Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

sábado, novembro 29, 2008

Nova Iorque – Madrid – Bombaim

São apenas 3 grandes cidades onde terroristas deixaram a sua trágica marca.

Bombaim ( Mumbai ) só hoje vê um dos seus principais símbolos ( o Hotel Taj Mahal ) liberto de terroristas, após 3 dias de enorme tensão, dor e mortes. Mais uma vez temos vidas inocentes, ceifadas por um punhado de indivíduos para quem é indiferente matar uma pessoa, cem pessoas ou mil pessoas. Confesso que esta indiferença perante a vida de outros seres humanos, é algo que me choca profundamente.
Mais uma vez ouvimos a frase de que o terrorismo é um problema global que exige soluções globais. Se há um campo onde não existem soluções globais é no combate ao terrorismo. O terrorismo é silencioso e cobarde. Os serviços de segurança de cada país lutam para travar actos terroristas mas não conseguem impedir todas as tentativas de ataque. Teremos então não soluções globais mas aproximações a soluções globais. E estas são de todo desejáveis. Todos os meios empenhados na luta contra o terrorismo são importantes e têm evitado que as tragédias sejam ainda maiores.
Escrevo estas linhas quando estou a uns dias de viajar para a India, fazendo uma escala precisamente em Bombaim. O Aeroporto de Bombaim encontra-se em alerta máximo devido aos naturais receios de mais ataques terroristas. Não seria então prudente cancelar a viajem? Talvez, mas uma das maiores vitórias do terrorismo é precisamente o de conseguirem espalhar o medo e o pânico na vida de inocentes cidadãos. Por questões ideológicas, sou dos que acreditam que poucas coisas acontecem por acaso. Talvez por isso, julgue que não adianta muito vivermos permanentemente com medo. A todos os que não conseguem vencer esse medo e optariam por cancelar uma viajem nestas circunstâncias, só posso dizer que respeito essa decisão. Ela é tão legítima como a minha de não me deixar vencer pelo medo.
Estarei então 2 semanas em Goa. Os Portugueses estiveram quase 500 anos em Goa, mas pouco conhecem actualmente os Portugueses sobre Goa, o que é uma pena. Goa é um dos destinos turísticos mais apreciados no mundo. Com um clima óptimo ( vou fugir do frio ) e umas praias lindíssimas, óptima comida e um povo acolhedor, tudo é encantador em Goa, que é apenas uma das muitas maravilhas da India.
A India não é só o Taj Mahal, ou os atentados terroristas. É um sub-continente avassalador em termos de riqueza cultural e belezas paisagísticas. Vou em busca desses encantos, triste pelas vidas perdidas em mais um acto da loucura humana, mas certo de que a vida continua, até onde podermos e nos deixarem ir.

sábado, novembro 22, 2008

Subestimar os adversários

O Futebol tem a importância que tem. Para uns é muita, para outros não é nenhuma.

Podemos contudo tirar ilações deste e de outros jogos colectivos ou individuais.
Os jogos colectivos têm o interesse adicional de envolver muitos elementos, colocando o desafio aos líderes dos grupos, de orientar devidamente os seus “soldados” preparando-os devidamente para as “batalhas”.
Esta semana tivemos um encontro não oficial entre as Selecções de Futebol do Brasil e de Portugal.
Curioso é analisar alguns comentários antes e depois do jogo.
Antes do Jogo, as atenções estavam centradas no nosso craque ( Cristiano Ronaldo ) que será provavelmente considerado em breve o melhor jogador do mundo. Com todo o mérito que ele possa ter, julgo que é ainda prematuro considerá-lo o melhor jogador do mundo. Até porque se no Manchester United ( clube inglês onde joga e que fez dele o craque que hoje ele é ) ele tem feito jogos brilhantes, a nível da nossa Selecção pouco ou nada tem feito, não ajudando ainda Portugal a ganhar nenhum troféu.
Antes do jogo com o Brasil, os jogadores portugueses diziam com toda a calma e sobranceira do mundo, que uma vitória sobre o Brasil iria dar motivação para os próximos jogos. Falaram com toda a convicção que ganhar ao Brasil até parecia algo perfeitamente natural. Mas não é. Portugal nunca ganhou um campeonato do mundo. O Brasil já ganhou 4. O Brasil é o maior berço de fantásticos jogadores de futebol. É conhecido pelo país do Samba e do Futebol e os jogadores deles são excepcionais. Os nossos são apenas bons, mas convenceram-se de que são muito bons.
Tão bons que no final das contas sofreram uma humilhante derrota por 6 a 2. Já vejo jogos de futebol há mais de 30 anos e nunca vi a nossa Selecção sofrer tantos golos.
No rescaldo desta derrota, o líder destes meninos-homens ou homens-meninos que se julgam os melhores do mundo, disse que iria tomar medidas para que os atletas saibam “o significado de vestir a camisola da Selecção Portuguesa”.
Não posso deixar de questionar, como é que jogadores profissionais que jogam nos melhores clubes europeus, não conseguem atingir a maturidade suficiente para aprender o que é defender com dignidade as cores de Portugal. Já aqui o disse que gosto de ganhar.
Mas os desafios são para ser encarados com espírito de luta e devemos estar preparados para ganhar ou para perder. Se perdermos devemos encarar com alguma naturalidade pois as razões da derrota podem estar no mérito do nosso oponente. O tal a quem subestimamos e esquecemos que poderia ser forte, tão forte que nos vergou sem apelo nem agravo.
Como em tudo na vida, fica a máxima de que “é errando que se aprende”. Será que os nossos brave-boys estão dispostos a aprender com os seus erros?
Para nosso contentamento era bom que sim, que aprendessem bem e depressa.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Ainda somos pequenos

Há cerca de 2 meses tive a oportunidade de assistir a um Lançamento de um Livro na Livraria Byblos em Lisboa.
Foi um momento emocionante pois conheci um espaço enorme e multi-facetado onde se podia conviver com os livros e a leitura de uma forma única.
O acolhedor auditório onde foi lançado o livro, fez-me pensar em realizar nesse espaço um dos futuros encontros do FRES abertos ao público em geral.
Gostei tanto que fiquei com vontade de lá voltar em breve até que hoje fui surpreendido com a notícia de que a Byblos encerrou. Um ano depois de ter aberto, fecha assim, abruptamente, uma importante livraria, que poderia ser por muitos anos um espaço privilegiado para o contacto com o fascinante mundo dos livros, pois disponibilizava cerca de 150 mil títulos numa área de 3300 metros quadrados.
A Byblos não resistiu à pressão financeira e encerra as portas, tornando mais triste a vida dos amantes da leitura. Localizada nas Amoreiras, a Livraria Byblos foi a primeira livraria inteligente no país, dispondo de um sofisticado sistema de identificação por radiofrequência, único no mundo.
Mas as rápidas e más mudanças que se têm verificado no mundo nos últimos tempos, conseguiram fazer mais uma vítima.
Portugal não tem ainda uma clientela vasta que permita a sobrevivência de um espaço com a dimensão e qualidade que a Byblos apresentava.
Também por isso fico triste e resignado por sentir que ainda somos pequenos.

O silêncio ouve-se quando nos calamos

Porque choram tantas mulheres?
Porque não as escutamos?

Porque muitos homens transformam as suas mulheres no escape para as suas frustrações e tratam-nas com tanta violência que até as matam?
O observatório das Mulheres Assassinadas da UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) anunciou esta semana no Porto que o número das vítimas mortais da violência doméstica quase duplicou este ano em relação a 2007, tendo passado de 21 para 40 casos.
Para contrabalançar estes assustadores números, temos a boa notícia de que o Conselho de Ministros aprovou a Proposta de Lei que estabelece o regime jurídico aplicável à prevenção da violência doméstica e à protecção e assistência das suas vítimas.
Tarde demais para muitas mulheres, mas esperemos que a tempo de salvar muitas vidas, o Governo pretende assim reforçar a luta contra a violência doméstica. Teleassistência para vítimas, pulseiras electrónicas e prisão fora do flagrante delito para os agressores, são algumas das mudanças que se pretende introduzir.
Talvez esta nova lei não seja suficiente mas é importante. Como importante seriam campanhas de sensibilização aos homens para que tratem com respeito e dignidade as mulheres.
Enquanto os gritos das mulheres que sofrem, forem gritos surdos que não chegam aos nossos ouvidos, não serão demais as vozes dos que se levantam contra a violência doméstica.
Porque choram tantas mulheres?
Porque não as escutamos?
O silêncio ouve-se quando nos calamos

quarta-feira, novembro 12, 2008

Professores e Sindicatos


Foi de alguma forma impressionante a manifestação pública em protesto de rua, realizada pelos 120 mil professores na passada segunda feira. Esta foi, aliás, de maior expressão que uma outra já ocorrida em Março do corrente ano com 100 mil manifestantes.

Não deixa por isso de ser indispensável questionar as razões e motivações dos professores para a dimensão e tamanha mobilização para estes protestos. Qualquer Governo responsável o faria.

De entre todos os que se manifestaram encontraremos bons e maus professores. Uns verdadeiros profissionais, sérios e exigentes, esforçados e trabalhadores, outros tudo menos tudo isto. Uns aos quais são exigidos mais sacrifícios pelo esforço que terão que desempenhar no cumprimento da sua profissão, outros cujos sacrifícios lhes passam ao lado. Outros tantos que se manifestarão de forma adequada e civilizada, outros que merecerão tudo menos o título de professores.

Porém não deixa de ser igualmente relevante que todo este trabalho resulta da manietação dos Sindicatos. Estes, que têm sido os verdadeiros governantes da educação nos últimos 30 anos. Veja-se por isso o estado da educação.

Não é aceitável que não se queira ser avaliado. Em nenhuma profissão isso acontece. Todos nós no dia-a-dia somos avaliados pelo trabalho que realizamos. Maiores responsabilidades devem ser conferidas aos professores que têm a incumbência de ensinar os nossos filhos.

E pelo que sabemos, os sindicatos não aceitam nem este nem um outro modelo de avaliação. Simplesmente não querem avaliação. O resto é retórica. Todos os modelos até aqui apresentados foram rejeitados. Não se pode pretender que um qualquer sistema de avaliação seja totalmente perfeito. Como qualquer instrumento de trabalho, uma ferramenta de avaliação pode e deve ir sendo melhorada e ajustada à realidade do que está a avaliar. Com a experiência.
Não aceitar isto é fintar a verdade e politizar à volta do tema. O episódio da escola secundária de Fafe é paradigmático. Foi já replicado e reflectido nos alunos a falta de sentido de responsabilidade, seriedade e civismo de muitos professores e sindicalistas.

terça-feira, novembro 11, 2008

Os ovos do nosso descontentamento.

Gosto de ovos estrelados. Gosto de ovos mexidos. Gosto também de uma boa omelete.

O que não gosto certamente é de levar com ovos na cabeça, estejam eles bons ou podres.

Vem esta introdução a propósito da forma como estudantes do aluno secundário de Fafe receberam hoje a Ministra da Educação. São estes sinais de primitivismo que nos entristecem.

Podemos gostar ou não do trabalho dos nossos governantes. Agora o que não podemos nunca é tolerar que eles sejam vítimas de actos de puro vandalismo, por parte de quem não gosta do trabalho do Ministro A ou B.

Nós somos e queremos continuar a ser uma democracia salutar. E em democracia respeita-se sempre os parceiros e os adversários políticos.

Neste caso, são alguns dos nossos jovens que entenderam ser perfeitamente natural agredir a Ministra da Educação e a sua comitiva com o lançamento de ovos.

Desejo sinceramente que estes actos não se repitam e que quem os praticou ou incentivou, tenha consciência da incorrecção das suas atitudes.

A violência não dignifica ninguém, nem prestigia ou legitima nenhuma luta.

Aos alunos que defendem uma boa educação, façam o favor de a por em prática.

domingo, novembro 09, 2008

Can just one man save the world ? No he can´t.

É o homem do momento, talvez seja até eleito o homem do ano.

Barack Hussein Obama II (Honolulu, 4 de agosto de 1961) é um político dos Estados Unidos da América, eleito o 44º presidente de seu país, pelo Partido Democrata.
O mundo inteiro depressa acorreu a aplaudir a sua vitória e a enviar-lhe recados do que espera que seja a sua governação. Pela sua dimensão e importância mundial, Os E.U.A., têm influencia directa e indirecta na maioria dos países do mundo.
Estando o mundo a enfrentar um difícil período em termos económicos e financeiros, muitas esperanças são depositadas em Obama. Todos esperam que ele faça muito pelo mundo. A sua primeira preocupação está centrada nos Americanos, nos que o elegeram, e em todos os outros que também irão julgar o seu trabalho.
Com fortes exigências de todos os lados, Obama vê a fasquia das exigências que lhe são colocadas a elevar-se . Vamos ver se não se eleva a fasquia a um ponto tão alto, que condene à partida todo o trabalho que Obama quer fazer.
Can just one man save the world ? No he can´t.
Talvez por isso o slogan de Obama foi ( inteligentemente ) Yes we can, e não Yes I can.
Obama tem a consciência de que sozinho nada fará. O seu primeiro apelo foi portanto no sentido da união. União de todos os americanos em torno de um projecto tão importante quanto difícil.
O mundo mudou e hoje não basta querer fazer coisas boas. È preciso que muitos factores concorram simultaneamente para que um projecto tenha sucesso. Será necessária a força dos aliados e a fraqueza dos opositores.
Estaremos portanto perante mais um desafio enorme e uma das situações mais importantes será a de testar até que ponto, limitados por uma conjuntura mundial extremamente adversa, até que ponto dizia, pode um homem, ou uma equipa, ou uma nação, mudar o rumo da história.

Trabalho de décadas

Sonda indiana entra em órbita lunar

Em http://noticias.sapo.pt/info/artigo/895176.html

podemos ler a seguinte notícia:

A missão espacial não-tripulada indiana PSLV, com o satélite Chandrayaan-1 a bordo, entrou em órbita lunar depois de uma manobra bem sucedida, anunciou a agência de pesquisa espacial indiana ISRO.

A 385.000 km do globo terrestre, a nave levará uma semana para estabilizar em órbita e quando o fizer, a sonda será enviada para realizar os primeiros testes na superfície da Lua.
Chandrayaan-1 transporta instrumentos científicos indianos, europeus e americanos. Durante dois anos fará experiências na Lua e arredores, como estudos topográficos ou a busca de água, minerais e substâncias químicas.
A Índia tem previstos 60 vôos espaciais até 2013, também à Lua e Marte. A Chandrayaan-1, com um orçamento de 80 milhões de dólares, vai repetir-se em 2010 ou 2012, segundo a agência espacial nacional, que sonha em enviar um indiano ao espaço.

Fim da notícia

Em Dezembro vou à India onde estive há 18 anos, tendo visitado em Banguelore um Centro Tecnológico.

Recordo-me de ter ficado impressionado com o nível de desenvolvimento dos Indianos no campo da Ciência e Tecnologia.

Os anos passaram e confesso que mantive um afastamento em termos de conhecimento relativamente ao Desenvolvimento Tecnológico da India.

Só isso justifica um certo espanto e admiração por ver que o programa espacial indiano é uma realidade inquestionável, como o prova esta “Missão à Lua”.

Este facto fez-me reflectir no que muitos cientistas portugueses já afirmaram.
O trabalho no campo das Ciências e da Tecnologia faz-se não em poucos anos, mas em décadas.
Entendida esta realidade, há que saber ao certo o que se pretende fazer para de seguida efectuar-se o tal planeamento a médio-longo prazo. Este planeamento será então o guia das acções a desenvolver durante anos a fio, com os resultados a advirem, anos ou décadas mais tarde.
Esta visão da necessidade de muitos trabalhos serem contínuos e só produzirem frutos a longo prazo, muitas vezes não é facilmente aceite por nós.
Queremos resultados rápidos. Enquanto assim for, não estaremos talhados para grandes e duradouros projectos, parecendo que estamos mais vocacionados para projectos de mais curta duração. São opções que se tomam.
Os indianos optaram por chegar à Lua. Primeiro com uma sonda e daqui a alguns anos, enviando um Indiano à Lua.
E pelos vistos vão consegui-lo pelo que temos de dar-lhes os parabéns reconhecendo o mérito do seu longo e árduo trabalho.

Queremos ensinar

Continua o diálogo de surdos entre Professores e Ministério da Educação pois os Professores prometem continuar a luta, enquanto o Ministério garante que não suspende o actual modelo de avaliação de desempenho dos professores.

Segundo a organização, o protesto de ontem, convocado por todos os sindicatos do sector, reuniu cerca de 120 mil professores, superando a manifestação de Março, até agora a maior alguma vez realizada em Portugal por uma única classe profissional. Já a PSP recusou adiantar números, alegando não serem possíveis de calcular, "dada a dimensão do protesto".

Apesar da dimensão do protesto, que superou o realizado em Março, a ministra da Educação garantiu, em conferência de imprensa, que o modelo vai continuar a ser aplicado nas escolas, para permitir distinguir e premiar aqueles que são os melhores professores.
São vários os argumentos apresentados pelos professores contra o actual modelo de avaliação. Um deles é o de que alguns professores são nomeados obrigatoriamente para avaliar colegas de outras disciplinas. Nessa avaliação devem verificar se os colegas estão a cumprir com os conteúdos programáticos. Acontece que esses professores não conhecem, porque não é da sua área, os conteúdos programáticos cujo cumprimento estão a avaliar.
Outra das críticas apresentadas é a de que as escolas estão a seguir critérios diferentes para conseguir cumprir com a avaliação de desempenho, o que provoca distorções e injustiças num processo de avaliação que se pretendia justo e universal, no sentido de ser o mesmo para todas as escolas e professores.
É mais um assunto a contribuir para a instabilidade de um sector chave do sucesso ou insucesso de um país. Parece que este assunto é encarado com alguma indiferença mas se mais de 100 mil professores rumam à Capital, manifestando o seu descontentamento e procurando sensibilizar o Governo para alterações que julgam justas, não se pode continuar eternamente a pretender que tudo está bem. Não está bem e quando os professores não estão bem, quem sofre indirectamente são os alunos, os tais que nós queremos e precisamos que tenham uma boa educação.
De todos os cartazes da mega-manifestação um chamou-me particular atenção. Dizia apenas: Queremos ensinar.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Bush o Melhor ou o Pior Presidente?

Os EUA e o resto do Mundo viveram ontem um momento de viragem que muitos classificaram como histórico. Não só pela participação massiva da população americana nas eleições presidenciais, pelo entusiasmo e esperança que um novo presidente trouxesse aos EUA um novo período de paz, maior bem estar e prosperidade, pela participação como nunca dos jovens num acto eleitoral desta envergadura mas sobretudo pela eleição de um presidente negro afro-americano, passados que foram pouco mais de 100 anos desde a abolição da escravatura.

Creio que tudo isto terá sido possível, muito por causa e devido à actuação de… George W. Bush. Não ainda de Barack Obama.

Ao longo dos últimos 8 anos, o actual e ainda presidente George W. Bush, terá sido o causador e fomentador desta união entre o povo americano. Reconciliado com si mesmo. Entre democratas e muitos (muitos) republicanos. É Bush quem fomenta a necessidade dos jovens virem para a rua e manifestarem as suas preocupações quando ao seu futuro. De brancos e negros se unirem em luta contra a guerra. De todos se mostrarem angustiados e oprimidos pela crise financeira (e consequentemente económica) que os assola e que nos EUA (e que por efeito de contágio no resto do mundo) se faz sentir afectando as suas vidas.

A Bush se deve em parte esta união, esta vaga de esperança, este momento de viragem e este acontecimento de natureza histórica que já comoveu e emocionou até muitos líderes mundiais. Não pelas boas razões. Não pelas melhores razões. Mas pelas piores razões. Porque foi muito mau. Tudo demasiado mau. Os EUA e o Mundo perderam pelo menos 8 anos da sua história. Todos nós perdemos de alguma forma 8 anos das nossas vidas em custo de bem estar e estabilidade, no caminho da paz e prosperidade. Quanto aos EUA arriscaria mesmo a afirmar que terão sido muito mais que 8 anos. Pela perda de credibilidade face ao resto do mundo. No momento em que escrevo estas linhas, uma nova equipa de administradores, políticos, conselheiros etc. está a ser preparada. Curiosamente, muitos da era William Jefferson Clinton.

De há 8 anos atrás! Porque será?...

Change. Yes we can.

domingo, novembro 02, 2008





Luís Figo foi figura central da campanha do BPN, cujo mote era : «Se este fosse o meu negócio, eu apostava na Conta BPN Negócios».
Objectivo foi; transferir para o mundo dos negócios a imagem de «eficiência» do jogador.
Pois é, num país em que quase tudo gira em torno do futebol, vimos agora TODOS nós, “cobrir “ a gestão danosa do banco, ou diria a “eficiência “ dos jogadores/gestores ?


Cold November Rain

Entramos em Novembro e já há neve na Serra da Estrela. Sinal da aproximação do Inverno é-nos dada pela Cold November Rain.
O nosso blog entra no seu terceiro ano de vida, estando pois de parabéns.
Numa altura em que a net faz parte de um cada vez maior número de pessoas, em Portugal e em todo o mundo, parte das nossas ideias e propostas têm sido expostas e apresentadas aqui no blog.
Os blogs são, como o nosso colega Mário de Jesus nos indica, um óptimo espaço para a comunicação e partilha de opiniões; para um debate que se pretende sempre vivo e esclarecedor das questões em análise.
Sem estarmos obcecados em ser os melhores, temos tido o mérito de trazer ao blog temas das mais diversas áreas, alcançando o desejo de cobrir tão amplamente quanto possível, questões de natureza económica e social, relevantes para o mundo em geral e para os portugueses em particular.
Como queremos continuar a marcar a diferença, apresentando temas, discursos e propostas inovadoras e positivas, todos os contributos têm sido registados com muito agrado.
O que lemos, neste e em qualquer blog ( se tiver qualidade e relevância ) é integrado no nosso referencial de valores e indirectamente transportado para as nossas vidas pessoais e profissionais. Aqui queremos agradecer a todos os que têm comentado os artigos colocados no blog.
Agradecemos em especial aos visitantes anónimos. Os seus contributos têm sido bastante importante, para contrapor as ideias que expomos e acrescentar ideias novas que todos nós assimilamos com gosto e entusiasmo.
O “nosso” blog é nosso, mas é também de todos os que nele encontrarem artigos e ideias interessantes. A todos relembramos que o Fres não se esgota no blog. É um movimento cívico que se deseja com importância crescente e sempre aberto a novos participantes. Fica também aqui o apelo de que quem quiser contribuir pontualmente ou regularmente, pode fazê-lo.
No nosso blog preza-se a liberdade de expressão, mas com a regra de prezarmos o respeito pela liberdade dos outros. Os outros, são todos os cidadãos que motivam a nossa escrita, o nosso diálogo, a nossa luta por um Portugal melhor para todos nós.

quarta-feira, outubro 29, 2008

A Blogosfera conquistou a SEDES

Noticía o Diário Económico de hoje que:

A SEDES - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social lançou ontem um novo fórum de ideias para aprofundar a intervenção cívica. A iniciativa conta com Silva Lopes, João Salgueiro, Pedro Magalhães e Correia de Campos como colaboradores, entre outros.

"A criação de um blogue aprofunda as formas de intervenção cívica da SEDES, numa perspectiva de maior regularidade e de incremento das contribuições de todos para a discussão da actualidade económica e social" refere o presidente da SEDES, Luís Campos e Cunha.

Não reservo nenhumas dúvidas sobre a importância da acção cívica desenvolvida de forma séria através dos Blogues.

Por isso mantenho o desafio de todos os fresianos aproveitarem o nosso no sentido de darem o SEU contributo em ideias e propostas.

terça-feira, outubro 28, 2008

Dinâmica das Exportações

Num clima de fraco crescimento económico, o aumento das Exportações têm sido frequentemente apontadas como a panaceia que nos pode salvar deste “marasmo” em que nos encontramos.

Mas mais do que proferir palavras e intenções, é necessário criar condições reais para que exista uma verdadeira dinâmica das exportações.
Não é o que sucede na prática. Muitos são os entraves a que as Empresas Portuguesas se sujeitam quando pretendem exportar. Sem me perder em preciosismos legislativos que poderei a qualquer momento indicar, vou aqui desenvolver um pouco um desses entraves, que afectando todas as empresas em geral, afecta as pequenas empresas em particular, pelo impacto que representa em termos de esforço de tesouraria.
O Código do IVA prevê algumas situações de Isenção de Iva. Uma delas indica que um fornecedor nacional pode emitir uma factura sem liquidar o iva, quando o seu cliente é uma empresa que vai exportar a mercadoria ( a explicação é a de que as mercadorias destinadas a exportação estão isentas de Iva ).
Acontece que a lei obriga a que o fornecedor junte à sua factura emitida sem iva, um certificado comprovativo de exportação que o seu cliente ( a empresa exportadora ) terá de lhe dar num prazo de 60 dias. E aqui começa mais um longo e desnecessário calvário que afecta sistematicamente e em grande escala, muitos agentes económicos.
O dito Certificado Comprovativo de Exportação, é um documento que a empresa exportadora, junta ao processo de exportação quando trata do embarque das mercadorias. Se no caso dos embarques via aérea, os processos têm decorrido em regra de forma rápida, permitindo cumprir os 60 dias estipulados na lei para a empresa exportadora entregar ao seu fornecedor o certificado comprovativo de exportação devidamente visado pelas entidades aduaneiras, no caso dos embarques via marítima, o panorama é bem diferente.
Neste último caso, os atrasos da alfandega na entrega dos certificados, superam em regra os 60 dias, superam tanto que há inúmeros casos em que chegam a ser entregues 9 , 10 , 11 meses depois e até mesmo 1 ano depois.
Quando se atinge o prazo de 60 dias, o primeiro a ficar preocupado é o fornecedor inicial. Ele tem uma factura emitida sem liquidação de Iva e não tem o Certificado visado pela Alfandega que ateste que a mercadoria saiu do país. A seguir são o técnico de contas e os departamentos de contabilidade e vendas dessa primeira empresa fornecedora a pedirem ao seu cliente ( a empresa exportadora ), que lhe entreguem o Certificado. Por sua vez a empresa exportadora, contacta o seu transitário, que tratou da logística do embarque da mercadoria. Este por sua vez, contacta o Despachante que interveio na operação e o Despachante por sua vez contacta os serviços alfandegários. Os Serviços alfandegários respondem que não têm meios humanos e materiais para conferir e poder visar os certificados atempadamente e que os Certificados “hão-de sair” mas não sabem dizer nem em que semana, nem em que mês. Nem sequer têm uma lista de Certificados que deram entrada na Alfandega e que estão à espera de ser visados.
Entretanto, passam-se semanas e meses, com todos estes intervenientes a desdobrarem-se em múltiplos e recíprocos contactos telefónicos e presenciais, que não resultam em nada além da perda de incontáveis horas, pois o sistema não funciona.
Neste pára-arranca, existem ainda muitas outras situações. Há fornecedores que pedem de inicio um cheque caução para o valor do Iva. Se findos os 60 dias não recebem o certificado, emitem uma nota de débito do Iva e movimentam o cheque.
Daqui resulta mais um esforço e um transtorno para as empresas exportadoras. Vêm o seu esforço financeiro a aumentar e sabem que vão receber um certificado que muito para além dos 60 dias previstos na lei, será entregue ao fornecedor para ele talvez emitir um crédito do valor do Iva, restituindo-lhe o valor do cheque.
Mais uma vez parecem-me voltas a mais , dadas por demasiados agentes económicos, contribuindo apenas para uma tremenda ineficácia e ineficiência, com custos económicos e competitivos incalculáveis.
Muitas empresas fornecedoras, que desconfiam destas vendas sem liquidação de Iva, passam a não acreditar mesmo nelas ao fim dos 60 dias. E o pobre desgraçado ( empresa exportadora ) que está a ajudar a economia nacional e as nossas exportações, fica sem saber o que fazer.
Soluções ? Várias. Primeiro há que reconhecer que o problema existe e afecta milhares de empresas. Depois poderemos optar pela via legislativa, aumentar o prazo de 60 dias para no mínimo 6 meses, ou optar pela via do trabalho nas instâncias aduaneiras, o que passaria por reforço do pessoal alfandegário que trata da verificação e visto destes certificados.
Agora o que não poderemos fazer mais, é deixar que tudo continue na mesma e depois não percebemos porque as exportações não aumentam.
Problemas reais, exigem soluções reais. Assim o exige a pretendida Dinâmica das Exportações.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Dívidas Eternas

Pedro Santos Guerreiro, Director do Jornal de Negócios, escreveu na semana passada, dia 22 de Outubro um excelente artigo na coluna Editorial, cuja leitura aqui recomendo, pela clareza de ideias nele explanada.
http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=337118


Todo o artigo é excelente mas gostava de reter e comentar duas frases em particular:

1ª “Não há caridade dos investidores para curar a carência dos aflitos: você deve, você paga. De uma forma ou de outra.”
Dito de uma forma mais popular, poderíamos ter o famoso “ A corda parte sempre do lado mais fraco”, e cada vez são mais as famílias portuguesas a engrossar o “elo mais fraco”.
A necessidade ou sonho de terem um espaço digno para habitarem, está a tornar-se a passos largos, num pesadelo sem fim. Surge agora a proposta do governo, de criação de Fundos de Investimento Imobiliário para Arrendamento Habitacional, que pretendem generosamente ( ou talvez não, conforme explica Pedro Santos Guerreiro ), garantir ou manter dilatada no tempo a possibilidade de as famílias não perderem as casas que a tanto custo tentaram comprar.
2ª “Dizer que pagar menos por mês é bom negócio é abusar do desconhecimento dos clientes. É tão errado como dizer que estender o crédito à habitação sai mais barato. É mentira: quanto mais longo é o contrato, menos capital se amortiza por mês, logo maior valor de juros se paga. Aumentar a vida dos contratos é sempre pior do que diminuí-la, só se deve fazê-lo em último caso.”
Nesta segunda fase, ressaltam as últimas palavras ( só se deve fazê-lo em último caso ).
Os últimos casos só se deveriam atingir…em último caso, passe o pleonasmo.
Mas são demasiados os que os estão a atingir. Milhares de famílias vêem-se encurraladas em soluções de último recurso, por já não terem mais margem de manobra. Os ordenados “não esticam” e por mais voltas que se dê à cabeça, cortando em tudo o que se pode cortar em termos de despesas, continua a ser necessário ir mais além. Ir mais além tem correspondido a esta forma de hipoteca das suas vidas, através de empréstimos e planos financeiros que tendem a cristalizar-se no tempo, eternizando as suas dívidas.
A frieza dos números tomou em definitivo conta da vida de dezenas de milhares de portugueses. São esses os portugueses que deixaram de poder dormir descansados. È também a esses portugueses que se exige que aumentem os seus níveis de produtividade, para contribuírem para a melhoria da economia. Não percebo como o desassossego permanente ( físico e mental ) pode ser compatível com melhorias de desempenhos e aumentos de níveis de produtividade.
Mas parece-me que aos seres se está a obrigar a ser cada vez menos humanos e a ser cada vez mais “máquinas”, facto que também não contribui muito para uma harmonia e bem estar social.

domingo, outubro 26, 2008

Dependência ( ou não ) do Petróleo

Século XX: a procura obsessiva por petróleo. Século XXI: a procura obsessiva por formas de não ficar dependente do petróleo.

O ser humano, pensante e supostamente inteligente, deveria usar melhor a sua genuidade para saber prevêr e acertar nessas previsões!

A busca incessante de petróleo que marcou a história mundial do século XX, mostrou ao Homem, ao Planeta, à Sociedade Actual que os recursos eram incalculáveis, mas não mostrou que eram inesgotáveis.

Porém, o Homem usa o Planeta como se não houvesse amanhã...como se os recursos se transformassem ao invés de se extingirem.

Lavoisier afirmou "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", o que ele não conseguiu prever era a velocidade a que nós iríamos gastar o que a Natureza nos oferece... daí que a missão, o Santo Graal da actualidade seja a busca desenfreada ( maior que qualquer cruzada ) pelas fugas ao uso de petróleo.

Resta saber se as mentes brilhantes do nosso século XXI terão e saberão prever que para produzirmos alternativas ao petróleo estaremos novamente e em cima do que ainda não foi reposto...a cobrar e a pedir mais ao planeta...ao mesmo que nos tem dado tudo!

O descongelamento das calotes polares são um aviso, contudo para produzirmos usos distantes dos do petróleo, precisaremos dele para financiar as plantações, que só a longo prazo nos permitirão subsistir, não sem pretróleo, mas recorrendo menos a ele!

De qualquer modo, quantos mais avisos do planeta serão necessários para acreditármos que "Haverá sangue" ? Talvez o azul do mar invada a terra e o mar banhe os nossos rostos, refrescando a nossa mente, lavando-a da nossa soberania e consciencializando-nos de que deveríamos dar ouvidos a quem muito pensou numa época mais próxima da Natureza do que a nossa.

Por isso, fiquemos com a frase de Vitor Hugo: "É triste pensar que a natureza fala e que o género humano não a ouve."

Texto escrito por Cristiana Marques Rodrigues e publicado no nosso blog a seu pedido.
A Cristiana Rodrigues é visitante assídua do nosso blog e apreciadora dos artigos que nele colocamos, tendo já comentado um artigo recentemente publicado.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Errare humanum est

Errar é humano vs A frieza de quem não erra

Dois casos diferentes motivam esta reflexão.

1º Caso – Filho de Durão Barroso apanhado com haxixe
2º Caso – Ladrões furtam portátil de Miguel Sousa Tavares

O 1º caso relata que um dos filhos do actual Presidente da Comissão Europeia foi detido na passada quinta-feira em Lisboa, quando estava a enrolar um charro. Tinha na sua posse 6,37 grs de haxixe, o que, de acordo com a lei é considerado tráfico, pois a quantidade permitida para o consumo médio individual durante o período de 10 dias parece estar fixado em 5 grs.

Estamos sempre a ver pessoas condenadas antecipadamente, em privado, ou na praça pública.
E logo nos apressamos a perguntar: será que ele não sabia que não podia fazer isto ou aquilo?
Temos também a convicção de que só os menos inteligentes, ou os menos avisados é que erram. Pergunto-me então se o filho de Durão Barroso estará numa destas situações. Talvez não e, tendo os pais que tem, ele está naquele grupo de pessoas que supostamente não deveria errar, mas errou, porque errar é humano.
Também se erra muitas vezes por distracção ou falta de uma reflexão mais profunda sobre as implicações nos actos cometidos. Penso que se erra sobretudo por se ter uma visão parcial das situações.
Poderá Durão Barroso ser acusado de não dar a devida atenção ao seu filho, ele que tem a preocupação de dar a atenção a mais de 300 Milhões de pessoas? Talvez sim, de qualquer modo o seu filho Guilherme, que tem 22 anos de idade, saberá certamente assumir o erro que cometeu e mais do que uma condenação severa por apresentar 1,37 grs a mais do que é permitido, julgo que o mais indicado será a adopção de medidas que o façam reflectir nos perigos que o consumo de drogas apresenta. Quando as pessoas estão dispostas a distinguir o certo do errado, deve-se sempre apoiá-los e não condená-los.
O 2º Caso relata o incidente verificado em casa de Miguel Sousa Tavares, ou seja o assalto que fizeram à sua casa na Lapa, tendo-lhe furtado o computador portátil, que continha o único exemplar do último livro que estava a escrever.
Diante da perda de «um ano de trabalho» Miguel Sousa Tavares faz um apelo a quem lhe roubou o computador para lho devolver. «Trocava qualquer coisa pelo meu disco rígido. Até era capaz de dizer ‘venha cá e escolha o que quiser, mas devolva-me o meu trabalho!’».
Esta já não é a primeira vez que Miguel Sousa Tavares é assaltado. Uma casa que o escritor teve no Campo de Santana, em Lisboa, também foi assaltada, mas dessa vez levaram tudo o que tinha de valor. Miguel Sousa Tavares declarou ao jornal 24 horas que depois dos acontecimentos do fim-de-semana, já está a instalar um alarme de segurança e vai mandar montar grades nas janelas.
Perante o infortúnio de Miguel Sousa Tavares não posso deixar de questionar:
- Porque será que uma pessoa tão inteligente e tão culta como ele, não se lembrou de fazer uma cópia de segurança do seu trabalho?
Custa-me sinceramente ver milhares de pessoas inocentes, cultas ou incultas a serem tão castigadas pelos erros que cometem. Se Errare humanum est, não deveríamos ser tão punidos pelos erros que cometemos.
O caso do ano de trabalho roubado de Miguel Sousa Tavares é sobretudo confrangedor. Não será certamente por dificuldades financeiras que ele não se lembrou de comprar um disco externo, ou um gravador de dvd´s ou de cd´s, ou qualquer outro meio que lhe permitisse ter uma cópia do seu trabalho.
Parece-me demasiada ingenuidade, confiar tanto num portátil. Eu não confio a minha vida no meu portátil. O portátil ou um computador pessoal são apenas um meio de trabalho ou de lazer, mas não podemos depositar neles demasiada confiança ou informação demasiado importante.
Com estes dois casos, pretendi chamar a atenção de que os avisos e a prevenção nunca são demais. Estamos sempre a errar e embora isso não nos torne mais humanos, não podemos ser penalizados em demasia por esses erros. Também não acredito que quem não erra, não é humano.
Julgo que o erro é uma tendência e é nosso dever partilharmos conhecimentos e informações que nos permitam, como comunidades interligadas de uma sociedade livre e moderna, errar tendencialmente menos.
Só a minimização dos erros, traz a minimização de dissabores.

domingo, outubro 12, 2008

Medida igualmente importante

Numa altura em que os olhos do mundo estão postos nas sucessivas reuniões de muitos dos países mais ricos do mundo que procuram soluções globais para a crise financeira internacional, em Portugal é também altura de se começar a debruçar sobre a Proposta de Orçamento de Estado para 2009.

Muito haverá certamente para falar do Orçamento e das suas virtudes e defeitos numa altura em que também nós portugueses, esperamos do nosso governo, medidas que ajudem a ultrapassar o actual mau momento económico.
O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou que a proposta de Orçamento do Estado para 2009 vai prever uma descida de 25 para 12,5% no IRC nos primeiros 12.500 euros de matéria colectável.
Sendo que a maioria das empresas portuguesas são PME´s, esta será certamente uma medida com forte impacto na realidade dessas milhares de PME´s.
O facto de grande parte delas apresentar uma matéria colectável que se situa abaixo dos 12.500 Euros ou que pouco a ultrapassa, vai fazer com que beneficiem directa e significativamente desta medida.
Coloca-se sempre a questão de não ser muito prejudicial a perda de receita fiscal que esta medida acarretará. Quanto a este receio, obteve-se já duas reacções: a primeira diz que esta perda de receita fiscal não será muito significativa pois a redução de 25 para 12,5% no IRC só se aplica aos primeiros 12.500 Euros de matéria colectável, ou seja, a partir daí os lucros significativos ( que contribuem em grande parte para a receita do IRC ) continuarão a ser taxados à taxa de 25%. Outra reacção é a que afirma que se esta medida não fosse tomada, muitas seriam as PME´s que encerrariam a actividade, deixando de ser contribuintes activos e lançando no desemprego, milhares de trabalhadores.
Por tudo o acima exposto, julgo que esta é mais uma medida positiva do governo, desejando que venha a tempo de dar mais um contributo para o difícil equilíbrio económico e financeiro de muitas das nossas PME´s.

sexta-feira, outubro 10, 2008


Os dias conturbados que vivemos marcados pelas mais recentes turbulências nos mercados financeiros, bem como alguns artigos de opinião aqui editados últimamente levaram-me a “regressar” a este espaço com algumas reflexões que gostaria de partilhar com a nossa comunidade.
Se uma coisa esta crise está a demonstrar é o facto de que a economia de mercado livre funciona, ou seja, assistimos ao rebentar de uma série de bolhas especulativas que vinham sendo criadas nos últimos tempos em volta do chamado mercado do sub-prime,... mas não só.
De seguida observamos a intervenção dos bancos centrais e dos governos de diversos países agindo de uma forma directa e mesmo, em alguns casos, no sentido da nacionalização de um conjunto de instituições ( “injecção de capitais nos mercados financeiros” ).
O plano Paulson ( 700 mil milhões de dolares ) de dinheiro vindo directamente do bolso dos contribuintes fizeram-me lembrar o economista norte americano Milton Friedman galardoado em 1976 com o prémio Nobel , numa das suas diversas teorias sobre as diferentes formas de “aplicar” dinheiro.
“Gastar” o dinheiro de terceiros em terceiros, é, regra geral, a forma mais despreocupada. “Ninguém gasta o dinheiro dos outros tão cuidadosamente quanto gasta o seu” dizia Friedman.

Ou seja durante anos um conjunto de “especialistas” financeiros investiram o dinheiro de terceiros em terceiros ( produtos ), que agora se constata, pouco sustentados do ponto de vista financeiro( “elevada exposição ao risco ), muitas vezes altamente recomendados pelas “agências” de rating estimulando uma procura desmedida (vendendo gato por lebre ) a estes “produtos tóxicos” que rápidamente se transformaram numa fonte de receitas lucrativa ,.... a velha máxima do aumento da procura a estimular a cotação em bolsa, só que a bolha rebentou e agora ninguém quer ficar com os outrora tão cobiçados “Produtos”....por que razão ?
De seguida vêm politicos de todos os quadrantes argumentar que se deve regulamentar mais os mercados financeiros através de uma supervisão mais apertada..... , mas regular o quê? E como ? estas medidas contrariam em tudo a teoria da economia livre de mercado que para funcionar deve ser “des-regulado” descongelado e livre de barreiras.
Acredito como Milton Friedman no sucesso de uma economia liberal , que, desafiando todas as teorias dominantes a respeito das causas da Grande Depressão de 1929, afirmou que foi o excesso e não a falta de intervenção governamental a responsável pela maior crise até então vivida pelo sistema capitalista. “A Grande Depressão nos Estados Unidos, longe de ser um sinal da instabilidade inerente do modelo de empresa privada, constitui testemunho de quanto mal pode ser feito por erros de um pequeno grupo de pessoas , quando estas, dispõem de poderes vastos sobre o sistema monetário de um país”, testemunhou Friedman cuja crítica generalizada ao intervencionismo governamental ( representada pelo Federal Reserve System que, no caso dos Estados Unidos corresponde ao Banco Central) foi sempre um dos seus alvos predilectos.
Até é possível que estes erros (cometidos pelo FRS no período da Grande Depressão) possam eventualmente ser desculpados na base do conhecimento disponível naquela ocasião – embora Friedman achasse que não.
Qualquer sistema que dê tanto poder a uma oligarquia e que podendo originar situações tão severas e amplas é um mau sistema.
Desafiando as correntes de opinião do momento e fazendo jus á memória de Milton Friedman ( brilhante mas também muito polémico ), lanço aqui um desafio á reflexão sobre se a saída da crise, porventura não estará tão mais na consciencialização individual dos agentes intervenientes na actividade de gerir/aplicar dinheiro ( próprio e de terceiros) como se do próprio capital se tratasse, investindo com prudência e ponderação travando assim a “ganância colectiva de um grupo de poucos movidos por interesses e estimulos pessoais de curto prazo?
E estes agentes, afinal, somos todos nós pessoas individuais que em maior ou menor escala aplicamos os nossos dinheiros quer directa quer indirectamente no “mercado”, procurando satisfações , explicações, juntando informação, criando uma opinião própria e , mais importante do que isso agir em vez de observar.
Se por um lado a situação é grave, por outro lado abriu-se uma janela de oportunidade, para investir,(de momento o mercado de capitais está interessante para quem queira comprar sensatamente), o mercado imobiliário apresenta agora casas a preço de saldo e mais do que nunca é necessário que se continue com um “padrão” de consumo saudável e “regrado” para que uma crise financeira não se torne também numa crise económica acabando por afectar de uma forma mais drástica toda a sociedade.

Mais sobre o tema de uma “forma humoristica” em :
http://www.invertired.com/quimu/videos/25/34

quarta-feira, outubro 08, 2008

Ainda a securitização da tasca do Ti Joaquim

Ainda a propósito dos artigos dos nossos amigos Otávio e João quero dizer que concordo em geral com as ideias gerais do artigo anterior do Joáo o qual classifico de fantástico, sendo que quero relevar em particular o último parágrafo.
Considero ser um facto incontornável considerar como opção correcta, quando e se for o caso, uma intervenção estatal (sob a forma de uma nacionalização ainda que parcial ou transitória) como processo de recuperação de uma instituição financeira relevante para o sistema financeiro do país e para a economia. Já o disse, a economia e a sociedade necessitam do crédito para evoluir. Não me choca esta intervenção pelo impacto que a sua ausência poderiam provocar em factores como o agravamento do desemprego, da quebra na produtividade, na redução da criação de riqueza, no agravamento, em suma, da qualidade e nível de vida das pessoas.
As sociedades modernas estão directamente dependentes do sistema financeiro que tem obrigatóriamente que ser acarinhado (refiro-me ao sistema financeiro que alavanca e apoia a economia real - a realidade em que vivemos - empresas, fábricas, estradas, hospitais, energia, saúde...).
Por isso classifico como decisões racionais e sustentadas (sei que algumas delas são concretizadas nalguns países como medidas de fuga ao desastre) a intervenção central (do tesouro e dos governos) aquelas que se têm dirigido à recapitalização dos bancos em situação de quase falência.
Como já referi, o que seria da vida dos cidadãos e das empresas sem as instituições que gerem as poupanças e apoiam os investimentos e que concedem crédito. É devido ao crédito que as pessoas viajam e adquirem conhecimento, que compram cultura, que compram as suas casas e os seus carros, que educam muitas vezes os filhos ou os mandam à escola, que investem e criam emprego e riqueza, em suma, este contribui para o bem estar geral.
Mas este crédito deve ser comprado (ou oferecido) na justa medida da sua razoabilidade e de acordo com a capacidade de reembolso dos adquirentes. Quando as instituições financeiras derivaram (e mal) para além da sua função genuína e central e as autoridades voltaram as costas à sua responsabilidade de supervisores e polícias do sistema, veio o desastre.