Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

sexta-feira, abril 24, 2009

Mea Culpa


O Presidente da República e o primeiro-ministro felicitaram, esta sexta-feira, Telma Monteiro, que se sagrou campeã europeia de Judo na categoria de menos de 57 kgs, ao vencer a final dos europeus que decorrem em Tiblissi, na Geórgia.


«Quero felicitá-la pelo alto nível desportivo demonstrado e pelo extraordinário empenho que tem caracterizado o seu percurso enquanto atleta, confirmado pelos títulos anteriormente obtidos», lê-se numa mensagem do chefe de Estado enviada a Telma Monteiro.


O Chefe de Estado sublinhou que «esta vitória é mais uma prova viva de que a dedicação e perseverança desportivas são o melhor caminho para o sucesso».

Faço aqui o meu “mea culpa” pois, não acompanhando com regularidade muitas provas desportivas, fui crítico da participação bastante abaixo das expectativas de muitos dos nossos atletas nos últimos Jogos Olímpicos de Pequim.

Embora os Jogos Olímpicos sejam o expoente máximo na vida de um atleta, não constituem o único palco onde os atletas podem brilhar e mostrar o seu valor.

Depois de uma participação discreta em Pequim, e enquanto eu me ocupava de outros assuntos, Telma Monteiro foi diariamente treinando e lutando até chegar a estes Europeus, em boa forma, de tal modo que arrecadou a medalha de ouro e fez com que mais uma vez o Hino Português fosse ouvido e a Bandeira Nacional Hasteada.

À Telma Monteiro apresento os meus pedidos de desculpa e dou-lhe os meus parabéns, aprendendo com a lição que ela nos deu, retratada na voz do Presidente da República, «esta vitória é mais uma prova viva de que a dedicação e perseverança desportivas são o melhor caminho para o sucesso».

Parabéns Telma

domingo, abril 19, 2009

“ Casa onde não há pão…

…todos ralham e ninguém tem razão “

Lancei há dias o desafio de fazermos um pequeno exercício de diagnóstico sobre o que julgamos estar bem e o que julgamos estar mal no nosso país.
Existe a convicção generalizada de que os diagnósticos estão todos feitos, não sendo necessário fazer mais diagnósticos.
Eu tenho a opinião contrária. Concordo que muitos diagnósticos foram feitos nos últimos anos. Agora já não concordo é que sejam diagnósticos adequados à realidade que hoje vivemos.
Alguém fez um diagnóstico e chegou à conclusão que Portugal precisa de ter Comboio de Alta Velocidade ( TGV ). Então deveríamos dizer que como o diagnóstico está feito, está tudo bem ?
Dúvido.
Outras pessoas fizeram também outros diagnósticos e chegaram à conclusão de que os elevados custos de investimento na implementação e manutenção do TGV, não serão comportáveis nem a curto, nem a médio, nem a longo prazo.
Alguém fez um diagnóstico e decidiu que Lisboa precisa de ter já um novo Aeroporto Internacional. Soluções para aproveitar o actual Aeroporto da Portela ( onde têm sido feitos avultados investimentos de melhoria ), que poderiam passar pela solução Portela + 1, foram todas abandonadas.
Até mesmo a solução de adiar por uns anos o Investimento no novo Aeroporto não parece aceitável para o Governo. Apesar das vozes a criticar um investimento que, conjuntamente com outros grandes investimentos, pode hipotecar gerações futuras, existe a vontade de lançar já e a grande velocidade, todas essas obras.
De tempos a tempos, temos "avisos à navegação" vindos do Presidente da República. Daqui a uns dias voltaremos a ter mais um episódio, o Presidente da República irá aproveitar o 25 de Abril, para enviar mais recados aos nossos Governantes e a toda a classe política.
Cavaco Silva insiste recorrentemente ( e não é o único ) em que se deve falar a verdade aos Portugueses.

Ficamos com a sensação de que alguém não nos anda a dizer a verdade. Ou pelo menos não temos direito a ter acesso a toda a verdade.
Quando repetidamente o Presidente se vê na obrigação de lançar avisos à classe política para que, quer estejam no governo ou na oposição, desempenhem bem os seus papéis, ficamos com a sensação de que os nossos políticos não estão a desempenhar bem esses papéis.
Na minha opinião, o papel dos nossos governantes seria bem desempenhado se tivessem como referencia as necessidades do povo. Esta referencia também deveria ser a base da actuação dos partidos da oposição.
No entanto ficamos com a sensação de que muitas vezes existem interesses pouco claros em muitas decisões dos governantes, que parecem beneficiar determinados sectores e não a generalidade da população.
E também ficamos com a sensação de que a oposição também actua de forma pouco clara e consistente. Só isso justifica que uma larga fatia de portugueses estejam insatisfeitos em simultâneo com o Governo e com a Oposição.
Em quem poderão eles acreditar então ?
Quem estará a fazer os diagnósticos correctos ?
Que caminhos e que políticos deverão escolher ?
Julgam que os diagnósticos estão todos feitos e são actuais ?
Eu acho que não.
Casa onde não há pão…

quarta-feira, abril 15, 2009

Ideias simples para uma crise complexa


O que sabemos:

Projecções recentes do Banco de Portugal apontam para uma recessão em 2009 com um decréscimo do PIB de 3,5%.

As exportações e o investimento a caírem 14% e 15% respectivamente neste trimestre face ao período homólogo do ano anterior.

No primeiro trimestre do ano, a insolvência de 957 empresas o que corresponde a um acréscimo do nº de insolvência de 31% face ao mesmo período do ano anterior.

O consumo a cair e a confiança nos seus níveis mais baixos. Uma economia que só irá recuperar quando os nossos parceiros europeus derem início à sua recuperação.

Basta de diagnósticos e vamos às soluções.

Repensar e re-calendarizar os grandes investimentos públicos de longo prazo (que os economistas chamam de investimentos provocadores de despesa) cujo retorno é de muito longo prazo e direccionar esforços para outros de menor escala com impacto social, empresarial e económico mais imediato, em especial na criação de emprego (que fará descolar o consumo interno).

Exemplos: apoiar as PME´s a exportar (há mercados que ainda têm margem de absorção dos nossos produtos só que não chegamos lá).

Como? Pagando o IVA em prazos curtos, reduzindo a dívida pública às empresas – melhor do que qualquer política de redução fiscal.

Acreditação do sistema bancário através do apoio deste (já por si apoiado pelo Estado) às empresas através de uma eficiente alocação das linhas de crédito estabelecidas às suas necessidades. Acompanhar muito de perto estes créditos.

Aproveitar estas linhas para financiar start up´s criadoras de emprego. Onde encontrá-las? Nas universidades técnicas e politécnicos. Há muitas ideias e projectos por aí.

Algumas ideias simples. Sem complicações.

Pôr a funcionar o que existe

Eleições para o Parlamento Europeu
Eleições para a Assembleia da República
Eleições Autárquicas

Em ano de 3 eleições, podemos reflectir um pouco sobre a forma com estamos política e administrativamente organizados.
Há quem defenda para Portugal um Modelo de Regionalização que reorganizaria o País com base em cerca de 5 regiões principais. Não tenho uma opinião totalmente formada sobre a regionalização mas não creio que a actual estrutura esteja desadequada à nossa realidade.
Pertencemos a um espaço comunitário que envolve a grande maioria dos países europeus pelo que faz todo o sentido existir e funcionar bem um Parlamento Europeu que decide muito da vida dos seus Estados Membros.
Temos uma Assembleia da República e um Governo que devem Legislar e vigiar o que acontece de concreto no nosso país.
E temos Câmaras Municipais cobrindo o País de norte a sul, incluindo as regiões autónomas.
Talvez o que nos falte mesmo seja a capacidade de articulação entre estas 3 dimensões tendo como base os cidadãos de cada Município e de cada País.
Como as casas não se começam a construir pelo telhado, o mais importante seria que cada Município conseguisse auscultar as opiniões e as necessidades dos seus Munícipes.
Partiríamos assim de uma base local e concreta, que traduziria de uma forma fiel lógica, quais as necessidades das populações, vivam elas ou não, em regiões limítrofes e isoladas.
Mais do que despender esforços em organizações e reorganizações sem fim, talvez fosse mais importante pôr a funcionar o que existe.

terça-feira, abril 14, 2009

Vamos Diagnosticar ?

noticia-se que Portugal tem universidades e politécnicos a mais
apoiando-se na seguinte questão:
"Se não vivemos num país rico, como se justifica que em Portugal tenhamos 17,4 estabelecimentos de ensino por cada milhão de habitantes, quando a Espanha, incomparavelmente mais rica, tem apenas sete?"

Para um país ser moderno e competitivo é necessário que esteja “ajustado” à realidade actual, quer seja a realidade nacional, quer seja a realidade mundial.
E como a cada cabeça, corresponde uma sentença, gostava de convidar os leitores deste blog a indicarem o que acham que o país tem a mais, e o que acham que tem a menos.
Podem indicar um só factor, ou vários factores. O importante é que recolhendo diversas opiniões poderemos fazer um pequeno exercício de diagnóstico de como sentimos o evoluir do nosso país.
Toda e qualquer opinião é importante, pois queremos e podemos construir um país melhor, começando por sentir o que todos e cada um de nós acha que está a mais ou a menos no nosso país.
Como exemplo, eu começo por indicar que gostava de ver mais e melhor sinalização rodoviária nas estradas de Portugal.
Agora é a vossa vez…

quarta-feira, abril 08, 2009

E se o clima deixar de ter brandos costumes ?

Olá a todos, este artigo é integralmente transcrito do jornal de notícias. Penso que é também um tema interessante a debater e onde teremos décadas de trabalho pela frente para corrigir o que está mal feito.
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1194466
Portugal é onde mais se morre devido ao frio
Portugal é um dos países da União Europeia onde mais se morre por falta de condições de isolamento e aquecimento nas casas, conclui um estudo de especialistas da Universidade de Dublin que comparou 14 países europeus.
De acordo com a investigação, que analisa as potenciais causas da mortalidade no Inverno em 14 países europeus, "Portugal tem a maior taxa (28 %) de excesso de mortalidade no Inverno", seguido de Espanha e Irlanda, com 21%.
"As nossas casas não estão nada preparadas para enfrentar o frio (...)", disse Claudia Weigert, da Divisão de Saúde Ambiental da Direcção-Geral de Saúde (DGS). Claudia Weigert chamou ainda a atenção para a importância de avaliar a carga económica associada à habitação, explicando que os diversos problemas de saúde que as pessoas podem ter devido à má qualidade do ar interior e à falta de isolamento das casas resultam em baixas médicas com peso económico para o país.
A investigação, que foi publicada em 2003, aponta ainda "níveis exemplares" de eficiência térmica no interior das casas em países com Invernos rigorosos como a Finlândia e a Suécia, onde a totalidade das habitações têm vidros duplos e isolamento térmico nas coberturas, paredes e pisos.
"Os países com climas mais temperados tendem a ter baixa eficiência térmica nas habitações e por isso é mais difícil manter estas casas quentes quando chega o Inverno", refere a investigação.
Aquando da publicação do estudo, apenas 6% das casas em Portugal tinham isolamento térmico nas paredes e coberturas e só 3% tinham vidros duplos.

Dividir ou Multiplicar

Há sonhos que são possíveis de concretizar. Basta que haja liderança e iniciativa.

Sempre fui a favor de partilharmos a nossa experiência profissional com os colegas da nossa organização. Cada um detém uma (ou mais áreas de saber ) e em poucos minutos pode transmitir aos colegas o que eles levariam horas ou dias a entender.
È óbvio que não estou a falar da transmissão de todo e qualquer conhecimento. Um cozinheiro que detém o segredo de uma receita de sucesso não a deve transmitir a todos os seus colegas cozinheiros. Mas haverá um sem número de “dicas” que ele poderá transmitir aos seus colegas como por exemplo conselhos gerais de como seleccionar e preparar uma série de ingredientes, sem que isso o comprometa.
Mas o medo, esse terrível inimigo do progresso, toma conta de muitos de nós e com receio de que o colega do lado fique a saber mais do que nós, guardamos a sete chaves todo e qualquer conhecimento geral que tenhamos.
Estamos assim a promover a cultura da divisão que não nos leva muito longe.
Ontem tive o privilégio de assistir a uma breve acção de formação interna a nível profissional.
Numa hora apenas , um dos colegas (que é TOC), deu uma óptima explicação aos outros colegas, que pouco percebem de contabilidade, de como se fazem os movimentos contabilísticos no programa de contabilidade.
O saber não ocupa lugar e esses conhecimentos ajudam cada um de nós a compreender melhor a vida dos documentos contabilísticos que nos passam pelas mãos todos os dias, ficando a conhecer melhor que informação eles contêm e como são tratados.
Fiquei com a certeza de que não há sonhos impossíveis.
Para que as organizações reforcem a sua competitividade e espírito de grupo basta que haja iniciativa e capacidade de liderança.

segunda-feira, abril 06, 2009

Slumdog Millionaire Fora D´Horas


Estou quase a terminar o curso de Formação de Formadores e o alívio nesta recta final do curso permitiu-me ir ao Cinema, um dos meus hobbies preferidos.
Fui ver o Galardoado com muitos Óscares, Slumdog Millionaire e adorei.

Há muito que não via um filme que me prendesse do primeiro ao último minuto com uma história bem construída e com sequências interessantemente encadeadas. Mais ainda, agora é comum o filme acabar e imediatamente as pessoas saírem da sala de cinema.


Eu ainda sou do tempo em que se via o filme até ao fim, deixando passar todas as legendas com os actores, encenadores, pessoal do make-up e toda a equipa que contribuiu para nos dar 2 horas de pura magia, a Magia do Cinema.

20 Milhões de Rupias foi o prémio que o Míudo do Bairro de Lata de Bombaim ganhou.

20 Milhões de Habitantes é a População de Bombaim.

O Filme mostrou muita miséria da India, mas fez-me pensar.
Se nós somos 10 Milhões , espalhados por um País inteiro e temos tanta dificuldade em ajudar milhares de compatriotas nossos que passam fome e tantas outras dificuldades, o que pode a India fazer para ajudar as Dezenas de Milhões de Pobres que tem ?

Por outro lado, temos Rádio,Televisão, Jornais, Internet e agora o Cinema a dar-nos imagens da India. Mas que imagens dão eles da India ? Apenas cenários de miséria e pobreza. Para contrabalançar temos apenas o Majestoso e inevitável Taj Mahal.


Mas a India não é só o Taj Mahal, nem só a pobreza , nem só os atentados, que os há também um pouco por todo o mundo.

Eu tenho a felicidade de conhecer mais pedaços de uma India maravilhosa, com paisagens deslumbrantes, riqueza cultural, gastronómica e arquitectónica de deixar qualquer um sem palavras. Tenho pena que essas imagens pouco eco tenham em Portugal.

Também não será fácil o nosso portal do sapo chegar a Gôa. Ele já está em Cabo Verde, Angola e Moçambique, mas chegar a todas ex-colónias portuguesas não parece ser muito fácil.

Portugal deixou um legado fantástico num pedaço da India ( GÔA ).
Nas muitas Indias que a India tem, temos um espaço que já foi dos portugueses e que pode ser a porta de entrada para partirmos à descoberta das outras Indias que não nos chegam aos olhos.

Eu voltarei em breve à India, com desejo de conhecer o Norte da India e as fronteiras com o Tibete e a China.

Não é uma viagem fácil, nem muito barata, nem muito cómoda, mas é sem dúvida um destino que quem tem o privilégio de conhecer, nunca mais se esquecerá.

quarta-feira, abril 01, 2009

Sinais de alerta social


Dizem-nos as últimas notícias, confirmando o que muitos sabiam e outros suspeitavam, que a actividade económica está em arrefecimento, por outras palavras em queda. Como consequência, o desemprego aumenta, o consumo interno tropeça e o clima de pessimismo, descrença e preocupação instala-se entre os portugueses.

Algo que foi já reconhecido pelo Ministro das Finanças, usualmente o último bastião e resistente das más notícias.

Neste quadro em que vive o país, e preocupemo-nos apenas agora com o nosso, vislumbramos sinas de preocupação e alerta social vindos de vários quadrantes. Não apenas da oposição, usualmente por fins políticos aproveitadora das más notícias, mas também de várias associações empresariais, centrais sindicais, população em geral, Presidente da República e agora também do Governo.

Atendendo às dificuldades que o país atravessa, há que ter em séria atenção os riscos de desagregação e instabilidade social e tudo o que isto comporta ou representa. Famílias inteiras desempregadas, jovens sem futuro imediato, talentos sem ocupação, desmotivação, riscos de não conseguir garantir os mais elementares meios de subsistência como alimentos à mesa ou educação dos filhos, sinais de degradação social e aumento de violência, são fenómenos aos quais tem que ser dada toda a atenção e sobre os quais têm que ser tomadas medidas concretas pelas autoridades.

Não sabemos se de forma individual ou coordenada numa plataforma transnacional (no seio e âmbito das politicas comuns sociais da UE) torna-se cada vez mais evidente e indispensável uma acção social coordenada sob pena de assistirmos ao agravamento de fenómenos de desagregação social, aumento da criminalidade de uma forma descontrolada que afectará o tecido social e o equilíbrio civilizacional do país. Seja como for essa acção tem que ser levada à prática e já.

E quando para tal é necessária toda a ajuda, atenção e meios disponíveis (financeiros, humanos ou outros) importa focalizar a estratégia. E essa estratégia tem obrigatoriamente que passar pela canalização de uma acção concertada entre todas as forças políticas, associações empresariais e sindicais, forças vivas da sociedade civil ou seja os cidadãos, partidos e orgãos de tutela para um desígnio nacional. E esse desígnio nacional é salvar o país. Da instabilidade e riscos sociais que estão aí à porta.

Posto isto há que estabelecer prioridades. E estas têm obrigatoriamente que passar por salvar primeiro os cidadãos e combater o difícil quadro social. Gastando o que temos e o que podemos para tal. Adiar aquilo que nos vai fazer consumir esses recursos designadamente para grandes obras, as quais, neste momento, todos podemos dispensar por um pouco mais de tempo.

domingo, março 29, 2009

Bebés com 24 Meses

A minha sobrinha fez esta semana 24 Meses e eu como “tio babado” lá fui à procura de uma prenda para ela. Procurei um brinquedo ou um jogo didáctico indicado para esta idade. Procurei em várias lojas mas nada encontrei.

Resolvi então dirigir-me a uma grande superfície que, como catedrais do consumo que são, certamente teriam algo indicado para os 24 Meses.
Percorrendo as prateleiras, de alto a baixo e da esquerda para a direita, vi um infindável número de possíveis prendas para os 6 Meses, 9 Meses, 12 Meses, 18 Meses e …36 Meses.
Julgando que estava a ler mal voltei a ver todas as prateleiras, quase brinquedo a brinquedo pegando num sem número de caixas e lendo as indicações das idades e apenas reconfirmei os meus receios iniciais; não havia brinquedos indicados especificamente para a idade de 24 Meses.
Resolvi interrogar-me pela razão de tal facto mas não cheguei a conclusão nenhuma. Não sou pediatra mas já assisti ao crescimento de vários bebés e dá para entender que a evolução que eles demonstram é quase semanal.
Todas as semanas fazem algo de novo e as suas capacidades psico-motoras evoluem ao longo dos dias, semanas e meses. Se todos meses evoluem, certamente não irão parar essa evolução aos 18 meses para retomar o desenvolvimento aos 36 Meses.
Noutra secção lá encontrei um livro-brinquedo indicado para bebés a partir dos 18 meses e fui ainda à secção dos Dvd´s comprar 3 Dvd´s. A minha sobrinha vai certamente ficar contente mas eu continuo inconformado por não ter encontrado algo que dissesse “Para bebés com 24 Meses”.
Numa altura em que se fala tanto da crise e da necessidade de descobrir “nichos de mercado” aqui fica a indicação que talvez possa estar aqui um “nicho de mercado”, ou seja, vender prendas para bebés com 24 meses.

sexta-feira, março 27, 2009

O estado da banca,....


Regressei ontem á noite aos debates ao vivo do nosso FRES, e, acima de tudo, foi um prazer rever os jovens companheiros de reflexão.

Entre os inúmeros temas debatidos, também o "estado" actual da Banca, foi motivo de troca de ideias,pelo que, me veio á mente uma fotografia que tirei Dezembro passado em Aveiro.


sábado, março 21, 2009

O Marketing Internacional...mais uma vez


A propósito do tema redescobrir o Marketing e da internacionalização das empresas portuguesas tão bem descrito pelo Otávio, considero que há aqui um tema deveras importante e um longo caminho a percorrer.

No contexto actual em que nos encontramos, ainda não sabemos se saídos totalmente de uma crise financeira mas certamente sentindo a crise económica, as empresas nacionais vivem momentos de angústia. Porque o mercado nacional é exíguo, pequeno e limitado para a sua actividade, porque o consumo interno caiu e não se sabe por quanto tempo assim permanecerá, uma vez que o mercado interno não é elástico, seja qual for o sector de actividade não permitindo por isso crescimentos contínuos e sustentados da actividade das nossas empresas.

O que daqui resulta é que temos obrigatoriamente que nos virar para o exterior. E os mercados destino não são já apenas aqueles onde confortavelmente temos estado presentes no passado. O mercado da UE, destino principal das nossas exportações, está em recessão, os nossos principais parceiros económicos crescem menos que Portugal. O desemprego afecta-os de forma significativa o que tem reflexos na sua procura interna e logo na compra dos nossos bens e serviços.

O que nos resta então? Outros mercados? E quais? Simples, alguém se lembra do mercado lusófono? Das relações económicas, sociais, empresariais, familiares, históricas, culturais, linguísticas ou outras que temos historicamente estabelecidas com aqueles países?

Neste âmbito, instituições como a CPLP, no seio da qual a constituição de um conselho económico e empresarial a funcionar plena e eficazmente, seria um instrumento imprescindível para o fortalecimento e benefício mútuo para os empresários e empresas dos seus países membros. O mesmo se diria ao nível das parcerias para o desenvolvimento de projectos de investimento nos países necessitados, recolhendo fundos e financiamentos onde o capital fosse mais abundante e disponível trabalhando assim num quadro de uma visão de plena cooperação. Portugal precisa. Os restantes membros da CPLP também precisam.

E tal seria ainda justificável ao nível da cooperação universitária, com o desenvolvimento de actividades de investigação co-financiadas pelos vários países em conjunto com vista a acelerar a inovação. Na criação e reforço da universalização da língua portuguesa, afinal um dos maiores activos desta lusitana nação. NA criação de cursos com equivalência universitária de modo a que os futuros licenciados posam usufruir de um mercado de trabalho alargado não apenas a um mas a vários países que ainda por cima falam a mesma língua.

Também as Câmaras de Comércio e Industria, as Associações Empresariais ou a AICEP, para citar três exemplos importantes de instituições incontornáveis neste processo, terão aqui um papel preponderante e fundamental. No aconselhamento aos empresários tendo em vista a sua internacionalização, na troca de informações de carácter empresarial entre parceiros dos vários países, colocando-os em contacto, na orientação para mercados ou segmentos específicos onde estão detectadas necessidades e oportunidades; na orientação para os aspectos legais e jurídicos; na ajuda e esclarecimento sobre as etapas a cumprir neste processo ou das instituições a contactar num processo de investimento além fronteiras naqueles países; na clarificação dos riscos e esforço financeiro necessário.

Estas instituições terão ainda um papel incontornável na ajuda à criação ou reforço de uma marca (individual ou colectiva) e na projecção da mesma em termos internacionais, no contacto com os canais de distribuição ou finalmente no contacto com as instituições congéneres de modo a construir uma ponte entre países

Também aos bancos pode ser acometido o papel, de advisers, parceiros de internacionalização, financiadores, orientadores do investimento. Os nossos bancos estão nalguns destes países e conhecem os mercados.

Só com uma estratégia concertada entre todos os actores económicos será possível ajudar as nossas empresas e empresários a estabelecer uma adequada estratégia de internacionalização.
Muitas das s nossas empresas querem, precisam, mas a maior parte desconhece as etapas, os riscos, as oportunidades e ameaças, constrangimentos ou os recursos necessários e indispensáveis à sua internacionalização. E para uma grande parte delas, esta é uma estratégia de sobrevivência. Quando talvez nem 15% das nossas PME´s desenvolvem actividade internacional, na maior parte dos casos recorrendo apenas às actividades de exportação.

quinta-feira, março 19, 2009

Redescobrir o Marketing

O Marketing também pode ser definido como o conjunto de iniciativas que visam estabelecer uma comunicação eficaz entre as empresas e os seus clientes.

Esta frase ( ou este conceito ) levam-me a pensar se poderá ser a ausência de um bom Marketing o que estará na origem do não crescimento e da não notoriedade de muitas empresas.
Outra questão bem diferente ( e quiçá mais problemática ) seria reconhecer que as empresas não têm uma boa estrutura de produção de bens ou de prestação de serviços. Se assim fosse, não haveria Marketing que as salvasse.
Mas vendo muitos pequenos exemplos de ideias e projectos bem concebidos e empresas com bons níveis de estrutura produtiva ou de prestação de serviços, volto-me para a importância por vezes negligenciada de se ter uma ( boa ) estratégia de Marketing.
Ocorrem-me muitos exemplos para ilucidar a importância do Marketing, tendo um bem recente ocorrido há cerca de 15 dias na EXPORT HOME ( Feira do Mobiliário, Iluminação e Artigos de Casa para Exportação ), que decorreu na EXPONOR entre 3 e 7 de Março.
Fica aqui apenas a transcrição da opinião de uma dupla de compradores internacionais:
“ Tomas & Simon, dupla sueca apresentadora de um programa de entretenimento semelhante ao da versão portuguesa «Querido mudei a casa», proprietários da loja LondonW8, em Estocolmo e decoradores de interiores, ficaram «extremamente surpreendidos» com a qualidade dos produtos expostos na 21ª edição da EXPORT HOME. O desconhecimento do trabalho feito em Portugal intrigou os decoradores, uma vez que pouco ouvem falar no trabalho que é feito cá, apesar da qualidade da mão-de-obra, dos próprios materiais e dos acabamentos que viram nas peças.”
Se existem muitos mais casos de empresas de qualidade em Portugal, devemos continuar a fazer esforços para divulgá-las, fazendo com que alcancem os mercados internacionais.

domingo, março 15, 2009

EQUAÇÃO DA VIDA

Os anglo-saxónicos na gestão global adoram números, bases matemáticas da vida diária, cada vez existem menos especialistas em números, mas temos mais viciados nos mesmos. É necessário!

Somos diariamente bombardeados com os números: quantidades, percentagens, valores, cêntimos, no café, na bomba de gasolina, supermercado, lojas, sempre com a Grande Ciência que é a Matemática presente, X €´s; Y unidades; promoção de A% no dia W, etc…a matemática e os seus resultados fazem também parte da Grande Ciência que é a nossa Vida!

Deste modo gostaria de falar da Equação da Vida! Sim…, pois considero que a Vida “per Si”, não é constituída apenas e só por uma Variável, mas sim por um conjunto multidisciplinar de Variáveis, tal como nas equações matemáticas.

Equações essas, constituídas por várias variáveis, umas mais complexas e de difícil compreensão que outras, mas todas com um resultado, positivo, de preferência!

Isso não significa que nos restringimos apenas e só a uma variável, dedicando apenas a nossa taxa de esforço nessa, mas sim na complementaridade e interligação das mesmas.

Vejamos por exemplo a Realização! Refiro-me a qualquer uma, isto é, pessoal, profissional, emocional, etc. Dificilmente, arranjaremos uma definição clara e quantificável. Já Maslow não conseguiria explicar sem a sua famosa e brilhante pirâmide.

Realização Pessoal = Família + Trabalho + Saúde + …Amigos, etc…

Doutra forma,

RP = F + T + S + A +etc…

Não quero tornar a complexidade da vida, nesta pequena frívola equação, mas de facto, pode- nos ajudar!

Sendo mais minucioso, por exemplo, uma pessoa não depende apenas e só de uma variável, por exemplo da tarefa que desempenha. Seríamos apenas títulos formais tais como Técnicos, Ministros, no fundo seríamos estandardizados e rotulados.

Uma pessoa é em simultâneo, um agente social, um profissional, um sobrinho, um amigo, um colega, uma complementaridade, recorrendo à linguagem informática, um “Bundle” Social!

Dentro de cada um destes itens, variáveis, papéis, se formos mais precisos, assertivos, rigorosos, melhores resultados obteremos em toda a Equação Global que é a VIDA.

Ex: + + + = +

Assim bem como mais forte, positiva e sólida fica a nossa variável, na sua extensão, no seu Global, logo a probabilidade da mesma vir a ter um resultado positivo da nossa EV (Equação da Vida), aumenta.

Alguns exemplos:

C + A + D + T = G, i.e, Concentração+Aperfeiçoamento+Diário+Tempo = Génio

Deixo-vos este desafio, fazendo a anologia com uma ponte:
-

Atravessariam uma ponte A, tendo esta apenas um pilar de sustentabilidade?
- Ou optariam pela B com mais pilares na sua base?
- Qual das duas poderá perdurar e resistir a trepidação diária dos peões, automóveis, camiões, ou até mesmo às intempéries ou eventuais terramotos?

Como disse um Colega Fresiano, Food for Thought!

Alexandre Motty

terça-feira, março 10, 2009

CRISE ESTRUTURANTE

Que estamos mergulhados numa crise económica não é novidade para ninguém.
Agora o interessante é escrutinar quando passará esta crise.

No ano de 2007 ouvíamos dizer que esse seria um ano mau e que o próximo provavelmente não seria melhor, e na realidade não foi.
Em 2008 ouvimos dizer que esse seria um ano mau e que o próximo provavelmente não seria melhor, e na realidade não parece estar a ser.
Em 2009 ouvimos dizer que este será mais um ano mau e que 2010 provavelmente não será melhor.
Para além deste recorrente e brilhante vaticínio de muitos analistas ( economistas e não economistas ), de que este será um ano mau e o próximo não parece vir a ser melhor, pouco se tem ouvido ou lido de interessante ou relevante.
A verdade é que os anos vão passando e o discurso das perspectivas de saída da crise ou de crescimento económico, pouco se alteram.
Habituados a ciclos económicos de períodos curtos onde se alternavam cíclica e regularmente os bons e os maus anos económicos, estamos nos dias de hoje perante realidades tendencialmente diferentes.
Já não é líquido que a crise seja conjuntural. Arrastando-se por demasiados anos é mais provável que ela se torne estrutural. Mas o que de certeza esta prolongada crise está a ser é uma crise estruturante.
Durante muitos anos os sistemas económicos e financeiros viveram na ilusão de que o dinheiro circularia sempre com grande fluidez. O crédito parecia ser um recurso inesgotável mas não era e não o está a ser agora.
Quer para empresas, quer para particulares, a concessão de crédito tornou-se muito mais rigorosa e difícil. Os bancos alegam que os critérios de rigor são maiores e de facto são. Mas também não é menos verdade que eles próprios têm ( muito ) menos liquidez para emprestar às empresas e aos particulares.
Tornando-se a escassez de dinheiro uma dura realidade, forçosamente temos alteração de comportamentos das empresas e dos particulares, ou seja, há todo um novo redimensionar de prioridades, e toda uma nova reconstrução das estruturas das vidas das empresas e particulares.
Uma das características imediatas é a forte diminuição do consumo. Dirão muitos que isso não é bom porque o consumo equivale à procura e é a procura de bens e serviços que estimula a economia. Pois é, só que ao olharem para os seus bolsos, nem empresas nem famílias têm dinheiro para “fazerem flores”. A hora é de aperto e sobrevivência. A prolongada crise tornou-se de facto estruturante e teremos de ser criativos para conseguirmos ultrapassá-la.
Não acontecerá neste ano ou no próximo. Poderá até levar anos a ultrapassá-la.
No limite estaremos no inicio de uma nova era onde as novas regras a que estamos a ser habituados a viver, não serão regras temporárias.
Elas poderão vigorar por muitos anos pelo que não vale a pena estarmos sentados à espera que aconteçam milagres.

domingo, março 08, 2009

Diplomacia económica portuguesa no contexto da crise internacional

Li atentamente o post anterior do meu colega Fresiano Mário relativo a ajuda do Presidente da República na visita a Alemanha e na questão do dossier Quimonda.

Em primeiro lugar e em jeito de complementaridade ao que foi dito gostaria de salientar que uma das competências constitucionais do PR também o são no âmbito da politica externa. E o que é politica externa actualmente? É a defesa das questões domésticas no plano internacional com um grande enfoque na diplomacia económica.

Com a globalização o cruzamento das questões internas versus questões externas passam a ser relevantes e a a velha dicotomia politica interna versus politica externa em economias globalizadas é um modelo gasto há muitos anos como é consensual em todos os especialistas de politica internacional.


Portugal como Estado-Membro da União Europeia e com um parceiro comercial relevante como a Alemanha é consensual que a aproximação do Presidente da República a Alemanha seja feita num quadro normal das relações bilaterais. Quem o negar ou criticar em primeiro lugar:

Não conhece a História Diplomatica de Portugal nem conhece as nossas prioridades de politica externa.

A Alemanha sempre foi um parceiro estratégico de portugal muito antes da chamada têndencia Iberista que existe na mente de alguns meios politicos. Foi sempre um investidor de relevância em Portugal e onde as empresas alemãs mais importantes sempre tiveram um papel de estratégico no impulso da economia nacional e da formação de recursos humanos em sectores como: Automóvel, Farmacêutico, Turismo, Componentes Eléctricas entre outros.

A questão da Quimonda não é apenas uma questão portuguesa mas sim europeia e que tem que se contextualizar no âmbito da crise económica internacional e da perda de competitividade das economias europeias em relação a Ásia e as dificuldades que as empresas europeias têm no âmbito das vendas internacionais com a diminuição da procura dos seus produtos em vários mercados externos.

Relevante isso sim e Portugal já devia estar preparado há muito era termos uma máquina diplomática profissionalizada e experiente do ponto de vista internacional para estar mais atenta em termos de prospectiva estratégica das grandes têndencias dos mercados internacionais e das mutações dai decorrentes que permitissem uma maior diversificação de mercados para as empresas portuguesas.

Desculpem o meu realismo politico de espectador comprometido na senda do sociólogo francês Raymond Aron mas não acredito que a questão da Qimonda vai ser resolvida pelos politicos já que é uma decisão empresarial que apenas diz respeito a Casa Mãe do grupo Qimonda.

O habitual sebastianismo português que tem que ser sempre os de fora a resolver os nossos problemas nacionais já está desacreditado.

Neste tempo de crise nacional económica e acima de tudo de ausência de valores temos que ter uma estratégia nacional de desenvolvimento apartidária e consensual entre todas as forças politicas e enquadrando essa estratégia no Concerto Europeu e com os nossos parceiros internacionais. A Alemanha neste momento também está a resolver as suas questões internas e por questões de nacionalismo económico o empresariado alemão vai dar prioridade aos seu mercado interno em qualquer decisão de investimento.

Portugal se também tem os chamados campeões empresariais nacionais também o Estado deve apoiar essas empresas para criar riqueza e fomentar as redes de cooperação entre as PME nacionais. Este tema ninguém fala.

A crise económica internacional afecta todos os Países mas alguns vão dar a volta por cima mais depressa que nós porquê? porque estes já arrumaram a casa estrutural há muitos anos e têm vontade e capacidade para o fazer. Aqui ainda andamos a discutir os mesmos temas de há 20 anos....... sempre numa base conjuntural.........para os media.....

terça-feira, março 03, 2009

A Ajuda do Presidente


Devemos louvar a atitude e iniciativa do Presidente da Republica na decisão de tomar também como sua responsabilidade a tal iniciativa de levar, na sua visita à Alemanha, uma proposta para viabilizar o futuro da Qimonda.

Visão rara de um homem também raro nos dias de hoje. A visão de quem percebe que o caminho é a união de esforços entre orgãos de soberania e entre aqueles que têm responsabilidades no governo da nação. Só um espírito de plena cooperação e visão estratégica, de entendimento dos verdadeiros problemas do país, leva alguém como o Presidente e fora de qualquer contexto político-partidário, a tal iniciativa. Longe, muito longe da diplomacia do croquete.

Cavaco entende a importância da Qimonda para a economia do país, na defesa de milhares de postos de trabalho, altamente qualificados, na defesa de um centro de investigação, tecnologia e know how, concentrados em Portugal que podem representar uma bandeira para o país. Na defesa do maior exportador nacional (mais do que a Petrogal e a Auto Europa). Por isso leva consigo empresários. Já antes Sampaio o havia feito também.

E a visão de Cavaco permitiu-lhe agir. Quando está em causa o segundo principal país de destino das nossas exportações e o maior exportador nacional (oriundo desse mesmo país) o Presidente age e visita a Alemanha.

E segundo fontes jornalísticas terá até sido o governo a solicitar essa ajuda do Presidente a qual não a renegou e se dispôs a colaborar. Denunciando um verdadeiro pensamento de economista e de homem clarividente. Fazem falta em Portugal homens, muitos homens, deste calibre.

É necessário defender especialmente as PME´s. Mas não basta apenas defender as PME´s. Não basta apenas falar mal de governos e políticos. É necessário valorizar governos e políticos quando trabalham bem. Quem não vir isto, não percebe nada de história. Da nossa história económica.

domingo, março 01, 2009

Porque razão os Portugueses não votam?

Cada vez mais aumenta a abstenção, menos gente a votar, sem contar com os votos nulos. Então porque não se verifica uma redução de mandatos? Assim, imaginemos que um dia apenas votavam 250 eleitores ... teríamos 250 deputados? Parece-me que uma forma de obrigar os eleitos a respeitarem quem vota e a serem coerentes com as sua promessas, seria reduzir os deputados na proporção dos votos nulos e da abstenção. Se não votam os 100% de eleitores, porque razão se deve considerar 100% de porcentagem na contagem final? Será que os eleitores cada vez mais deixam de exercer o seu voto por serem iletrados? Apolíticos? Ignorantes? Claro que não!! Deixaram de acreditar e consequentemente de votar, só que esse seu gesto de protesto não tem efeitos práticos, é como se deixassem de existir. Deste modo a frase " o voto é uma arma" deixa de ter sentido!
Nos anos 70, estava eu a cumprir o serviço militar, assisti a uma discussão entre militares do quadro permanente em que falavam das suas competências e qualidades, quando um deles, já farto da conversa rematou " deixem-se de tretas, nós só estamos  cá porque, no nosso tempo, quando chegamos à idade de trabalhar, só tínhamos 3 alternativas : ou íamos para a CP (caminhos de ferro) para a Polícia/GNR ou para a tropa (serviço militar)". Pois é, lembrei-me dessa situação e deparo-me com o seguinte : agora parece que só há uma alternativa para eles "ser político". A ser assim, já compreendo a qualidade dos políticos que temos, contudo reconheço que são espertos (não confundir com inteligentes), mesmo que "as gentes" não votem, os restantes continuam a contar 100%, assim estão sempre legitimados. Se só votarem 60% dos eleitores ... os outros 40% (entre abstenções e nulos) não significam nada? Então para que serve o VOTO?? E como recuperamos estes eleitores? Como comunicar com os eleitores? A comunicação, como sabemos, poder ser Verbal e Não Verbal. A verbal pode ser manipulada, dizer uma coisa e sentir outra (preferencialmente usada pelos políticos), enquanto a não verbal (salvo representação teatral) é espontânea, mais sincera e informa-nos do aqui e agora. Uma das formas de o constatar é através da expressão facial, onde podemos perceber no outro, entre outras coisas, se está triste, alegre, satisfeito ou irritado. Neste âmbito, quando os políticos falam, para além da representação teatral, o que observamos? Faces crispadas, sobrolhos franzidos, olhos "esbugalhados", dentes cerrados quando se lhes pergunta o porquê das suas atitudes e/ou decisões. É assim que esclarecem os eleitores? Transmitem serenidade, à vontade , confiança? Obviamente que não, pelo contrário, geram desconforto, mal estar, sentimentos de culpa (por ter votado) e por isso deixam de votar. Só que se enganam quando pensam manifestar o seu descontentamento, pois a sua atitude não vale nada, são classificados como desinteressados da "coisa pública" e como tal sem direitos, É como se não existissem, mas têm de continuar a pagar impostos. E os que votam NULO ou BRANCO? Foram lá ... também não existem? É por essas e por outras que se devia reduzir o número de deputados em função dos descontentes ou enganados, talvez assim se preocupassem mais com a EDUCAÇÃO dos portugueses para deixarem de estar na cauda da Europa.

69999

Sessenta e nove mil novecentos e noventa e nove.
Sendo um número consideravelmente grande o que quererá dizer?

Esta semana ficamos a conhecer que inscreveram-se nos centros de emprego e durante o mês de Janeiro deste ano 70000 novos desempregados.
Naturalmente ficamos impressionados e chocados com a dimensão do número de novos desempregados.
Eu contribuí para esse número pois fui um dos 70000 novos desempregados que se inscreveram nos centros de emprego.
Mas se é certo que me inscrevi no dia 2 de Janeiro, também é verdade que menos de 15 dias depois já estava a trabalhar noutra empresa pelo que o meu caso já não é o de um dos 70000 citados. Se a esse número subtrairmos o meu caso que no mesmo mês de Janeiro encontrei um novo emprego, teríamos então, não 70000 mas sim 69999 novos desempregados.
Acredito que o meu caso foi em parte uma questão de sorte. Desejo sinceramente que muitos desses outros 69999 colegas de infortúnio, tenham também sorte em breve.
Mas o meu caso não foi só de sorte. Trata-se de uma adaptação à realidade.
Saí por minha iniciativa da empresa onde trabalhei anteriormente durante cerca de 14 anos.
Saí numa altura de crise em que praticamente todos consideraram a minha decisão quase um “acto de loucura”. E de facto, em parte foi. Tenho 41 anos e já estou numa altura da vida em que muitas portas se fecham no mercado de trabalho.
Não deixa de ser um contra-senso. As empresas necessitam de profissionais competentes, qualificados, experientes, sérios, responsáveis e algumas destas qualidades só se adquirem com alguns anos de experiência. O certo é que tendo ou não muita experiência, sendo ou não um candidato com elevado valor profissional, esses factores são ignorados ou substituídos pelo factor idade.
Felizmente não foi esse o meu caso. Aceitei a primeira oferta que me surgiu pois o meu principal interesse é trabalhar. Outras oportunidades de emprego surgiram, inclusive vinda do Centro de Emprego mas que tive de declinar pois cruzou-se com a minha informação ao Centro de Emprego de que já estava a trabalhar. Mas fiquei agradavelmente surpreendido pois nas notícias que vemos na televisão, temos só casos de pessoas que se inscrevem e não são chamadas para ofertas de emprego.

Não creio que o meu seja só um caso de sorte ou de sucesso. Trata-se antes de um caso de adaptação onde se aceita novos desafios a todos níveis, de funções, remuneratórios, etc.
Aqui ressalta-me também um dado curioso. Alguns desempregados ao ser entrevistados perguntam “ Quem é que vai dar-me emprego para o nível de qualificações elevado que eu possuo ? “. Julgo que aqui reside um erro dos desempregados. O mercado nem sempre pode oferecer-nos trabalho de acordo com as nossas qualificações máximas. Será então altura de ter alguma dose de humildade e aceitar funções eventualmente menos qualificadas.
Trabalhar de forma séria e honesta nunca será desonra para ninguém.
Também existe o caso de muitos desempregados que não aceitam trabalhos em que ganhem menos do que estão a receber do subsídio de desemprego.
O mundo do desemprego e dos desempregados tem pano para mangas, sendo difícil ouvirmos falar das questões verdadeiramente importantes. Estão todos descansados se o desemprego estiver nos 7,8% e preocupados se subir para 8,1%, esquecendo-se que em qualquer dos casos estamos a falar de milhares de famílias que estão a enfrentar situações muito difíceis.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Crise Mundial e Consumo Nacional

Damos por Nós muitas das vezes a pesquisar, ler artigos, formas e instrumentos para podermos poupar e tentar sobreviver a este “choque térmico” de nome Crise Económica e/ou financeira!
Ao invés de procurarmos nos lineares das livrarias as novas tendências sobre a Arte de poupar ou de esticar o nosso precioso vencimento, podemos também e inclusive fazê-lo de outra forma no nosso dia-a-dia? Como?

Quando por exemplo vamos ao Supermercado, prática normal das nossas vidas, somos abordados pelas mais belíssimas e técnicas de Merchandising, “ilhas”, lineares com um vasto sortido de produtos, todos com muito bom aspecto, excelente qualidade, embalagens e cores apelativas, etc…mas como meros consumidores há um nível que já não devemos desprezar, muito pelo contrário, valorizar cada vez mais… apenas e só os três dígitos/números do código do produto, isto é, o código de barras com inicio em 560.

Sim! Trata-se de um produto “made in Portugal”. São 3 números apenas, 1 pequeno pormenor que leva a uma grande diferença. Não se trata de Nacionalismo bacoco, confesso, mas sim de uma linha de pensamento que nos poderá também, em conjunto com outras Variáveis, levar à aquisição desses produtos em prol de outros. Por detrás deste código há muito menos desprezíveis razões…de uma forma aleatória, nomeadamente, Emprego, Famílias, Sociedade, Cultura, as pessoas, os stakeholders, enfim nós e os nossos!
Recentemente um famoso político português da nossa “praça” afirmou que as próximas gerações estão endividadas, os bebés que estão para nascer já tem créditos…assustador!
O que podemos fazer?
Esperar decisões Políticas?
Ficar de braços cruzados à espera da salvação da mãe “Bruxelas”? Não!
Aguardar pelo apoio de outros Países, de Grandes Potencias e nunca adormecidas, velozes, como a China e a Índia?
Lamentar tudo e todos? Jamais!!!

Deixo esse desafio para Connosco, pois nestes pequenos e isolados gestos podemos a pouco e pouco, ultrapassar a Crise. Ou no mínimo, fazer algo e não sermos meros observadores de bancada.

Alexandre Motty