sejam mais esclarecidos.

sexta-feira, maio 15, 2009

OS PÁSSAROS

 Sair de Lisboa, ou de uma outra cidade , mais ou menos agitada e poluída, e passar uns dias no campo, é uma forma de retemperar o corpo e a mente. Assim o fizemos e rumamos ao Alentejo.

Mas, para além das nossas expectativas, de contemplar o horizonte da planície alentejana, ouvir o sossego dos sons da natureza, desde o cacarejar das galinhas e do canto dos galos, passando pelo balir das ovelhas até ao chilrear dos pássaros, o que, por si só, já justificava a nossa demanda, ainda fomos aprender como se reage a situações adversas, o significado de persistência e o que realmente é o trabalho de grupo.

Pois é, fomos aprender, não ouvindo dissertações académicas de doutores e teóricos em estratégias e tácticas que nunca vivenciaram, mas tão simplesmente observando na prática o comportamento de alguns pássaros. Como? Passamos a expor : na casa onde ficamos, deixada por uns avós, simples casa térrea num dos vários montes alentejanos, junto a Almodôvar, e por nós recuperada, existe um alpendre, cujas telhas estão a descoberto, suportadas por pequenas vigas de cimento e que apresentam alguns espaços abertos, que os pardais, de há uns tempos a esta parte, têm vindo a aproveitar para aí construírem os seus ninhos. Cansados da sujidade que os referidos pássaros diariamente fazem, resolvemos este ano, antes de fazerem os ninhos, porque aí já não teríamos coragem de os destruir, tapar os espaços abertos com pedaços de esferovite, até porque a primavera espreita e já se nota o bulício dos pássaros em busca de locais de nidificação.

Porém, um dia destes, quando nos levantamos e abrimos a porta para o alpendre, deparámos com 2 pássaros fugindo e, com espanto nosso, tinham retirado “à bicada” esferovite desenhando uma abertura para passarem, obtendo, deste modo, uma confortável casa com isolamento térmico e acústico. Mas como é possível manterem-se no ar se não são colibris e não têm o bico comprido? Desconfiados voltamos a tapar os espaços com esferovite mais volumosa como forma de resolver de vez a situação: Mas, no dia seguinte, a cena repete-se, constatando que já eram cerca de 4 ou 5 pássaros a esvoaçarem quando abrimos a porta. Isto já nos parecia trabalho de grupo e, como tal, para grandes males ... grandes remédios. Desta feita tapámos com pedras e assim ficaria o assunto resolvido de vez.

No dia seguinte, abrimos a porta e já só fugiram 2 pássaros e nada tinha acontecido. Pensámos ... finalmente estão convencidos de que perderam a causa.

Qual não é o nosso espanto quando, no dia seguinte, ao abrir a porta, deparámos com mais de meia dúzia de pardais a esvoaçarem e no chão jazia inerte uma das pedras que tínhamos enfiado dentro do buraco junto às telhas ... quase não acreditávamos.

Perante os factos, decidimos deixar em aberto um espaço para recompensar o esforço, a persistência e sobretudo o trabalho de equipa, pois, em poucos dias, entenderam que só com o esforço concentrado de todos, em torno de um objectivo comum é possível superar as adversidades.

Ainda bem para eles, que não são como nós (salvo raras e honrosas excepções, a que eu gostaria de pertencer) que nos preocupamos mais com dividir para reinar, olhamos mais para os nossos umbigos e somos mais egocêntricos do que sociais, faltando-nos espírito e coesão de grupo.

De facto o que temos e nos confunde são objectivos comuns, em que procuramos atingir não o bem estar global mas o nosso próprio bem estar, pensando que  estamos assim a trabalhar para a sociedade, só que o nosso conceito de sociedade assenta na definição de que esta é “eu e os outros ... e não nós”.

Era bom uma mudança de atitudes, a começar pelos nossos políticos, já que temos de começar por algum lado, que seja por aqueles que têm ... ou deviam ter, a responsabilidade de observar os pássaros e entender, de uma vez por todas,  o que é governar/trabalhar para o bem comum e não para si próprios!

domingo, maio 03, 2009

Investimento, Desenvolvimento e segurança


Tem sido um tema recorrente no país retomar a polémica gerada quanto ao custo-benefício do investimento em grandes obras públicas. Para uns, o investimento no betão é um desperdício pois estamos perante aquilo que se designa por um bem não transaccionável. Para outros é sinónimo de desenvolvimento e maior competitividade para o país.

Sem pretender alongar muito a discussão diria que tenho sido cauteloso nas minhas posições. Nos actuais tempos de crise o país tem que ser muito criterioso no gasto/investimento do dinheiro público e gerir segundo critérios de prioridade, começando pela resolução dos problemas de natureza social (riscos com a elevada taxa de desemprego).

O tempo exige pois uma prioritização e re-calendarização das decisões de investimento desta natureza. Viajo diversas vezes Lisboa/Porto e vice-versa em Alfa Pendular e digo que não temos necessidade de investir milhares de milhões de euros neste trajecto para TGV quando aquele comboio cumpre o trajecto em 2 horas e 45 minutos com o maior do conforto. Já a importância futura entre Lisboa e Madrid se me apresenta como merecendo maior reflexão. Digo maior reflexão, não decisão e investimento imediato.

E agora vou ao tema que aqui me trouxe. Portugal tem investido muito em novas auto-estradas e vias rápidas secundárias. É um facto que a malha rodoviária nacional é hoje das mais desenvolvidas da Europa. Trouxe-nos isto vantagens apara a nossa qualidade de vida? É inquestionável que sim. Os fundos investidos foram os apropriados? Talvez, não sei. O que é facto é que hoje é possível (por esta razão - não abordo aqui outras) deslocalizar qualquer actividade e cobrir o país de lés a lés com rapidez e conforto. E saberemos nós em concreto o que o investimento nesta malha rodoviária nos trouxe de mais positivo? Talvez não saibamos. Aqui ficam alguns dados.

Em 1995 Portugal estava na cauda da Europa quanto ao nº de acidentes na estrada e mortes na rodovia (Autoridade Nacional para a Segurança Rodoviária).

De 1989 a 2008 a evolução em alguns indicadores foi a seguinte:

O crescimento dos veículos em circulação –> 200%
O crescimento no consumo de combustíveis –> 112%
O decréscimo dos acidentes com vitimas –> 23%
O decréscimo em vítimas mortais –> 67%
O decréscimo em feridos graves –> 79%

De 1991 a 2007 Portugal aproximou-se do nº médio de vitimas mortais em acidentes rodoviários na UE quando em 1995 essa diferença era negativa em 105% e ainda em 2005 o era em 30%.

Entre 1997 e 2006 Portugal, juntamente com a Letónia e Estónia, foram os países que registaram maior decréscimo no nº de mortos por acidentes com veículos de 2 rodas a motor.

Nesse mesmo período Portugal esteve no grupo dos 4 países (juntamente com a Suíça, Eslovénia e Holanda) que mais reduziram o nº de mortes em acidentes na auto-estrada.

Portugal foi dos poucos países (juntamente com a França e Irlanda) que obteve uma taxa média de redução da mortalidade das crianças em quase 15%.

Entre 2001 e 2008 o país esteve entre os 3 primeiros com os melhores resultados na redução do nº de vitimas mortais por milhão de habitantes (Luxemburgo – 50%, França - 49% e Portugal - 47%).

Estes resultados são a causa directa da melhoria dos investimentos nas vias rodoviárias do país. Não sejamos ingénuos ao ponto de pensar que resultaram de alterações comportamentais profundas. Necessários e indispensáveis para este progresso. Agora há que medir e analisar opções quando o dinheiro não dá para tudo.

segunda-feira, abril 27, 2009

Todo o Alentejo deste mundo

“ A maior feira agrícola que anualmente se realiza em Portugal atingiu a maioridade. De 29 de Abril a 3 de Maio, a 26ª edição da OVIBEJA – que elege a cultura do olival e a produção do azeite como temática central – mantém-se fiel às suas linhas fundadoras.

Alia a tradição ao desenvolvimento, associa os saberes populares às mais arrojadas inovações tecnológicas, alia as culturas antigas à produção de riqueza e de bem-estar para as novas gerações.
Considerado o maior evento cultural, político, económico e social do interior do país, a OVIBEJA continua a congregar “Todo o Alentejo Deste Mundo”. “
Eu pretendo ir à Ovibeja. Nunca fui, e gostava de conhecer. Digo bem, gostava pois a parte mais complicada é mesmo encontrar alojamento.
No site da feira www.ovibeja.com de onde retirei a introdução deste post, aparecem uma lista enorme de possíveis soluções de alojamento. Ao fim de meia dúzia de telefonemas resolvi desistir pois a resposta è a mesma: está tudo esgotado há pelo menos 2 semanas.
Talvez não seja ainda desta que consiga ir à Ovibeja mas fico contente por continuar a ver que certames desta natureza têm tanto êxito. É um sinal de dinamismo dado por uma cidade interior do país e de um Alentejo que tem tanto para nos oferecer.
As feiras têm sido uma grande resposta de muitas regiões do nosso país. De norte a Sul vemos os diferentes municípios a apoiar feiras de actividades económicas, sendo uma excelente montra de produtos regionais.
Como atractivos adicionais, temos nestas feiras muitos espectáculos culturais, incluindo espectáculos musicais, dança e teatro.
São feiras que aglutinam as gentes das redondezas do local onde se realizam, mas que atraem muitos visitantes de paragens mais distantes.
Certamente que os visitantes deste blog conhecem inúmeras feiras de actividades económicas por todo o país. Caso não conheçam mas saibam de alguma, aproveitem para ir pois vão gostar de certeza.
O nosso país tem tanto para oferecer e nestes eventos ficamos a conhecer muito do Portugal real e actual; Sempre tradicional e no entanto cada vez mais inovador.

domingo, abril 26, 2009

“Assaltos” Legais

No ano passado comprei um Computador Portátil.
Como não tinha disponibilidade financeira para pagar a pronto, optei pela hipótese que a Loja me dava de comprar a crédito, em 12 prestações mensais e sem juros, tendo apenas de pagar, para além do preço do computador, as despesas do contrato.

Passado um ano e já com as prestações todas liquidadas, recebo um folheto promocional da Instituição Financeira que apoiou este crédito, com o título sugestivo “ Quer ficar mais leve ? “
Subjacente a esta mensagem estava a campanha de atribuição de crédito pessoal, até ao montante de 8000,00 Euros, “para usar como e onde quiser”.
Ficar mais leve, dinheiro fresco até 8000,00 Euros, para usar onde e como quiser, sem grandes burocracias e complicações, à primeira vista parece interessante.
Eu até quero comprar um carro usado e esta poderia ser uma solução.
Poderia digo bem, pois ao ver com mais atenção as condições deste financiamento, vejo que pedindo 1000,00 Euros, ficaria com uma prestação de 40,00 Euros/mês, por período de 38 meses e com a Taxa TAEG de… 25,01 % .
Pensei que estava a ler mal mas não, a Taxa de Juro Efectiva suportada no final do contrato seria de 25%.
Depois lembrei-me que sou cidadão da União Europeia e que deveria beneficiar da Estabilidade Economica e Financeira da Zona Euro, que se traduz entre outras coisas, em Taxas Euribor com valores bastante baixos.
Senão vejamos, consultando o link
http://www.euribor.org/html/content/euribor_data.html
vi que a Euribor a 12 meses começou por ser 3,025 % no inicio do ano ( Dia 02-01-2009 ), tendo descido para 1,774 % no Dia 14-04-2009, dia em que me enviaram esta proposta aliciante.
Fiquei confuso e pensando que se calhar não estou a viver na Europa e não pertenço à Comunidade Europeia.
Com uma Euribor a 1,8 %, porque é que eu tenho de pagar 25% de Juros ?
Não sou totalmente ingénuo e percebo que as Instituições Financeiras têm de ganhar dinheiro. Elas prestam um serviço e têm de ter uma remuneração do Capital que emprestam, adicionado do risco que incorrem em emprestar esse mesmo capital.
Mas passar de uma Euribor de 1,8% para um Juro a pagar de 25% parece-me naturalmente um enorme exagero.
Preocupa-me ainda mais o facto de as vítimas destes “assaltos” legais, serem os consumidores mais pobres.
Um consumidor rico, por natureza não necessita de pedir um crédito de 1000,00 Euros. E caso necessite, certamente recorrerá ao seu banco que nunca lhe apresentará uma taxa de juro abusiva de 25%.
São mais uma vez os consumidores pobres a ter de ficar ainda mais pobres e a ter de pagar 250,00 Euros de Juros por um empréstimo de 1000,00 Euros.
É preciso dinamizar o consumo, mas desta forma, apenas parte do dinheiro vai pagar o consumo. Outra parte significativa vai para as Instituições Financeiras, que têm obviamente de apresentar lucros, mas poderiam ter uma consideração mais elevada pelos seus clientes.

sexta-feira, abril 24, 2009

África às Quintas apresenta sessões de cinema Africano

“O Herói” do realizador angolano, Zezé Gamboa é apresentado no dia 30 de Abril pelas 18h30 no Auditório B 104, edifício II, ISCTE ( Lisboa ) no âmbito do ciclo de animação “África às Quintas”.
Vencedor do prémio para melhor filme dramático estrangeiro no Festival Sundance, nos EUA em 2008, o filme retrata a história de Vitório, um soldado de 35 anos que regressa a Luanda mutilado pela explosão de uma mina, protagonizado pelo actor senegalês, Oumar Makena Diop.
Interessante esta proposta, “ Africa às Quintas “.
Volto a pegar nas palavras de Angelo Correia quando aqui há uns anos atrás disse a propósito de eventuais negócios com os Países Ricos dos Sheiks, que não basta pensarmos apenas na vertente técnica dos negócios.
Temos também de ter em mente que os negócios se fazem entre pessoas, nestes casos entre pessoas de diferentes culturas. Numa troca internacional há troca de valores monetários mas elas correm ainda melhor quando há proximidade cultural no sentido de que sabemos entender a cultura do povo com o qual estamos a estabelecer relações comerciais.
Africa está a ficar na moda. Não sou eu que o digo, são os milhares de Portugueses que vêem neste Continente, oportunidades que já não encontram no “Velho Continente”.
Também por isso se tornam interessantes as iniciativas que nos falem desse distante mas próximo continente. Ele está aqui mesmo ao nosso lado, mas viveu distante muito tempo, pois o longe e a distância dependem muito dos nossos olhos.
Aproveitem para visitar esta iniciativa do Africa às Quintas.
Certamente ficarão a conhecer um pouco mais da cultura e história de Povos que já sofreram muito, mas mantêm a esperança de um futuro melhor, futuro para o qual contam com a ajuda de muitos portugueses.

Lutas desiguais

Acabo de ler esta notícia que me deixou simultaneamente animado e perturbado:
“Violência doméstica: Governo lança três "projectos inovadores" para apoiar vítimas e controlar agressores
24 de Abril de 2009, 19:37
Coimbra, 24 Abr (Lusa) - Três projectos de combate à violência doméstica, para controlo dos agressores e de apoio às vítimas, com o valor de 1,5 milhão de euros, foram anunciados hoje em Coimbra numa sessão com três membros do Governo.
Um dos programas prevê a vigilância electrónica de agressores em casos de violência doméstica e vai decorrer entre 2009 e 2012 em zonas das regiões Norte e Centro, podendo vir a ser alargado a todo o país.
Vai permitir a fiscalização do agressor através de uma pulseira que emite sinais de rádio frequência enquanto a vítima possui em sua casa uma unidade de monitorização, visando possibilitar alertá-la a ela e às autoridades da proximidade de uma agressão iminente.”
Fim da Notícia.
Mais uma vez louvo o esforço do Governo numa luta que devia ser de todos nós.
Como nos podemos intitular sociedade desenvolvida e civilizada quando convivemos com a crescente violência que é exercida em muitos dos lares do nosso país ?
Apologista da não violência, custa-me a aceitar toda e qualquer forma de opressão. Mais ainda quando ela é perpetuada de forma cobarde, por um qualquer pequeno tirano, que utilizando a sua vantagem em termos de força bruta, fragiliza até uma dimensão que não consigo imaginar, pobres vítimas que pouco ou nada conseguem fazer, sofrendo em silêncio.
Nesta constante luta desigual, fico contente por o Governo continuar a dar sinais de que pretende ajudar conforme pode, as vítimas deste flagelo, maioritariamente mulheres.
Perturbado mas ao mesmo tempo animado, irei procurar formas de ajudar as vítimas, talvez indirectamente, através das associações que apoiam as vítimas da violência doméstica.

Mea Culpa


O Presidente da República e o primeiro-ministro felicitaram, esta sexta-feira, Telma Monteiro, que se sagrou campeã europeia de Judo na categoria de menos de 57 kgs, ao vencer a final dos europeus que decorrem em Tiblissi, na Geórgia.


«Quero felicitá-la pelo alto nível desportivo demonstrado e pelo extraordinário empenho que tem caracterizado o seu percurso enquanto atleta, confirmado pelos títulos anteriormente obtidos», lê-se numa mensagem do chefe de Estado enviada a Telma Monteiro.


O Chefe de Estado sublinhou que «esta vitória é mais uma prova viva de que a dedicação e perseverança desportivas são o melhor caminho para o sucesso».

Faço aqui o meu “mea culpa” pois, não acompanhando com regularidade muitas provas desportivas, fui crítico da participação bastante abaixo das expectativas de muitos dos nossos atletas nos últimos Jogos Olímpicos de Pequim.

Embora os Jogos Olímpicos sejam o expoente máximo na vida de um atleta, não constituem o único palco onde os atletas podem brilhar e mostrar o seu valor.

Depois de uma participação discreta em Pequim, e enquanto eu me ocupava de outros assuntos, Telma Monteiro foi diariamente treinando e lutando até chegar a estes Europeus, em boa forma, de tal modo que arrecadou a medalha de ouro e fez com que mais uma vez o Hino Português fosse ouvido e a Bandeira Nacional Hasteada.

À Telma Monteiro apresento os meus pedidos de desculpa e dou-lhe os meus parabéns, aprendendo com a lição que ela nos deu, retratada na voz do Presidente da República, «esta vitória é mais uma prova viva de que a dedicação e perseverança desportivas são o melhor caminho para o sucesso».

Parabéns Telma

domingo, abril 19, 2009

“ Casa onde não há pão…

…todos ralham e ninguém tem razão “

Lancei há dias o desafio de fazermos um pequeno exercício de diagnóstico sobre o que julgamos estar bem e o que julgamos estar mal no nosso país.
Existe a convicção generalizada de que os diagnósticos estão todos feitos, não sendo necessário fazer mais diagnósticos.
Eu tenho a opinião contrária. Concordo que muitos diagnósticos foram feitos nos últimos anos. Agora já não concordo é que sejam diagnósticos adequados à realidade que hoje vivemos.
Alguém fez um diagnóstico e chegou à conclusão que Portugal precisa de ter Comboio de Alta Velocidade ( TGV ). Então deveríamos dizer que como o diagnóstico está feito, está tudo bem ?
Dúvido.
Outras pessoas fizeram também outros diagnósticos e chegaram à conclusão de que os elevados custos de investimento na implementação e manutenção do TGV, não serão comportáveis nem a curto, nem a médio, nem a longo prazo.
Alguém fez um diagnóstico e decidiu que Lisboa precisa de ter já um novo Aeroporto Internacional. Soluções para aproveitar o actual Aeroporto da Portela ( onde têm sido feitos avultados investimentos de melhoria ), que poderiam passar pela solução Portela + 1, foram todas abandonadas.
Até mesmo a solução de adiar por uns anos o Investimento no novo Aeroporto não parece aceitável para o Governo. Apesar das vozes a criticar um investimento que, conjuntamente com outros grandes investimentos, pode hipotecar gerações futuras, existe a vontade de lançar já e a grande velocidade, todas essas obras.
De tempos a tempos, temos "avisos à navegação" vindos do Presidente da República. Daqui a uns dias voltaremos a ter mais um episódio, o Presidente da República irá aproveitar o 25 de Abril, para enviar mais recados aos nossos Governantes e a toda a classe política.
Cavaco Silva insiste recorrentemente ( e não é o único ) em que se deve falar a verdade aos Portugueses.

Ficamos com a sensação de que alguém não nos anda a dizer a verdade. Ou pelo menos não temos direito a ter acesso a toda a verdade.
Quando repetidamente o Presidente se vê na obrigação de lançar avisos à classe política para que, quer estejam no governo ou na oposição, desempenhem bem os seus papéis, ficamos com a sensação de que os nossos políticos não estão a desempenhar bem esses papéis.
Na minha opinião, o papel dos nossos governantes seria bem desempenhado se tivessem como referencia as necessidades do povo. Esta referencia também deveria ser a base da actuação dos partidos da oposição.
No entanto ficamos com a sensação de que muitas vezes existem interesses pouco claros em muitas decisões dos governantes, que parecem beneficiar determinados sectores e não a generalidade da população.
E também ficamos com a sensação de que a oposição também actua de forma pouco clara e consistente. Só isso justifica que uma larga fatia de portugueses estejam insatisfeitos em simultâneo com o Governo e com a Oposição.
Em quem poderão eles acreditar então ?
Quem estará a fazer os diagnósticos correctos ?
Que caminhos e que políticos deverão escolher ?
Julgam que os diagnósticos estão todos feitos e são actuais ?
Eu acho que não.
Casa onde não há pão…

quarta-feira, abril 15, 2009

Ideias simples para uma crise complexa


O que sabemos:

Projecções recentes do Banco de Portugal apontam para uma recessão em 2009 com um decréscimo do PIB de 3,5%.

As exportações e o investimento a caírem 14% e 15% respectivamente neste trimestre face ao período homólogo do ano anterior.

No primeiro trimestre do ano, a insolvência de 957 empresas o que corresponde a um acréscimo do nº de insolvência de 31% face ao mesmo período do ano anterior.

O consumo a cair e a confiança nos seus níveis mais baixos. Uma economia que só irá recuperar quando os nossos parceiros europeus derem início à sua recuperação.

Basta de diagnósticos e vamos às soluções.

Repensar e re-calendarizar os grandes investimentos públicos de longo prazo (que os economistas chamam de investimentos provocadores de despesa) cujo retorno é de muito longo prazo e direccionar esforços para outros de menor escala com impacto social, empresarial e económico mais imediato, em especial na criação de emprego (que fará descolar o consumo interno).

Exemplos: apoiar as PME´s a exportar (há mercados que ainda têm margem de absorção dos nossos produtos só que não chegamos lá).

Como? Pagando o IVA em prazos curtos, reduzindo a dívida pública às empresas – melhor do que qualquer política de redução fiscal.

Acreditação do sistema bancário através do apoio deste (já por si apoiado pelo Estado) às empresas através de uma eficiente alocação das linhas de crédito estabelecidas às suas necessidades. Acompanhar muito de perto estes créditos.

Aproveitar estas linhas para financiar start up´s criadoras de emprego. Onde encontrá-las? Nas universidades técnicas e politécnicos. Há muitas ideias e projectos por aí.

Algumas ideias simples. Sem complicações.

Pôr a funcionar o que existe

Eleições para o Parlamento Europeu
Eleições para a Assembleia da República
Eleições Autárquicas

Em ano de 3 eleições, podemos reflectir um pouco sobre a forma com estamos política e administrativamente organizados.
Há quem defenda para Portugal um Modelo de Regionalização que reorganizaria o País com base em cerca de 5 regiões principais. Não tenho uma opinião totalmente formada sobre a regionalização mas não creio que a actual estrutura esteja desadequada à nossa realidade.
Pertencemos a um espaço comunitário que envolve a grande maioria dos países europeus pelo que faz todo o sentido existir e funcionar bem um Parlamento Europeu que decide muito da vida dos seus Estados Membros.
Temos uma Assembleia da República e um Governo que devem Legislar e vigiar o que acontece de concreto no nosso país.
E temos Câmaras Municipais cobrindo o País de norte a sul, incluindo as regiões autónomas.
Talvez o que nos falte mesmo seja a capacidade de articulação entre estas 3 dimensões tendo como base os cidadãos de cada Município e de cada País.
Como as casas não se começam a construir pelo telhado, o mais importante seria que cada Município conseguisse auscultar as opiniões e as necessidades dos seus Munícipes.
Partiríamos assim de uma base local e concreta, que traduziria de uma forma fiel lógica, quais as necessidades das populações, vivam elas ou não, em regiões limítrofes e isoladas.
Mais do que despender esforços em organizações e reorganizações sem fim, talvez fosse mais importante pôr a funcionar o que existe.

terça-feira, abril 14, 2009

Vamos Diagnosticar ?

noticia-se que Portugal tem universidades e politécnicos a mais
apoiando-se na seguinte questão:
"Se não vivemos num país rico, como se justifica que em Portugal tenhamos 17,4 estabelecimentos de ensino por cada milhão de habitantes, quando a Espanha, incomparavelmente mais rica, tem apenas sete?"

Para um país ser moderno e competitivo é necessário que esteja “ajustado” à realidade actual, quer seja a realidade nacional, quer seja a realidade mundial.
E como a cada cabeça, corresponde uma sentença, gostava de convidar os leitores deste blog a indicarem o que acham que o país tem a mais, e o que acham que tem a menos.
Podem indicar um só factor, ou vários factores. O importante é que recolhendo diversas opiniões poderemos fazer um pequeno exercício de diagnóstico de como sentimos o evoluir do nosso país.
Toda e qualquer opinião é importante, pois queremos e podemos construir um país melhor, começando por sentir o que todos e cada um de nós acha que está a mais ou a menos no nosso país.
Como exemplo, eu começo por indicar que gostava de ver mais e melhor sinalização rodoviária nas estradas de Portugal.
Agora é a vossa vez…

quarta-feira, abril 08, 2009

E se o clima deixar de ter brandos costumes ?

Olá a todos, este artigo é integralmente transcrito do jornal de notícias. Penso que é também um tema interessante a debater e onde teremos décadas de trabalho pela frente para corrigir o que está mal feito.
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1194466
Portugal é onde mais se morre devido ao frio
Portugal é um dos países da União Europeia onde mais se morre por falta de condições de isolamento e aquecimento nas casas, conclui um estudo de especialistas da Universidade de Dublin que comparou 14 países europeus.
De acordo com a investigação, que analisa as potenciais causas da mortalidade no Inverno em 14 países europeus, "Portugal tem a maior taxa (28 %) de excesso de mortalidade no Inverno", seguido de Espanha e Irlanda, com 21%.
"As nossas casas não estão nada preparadas para enfrentar o frio (...)", disse Claudia Weigert, da Divisão de Saúde Ambiental da Direcção-Geral de Saúde (DGS). Claudia Weigert chamou ainda a atenção para a importância de avaliar a carga económica associada à habitação, explicando que os diversos problemas de saúde que as pessoas podem ter devido à má qualidade do ar interior e à falta de isolamento das casas resultam em baixas médicas com peso económico para o país.
A investigação, que foi publicada em 2003, aponta ainda "níveis exemplares" de eficiência térmica no interior das casas em países com Invernos rigorosos como a Finlândia e a Suécia, onde a totalidade das habitações têm vidros duplos e isolamento térmico nas coberturas, paredes e pisos.
"Os países com climas mais temperados tendem a ter baixa eficiência térmica nas habitações e por isso é mais difícil manter estas casas quentes quando chega o Inverno", refere a investigação.
Aquando da publicação do estudo, apenas 6% das casas em Portugal tinham isolamento térmico nas paredes e coberturas e só 3% tinham vidros duplos.

Dividir ou Multiplicar

Há sonhos que são possíveis de concretizar. Basta que haja liderança e iniciativa.

Sempre fui a favor de partilharmos a nossa experiência profissional com os colegas da nossa organização. Cada um detém uma (ou mais áreas de saber ) e em poucos minutos pode transmitir aos colegas o que eles levariam horas ou dias a entender.
È óbvio que não estou a falar da transmissão de todo e qualquer conhecimento. Um cozinheiro que detém o segredo de uma receita de sucesso não a deve transmitir a todos os seus colegas cozinheiros. Mas haverá um sem número de “dicas” que ele poderá transmitir aos seus colegas como por exemplo conselhos gerais de como seleccionar e preparar uma série de ingredientes, sem que isso o comprometa.
Mas o medo, esse terrível inimigo do progresso, toma conta de muitos de nós e com receio de que o colega do lado fique a saber mais do que nós, guardamos a sete chaves todo e qualquer conhecimento geral que tenhamos.
Estamos assim a promover a cultura da divisão que não nos leva muito longe.
Ontem tive o privilégio de assistir a uma breve acção de formação interna a nível profissional.
Numa hora apenas , um dos colegas (que é TOC), deu uma óptima explicação aos outros colegas, que pouco percebem de contabilidade, de como se fazem os movimentos contabilísticos no programa de contabilidade.
O saber não ocupa lugar e esses conhecimentos ajudam cada um de nós a compreender melhor a vida dos documentos contabilísticos que nos passam pelas mãos todos os dias, ficando a conhecer melhor que informação eles contêm e como são tratados.
Fiquei com a certeza de que não há sonhos impossíveis.
Para que as organizações reforcem a sua competitividade e espírito de grupo basta que haja iniciativa e capacidade de liderança.

segunda-feira, abril 06, 2009

Slumdog Millionaire Fora D´Horas


Estou quase a terminar o curso de Formação de Formadores e o alívio nesta recta final do curso permitiu-me ir ao Cinema, um dos meus hobbies preferidos.
Fui ver o Galardoado com muitos Óscares, Slumdog Millionaire e adorei.

Há muito que não via um filme que me prendesse do primeiro ao último minuto com uma história bem construída e com sequências interessantemente encadeadas. Mais ainda, agora é comum o filme acabar e imediatamente as pessoas saírem da sala de cinema.


Eu ainda sou do tempo em que se via o filme até ao fim, deixando passar todas as legendas com os actores, encenadores, pessoal do make-up e toda a equipa que contribuiu para nos dar 2 horas de pura magia, a Magia do Cinema.

20 Milhões de Rupias foi o prémio que o Míudo do Bairro de Lata de Bombaim ganhou.

20 Milhões de Habitantes é a População de Bombaim.

O Filme mostrou muita miséria da India, mas fez-me pensar.
Se nós somos 10 Milhões , espalhados por um País inteiro e temos tanta dificuldade em ajudar milhares de compatriotas nossos que passam fome e tantas outras dificuldades, o que pode a India fazer para ajudar as Dezenas de Milhões de Pobres que tem ?

Por outro lado, temos Rádio,Televisão, Jornais, Internet e agora o Cinema a dar-nos imagens da India. Mas que imagens dão eles da India ? Apenas cenários de miséria e pobreza. Para contrabalançar temos apenas o Majestoso e inevitável Taj Mahal.


Mas a India não é só o Taj Mahal, nem só a pobreza , nem só os atentados, que os há também um pouco por todo o mundo.

Eu tenho a felicidade de conhecer mais pedaços de uma India maravilhosa, com paisagens deslumbrantes, riqueza cultural, gastronómica e arquitectónica de deixar qualquer um sem palavras. Tenho pena que essas imagens pouco eco tenham em Portugal.

Também não será fácil o nosso portal do sapo chegar a Gôa. Ele já está em Cabo Verde, Angola e Moçambique, mas chegar a todas ex-colónias portuguesas não parece ser muito fácil.

Portugal deixou um legado fantástico num pedaço da India ( GÔA ).
Nas muitas Indias que a India tem, temos um espaço que já foi dos portugueses e que pode ser a porta de entrada para partirmos à descoberta das outras Indias que não nos chegam aos olhos.

Eu voltarei em breve à India, com desejo de conhecer o Norte da India e as fronteiras com o Tibete e a China.

Não é uma viagem fácil, nem muito barata, nem muito cómoda, mas é sem dúvida um destino que quem tem o privilégio de conhecer, nunca mais se esquecerá.

quarta-feira, abril 01, 2009

Sinais de alerta social


Dizem-nos as últimas notícias, confirmando o que muitos sabiam e outros suspeitavam, que a actividade económica está em arrefecimento, por outras palavras em queda. Como consequência, o desemprego aumenta, o consumo interno tropeça e o clima de pessimismo, descrença e preocupação instala-se entre os portugueses.

Algo que foi já reconhecido pelo Ministro das Finanças, usualmente o último bastião e resistente das más notícias.

Neste quadro em que vive o país, e preocupemo-nos apenas agora com o nosso, vislumbramos sinas de preocupação e alerta social vindos de vários quadrantes. Não apenas da oposição, usualmente por fins políticos aproveitadora das más notícias, mas também de várias associações empresariais, centrais sindicais, população em geral, Presidente da República e agora também do Governo.

Atendendo às dificuldades que o país atravessa, há que ter em séria atenção os riscos de desagregação e instabilidade social e tudo o que isto comporta ou representa. Famílias inteiras desempregadas, jovens sem futuro imediato, talentos sem ocupação, desmotivação, riscos de não conseguir garantir os mais elementares meios de subsistência como alimentos à mesa ou educação dos filhos, sinais de degradação social e aumento de violência, são fenómenos aos quais tem que ser dada toda a atenção e sobre os quais têm que ser tomadas medidas concretas pelas autoridades.

Não sabemos se de forma individual ou coordenada numa plataforma transnacional (no seio e âmbito das politicas comuns sociais da UE) torna-se cada vez mais evidente e indispensável uma acção social coordenada sob pena de assistirmos ao agravamento de fenómenos de desagregação social, aumento da criminalidade de uma forma descontrolada que afectará o tecido social e o equilíbrio civilizacional do país. Seja como for essa acção tem que ser levada à prática e já.

E quando para tal é necessária toda a ajuda, atenção e meios disponíveis (financeiros, humanos ou outros) importa focalizar a estratégia. E essa estratégia tem obrigatoriamente que passar pela canalização de uma acção concertada entre todas as forças políticas, associações empresariais e sindicais, forças vivas da sociedade civil ou seja os cidadãos, partidos e orgãos de tutela para um desígnio nacional. E esse desígnio nacional é salvar o país. Da instabilidade e riscos sociais que estão aí à porta.

Posto isto há que estabelecer prioridades. E estas têm obrigatoriamente que passar por salvar primeiro os cidadãos e combater o difícil quadro social. Gastando o que temos e o que podemos para tal. Adiar aquilo que nos vai fazer consumir esses recursos designadamente para grandes obras, as quais, neste momento, todos podemos dispensar por um pouco mais de tempo.

domingo, março 29, 2009

Bebés com 24 Meses

A minha sobrinha fez esta semana 24 Meses e eu como “tio babado” lá fui à procura de uma prenda para ela. Procurei um brinquedo ou um jogo didáctico indicado para esta idade. Procurei em várias lojas mas nada encontrei.

Resolvi então dirigir-me a uma grande superfície que, como catedrais do consumo que são, certamente teriam algo indicado para os 24 Meses.
Percorrendo as prateleiras, de alto a baixo e da esquerda para a direita, vi um infindável número de possíveis prendas para os 6 Meses, 9 Meses, 12 Meses, 18 Meses e …36 Meses.
Julgando que estava a ler mal voltei a ver todas as prateleiras, quase brinquedo a brinquedo pegando num sem número de caixas e lendo as indicações das idades e apenas reconfirmei os meus receios iniciais; não havia brinquedos indicados especificamente para a idade de 24 Meses.
Resolvi interrogar-me pela razão de tal facto mas não cheguei a conclusão nenhuma. Não sou pediatra mas já assisti ao crescimento de vários bebés e dá para entender que a evolução que eles demonstram é quase semanal.
Todas as semanas fazem algo de novo e as suas capacidades psico-motoras evoluem ao longo dos dias, semanas e meses. Se todos meses evoluem, certamente não irão parar essa evolução aos 18 meses para retomar o desenvolvimento aos 36 Meses.
Noutra secção lá encontrei um livro-brinquedo indicado para bebés a partir dos 18 meses e fui ainda à secção dos Dvd´s comprar 3 Dvd´s. A minha sobrinha vai certamente ficar contente mas eu continuo inconformado por não ter encontrado algo que dissesse “Para bebés com 24 Meses”.
Numa altura em que se fala tanto da crise e da necessidade de descobrir “nichos de mercado” aqui fica a indicação que talvez possa estar aqui um “nicho de mercado”, ou seja, vender prendas para bebés com 24 meses.

sexta-feira, março 27, 2009

O estado da banca,....


Regressei ontem á noite aos debates ao vivo do nosso FRES, e, acima de tudo, foi um prazer rever os jovens companheiros de reflexão.

Entre os inúmeros temas debatidos, também o "estado" actual da Banca, foi motivo de troca de ideias,pelo que, me veio á mente uma fotografia que tirei Dezembro passado em Aveiro.


sábado, março 21, 2009

O Marketing Internacional...mais uma vez


A propósito do tema redescobrir o Marketing e da internacionalização das empresas portuguesas tão bem descrito pelo Otávio, considero que há aqui um tema deveras importante e um longo caminho a percorrer.

No contexto actual em que nos encontramos, ainda não sabemos se saídos totalmente de uma crise financeira mas certamente sentindo a crise económica, as empresas nacionais vivem momentos de angústia. Porque o mercado nacional é exíguo, pequeno e limitado para a sua actividade, porque o consumo interno caiu e não se sabe por quanto tempo assim permanecerá, uma vez que o mercado interno não é elástico, seja qual for o sector de actividade não permitindo por isso crescimentos contínuos e sustentados da actividade das nossas empresas.

O que daqui resulta é que temos obrigatoriamente que nos virar para o exterior. E os mercados destino não são já apenas aqueles onde confortavelmente temos estado presentes no passado. O mercado da UE, destino principal das nossas exportações, está em recessão, os nossos principais parceiros económicos crescem menos que Portugal. O desemprego afecta-os de forma significativa o que tem reflexos na sua procura interna e logo na compra dos nossos bens e serviços.

O que nos resta então? Outros mercados? E quais? Simples, alguém se lembra do mercado lusófono? Das relações económicas, sociais, empresariais, familiares, históricas, culturais, linguísticas ou outras que temos historicamente estabelecidas com aqueles países?

Neste âmbito, instituições como a CPLP, no seio da qual a constituição de um conselho económico e empresarial a funcionar plena e eficazmente, seria um instrumento imprescindível para o fortalecimento e benefício mútuo para os empresários e empresas dos seus países membros. O mesmo se diria ao nível das parcerias para o desenvolvimento de projectos de investimento nos países necessitados, recolhendo fundos e financiamentos onde o capital fosse mais abundante e disponível trabalhando assim num quadro de uma visão de plena cooperação. Portugal precisa. Os restantes membros da CPLP também precisam.

E tal seria ainda justificável ao nível da cooperação universitária, com o desenvolvimento de actividades de investigação co-financiadas pelos vários países em conjunto com vista a acelerar a inovação. Na criação e reforço da universalização da língua portuguesa, afinal um dos maiores activos desta lusitana nação. NA criação de cursos com equivalência universitária de modo a que os futuros licenciados posam usufruir de um mercado de trabalho alargado não apenas a um mas a vários países que ainda por cima falam a mesma língua.

Também as Câmaras de Comércio e Industria, as Associações Empresariais ou a AICEP, para citar três exemplos importantes de instituições incontornáveis neste processo, terão aqui um papel preponderante e fundamental. No aconselhamento aos empresários tendo em vista a sua internacionalização, na troca de informações de carácter empresarial entre parceiros dos vários países, colocando-os em contacto, na orientação para mercados ou segmentos específicos onde estão detectadas necessidades e oportunidades; na orientação para os aspectos legais e jurídicos; na ajuda e esclarecimento sobre as etapas a cumprir neste processo ou das instituições a contactar num processo de investimento além fronteiras naqueles países; na clarificação dos riscos e esforço financeiro necessário.

Estas instituições terão ainda um papel incontornável na ajuda à criação ou reforço de uma marca (individual ou colectiva) e na projecção da mesma em termos internacionais, no contacto com os canais de distribuição ou finalmente no contacto com as instituições congéneres de modo a construir uma ponte entre países

Também aos bancos pode ser acometido o papel, de advisers, parceiros de internacionalização, financiadores, orientadores do investimento. Os nossos bancos estão nalguns destes países e conhecem os mercados.

Só com uma estratégia concertada entre todos os actores económicos será possível ajudar as nossas empresas e empresários a estabelecer uma adequada estratégia de internacionalização.
Muitas das s nossas empresas querem, precisam, mas a maior parte desconhece as etapas, os riscos, as oportunidades e ameaças, constrangimentos ou os recursos necessários e indispensáveis à sua internacionalização. E para uma grande parte delas, esta é uma estratégia de sobrevivência. Quando talvez nem 15% das nossas PME´s desenvolvem actividade internacional, na maior parte dos casos recorrendo apenas às actividades de exportação.