Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Força de vontade vs vontade de fazer força

O Sociólogo António Barreto e cronista do Jornal Público, manifestou na rubrica com o título sugestivo “ Gostaria”, alguns dos seus desejos para 2009.
Começa por dizer que
“ Não vale a pena ter esperanças desmedidas para 2009. Mas podem formular-se votos modestos.”…acrescentando “Os meus votos são modestos. Não são excessivos, nem irrealistas. Custam pouco dinheiro ou nenhum.”
Os votos que António Barreto expressa são o espelho do que muitos Portugueses anseiam ano após ano: Melhorias nos Sistemas Judiciais e Educativo; Melhor aplicação dos dinheiros públicos, sobretudo quando envolvem projectos de grandes dimensões como os projectos na Área dos Transportes e Comunicações, como são os casos do Novo Aeroporto de Lisboa, do TGV e das novas Auto-Estradas; um olhar mais próximo do Governo em relação às necessidades reais dos cidadãos e das pequenas e médias-empresas, dado os interesses das grandes empresas e instituições, bancárias ou de outros sectores, parecerem contar já com o apoio do Governo.
São legítimos os votos de António Barreto. Todos eles, se concretizados, poderiam trazer uma inversão nas tendências actuais, implicando melhorias significativas para um elevado número de Portugueses. Quanto a não serem excessivos ou irrealistas, as minhas certezas já não são tantas.
Os desejos concretizam-se quando há encontro de vontades. Se só uma das partes tem o desejo ( e nem sequer tem o poder para a concretizar ), dependendo da vontade de terceiros, tornam-se muito difíceis as concretizações desses desejos. Por muito simples e modestos que sejam, por muito pouco ou nenhum dinheiro que necessitem, eles serão sempre e apenas, desejos.
Num cenário de crise mundial, começam a multiplicar-se os apelos para a cooperação.
Um dos argumentos utilizados é o de que a crise é geral, a todos afecta e daí todos termos de unir esforços para a combater.
Estará porventura aqui uma das grandes falsidades que nos querem “impingir”.
A crise não é geral, nem afecta todas as empresas e todos os cidadãos da mesma maneira.
Aqueles que mais sofrem gostariam de contar com apoio e necessitariam de alguma real solidariedade dos que menos ou nada estão a sofrer. Mas se alguém está bem, porque irá prescindir da sua riqueza ou do seu bem-estar para ir em auxílio dos que estão piores e carentes de ajuda? Esse problema não é dos ricos, dos poderosos ou dos que não sendo ricos, estão consideravelmente melhores que uma crescente faixa da população que se vê mergulhada numa crise de dívidas, desemprego e total falta de perspectivas presentes ou futuras.
O que resta então aos que esperam uma melhor actuação dos Governantes e dos Ricos e Poderosos ? Muito pouco, resta-lhes sobretudo contarem consigo próprios, terem a coragem e a ousadia de buscarem nichos de mercados ou oportunidades. Mais do que nunca, as migalhas também são pão. É esse o pão dos mais necessitados, um pão formado de migalhas que terão de ser suficientes para garantir a sua subsistência.
Pouca coisa acontece na vida por desejos unilaterais. Para que as coisas aconteçam é necessário haver força de vontade, mas é ainda mais necessário que (todas) as partes envolvidas tenham vontade de fazer força, o que só acontece quando há benefícios mútuos.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Optimistas Versus Realistas - Portugal 2009

Em todos os principios de ano começa na imprensa o habitual debate que junta a mesa economistas, opinion-makers e politólogos: Devemos ser optimistas ou pessimistas em 2009? qual o cenário previsto para a vida politica e económica portuguesa?

Como português sou acima de tudo um optimista realista. Contudo, já que nestes tempos dificeis apesar de que nunca devemos deixar de acreditar e de estar motivado para a "sobrevivência" que o cenário português não irá ser muito favorável nos próximos anos e talvez estejamos numa fase de renovação e de questionamento do nosso papel como País e aonde queremos estar?

Os tempos das " vacas gordas" terminaram e era nesses tempos que se podia ter arrumado a "casa portuguesa" nas suas diferentes divisões: Saúde, Educação, Sistema Fiscal, Competitividade Empresarial e Qualificação dos Recursos humanos com abertura para fazer face aos desafios da globalização das economias.

Recentemente estive com um amigo meu do tempo do liceu e que mudou de vida e que está a desenvolver a actividade de empresario no Brasil no sector imobiliário e comentou-me o seguinte: Eu parece que ainda estou em 1992 cada vez que venho a Portugal visitar a familia.

Nada muda........e acima de tudo a mentalidade da classe politica que está desacreditada perante o Povo..... os actores são sempre os mesmo na tenda do circo........... Estes factos são reais e talvez sirva para reflexão de todos nós e neste caso é o papel que o FRES tem desempenhado que sensibiliza nós portugueses como um todo: Politicos, empresarios, agentes sociais e cidadãos.

O que é que pretendemos do nosso portugal? Os cidadãos estão despolitizados, deixaram de acreditar nos partidos politicos, estes cada vez mais recrutam por baixo e as próprias elites não são elites mas gente de show off que vive a custa do Estado.

Nesse aspecto portugal nunca mudou. Quem gosta de história sabe que a nossa história foi sempre assim: muita dependencia do estado e muito sebastianismo.............adiar problemas e não sermos práticos na resolução destes.

Não existe uma estratégia nacional acima dos interesses das corporações e é nestas fases dificeis que as elites deviam ter consenso nacional nos grandes temas mas andam a discutir outras questões menores................ De facto vivemos num mundo irreal de País a beira mar plantado e costuma-se dizer em ciencia politica se só conheces a tua realidade nacional julgas que és o maior do mundo.

Mas não há melhores nem piores em termos de classificação de países, mas sim deviamos todos trabalhar para sermos diferentes e construir uma sociedade de bem estar mais igual e que proporcionasse acesso a mais direitos sociais aos cidadãos sem isso não há construção do conceito de cidadania.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Feliz 2009


Caros visitantes e amigos, 2008 chegou então ao fim estando à espreita 2009. No dealbar de mais um ano, aqui estamos e estivemos, através das nossas armas: o pensamento, a critica, o debate, a reflexão, a caneta e a acção, o nosso contributo e o nosso esforço para a construção de um país melhor.

Por aqui discutimos ideias, apresentámos criticas, fizemos diagnósticos, debatemos e apresentámos recomendações e sugestões. Sugerimos livros e artigos para leitura, publicámos os nossos próprios artigos sobre temas económicos e sociais de relevância tornando do domínio publico algumas das nossas ideias.

Mas acima de tudo partilhámos dos conhecimentos, dos pensamentos e das ideias dos nossos membros e amigos fresianos, os quais tiveram a gentileza de os quererem partilhar connosco. É esta a essência do FRES. São estas ideias, pensamentos e conhecimentos que nos fazem evoluir e crescer como cidadãos conscientes e participativos.

Trabalhámos no tema central das Cidades como pólos de desenvolvimento social e económico no contexto local e regional, tema este que mereceu a nossa reflexão escrita, finalizado com um trabalho publicado nos meios de comunicação social e dirigido às autoridades que tutelam os assuntos do ambiente, cidades e ordenamento do território.

Mantivemos acesa a chama do grande tema educação, sempre alimentado com ocasionais contributos para o fecho final, o qual pretendemos ver finalmente encerrado em 2009.

Façamos votos para que 2009 nos traga a todos novas ideias, temas e reflexões, sugestões e opiniões para além da coragem e ousadia para as apresentar à sociedade. Porque a sociedade está carenciada de alguns valores e iniciativas. Que 2009 nos traga a todos também o bem, a saúde e a sorte.

“Se não intervirmos e desistirmos, falhámos”

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Querer mudar de vida


Não pode nem deve ser desvalorizada a situação vivida na Grécia com as manifestações de violência que têm ocorrido nas ruas da capital e do país.

Porque estas manifestações não representam apenas e só a rebeldia dos jovens estudantes gregos. Representam muito mais do que isto. E como tem sido dito e analisado pelos sociólogos, não se tratam de manifestações por parte das classes baixas e desfavorecidas do país. São antes provenientes da classe média e média alta, as quais vivem num clima de total desalento, total descrença, falta de perspectivas de vida, com salários em desvalorização, com o agravamento do custo de vida e aumento do desemprego. Parece que os gregos têm tendência para serem destemidos e agirem assim.

É relevante ouvir o que dizem os sociólogos gregos e os estudantes na rua, filhos de alguns dos grupos favorecidos da sociedade grega. Não esperam mudanças no ensino, nos programas ou nos professores. Querem antes mudar de vida. Mudar a sua vida.

Estes movimentos de instabilidade social, já antes precedidos por iguais manifestações de violência em França recentemente, estes sim provenientes das classes mais desfavorecidas, são um sinal. Mas um sinal negativo e preocupante do estado social de uma Europa em crise financeira, económica mas também social.

O risco, hoje, da sua repercussão a outros países é significativo. Porque as pessoas e as famílias se encontram em profundo desalento, pouco confiantes numa vida melhor no futuro próximo. É ouvir o que dizem os portugueses nos inquéritos realizados. Somos os menos confiantes na melhoria da nossa qualidade de vida. Os mais pessimistas.

Portugal será, talvez, o país da Europa onde é menor o risco de tais fenómenos virem a ocorrer. Somos até pacatos. Bom para nós. No entanto, nada nos garante que tal não venha a ocorrer também por cá. E 2009 está aí, sombrio, sisudo e pouco afável. Infelizmente espera-se por um agravamento do desemprego em face do encerramento, esperado, de muitas empresas. Esperemos que todos se enganem e que tal assim não seja. Mas neste cenário, agrava-se o estado social do país e aumenta o risco destes fenómenos degenerarem também por cá. Estejamos atentos. Esteja o governo atento. Por quem têm sido vários aqueles que defendem que temos que mudar de vida. Pelo menos melhorá-la.

A tarefa do país deverá ser hoje, acima de tudo, uma tarefa social. Portugal tem que fazer uma reflexão social e agir em conformidade. Isto passará pela implementação de politicas sociais de apoio aos mais pobres e desfavorecidos e de uma ajuda às empresas para que não encerrem a sua actividade. Exemplos: o estado no seu papel de cliente pagar a horas, exigir o IVA apenas após emissão do recibo, melhor enquadramento fiscal ao investimento. O problema depois é orçamental, mas se Bruxelas abre os “cordões à bolsa” para o apoio às medidas de recuperação económica, temos a bênção de Deus
.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Requiem a esta crise que nos assola


Vítor Constâncio afirma que Portugal vai entrar em recessão. O 3º trimestre registou um crescimento negativo esperando-se que o 4º trimestre siga este rumo. Isto significa recessão técnica. Tudo devido à quebra no consumo, das exportações e do investimento. Fundamentalmente a quebra na procura externa provoca-nos este estrago. Diz-se que a recessão vai durar até 2010, ano em que a economia iniciará o processo de recuperação. Crescer 0,1%, ou 0,0% ou ainda –0,1% não será igual?

CRISE. A palavra mais utilizada hoje em dia na boca dos cidadãos portugueses. Ou não fosse o nacional pessimismo instalado o motor de (des)impulso do país. Fala-se de crise muito antes desta se instalar.

Não tenhamos dúvidas que 2009 será um ano muito difícil quando 2008 já o foi. Está assim a Europa e os EUA. Sobra o crescimento da China, Índia ou Brasil. Mas não estamos lá.

Portugal necessita por isso de estímulos, de palavras motivadoras que nos tirem deste marasmo. Iniciativas enérgicas, palavras de confiança e acima de tudo muito trabalho. É necessário o país implementar um plano de contingência nacional. E não seguir ou cair nas tentações da política e dos políticos. Quando o mundo ocidental está como está, quando os EUA estão como estão, fruto da crise financeira instalada, é pura demagogia acusar os actuais governantes, seja de que país for, catalogando-os como responsáveis pela crise. Todos o serão, políticos e cidadãos. Todos participámos no esquema, de uma ou de outra forma. Não dizem os economistas e outros académicos que a economia vive por ciclos de prosperidade versus recessão? Então como contrariar isto? Se não fosse o subprime seria um qualquer superprime.

Portugal necessita de um governo que apoie as empresas (em especial as micro, pequenas e médias), que combata o desemprego que se irá agravar certamente de forma preocupante. Portugal precisa de viver e adoptar um espírito de solidariedade entre todos os cidadãos e de um esforço concertado rumo à prosperidade em vez de criar um clima de crispação social entre as várias facções politicas.

Portugal que necessita de combater o desemprego que afectará milhares de famílias, as suas condições de vida e sobrevivência, o seu equilíbrio mental, o consumo e consequentemente o crescimento, só será obtido com um sentido de solidariedade, esforço conjunto e união entre todos. Um pacto de regime entre cidadãos e políticos. Isso mesmo. Mas fundamentalmente entre políticos (se forem inteligentes). As empresas terão que obter pacotes de ajuda, creditícia, fiscal e/ou outras. Para não encerrarem. Para não provocarem mais desemprego (o verdadeiro flagelo de um país).

Portugal precisa de um plano de contingência. Agora que o plano de ajudas ao sistema financeiro está (pensa-se) quase concluído, é necessário promover e encorajar o investimento produtivo para crescer. Todos os projectos são importantes. Uns, sê-lo-ão mais do que outros uma vez que não dispomos de dinheiro para todos. Há que os fasear.

Temos que testemunhar de forma séria e honesta os estímulos que o governo tem dado no sentido de ajudar as empresas, ao mesmo tempo que ajudou os bancos. Uns concordarão outros não. Quem se lembra dos últimos pacotes atribuídos às empresas antes destes agora implementados? Quando? Por quem?

Este clima de crispação mantém-nos na cauda da Europa. Enquanto os outros trabalham em conjunto com um sentido de auto-ajuda, nós continuamos a dar tiros nos pés. Que estúpidos que somos.

Quando o país necessita do esforço conjunto de todos e de um rumo comum, na defesa dos cidadãos e do bem-estar comum nacional, continuamos a assistir a manifestações, umas individualistas outras corporativistas, recrudescidas num pensamento de egoísmo e sustentadas num interesse egoísta, venham elas de onde vierem. Este não é o tempo nem o modo para tal.

Onde estão os cidadãos? Onde está Portugal? Como está Portugal?




domingo, dezembro 07, 2008

A importância de ser Cidadão


Não é, na maior parte das vezes, valorizado o papel e a importância de ser cidadão. Porque ser cidadão é algo que nos responsabiliza mas que é também para muitos abstracto. Porque o papel de cidadão é um papel de orientação, de controlo, de sinalização e de crítica ao que nos rodeia. Seja sobre a escola, a politica, a saúde, a educação, a segurança ou os códigos de conduta. Tudo afecta o cidadão. A tudo ao cidadão diz respeito.

E é por esta falta de sentido de cidadania e de responsabilidade cívica que o país está enfermo, deprimido e desatento ou desinteressado. Como nunca deixo de querer referenciar José Gil quando afirma que “Portugal é o país da não inscrição”.

Gostaria de recordar as palavras do ex-Presidente Jorge Sampaio há dias na RTP 2 quando entrevistado por Sérgio Figueiredo quando citou as palavras de um Presidente de um país estrangeiro que ao se lhe dirigir a propósito da importância do papel da figura de Presidente do país afirmava “Sr. Presidente, mais importante que o papel de Presidente é o papel de cidadão”. Este papel que Jorge Sampaio não se cansa de defender.

Ou não fosse o papel de cidadão essencial para tornar inaceitáveis e denunciar casos como a Casa Pia, o SIRESP, os casos da SLN ou do BPN, os relacionados com a operação furação ou os casos Felgueiras, Gondomar e outros que tantos.

sábado, novembro 29, 2008

Nova Iorque – Madrid – Bombaim

São apenas 3 grandes cidades onde terroristas deixaram a sua trágica marca.

Bombaim ( Mumbai ) só hoje vê um dos seus principais símbolos ( o Hotel Taj Mahal ) liberto de terroristas, após 3 dias de enorme tensão, dor e mortes. Mais uma vez temos vidas inocentes, ceifadas por um punhado de indivíduos para quem é indiferente matar uma pessoa, cem pessoas ou mil pessoas. Confesso que esta indiferença perante a vida de outros seres humanos, é algo que me choca profundamente.
Mais uma vez ouvimos a frase de que o terrorismo é um problema global que exige soluções globais. Se há um campo onde não existem soluções globais é no combate ao terrorismo. O terrorismo é silencioso e cobarde. Os serviços de segurança de cada país lutam para travar actos terroristas mas não conseguem impedir todas as tentativas de ataque. Teremos então não soluções globais mas aproximações a soluções globais. E estas são de todo desejáveis. Todos os meios empenhados na luta contra o terrorismo são importantes e têm evitado que as tragédias sejam ainda maiores.
Escrevo estas linhas quando estou a uns dias de viajar para a India, fazendo uma escala precisamente em Bombaim. O Aeroporto de Bombaim encontra-se em alerta máximo devido aos naturais receios de mais ataques terroristas. Não seria então prudente cancelar a viajem? Talvez, mas uma das maiores vitórias do terrorismo é precisamente o de conseguirem espalhar o medo e o pânico na vida de inocentes cidadãos. Por questões ideológicas, sou dos que acreditam que poucas coisas acontecem por acaso. Talvez por isso, julgue que não adianta muito vivermos permanentemente com medo. A todos os que não conseguem vencer esse medo e optariam por cancelar uma viajem nestas circunstâncias, só posso dizer que respeito essa decisão. Ela é tão legítima como a minha de não me deixar vencer pelo medo.
Estarei então 2 semanas em Goa. Os Portugueses estiveram quase 500 anos em Goa, mas pouco conhecem actualmente os Portugueses sobre Goa, o que é uma pena. Goa é um dos destinos turísticos mais apreciados no mundo. Com um clima óptimo ( vou fugir do frio ) e umas praias lindíssimas, óptima comida e um povo acolhedor, tudo é encantador em Goa, que é apenas uma das muitas maravilhas da India.
A India não é só o Taj Mahal, ou os atentados terroristas. É um sub-continente avassalador em termos de riqueza cultural e belezas paisagísticas. Vou em busca desses encantos, triste pelas vidas perdidas em mais um acto da loucura humana, mas certo de que a vida continua, até onde podermos e nos deixarem ir.

sábado, novembro 22, 2008

Subestimar os adversários

O Futebol tem a importância que tem. Para uns é muita, para outros não é nenhuma.

Podemos contudo tirar ilações deste e de outros jogos colectivos ou individuais.
Os jogos colectivos têm o interesse adicional de envolver muitos elementos, colocando o desafio aos líderes dos grupos, de orientar devidamente os seus “soldados” preparando-os devidamente para as “batalhas”.
Esta semana tivemos um encontro não oficial entre as Selecções de Futebol do Brasil e de Portugal.
Curioso é analisar alguns comentários antes e depois do jogo.
Antes do Jogo, as atenções estavam centradas no nosso craque ( Cristiano Ronaldo ) que será provavelmente considerado em breve o melhor jogador do mundo. Com todo o mérito que ele possa ter, julgo que é ainda prematuro considerá-lo o melhor jogador do mundo. Até porque se no Manchester United ( clube inglês onde joga e que fez dele o craque que hoje ele é ) ele tem feito jogos brilhantes, a nível da nossa Selecção pouco ou nada tem feito, não ajudando ainda Portugal a ganhar nenhum troféu.
Antes do jogo com o Brasil, os jogadores portugueses diziam com toda a calma e sobranceira do mundo, que uma vitória sobre o Brasil iria dar motivação para os próximos jogos. Falaram com toda a convicção que ganhar ao Brasil até parecia algo perfeitamente natural. Mas não é. Portugal nunca ganhou um campeonato do mundo. O Brasil já ganhou 4. O Brasil é o maior berço de fantásticos jogadores de futebol. É conhecido pelo país do Samba e do Futebol e os jogadores deles são excepcionais. Os nossos são apenas bons, mas convenceram-se de que são muito bons.
Tão bons que no final das contas sofreram uma humilhante derrota por 6 a 2. Já vejo jogos de futebol há mais de 30 anos e nunca vi a nossa Selecção sofrer tantos golos.
No rescaldo desta derrota, o líder destes meninos-homens ou homens-meninos que se julgam os melhores do mundo, disse que iria tomar medidas para que os atletas saibam “o significado de vestir a camisola da Selecção Portuguesa”.
Não posso deixar de questionar, como é que jogadores profissionais que jogam nos melhores clubes europeus, não conseguem atingir a maturidade suficiente para aprender o que é defender com dignidade as cores de Portugal. Já aqui o disse que gosto de ganhar.
Mas os desafios são para ser encarados com espírito de luta e devemos estar preparados para ganhar ou para perder. Se perdermos devemos encarar com alguma naturalidade pois as razões da derrota podem estar no mérito do nosso oponente. O tal a quem subestimamos e esquecemos que poderia ser forte, tão forte que nos vergou sem apelo nem agravo.
Como em tudo na vida, fica a máxima de que “é errando que se aprende”. Será que os nossos brave-boys estão dispostos a aprender com os seus erros?
Para nosso contentamento era bom que sim, que aprendessem bem e depressa.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Ainda somos pequenos

Há cerca de 2 meses tive a oportunidade de assistir a um Lançamento de um Livro na Livraria Byblos em Lisboa.
Foi um momento emocionante pois conheci um espaço enorme e multi-facetado onde se podia conviver com os livros e a leitura de uma forma única.
O acolhedor auditório onde foi lançado o livro, fez-me pensar em realizar nesse espaço um dos futuros encontros do FRES abertos ao público em geral.
Gostei tanto que fiquei com vontade de lá voltar em breve até que hoje fui surpreendido com a notícia de que a Byblos encerrou. Um ano depois de ter aberto, fecha assim, abruptamente, uma importante livraria, que poderia ser por muitos anos um espaço privilegiado para o contacto com o fascinante mundo dos livros, pois disponibilizava cerca de 150 mil títulos numa área de 3300 metros quadrados.
A Byblos não resistiu à pressão financeira e encerra as portas, tornando mais triste a vida dos amantes da leitura. Localizada nas Amoreiras, a Livraria Byblos foi a primeira livraria inteligente no país, dispondo de um sofisticado sistema de identificação por radiofrequência, único no mundo.
Mas as rápidas e más mudanças que se têm verificado no mundo nos últimos tempos, conseguiram fazer mais uma vítima.
Portugal não tem ainda uma clientela vasta que permita a sobrevivência de um espaço com a dimensão e qualidade que a Byblos apresentava.
Também por isso fico triste e resignado por sentir que ainda somos pequenos.

O silêncio ouve-se quando nos calamos

Porque choram tantas mulheres?
Porque não as escutamos?

Porque muitos homens transformam as suas mulheres no escape para as suas frustrações e tratam-nas com tanta violência que até as matam?
O observatório das Mulheres Assassinadas da UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) anunciou esta semana no Porto que o número das vítimas mortais da violência doméstica quase duplicou este ano em relação a 2007, tendo passado de 21 para 40 casos.
Para contrabalançar estes assustadores números, temos a boa notícia de que o Conselho de Ministros aprovou a Proposta de Lei que estabelece o regime jurídico aplicável à prevenção da violência doméstica e à protecção e assistência das suas vítimas.
Tarde demais para muitas mulheres, mas esperemos que a tempo de salvar muitas vidas, o Governo pretende assim reforçar a luta contra a violência doméstica. Teleassistência para vítimas, pulseiras electrónicas e prisão fora do flagrante delito para os agressores, são algumas das mudanças que se pretende introduzir.
Talvez esta nova lei não seja suficiente mas é importante. Como importante seriam campanhas de sensibilização aos homens para que tratem com respeito e dignidade as mulheres.
Enquanto os gritos das mulheres que sofrem, forem gritos surdos que não chegam aos nossos ouvidos, não serão demais as vozes dos que se levantam contra a violência doméstica.
Porque choram tantas mulheres?
Porque não as escutamos?
O silêncio ouve-se quando nos calamos

quarta-feira, novembro 12, 2008

Professores e Sindicatos


Foi de alguma forma impressionante a manifestação pública em protesto de rua, realizada pelos 120 mil professores na passada segunda feira. Esta foi, aliás, de maior expressão que uma outra já ocorrida em Março do corrente ano com 100 mil manifestantes.

Não deixa por isso de ser indispensável questionar as razões e motivações dos professores para a dimensão e tamanha mobilização para estes protestos. Qualquer Governo responsável o faria.

De entre todos os que se manifestaram encontraremos bons e maus professores. Uns verdadeiros profissionais, sérios e exigentes, esforçados e trabalhadores, outros tudo menos tudo isto. Uns aos quais são exigidos mais sacrifícios pelo esforço que terão que desempenhar no cumprimento da sua profissão, outros cujos sacrifícios lhes passam ao lado. Outros tantos que se manifestarão de forma adequada e civilizada, outros que merecerão tudo menos o título de professores.

Porém não deixa de ser igualmente relevante que todo este trabalho resulta da manietação dos Sindicatos. Estes, que têm sido os verdadeiros governantes da educação nos últimos 30 anos. Veja-se por isso o estado da educação.

Não é aceitável que não se queira ser avaliado. Em nenhuma profissão isso acontece. Todos nós no dia-a-dia somos avaliados pelo trabalho que realizamos. Maiores responsabilidades devem ser conferidas aos professores que têm a incumbência de ensinar os nossos filhos.

E pelo que sabemos, os sindicatos não aceitam nem este nem um outro modelo de avaliação. Simplesmente não querem avaliação. O resto é retórica. Todos os modelos até aqui apresentados foram rejeitados. Não se pode pretender que um qualquer sistema de avaliação seja totalmente perfeito. Como qualquer instrumento de trabalho, uma ferramenta de avaliação pode e deve ir sendo melhorada e ajustada à realidade do que está a avaliar. Com a experiência.
Não aceitar isto é fintar a verdade e politizar à volta do tema. O episódio da escola secundária de Fafe é paradigmático. Foi já replicado e reflectido nos alunos a falta de sentido de responsabilidade, seriedade e civismo de muitos professores e sindicalistas.

terça-feira, novembro 11, 2008

Os ovos do nosso descontentamento.

Gosto de ovos estrelados. Gosto de ovos mexidos. Gosto também de uma boa omelete.

O que não gosto certamente é de levar com ovos na cabeça, estejam eles bons ou podres.

Vem esta introdução a propósito da forma como estudantes do aluno secundário de Fafe receberam hoje a Ministra da Educação. São estes sinais de primitivismo que nos entristecem.

Podemos gostar ou não do trabalho dos nossos governantes. Agora o que não podemos nunca é tolerar que eles sejam vítimas de actos de puro vandalismo, por parte de quem não gosta do trabalho do Ministro A ou B.

Nós somos e queremos continuar a ser uma democracia salutar. E em democracia respeita-se sempre os parceiros e os adversários políticos.

Neste caso, são alguns dos nossos jovens que entenderam ser perfeitamente natural agredir a Ministra da Educação e a sua comitiva com o lançamento de ovos.

Desejo sinceramente que estes actos não se repitam e que quem os praticou ou incentivou, tenha consciência da incorrecção das suas atitudes.

A violência não dignifica ninguém, nem prestigia ou legitima nenhuma luta.

Aos alunos que defendem uma boa educação, façam o favor de a por em prática.

domingo, novembro 09, 2008

Can just one man save the world ? No he can´t.

É o homem do momento, talvez seja até eleito o homem do ano.

Barack Hussein Obama II (Honolulu, 4 de agosto de 1961) é um político dos Estados Unidos da América, eleito o 44º presidente de seu país, pelo Partido Democrata.
O mundo inteiro depressa acorreu a aplaudir a sua vitória e a enviar-lhe recados do que espera que seja a sua governação. Pela sua dimensão e importância mundial, Os E.U.A., têm influencia directa e indirecta na maioria dos países do mundo.
Estando o mundo a enfrentar um difícil período em termos económicos e financeiros, muitas esperanças são depositadas em Obama. Todos esperam que ele faça muito pelo mundo. A sua primeira preocupação está centrada nos Americanos, nos que o elegeram, e em todos os outros que também irão julgar o seu trabalho.
Com fortes exigências de todos os lados, Obama vê a fasquia das exigências que lhe são colocadas a elevar-se . Vamos ver se não se eleva a fasquia a um ponto tão alto, que condene à partida todo o trabalho que Obama quer fazer.
Can just one man save the world ? No he can´t.
Talvez por isso o slogan de Obama foi ( inteligentemente ) Yes we can, e não Yes I can.
Obama tem a consciência de que sozinho nada fará. O seu primeiro apelo foi portanto no sentido da união. União de todos os americanos em torno de um projecto tão importante quanto difícil.
O mundo mudou e hoje não basta querer fazer coisas boas. È preciso que muitos factores concorram simultaneamente para que um projecto tenha sucesso. Será necessária a força dos aliados e a fraqueza dos opositores.
Estaremos portanto perante mais um desafio enorme e uma das situações mais importantes será a de testar até que ponto, limitados por uma conjuntura mundial extremamente adversa, até que ponto dizia, pode um homem, ou uma equipa, ou uma nação, mudar o rumo da história.

Trabalho de décadas

Sonda indiana entra em órbita lunar

Em http://noticias.sapo.pt/info/artigo/895176.html

podemos ler a seguinte notícia:

A missão espacial não-tripulada indiana PSLV, com o satélite Chandrayaan-1 a bordo, entrou em órbita lunar depois de uma manobra bem sucedida, anunciou a agência de pesquisa espacial indiana ISRO.

A 385.000 km do globo terrestre, a nave levará uma semana para estabilizar em órbita e quando o fizer, a sonda será enviada para realizar os primeiros testes na superfície da Lua.
Chandrayaan-1 transporta instrumentos científicos indianos, europeus e americanos. Durante dois anos fará experiências na Lua e arredores, como estudos topográficos ou a busca de água, minerais e substâncias químicas.
A Índia tem previstos 60 vôos espaciais até 2013, também à Lua e Marte. A Chandrayaan-1, com um orçamento de 80 milhões de dólares, vai repetir-se em 2010 ou 2012, segundo a agência espacial nacional, que sonha em enviar um indiano ao espaço.

Fim da notícia

Em Dezembro vou à India onde estive há 18 anos, tendo visitado em Banguelore um Centro Tecnológico.

Recordo-me de ter ficado impressionado com o nível de desenvolvimento dos Indianos no campo da Ciência e Tecnologia.

Os anos passaram e confesso que mantive um afastamento em termos de conhecimento relativamente ao Desenvolvimento Tecnológico da India.

Só isso justifica um certo espanto e admiração por ver que o programa espacial indiano é uma realidade inquestionável, como o prova esta “Missão à Lua”.

Este facto fez-me reflectir no que muitos cientistas portugueses já afirmaram.
O trabalho no campo das Ciências e da Tecnologia faz-se não em poucos anos, mas em décadas.
Entendida esta realidade, há que saber ao certo o que se pretende fazer para de seguida efectuar-se o tal planeamento a médio-longo prazo. Este planeamento será então o guia das acções a desenvolver durante anos a fio, com os resultados a advirem, anos ou décadas mais tarde.
Esta visão da necessidade de muitos trabalhos serem contínuos e só produzirem frutos a longo prazo, muitas vezes não é facilmente aceite por nós.
Queremos resultados rápidos. Enquanto assim for, não estaremos talhados para grandes e duradouros projectos, parecendo que estamos mais vocacionados para projectos de mais curta duração. São opções que se tomam.
Os indianos optaram por chegar à Lua. Primeiro com uma sonda e daqui a alguns anos, enviando um Indiano à Lua.
E pelos vistos vão consegui-lo pelo que temos de dar-lhes os parabéns reconhecendo o mérito do seu longo e árduo trabalho.

Queremos ensinar

Continua o diálogo de surdos entre Professores e Ministério da Educação pois os Professores prometem continuar a luta, enquanto o Ministério garante que não suspende o actual modelo de avaliação de desempenho dos professores.

Segundo a organização, o protesto de ontem, convocado por todos os sindicatos do sector, reuniu cerca de 120 mil professores, superando a manifestação de Março, até agora a maior alguma vez realizada em Portugal por uma única classe profissional. Já a PSP recusou adiantar números, alegando não serem possíveis de calcular, "dada a dimensão do protesto".

Apesar da dimensão do protesto, que superou o realizado em Março, a ministra da Educação garantiu, em conferência de imprensa, que o modelo vai continuar a ser aplicado nas escolas, para permitir distinguir e premiar aqueles que são os melhores professores.
São vários os argumentos apresentados pelos professores contra o actual modelo de avaliação. Um deles é o de que alguns professores são nomeados obrigatoriamente para avaliar colegas de outras disciplinas. Nessa avaliação devem verificar se os colegas estão a cumprir com os conteúdos programáticos. Acontece que esses professores não conhecem, porque não é da sua área, os conteúdos programáticos cujo cumprimento estão a avaliar.
Outra das críticas apresentadas é a de que as escolas estão a seguir critérios diferentes para conseguir cumprir com a avaliação de desempenho, o que provoca distorções e injustiças num processo de avaliação que se pretendia justo e universal, no sentido de ser o mesmo para todas as escolas e professores.
É mais um assunto a contribuir para a instabilidade de um sector chave do sucesso ou insucesso de um país. Parece que este assunto é encarado com alguma indiferença mas se mais de 100 mil professores rumam à Capital, manifestando o seu descontentamento e procurando sensibilizar o Governo para alterações que julgam justas, não se pode continuar eternamente a pretender que tudo está bem. Não está bem e quando os professores não estão bem, quem sofre indirectamente são os alunos, os tais que nós queremos e precisamos que tenham uma boa educação.
De todos os cartazes da mega-manifestação um chamou-me particular atenção. Dizia apenas: Queremos ensinar.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Bush o Melhor ou o Pior Presidente?

Os EUA e o resto do Mundo viveram ontem um momento de viragem que muitos classificaram como histórico. Não só pela participação massiva da população americana nas eleições presidenciais, pelo entusiasmo e esperança que um novo presidente trouxesse aos EUA um novo período de paz, maior bem estar e prosperidade, pela participação como nunca dos jovens num acto eleitoral desta envergadura mas sobretudo pela eleição de um presidente negro afro-americano, passados que foram pouco mais de 100 anos desde a abolição da escravatura.

Creio que tudo isto terá sido possível, muito por causa e devido à actuação de… George W. Bush. Não ainda de Barack Obama.

Ao longo dos últimos 8 anos, o actual e ainda presidente George W. Bush, terá sido o causador e fomentador desta união entre o povo americano. Reconciliado com si mesmo. Entre democratas e muitos (muitos) republicanos. É Bush quem fomenta a necessidade dos jovens virem para a rua e manifestarem as suas preocupações quando ao seu futuro. De brancos e negros se unirem em luta contra a guerra. De todos se mostrarem angustiados e oprimidos pela crise financeira (e consequentemente económica) que os assola e que nos EUA (e que por efeito de contágio no resto do mundo) se faz sentir afectando as suas vidas.

A Bush se deve em parte esta união, esta vaga de esperança, este momento de viragem e este acontecimento de natureza histórica que já comoveu e emocionou até muitos líderes mundiais. Não pelas boas razões. Não pelas melhores razões. Mas pelas piores razões. Porque foi muito mau. Tudo demasiado mau. Os EUA e o Mundo perderam pelo menos 8 anos da sua história. Todos nós perdemos de alguma forma 8 anos das nossas vidas em custo de bem estar e estabilidade, no caminho da paz e prosperidade. Quanto aos EUA arriscaria mesmo a afirmar que terão sido muito mais que 8 anos. Pela perda de credibilidade face ao resto do mundo. No momento em que escrevo estas linhas, uma nova equipa de administradores, políticos, conselheiros etc. está a ser preparada. Curiosamente, muitos da era William Jefferson Clinton.

De há 8 anos atrás! Porque será?...

Change. Yes we can.

domingo, novembro 02, 2008





Luís Figo foi figura central da campanha do BPN, cujo mote era : «Se este fosse o meu negócio, eu apostava na Conta BPN Negócios».
Objectivo foi; transferir para o mundo dos negócios a imagem de «eficiência» do jogador.
Pois é, num país em que quase tudo gira em torno do futebol, vimos agora TODOS nós, “cobrir “ a gestão danosa do banco, ou diria a “eficiência “ dos jogadores/gestores ?


Cold November Rain

Entramos em Novembro e já há neve na Serra da Estrela. Sinal da aproximação do Inverno é-nos dada pela Cold November Rain.
O nosso blog entra no seu terceiro ano de vida, estando pois de parabéns.
Numa altura em que a net faz parte de um cada vez maior número de pessoas, em Portugal e em todo o mundo, parte das nossas ideias e propostas têm sido expostas e apresentadas aqui no blog.
Os blogs são, como o nosso colega Mário de Jesus nos indica, um óptimo espaço para a comunicação e partilha de opiniões; para um debate que se pretende sempre vivo e esclarecedor das questões em análise.
Sem estarmos obcecados em ser os melhores, temos tido o mérito de trazer ao blog temas das mais diversas áreas, alcançando o desejo de cobrir tão amplamente quanto possível, questões de natureza económica e social, relevantes para o mundo em geral e para os portugueses em particular.
Como queremos continuar a marcar a diferença, apresentando temas, discursos e propostas inovadoras e positivas, todos os contributos têm sido registados com muito agrado.
O que lemos, neste e em qualquer blog ( se tiver qualidade e relevância ) é integrado no nosso referencial de valores e indirectamente transportado para as nossas vidas pessoais e profissionais. Aqui queremos agradecer a todos os que têm comentado os artigos colocados no blog.
Agradecemos em especial aos visitantes anónimos. Os seus contributos têm sido bastante importante, para contrapor as ideias que expomos e acrescentar ideias novas que todos nós assimilamos com gosto e entusiasmo.
O “nosso” blog é nosso, mas é também de todos os que nele encontrarem artigos e ideias interessantes. A todos relembramos que o Fres não se esgota no blog. É um movimento cívico que se deseja com importância crescente e sempre aberto a novos participantes. Fica também aqui o apelo de que quem quiser contribuir pontualmente ou regularmente, pode fazê-lo.
No nosso blog preza-se a liberdade de expressão, mas com a regra de prezarmos o respeito pela liberdade dos outros. Os outros, são todos os cidadãos que motivam a nossa escrita, o nosso diálogo, a nossa luta por um Portugal melhor para todos nós.

quarta-feira, outubro 29, 2008

A Blogosfera conquistou a SEDES

Noticía o Diário Económico de hoje que:

A SEDES - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social lançou ontem um novo fórum de ideias para aprofundar a intervenção cívica. A iniciativa conta com Silva Lopes, João Salgueiro, Pedro Magalhães e Correia de Campos como colaboradores, entre outros.

"A criação de um blogue aprofunda as formas de intervenção cívica da SEDES, numa perspectiva de maior regularidade e de incremento das contribuições de todos para a discussão da actualidade económica e social" refere o presidente da SEDES, Luís Campos e Cunha.

Não reservo nenhumas dúvidas sobre a importância da acção cívica desenvolvida de forma séria através dos Blogues.

Por isso mantenho o desafio de todos os fresianos aproveitarem o nosso no sentido de darem o SEU contributo em ideias e propostas.

terça-feira, outubro 28, 2008

Dinâmica das Exportações

Num clima de fraco crescimento económico, o aumento das Exportações têm sido frequentemente apontadas como a panaceia que nos pode salvar deste “marasmo” em que nos encontramos.

Mas mais do que proferir palavras e intenções, é necessário criar condições reais para que exista uma verdadeira dinâmica das exportações.
Não é o que sucede na prática. Muitos são os entraves a que as Empresas Portuguesas se sujeitam quando pretendem exportar. Sem me perder em preciosismos legislativos que poderei a qualquer momento indicar, vou aqui desenvolver um pouco um desses entraves, que afectando todas as empresas em geral, afecta as pequenas empresas em particular, pelo impacto que representa em termos de esforço de tesouraria.
O Código do IVA prevê algumas situações de Isenção de Iva. Uma delas indica que um fornecedor nacional pode emitir uma factura sem liquidar o iva, quando o seu cliente é uma empresa que vai exportar a mercadoria ( a explicação é a de que as mercadorias destinadas a exportação estão isentas de Iva ).
Acontece que a lei obriga a que o fornecedor junte à sua factura emitida sem iva, um certificado comprovativo de exportação que o seu cliente ( a empresa exportadora ) terá de lhe dar num prazo de 60 dias. E aqui começa mais um longo e desnecessário calvário que afecta sistematicamente e em grande escala, muitos agentes económicos.
O dito Certificado Comprovativo de Exportação, é um documento que a empresa exportadora, junta ao processo de exportação quando trata do embarque das mercadorias. Se no caso dos embarques via aérea, os processos têm decorrido em regra de forma rápida, permitindo cumprir os 60 dias estipulados na lei para a empresa exportadora entregar ao seu fornecedor o certificado comprovativo de exportação devidamente visado pelas entidades aduaneiras, no caso dos embarques via marítima, o panorama é bem diferente.
Neste último caso, os atrasos da alfandega na entrega dos certificados, superam em regra os 60 dias, superam tanto que há inúmeros casos em que chegam a ser entregues 9 , 10 , 11 meses depois e até mesmo 1 ano depois.
Quando se atinge o prazo de 60 dias, o primeiro a ficar preocupado é o fornecedor inicial. Ele tem uma factura emitida sem liquidação de Iva e não tem o Certificado visado pela Alfandega que ateste que a mercadoria saiu do país. A seguir são o técnico de contas e os departamentos de contabilidade e vendas dessa primeira empresa fornecedora a pedirem ao seu cliente ( a empresa exportadora ), que lhe entreguem o Certificado. Por sua vez a empresa exportadora, contacta o seu transitário, que tratou da logística do embarque da mercadoria. Este por sua vez, contacta o Despachante que interveio na operação e o Despachante por sua vez contacta os serviços alfandegários. Os Serviços alfandegários respondem que não têm meios humanos e materiais para conferir e poder visar os certificados atempadamente e que os Certificados “hão-de sair” mas não sabem dizer nem em que semana, nem em que mês. Nem sequer têm uma lista de Certificados que deram entrada na Alfandega e que estão à espera de ser visados.
Entretanto, passam-se semanas e meses, com todos estes intervenientes a desdobrarem-se em múltiplos e recíprocos contactos telefónicos e presenciais, que não resultam em nada além da perda de incontáveis horas, pois o sistema não funciona.
Neste pára-arranca, existem ainda muitas outras situações. Há fornecedores que pedem de inicio um cheque caução para o valor do Iva. Se findos os 60 dias não recebem o certificado, emitem uma nota de débito do Iva e movimentam o cheque.
Daqui resulta mais um esforço e um transtorno para as empresas exportadoras. Vêm o seu esforço financeiro a aumentar e sabem que vão receber um certificado que muito para além dos 60 dias previstos na lei, será entregue ao fornecedor para ele talvez emitir um crédito do valor do Iva, restituindo-lhe o valor do cheque.
Mais uma vez parecem-me voltas a mais , dadas por demasiados agentes económicos, contribuindo apenas para uma tremenda ineficácia e ineficiência, com custos económicos e competitivos incalculáveis.
Muitas empresas fornecedoras, que desconfiam destas vendas sem liquidação de Iva, passam a não acreditar mesmo nelas ao fim dos 60 dias. E o pobre desgraçado ( empresa exportadora ) que está a ajudar a economia nacional e as nossas exportações, fica sem saber o que fazer.
Soluções ? Várias. Primeiro há que reconhecer que o problema existe e afecta milhares de empresas. Depois poderemos optar pela via legislativa, aumentar o prazo de 60 dias para no mínimo 6 meses, ou optar pela via do trabalho nas instâncias aduaneiras, o que passaria por reforço do pessoal alfandegário que trata da verificação e visto destes certificados.
Agora o que não poderemos fazer mais, é deixar que tudo continue na mesma e depois não percebemos porque as exportações não aumentam.
Problemas reais, exigem soluções reais. Assim o exige a pretendida Dinâmica das Exportações.