Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

domingo, março 29, 2009

Bebés com 24 Meses

A minha sobrinha fez esta semana 24 Meses e eu como “tio babado” lá fui à procura de uma prenda para ela. Procurei um brinquedo ou um jogo didáctico indicado para esta idade. Procurei em várias lojas mas nada encontrei.

Resolvi então dirigir-me a uma grande superfície que, como catedrais do consumo que são, certamente teriam algo indicado para os 24 Meses.
Percorrendo as prateleiras, de alto a baixo e da esquerda para a direita, vi um infindável número de possíveis prendas para os 6 Meses, 9 Meses, 12 Meses, 18 Meses e …36 Meses.
Julgando que estava a ler mal voltei a ver todas as prateleiras, quase brinquedo a brinquedo pegando num sem número de caixas e lendo as indicações das idades e apenas reconfirmei os meus receios iniciais; não havia brinquedos indicados especificamente para a idade de 24 Meses.
Resolvi interrogar-me pela razão de tal facto mas não cheguei a conclusão nenhuma. Não sou pediatra mas já assisti ao crescimento de vários bebés e dá para entender que a evolução que eles demonstram é quase semanal.
Todas as semanas fazem algo de novo e as suas capacidades psico-motoras evoluem ao longo dos dias, semanas e meses. Se todos meses evoluem, certamente não irão parar essa evolução aos 18 meses para retomar o desenvolvimento aos 36 Meses.
Noutra secção lá encontrei um livro-brinquedo indicado para bebés a partir dos 18 meses e fui ainda à secção dos Dvd´s comprar 3 Dvd´s. A minha sobrinha vai certamente ficar contente mas eu continuo inconformado por não ter encontrado algo que dissesse “Para bebés com 24 Meses”.
Numa altura em que se fala tanto da crise e da necessidade de descobrir “nichos de mercado” aqui fica a indicação que talvez possa estar aqui um “nicho de mercado”, ou seja, vender prendas para bebés com 24 meses.

sexta-feira, março 27, 2009

O estado da banca,....


Regressei ontem á noite aos debates ao vivo do nosso FRES, e, acima de tudo, foi um prazer rever os jovens companheiros de reflexão.

Entre os inúmeros temas debatidos, também o "estado" actual da Banca, foi motivo de troca de ideias,pelo que, me veio á mente uma fotografia que tirei Dezembro passado em Aveiro.


sábado, março 21, 2009

O Marketing Internacional...mais uma vez


A propósito do tema redescobrir o Marketing e da internacionalização das empresas portuguesas tão bem descrito pelo Otávio, considero que há aqui um tema deveras importante e um longo caminho a percorrer.

No contexto actual em que nos encontramos, ainda não sabemos se saídos totalmente de uma crise financeira mas certamente sentindo a crise económica, as empresas nacionais vivem momentos de angústia. Porque o mercado nacional é exíguo, pequeno e limitado para a sua actividade, porque o consumo interno caiu e não se sabe por quanto tempo assim permanecerá, uma vez que o mercado interno não é elástico, seja qual for o sector de actividade não permitindo por isso crescimentos contínuos e sustentados da actividade das nossas empresas.

O que daqui resulta é que temos obrigatoriamente que nos virar para o exterior. E os mercados destino não são já apenas aqueles onde confortavelmente temos estado presentes no passado. O mercado da UE, destino principal das nossas exportações, está em recessão, os nossos principais parceiros económicos crescem menos que Portugal. O desemprego afecta-os de forma significativa o que tem reflexos na sua procura interna e logo na compra dos nossos bens e serviços.

O que nos resta então? Outros mercados? E quais? Simples, alguém se lembra do mercado lusófono? Das relações económicas, sociais, empresariais, familiares, históricas, culturais, linguísticas ou outras que temos historicamente estabelecidas com aqueles países?

Neste âmbito, instituições como a CPLP, no seio da qual a constituição de um conselho económico e empresarial a funcionar plena e eficazmente, seria um instrumento imprescindível para o fortalecimento e benefício mútuo para os empresários e empresas dos seus países membros. O mesmo se diria ao nível das parcerias para o desenvolvimento de projectos de investimento nos países necessitados, recolhendo fundos e financiamentos onde o capital fosse mais abundante e disponível trabalhando assim num quadro de uma visão de plena cooperação. Portugal precisa. Os restantes membros da CPLP também precisam.

E tal seria ainda justificável ao nível da cooperação universitária, com o desenvolvimento de actividades de investigação co-financiadas pelos vários países em conjunto com vista a acelerar a inovação. Na criação e reforço da universalização da língua portuguesa, afinal um dos maiores activos desta lusitana nação. NA criação de cursos com equivalência universitária de modo a que os futuros licenciados posam usufruir de um mercado de trabalho alargado não apenas a um mas a vários países que ainda por cima falam a mesma língua.

Também as Câmaras de Comércio e Industria, as Associações Empresariais ou a AICEP, para citar três exemplos importantes de instituições incontornáveis neste processo, terão aqui um papel preponderante e fundamental. No aconselhamento aos empresários tendo em vista a sua internacionalização, na troca de informações de carácter empresarial entre parceiros dos vários países, colocando-os em contacto, na orientação para mercados ou segmentos específicos onde estão detectadas necessidades e oportunidades; na orientação para os aspectos legais e jurídicos; na ajuda e esclarecimento sobre as etapas a cumprir neste processo ou das instituições a contactar num processo de investimento além fronteiras naqueles países; na clarificação dos riscos e esforço financeiro necessário.

Estas instituições terão ainda um papel incontornável na ajuda à criação ou reforço de uma marca (individual ou colectiva) e na projecção da mesma em termos internacionais, no contacto com os canais de distribuição ou finalmente no contacto com as instituições congéneres de modo a construir uma ponte entre países

Também aos bancos pode ser acometido o papel, de advisers, parceiros de internacionalização, financiadores, orientadores do investimento. Os nossos bancos estão nalguns destes países e conhecem os mercados.

Só com uma estratégia concertada entre todos os actores económicos será possível ajudar as nossas empresas e empresários a estabelecer uma adequada estratégia de internacionalização.
Muitas das s nossas empresas querem, precisam, mas a maior parte desconhece as etapas, os riscos, as oportunidades e ameaças, constrangimentos ou os recursos necessários e indispensáveis à sua internacionalização. E para uma grande parte delas, esta é uma estratégia de sobrevivência. Quando talvez nem 15% das nossas PME´s desenvolvem actividade internacional, na maior parte dos casos recorrendo apenas às actividades de exportação.

quinta-feira, março 19, 2009

Redescobrir o Marketing

O Marketing também pode ser definido como o conjunto de iniciativas que visam estabelecer uma comunicação eficaz entre as empresas e os seus clientes.

Esta frase ( ou este conceito ) levam-me a pensar se poderá ser a ausência de um bom Marketing o que estará na origem do não crescimento e da não notoriedade de muitas empresas.
Outra questão bem diferente ( e quiçá mais problemática ) seria reconhecer que as empresas não têm uma boa estrutura de produção de bens ou de prestação de serviços. Se assim fosse, não haveria Marketing que as salvasse.
Mas vendo muitos pequenos exemplos de ideias e projectos bem concebidos e empresas com bons níveis de estrutura produtiva ou de prestação de serviços, volto-me para a importância por vezes negligenciada de se ter uma ( boa ) estratégia de Marketing.
Ocorrem-me muitos exemplos para ilucidar a importância do Marketing, tendo um bem recente ocorrido há cerca de 15 dias na EXPORT HOME ( Feira do Mobiliário, Iluminação e Artigos de Casa para Exportação ), que decorreu na EXPONOR entre 3 e 7 de Março.
Fica aqui apenas a transcrição da opinião de uma dupla de compradores internacionais:
“ Tomas & Simon, dupla sueca apresentadora de um programa de entretenimento semelhante ao da versão portuguesa «Querido mudei a casa», proprietários da loja LondonW8, em Estocolmo e decoradores de interiores, ficaram «extremamente surpreendidos» com a qualidade dos produtos expostos na 21ª edição da EXPORT HOME. O desconhecimento do trabalho feito em Portugal intrigou os decoradores, uma vez que pouco ouvem falar no trabalho que é feito cá, apesar da qualidade da mão-de-obra, dos próprios materiais e dos acabamentos que viram nas peças.”
Se existem muitos mais casos de empresas de qualidade em Portugal, devemos continuar a fazer esforços para divulgá-las, fazendo com que alcancem os mercados internacionais.

domingo, março 15, 2009

EQUAÇÃO DA VIDA

Os anglo-saxónicos na gestão global adoram números, bases matemáticas da vida diária, cada vez existem menos especialistas em números, mas temos mais viciados nos mesmos. É necessário!

Somos diariamente bombardeados com os números: quantidades, percentagens, valores, cêntimos, no café, na bomba de gasolina, supermercado, lojas, sempre com a Grande Ciência que é a Matemática presente, X €´s; Y unidades; promoção de A% no dia W, etc…a matemática e os seus resultados fazem também parte da Grande Ciência que é a nossa Vida!

Deste modo gostaria de falar da Equação da Vida! Sim…, pois considero que a Vida “per Si”, não é constituída apenas e só por uma Variável, mas sim por um conjunto multidisciplinar de Variáveis, tal como nas equações matemáticas.

Equações essas, constituídas por várias variáveis, umas mais complexas e de difícil compreensão que outras, mas todas com um resultado, positivo, de preferência!

Isso não significa que nos restringimos apenas e só a uma variável, dedicando apenas a nossa taxa de esforço nessa, mas sim na complementaridade e interligação das mesmas.

Vejamos por exemplo a Realização! Refiro-me a qualquer uma, isto é, pessoal, profissional, emocional, etc. Dificilmente, arranjaremos uma definição clara e quantificável. Já Maslow não conseguiria explicar sem a sua famosa e brilhante pirâmide.

Realização Pessoal = Família + Trabalho + Saúde + …Amigos, etc…

Doutra forma,

RP = F + T + S + A +etc…

Não quero tornar a complexidade da vida, nesta pequena frívola equação, mas de facto, pode- nos ajudar!

Sendo mais minucioso, por exemplo, uma pessoa não depende apenas e só de uma variável, por exemplo da tarefa que desempenha. Seríamos apenas títulos formais tais como Técnicos, Ministros, no fundo seríamos estandardizados e rotulados.

Uma pessoa é em simultâneo, um agente social, um profissional, um sobrinho, um amigo, um colega, uma complementaridade, recorrendo à linguagem informática, um “Bundle” Social!

Dentro de cada um destes itens, variáveis, papéis, se formos mais precisos, assertivos, rigorosos, melhores resultados obteremos em toda a Equação Global que é a VIDA.

Ex: + + + = +

Assim bem como mais forte, positiva e sólida fica a nossa variável, na sua extensão, no seu Global, logo a probabilidade da mesma vir a ter um resultado positivo da nossa EV (Equação da Vida), aumenta.

Alguns exemplos:

C + A + D + T = G, i.e, Concentração+Aperfeiçoamento+Diário+Tempo = Génio

Deixo-vos este desafio, fazendo a anologia com uma ponte:
-

Atravessariam uma ponte A, tendo esta apenas um pilar de sustentabilidade?
- Ou optariam pela B com mais pilares na sua base?
- Qual das duas poderá perdurar e resistir a trepidação diária dos peões, automóveis, camiões, ou até mesmo às intempéries ou eventuais terramotos?

Como disse um Colega Fresiano, Food for Thought!

Alexandre Motty

terça-feira, março 10, 2009

CRISE ESTRUTURANTE

Que estamos mergulhados numa crise económica não é novidade para ninguém.
Agora o interessante é escrutinar quando passará esta crise.

No ano de 2007 ouvíamos dizer que esse seria um ano mau e que o próximo provavelmente não seria melhor, e na realidade não foi.
Em 2008 ouvimos dizer que esse seria um ano mau e que o próximo provavelmente não seria melhor, e na realidade não parece estar a ser.
Em 2009 ouvimos dizer que este será mais um ano mau e que 2010 provavelmente não será melhor.
Para além deste recorrente e brilhante vaticínio de muitos analistas ( economistas e não economistas ), de que este será um ano mau e o próximo não parece vir a ser melhor, pouco se tem ouvido ou lido de interessante ou relevante.
A verdade é que os anos vão passando e o discurso das perspectivas de saída da crise ou de crescimento económico, pouco se alteram.
Habituados a ciclos económicos de períodos curtos onde se alternavam cíclica e regularmente os bons e os maus anos económicos, estamos nos dias de hoje perante realidades tendencialmente diferentes.
Já não é líquido que a crise seja conjuntural. Arrastando-se por demasiados anos é mais provável que ela se torne estrutural. Mas o que de certeza esta prolongada crise está a ser é uma crise estruturante.
Durante muitos anos os sistemas económicos e financeiros viveram na ilusão de que o dinheiro circularia sempre com grande fluidez. O crédito parecia ser um recurso inesgotável mas não era e não o está a ser agora.
Quer para empresas, quer para particulares, a concessão de crédito tornou-se muito mais rigorosa e difícil. Os bancos alegam que os critérios de rigor são maiores e de facto são. Mas também não é menos verdade que eles próprios têm ( muito ) menos liquidez para emprestar às empresas e aos particulares.
Tornando-se a escassez de dinheiro uma dura realidade, forçosamente temos alteração de comportamentos das empresas e dos particulares, ou seja, há todo um novo redimensionar de prioridades, e toda uma nova reconstrução das estruturas das vidas das empresas e particulares.
Uma das características imediatas é a forte diminuição do consumo. Dirão muitos que isso não é bom porque o consumo equivale à procura e é a procura de bens e serviços que estimula a economia. Pois é, só que ao olharem para os seus bolsos, nem empresas nem famílias têm dinheiro para “fazerem flores”. A hora é de aperto e sobrevivência. A prolongada crise tornou-se de facto estruturante e teremos de ser criativos para conseguirmos ultrapassá-la.
Não acontecerá neste ano ou no próximo. Poderá até levar anos a ultrapassá-la.
No limite estaremos no inicio de uma nova era onde as novas regras a que estamos a ser habituados a viver, não serão regras temporárias.
Elas poderão vigorar por muitos anos pelo que não vale a pena estarmos sentados à espera que aconteçam milagres.

domingo, março 08, 2009

Diplomacia económica portuguesa no contexto da crise internacional

Li atentamente o post anterior do meu colega Fresiano Mário relativo a ajuda do Presidente da República na visita a Alemanha e na questão do dossier Quimonda.

Em primeiro lugar e em jeito de complementaridade ao que foi dito gostaria de salientar que uma das competências constitucionais do PR também o são no âmbito da politica externa. E o que é politica externa actualmente? É a defesa das questões domésticas no plano internacional com um grande enfoque na diplomacia económica.

Com a globalização o cruzamento das questões internas versus questões externas passam a ser relevantes e a a velha dicotomia politica interna versus politica externa em economias globalizadas é um modelo gasto há muitos anos como é consensual em todos os especialistas de politica internacional.


Portugal como Estado-Membro da União Europeia e com um parceiro comercial relevante como a Alemanha é consensual que a aproximação do Presidente da República a Alemanha seja feita num quadro normal das relações bilaterais. Quem o negar ou criticar em primeiro lugar:

Não conhece a História Diplomatica de Portugal nem conhece as nossas prioridades de politica externa.

A Alemanha sempre foi um parceiro estratégico de portugal muito antes da chamada têndencia Iberista que existe na mente de alguns meios politicos. Foi sempre um investidor de relevância em Portugal e onde as empresas alemãs mais importantes sempre tiveram um papel de estratégico no impulso da economia nacional e da formação de recursos humanos em sectores como: Automóvel, Farmacêutico, Turismo, Componentes Eléctricas entre outros.

A questão da Quimonda não é apenas uma questão portuguesa mas sim europeia e que tem que se contextualizar no âmbito da crise económica internacional e da perda de competitividade das economias europeias em relação a Ásia e as dificuldades que as empresas europeias têm no âmbito das vendas internacionais com a diminuição da procura dos seus produtos em vários mercados externos.

Relevante isso sim e Portugal já devia estar preparado há muito era termos uma máquina diplomática profissionalizada e experiente do ponto de vista internacional para estar mais atenta em termos de prospectiva estratégica das grandes têndencias dos mercados internacionais e das mutações dai decorrentes que permitissem uma maior diversificação de mercados para as empresas portuguesas.

Desculpem o meu realismo politico de espectador comprometido na senda do sociólogo francês Raymond Aron mas não acredito que a questão da Qimonda vai ser resolvida pelos politicos já que é uma decisão empresarial que apenas diz respeito a Casa Mãe do grupo Qimonda.

O habitual sebastianismo português que tem que ser sempre os de fora a resolver os nossos problemas nacionais já está desacreditado.

Neste tempo de crise nacional económica e acima de tudo de ausência de valores temos que ter uma estratégia nacional de desenvolvimento apartidária e consensual entre todas as forças politicas e enquadrando essa estratégia no Concerto Europeu e com os nossos parceiros internacionais. A Alemanha neste momento também está a resolver as suas questões internas e por questões de nacionalismo económico o empresariado alemão vai dar prioridade aos seu mercado interno em qualquer decisão de investimento.

Portugal se também tem os chamados campeões empresariais nacionais também o Estado deve apoiar essas empresas para criar riqueza e fomentar as redes de cooperação entre as PME nacionais. Este tema ninguém fala.

A crise económica internacional afecta todos os Países mas alguns vão dar a volta por cima mais depressa que nós porquê? porque estes já arrumaram a casa estrutural há muitos anos e têm vontade e capacidade para o fazer. Aqui ainda andamos a discutir os mesmos temas de há 20 anos....... sempre numa base conjuntural.........para os media.....

terça-feira, março 03, 2009

A Ajuda do Presidente


Devemos louvar a atitude e iniciativa do Presidente da Republica na decisão de tomar também como sua responsabilidade a tal iniciativa de levar, na sua visita à Alemanha, uma proposta para viabilizar o futuro da Qimonda.

Visão rara de um homem também raro nos dias de hoje. A visão de quem percebe que o caminho é a união de esforços entre orgãos de soberania e entre aqueles que têm responsabilidades no governo da nação. Só um espírito de plena cooperação e visão estratégica, de entendimento dos verdadeiros problemas do país, leva alguém como o Presidente e fora de qualquer contexto político-partidário, a tal iniciativa. Longe, muito longe da diplomacia do croquete.

Cavaco entende a importância da Qimonda para a economia do país, na defesa de milhares de postos de trabalho, altamente qualificados, na defesa de um centro de investigação, tecnologia e know how, concentrados em Portugal que podem representar uma bandeira para o país. Na defesa do maior exportador nacional (mais do que a Petrogal e a Auto Europa). Por isso leva consigo empresários. Já antes Sampaio o havia feito também.

E a visão de Cavaco permitiu-lhe agir. Quando está em causa o segundo principal país de destino das nossas exportações e o maior exportador nacional (oriundo desse mesmo país) o Presidente age e visita a Alemanha.

E segundo fontes jornalísticas terá até sido o governo a solicitar essa ajuda do Presidente a qual não a renegou e se dispôs a colaborar. Denunciando um verdadeiro pensamento de economista e de homem clarividente. Fazem falta em Portugal homens, muitos homens, deste calibre.

É necessário defender especialmente as PME´s. Mas não basta apenas defender as PME´s. Não basta apenas falar mal de governos e políticos. É necessário valorizar governos e políticos quando trabalham bem. Quem não vir isto, não percebe nada de história. Da nossa história económica.

domingo, março 01, 2009

Porque razão os Portugueses não votam?

Cada vez mais aumenta a abstenção, menos gente a votar, sem contar com os votos nulos. Então porque não se verifica uma redução de mandatos? Assim, imaginemos que um dia apenas votavam 250 eleitores ... teríamos 250 deputados? Parece-me que uma forma de obrigar os eleitos a respeitarem quem vota e a serem coerentes com as sua promessas, seria reduzir os deputados na proporção dos votos nulos e da abstenção. Se não votam os 100% de eleitores, porque razão se deve considerar 100% de porcentagem na contagem final? Será que os eleitores cada vez mais deixam de exercer o seu voto por serem iletrados? Apolíticos? Ignorantes? Claro que não!! Deixaram de acreditar e consequentemente de votar, só que esse seu gesto de protesto não tem efeitos práticos, é como se deixassem de existir. Deste modo a frase " o voto é uma arma" deixa de ter sentido!
Nos anos 70, estava eu a cumprir o serviço militar, assisti a uma discussão entre militares do quadro permanente em que falavam das suas competências e qualidades, quando um deles, já farto da conversa rematou " deixem-se de tretas, nós só estamos  cá porque, no nosso tempo, quando chegamos à idade de trabalhar, só tínhamos 3 alternativas : ou íamos para a CP (caminhos de ferro) para a Polícia/GNR ou para a tropa (serviço militar)". Pois é, lembrei-me dessa situação e deparo-me com o seguinte : agora parece que só há uma alternativa para eles "ser político". A ser assim, já compreendo a qualidade dos políticos que temos, contudo reconheço que são espertos (não confundir com inteligentes), mesmo que "as gentes" não votem, os restantes continuam a contar 100%, assim estão sempre legitimados. Se só votarem 60% dos eleitores ... os outros 40% (entre abstenções e nulos) não significam nada? Então para que serve o VOTO?? E como recuperamos estes eleitores? Como comunicar com os eleitores? A comunicação, como sabemos, poder ser Verbal e Não Verbal. A verbal pode ser manipulada, dizer uma coisa e sentir outra (preferencialmente usada pelos políticos), enquanto a não verbal (salvo representação teatral) é espontânea, mais sincera e informa-nos do aqui e agora. Uma das formas de o constatar é através da expressão facial, onde podemos perceber no outro, entre outras coisas, se está triste, alegre, satisfeito ou irritado. Neste âmbito, quando os políticos falam, para além da representação teatral, o que observamos? Faces crispadas, sobrolhos franzidos, olhos "esbugalhados", dentes cerrados quando se lhes pergunta o porquê das suas atitudes e/ou decisões. É assim que esclarecem os eleitores? Transmitem serenidade, à vontade , confiança? Obviamente que não, pelo contrário, geram desconforto, mal estar, sentimentos de culpa (por ter votado) e por isso deixam de votar. Só que se enganam quando pensam manifestar o seu descontentamento, pois a sua atitude não vale nada, são classificados como desinteressados da "coisa pública" e como tal sem direitos, É como se não existissem, mas têm de continuar a pagar impostos. E os que votam NULO ou BRANCO? Foram lá ... também não existem? É por essas e por outras que se devia reduzir o número de deputados em função dos descontentes ou enganados, talvez assim se preocupassem mais com a EDUCAÇÃO dos portugueses para deixarem de estar na cauda da Europa.

69999

Sessenta e nove mil novecentos e noventa e nove.
Sendo um número consideravelmente grande o que quererá dizer?

Esta semana ficamos a conhecer que inscreveram-se nos centros de emprego e durante o mês de Janeiro deste ano 70000 novos desempregados.
Naturalmente ficamos impressionados e chocados com a dimensão do número de novos desempregados.
Eu contribuí para esse número pois fui um dos 70000 novos desempregados que se inscreveram nos centros de emprego.
Mas se é certo que me inscrevi no dia 2 de Janeiro, também é verdade que menos de 15 dias depois já estava a trabalhar noutra empresa pelo que o meu caso já não é o de um dos 70000 citados. Se a esse número subtrairmos o meu caso que no mesmo mês de Janeiro encontrei um novo emprego, teríamos então, não 70000 mas sim 69999 novos desempregados.
Acredito que o meu caso foi em parte uma questão de sorte. Desejo sinceramente que muitos desses outros 69999 colegas de infortúnio, tenham também sorte em breve.
Mas o meu caso não foi só de sorte. Trata-se de uma adaptação à realidade.
Saí por minha iniciativa da empresa onde trabalhei anteriormente durante cerca de 14 anos.
Saí numa altura de crise em que praticamente todos consideraram a minha decisão quase um “acto de loucura”. E de facto, em parte foi. Tenho 41 anos e já estou numa altura da vida em que muitas portas se fecham no mercado de trabalho.
Não deixa de ser um contra-senso. As empresas necessitam de profissionais competentes, qualificados, experientes, sérios, responsáveis e algumas destas qualidades só se adquirem com alguns anos de experiência. O certo é que tendo ou não muita experiência, sendo ou não um candidato com elevado valor profissional, esses factores são ignorados ou substituídos pelo factor idade.
Felizmente não foi esse o meu caso. Aceitei a primeira oferta que me surgiu pois o meu principal interesse é trabalhar. Outras oportunidades de emprego surgiram, inclusive vinda do Centro de Emprego mas que tive de declinar pois cruzou-se com a minha informação ao Centro de Emprego de que já estava a trabalhar. Mas fiquei agradavelmente surpreendido pois nas notícias que vemos na televisão, temos só casos de pessoas que se inscrevem e não são chamadas para ofertas de emprego.

Não creio que o meu seja só um caso de sorte ou de sucesso. Trata-se antes de um caso de adaptação onde se aceita novos desafios a todos níveis, de funções, remuneratórios, etc.
Aqui ressalta-me também um dado curioso. Alguns desempregados ao ser entrevistados perguntam “ Quem é que vai dar-me emprego para o nível de qualificações elevado que eu possuo ? “. Julgo que aqui reside um erro dos desempregados. O mercado nem sempre pode oferecer-nos trabalho de acordo com as nossas qualificações máximas. Será então altura de ter alguma dose de humildade e aceitar funções eventualmente menos qualificadas.
Trabalhar de forma séria e honesta nunca será desonra para ninguém.
Também existe o caso de muitos desempregados que não aceitam trabalhos em que ganhem menos do que estão a receber do subsídio de desemprego.
O mundo do desemprego e dos desempregados tem pano para mangas, sendo difícil ouvirmos falar das questões verdadeiramente importantes. Estão todos descansados se o desemprego estiver nos 7,8% e preocupados se subir para 8,1%, esquecendo-se que em qualquer dos casos estamos a falar de milhares de famílias que estão a enfrentar situações muito difíceis.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Crise Mundial e Consumo Nacional

Damos por Nós muitas das vezes a pesquisar, ler artigos, formas e instrumentos para podermos poupar e tentar sobreviver a este “choque térmico” de nome Crise Económica e/ou financeira!
Ao invés de procurarmos nos lineares das livrarias as novas tendências sobre a Arte de poupar ou de esticar o nosso precioso vencimento, podemos também e inclusive fazê-lo de outra forma no nosso dia-a-dia? Como?

Quando por exemplo vamos ao Supermercado, prática normal das nossas vidas, somos abordados pelas mais belíssimas e técnicas de Merchandising, “ilhas”, lineares com um vasto sortido de produtos, todos com muito bom aspecto, excelente qualidade, embalagens e cores apelativas, etc…mas como meros consumidores há um nível que já não devemos desprezar, muito pelo contrário, valorizar cada vez mais… apenas e só os três dígitos/números do código do produto, isto é, o código de barras com inicio em 560.

Sim! Trata-se de um produto “made in Portugal”. São 3 números apenas, 1 pequeno pormenor que leva a uma grande diferença. Não se trata de Nacionalismo bacoco, confesso, mas sim de uma linha de pensamento que nos poderá também, em conjunto com outras Variáveis, levar à aquisição desses produtos em prol de outros. Por detrás deste código há muito menos desprezíveis razões…de uma forma aleatória, nomeadamente, Emprego, Famílias, Sociedade, Cultura, as pessoas, os stakeholders, enfim nós e os nossos!
Recentemente um famoso político português da nossa “praça” afirmou que as próximas gerações estão endividadas, os bebés que estão para nascer já tem créditos…assustador!
O que podemos fazer?
Esperar decisões Políticas?
Ficar de braços cruzados à espera da salvação da mãe “Bruxelas”? Não!
Aguardar pelo apoio de outros Países, de Grandes Potencias e nunca adormecidas, velozes, como a China e a Índia?
Lamentar tudo e todos? Jamais!!!

Deixo esse desafio para Connosco, pois nestes pequenos e isolados gestos podemos a pouco e pouco, ultrapassar a Crise. Ou no mínimo, fazer algo e não sermos meros observadores de bancada.

Alexandre Motty

Tarefa Individual = Sucesso Colectivo

Existem tarefas Individuais e Sucessos Colectivos, como todos sabemos!
Uma não invalida a outra e ambas estão interligadas.
O que é o individual sem o Colectivo, e vice-versa?
O que são as Empresas, Instituições sem os Indivíduos/Pessoas?
O que é o planeta sem os Continentes?
O que são os Continentes, sem os Países?
O que são os Países sem as Regiões, sem as Cidades, Vilas, Aldeias, sem os Seus Povos, sem as Pessoas?
É nesse campo do “Individual” que cada um de nós possui, quer a nível Social, Familiar e Profissional que devemos alocar energias e fazer algo.
No nosso quotidiano, devemos valorizar as pessoas, quer Família, Colegas de trabalho, quer Amigos, Vizinhos ou mesmo desconhecidos, tendo sempre uma atitude positiva.
Isso sim é inerente, a cada um de nós, nada e ninguém nos poderá tirar.
O “Modus Faciendi/operandi”.
Queixamo-nos de diversos problemas. E o que fazemos?
Vejamos por exemplo Países de Leste e as suas Pessoas. Países que sofreram Guerras, países com climas frios e cinzentos. Países em que a população emigrou à procura de novas oportunidades de trabalho, e…VIDA!
São esses mesmos Países que apresentam a menor taxa de iliteracia, com uma riqueza grandiosa a nível Cultural como o caso da Música, da Arte, etc.
Porque não independentemente da grandeza dos problemas e suas origens, não colocamos “mão-à-obra”, damos Voz ao nosso “Individual” nas tarefas/funções que desempenhamos, no nosso dia-a-dia, desde o acordar ao deitar, pois Poder =Vontade x Capacidade!
Já o provámos nos Séculos passados, porque não agora que possuímos mais Know-How?
O ser humano está sempre a aprender, com as suas próprias experiências, com a dos outros, learning by doing, adaptarmo-nos ao individual para com o Colectivo.
Acredito que desta forma e em conjunto, sem querer que passemos do 8 para o 80, e sem uma Visão míope das tarefas Individuais, poderemos abandonar o Passado, Agarrar o Presente e Projectar o futuro.


Alexandre Motty

domingo, fevereiro 22, 2009

Os saltos do sapo

Aqui vos demos conta alguns meses atrás da criação do portal do sapo em Cabo Verde www.sapo.cv.

Esta semana o salto foi até às Terras Banhadas pelo Oceano Indico onde está agora presente o www.sapo.mz o portal do sapo em Terras Moçambicanas.
Pelo meio, confesso que estava distraído, pois deixei escapar o lançamento do portal www.sapo.ao, ou seja o portal do sapo em Angola.
Estes saltos do sapo são de facto saltos extremamente positivos a vários níveis: económico, social, desportivo, cultural, etc.
Reforçam de forma louvável os laços entre Portugal e várias das suas ex-colónias, mostrando que a vida dos Países é dinâmica e está sempre virada para o futuro, sendo o estabelecimento destas pontes, veículos fantásticos para promover a aproximação dos povos.
A PT considera o lançamento do Portal sapo.mz uma lança em Moçambique, País onde também pretende alargar os seus Investimentos.
Já aqui foi abordada a importância para Portugal das ex-colónias e do mercado africano em termos económicos. Essa importância é realçada pelo facto de os mais altos representantes da Nação, indicarem repetidamente que só através da dinamização das exportações, Portugal poderá ultrapassar a crise em que está profundamente mergulhado.
Para que essa dinamização das exportações aconteça, muitos passos terão de ser dados.
Já existem muitas empresas nacionais a apostar no mercado africano, que tem sido para muitas delas a única tábua de salvação e de escoamento dos seus produtos.
Talvez fosse altura de se criar uma área de reflexão sobre como se pode dinamizar o mercado das exportações em geral, e em particular as exportações para os Palop´s.
Temos um capital muito importante a explorar, que é o capital das boas relações humanas que existem entre Portugal e os diferentes países dos Palop´s. Além do Património comum que temos e que nos une fortemente representado pela Lingua Portuguesa, existe de facto um carinho muito especial de Cabo Verdianos, Angolanos, Moçambicanos, São-Tomenses e Guineenses pelos Portugueses e pelo que é Português.
Esse carinho começa no desporto onde os Africanos vibram tanto ou mais do que nós com os jogos do Benfica, Porto e Sporting e sobretudo com os Jogos da Selecção Nacional. Mas não se esgota a nível desportivo.
Os portais criados pela PT em Cabo Verde , Angola e Moçambique, permitirão aos Portugueses conhecer melhor estes Países e permitirão aos imigrantes destes Países a residir em Portugal, uma maior proximidade às notícias das suas terras.
A PT está a fazer a parte dela, façamos também todos nós a nossa parte e teremos certamente um bom caminho para sairmos deste marasmo que nos consome o espírito e o bolso.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Confrontações

O Ministro dos Assuntos Parlamentares Augusto Santos Silva afirmou hoje no programa Grande Entrevista da RTP 1 , que o Parlamento é um lugar de confrontação política.

Depois de festejarmos o Carnaval, rapidamente estaremos a caminhar para o mês de Abril onde comemoraremos o 35º Aniversário da nossa democracia.
Não faltarão os discursos da praxe enaltecendo todos os benefícios ( inegáveis ) de vivermos num regime democrático.
Já quanto à confrontação política dos últimos 35 anos ter beneficiado o povo que elege os “confrontadores políticos”, muitas dúvidas se colocam, a começar pela percentagem de votantes que se encontra bastante longe do número total de eleitores inscritos.
A descrença generalizada nas forças partidárias pode ter como explicação o facto de o povo não reconhecer que a confrontação política parlamentar, resulte em benefícios visíveis para a Nação.
O Parlamento é o lugar de eleição para se abordarem as questões de natureza política, económica e social, retirando de cada deputado presente, um contributo para construirmos um Portugal melhor para todos.
Da confrontação política referida por Augusto Santos Silva, deve resultar uma elevação de valores. Cada membro eleito tem o privilégio de nos poder representar e o dever de o fazer com todo o empenho.
Na confrontação política, os argumentos e contra-argumentos utilizados, deverão traduzir-se não na vitória de um deputado ou de uma bancada parlamentar, mas na vitória do País.
É o País que vai comemorar os 35 anos de democracia e que deve (re) ver nela, recorrentemente, os motivos pelos quais a contribuição de todos, Governo e Partidos da oposição, é a todo momento, determinante para vencermos os desafios que enfrentamos.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Quero um café cheio

Estive recentemente na Índia onde não é fácil beber um café. A bebida tradicional lá ( também por influência dos Ingleses ) é o chá, sendo o Chá Indiano uma variedade a experimentar pela sua singularidade.

Quando vou a Espanha, aqui tão perto de nós, também sinto dificuldade em encontrar um bom café como o que tomamos em terras lusitanas, de norte a sul do país, não esquecendo as regiões insulares da Madeira e Açores.
No entanto, tenho deparado com um facto intrigante ou irritante que em breve vos descreverei.
O café é um hábito, um costume, um vício ou uma atitude social que enraizou profundamente nos hábitos de muitos portugueses: café curto, café normal, café cheio, descafeinado, café pingado, etc, muitas são variedades de café disponíveis no mercado.
Eu confesso-me fã do café cheio. O café curto sabe-me a pouco e o café cheio reconforta-me com sucessivos tragos, sendo os finais de verdadeira satisfação.
No entanto, qual não é o meu espanto, a minha incredulidade ao verificar que em 10 vezes que peço o café cheio, só uma ou duas vezes vejo o meu pedido satisfeito.
Grande parte das vezes servem-me um café normal e noutras então, servem-me um café curto, deixando-me totalmente sem palavras. A língua portuguesa não devia ser difícil de entender em Portugal, mas por vezes parece que o é.
Se eu peço um café cheio, por que carga de água me servem um café normal ou, pior ainda, um café curto. Será por pressa ? Por preguiça ? Por desleixo ? Por vontade de me irritar ? Não sei.
Mesmo não sabendo o motivo de tal teimosia, não posso deixar de lamentar que um simples pedido ( Quero um café cheio ) seja tão difícil de satisfazer. Eu não estou a pedir um Ferrari Amarelo ou Vermelho. Estou a pedir um simples café cheio em que basta o empregado ou a empregada de balcão esperar que a chávena fique cheia para entregar ao cliente o que ele pediu.
Mas não, os pedidos dos clientes não parecem ser tão importantes.
E aqui é altura de perguntar, como queremos nós produzir e distribuir pelo mundo a nossa produção, se não soubermos atender ao que os consumidores mundiais pretendem ? Se eles têm desejos ou necessidades, é ao encontro dessas necessidades que devemos ir.
Também os profissionais da nossa Indústria Hoteleira e de Restauração deveriam ter mais brio no seu trabalho diário.
O brio profissional também se mede pelo grau de satisfação dos clientes.
E qual é o grau de satisfação de um cliente que não consegue ver satisfeito o simples pedido de um café cheio ?

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Prisioneiros de porta aberta


Chip no automóvel? E porque não pulseira electrónica para todos?

Andamos todos distraídos. E tudo permitimos.

Qualquer dia o comum dos cidadãos percebe, parando, reflectindo e olhando para trás que deixou de ser verdadeiramente livre. Deste o cartão único de cidadão, ao cruzamento de informação por todos os motivos (uns justificáveis outros nem tanto) ao cartão de crédito, passando agora pelo chip na matrícula do seu automóvel, tudo é controlado. Tudo lhe é controlado. Dos sistemas de vídeo-vigilância em locais públicos, ou na rua inclusivamente, ao uso simples do seu dinheiro, o cidadão é vigiado e observado. Perdeu o seu espaço, a sua privacidade, a sua individualidade. O que se diria ou como se chamaria no tempo do Estado Novo? Alguém se lembra do Big Brother de George Orwell. Pois é. É para lá que caminhamos.

Este povo embrutecido, como diz Clara Ferreira Alves no seu artigo. Este povo que em carneirada, avança rumo ao abismo. Quantos terão já procurado acorrer aos locais ou obter informações para ir a correr comprar? Porque o governo assim o definiu? Sem pensar, reflectir ou contestar?

De seguida virá certamente a pulseira electrónica. Qual prisioneiros de porta aberta.

E ninguém contesta, ninguém comenta (na SEDES já o fizeram no seu Blog) e todos (quase todos) o aceitam. Esta sociedade portuguesa, amorfa, desdenhosa, mas simplória, balofa e provinciana. Onde os novos-ricos se arrebitam julgando que são alguém e onde os pobres se envergonham e se escondem. Esta (não) sociedade civil, inexistente, porque composta de novas gerações acomodadas ao controle, à pobreza de espírito e à aceitação de todas e quaisquer regras, sejam elas quais forem, que nada mais têm do que medo de contestar. Como disse o ex-Presidente Ramalho Eanes há pouco. Vive-se um tempo que é o do medo.

Mais uma vez, desculpem-me a sempre insistência, parafraseando José Gil. O medo de Existir.

domingo, fevereiro 01, 2009

Dois Mil INOVE = 2009

Já estamos em Fevereiro deste novo ano de 2009.
Como o próprio pronunciar do ano indica, este é um ano que convida à Inovação ( Dois Mil INOVE ).
A necessidade de Inovar é ainda realçada pelas dificuldades gerais e globais que se apresentam aos cidadãos de quase todos os países do mundo.
Inovar significa sobretudo buscar novos caminhos, novas acções e podemos ter 2 tipos de Inovação:
1. Inovação pura em que se cria algo de verdadeiramente novo.
2. A Inovação em que não se cria algo de novo, repescando-se acções que se tinham deixado para trás mas que voltam a fazer sentido desenvolver.
A propósito deste segundo tipo de inovação, uma inovação sobretudo na nossa mudança de atitude em que voltamos ao passado para voltar a utilizar algo que volta a fazer sentido, recordemos de forma lata o sentido das palavras no nosso colega Henrique Abreu: “ Face à crise actual e aos desafios que se colocam a cada um de nós, talvez fosse bom repensarmos o nível em que estamos na Hierarquia de Necessidades de Maslow. Em determinado momento recente conseguimos atingir um nível em que valores como a realização e a satisfação pessoal eram já os objectivos a atingir. No entanto face aos desafios actuais, talvez tenhamos de descer de nível e preocuparmos com necessidades mais básicas como a nossa própria sobrevivência."
A sobrevivência é e sempre foi o maior desafio para todas as espécies incluindo o ser humano, e já o cientista Charles Darwin dizia que “não é a espécie mais forte e nem a mais inteligente que sobrevive, mas aquela que se adapta mais rapidamente às mudanças “.
Como estamos nós a reagir às mudanças no meio em que vivemos ?
Estaremos de facto conscientes de que os valores em luta hoje são diferentes do que eram há um ou dois anos atrás ?
Teremos a consciência de que recuar hoje um ou mais passos em nada nos faz perder a nossa dignidade e orgulho em nós próprios ?
Temos sobretudo que ser realistas pois com os recursos que temos podemos fazer tantas coisas ainda. Apesar de todos os discursos de crise a vida continua e tendo ainda bastantes recursos à nossa disposição, talvez fosse bom ter presente o espírito de inovação e a frase de Charles Darwin, ou seja, adaptemo-nos às mudanças pois só assim sobreviveremos.

terça-feira, janeiro 27, 2009

The Big Small Man

In the last 2 decades we saw the evolution of a concept called Globalization.

We had to spread our thoughts and try to shift from our local areas to the Global Markets.
This was an impulse of the economics and companies in traditional markets start facing a very hard competition from companies that born in countries like China and India.
Now the world is facing a Global Crisis and the way the Globalization is being implemented may be one of the main causes for this Global Crisis.
No matter how you try to improve your production methods, reducing production costs, it is virtually impossible to compete with countries that almost don´t have labor costs because they pay so little amounts to their employees and force them to work larger weekly periods with no social benefits.
We may want to think global but western countries are not able to compete globally.
We want to be Big but after all we are no more than small Man´s falling one after the other because our factories are no longer competitive.
It is important that we make a stop and try to find out the true causes of the current global crisis. Each government separately is trying to deal with the problem. Important measures are being taken but they are not enough.
From above, from the big economic zones like the USA or the European Community, we must start to receive signs that a globalization with few rules must be changed somehow. We will not go back 20 years putting again so many regulations that avoids the global trades.
But the way the trades are being done are far from being fair and they will continue to destroy the Western Economies, maybe leading to a tragical collapse.

domingo, janeiro 25, 2009

Crise, Atitudes e Valores

Não há dia que passe, manchetes dos jornais e revistas, spots de rádios e televisão, noticias virtuais, conversas triviais de café que se oiça, veja ou leia a palavra Crise.

É verdade, a frieza dos factos é essa mesmo...crise económica mundial que parecia estar longe, distante para lá do horizonte, está hoje presente em nós. E será apenas uma crise de carácter económico? Eu diria que não....é também uma crise de ausência de pensamento, visão e atitude. Não falo de politica como muitos que de modo mais confortável atribuem a culpabilidade apenas ao poder politico. Como diz um provérbio chinês a palavra crise é caracterizada tem dois significados, um que significa perigo e o outro oportunidade. Francamente sou mais apologista do último.

Este momento histórico que estamos a assistir pode proporcionar-nos, apesar da inércia e dificuldade que sentimos em tudo o que fazemos e assistimos os outros a fazer, uma visão, uma linha de pensamento diferente do habitual. Podemos pensar glocal, isto é pensar no global e agir localmente. Isto é identificar o problema, analisá-lo e adaptar a solução a cada comunidade local.

Podemos valorizar as nossas "gentes", sociedade, amigos, familia, privilegiar as nossas empresas apesar de não serem em grande número, os nossos produtos, os nossos valores/virtudes, os nossos pensamentos, nós próprios como um todo.

No seguimento desta linha de pensamento sermos visionários em tempos complexos e termos visão colectiva em vez de sermos "egoistas". Não devemos menosprezar a nossa função social como cidadãos responsáveis que somos e que poderão incidir nas seguintes áreas:

- Valorização da vida laboral e profissional

- Amigos, colegas e familia

- Incentivo ao reforço positivo e á consciencia colectiva nacional

Em jeito de reflexão gostaria de deixar a todos vós a seguinte frase: " Bons pensamentos geram atitudes positivas"

Saudações FRESIANAS
Alexandre Motty

domingo, janeiro 18, 2009

O Caminho

No link
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1073398
pode-se ler a notícia com o título “ Norte passou a liderar os calotes à Banca “
Aqui fica um pequeno extracto
“ Em meados de 2008, ainda antes do agudizar da crise, era a Norte que se encontrava mais crédito incobrável
É mais um dos sinais da crise que atinge as empresas situadas no Norte: é lá que está a maior percentagem de crédito de cobrança duvidosa do país. O couro (curtumes e calçado) e o têxtil lideram os calotes.
Ainda antes do agudizar da crise que atirou Portugal para a recessão, a situação das empresas do Norte tinha piorado a ponto de passarem a ter a maior fatia de crédito incobrável do país. Dos 119 mil milhões de euros emprestados à actividade económica, 31 mil milhões foram entregues a empresas sediadas no Norte e, destes, 3% (quase mil milhões) foram dados como incobráveis no terceiro trimestre de 2008, diz o Banco de Portugal. O problema ainda vai piorar antes de melhorar, dizem os empresários, sobretudo se não forem dados passos para ajudar as firmas já em dificuldades. “
Esta notícia teve um comentário online, duro, apesar de conter algumas verdades.
antoniooliveira
18.01.200914:48
Portugal - Porto
O optimismo dos Portugueses e principalmente dos políticos era tão grande, que só podia dar num beco sem saída, não se pensa muito no futuro, temos por hábito, pensar só no presente e depois vê-se, e o resultado está à vista, empresas e famílias super endividadas. Acabaram-se os sonhos, estamos no fundo do poço e não há possibilidade alguma de sair, desistamos da mania das grandezas e admitamos que somos realmente pobrezinhos, não só monetáriamente, mas também de espírito, de mentalidades, no desenvolvimento, na criatividade, até somos pobrezinhos nos locais de trabalho, quando alguém tenta produzir mais, ou inovar, há meia dúzia a puxar para trás, desmoralizando esse alguém, e até rotulando-o de louco, ou de engraxador do patrão. pois bem, aqui temos um País à beira da ruína financeira, na miséria, no fim.”

Em todos os quadrantes se houve dizer que é necessário unir esforços para fazer face aos tempos difíceis que estamos a enfrentar. Mas essa tentativa de união de esforços careceria ( se fosse possível ) de uma calendarização. Uma pessoa pode pensar que temos 1 ano para unir esforços, mas outra pode dizer que as coisas não estão tão mal assim e que podemos ter 2 anos para conseguirmos unir esforços. Na minha opinião, não temos já 1 , 2 ou 3 anos para unir esforços. O tempo é de acção, pois a cada semana que passa, continuamos a afastar-nos do caminho certo. Como unir então os esforços e começar a fazer as coisas certas?
Aqui reside o maior problema. Não vai haver uma “varinha mágica” a unir-nos e a permitir que de forma concertada consigamos lutar contra a crise. O caminho é outro pois o que está ao nosso alcance é sobretudo a luta contra a descrença.
É necessário que cada um entenda que por muito pouco que possa fazer, aquilo que realmente fizer de ponderado, produtivo e positivo, estará imediatamente a dar um contributo para remarmos contra a maré. Mais do que esperar que haja uma concertação de interesses politico-partidários, civis ou comerciais, públicos ou privados, tem de existir o interesse em cada indivíduo, cada cidadão, em fazer o que está ao seu alcance.
Não podemos pedir milagres globais, mas podemos pedir múltiplas acções individuais. Serão essas, centenas de milhares de acções individuais que poderão fazer com que o rumo dos acontecimentos seja outro. A ajuda dos governantes será bem vinda, pois são eles que têm a faca e o queijo na mão. Mas é necessário que entendamos que o queijo que está nas mãos deles ( sendo o queijo entendido aqui como os recursos do país ) não é um queijo grande, Portugal não é rico em recursos naturais como Petróleo ou Diamantes. A riqueza dos portugueses está no valor de cada um de nós. Está na hora de mostramos o que valemos.