
Tem sido um tema recorrente no país retomar a polémica gerada quanto ao custo-benefício do investimento em grandes obras públicas. Para uns, o investimento no betão é um desperdício pois estamos perante aquilo que se designa por um bem não transaccionável. Para outros é sinónimo de desenvolvimento e maior competitividade para o país.
Sem pretender alongar muito a discussão diria que tenho sido cauteloso nas minhas posições. Nos actuais tempos de crise o país tem que ser muito criterioso no gasto/investimento do dinheiro público e gerir segundo critérios de prioridade, começando pela resolução dos problemas de natureza social (riscos com a elevada taxa de desemprego).
O tempo exige pois uma prioritização e re-calendarização das decisões de investimento desta natureza. Viajo diversas vezes Lisboa/Porto e vice-versa em Alfa Pendular e digo que não temos necessidade de investir milhares de milhões de euros neste trajecto para TGV quando aquele comboio cumpre o trajecto em 2 horas e 45 minutos com o maior do conforto. Já a importância futura entre Lisboa e Madrid se me apresenta como merecendo maior reflexão. Digo maior reflexão, não decisão e investimento imediato.
E agora vou ao tema que aqui me trouxe. Portugal tem investido muito em novas auto-estradas e vias rápidas secundárias. É um facto que a malha rodoviária nacional é hoje das mais desenvolvidas da Europa. Trouxe-nos isto vantagens apara a nossa qualidade de vida? É inquestionável que sim. Os fundos investidos foram os apropriados? Talvez, não sei. O que é facto é que hoje é possível (por esta razão - não abordo aqui outras) deslocalizar qualquer actividade e cobrir o país de lés a lés com rapidez e conforto. E saberemos nós em concreto o que o investimento nesta malha rodoviária nos trouxe de mais positivo? Talvez não saibamos. Aqui ficam alguns dados.
Em 1995 Portugal estava na cauda da Europa quanto ao nº de acidentes na estrada e mortes na rodovia (Autoridade Nacional para a Segurança Rodoviária).
De 1989 a 2008 a evolução em alguns indicadores foi a seguinte:
O crescimento dos veículos em circulação –> 200%
O crescimento no consumo de combustíveis –> 112%
O decréscimo dos acidentes com vitimas –> 23%
O decréscimo em vítimas mortais –> 67%
O decréscimo em feridos graves –> 79%
De 1991 a 2007 Portugal aproximou-se do nº médio de vitimas mortais em acidentes rodoviários na UE quando em 1995 essa diferença era negativa em 105% e ainda em 2005 o era em 30%.
Entre 1997 e 2006 Portugal, juntamente com a Letónia e Estónia, foram os países que registaram maior decréscimo no nº de mortos por acidentes com veículos de 2 rodas a motor.
Nesse mesmo período Portugal esteve no grupo dos 4 países (juntamente com a Suíça, Eslovénia e Holanda) que mais reduziram o nº de mortes em acidentes na auto-estrada.
Portugal foi dos poucos países (juntamente com a França e Irlanda) que obteve uma taxa média de redução da mortalidade das crianças em quase 15%.
Entre 2001 e 2008 o país esteve entre os 3 primeiros com os melhores resultados na redução do nº de vitimas mortais por milhão de habitantes (Luxemburgo – 50%, França - 49% e Portugal - 47%).
Estes resultados são a causa directa da melhoria dos investimentos nas vias rodoviárias do país. Não sejamos ingénuos ao ponto de pensar que resultaram de alterações comportamentais profundas. Necessários e indispensáveis para este progresso. Agora há que medir e analisar opções quando o dinheiro não dá para tudo.
Sem pretender alongar muito a discussão diria que tenho sido cauteloso nas minhas posições. Nos actuais tempos de crise o país tem que ser muito criterioso no gasto/investimento do dinheiro público e gerir segundo critérios de prioridade, começando pela resolução dos problemas de natureza social (riscos com a elevada taxa de desemprego).
O tempo exige pois uma prioritização e re-calendarização das decisões de investimento desta natureza. Viajo diversas vezes Lisboa/Porto e vice-versa em Alfa Pendular e digo que não temos necessidade de investir milhares de milhões de euros neste trajecto para TGV quando aquele comboio cumpre o trajecto em 2 horas e 45 minutos com o maior do conforto. Já a importância futura entre Lisboa e Madrid se me apresenta como merecendo maior reflexão. Digo maior reflexão, não decisão e investimento imediato.
E agora vou ao tema que aqui me trouxe. Portugal tem investido muito em novas auto-estradas e vias rápidas secundárias. É um facto que a malha rodoviária nacional é hoje das mais desenvolvidas da Europa. Trouxe-nos isto vantagens apara a nossa qualidade de vida? É inquestionável que sim. Os fundos investidos foram os apropriados? Talvez, não sei. O que é facto é que hoje é possível (por esta razão - não abordo aqui outras) deslocalizar qualquer actividade e cobrir o país de lés a lés com rapidez e conforto. E saberemos nós em concreto o que o investimento nesta malha rodoviária nos trouxe de mais positivo? Talvez não saibamos. Aqui ficam alguns dados.
Em 1995 Portugal estava na cauda da Europa quanto ao nº de acidentes na estrada e mortes na rodovia (Autoridade Nacional para a Segurança Rodoviária).
De 1989 a 2008 a evolução em alguns indicadores foi a seguinte:
O crescimento dos veículos em circulação –> 200%
O crescimento no consumo de combustíveis –> 112%
O decréscimo dos acidentes com vitimas –> 23%
O decréscimo em vítimas mortais –> 67%
O decréscimo em feridos graves –> 79%
De 1991 a 2007 Portugal aproximou-se do nº médio de vitimas mortais em acidentes rodoviários na UE quando em 1995 essa diferença era negativa em 105% e ainda em 2005 o era em 30%.
Entre 1997 e 2006 Portugal, juntamente com a Letónia e Estónia, foram os países que registaram maior decréscimo no nº de mortos por acidentes com veículos de 2 rodas a motor.
Nesse mesmo período Portugal esteve no grupo dos 4 países (juntamente com a Suíça, Eslovénia e Holanda) que mais reduziram o nº de mortes em acidentes na auto-estrada.
Portugal foi dos poucos países (juntamente com a França e Irlanda) que obteve uma taxa média de redução da mortalidade das crianças em quase 15%.
Entre 2001 e 2008 o país esteve entre os 3 primeiros com os melhores resultados na redução do nº de vitimas mortais por milhão de habitantes (Luxemburgo – 50%, França - 49% e Portugal - 47%).
Estes resultados são a causa directa da melhoria dos investimentos nas vias rodoviárias do país. Não sejamos ingénuos ao ponto de pensar que resultaram de alterações comportamentais profundas. Necessários e indispensáveis para este progresso. Agora há que medir e analisar opções quando o dinheiro não dá para tudo.



