Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

sexta-feira, junho 13, 2008

Dia Não

A Irlanda, único país da União Europeia que fez um referendo ao Tratado de Lisboa, votou não ao tratado.

Este acontecimento merece múltiplas abordagens. Tentarei aqui focar algumas.

A Europa quer ( e precisa de ) andar para a frente. No entanto o consenso entre os europeus não está fácil de alcançar. Impressiono-me com o poder do não irlandês. Um projecto tão abrangente e com implicações em centenas de milhões de europeus pode, pelos vistos, ser posto em causa por uma minoria de pouco mais de 3 Milhões de eleitores. Aqui está mais um ponto interessante pois desses 3 Milhões de eleitores apenas cerca de 40% votaram. Como é que uma votação democrática, que nem tem 50% dos votantes pode ter uma força tão grande ? São as virtudes da democracia.

Por outro lado é super interessante ler o que pensaram e disseram muitos Irlandeses a propósito do referendo ao Tratado de Lisboa.

"Ninguém me explicou do que se trata, para que eu, o comum dos mortais, possa perceber o que é o tratado", diz Jason Hills, que acabou por votar contra naquele que é o único referendo em 27 Estados membros da União Europeia.”

“Na mesma linha, Maria Duggan, que tentou ler o documento, brinca, à porta da assembleia de voto, que "eles lá em Bruxelas devem ter um tradutor de japonês muito mau, aquela coisa é impossível de ler!".

Quando se fala da construção europeia, falamos da construção da nossa Europa, local onde todos os cidadãos-membros da União Europeia residem e trabalham. No entanto, atendendo a estas 2 representativas opiniões, ficamos mais uma vez com a opinião de que há mesmo 2 Europas: a nossa Europa e a Europa deles. A Europa deles aqui é entendida como a Europa dos políticos europeus que devem de uma vez por todas tentar explicar aos seus povos, o que andam a fazer. Se pode ser mau haver um não ao tratado de Lisboa, haver um não porque não foi explicado aos eleitores o que é o tratado, parece-me mau demais.
Mas a ignorância sobre o tratado em que votaram não foi um problema para todos. John Edwards, que interrompeu o trabalho para ir votar, escuda-se na "confiança no Governo" para se decidir "pelo 'Sim'". E justifica que "não cabe ao cidadão comum perceber todos pormenores sobre um tratado. Já votei neles, se me dizem que é o melhor, então voto sim a Lisboa".

Com maior ou menor ignorância, a verdade é que o não vingou.

O Presidente da Comissão Europeia Durão Barroso, antecipou-se e fez uma declaração em Bruxelas dizendo que o chumbo irlandês é um resultado que deve ser assumido por todos os países membros da união e não apenas pela Irlanda.
«Este voto não deve ser encarado como um voto contra a União Europeia», sublinhou Durão barroso. «Acredito que a Irlanda continua empenhada em construir uma Europa forte e em ter um papel activo na UE».
Pois é a Irlanda até pode continuar empenhada em construir uma Europa forte mas os Irlandeses não, pelo menos a maioria dos cerca de 40% que votaram.
A União Europeia vai debater este assunto na próxima segunda-feira. Aguardemos pelas “cenas dos próximos capítulos”.

quarta-feira, junho 11, 2008

Diálogos sensatos e produtivos

Em plena crise resultante de paralisações e bloqueios à circulação dos transportes de mercadorias e matérias-primas, surge a seguinte notícia que transcrevo para melhor nos inteirarmos desta questão que a todos vai afectando.

“ Antram e Governo chegam a acordo “
21:05 11-06-2008
António Mousinho, presidente da Antram (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias) confirmou hoje que já "há acordo entre a Antram e o Governo".
Em declarações à SIC Nocícias, António Mouzinho, adiantou ainda que foram acordadas várias medidas para beneficiar os seus associados.
Esta reunião demorou cerca de seis horas e apesar do acordo não significa que a greve seja desmobilizada, segundo palavras do presidente da Antram.
Numa nota de rodapé no site oficial da Associação, "a Antram incita os seus Associados que eventualmente se encontrem em paralisação a retomar a sua actividade".
Segundo o mesmo site, o acordo com o Ministério das Obras Públicas foi nos seguintes dossiers:
- Consagração legal de fórmula de revisão automática dos preços dos serviços, de acordo com as variações do preço do combustível, e estabelecimento de coimas pelo seu incumprimento;
- Consagração legal do prazo máximo de 30 dias para o pagamento dos serviços de transporte, e estabelecimento de coimas pelo seu incumprimento;
- Majoração em 20% dos custos com combustível para efeitos de IRC;
- Diferimento do pagamento do IVA ao Estado para o momento do recebimento efectivo do serviço de transporte, a partir de 2009;
- Criação de incentivo à renovação de frotas (prémio ao abate, incentivo à instalação de filtros de partículas e pagamento do diferencial de custo entre veículos Euro 4 e Euro 5, na aquisição de um veículo Euro 5);
- Reintrodução dos descontos nas portagens das auto-estradas (entre 30% e 50%);
- Manutenção do valor do ISP para 2009;
- Manutenção do valor do IUC nos próximos três anos;
- Criação de apoios à formação no sector e criação do Centro de Novas Oportunidades para Transportes;
- Assumpção pelo Ministro dos Transportes do dossier das Ajudas de Custo TIR;
- Criação de um grupo de trabalho envolvendo os Ministérios dos Transportes e do Trabalho, para adaptação da legislação laboral à especificidade do sector.

Fim da notícia
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Face a estas notícias não posso deixar de levantar as seguintes questões:

1. Estarão nestes dossiers os pontos de contestação mais relevantes que levaram os camionistas a esta paralisação? É preciso não esquecer que a Antram deste o início manifestou que não era necessário fazer a paralisação pois estavam agendadas reuniões com o Governo, havendo pois pelo menos 3 partes intervenientes nesta questão, a Antram, o Governo e os “Grevistas”.

2. Tendo o Governo pouca abertura para acordos e negociações, parece-me uma importante vitória a Antram ter chegado a acordo em tantos e tão diferentes dossiers. Terá ironicamente a greve/ paralisação ajudado a Antram ?

3. Todos procuramos viver num mundo mais justo e mais equilibrado. Se assim é e se o governo chegou agora a estes acordos, porque não o fez mais cedo ? Será que só quando é fortemente pressionado e os seus interlocutores têm algum poder, o governo os escuta ? Coitados de todos os que têm toda a razão do mundo, mas não conseguem ter argumentos fortes para o governo os escutar.

A grande lição que gostaria que todos retirássemos deste e de outros diferendos é a de que se há margem real para cedências mútuas e acordos em prol do bem comum, não sejamos cegos, surdos e mudos. A vida de todos nós precisa de muitos diálogos sensatos e produtivos.

domingo, junho 08, 2008

Os grandes espectáculos quando “nascem” não são para todos

A propósito do artigo do colega Mário Jesus sobre sinais contraditórios e crispação social gostaria de referir outro campo onde se manifesta uma desigualdade de oportunidades.

Refiro-me concretamente aos grandes espectáculos, desportivos e musicais. A cultura e recreio também deveriam fazer parte da vida de todos cidadãos do país. Para além da vertente de entretenimento, existe sempre uma elevação do espírito e da alma ao podermos assistir ao vivo às performances de grandes artistas das mais variadas artes.

Infelizmente o acesso a esses grandes eventos desportivos e musicais entre outros, não estão acessíveis a todos.

Muitas vezes dizem que não falta dinheiro em Portugal porque esses grandes acontecimentos esgotam sempre. Talvez fosse mais correcto dizer que entre os 10 ou 12 Milhões de Portugueses existem pelo menos 100 mil que não têm falta de dinheiro. São esses que não perdem um só dos grandes espectáculos. São esses, quase sempre os mesmos, que esgotam os concertos musicais nos grandes pavilhões como o pavilhão atlântico ou nos grandes estádios de futebol. São esses ainda que a meses de distância podem comprar e compram bilhetes com toda a antecedência para os grandes espectáculos. Para eles não importa se os concertos custam 40 , 50 , 60 , 70 ou 100 Euros. Querem ir e vão. O concerto da Madona é só em Setembro e na primeira semana em que os bilhetes ficaram disponíveis, praticamente esgotaram.

Do outro lado do “paraíso” testemunho o desabafo de pessoas nos transportes públicos que dizem que sonhavam em ir ao Rock in Rio que terminou anteontem, mas que os 53 Euros do custo do Bilhete faziam mais falta para…comer.

Sempre obcecados e admirados pelos números das estatísticas que nos falam nos recordes de bilheteiras e de vendas de destinos turísticos, convém não perder a noção da realidade dos números e perceber que muitos não significa a maioria.
A maioria continua a passar por muitas dificuldades, penosamente e em silêncio.

quarta-feira, junho 04, 2008

“Ameaça” Chinesa e Indiana. Realidade ou Ficção? Agir ou Reagir?

Os 2 países mais populosos do mundo (China e Índia) têm vindo a aumentar a sua importância na economia mundial nos últimos anos.

O aumento dos preços dos combustíveis também se deve ao facto de estes países terem disparado em termos de consumo interno de combustíveis, provocando necessariamente uma forte e crescente pressão na procura mundial.

A sua importância na economia global é pois cada vez mais relevante.

Os países ocidentais (destino importante de grande parte das suas exportações) tentam a todo custo suster o seu ímpeto comercial.

Mas quem tem Capacidade Financeira, Capacidade Técnica e Vontade, dificilmente poderá ser contido eternamente, como podemos constatar pelos seguintes exemplos:

China
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A Shanghai Maling Food, uma empresa estatal chinesa, abriu na semana passada a sua primeira fábrica de produtos alimentares embalados na República Checa.
A escolha da República Checa, país que aderiu à UE em 2004, beneficia de incentivos fiscais locais e visa a penetração no difícil mercado da Europa Ocidental.
A fábrica sedeada na região de Hrobcice implicou um investimento de 16,5 milhões de euros, planeia produzir 10 mil toneladas de produtos por ano e compromete-se cumprir os padrões de qualidade em vigor na UE.
A estratégia de implantação no mercado da União Europeia constitui a resposta às restrições impostas à importação directa de produtos com origem na China, nomeadamente os alimentos embalados (carne de porco e outros produtos como refeições pré-confeccionadas).

Índia
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Em Março deste ano tivemos a notícia de que “ Após longos meses de intensas negociações, a Ford anunciou, através de comunicado oficial, a venda do grupo Jaguar-Land Rover Cars à empresa Indiana Tata Motors. “

Perante este cenário de investidas da China e da Índia em diferentes e importantes sectores como o alimentar e o automóvel, entre outros, volta a impor-se a questão:

O que deve o Ocidente fazer? Continuar a reagir à medida que se concretizam os avanços empresariais desses 2 países? Ou procurar agir, antecipando futuras e massivas intenções, e tomando iniciativas que contrariem essas intenções?
Para evitar o contínuo encerramento de fábricas na Europa e consequente aumento de despedimentos e, como muitas vezes reagir pode vir tarde demais, aconselhava a redobrarmos a nossa atenção, procurando…agir.

domingo, junho 01, 2008

Sinais contraditórios e crispação social


Vivemos em Portugal e no Mundo tempos conturbados. Por cá assiste-se a um clima de crispação onde, ao mesmo tempo, lemos sinais contraditórios da vida social e da economia.

Nós por cá, pelo FRES, sempre nos ocupámos de assuntos de natureza social ou sócio-económica. Sobre estes temas temos efectuado alguns diagnósticos, descortinado problemas e apresentado soluções. Mais do que nunca a nossa intervenção é necessária e exigível.

Vivemos em Portugal um clima de crispação social. São as greves dos professores, dos profissionais de saúde, dos pescadores e armadores, a revolta daqueles que preferem deitar fora o que colhem e o que pescam, do que permitir a sua distribuição.

São as críticas ao governo quer pelo esforço no cumprimento do déficit orçamental (que nos obriga ao aperto do cinto) quer da subida dos preços dos bens alimentares e dos combustíveis. Os portugueses vivem de novo desiludidos, não tanto, acredito, pelo efeito da crise (ainda que não profunda) mas pelo seu prolongamento – já vivemos num clima destes deste o ano 2000. Daí para cá tem sido sempre a piorar. Pelo menos para a classe média e média baixa, para não falar já dos mais desfavorecidos.

Infelizmente a crise financeira internacional oriunda dos EUA veio atingir-nos no momento em que tudo apontava que estávamos a dar a volta após a economia “ter batido no fundo” - na linguagem comum entre economistas.

Ao mesmo tempo é o desencanto na educação e na saúde, temas que nos são particularmente próximos aqui pelo FRES.

Porém assistimos de igual forma a sinais contraditórios. Se é um facto que o crescimento económico desacelera, não é menos verdade que assistimos a um fosso maior entre os mais ricos e mais desfavorecidos. As diferenças entre as remunerações dos quadros de topo das empresas e os seus colaboradores regista a maior diferença em Portugal face aos países europeus.

Por outro lado a diferença entre os rendimentos dos 20% mais abastados e dos 20% mais desfavorecidos alarga-se cada vez mais e é igualmente mais assinalável em Portugal.

E o desemprego mantém-se teimosamente fixo, alto inelástico. Muito dele de longo prazo ou não fossem as características sócio demográficas dos que ficam desempregados após o definhamento de alguma indústria.

Se é verdade que os comerciantes se queixam das quebras consecutivas da procura, seja qual for o produto ou serviço corrente em que nos focalizemos, em especial produtos de consumo corrente ou de compra ocasional, entre os quais encontramos os restaurantes e similares de baixa ou média qualidade com quebras visíveis e assinaláveis da sua clientela, assistimos por outro lado a enchentes em especial ao fim de semana nos melhores e mais caros restaurantes da capital e das principais cidades.

Experimente o leitor destes pensamentos encomendar um automóvel de gama alta ou média alta para perceber o tempo de espera a que terá que ficar sujeito. Observe as marcas e as gamas dos veículos que circulam pelas cidades. E quais são as marcas que maior crescimento registam nas vendas em unidades. Apesar do preço dos combustíveis algum de vós encontra menores filas no trânsito? Deixámos de usar a viatura em termos individuais? O trânsito nas pontes e portagens diminuiu? As viagens de férias para o nordeste brasileiro bateram recordes consecutivos nos últimos anos.

Já assistimos ao encerramento das lojas de roupa ou artigos acessórios das marcas de topo e de gama alta? Pois não.

Por isso das duas uma, ou de facto fazemos jus ao título: crises? What crisis?” e então temos aqui a prova do cada vez maior fosso entre ricos e pobres e de disparidade social ou então vinga o fenómeno do endividamento: pedir emprestado, gastar, gastar e pagar logo se verá.

2 passos atrás, 1 passo à frente

A semana passada terminou com 2 pequenas mas talvez importantes descidas.

A Galp após sucessivos e aparentemente imparáveis aumentos dos preços dos combustíveis, baixou o preço da gasolina e do gasóleo em 1 Cêntimo.

Descida ridícula dirão muitos. Não concordo.

No seio do FRES em debate interno o colega João Santos trouxe ao nosso conhecimento o estudo do economista Eugénio Rosa que dá conta da forma como os preços dos combustíveis são formados em Portugal. Nesse estudo mostra-se que não são tidos em conta os custos efectivos de produção acrescidos de uma margem de lucro, mas sim a média dos preços especulativos dos produtos refinados registados nos mercados internacionais na semana anterior.

Segundo esse estudo estes aumentos traduziram-se “apenas” num valor de lucros extraordinários de 69 Milhões de Euros registados nas contas da Galp e referentes ao primeiro trimestre de 2008.

Perante este cenário o ideal seria que os preços de venda de combustível tivessem outra forma de cálculo. Tomei aqui como exemplo a Galp, mas o raciocínio é extensivo às outras Petrolíferas. Sobre este assunto, tem a palavra o Governo.

Entretanto para todos nós consumidores que directa e indirectamente sofremos as consequências do aumento dos preços dos combustíveis, uma redução de 1 Cêntimo pode ser um bom sinal, pois pode ser que a subida imparável dos preços possa ter um fim.

Também na passada sexta-feira, o Parlamento aprovou a baixa do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) de 21 para 20 por cento. Outra descida ridícula poderão novamente afirmar. Permitam-me que volte a discordar. O crescimento da economia Portuguesa tem sido fortemente condicionado pela necessidade (obsessão?) dos governos em controlar o deficit. Se a subida de 2 pontos percentuais de 19 para 21 % significava que as contas públicas estavam muito mal e haveria que fazer esse sacrifício adicional sobrecarregando este imposto sobre o consumo, pelo mesma lógica de raciocínio a descida de 1% pode agora significar que as contas públicas estão melhores havendo uma “folga”, mínima é certo, mas ainda assim uma folga, suficiente para que um imposto tão importante em termos de receitas do estado possa ter uma descida.

Estes 2 casos que trouxe à vossa leitura e contestação representaram no passado 2 passos atrás, mas talvez possam ser agora um sinal de alguma esperança, podendo significar 1 passo à frente.

Liberal ma non tropo

A economia de mercado tem destas coisas.
O legislador tem um espírito ao fazer uma lei, mas se a lei não estiver totalmente explícita, lá teremos o aproveitamento indevido do “buraco” que a lei tiver.
Defensor de uma economia liberal, gosto contudo que ela seja tanto quanto possível justa e, quando obrigatório, regulada por entidades competentes.
A faculdade dos agentes económicos estabelecerem de forma livre os preços para a venda dos seus produtos ou prestação dos seus serviços, deveria obedecer às leis em vigor para o seu sector. E quase sempre obedecem à letra da lei.
Exigir que obedecessem também ao espírito da lei é que já é mais difícil.
Vem esta reflexão a propósito da notícia do Jornal de Notícias de que a
Banca tem um mês para baixar juros, que pode ser lida em

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=951178
mas que por não ser extensa aqui transcrevo

2008-05-30
Alexandra Figueira
Dentro de um mês, a taxa de juro cobrada pela maioria dos maiores bancos terá que baixar. Foi publicada no Diário da República uma correcção à lei em vigor há um ano e que tinha um "buraco", aproveitado pela banca para aumentar o valor da Euribor, o indexante da maioria dos créditos à habitação.
A taxa de juro paga pelos clientes nas prestações mensais tem dois componentes o "spread", negociado caso a caso, e a média mensal de um indexante, por norma a Euribor. Foi aqui que a banca mexeu, ao aproveitar um "buraco" na lei para "esticar" a Euribor mais cinco dias no ano.
Na prática, isso fez com que a Euribor considerada em Portugal fosse maior do que a usada no resto do mundo. Há um ano que esta estratégia tem sido usada pela Caixa, BCP, Espírito Santo e Santander.
O BPI foi o único dos maiores bancos a manter os cálculos antigos. Agora, a alteração obriga a banca a seguir os critérios internacionais, de 360 dias, quando faz contas à Euribor.
Ainda, a lei publicada pela Secretaria de Estado da Defesa do Consumidor obriga a seguir os mesmos critérios quando calcula os juros a cobrar aos clientes nos empréstimos ou a pagar-lhes, nos depósitos. É que os bancos faziam as contas a uma taxa mais alta nos empréstimos, mas mais baixa nos depósitos.
As alterações respondem a denúncias feitas pelo JN e entram em vigor em 30 dias. Daí em diante, as taxas serão revistas à medida que os contratos sejam renovados. “ fim da notícia

Trata-se de uma pequena redução nos lucros de alguns bancos, mas numa altura em que a maioria da população já não tem margem para “apertar o cinto” qualquer redução de despesas é bem vinda.

quinta-feira, maio 29, 2008

Boas Medidas

Estamos naturalmente todos preocupados com a crise alimentar e o aumento galopante do preço dos combustíveis, dois factores que pelas suas repercussões mundiais são de facto merecedores de muita atenção.

Quando assim é, pouco tempo sobra para analisar outras questões que, sendo de menor importância, merecem contudo ser mencionadas.

Refiro-me em concreto a duas medidas do governo simplificadoras da vida de milhares de empresas e cidadãos que desenvolvem actividades comerciais.

A primeira medida foi a introdução da IES-Informação Empresarial Simplificada.
Até ao ano de 2006, todos os anos se repetia a dor de cabeça de milhares de empresas e cidadãos que tinham de prestar contas da sua actividade comercial.
Essas contas eram prestadas em vários momentos, a diversas entidades e de diversas formas. Por exemplo, tínhamos a informação fiscal para as Finanças, e a informação estatística para as bases de dados do Banco de Portugal e do INE e das Conservatórias do Registo Comercial.
Cada uma destas instituições solicitava em diferentes suportes a informação da actividade de um empresário ou empresa, relativa ao ano anterior. Pois bem, agora e felizmente existe a IES que agrega toda a informação relevante para estas e outras entidades, e que é prestada num único acto, uma única vez por ano.

Até as entidades bancárias estão satisfeitas pois toda a informação que necessitam para avaliar a saúde financeira de uma unidade comercial, é agora prestada de forma homogénea e com a especificação desejada.

Uma segunda medida consiste na possibilidade de qualquer contribuinte que seja fornecedor de entidades estatais, poder substituir as centenas de certidões de não existência de dívida às finanças e à segurança social, por autorizações de consulta da sua situação contributiva. As entidades estatais devem ter o conhecimento atempado da situação regular ou irregular das entidades suas fornecedoras e, caso estas sejam devedoras ao Estado ( Finanças ou Segurança Social ), não devem proceder a pagamentos directos a essas entidades.

Quem não deve não teme, diz o ditado. Pois bem, quem não deve não teme, mas tinha de perder muito tempo e dinheiro a solicitar declarações a essas entidades estatais a certificar que não lhes eram devedoras de quaisquer importâncias.
Com a faculdade de se poder com um simples acesso à Internet, autorizar a entidade fornecedora a consultar a situação contributiva, podemos rápida e seguramente poupar muito tempo e dinheiro.

Estas são apenas duas medidas que o governo implementou e bem, proporcionando óbvios ganhos de produtividade a toda a economia.

Não se trata aqui de fazer campanha eleitoral, mas de manter uma atitude atenta e responsável de quem faz o reparo quando estamos perante más medidas, mas de quem também elogia quando estamos perante boas medidas.

sexta-feira, maio 23, 2008

Feira de Vaidades ?

Num mês de Maio muito incaracterístico em termos atmosféricos, vai iniciar-se este sábado, a 78ª Feira do Livro de Lisboa, que se prolongará até ao próximo dia 15 de Junho.

Dados sobre esta feira podem ser consultados em

http://www.feiradolivrodelisboa.pt/

Com tantas décadas de existência, a Feira do Livro de Lisboa já atravessou, naturalmente, bons e maus momentos.

Este ano temos a polémica inicial motivada pela pretensão do Grupo Editorial LEYA, de estar presente na feira com pavilhões diferentes e supostamente mais funcionais, permitindo uma melhor aproximação do público aos livros. Esta pretensão foi fortemente contestada pelos outros editores e livreiros presentes na feira, que defendiam que a feira deveria manter o seu traço característico de existência de pavilhões uniformes, embora já antigos e talvez um pouco desajustados.

Na edição desta noite do Jornal Nacional da TVI, o comentador Vasco Pulido Valente, analisou esta polémica, afirmando que o nosso povo mais do que a liberdade, preza a igualdade, mesmo quando os nivelamentos são feitos por uma bitola mais baixa. Só assim se justificaria a rejeição da inovação e ousadia que o grupo Leya vai trazer à Feira. Só assim se justifica também, o constante medo de mudança que norteia o nosso pensamento e as nossas acções. Segundo Vasco Pulido Valente, com esta mentalidade igualitária e de “guerra” a tudo o que é novidade, não podemos ambicionar a ter uma vida melhor e um país melhor.

Não posso deixar de concordar com estas análises. Julgo que temos sido muito prejudicados por existir um elevado número de pessoas que não fazem e não deixam fazer. Esta constante luta e oposição à criatividade e inovação, muitas vezes moldada por uma forte inveja de quem não se sente capaz de fazer igual ou melhor, tem sido um travão ao nosso desenvolvimento.

Quem tem o mérito de (em qualquer área) querer fazer mais e melhor, deve ser apoiado. Devem ser-lhes dadas condições ou pelo menos, não lhe serem criadas barreiras, para que as suas ideias positivas floresçam trazendo benefícios a toda a comunidade.

Não acredito que só os melhores devam existir. Julgo que todos fazemos falta. Os menos bons e os melhores. Curiosamente os melhores só são melhores, porque existe alguém menos bom do que eles em determinado momento.

Temos aqui duas situações típicas: os melhores que se eternizam no pódio, ofuscando por completo a existência dos outros e a alternância dos lugares do pódio, movida por uma sã concorrência que proporciona uma rotatividade no protagonismo. Como não gosto da receita “mais do mesmo”, sou adepto da segunda situação. Hoje é o Grupo de Paes do Amaral a tomar a dianteira na ousadia de fazer coisas diferentes. Será bom que nas próximas edições, outros editores e livreiros tenham outras ideias inovadoras de forma a tornar ainda mais agradável um acontecimento que por si só já é uma festa.

Termino esta pequena reflexão com votos de boa feira a todos, seja em Lisboa, Porto ou em qualquer outro ponto do país.

quinta-feira, maio 22, 2008

Armas do Século XXI

Encontro-me neste momento a frequentar um curso de Iniciação de aprendizagem de Língua Espanhola.

Estou numa turma com 20 alunos e fiquei surpreso por neste curso de iniciação, mais de metade dos alunos trabalharem em firmas que têm contacto com empresas espanholas, fornecedoras e clientes.

Tomei também conhecimento de várias “movimentações” em termos de aprendizagem linguística, em ambos lados da fronteira de Portugal e Espanha. Se há cada vez mais portugueses a aprender espanhol, também é verdade que há muitos espanhóis a aprenderem a língua portuguesa. Sabendo Espanhol e Português, viajamos por exemplo por toda a América do Sul sem necessidade de usarmos a clássica bengala ( o Inglês ).

Os espanhóis são historicamente conhecidos como um povo muito orgulhoso da sua língua e sem vontade de aprender outras línguas ou de perceber o que os estrangeiros dizem. Quase todos nós já fomos “vítimas” do seu demolidor “no te entiendo” quando visitamos, por razões profissionais ou turísticas, as terras de “nuestros hermanos”. Pois bem, até essa casmurrice histórica está a alterar-se. Nas novas gerações espanholas, já é comum encontrar-se como segunda língua de referência, o Inglês. Cada vez mais o povo espanhol e não só, apercebem-se de que o mundo mudou e continua a mudar, sendo necessárias novas armas para se combater “os inimigos” e relacionar-se com os amigos neste séc. XXI.

O nosso governo também tomou já há algum tempo a consciência da importância da aprendizagem de línguas ( em especial da língua inglesa ) e nesta semana li a seguinte boa notícia:

“ Lisboa, 20 Mai (Lusa)

Todas as escolas do primeiro ciclo vão ter de oferecer a partir do próximo ano lectivo o ensino de inglês ao 1º e 2º anos de escolaridade, no âmbito das actividades de enriquecimento curricular, com uma duração máxima semanal de 90 minutos.

Até ao presente ano lectivo, esta língua estrangeira só era obrigatória para os 3º e 4º anos da antiga primária, apesar de metade dos estabelecimentos de ensino já a oferecer nos primeiros dois anos do 1º ciclo. “

Assistimos assim a reacções das populações dos diversos países que manifestam vontade de aprender novas línguas. Curiosamente ( este não é um dado científico ), assiste-se a uma perda de importância do Francês em benefício do Espanhol e do Português.

O português viu agora reforçada a homogeneidade da língua com a Aprovação da Assembleia da República, na semana passada, do Acordo Ortográfico.

Assistimos assim a uma importância crescente de 3 Línguas a nível mundial.

O inevitável Inglês
O Espanhol falado em inúmeros países e
O Português, que tem sido uma língua cada vez mais acarinhada ,embora de difícil aprendizagem segundo muitos estrangeiros dizem.

O FRES tem entre os seus projectos de curto prazo, o evoluir para uma plataforma bilingue ( Português e Inglês ).

Quem sabe num futuro um pouco mais distante, e tirando partido da vertiginosa evolução tecnológica, não possamos ser ainda mais ambiciosos e evoluir para uma plataforma multilingue ?

O importante é conseguirmos que emissores e receptores entendam as mensagens, seja em Espanhol , em Inglês ou em…Português.

domingo, maio 18, 2008

As razões da Fome




Josette Sheeran directora do Programa Alimentar Mundial referiu –se recentemente ao crescente aumento dos preços dos produtos alimentares como um “tsunami silencioso” e emite um pedido de ajuda internacional, afirmando que “milhões de pessoas que há seis meses não estavam numa situação de necessidade urgente fazem agora parte deste grupo”.

Também as Nações Unidas respondem à dramática escalada do preço dos produtos alimentares no seu Comunicado de Imprensa, “A unified United Nations response to the global food price challenge” o qual pode ser lido em:

http://www.fao.org/fileadmin/user_upload/foodclimate/documents/CEBunified290408.pdf

As principais razões para o aumento do preço dos produtos alimentares e da situação de crise e emergência generalizada de fome, resultam dos seguintes factores:

- Aumento da população mundial (são cerca de 75 milhões de novas pessoas por ano) ao que se adiciona o crescimento económico e a melhoria do nível de vida principalmente na Índia e na China, resultando no aumento da procura de cereais e outros alimentos;

- O aumento do preço dos produtos petrolíferos que tem pressionado a inflação na zona euro e que só por si encarece o preço de todas as produções agrícolas;

- Três factores agregados, o elevado preço dos combustíveis fósseis, a tentativa de reduzir a dependência do petróleo importado e a exigência de resolver os problemas ambientais, originam a rápida expansão dos biocombustíveis, os quais, sendo produzidos essencialmente de milho e açúcar, matérias-primas utilizadas outrora essencialmente na alimentação, viram a sua procura aumentar para um novo fim;

- A crise financeira internacional, despoletada pelo crédito subprime nos EUA, com a inerente falta de confiança dos investidores nos mercados accionistas e a pressão descendente das suas cotações em bolsa, que provocou o despertar da apetência dos especuladores financeiros para o sector (mercado de futuros) das commodities agrícolas sobrevalorizando o preço dos produtos alimentares;

- As restrições às exportações impostas pelos países exportadores de produtos agrícolas (como forma de assegurar a procura interna), muito embora se assistam a colheitas recorde nomeadamente de arroz, o que contribui para manter os preços em alta.

Nos anos 80 e 90 a UE introduziu reformas no âmbito da PAC (Política Agrícola Comum) destinadas a tentar limitar a produção de produtos excedentários nomeadamente a introdução de quotas de produção, limitação da superfície de cultivo/número de animais para os quais os agricultores obtêm ainda hoje subsídios. Estas reformas visaram uma PAC orientada para a procura (já que o aparecimento de excedentes teria como consequência a perda de posição a nível comunitário e mundial) e para a atribuição de subsídios à exportação (atribuição de uma compensação aos exportadores pela exportação de produtos a preços de mercado mundial, inferiores aos praticados na UE).

Estamos portanto face a um problema estrutural em que a politica proteccionista agrícola europeia limitou os países mais pobres na capacidade de virem a desenvolver o seu potencial agrícola, distorceu os preços dos produtos agrícolas e limitou a sua produção não estando em condições de satisfazer o aumento da procura mundial.

A comunidade mundial vai ter que responder a este “tsunami silencioso” da fome, esta emergência humanitária, a qual poderá provocar um outro “tsunami” de motins sociais, os quais podem vir a afectar o equilíbrio económico e social do mundo. Para o bem da humanidade que a resposta seja rápida.

sexta-feira, maio 16, 2008

(De)formação de cidadãos

Li hoje na net a seguinte notícia:

Lusíada debate papel da comunicação social na educação
Jornalistas, professores e estudantes debatem hoje, na Universidade Lusíada, em Famalicão, a importância da comunicação social na educação.
«De uma forma geral, as pessoas não têm espírito crítico para fazerem uma selecção da verdade na informação que lhes é fornecida quotidianamente», disse hoje à Lusa, Rosa Moreira, a reitora do pólo de Famalicão da Lusíada.
Por isso, acrescentou, «a influência dos órgãos de comunicação social na formação de cidadãos» é o ponto de partida para o debate desta noite.
«Há pessoas que vivem adormecidas com o que lhes é dado pela comunicação social, sem espírito crítico e sem discernir o que é real e o que é ficção», sustentou a reitora.
Daniel Proença de Carvalho, José Carlos Vasconcelos, Laurinda Alves, Carlos Magno e Mário Zambujal são os convidados deste debate, que vai decorrer sob o tema «Os média na educação e a educação dos média».
O jornalista Luís Miguel Viana, director de Informação da agência Lusa, será o relator final das conclusões.
( fim de citação da notícia )

A acreditar na ideia de que os órgãos de comunicação social constroem uma realidade, que a maioria da população absorve como certa, mesmo não o sendo, estaremos na presença de mais uma perversão da missão da comunicação social.

Sempre fui um apaixonado pela comunicação social em geral e pelo jornalismo em particular, talvez pelo enorme poder que os órgãos de comunicação social têm sobre as pessoas. Poder que deveria, quanto a mim, ser acompanhado de responsabilidade.

Ora se há quem acredite que «Há pessoas que vivem adormecidas com o que lhes é dado pela comunicação social, sem espírito crítico e sem discernir o que é real e o que é ficção», poderemos estar em presença não de uma comunicação social que ajuda a formar pessoas, mas de uma comunicação social que faz um uso abusivo do seu poder, manipulando as informações que veicula, contribuindo afinal para uma deformação das pessoas.

Com pena não pude assistir a este interessantíssimo debate, enriquecido por um ilustre painel de convidados.

Não sei como poderei ter acesso às conclusões do mesmo, mas julgo que seria interessante abordarmos este tema, importante e transversal à nossa sociedade.

terça-feira, maio 13, 2008

Cooperação e Desenvolvimento - Que ajuda?


Ajuda ao desenvolvimento em risco

Este era o título de um artigo recente publicado no Semanário Económico e que concluía que os dados sobre a ajuda ao desenvolvimento publicados pela OCDE eram desoladores. Segundo aqueles dados os principais países doadores – UE, EUA, Canadá e Japão – não conseguiram dar cumprimento aos seus compromissos financeiros de combater a pobreza no mundo e proporcionar um futuro melhor a milhões de homens, mulheres e crianças.

Segundo o mesmo artigo, os números da ajuda ao desenvolvimento em 2007 ficaram muito além dos objectivos fixados. No ano passado a parte de ajuda pública ao desenvolvimento concedida pela UE em relação ao rendimento nacional bruto, diminuiu de 0,41% para 0,38%, quando os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio definiram até 2015 que esta deveria atingir os 0,7%.

Significa que em 2007 cerca de 1.700 milhões de euros foram doados a menos, o que teria permitido tratar milhões de crianças, dos 11 milhões que morrem anualmente por falta de cuidados de saúde, para citar alguns exemplos.

E a crise alimentar provocada com o aumento dos preços dos bens alimentares em especial dos cereais e do arroz, certamente irá agravar este estado de coisas. Um problema que pôs já em risco o Programa Alimentar Mundial. Um problema preocupante que a todos nos deve merecer uma reflexão, e, mais do que isso, alguma acção.

Posto isto, quais serão as razões? Menor solidariedade? Efeitos da crise financeira mundial? Enfraquecimento da atitude dos mais ricos face à problemática da ajuda ao desenvolvimento?

sábado, maio 10, 2008

Quantos Somos ?

Cinco milhões de portugueses vivem no estrangeiro, sendo que só nos principais países europeus a percentagem de emigrantes aumentou 52,6 por cento, de 420 mil para 640 mil, entre 2000 e 2006, segundo dados da OCDE.

Esta notícia foi divulgada no início da semana, podendo ser lida em

http://tsf.sapo.pt/online/vida/interior.asp?id_artigo=TSF191583

Por outro lado e segundo dados do INE ( Instituto Nacional de Estatística )

“ Em 31 de Dezembro de 2004, a população residente em Portugal foi estimada em 10 529 255 indivíduos, dos quais 5 094 339 homens e 5 434 916 mulheres.”

Quando se pergunta a qualquer pessoa qual é a População Portuguesa, a resposta surge imediata e igual, “Somos 10 Milhões “.

Coloca-se então a dúvida:
- Somos 10 Milhões e 5 Milhões vivem no Estrangeiro o que faz com que em Portugal só se encontrem 5 Milhões de Portugueses ?
- Ou somos 10 Milhões em Portugal e outros 5 Milhões vivem no estrangeiro o que perfaz um total de 15 Milhões de Portugueses ?

Não creio que uma possível diferença de 5 Milhões de pessoas seja um facto residual e facilmente ignorável.

Gostava que alguém me ajudasse a compreender qual é a população portuguesa.
Seremos 10 ou 15 Milhões ? Ou a população correcta estará algures entre estes 2 números podendo ser de 11, 12, 13 ou 14 Milhões.

Fica aqui o apelo e o desafio a quem já tenha estado em contacto com dados fiáveis sobre a população portuguesa, para que nos elucidem a todos, sobre o dado real e como se chega a esse valor, da população portuguesa.

sexta-feira, maio 09, 2008

Não há ordem e Não à ordem

Tem-se falado muito no polémico novo acordo ortográfico, tendo um dos movimentos que estão contra este novo acordo, recolhido cerca de 15 mil assinaturas, o que é no mínimo, significativo.

Confesso que ainda não prestei a devida atenção aos argumentos dos defensores do novo acordo, alinhando por enquanto no grupo dos que julgam que este novo acordo vem descaracterizar fortemente o Português de Portugal.

Julgo que a frase título deste artigo não será afectada pelo novo acordo pois, conforme seguidamente explicarei, reflecte, apesar da fonética semelhante, 2 realidades distintas.

Quando falo no primeiro Não há ordem, refiro-me à ordem pública, que está crescentemente a ser afectada por ladrões.

Não sei se os ladrões estão a aumentar exponencialmente mas a avaliar pelas notícias que nos chegam via órgãos de informação e que correm nas “bocas” dos populares, o número de assaltos tem vindo a aumentar assustadoramente.

Os assaltantes resolveram diversificar o tipo de assaltos, perturbando a ordem pública ao cometerem crimes dos mais incríveis que se possam imaginar numa sociedade desenvolvida.

Tenho ouvido recentemente muitas queixas, de diversos pontos da grande Lisboa, referindo-se ao assalto dos marcos do correio. É verdade, os simpáticos e práticos marcos de correio, que tanto nos facilitam a vida, têm sido objecto de um número elevado de assaltos.

Um dos motivos principais destes assaltos é o roubo de cheques e a sua utilização indevida. Apesar do aumento do número de pagamentos por transferência bancária, o cheque continua a ser um meio muito utilizado para particulares e sobretudo empresas, efectuarem os seus pagamentos a fornecedores.

Pois bem ( ou pois mal ), essas cartas que contêm cheques, têm sido furtadas e os assaltantes, mediante a falsificação de carimbos, endossam os cheques e depositam os cheques em suas contas, lesando centenas de pessoas e firmas em milhares de euros.

Mais uma vez pouco se ouve falar de algo tão grave e importante.

Os bancos pouco ou nada podem fazer, pois não têm forma de verificar se um carimbo e assinatura de endosso é verdadeira ou falsa.
Resta-lhes então recomendar aos seus clientes que ao emitirem um cheque à ordem de uma determinada pessoa, acrescentem as palavras não à ordem, o que significa que esse cheque não pode ser endossado, sendo apenas possível o movimento, pela pessoa ou firma à ordem de quem o cheque foi emitido.

Esta é a única forma de precavermos esta situação. Só assim teremos a certeza de que em caso de furto de cheques, o ladrão não poderá fazer uso abusivo do mesmo.

Pela importância social e económica deste aviso, não quis deixar de utilizar o nosso blog para chamar a atenção para este grave problema.

É também um dever cívico do fres, promover boas práticas de cidadania, procurando a defesa dos interesses dos que lutam pelo bem.

domingo, maio 04, 2008

Recuar é perder ?

Resido num dos chamados “bairros dormitórios” de Lisboa.

Afastado da azáfama da Capital e dos seus eventos culturais, este facto de residir perto mas, ao mesmo tempo, longe da capital, teria de ter algumas vantagens.

Uma das vantagens é a de a minha casa se situar mesmo no centro do Bairro, perto de todas lojas e serviços (Junta de Freguesia, Correios, Bancos, Farmácia e Centro de Saúde ) e perto do Mercado Municipal e da Feira Semanal.

Todas quartas e sextas vive-se na minha rua, um autêntico corropio de comerciantes e compradores, que na ânsia de ficar o mais próximo possível da feira e do mercado, estacionam em segunda-fila, dificultando a fluidez do trânsito.

Ontem a cena repetiu-se e fruto de tanto mau estacionamento o trânsito entpui nos dois sentidos. Vai dai, num instante acumularam-se veículos nos dois sentidos, sem que ninguém conseguisse avançar.

Primeira reacção dos automobilistas envolvidos, Buzinar.

Buzinando, pensaram, os outros haveriam de se mover, e conseguiriam seguir em frente.

Caminhando a pé , fui de encontro ao centro do entupimento do trânsito, verificando que os carros que se encontravam frente a frente, e os que os precediam imediatamente, pouco ou nada poderiam fazer porque não tinham margem de manobra. Reacção dos automobilistas que seguiam mais atrás nos dois sentidos ? Voltar a buzinar.

E a cena repete-se durante vários ( longos ) minutos.

Os automobilistas que seguiam mais atrás em cada um dos sentidos, sabiam que a solução passava por eles. Eles tinham margem para recuar e ajudar deste modo a que o trânsito fluísse. Mas se circular é viver, recuar é perder. Recuar, conforme diria o nosso estimado Ministro das Obras Públicas, jamais.

Nisto ficamos nós todos, perante um cada vez mais ensurdecedor barulho, até que fruto da insistência dos populares, uma das extremidades deste conflito bélico, resolveu seguir a única via possível, recuar. Assim o fez e em poucos segundos, o conflito que aparentemente não tinha saída, facilmente se resolveu.

Quantas vezes no nosso dia-a-dia, colocamos o nosso orgulho acima de tudo ?

Num mundo cada vez mais conflituoso, a única coisa que parece interessar é não nos deixarmos subjugar pelos outros. Recuar, não faz parte do nosso dicionário. Mesmo que recuar não signifique perder. Às vezes é preciso recuar inicialmente, para se poder avançar em seguida.

Mas isso para muitos que têm a mentalidade “tacanha” não é fácil de assimilar.

Vamos assim, de mesquinhice em mesquinhice, alancando pequenas vitórias, sem entender que na realidade estamos a perder.

Mais uma vez, temos de desenvolver um esforço básico de educação civilizacional, de modo a permitirmos que os nossos companheiros de estrada e da vida compreendam que nem sempre, recuar é perder.

sábado, maio 03, 2008

Páginas com Vida II

Caro Otávio
É hoje Portugal, assim como o foi no passado, um país que estabelece pontes. Pontes culturais, económicas, comerciais e humanas. Esta cultura e forma de ser e estar muito própria dos lusitanos e do ser português, confere-nos aquilo que de melhor temos como povo: a capacidade de aculturação (de inturmação) de percepção dos valores, das atitudes e comportamentos dos outros povos, em suma, das outras formas de vida ou de civilidade se quisermos ser mais prosaicos. E sempre assim foi.
Repara no modo e forma como Portugal se integrou na África (a nossa África) e como nela habitou e co-habitou com diversos povos. Depois, desde Timor, Macau, à India. Esta forma de ser português, não fosse a reduzida dimensão em riqueza económica (e um pouco civilizacional acredito) dos dias de hoje, dar-nos-ia uma escala humana diferente (ainda que esta seja genuína). Cultura, ciência e comércio. Foram os motes do passado. Não são os motes do presente. Mas poderão ser os motes do futuro.
E as páginas com Vida da internet, deste universo global, do qual não somos estranhos, são apenas e só, mais uma forma de nos relacionarmos com os outros. Os outros não nos são estranhos. Portugal é uma presença viva nos locais mais remotos. Mas falta-nos uma nova raça de homens e mulheres que nos recoloquem no ADN da nossa genuínidade. Esta foi o que melhor tivemos até hoje.

Revisão do Código do Trabalho

O Governo apresentou no passado mês aos parceiros sociais, a proposta de revisão do Código do Trabalho.

É sem dúvida uma das questões mais delicadas e complicadas de resolver, sendo bastante difícil encontrar soluções equilibradas.

A OCDE (e não só) tem repetidamente criticado a rigidez da nossa legislação laboral.

Por outro lado, as centrais sindicais têm (também repetidamente) criticado a precariedade do emprego em Portugal.

São posições extremas que estão em causa, revelando interesses que não deveriam ser mas são opostos, ou seja, os interesses de Patrões e Empregados.

As Principais Propostas desta revisão são:

1. Precariedade penalizada
A Contribuição para a Segurança Social dos Contratos a Prazo é agravada em 3 pontos passando dos actuais 23,75% para os 26,75% e reduzida para 22,75% nos trabalhadores efectivos. As empresas passam a pagar 5% sobre os recibos verdes e estes trabalhadores apenas têm de suportar 24,6%.

2. Flexibilidade de Horários
Convenções colectivas vão poder alterar os horários de trabalho mantendo um limite

3. Caducidade dos Contratos Colectivos
Os contratos colectivos passam a caducar ao fim de 10 anos, havendo um período de 18 meses para os renovar

4. Despedimentos mais simples
Mantêm-se as razões para justa causa por despedimento mas alarga-se o conceito de inaptidão tecnológica

5. Protecção na Maternidade
Licenças de maternidade e paternidade são substituídas por uma única licença de parentalidade. Esta aumenta de 5 para 10 dias no pai, que terá ainda a opção de gozar mais dez dias. Pode ir até 5 meses a 80% do ordenado quando não partilhada ou até 6 meses a 83% se gozada pelos dois pais.


Os parceiros sociais já prometeram luta contra as medidas desta proposta que consideram lesivas dos interesses dos trabalhadores.

Há também quem diga que com revisão a precariedade do trabalho não vai ser combatida mas sim eternizada.

Curioso é ver a notícia de que em 2007 os chamados trabalhos precários (contratos a prazo e recibos verdes) foram quem mais contribui para a criação de emprego em Portugal, representando estes dois regimes de trabalho mais de 870 mil trabalhadores no final de 2007.

Em resumo temos 3 situações diferentes em termos de relações laborais:

- Trabalhador com contrato de efectivo
- Trabalhador com contrato a prazo
- Trabalhador a recibos verdes

Se os 2 primeiros conferem algumas regalias a nível de subsídios de férias, de natal entre outras protecções sociais, já os chamados recibos verdes, representam uma precariedade verdadeiramente atentatória dos direitos mais básicos de qualquer cidadão trabalhador.

Representa também mais um exemplo claro de como é difícil legislar em Portugal.

Quando foram criados em Portugal os Recibos Verdes eram mesmo verdes. Agora são azuis mas continuam-se a chamar de verdes. De Verde de alegria de uns poucos trabalhadores que escolheram trabalhar de forma livre e independente, passaram a azuis de fúria, por manterem à mesma as formas de dependência dos clássicos trabalhadores por conta de outrem, nomeadamente a existência de local e horários fixos a cumprir e a dependência de uma chefia.

Maior traição ao espírito do legislador era impossível.

Mas é possível em Portugal, país onde continuam a proliferar “chicos espertos” que não querem trabalhar ou fazem-no utilizando expedientes que prejudicam gravemente os que trabalham. Estou a referir-me concretamente às baixas fraudulentas e aos fraudulentos subsídios de desemprego.

Quando o País (leia-se todos nós) luta contra tantas limitações e dificuldades, situações destas são altamente lesivas do País moderno, justo e empreendedor por que lutamos.

Também ao nível das relações laborais encontramos todo o tipo de situações.
Desde o trabalhador exemplar, que cumpre com empenho o que lhe é exigido, ao trabalhador “chico esperto” que luta diariamente para fazer o menos possível e ainda gaba-se disso, deixando aos outros (os que trabalham) o papel de idiotas.

Sinceramente, não sei em que vão resultar estas “conversações” para alterar o Código de Trabalho.

Gostava é que os Patrões e Empregados que verdadeiramente têm vontade de levar o País para a frente tivessem condições para o fazer.

sexta-feira, maio 02, 2008

Páginas com vida

O tempo que vivemos apresenta-nos muitas ameaças, de que temos dado conta neste blog, mas apresenta-nos também muitas oportunidades, sendo pois um tempo marcado pelo desafio à nossa imaginação e criatividade.

Muito temos de mudar e de adaptar face a novas realidades.
Até os provérbios têm de ser re-inventados.
Estou a lembrar-me por exemplo do provérbio que diz:
“ Uma imagem vale mais do que mil palavras”
Este provérbio continuará sempre actual, mas dele podem derivar outros como por exemplo:

“Uma página na net vale mais do que mil palavras” ou
“Uma página na net vale mais do que mil acções”

Vejam por exemplo o caso do nosso querido e patriótico motor de busca sapo

Até agora tínhamos o www.sapo.pt
Pois bem, no mês que agora terminou o sapo deu um pulo e criou o www.sapo.cv

Com visual semelhante ao nosso, mas virado essencialmente para as notícias e acontecimentos de Cabo Verde, este pequeno e discreto passo, tem muitos significados importantes, que variam de acordo com o lugar e a perspectiva de onde nos encontrarmos.

Eu encaro este passo como a prova de que é com acções, bem planeadas e com valor acrescentado, que poderemos e deveremos criar mais parcerias com os Palop´s.

Oportunidades existem em Cabo Verde, Angola, Moçambique, São-Tomé e Prínicipe e noutros lugares onde Portugal deixou um forte herança cultural de que a Língua Portuguesa é um testemunho ainda nos dias de hoje.

Anos atrás e a propósito da visita de um Sheik de um dos Países ricos exportadores de Petróleo, Ângelo Correia disse que não se estabelecem boas parcerias comerciais se não lhes associarmos uma boa pareceria a nível cultural e de relacionamento humano.

Este capital de relacionamento humano, de que os Portugueses se podem orgulhar por há muito travarem relações com os povos mais longínquos do mundo, continua a ser um valor muito importante a ter em conta.

Como dizia atrás, as oportunidades existem, mas elas devem ser entendidas como oportunidades de verdadeiras parcerias, no sentido em que dela resultam benefícios mútuos não de curta, mas de média e longa duração.

Tenhamos a consciência de temperar em doses apropriadas , iniciativa, razão e coração, para re-estabelecermos pontes duradouras com os mundos a que Portugal está ligado. Atrás de um bom relacionamento humano, virão (ou não) os bons relacionamentos comerciais. O importante é darmos passos seguros, mostrando as nossas qualidades e provando aos nossos parceiros, como essas boas qualidades poderão ser também partilhadas com eles.

quinta-feira, maio 01, 2008

Pagar a Tempo e Horas-Parte II

Uma das notícias de hoje dá conta que o Estado demorou 96 dias a pagar fornecedores em 2007.

A notícia, que pode ser vista em

http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_digital/news.asp?section_id=1&id_news=98169,

refere que o prazo médio de pagamentos a fornecedores dos organismos da Administração Pública em 2007 foi de 96 dias, segundo revelou o Ministério das Finanças no âmbito do programa «Pagar a Tempo e Horas».

Este é um programa de grande importância, sendo de louvar o objectivo da redução gradual dos prazos médios de pagamento, factor que permite que os agentes económicos fornecedores do Estado, possam ter mais margem de manobra em termos das suas tesourarias.

Contrapondo estes dados está o também questionável senso comum, resultante do que ouvimos no dia-a-dia, no decorrer das nossas actividades profissionais.

Estamos no primeiro dia de Maio, ou seja, já decorreram 4 meses e cerca de 120 dias desde o início de 2008.

No entanto, continuamos a ouvir ( e agora a duvidar ) muitos agentes económicos fornecedores de organismos da Administração Pública, dizerem que estão em graves dificuldades financeiras por não terem recebido facturas do ano de 2007, todas já com prazos superiores a 120 dias, havendo inclusive quem afirme não ter recebido o valor de uma única factura de fornecimentos de todo o ano de 2007.

É a eterna “guerra” de números não coincidentes.

Mas se o Ministério das Finanças está na posse de dados globais e actuais, é um bom sinal o tempo médio de pagamentos a fornecedores do estado estar a situar-se em prazos bastante mais aceitáveis.

sexta-feira, abril 25, 2008

Problemas complicados Soluções Simples

O texto que se segue é integralmente transcrito do seguinte link.

http://familia.aaldeia.net/nodoafecto.htm

Pela sua importância, aqui fica um bom exemplo de como podemos enfrentar problemas complicados com soluções simples.

O nó do afecto

Numa reunião de pais, numa escola da periferia, a directora salientava o apoio que os pais devem dar aos filhos. Pedia-lhes, também, que se fizessem presentes o máximo de tempo possível.
Ela entendia que, embora a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhasse fora, deveriam achar um pouco de tempo para se dedicar a entender as crianças.
Mas a directora ficou muito surpreendida quando um pai se levantou a explicou, com o seu jeito humilde, que não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo durante a semana.
Quando ele saía para trabalhar, era muito cedo e o filho ainda estava a dormir. Quando voltava do serviço, era muito tarde e o garoto já não estava acordado.
Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família. Mas contou, também, que não ter tempo para o filho o deixava angustiado, e que tentava redimir-se indo beijá-lo todas as noites quando chegava a casa.
E, para que o filho soubesse da sua presença, dava um nó na ponta do lençol que o cobria.
Isso acontecia, religiosamente, todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia, através dele, que o pai tinha estado ali e o havia beijado. O nó era o meio de comunicação entre eles.
A directora ficou emocionada com aquela história singela e emocionante. E ficou surpreendida quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola.
O facto faz-nos reflectir sobre as muitas maneiras de um pai ou uma mãe se fazerem presentes, de se comunicarem com o filho.
Aquele pai encontrou a sua: simples, mas eficiente. E o mais importante é que o filho percebia, através do nó afectivo, o que o pai lhe estava dizendo.
Por vezes, importamo-nos tanto com a forma de dizer as coisas e esquecemos o principal, que é a comunicação através do sentimento. Simples gestos, como um beijo e um nó na ponta do lençol, valiam, para aquele filho, muito mais que presentes ou desculpas vazias.
É válido que nos preocupemos com nossos filhos, mas é importante que eles saibam, que eles sintam isso. Para que haja a comunicação, é preciso que os filhos "ouçam" a linguagem do nosso coração, pois em matéria de afecto, os sentimentos sempre falam mais alto que as palavras.
É por essa razão que um beijo, revestido do mais puro afecto, cura a dor de cabeça, o arranhão no joelho, o ciúme do bebé que roubou o colo, o medo do escuro. A criança pode não entender o significado de muitas palavras, mas sabe registar um gesto de amor. Mesmo que esse gesto seja apenas um nó. Um nó cheio de afecto e carinho.
E você... já deu algum nó no lençol de seu filho, hoje?

Crise Alimentar

O Governo brasileiro suspendeu as exportações de arroz das reservas públicas e vai pedir ao sector privado que faça o mesmo, num esforço para defender o mercado interno e contra-atacar a alta dos preços deste cereal.

Esta medida do Governo Brasileiro vem agravar uma crise que já se vinha manifestando em vários pontos do globo e colocar a nú muitas fragilidades da economia mundial actual.

Na linha da frente das preocupações encontram-se as organizações humanitárias, que travam uma dura batalha para evitar que milhares de pessoas morram por falta de alimentos.

É nos chamados países do terceiro mundo que os sinais desta crise mais se manifestam.

Na Europa a crise reflecte-se não ainda na falta de alimentos, mas na alta de preços.

No entanto, associado ao facto de também o sector alimentar estar a ser forte vítima dos especuladores a nível mundial, poderemos estar apenas no início de uma crise de contornos ainda imprevisíveis.

Mais do que encontrar culpados por esta crise, urge encontrar soluções.

Os países mais desenvolvidos terão sempre um dever de solidariedade com os países menos desenvolvidos.

Não creio que possamos dormir descansados sabendo que milhares de pessoas em Africa e noutros pontos do globo, estão a morrer à fome.

É importante que as Nações se mantenham unidas na defesa dos recursos vitais á vida, entre os quais se encontram ( neste caso escasseiam ) os bens alimentares.

Quando as crises são maiores, maior também é a necessidade de unirmos esforços para se encontrar soluções para a combater. Mais do que medidas pontuais, temos de procurar soluções duradouras.

A vida no planeta terra está a mudar a ritmos cada vez mais vertiginosos.
Temos de os saber acompanhar.

quinta-feira, abril 24, 2008

Um parceiro difícil

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, efectua entre hoje e sexta-feira uma visita oficial à China, à partida consagrada a discutir questões de economia e ambiente, mas agora dominada pela repressão chinesa aos protestos no Tibete.

O assunto não é pacífico, pois Bruxelas pretende levantar novamente a questão dos direitos humanos e liberdade de expressão, sendo o Tibete uma «razão suplementar» para que tal aconteça, mas Pequim já indicou, em jeito de antecipação, que conta com o apoio da União Europeia. «A UE, como parceira estratégica da China, deveria expressar o total apoio e compreensão à China», afirmou esta semana a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

A alta diplomacia não é um exercício fácil. Como sempre estão em jogo muitos valores e muitos interesses.

Quando assim é as questões dos direitos humanos acabam invariavelmente por ficar para segundo plano.

Ainda mais porque as tensões comerciais causadas pelo défice comercial da Europa com a China acentuaram-se, tendo segundo a UE, crescido para os 170 mil milhões de euros em 2007, contra 131 mil milhões de euros em 2006.

Não será certamente um encontro fácil para Durão Barroso. Esta não é a primeira vez que visita a China e interessava que a força crescente da China fosse contida em determinada medida, sob pena de a balança comercial, social e humana continuar a pender ( cada vez mais ) para o mesmo lado.

domingo, abril 20, 2008

O Silêncio dos competentes e o Talento em Portugal


Ainda dando continuidade ao tema do Otávio e do João sobre o silêncio dos competentes, pretendo evoluir para outras considerações ligadas às competências e atitudes, capacidades e oportunidades dadas aos competentes (exigidas e procuradas por eles) aos que potencialmente serão ou são já talentosos. É a questão tão em voga do talento em Portugal.

É certo que as competências se constroem através das atitudes, da educação, da formação, dos comportamentos, das inter-relações sociais e humanas. Muitas vezes é mesmo e só uma questão de crer, de atitude ou de uma forma de estar na vida. Outras não depende exclusivamente disso mas também de oportunidades e de janelas abertas. Vejamos o tema que aqui quero deixar e que se prende com o talento.

Está na ordem do dia falar-se em talento, na retenção de talento ou na identificação e recrutamento de pessoas com talento. Talento passou recentemente a fazer parte do léxico de muitos empresários, gestores, políticos ou outros opinion makers.

É bonito e importante falar em talento. Para se parecer talentoso. Se calhar é até chic ou muito in falar daquele de uma forma sofisticada como sofisticados parecem ser aqueles que são possuidores de talento. Claro são talentosos!

Mas exigir talento ou pessoas talentosas não passa de uma falácia e hoje em dia de um lugar comum. Quem são os talentosos? Nós? Eles? Quem somos nós? E quem são eles? E o que é o talento? Formação? Experiência? Atitude? Capacidade inata de fazer algo melhor e com mais competência a um nível de qualidade e eficiência que outros não conseguem? Ou o fenómeno da simples cunha? Talvez importasse definir claramente o que se entende por talento.

Seria igualmente relevante perceber porque se fala hoje tanto em talento? Dão os empresários apoio ou oportunidades aos talentosos? Aos jovens licenciados de elevado potencial, mediante a oferta de empregos qualificados e remunerados na justa medida? Àqueles que são ou podem vir a ser verdadeiramente talentosos? Oferecem-lhes boas expectativas de carreira, possibilidade de afirmação e realização pessoal e perspectivas de evolução, amadurecimento pessoal e profissional? Capacidade de virem a ter uma vida própria? Se sim, porque observamos então uma fuga sistemática e preocupante destes jovens talentos lá para fora, onde, por exemplo na Espanha, Inglaterra, Alemanha, Holanda ou EUA os recebem, talentosos, de braços abertos? Colocando a sua sabedoria e talento ao serviço das concorrentes instituições europeias e de outras partes do mundo?

E que dizer daqueles licenciados, profissionais de diferentes áreas, que já deram prova do seu talento e experiência que neste momento se encontram na fila do desemprego porque os talentosos empresários resolveram por em prática com algum talento programas de downsizing das suas empresas de modo a manterem só para si os seus talentosos resultados?

Ou será que quando falam (e se fala) em talento apenas se pretende fingir que se fala dos outros não se pretendendo outra coisa que não seja demonstrar e exprimir com uma vaidade subentendida que talentosos são eles (somos nós) porque, claro está, só exigem e procuram os serviços dos talentosos? Complexo não?
É extraordinário que num país como Portugal onde as carências em termos de conhecimento, formação e talento são tão vincadas, assistamos ao fenómeno de sujeitarmos mais de 65 mil licenciados ao desemprego. E que empresas em áreas tecnológicas nos digam que têm que recrutar centenas de jovens talentosos noutros países uma vez que estes não existem em Portugal. Quem sabe ainda algum destes jovens e talentosos emigrantes terá a sorte de ser recrutado na Alemanha ou na Holanda como jovem talento para trabalhar em Portugal.

Esta é uma questão sobre a qual teremos também que reflectir profundamente.

quinta-feira, abril 17, 2008

O silêncio dos competentes? Pois que se façam ouvir ...

Lanço aqui a discussão face ao excelente post do Otávio Rebelo com o título "o silêncio dos competentes". A temática é complexa, mas não necessita de ser tratada com complexidade.

O chefe é humano, o líder também, todos os colaboradores o são, negar a dimensão social, de relacionamento de qualquer colaborador com o próximo é contraproducente para chefes e chefiados e para todos nós enquanto membros dos grupos em que nos inserimos e da sociedade em geral. Isto significa que, por muito pouco que a tarefa, e respectivos resultados almejados, seja influenciada por razões sociais e por muito individual que seja, a dimensão social ou grupal na vida da empresa nunca deixa de ser importante.
Daqui se infere que as competencias de relacionamento e de comunicação são indissociáveis do conjunto de competências desejáveis de qualquer colaborador (aquele que colabora ...) em qualquer organização. Vivemos num ambiente cada vez mais propício à interacção, pela proximidade que as novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC) e a facilidade do recurso ao transporte físico nos permite. Essa interacção, se bem aproveitada, pode ser originadora de uma incomparável capacidade de criação, sem paralelo histórico, que poderá elevar a humanidade a níveis de progresso inimagináveis.
No entanto, a maior interacção também implica maior proximidade e maior intensidade de trocas entre culturas que até aqui têm subsistido relativamente "protegidas" de influências externas. Segundo Lévi Strauss, existe um fenómeno que acontece quando dois grupos se encontram e que tem sempre um de dois resultados. Passo a definição - "potlatch é um fenómeno social total, do tipo agonístico, em que duas fratrias, irmãs e inimigas, validam a sua identidade social" - o resultado dessa validação, amplamente estudado pelo sociólogo, tendencialmente tem dois resultados: a troca ou a guerra! E claro, uma das fratrias tem que ganhar e a outra perder no confronto. O importante é perceber que o confronto tem como objectivo a validação social e pode e deve ser efémero, senão mesmo evitado se ambos ou um dos grupos souber, no momento do contacto, endereçar as necessidades de validação do outro, o que envolve conhecer bem o grupo oponente e dominar boas tácticas de relacionamento. Tudo em prol do resultado que interessa - a fase de troca e construção, em oposição à guerra e destruição inerente.
Mas o que isto tudo tem a ver com o silêncio do competentes? Talvez esteja na hora dos competentes pensarem em investir mais em competências de relacionamento, da comunicação inerente, da liderança e das outras setenta e tal para as quais existem técnicas de desenvolvimento. Talvez esteja na hora de acreditar que, tal como as outras competencias técnicas que se dominam, também as denominadas "soft skills" merecem a justa atenção, porque se podem desenvolver e porque sem elas, o competente nunca será verdadeiramente competente, como colaborador, como chefe, como pessoa ...

terça-feira, abril 15, 2008

Não esquecer de (con) viver

Nos dias de hoje uma das frases que mais ouvimos é:

“ Agora não tenho tempo “

Não deixa de ser irónico, controlarmos tanta coisa e não termos tempo para controlar o nosso tempo.

Não se iludam amigos, o tempo que hoje têm é precioso.
Deixar que obrigações impostas por nós mesmos ou obrigações vindas do exterior, preencham a totalidade do nosso tempo, é e será sempre um erro.

Curioso é verificar que muitos de nós nem terão tempo, para se aperceberem que desperdiçaram a maior parte do tempo das suas vidas com futilidades.

É preciso acontecer algo bastante forte, por vezes até dramático, para que sejamos obrigados a sair da nossa “loucura diária” e paremos um pouco para ver e escutar o que está em nosso redor.

Dentro do realismo de que as obrigações aparecem em primeiro lugar, tenhamos coragem para ser simples de vez em quando.

Não menosprezemos as nossas capacidades e a importância das nossas palavras e dos nossos actos. Uma palavra dita ou escrita por nós, pode parecer algo irrelevante, mas não o é, antes pelo contrário.

Queremos sempre que sejam os outros a ter tempo para fazer mais e melhor.
Sim porque nós não temos tempo. Temos coisas importantes e inadiáveis para fazer e essas tarefas vão ocupando diária, semanal, mensal e anualmente o nosso dia-a-dia.

Entretanto, os anos vão passando e nós protestando.
Protestamos contra os governos, protestamos contra as oposições, protestamos contra tudo e contra todos. Apesar de não termos muito tempo, existe sempre tempo para protestar e criticar os outros. Esses outros são aqueles que muitas vezes estão usando o seu tempo para nos criarem melhores condições de vida.
“Mas estão a fazê-lo mal, seguindo os caminhos errados, dizemos nós “

E qual é então o caminho certo ?

Nós sabemos mas não temos tempo para o dizer.

Talvez se chame a isto hipocrisia.

Eu prefiro chamar-lhe desperdício de recursos e talentos.

Não se pede nenhum milagre a ninguém, quando se solicita que dentro dos seus saberes e da sua experiência, nos transmita algo de relevante e produtivo para a comunidade.

Talvez ainda exista outro factor que se esconde por baixo da desculpa do tempo. Esse factor é o egoísmo. Preferimos por egoísmo manter todos os nossos trunfos do nosso lado.

Ainda bem que quem inventou a roda, os post-its, o rádio, a televisão e os telemóveis não foram egoístas.

O mundo pode ser um local maravilhoso se nós tivermos do nosso lado uma série de “trunfos”.

Mas se tivermos a coragem ( e o tempo ) para fazer multiplicar esses trunfos, o mundo pode ser ainda um local muito mais maravilhoso.

Administrem o vosso tempo da melhor forma que souberem, mas não se esqueçam de ( con ) viver.

sábado, abril 12, 2008

Actividade Politica versus Actividade Privada - Conflito de Interesses? o Caso Português - Perspectiva de Ciência Politica

Tem sido tema de análise e discussão toda a semana nos media Portugueses a nomeação do Dr. Jorge Coelho - ex-Governante Socialista e figura politica de relevo no PS para Presidente Executivo da Mota/Engil.

Este tema relevante e polémico não é novo e tem sido analisado por cientistas politicos em vários Países. Como compatibilizar a actividade desenvolvida na vida politica com uma carreira no sector privado? São compativeis e é éticamente aceitável? é moral ou é imoral?

Assunto polémico e não consensual que na minha opinião deverá ser analisado numa perspectiva cientifica e não ideológica,pois, quando se analisa do ponto de vista ideológico e tendo em conta a cena politica portuguesa todos os actores partidários portugueses (partidos politicos) têm telhados de vidro sobre este tema dai que seja sensato ir ao fundo da questão que é a seguinte:

Em todas as democracias ocidentais e abertas ao pluralismo a transição de uma carreira politica para o sector privado é um dado adquirido.

Isto acontece em França, em Espanha, no Reino Unido e nos EUA. Portugal não está isento também deste fenómeno e com muito maior visibilidade em Portugal porquê?

Vejamos uma análise de sistemas comparados:

No Reino Unido ou nos EUA os ex-Ministros, Secretários de Estado ou ex-detentores de cargos relevantes são "caçados" pelas grandes corporações internacionais (Bancos de Investimento, Companhias Petroliferas, Consultoras Internacionais e Escritórios Internacionais de Advogados) para desempenharem cargos em áreas de desenvolvimento internacional, consultoria estratégica de apoio a expansão de negócios internacionais em mercados-alvo onde essas empresas têm interesses.

Vide por exemplo quando o antigo 1º Ministro Britânico Tony Blair foi para o JP Morgan ou Chris Patten foi para Chairman da BP depois de uma carreira como Governador de Hong-Kong e como Comissário das Relações Externas da União Europeia.

Em Portugal principalmente os ex-politicos são "caçados" para cargos em empresas nacionais mas para apoio ao desenvolvimento das estratégias de negócio dessas empresas no mercado doméstico.

Porquê é que acontece assim? nas culturas democráticas de origem Latina (Portugal, Espanha, França e Itália) a forte intervenção do Estado na Economia quer como regulador e entidade omnipresente implica que as grandes empresas tenham que dialogar constantemente com o Estado já que este ao mesmo tempo é um grande cliente e um grande regulador.

Na cultura Anglo-Saxônica como as economias domésticas funcionam mais abertamente e o Estado é de cariz Liberal as empresas não necessitam de recorrer tanto no plano doméstico a ex-politicos para exercer influência em processos de decision-making ou de diálogo com o Estado, pois, existem escritórios de Lobbying especializados e regulamentados na Lei que exercem esse papel de modo claro e transparente.

Quem visitar Washington por exemplo sabe que a Capital dos EUA é a capital do Lobbying e que exercer a profissão de Governamental Affairs ou de Consultor de Lobby numa grande corporação não é visto como algo negativo já que faz parte das regras normais funcionamento do jogo democrático.

Por outro lado, quando as empresas desses Países anglo-Saxônicos se internacionalizam ou actuam em contextos de mercado global recorrem ao recrutamento de politicos nacionais com skills, capacidade de influência e network internacional. Em Portugal infelizmente isso ainda não acontece dada a nossa pequena influência no plano internacional e não termos elites politicas internacionalizadas apesar de estar a aumentar com a nossa presença na União Europeia.

No plano politico português e dada a nossa baixa cultura politica quer no Topo (Classe Politica) quer na base (cidadãos) e a reduzida capacidade de intervenção civica e de transparência na vida pública própria de uma tradição politica centralizadora em que o Estado é o principal actor confundimos na semântica da ciência politica tráfico de influências com actividade de Lobbying.

Torna-se por isso um imperativo como sustenta hoje no "Expresso" o Politólogo Luis de Sousa do Observatório de Ética na Vida Pública e investigador no ISCTE e citando as suas palavras: " é necessário uma mudança de mentalidade e funcionamento do estado em que o lobby devia ser regulado porque tornaria as coisas mais transparentes e menos promiscuas".

O investigador ainda acrescenta " Em Portugal não há regulação para o Lobby, nem ele está institucionalizado, porque nós não somos uma democracia plural e participativa".

Em jeito de conclusão todos nossos cidadãos esclarecidos devemos reflectir sobre este tema relevante e transversal,pois, em termos de modelo de democracia madura e sociedade aberta como a designou Karl Popper temos ainda muito que evoluir ou será que "culture matters" e tudo continuará na mesma?

O Silêncio dos competentes

Destruir sempre foi mais fácil e mais rápido do que construir.

O ser humano é um sonhador e um construtor por natureza. Ao longo da evolução da sua espécie foi, ano após ano, década após década, século após século, construindo cada vez mais, guiado pelo seu espírito empreendedor.

A arte, o engenho e o mérito da construção não são contudo extensíveis a todos os seres humanos. Muitos descobriram que esse caminho nem sempre é o mais fácil. Outros descobriram que não se trata apenas de ser mais difícil; ele é virtual impossível para quem apresenta limitações ao nível das suas capacidades intelectuais. A este grupo (que infelizmente é maioritário) resta o caminho da crítica destrutiva e do lamento constante.

As suas palavras e acções são dominadas por atitudes e pensamentos mesquinhos, em que o mais importante é enaltecerem o pouco mérito que têm e denegrirem ou ocultarem o mérito dos que realmente demonstram capacidades e atitudes positivas e construtivas.

Vêm estas palavras de encontro a um sentimento generalizado de insatisfação de uma faixa importante da sociedade.

Falo concretamente das pessoas competentes. Excelentes profissionais, que com brio e dedicação, laboram diariamente pelo bem da sua empresa ou instituição. O seu trabalho é absolutamente vital.
Nada preocupados com mesquinhices ou jogos de interesse, esses profissionais, demonstrando elevado sentido de responsabilidade, resolvem diariamente um sem número de questões e tarefas mais ou menos complicadas. E fazem-no quase sempre “na sombra”. Na sombra dos seus colegas que se entretêm com “fogos de artifício” (bons para os olhos das chefias), e na sombra dos próprios chefes, quando também eles demonstram limitações na capacidade de avaliação correcta e isenta do trabalho desenvolvido pelos seus colaboradores.

Numa altura em que cada vez mais se fala na promoção do mérito e na importância da avaliação de desempenho, é importante chamar a atenção dos nossos líderes e chefes, para olharem com atenção para o trabalho desenvolvido pelos seus colaboradores.

Fica aqui uma dica. O trabalhador que executa bem apenas uma tarefa, tem “pressa” que o seu chefe reconheça o mérito do seu trabalho. Pelo contrário, o trabalhador que executa bastantes tarefas bem, com ritmo elevado e com regularidade, tem como principais preocupações que os trabalhos sejam feitos, bem e com competência, mantendo-se todavia em silêncio relativamente aos seus méritos.

Qual destes dois caminhos será o mais correcto?
A história tem teimosamente demonstrado que é o primeiro.
A bem do aumento da competitividade das nossas empresas e instituições e do reconhecimento dos que querem fazer um trabalho positivo, era bom que os chefes apreciassem mais o segundo.

terça-feira, abril 08, 2008

A medida certa

Toda empresa é posta diariamente à prova, sendo constantemente exigido a tomada de medidas certas.

Desde decisões simples de gestão corrente, até medidas mais profundas de âmbito estratégico e de planeamento a médio e longo prazo, a pressão para que se encontre o(s) melhor(es) caminho(s) é forte e constante.

Num cenário de “arrefecimento” da economia mundial com as previsões a apontarem para baixos valores de crescimento a nível global, maior se torna essa pressão.

Muitas pequenas unidades sentem uma necessidade de crescimento. “Só os mais fortes sobrevivem” é um dos clássicos chavões que se ouve com bastante regularidade.
Até as grandes empresas nacionais sentem que o nosso país é demasiado pequeno e optam por estratégias de crescimento marcadas pela aposta na internacionalização.

Ser forte não significa necessariamente ser grande. Mais importante do que crescer, é crescer na medida certa das capacidades de cada empresa. Muitas empresas, sem o saberem, já atingiram a sua dimensão ideal. Procurar crescer a todo custo, só porque se julga que no crescimento é que está o futuro da empresa, pode revelar-se uma opção fatal.

Nas cadeiras da faculdade, escutei e não mais esqueci a frase de um Professor que nos disse.
“ Para a tomada de boas decisões é necessário ter:
1. Muita Informação
2. Boa Formação
3. Bom Senso “

Neste cenário de crescente competitividade a nível mundial, torna-se importante o contributo cruzado dos bons gestores formados nas escolas de gestão com os bons gestores formados pela “escola da vida”.

Uns e outros, trabalhando juntos, falando e escutando, partilhando ideias, assimilarão as bases que lhes permitirão tomar as medidas certas.

sábado, abril 05, 2008

Deslocalização de empresas e Investimento Estrangeiro

Esta semana a noticia mais relevante de âmbito económico e social foi o encerramento de uma unidade de produção da Delphi em Ponte de Sor e de outra da Yazaki Saltano em Vila Nova de Gaia colocando no desemprego cerca de 900 pessoas sem contar com as empresas fornecedoras nacionais e service providers dessas duas multinacionais instaladas em Portugal que actuam no cluster automóvel.

Este cenário já era previsivel há bastante tempo aquando da entrada da China na OMC e do alargamento da UE a Europa Central e de Leste.

O sector de componentes autómovel está bastante globalizado e a tendência para o OEM (Offshore Equipment Manufacturing) é uma constante que implica a identificação e pesquisa de novos mercados fornecedores no seio da cadeia de valor do sector automóvel.

Portugal já foi um mercado atractivo até a nossa adesão a União Europeia,pois, com a livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais bem como a eliminação das barreiras aduaneiras nacionais tornou-se irrelevante a produção destas compeonentes em Portugal.

Para além de que os grandes fabricantes do sector automóvel não consideram Portugal um mercado estratégico para a fixação de unidades industriais deste sector. Excepção , felizmente é o caso da Autoeuropa.

Os nossos custos de produção são elevadissimos e não devem ter em conta a questão apenas da mão de obra, mas sim a produtividade, os custos de logistica, a competitividade dos portos nacionais e o custo energético bem como a elevada carga fiscal e a Burocracia que dificultam a captação de IDE em Porugal. Isto é, o grau de atractividade de investimento directo estrangeiro torna-se reduzido devido a estes condicionalismos.

O fenómeno da deslocalização e transferência de produção para outras áreas mais dinâmicas do globo não tem apenas Portugal como vitima, pois, abrange todos os Países da Europa e os EUA.

A globalização dos mercados e a procura de mercados mais competitivos ou a redução global de custos no seio das grandes corporações é algo que está para ficar e que está a criar verdadeiros fenómenos de desemprego ao nivel global e a conduzir regiões a situações perda de competitividade económica e social o que é prejudicial para a Estabilidade dos Países afectados onde essas regiões se encontram.

Alguns Paises vão conseguir superar esta questão através da seguinte estratégia:

- Reconversão profissional urgente das pessoas afectadas pelo fenómeno de desemprego nessas regiões - Mas uma reconversão real e eficaz feita entre Estado/ Autarquias e sector privado de forma a elevar a dignidades das pessoas e dar-lhes perspectivas reais de emprego em vez de emigrarem ou deslocarem-se para outras zonas do Pais.

- Captação de Investimento Directo que não necessita de ser de Multinacionais mas de PME que estão a internacionalizar-se e procuram novos mercados.

- Estratégia de captação de investimento direccionada para novos mercados emissores de IDE em vez de o esforço de diplomacia económica ser sempre nos mercados tradicionais.
- Melhoria do ambiente macroeconómico e redução da carga fiscal para o investidor

- Novo modelo de captação de investimento estrangeiro baseado em novas indústrias emergentes

- Novo modelo de apoio as PME nacionais na área da exportação e consórcios de exportação de forma a estimular a criação de riqueza nacional de base industrial nessas regiões.

- Forte estimulo a formação profissional e a criação de condições favoráveis nessas regiões para o investidor instalar as suas empresas o que implica redução da Burocracia e que as autarquias dessas vilas e cidades tenham gabinetes próprios de apoio ao investidor com técnicos com experiência do mundo real das empresas e que conheça quais as indústrias emergentes e as em declinio.

- Gestão previsional dos RH de forma a termos mão-de obra especializada para as indústrias atractivas que possam investir nessas regiões em declinio.

- Fortes acções de relações públicas internacionais para captar investidores e posicionar essa região como pólo atractivo para instalação de novas indústrias e com um ambiente envolvente com qualidade de vida e boas infraestruturas como: escolas, universidades, hospitais de excelência, boas acessibilidades etc..












quinta-feira, abril 03, 2008

Desigualdades Sociais e Globalização

Portugal como Estado aberto a economia global está neste momento a tornar-se num País dualista em que as desigualdades sociais e o fosso entre ricos e pobres é cada vez mais visivel.

É lamentável que um País que deu Mundos ao Mundo e que por natureza é uma Nação Global esteja neste momento a sentir-se incapaz de se integrar na economia global e a perder competitividade económica e social que se reflecte na perda do poder de compra da classe média nos últimos anos.

O erro que tem sido cometido por sucessivos Governos é julgar que o Estado resolve todos os problemas da sociedade e que em matérias em que devia ter eficacia na actuação não estar a ter e deixar o campo livre para áreas em que o sector privado já deu provas que pode fazer melhor.

Hoje em qualquer País com economia aberta a competitividade é baseada no alto desempenho do sector privado e numa regulação do Estado em que o próprio Estado que somos nós todos também é regulado de forma positiva. O que infelizmente cá ainda não acontece.

Em Portugal ainda se confunde muito Estado e interacção com sector privado o que dificulta a existência de uma verdadeira economia social de mercado.

As desigualdades sociais são fruto desse Estado Social de Mercado que ainda é incipiente e que não proteje aqueles que estão desfavorecidos ou em fraqueza social. É prioritário antes de mais definir que Modelo de Estado queremos ter,pois, ser 100% liberal e 100% socialista ao mesmo tempo não acredito que venha a dar muitos resultados. Vide por exemplo o caso de França.

Torna-se por isso urgente todos nós cidadãos responsáveis pensar que Modelo de Estado queremos para Portugal numa era de globalização em que só os mais fortes e aqueles paises com vontade x capacidade conseguirão vencer.

quarta-feira, abril 02, 2008

Politica Externa Portuguesa e Convergência Interministerial

O Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal: Dr. Luis Amado alertou esta semana para a existência de uma "politica de capelinhas" na acção externa do Estado Português.

É um facto que esta falta de coordenação interministerial no que concerne a formulação e implementação da Politica Externa Portuguesa existe há bastantes anos prejudicando a projecção internacional de Portugal na cena internacional.

Uma politica externa na assumpção da palavra tem que ser exequivel e ter em conta o interesse nacional e tem que estar acima de interesses ministeriais ou "capelinhas".

É necessário uma visão de Estado que coordene a acção externa da Máquina Diplomática e de todos aqueles que têm responsabilidade pela projecção internacional de portugal no âmbito da diplomacia politica,cultural, económica e defesa de forma a termos uma voz unissono e uma coerência na defesa dos interesses de portugal junto das instituições internacionais e dos centros de decisão internacional.

Torna-se por isso imperativo uma reforma no sentido de reorganização da máquina diplomática e de todas as áreas de relações internacionais dos ministérios que actuam ou se cruzam no campo da politica externa.

A competitividade dos Países pela procura de prestigio e influência internacional implica uma agilização dos instrumentos diplomáticos, culturais e económicos ao serviço do Estado de forma a aumentar a penetração da nossa capacidade de influência no sistema internacional e termos Portugal como estado pequeno mas aberto ao Mundo com forte prestigio diplomático no xadrez mundial.

Ao transpormos para a cena internacional uma máquina diplomática ágil e eficaz estamos a criar condições para um desenvolvimento económico de Portugal mais elevado e para o aumento da respeitabilidade como País aberto ao Mundo e com uma diversidade de relações internacionais.


Alfredo Motty
2/04/2008

sábado, março 29, 2008

Batalha Naval

Lembrei-me de repente de um dos jogos favoritos da minha infância.

Longe das Playstations e outras tecnologias actuais, utilizávamos papel e caneta ou lápis.

Cada jogador dispunha em cada jogo de um papel quadriculado que simulava o mar e onde tinha de colocar a sua frota, desde os submarinos ao porta-aviões.

O jogo consistia então em escolher 3 tiros em cada jogada de forma a adivinhar a localização que o adversário tinha escolhido para a sua frota. Esses tiros ou acertavam em parte dos navios do adversário ou, eram tiros na água.

Era um jogo simples e muito divertido que misturava intuição e estratégia.

Lembrei-me dele a propósito dos muitos contributos que testemunhamos ao ler diversos jornais e revistas semana após semana.

Considerando os navios como problemas que temos de resolver no dia-a-dia, um objectivo poderia ser dar tiros nesses “navios”, de modo a afundá-los, leia-se, resolver os problemas.

Infelizmente, conseguimos atingir o paradoxo de ter um exército de pessoas a produzir bons artigos e a dar boas ideias mas que, ao não serem devidamente aproveitadas, representam tiros na água, perdendo-se ingloriamente essas mais valias.

É como se a vida não passasse de uma brincadeira, onde podemos pacificamente ignorar a urgência na resolução de problemas simples ou complicados.

Vivemos pois um tempo de desperdício. Desperdício de talentos, desperdício de recursos que assumimos como inesgotáveis.

Felizmente assistimos a um ressurgir de novos grupos e novos movimentos que insistem em “dar pedradas no charco”.

Resta-nos então acreditar no velho ditado:
“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”

Miopia internacional das PME - O caso Português

No âmbito da actividade profissional que tenho desenvolvido quer como consultor quer como formador nas áreas de comércio internacional tenho vindo a constatar que ainda existem grupos de empresários de PME que continuam com a chamada doença "miopia internacional".

Doença esta que no âmbito dos estudos consagrados a internacionalização ainda afecta muito
alguns sectores de actividade em Portugal. Quais são os sintomas dessa doença? Vejamos:

- Estratégia de exportação definida pelo lado da oferta e não pelo lado da procura
Exemplo de discurso: tenho um bom produto e a um bom preço............mas sem estudar a concorrência directa e indirecta no plano global de produtos semelhantes e alternativos existentes em outros mercados.

- Aquele meu amigo que tem a empresa A está a exportar para o País X ou Y logo eu também vou exportar e ser bem sucedido nesses mercados.

- O mercado Português está estagnado e aqui não vendo nada logo é melhor fazer as malas e ir a procura de mercados sem uma estratégia definida. Há uns tipos que dizem que o que está a dar é os PALOP, outros que falam na Europa Central e de Leste onde as míudas são giras..... Porque não ir até aos PALOP, pois, eu até conheço bem Angola,pois, o meu bisavô fez lá a tropa...........

- Há uns tipos nesses mercados que me querem comprar uns produtos......eu fui lá para vender o que fabrico que são produtos têxteis mas isso eles já lá tinham então conheci uns distribuidores que me pediram se lhes arranjava vinho. Pensei cá para os meus botões eu tenho uma amigo da Adega Cooperativa que quer exportar, pois, ele não consegue entrar com os vinhos deles nas grandes superficies pois o produto tem que ser referenciado logo sugeri-lhe para irmos vender o vinho deles nesses mercados onde estive........vou perguntar quantas caixas leva um contentor de 20 FCL de tinto do bom.......e mandar umas amostras com rótulo de portugal,pois, agora é só para eles verem o produto. depois logo se vê o que vai dar...já me estava a esquecer........essa empresa que quer comprar é um importador/distribuidor de relevo nesses mercados? quais os termos de pagamento a praticar? quais os termos de entrega? custos de logistica? quais são? custos de adaptação de embalagem foram feito? o meu amigo também me disse que isso agora não é relevante......isto é como vender a porta da fábrica - o Lado da oferta é que manda.......e o meu amigo vai 1 semana num ano a um desses mercados logo tem um elevado conhecimento desses mercados. Para que tanta interrogação sobre como efectuar as transacções internacionais? é uma perda de tempo!

quinta-feira, março 27, 2008

Jantar/Debate do FRES - As Cidades


Estimados fresianos e caros visitantes


O FRES realizou ontem no restaurante Kardápio em Lisboa mais um jantar debate cujo tema de discussão foi "As cidades como pólos de desenvolvimento local e regional".

Durante este encontro foram discutidos os diferentes papeis das cidades, quer como pólos de crescimento e desenvolvimento territorial, quer como modelos de atractividade de pessoas, saberes, cultura, ciência e conhecimento, quer ainda como factores de assimetria regional ou nacional. Os papéis e impactos do crescimento das cidades, criando por um lado fócus de desenvolvimento, sejam eles estruturais, económicos ou sociais, estão, por outro lado, a provocar desequilibrios urbanos, a incrementar indiçes de criminalidade e a intensificar fenómenos de desigualdae social. A problemática do que é uma cidade competitiva versus uma cidade não competitiva, (seus indicadores) foi também abordada.

Nesta óptica foi igualmente discutido e debatido se os indicadores que definem os vários conceitos ou critérios de competitividade de uma cidade (segundo o método do Fórum Económico Mundial) são os mais adequados.

Daremos em breve aqui notícias sobre as conclusões ou (ausência delas) relativas a este debate.

Saudações fresianas