Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

sábado, abril 05, 2008

Deslocalização de empresas e Investimento Estrangeiro

Esta semana a noticia mais relevante de âmbito económico e social foi o encerramento de uma unidade de produção da Delphi em Ponte de Sor e de outra da Yazaki Saltano em Vila Nova de Gaia colocando no desemprego cerca de 900 pessoas sem contar com as empresas fornecedoras nacionais e service providers dessas duas multinacionais instaladas em Portugal que actuam no cluster automóvel.

Este cenário já era previsivel há bastante tempo aquando da entrada da China na OMC e do alargamento da UE a Europa Central e de Leste.

O sector de componentes autómovel está bastante globalizado e a tendência para o OEM (Offshore Equipment Manufacturing) é uma constante que implica a identificação e pesquisa de novos mercados fornecedores no seio da cadeia de valor do sector automóvel.

Portugal já foi um mercado atractivo até a nossa adesão a União Europeia,pois, com a livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais bem como a eliminação das barreiras aduaneiras nacionais tornou-se irrelevante a produção destas compeonentes em Portugal.

Para além de que os grandes fabricantes do sector automóvel não consideram Portugal um mercado estratégico para a fixação de unidades industriais deste sector. Excepção , felizmente é o caso da Autoeuropa.

Os nossos custos de produção são elevadissimos e não devem ter em conta a questão apenas da mão de obra, mas sim a produtividade, os custos de logistica, a competitividade dos portos nacionais e o custo energético bem como a elevada carga fiscal e a Burocracia que dificultam a captação de IDE em Porugal. Isto é, o grau de atractividade de investimento directo estrangeiro torna-se reduzido devido a estes condicionalismos.

O fenómeno da deslocalização e transferência de produção para outras áreas mais dinâmicas do globo não tem apenas Portugal como vitima, pois, abrange todos os Países da Europa e os EUA.

A globalização dos mercados e a procura de mercados mais competitivos ou a redução global de custos no seio das grandes corporações é algo que está para ficar e que está a criar verdadeiros fenómenos de desemprego ao nivel global e a conduzir regiões a situações perda de competitividade económica e social o que é prejudicial para a Estabilidade dos Países afectados onde essas regiões se encontram.

Alguns Paises vão conseguir superar esta questão através da seguinte estratégia:

- Reconversão profissional urgente das pessoas afectadas pelo fenómeno de desemprego nessas regiões - Mas uma reconversão real e eficaz feita entre Estado/ Autarquias e sector privado de forma a elevar a dignidades das pessoas e dar-lhes perspectivas reais de emprego em vez de emigrarem ou deslocarem-se para outras zonas do Pais.

- Captação de Investimento Directo que não necessita de ser de Multinacionais mas de PME que estão a internacionalizar-se e procuram novos mercados.

- Estratégia de captação de investimento direccionada para novos mercados emissores de IDE em vez de o esforço de diplomacia económica ser sempre nos mercados tradicionais.
- Melhoria do ambiente macroeconómico e redução da carga fiscal para o investidor

- Novo modelo de captação de investimento estrangeiro baseado em novas indústrias emergentes

- Novo modelo de apoio as PME nacionais na área da exportação e consórcios de exportação de forma a estimular a criação de riqueza nacional de base industrial nessas regiões.

- Forte estimulo a formação profissional e a criação de condições favoráveis nessas regiões para o investidor instalar as suas empresas o que implica redução da Burocracia e que as autarquias dessas vilas e cidades tenham gabinetes próprios de apoio ao investidor com técnicos com experiência do mundo real das empresas e que conheça quais as indústrias emergentes e as em declinio.

- Gestão previsional dos RH de forma a termos mão-de obra especializada para as indústrias atractivas que possam investir nessas regiões em declinio.

- Fortes acções de relações públicas internacionais para captar investidores e posicionar essa região como pólo atractivo para instalação de novas indústrias e com um ambiente envolvente com qualidade de vida e boas infraestruturas como: escolas, universidades, hospitais de excelência, boas acessibilidades etc..












quinta-feira, abril 03, 2008

Desigualdades Sociais e Globalização

Portugal como Estado aberto a economia global está neste momento a tornar-se num País dualista em que as desigualdades sociais e o fosso entre ricos e pobres é cada vez mais visivel.

É lamentável que um País que deu Mundos ao Mundo e que por natureza é uma Nação Global esteja neste momento a sentir-se incapaz de se integrar na economia global e a perder competitividade económica e social que se reflecte na perda do poder de compra da classe média nos últimos anos.

O erro que tem sido cometido por sucessivos Governos é julgar que o Estado resolve todos os problemas da sociedade e que em matérias em que devia ter eficacia na actuação não estar a ter e deixar o campo livre para áreas em que o sector privado já deu provas que pode fazer melhor.

Hoje em qualquer País com economia aberta a competitividade é baseada no alto desempenho do sector privado e numa regulação do Estado em que o próprio Estado que somos nós todos também é regulado de forma positiva. O que infelizmente cá ainda não acontece.

Em Portugal ainda se confunde muito Estado e interacção com sector privado o que dificulta a existência de uma verdadeira economia social de mercado.

As desigualdades sociais são fruto desse Estado Social de Mercado que ainda é incipiente e que não proteje aqueles que estão desfavorecidos ou em fraqueza social. É prioritário antes de mais definir que Modelo de Estado queremos ter,pois, ser 100% liberal e 100% socialista ao mesmo tempo não acredito que venha a dar muitos resultados. Vide por exemplo o caso de França.

Torna-se por isso urgente todos nós cidadãos responsáveis pensar que Modelo de Estado queremos para Portugal numa era de globalização em que só os mais fortes e aqueles paises com vontade x capacidade conseguirão vencer.

quarta-feira, abril 02, 2008

Politica Externa Portuguesa e Convergência Interministerial

O Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal: Dr. Luis Amado alertou esta semana para a existência de uma "politica de capelinhas" na acção externa do Estado Português.

É um facto que esta falta de coordenação interministerial no que concerne a formulação e implementação da Politica Externa Portuguesa existe há bastantes anos prejudicando a projecção internacional de Portugal na cena internacional.

Uma politica externa na assumpção da palavra tem que ser exequivel e ter em conta o interesse nacional e tem que estar acima de interesses ministeriais ou "capelinhas".

É necessário uma visão de Estado que coordene a acção externa da Máquina Diplomática e de todos aqueles que têm responsabilidade pela projecção internacional de portugal no âmbito da diplomacia politica,cultural, económica e defesa de forma a termos uma voz unissono e uma coerência na defesa dos interesses de portugal junto das instituições internacionais e dos centros de decisão internacional.

Torna-se por isso imperativo uma reforma no sentido de reorganização da máquina diplomática e de todas as áreas de relações internacionais dos ministérios que actuam ou se cruzam no campo da politica externa.

A competitividade dos Países pela procura de prestigio e influência internacional implica uma agilização dos instrumentos diplomáticos, culturais e económicos ao serviço do Estado de forma a aumentar a penetração da nossa capacidade de influência no sistema internacional e termos Portugal como estado pequeno mas aberto ao Mundo com forte prestigio diplomático no xadrez mundial.

Ao transpormos para a cena internacional uma máquina diplomática ágil e eficaz estamos a criar condições para um desenvolvimento económico de Portugal mais elevado e para o aumento da respeitabilidade como País aberto ao Mundo e com uma diversidade de relações internacionais.


Alfredo Motty
2/04/2008

sábado, março 29, 2008

Batalha Naval

Lembrei-me de repente de um dos jogos favoritos da minha infância.

Longe das Playstations e outras tecnologias actuais, utilizávamos papel e caneta ou lápis.

Cada jogador dispunha em cada jogo de um papel quadriculado que simulava o mar e onde tinha de colocar a sua frota, desde os submarinos ao porta-aviões.

O jogo consistia então em escolher 3 tiros em cada jogada de forma a adivinhar a localização que o adversário tinha escolhido para a sua frota. Esses tiros ou acertavam em parte dos navios do adversário ou, eram tiros na água.

Era um jogo simples e muito divertido que misturava intuição e estratégia.

Lembrei-me dele a propósito dos muitos contributos que testemunhamos ao ler diversos jornais e revistas semana após semana.

Considerando os navios como problemas que temos de resolver no dia-a-dia, um objectivo poderia ser dar tiros nesses “navios”, de modo a afundá-los, leia-se, resolver os problemas.

Infelizmente, conseguimos atingir o paradoxo de ter um exército de pessoas a produzir bons artigos e a dar boas ideias mas que, ao não serem devidamente aproveitadas, representam tiros na água, perdendo-se ingloriamente essas mais valias.

É como se a vida não passasse de uma brincadeira, onde podemos pacificamente ignorar a urgência na resolução de problemas simples ou complicados.

Vivemos pois um tempo de desperdício. Desperdício de talentos, desperdício de recursos que assumimos como inesgotáveis.

Felizmente assistimos a um ressurgir de novos grupos e novos movimentos que insistem em “dar pedradas no charco”.

Resta-nos então acreditar no velho ditado:
“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”

Miopia internacional das PME - O caso Português

No âmbito da actividade profissional que tenho desenvolvido quer como consultor quer como formador nas áreas de comércio internacional tenho vindo a constatar que ainda existem grupos de empresários de PME que continuam com a chamada doença "miopia internacional".

Doença esta que no âmbito dos estudos consagrados a internacionalização ainda afecta muito
alguns sectores de actividade em Portugal. Quais são os sintomas dessa doença? Vejamos:

- Estratégia de exportação definida pelo lado da oferta e não pelo lado da procura
Exemplo de discurso: tenho um bom produto e a um bom preço............mas sem estudar a concorrência directa e indirecta no plano global de produtos semelhantes e alternativos existentes em outros mercados.

- Aquele meu amigo que tem a empresa A está a exportar para o País X ou Y logo eu também vou exportar e ser bem sucedido nesses mercados.

- O mercado Português está estagnado e aqui não vendo nada logo é melhor fazer as malas e ir a procura de mercados sem uma estratégia definida. Há uns tipos que dizem que o que está a dar é os PALOP, outros que falam na Europa Central e de Leste onde as míudas são giras..... Porque não ir até aos PALOP, pois, eu até conheço bem Angola,pois, o meu bisavô fez lá a tropa...........

- Há uns tipos nesses mercados que me querem comprar uns produtos......eu fui lá para vender o que fabrico que são produtos têxteis mas isso eles já lá tinham então conheci uns distribuidores que me pediram se lhes arranjava vinho. Pensei cá para os meus botões eu tenho uma amigo da Adega Cooperativa que quer exportar, pois, ele não consegue entrar com os vinhos deles nas grandes superficies pois o produto tem que ser referenciado logo sugeri-lhe para irmos vender o vinho deles nesses mercados onde estive........vou perguntar quantas caixas leva um contentor de 20 FCL de tinto do bom.......e mandar umas amostras com rótulo de portugal,pois, agora é só para eles verem o produto. depois logo se vê o que vai dar...já me estava a esquecer........essa empresa que quer comprar é um importador/distribuidor de relevo nesses mercados? quais os termos de pagamento a praticar? quais os termos de entrega? custos de logistica? quais são? custos de adaptação de embalagem foram feito? o meu amigo também me disse que isso agora não é relevante......isto é como vender a porta da fábrica - o Lado da oferta é que manda.......e o meu amigo vai 1 semana num ano a um desses mercados logo tem um elevado conhecimento desses mercados. Para que tanta interrogação sobre como efectuar as transacções internacionais? é uma perda de tempo!

quinta-feira, março 27, 2008

Jantar/Debate do FRES - As Cidades


Estimados fresianos e caros visitantes


O FRES realizou ontem no restaurante Kardápio em Lisboa mais um jantar debate cujo tema de discussão foi "As cidades como pólos de desenvolvimento local e regional".

Durante este encontro foram discutidos os diferentes papeis das cidades, quer como pólos de crescimento e desenvolvimento territorial, quer como modelos de atractividade de pessoas, saberes, cultura, ciência e conhecimento, quer ainda como factores de assimetria regional ou nacional. Os papéis e impactos do crescimento das cidades, criando por um lado fócus de desenvolvimento, sejam eles estruturais, económicos ou sociais, estão, por outro lado, a provocar desequilibrios urbanos, a incrementar indiçes de criminalidade e a intensificar fenómenos de desigualdae social. A problemática do que é uma cidade competitiva versus uma cidade não competitiva, (seus indicadores) foi também abordada.

Nesta óptica foi igualmente discutido e debatido se os indicadores que definem os vários conceitos ou critérios de competitividade de uma cidade (segundo o método do Fórum Económico Mundial) são os mais adequados.

Daremos em breve aqui notícias sobre as conclusões ou (ausência delas) relativas a este debate.

Saudações fresianas

sábado, março 22, 2008

O Empreendedorismo social e os Think Tanks


Falar hoje em Portugal sobre o que é um Think Tank representa, para a maioria das pessoas, falar de algo completamente desconhecido. É infelizmente assim num país que não devia estar distante destas temáticas dos grupos de reflexão mas sim integrado numa outra dinâmica e grau de desenvolvimento social e intelectual. Acreditem, pois temos no dia-a-dia a prova disto. Testem. Experimentem.

Se internamente os poucos Think Tanks que existem estão virados para dentro e apenas trabalham numa perspectiva de debate e reflexão, já nos países da Europa e EUA onde estes proliferam de forma muito significativa como verdadeiros núcleos de debate, reflexão, pesquisa e investigação, estes, estão completamente virados para fora. A sua acção desenrola-se na esfera da produção de debates, produção de papers e realização de trabalhos de pesquisa e investigação, divulgação e discussão de políticas de desenvolvimento e cooperação (terceiro mundo, Ásia, África, países vitimas de catástrofes, ciências médicas ou investigação biológica, molecular ou estudos sociológicos concretos, apenas para referir alguns exemplos).

Todas as semanas se realizam por exemplo em universidades americanas (através de think tanks académicos- ou em Bruxelas no âmbito da comunidade europeia através de think tanks oriundos de vários países especializados em temáticas diversas) workshops, reuniões, seminários ou conferências sobre os trabalhos que estes grupos desenvolvem. Neles trabalham imensas pessoas que escrevem e investigam sobre os temas em curso. Estes grupos são geradores dos seus próprios proveitos e receitas. Este movimento da sociedade civil é designado por empreendedorismo social. Voltaremos a falar deste tema em posts seguintes.

Temos falado muitas vezes destas ideias entre alguns de nós no FRES e pretendemos dar passos em frente neste sentido. No fundo sabemos que sem ousadia e ambição, atitude ou determinação nada nos distingue da multidão cinzenta que compõe a maioria da sociedade civil em Portugal. Pretendemos com tempo, paciência e perseverança ultrapassar as fronteiras deste país e levar as nossas ideias ou propostas ao centro da Europa onde estão aqueles que falam por nós e que nos devem representar. Sabemos como fazê-lo, falta-nos tempo e alguma organização. Mas fá-lo-emos sem dúvida.
Se pretendermos hoje ir a Bruxelas apresentar uma proposta, um paper, sabemos com quem falar e quando ir. Temos espaço aberto para nós. Porque não o fazemos agora? Talvez por difícil articulação da vida profissional. Mas vamos tentar? Será daqui a 1, 2, 5 anos…não sabemos. Mas podemos manter como linha de orientação esse objectivo e esse rumo.

terça-feira, março 18, 2008

Aprender a nadar

A propósito do sub-aproveitamento do valioso recurso que Portugal dispõe ao contar com uma enorme zona marítima sob sua jurisdição, o Professor Universitário Viriato Soromenho Marques teceu algumas considerações interessantes e importantes.

Quem tiver a curiosidade de conhecer um pouco mais sobre a sua obra pode visitar a sua página oficial

http://viriatosoromenho-marques.com/

Quanto às considerações propriamente ditas, elas alertam para a necessidade de haver uma consciência da importância estratégica que o Mar pode representar para Portugal, sobretudo numa altura em que os Países lutam cada vez mais pela posse e administração de recursos.

A enorme zona marítima que Portugal administra pode ser aproveitada não só pelos sectores tradicionais de pesca e navegação, como também pelo sector do turismo e pelo sector da energia; ainda numa fase embrionária, a exploração do Mar como fonte de energia renovável e não poluente, pode ter um papel importante a desempenhar, caso se verifiquem os estudos e avanços tecnológicos necessários.

Outra chamada de atenção que o Professor Viriato Soromenho Marques fez foi a de que é absolutamente vital uma conjugação de esforços. Essa conjugação visa o aproveitamento de capacidades, de forma coordenada e, tendo como suporte uma visão estratégica do Mar, integrando os diversos factores acima referidos.

Curiosa é também a referência a uma necessidade de sermos persistentes estrategicamente, rentabilizando as iniciativas do sector público e do sector privado e partindo de uma consciência do que temos e do que precisamos de ter para poder investir e ganhar vantagens económicas com o Mar que dispomos.

Não menos importante foi a chamada de atenção para o facto de, se nada fizermos e formos negligentes, não só perderemos o potencial económico como também poderemos passar a ter um Mar maltratado com todos os perigos que isso pode acarretar.

A forma sensata e fundamentada como expõe as suas ideias, visando amplos consensos, fez-me apreciar as suas considerações e sentir uma certa identificação com o que temos procurado fazer no FRES.

sexta-feira, março 14, 2008

Investimentos e urgência de criação de emprego

A semana que hoje encerra teve algumas boas notícias em termos de investimento, nomeadamente:

1. A La Seda de Barcelona, que tem como principais accionistas o grupo português Imatosgil e a Caixa Geral de Depósitos (CGD), anunciou o arranque da construção em Sines de uma fábrica de PTA (ácido teraftálico purificado, a matéria-prima de todas as formas de poliéster). Este investimento, louvado pela sua importância local e nacional pelo Primeiro Ministro Engº José Sócrates, representa um valor de cerca de 400 milhões de euros, permitindo à empresa espanhola passar de terceiro para primeiro “player” na Europa neste segmento.
A La Seda de Barcelona foi fundada em 1925 e é líder no mercado europeu de PET (polietileno tereftalato), o plástico utilizado em embalagens.
Pormenores interessantes sobre este investimento podem ser vistos em

http://www.mun-sines.pt/inovaemprego/documentos/apresentacao_artenius_ruisousa.pdf

2. Investimento a nível da Hotelaria

Hotelaria: Axis investe 12 M€ em Viana do Castelo
http://www.millenniumbcp.com/SME/middle/04/showNew/0,3532,3-20080311115958-DIARIODIGITAL----true-,00.html

3. Investimento a nível do Comércio

AKI investe 35 M€
http://www.millenniumbcp.com/SME/middle/04/showNew/0,3532,3-20080311134500-DIARIODIGITAL----true-,00.html

4. Investimento em Logística

Como síntese dos investimentos atrás referidos e para realçar a importância de continuarmos todos a trabalhar bem e a bom ritmo, transcrevo os seguintes parágrafos relacionados com esta notícia.

“ O primeiro-ministro, José Sócrates, disse na terça-feira dia 11 de Março, que a plataforma logística Lisboa-Norte, no concelho de Vila Franca de Xira, é um «elemento modernizador da economia» e que representa a confiança dos investidores estrangeiros em Portugal.
«Estou aqui hoje para sublinhar a importância deste investimento [plataforma logística], que é um instrumento modernizador da nossa economia«, afirmou hoje José Sócrates durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra da plataforma logística de Castanheira do Ribatejo.
Na ocasião, o primeiro-ministro destacou a importância que o investimento empresarial estrangeiro tem para a economia portuguesa, salientando que Portugal «precisa de investimento modernizador e que dê emprego às pessoas«.
A plataforma logística, que estará concluída em 2018, representa um investimento de 265 milhões de euros por parte do grupo espanhol Abertis.
A nova infra-estrutura permitirá, segundo as estimativas da Abertis, criar mais de 5.000 postos de trabalho directos e 12.500 indirectos.
Para o primeiro-ministro, o investimento do grupo espanhol traduz «um elemento de confiança na economia portuguesa e nos portugueses«, o que significa «mais oportunidades de emprego«.
«Queremos que este investimento ande depressa porque há muita gente a querer trabalhar«, sublinhou.”

Esta é uma frase emblemática, que merece todas as análises e nenhum comentário em particular.

quinta-feira, março 06, 2008

Verde por 2 minutos

As questões ambientais têm tido uma importância crescente.

Somos diariamente bombardeados com muita informação pela televisão, jornais, revistas, etc.
A maior parte dessa informação consiste em guerras, violação de direitos humanos, desporto e factos políticos de duvidosa relevância.

Neste contexto, chamo particular atenção ao “ Minuto Verde”. Trata-se de um programa transmitido de manhã cedo e, como o nome indica, com a duração de apenas um minuto. Nele deparamos com pormenores interessantes sobre situações práticas diárias e sobre cuidados que algumas profissões necessitam de ter em atenção, para obter uma mais eficiente utilização de recursos.

Estas informações são fornecidas por alguns membros da Quercus, associação que todos conhecemos e que visa a defesa do meio ambiente.

A este propósito gostaria de fazer dois reparos ou sugestões:
- Julgo que se o programa fosse visualizado na dita “hora nobre”, abrangeria uma maior audiência, sendo um momento ideal para adquirir e aplicar conhecimentos no nosso dia-a-dia.

- Por outro lado, se em vez de apenas um minuto, onde tanta informação relevante é transmitida, pudéssemos contar com dois minutos diários, muito mais conhecimentos poderíamos adquirir, com benefícios para a nossa vida em casa, no trabalho e em todo o lado.

Violência contra as mulheres continua a aumentar

Amnistia Internacional divulga estudo com números preocupantes

“ Os números são alarmantes e revelam apenas a ponta de um iceberg. Um estudo hoje divulgado pela Amnistia Internacional indica que 4 portugueses são vítimas de crime todos os dias, sendo que as vítimas são essencialmente do sexo feminino.
De acordo com a Amnistia Internacional, os números agora divulgados indicam que o o fenómeno da discriminação de género continua enraizada no País e que as queixas conhecidas revelam apenas uma parcela dos casos reais conhecidos pelas autoridades. “
A 2 dias de se assinalar mais uma vez o Dia Internacional da Mulher, é com tristeza e apreensão que escuto notícias destas. Elas são o testemunho que muito ainda temos a percorrer para que as mulheres, TODAS AS MULHERES, sejam tratadas com o respeito que merecem.
A brutalidade e os maus-tratos, quer físicos quer psicológicos, que se infligem sistematicamente a homens, mulheres e crianças, são um verdadeiro acto de cobardia.
Lutarei como posso para combater essas maldades, que afectam maioritariamente as mulheres.
Nestes dias, e em especial no dia 8 de Março, múltiplas serão as iniciativas em todo o Pais, para homenagear e mimar as Mulheres em Portugal.
em
podemos ver que:
“No âmbito das comemorações do Dia da Mulher, Vila Real de Santo António tornar-se-á, durante três dias, a “Cidade da Mulher”, com actividades dedicadas ao público feminino.
Esta iniciativa da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António pretende homenagear todas as mulheres, não só do concelho, mas de todo o país, oferecendo-lhes a possibilidade de se dedicarem exclusivamente a si próprias durante três dias. “
Gosto de Vila Real de Santo António e gostava de lá estar nestes dias.
Mas o que gostava mesmo, mesmo muito, muito, muito, é que em breve não fosse mais necessário comemorar o Dia Internacional da Mulher.
Em vez disso, deveríamos todos ter a noção do valor desse ser tão igual a nós e ao mesmo tempo tão especial, e mimá-las todos os dias ou, no mínimo, respeitá-las.

terça-feira, março 04, 2008

Prons and Cons: Education´s true hour

Assisti ontem ao programa Prós e Contras sobre o tema educação. É de facto um programa único como poucos na televisão nacional e a não perder.

Como primeira conclusão refiro para já o seguinte: tinha assistido ao da semana passada sobre o mesmo tema, no qual participaram as partes litigantes – o Governo através da Ministra da Educação por um lado e os professores por outro - e comparativamente àquele, o de ontem sem as partes litigantes, antes debatido entre pessoas que pensam e trabalham a educação num contexto fora das partes beligerantes, foi muito mais profícuo, esclarecedor e interessante.

Depois várias questões relevantes foram abordadas pelos participantes. Quero aqui referir as que me pareceram ser de destacar. Não sendo de destacar quem disse o quê, apenas referirei as ideias que me pareceram essenciais.

Foi referida a necessidade de haver a criação de uma plataforma de intermediação do litígio hoje vigente entre professores e Ministério. Essa plataforma deverá ser composta por pessoas independentes, capazes, com competências e com prestígio suficiente para tratar o tema. No fundo uma intervenção cívica (ou um misto de) independente para mediar o conflito. Foi ainda referida a necessidade de vermos os professores como uma classe acima das disputas políticas, cuja importância da profissão é transversal a toda a sociedade portuguesa, devendo ser transcendental a todo este clima de quezília instalada. É aos professores que nós confiamos os nossos filhos para nos ajudarem a educá-los.

Outro interveniente referiu que hoje, o sistema de educação ao nível do ensino secundário, tal qual muitos de nós o conheceram e viveram, outrora de classe mundial, está hoje muito distante do melhor que existe nos países mais desenvolvidos ao nível da educação. A escola não se terá adaptado bem a uma certa modernidade, uma vez que há um novo paradigma a que chama a inteligência colectiva (com o advento da Internet) através do qual as pessoas agem, discutem e se expressam em grupo através da net, a qual tem hoje uma força que pode fazer mudar o estado das coisas e a perspectiva que se tem da realidade.
Diz o mesmo que por exemplo “lá fora” ou seja noutros países como os EUA, o grau de exigência, as temáticas de leitura e a atenção para todos os fenómenos de participação intelectual e cívica exigida aos alunos, não tem comparação em Portugal.

Um dos convidados da assistência regista uma ideia de salientar: a escola não pode e não deve estar vocacionada nem o sistema de ensino tampouco, para educar em função das necessidades das empresas, mas antes sim em função da felicidade dos alunos. Os alunos devem estudar e seguir as orientações, os cursos, os ensinamentos, as temáticas com as quais pretendem ser felizes. Esta busca da felicidade não pode ser condicionada de modo a que a escola apenas prepare as pessoas para trabalhar nas empresas. E a arte, as ciências, a literatura, a música, a pintura, a poesia e tudo o resto?

Outro dos convidados do debate reforçou a ideia que todos os intervenientes defenderam: é necessária a avaliação de professores. Deu como exemplo o facto de ter dado aulas na Inglaterra durante 3 anos e ter sido avaliado 2 vezes. Sem traumas e com toda a naturalidade é assim. Não se pode conceber uma profissão com a importância deste calibre sem as pessoas serem avaliadas.

Uma questão que esteve em aberto foi se os pais deveriam participar neste modelo de avaliação. Agora em minha opinião e também conforme foi referido por um dos intervenientes julgo que sim que é indispensável.

Tal como refere um dos convidados da assistência, recorrendo ao futebol como analogia, os treinadores são diariamente avaliados bem como os jogadores. É isso que os faz procurar ser melhores e vencedores. E os melhores avaliadores dos treinadores são os próprios jogadores. Também, pela mesma lógica de raciocínio, os pais podem ser bons avaliadores dos professores.

Finalmente ainda a destacar o facto de ter sido salientado que a disciplina, o esforço e a dedicação como factor essencial para uma escola de sucesso. Um dos convidados sublinha uma frase quanto a mim paradigmática: uma escola fácil não prepara os alunos para uma vida difícil.

Referiu ainda o aprumo e disciplina que testemunhou entre os alunos da Academia de Alcochete do Sporting como um exemplo a observar.

Não previmos isto no FRES quando há mais de um ano tomámos como tema mais relevante para trabalho a Educação. Parece que adivinhava-mos. Está como nunca na ordem do dia e prende a atenção das pessoas mais atentas e conscientes.

Agora esperemos pelo debate.

segunda-feira, março 03, 2008

Fuga das Estatísticas

Deveremos andar estatisticamente felizes por o número do desemprego baixar umas décimas ?

Há 3 semanas lia-se nas notícias que

“ Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que no quarto trimestre do ano passado a taxa de desemprego caiu uma décima para os 7,8%, e o número de desempregados atingia os 439,5 mil.”

Analisando estes números isoladamente até não parece muito mau. Mas numa altura em que aumentam o número de falências, com os sectores tradicionais de comércio e indústria a perderem dezenas de milhares de empregos, esta relativa “estabilidade” dos números do desemprego podem ter outras explicações.

Sendo um desafio interessante para os apaixonados da estatística, aqui fica a seguinte ideia:
- Porque não estudar a correlação entre a evolução do número de desempregados e a emigração no período dos 2 ou 3 últimos anos ?

Hoje li a seguinte notícia:

“ Portugueses em Espanha

Emigração para o país vizinho aumentou 40% em 2007

O número de portugueses a viver em Espanha aumentou mais de 40 por cento no ano passado. Madrid e a Galiza são as zonas preferidas de quem resolve emigrar e já são mais de 100 mil os que residem para lá da fronteira. “

fonte:
http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/20080303_Portugueses+em+Espanha.htm

Se a Economia Espanhola e outras, como por exemplo as do Reino Unido, França e Suíca, continuarem a absorver os nossos desempregados a um bom ritmo, os números manter-se-ão em níveis estatisticamente satisfatórios.

É claro que isso será mais uma vez fruto dos sacrifícios de milhares de compatriotas nossos que, não acreditando mais no futuro do nosso país, rumam a velhos destinos, onde o valor do trabalho parece (ainda ) ser reconhecido.

Os que cá ficam, deveriam estar atentos.
Estamos ainda longe do cenário de um ex-presidente do Brasil quando disse
“ O nosso país está à beira do abismo, mas vamos dar um grande passo em frente”.

Não é no entanto um exagero, alertar para o facto de os sinais de abrandamento da nossa economia ( sobretudo das milhares de pequenas e médias empresas que estão a travar lutas dramáticas pela sobrevivência ) começarem a ser muito fortes.

sábado, março 01, 2008

Defeitos e Feitios

A presidência do Conselho de Ministros aprovou recentemente o Programa pagar a tempo e horas.

No portal

http://www.dre.pt/pdf1sdip/2008/02/03800/0116701172.PDF

encontramos a Resolução do Conselho de Ministros n.º 34/2008
publicada no Diário da República, 1.ª série — N.º 38 — 22 de Fevereiro de 2008

Nela podemos ler que

“ Na economia portuguesa tem -se verificado a prática de prazos de pagamento alargados em transacções comerciais. De facto, vários estudos internacionais estimam que o prazo médio de pagamentos em Portugal seja significativamente superior ao praticado nos restantes países europeus. A prática de prazos de pagamento alargados é comum aos vários agentes económicos, onde se incluem alguns serviços das administrações públicas e algumas empresas do sector empresarial do Estado.
A redução dos prazos de pagamento nas transacções comerciais na economia portuguesa para níveis próximos dos padrões internacionais melhorará o ambiente de negócios, reduzindo custos de financiamento e de transacção, introduzindo maior transparência na fixação de preços, criando condições para uma mais sã concorrência. Por isso, o Estado deve contribuir para essa redução, acrescendo ainda que a prática de prazos de pagamento alargados pelas
administrações públicas e empresas públicas tem um efeito de arrastamento a toda a economia.”

Como sempre, várias considerações se podem tecer sobre esta iniciativa indo desde o esperançado “até que enfim uma medida importante” até ao descrente “mais uma medida para não sair do papel”.

Se é certo que não é por decreto que todos vão começar-se a comportar bem, não é menos certo que seria bem pior não fazer nada.

Hoje, a concorrência já não se faz apenas a nível local. Há muitos anos que pertencemos a um espaço económico mais alargado ( a União Europeia ) e cada vez se sente mais os efeitos da globalização ( concorrência a nível mundial ).

Estes factos, aliados a uma necessidade cada vez maior de aproximação e transparência de regras entre os múltiplos agentes económicos, levam-me a aplaudir esta medida do Governo.

Diz-se na gíria, com algum abuso e muitas vezes com pouca graça, que “para pagar e para morrer, quanto mais tarde melhor”.

Este espírito de que os prazos de pagamento não devem ser cumpridos, distorce fortemente as regras de concorrência, criando dificuldades tanto maiores quanto menor for a dimensão da empresa e a sua robustez financeira. Muitas pequenas e médias empresas vivem hoje em dia uma situação asfixiante, não porque não tiveram um bom desempenho comercial, mas porque os cumprimentos financeiros dos seus clientes deixam muito a desejar.

Este é mais um assunto que dá “pano para mangas”. Não quero no entanto alongar-me, dizendo apenas que gostava que este programa estatal ( logo destinado aos organismos e empresas da administração publica ) fosse visto também como um bom exemplo a seguir pelas empresas do sector privado, sobretudo por aquelas que, tendo capacidade financeira para cumprir os compromissos com os seus fornecedores a tempo e horas, não o fazem apenas porque se assiste a um abusivo, “quanto mais tarde se pagar, melhor”.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

O Poder das Barragens

Para combater a escassez de água em períodos de seca e para possibilitar a produção de energia, constroem-se barragens.

As barragens possibilitam a retenção de recursos preciosos que, de outro modo, seguiriam o seu curso natural, sendo na maior parte das vezes desperdiçados.

Este exemplo do aproveitamento ou desperdício de um recurso importante, pode também ser aproveitado a propósito dos diálogos, debates, ideias e propostas, que proliferam na net.

Antes de aderir ao FRES e de termos criado o nosso blog, nem sabia o que era um blog. Hoje, constato a existência de centenas de blogs, com maior ou menor qualidade e com maior ou menor número de intervenientes e visitantes.

Numa altura em que se “acusa” a sociedade de ser pouco crítica e pouco criativa, é com agrado que constato que isso não corresponde à verdade. Com efeito, a capacidade crítica e criativa existe e está bem patente em muitos blogs, de que é exemplo o blog da quarta república, cujo link se encontra neste nosso blogdofres.
Acompanhando com interesse os animados debates neste blog, fico contudo com a ideia de que não deixam de ser “debates em circuito fechado”, restritos (involuntariamente) a um número regular de intervenientes.

Assim sendo, todos os interessantes debates, todas as importantes ideias e sugestões, representam gotas preciosas de água que, não existindo barragem onde se alojar, serão irremediável e lamentavelmente perdidas.

Toda a capacidade de produção de energia (necessária a uma transformação para melhor da sociedade em que vivemos) continua a ser silenciosamente desperdiçada.

O desafio que se coloca é então de saber como construir “barragens” para reter estas torrentes de ideias positivas.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Prós e Contras

Mediado como sempre por Fátima Campos Ferreira, assistimos ontem na televisão a mais um programa Prós e Contras.

O programa de ontem foi sobre a Educação tendo entre os convidados a Ministra da Educação e Professores.

Entre as principais questões analisadas, estiveram a avaliação de desempenho dos professores e o modelo de gestão das escolas.

De parte a parte ( Ministra da Educação e Professores ) os argumentos foram sendo apresentados, embora nem sempre da forma mais clara.

Como também é apanágio do programa, muitos aspectos foram revelados, uns mais surpreendentes que outros.

Num ano em que todos se lembraram de falar da Educação, desde o Presidente da República ao Primeiro-Ministro, passando pelos partidos da oposição que apresentam continuamente uma série de propostas, até à própria sociedade civil, é importante manter o discernimento sobre este tema que é de facto relevante pela sua transversalidade a toda a sociedade.

Para quem não tem oportunidade de assistir a este programa, dada a hora tardia que começa e, pior ainda, a hora bem tardia a que acaba, o day-after noticioso, seria uma boa oportunidade de ter um resumo lógico e coerente das principais ideias expostas pelos dois lados da “barricada”.

Em vez disso e nos habituais Jornais da Noite dos 3 canais com maior audiência, o tema principal foi que, graças a recentes decisões favoráveis a acções interpostas por professores, as horas por estes dispendidas nas chamadas aulas de substituição até Janeiro de 2007, poderiam ser reclamadas em termos financeiros, podendo (segundo foi noticiado) os professores requerer o respectivo pagamento.

Este facto pode ter até uma grande relevância para os professores envolvidos.
No entanto, ele teve o efeito de mais uma vez ofuscar tudo o resto.
Como poderemos pretender ser um país sério e evoluído se continuamos a ter os detentores das principais shares televisivas a noticiar com grande relevo um facto que deveria ser uma notícia secundária ?

É importante que se volte a caminhar no sentido de um jornalismo mais sério.

Nem toda a população portuguesa dispõe de tv por cabo ou por satélite.
Para quem ainda está reduzido a 4 canais, resta o oásis de qualidade que é o Jornal 2 , da RTP2. Não quero ser utópico e pedir que RTP1 , SIC e TVI alcancem a qualidade jornalística do telejornal das 22,00 horas da RTP2. Mas não deixa de ser confrangedor que a tão prometida diversidade ( 3 canais a darem notícias às 20,00 Horas ) se reduza a um “copiar” de lógica de informação, em que muitas vezes, ao mudarmos entre os 3 canais, vemos as mesmas notícias, transmitidas com a mesma linguagem e a mesma sequência. Chamar a isto pluralismo é um puro exagero.

Com desinformações destas, perdemos todos. Hoje perdemos por numa questão tão importante como a educação, só ficarmos a saber que alguns professores vão poder reclamar o pagamento de “horas extraordinárias”. Para uma sociedade a quem se pede um papel mais esclarecido e interventivo, sabe a pouco.

Otávio Rebelo

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Riscos de crise social

A propósito da tomada de posição da SEDES – Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, julgo ser pertinente uma pequena reflexão, na sequência do excelente e oportuno artigo apresentado pelo Otávio. Aliás, este é um tema na ordem do dia do qual, nenhum de nós, como cidadãos conscientes e atentos, nos devemos alhear.

A SEDES é uma Associação cívica com cerca de 37 anos de vida e provavelmente o mais antigo e notável Think Tank português. Ao longo do tempo tem tomada posições e apresentado propostas, ouvidas, respeitadas e seguidas pelos políticos, agentes económicos, empresários e decisores nacionais. Apresentando estudos e pareceres transversais a toda a sociedade portuguesa, sejam de carácter económico, orçamental, cívico ou político, a SEDES tem sido ouvida e respeitada.

No caso mais recente a que me reporto, verificamos que a mais recente análise da SEDES se limita a efectuar um diagnóstico da situação social actual. No mesmo, é-nos dito, entre outras coisas, que o país vive “um mal-estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional” ou que há “sinais de degradação da confiança dos cidadãos nos seus representantes” e ainda que “ se vive um sentimento de insegurança entre os cidadãos” para citar apenas alguns exemplos. De igual forma nos é dito que se assiste ao “afundamento da qualidade dos partidos” e que o Estado “tem uma presença asfixiante sobre a sociedade”.

São conclusões e afirmações verdadeiras as que aqui são produzidas. Porém, e mais uma vez, não passam senão de um novo diagnóstico, social e político, dos quais todos sabemos que estamos já bem servidos. Aliás Portugal é, como já muitos têm afirmado, um país de diagnósticos em que tudo é diagnosticavel mas pouco é concretizado.

Dada a honorabilidade de uma organização como a SEDES, julgo que seria benéfico para todos nós, cidadãos, políticos, empresários, gestores, encontrar nas palavras ou nas reflexões da SEDES, propostas, sugestões, linhas orientadoras de acção para a resolução dos problemas que a mesma apenas se limita a diagnosticar. De facto, a importância e o impacto que teve de imediato na sociedade civil e politica, o texto publicado no portal desta organização, os ecos que causou nas rádios e televisões ou as reacções partidárias, leva-nos a concluir que era preciso mais do que apenas um diagnóstico. Estas reacções são a prova da necessidade que o país tem de linhas de orientação provenientes da sociedade civil. Até parece que todos estavam à espera destas palavras. É para isso que servem as organizações similares, é para isso que servem os Think Tanks como a SEDES…ou o FRES.

Estes factos são igualmente a prova da necessidade de vermos o FRES e estarmos no FRES como verdadeiros empreendedores sociais. Para além de diagnósticos, urge apresentar propostas e soluções. Em breve retomarei a temática do empreendedorismo social e do seu impacto em todo o mundo através de dezenas de exemplos concretos.

domingo, fevereiro 24, 2008

Crises e Soluções

A Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES) alertou quinta-feira para um «mal-estar» na sociedade portuguesa que, a manter-se, dizem, poderá originar uma «crise social de contornos difíceis de prever».

Criada em 1970, a SEDES é uma estrutura que tem como preocupação reflectir sobre a situação económico-social do país e o último alerta que lançou pode também ser relembrado no link

http://www.millenniumbcp.com/SME/middle/04/showNew/0,3532,3-20080222011700-DIARIODIGITAL----true-,00.html

Tal como a SEDES, o FRES também segue atentamente os acontecimentos que têm implicações económicas e sociais, aplaudindo os contributos de todas as associações que com maior ou menor notoriedade, lutam por uma sociedade melhor.

O contributo recente da Sedes é particularmente importante por ter conseguido despoletar de imediato uma série de reacções e debates, envolvendo pessoas de diversos quadrantes.

Uma das questões que se coloca em torno deste alerta é o de tentar perceber se esta crise social terá origem numa crise económica ou se, pelo contrário, é a crise social que cria as condições para um agravar da crise económica.

Mesmo não querendo “abusar” da palavra crise, todos constatamos uma multiplicação de sinais preocupantes tais como: elevado número de desempregados, fraco dinamismo do mercado de emprego, aumento do número de falências e crescimento económico bastante abaixo do desejado e necessário para uma real revitalização da economia.

Tal como a questão popular de quem nasceu primeiro, se foi o ovo, ou se foi a galinha, também aqui poderiam ser analisadas as relações de causa-efeito entre a crise social e a crise económica.

Receio contudo que essa não seja a tarefa mais importante. Todos os estudos, debates e análises são importantes para se aferir a realidade com base em factos. No entanto, é também necessário ter presente o factor tempo. Enquanto o tempo vai passando, são milhares as pessoas afectadas pelos males económico-sociais acima descritos.

Numa altura em que as estatísticas estão na moda, é importante que se deixe de pensar nas pessoas como simples números estatísticos, analisados e interpretados sempre da perspectiva mais benéfica, distanciando-se do que está na origem dos números, ou seja, das pessoas, dos cidadãos, dos seres humanos que nos rodeiam e que por motivos alheios à sua vontade, enfrentam desafios de sobrevivência em condições cada vez mais precárias.

Também nesta semana e em entrevista televisiva, António Pires de Lima, presidente da comissão executiva da Unicer, comentou as alterações recentes efectuadas no seio da empresa. Relatou a necessidade de com rigor mas com custos sociais, terem sido feitas reestruturações organizativas.
O que achei mais curioso e esperançoso nos seus comentários foram dois factos:
1º - As reestruturações recentes que a Unicer fez tiveram o apoio e envolvimento dos trabalhadores. Não de todos, obviamente, pois certamente houve muitos trabalhadores que não queriam ser dispensados. No entanto, as administrações das empresas têm de defender o interesse global de accionistas e trabalhadores no longo prazo, sendo por vezes necessários os tão temidos sacrifícios. Quanto aos trabalhadores que ficaram, foi criado um clima de maior envolvimento na organização, que traz sempre resultados positivos. Sempre defendi que as reformas se fazem com as pessoas e não para as pessoas, sendo positivo o contributo de cada pessoa, de cada trabalhador(a).

2º - Sendo desejados os processos de racionalização, eles não podem ser a única via a enveredar porque, até a racionalização tem limites físicos. Torna-se então importante ter novas estratégias, novas medidas, novas acções que potenciem o crescimento económico da empresa. Essa ambição, assente em bases realistas, contribuiu para uma constante e maior motivação de todos elementos da organização.

Também o nosso país funciona como uma empresa. Se por um lado são necessários sacrifícios que trazem as sempre indesejáveis consequências económicas e sociais, por outro lado é necessário que os nossos administradores públicos e privados (leia-se Estado e Empresas Privadas) sejam capazes de tomar medidas motivadoras e que contemplem a participação activa dos cidadãos.
Otávio Rebelo

domingo, fevereiro 17, 2008

No interior da Cultura e a Cultura no Interior



A promoção da qualidade de vida dos cidadãos passa também pelo seu acesso a eventos culturais. Nas grandes cidades do país já existe uma boa e diversificada oferta, sendo também verdade que se pode sempre melhorar, em quantidade e em qualidade.

Quando nos deslocamos para o interior, esses momentos de recreação, lazer e cultura, tendem a ser mais escassos ou, pior ainda, inexistentes.
Foi por isso com bastante agrado que me desloquei ontem ao Sobral do Monte Agraço. Não se trata de um concelho do interior profundo. Está situado entre Torres Vedras e Arruda dos Vinhos, não estando pois muito longe de Lisboa. É contudo, uma terra pouco falada e pouco visitada, que acolheu ontem à noite um espectáculo de Jazz.
Confesso que não sou ( não era ) apreciador de Jazz. Habituado a ouvir um pouco de tudo, nunca tive muita predilecção por este género musical. Ainda assim, e por ter a opinião de que devemos ter a mente e os ouvidos abertos a novas sonoridades, resolvi descobrir então quem são os Lisbon Swingers e como iriam eles fazer a defesa da sua dama, o Jazz.
Os Lisbon Swingers são uma chamada Big Band, constituída por um grupo de amigos de diversas idades, interessados em interpretar grandes temas do Jazz, nomeadamente os clássicos americanos da era do Swing. Ensaiam sob a direcção de Claus Nymark e contam actualmente com cinco saxofones, um clarinete, oito metais, secção rítmica e duas vozes, tudo novidades para mim. Uma coisa é estarmos sentados no sofá de casa, ouvindo um cd. Outra bem diferente é vermos os intérpretes ao vivo, podendo apreciar como tocam cada um dos instrumentos. Esta orquestra foi constituída há mais de dez anos e realiza anualmente concertos por todo o país, levando estes “pedaços de cultura” a públicos pouco habituados a eventos desta natureza.
Ontem foram a população do Sobral ( e os visitantes ) presenteados com um muito bom espectáculo, onde foram dados a conhecer os sons de orquestras de referência da história do Jazz, como as de Count Basie e Duke Ellington. Para mim e num primeiro contacto ao vivo com o Jazz, mais importante do que estes nomes, foi o apreciar da actuação desta orquestra. Estiveram em palco cerca de 20 elementos que se entregaram de corpo e alma, demonstrando rigor e paixão. Foi sem dúvida uma óptima oportunidade de conhecer melhor este género musical.
Também ajudou o facto de estarmos numa sala bastante acolhedora. O Cine-Teatro do Sobral de Monte Agraço, com capacidade para 219 espectadores, apresenta-se como um espaço de descoberta em torno da Dança, Música, Teatro, Cinema e áreas multidisciplinares. A sua plena utilização ao longo do ano, dinamizada sobretudo pela Câmara Municipal, possibilita o desenvolvimento de um trabalho de sensibilização e fidelização de públicos, promovendo a elevação do nível de acesso cultural da população do concelho do Sobral e dos concelhos limítrofes.
Gostando de apreciar o que se vai fazendo no desenvolvimento e promoção da cultura, devemos estar orgulhosos por também no interior se estarem a fazer esforços produtivos no sentido da sua divulgação.
O frio da noite de ontem não chegou para arrefecer o entusiasmo da população, que saiu do Cine-Teatro com um sorriso de satisfação por ter presenciado um bom espectáculo cultural.

domingo, fevereiro 10, 2008

Um bom exemplo

Foi com enorme agrado que vi ontem na tv a notícia da construção e conclusão ainda este ano do Kartódromo do Algarve.

Para quem ainda não sabe aqui fica um link com a notícia

http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=556181


Este é um daqueles casos em que a alegria é múltipla, ou seja, há vários motivos para ficar contente:

1. É uma “pedrada no charco”, sendo de louvar esta iniciativa privada que representa um investimento de 200 Milhões de Euros.
2. É um projecto arrojado mas, assente em bases realistas. Foi concebido com base no detectar de um conjunto de oportunidades a vários níveis ( desportivo, turístico, tecnológico, etc ).
3. Mostra audácia e vontade prática de combater com acções os outros países.
4. Reabre a possibilidade de voltarmos a ter a F1 em Portugal.
5. Ainda não analisei totalmente as repercussões deste investimento, mas só a existência de um pólo tecnológico onde se pretende atrair marcas de prestígio como a Ferrari, demonstra a enorme mais valia deste projecto.
6. É um projecto sem intervenção directa do Estado, mas que o Estado vê com bons olhos, entre outros factores, pelo potencial de desenvolvimento económico de uma região carenciada de investimentos. Lembrei-me imediatamente do nosso estimado colega Ricardo Pedrosa e das suas análises das PPP´S ( parcerias público-privadas ). Também elas serão bem vindas pois muita da disputa internacional também se faz com a participação dos Governos de cada país.

Por tudo isto considero este um bom exemplo e uma machadada ( quantas ainda serão precisas ? ) nos “Velhos do Restelo”.

Otavio Rebelo

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Politica Internacional, eleições e eleitos

Em resposta aos desafios e reflexões do Otávio posso acrescentar alguns pontos de vista.

O Paquistão é um país relevante politica e militar no quadro internacional uma vez que pode contribuir (ou não) para uma situação de (des)equilíbrio geo-estratégico naquela região do globo.
Por um lado porque se encontra em fronteira com a Índia, gigante no contexto geográfico e futuramente em termos económicos. Poderá por isso retirar benefícios futuros desta fronteira sanados que forem os conflitos de natureza territorial existentes. Alimentando com este país uma relação tensa relativamente a domínios de tipo territorial, o Paquistão, recente aliado dos EUA pós 11 e Setembro, tem procurado marcar uma posição favorável junto do mundo ocidental. No entanto a sua mais recente história politica é contraditória e contrária aos propósitos que parecem conduzir a sua diplomacia económica e politica actual. O Paquistão, pela sua posição geográfica relativamente ao Afeganistão e Iraque tem sido alvo de desconfianças por parte dos países ocidentais, em especial nos momentos pós guerra Afeganistão - União Soviética e pós ocupação dos EUA ao Afeganistão. Por todas estas razões o equilíbrio político no quadro interno será essencial para um equilíbrio e transparência de relações com o ocidente. Tanto mais que o papel económico futuro da índia no Mundo exigirá (sob pena de as relações ocidentais com uma parte da Ásia serem afectadas) essa clarificação.

O Quénia é um país de África. Visto muito recentemente como um exemplo a seguir em termos políticos e até económicos, vê agora quebrar-se esse equilíbrio e a imagem de um país a caminhar para o desenvolvimento e para uma democracia madura. Novamente as questões tribais (e sempre elas) a colocarem um travão no desenvolvimento humano, económico e social. As questões culturais (pensemos bem) a sobreporem-se a todas as outras. A comunidade internacional (entenda-se as Nações Unidas) tem obrigatoriamente aqui que desenvolver um papel interventivo (de diplomacia politica - quiçá em breve na ajuda a deslocados) no sentido de procurar estancar este perigo que poderá certamente alastrar a outros países fronteiriços (países de grande instabilidade politica. Sudão e Burundi por exemplo) que, como é usual em África, tomarão partido de alguma das partes.

EUA. Os comandos do planeta! Sou algo tendencioso aqui. As eleições nos EUA são determinantes para um novo quadro de relações internacionais deste país com o resto do mundo, o que em muito influenciará o clima de confiança política e sustentação/reforço de cariz económico entre os diversos blocos. A desastrosa politica externa (e interna) da actual administração americana, desconstruíu o que havia sido construído/edificado na era Clinton-Gore. Os EUA necessitam de uma nova administração (e o resto do mundo também). Voltar ao diálogo, à diplomacia económica e politica é um imperativo, mudar a imagem dos EUA face ao resto do mundo é imperativo. A estabilidade politica, social e económica nos EUA é um anti-depressivo, um paliativo ou um analgésico (conforme queiramos) para as dores que a Europa, Ásia e Médio oriente sentem agora.

sábado, fevereiro 02, 2008

Politica Internacional num Mundo Interdependente

Caro Octávio,
Como solicitastes um comentário sobre três Países estratégicos para a estabilidade mundial gostaria de dar o meu pequeno contributo numa análise de caracter geopolitico:

Relações Paquistão-India

O Paquistão é um pais relevante na cena internacional,pois, é um aliado estratégico dos EUA na região e serve como balança de poderes regional em relação a India a superpotência regional em grande ascensão que também faz parte do clube BRIC (Brasil, Rússia, India e China). O Paquistão ao ser aliado estratégico dos EUA na luta contra o terrorismo está ao mesmo tempo a dizer ao Estados Unidos: " aproxima-te de mim,pois, a India está a aproximar-se da Rússia"

Para a politica externa americana, contudo, também não lhe convém um distanciamento em relação a India dado o peso desta potência no sistema económico mundial e as privilegiadas relações comerciais que possui quer com a Europa quer com a China.
A India e o Paquistão têm religiões diferentes apesar de serem ambos filhos do Império Britânico (um País é maioritariamente Hindu e outro é Muçulmano). Como dizia Henry Kissinger a politica internacional é feita de equilibrios de poderes e a estabilidade do sistema multipolar implica a existência de vários poderes (EUA, União Europeia, Rússia, India e China) com capacidade de projecção internacional.
Quando o centro do Mundo se transfere do Ocidente para a Ásia é obvio que numa análise estratégica temos que ter sempre em conta a região da Ásia e o Sub-Continente Indiano.

Quénia -

A instabilidade politica no Quénia um dos paises mais estáveis do Continente Africano e com uma capital Nairobi que alberga vários escritórios regionais das Nações Unidas e que era considerado um modelo de democracia africana está neste momento a criar condições para um instabilidade regional que pode afectar paises vizinhos como Burundi, Ruanda, Uganda e Sul do Sudão. Na opinião de alguns analistas internacionais as causas desta instabilidade são questões tribais, de conquista de território e de acesso a recursos. A União Europeia e os Estados Unidos principais doadores do País estão preocupados com a situação dai que a ajuda humanitária no terreno seja uma prioridade bem como o regresso a normalidade.

Estados Unidos - Eleições
As eleições nos EUA são bastante importantes para todos nós cidadãos comuns deste mundo globalizado já que irão ter implicações quer na economia mundial quer no pós eleições no formular de uma poiltica externa americana de carácter menos unilateral e mais multilateral de diálogo e de aproximação as restantes superpotências. A Politica externa americana no Médio Oriente e as relações com os Países da América Latina serão sem dúvida para ambos os candidatos Hilary Clinton ou Obama prioridades da agenda politica internacional. Vamos aguardar novos desenvolvimentos.......

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Os eleitos


Este é um artigo aberto.
Aberto porque não expressa nenhuma opinião concreta.
Apenas aborda o tema das eleições em geral, apelando a contributos preciosos dos leitores do blog sobre cada um deles em particular, ou sobre as possíveis ligações ou implicações entre eles.
Também se pode chegar à conclusão que relatam apenas realidades diferentes e completamente independentes.

1ª Eleição – Paquistão
Nunca me apercebi bem da importância estratégica do Paquistão, mas a sua posição central em relação a muitos problemas económicos, religiosos e políticos, há-de ter alguma relevância. O Paquistão está rodeado de países como a Índia , o Afeganistão e o Iraque entre outros, e a importância da estabilidade neste país parece-me que tem muitas implicações a nível local e até global. Agradeço a quem possa acrescentar contributos ou visões sobre a relevância ou não do Paquistão, que o faça para que possamos enriquecer-nos em termos de conhecimento político-geo-estratégico.

2ª Eleição – Quénia
Num mundo cada vez mais “civilizado”, parece-me terrível o alastrar e o arrastar das barbaridades que se estão a cometer neste país, sob o olhar sereno ? impotente ? indiferente ? do nosso mundo ocidental e cheio de valores. As sociedades civis estão ainda muito desorganizadas e gostaria de saber o que poderemos fazer para pressionar os Líderes mundiais a dar condições à ONU para por termo a tragédias como estas.

3ª Eleição – EUA
Ano de eleições presidenciais nos EUA , parece um ano de festa, onde o circo muito bem montado, centra-se sobre si próprio, alheando do resto do mundo. Queria também perceber se estas eleições podem trazer alguma coisa de novo ao mundo, dado os EUA terem uma importância tão espalhada pelos 4 cantos do mundo.

Agradeço todo e qualquer contributo, pois cada opinião particular ajuda a entender e formar uma melhor opinião colectiva, por vezes tão necessária e importante.

Otávio Rebelo

terça-feira, janeiro 22, 2008

A Islândia como um exemplo


Um exemplo: A Islândia.

Um pequeno país (um pouco apenas maior que Portugal) onde 11% do território é coberto por glaciares. Grande parte coberta por gelo. População de 305 mil habitantes. O PIB per capita está 19% acima da média da UE e 28% acima da média dos países da OCDE. Representa 80 vezes o PIB per capita português! Gente produtiva e culta (30% com ensino superior). O facto de ser pequeno e sem recursos naturais e rquezas para além da pesca, não o impede de ser um dos mais prósperos. É certo que a dimensão populacional ajuda.

O que se distingue? Comportamento cívico, educação, cumprimento de regras e sentido de união e participação. Preocupação com o futuro e com as gerações vindouras. Preocupação com o legado futuro. Tudo é levado a sério porque tudo a todos diz respeito.

Em Portugal, assistimos à ausência de disciplina, sentido cívico e de participação. Pese embora termos tudo aquilo que a Islândia não tem em termos naturais, físicos ou geográficos. Apesar de tudo somos mais centrais na Europa, temos sol, gastronomia e turismo. Mas falta-nos a atitude. Tudo se resume à atitude. Porque os problemas da educação não são culpa deste ministério apenas, os professores são co-responsáveis pelo estado das coisas. Porque na justiça os magistrados e juízes são co-responsáveis pelo estado das coisas. Porque na saúde não é apenas o ministro que falha. Os médicos são co-responsáveis pelo estado das coisas. Porque é sempre mais fácil o queixume e repassar as culpas para os outros. Para aquele alguém que normalmente é o Estado ou o Governo, esquecendo-nos que o Estado somos todos nós e que o Governo fomos nós que o elegemos.

Não sei se somos uma geração rasca (nunca tive tantas dúvidas ) mas somos certamente uma geração à rasca pois ainda não nos encontrámos. E estamos já ou muito perto dos 40 ou já acima dos 40. Por muito paleio político que assistimos à nossa volta, os problemas persistem, o atraso mantém-se, as fraquezas cá estão e da cauda desta Europa não saímos. Este é o legado aos nossos filhos?!!
Aqui neste espaço alguns de nós saem por detrás da moita e afirmam-se, gritando alto com as armas que dominamos: a palavra e a escrita. Como na rábula do Otávio "fazemos a nossa parte". Outros ainda se mantêm por detrás da moita. Será, estou em crer, uma questão de tempo e de coragem. Necessidade de ajuda do Grupo ao seu aparecimento e afirmação. Muitos concordam outros não. Mas acreditar nisto ou não distingue as atitudes. Como está filosoficamente classificado, somos o país da "não inscrição". No FRES remamos contra a maré - lugar comum mas verdadeiro - pois não conheço ainda igual. Certamente haverá melhor, mas diferente do que somos e fizemos. Isto é o que temos ouvido. Mas não chega e é ainda muito pouco.

sábado, janeiro 12, 2008

Ataque à Razão


Este é o título do livro que estou a ler e cujo autor é o ex-vice presidente americano Al Gore recentemente nomeado Prémio Nobel da Paz em 2007.

Diz Al Gore que “ Como cidadãos, se não estivermos bem habituados a usar as palavras e se não as soubermos utilizar correctamente como um meio de exercermos o nosso poder, isso reduzirá a nossa capacidade para manter a razão firmemente no seu lugar”.

Não só nos Estados Unidos da América obervamos que a razão está a faltar ao povo, nos EUA pelas razões descritas no livro, o qual a propósito recomendo aqui aos meus amigos fresianos, mas também no nosso país verificamos a ocorrência de fenómenos semelhantes de desnorte e perca da razão (nem tão pouco pela prevalência da fé sobre aquela uma vez que não me parece que seja a fé a mover e influenciar os nossos comportamentos e atitudes).

Já antes aqui referi a leitura de José Gil, segundo o qual os portugueses se demitem civicamente de todas as suas responsabilidades de cidadania, naquilo que classifica como uma sociedade da “não inscrição”. Ao ler Gore, verifico que este se encontra igual e sériamente preocupado com este fenómeno na sociedade americana e escreve um livro exactamente para dispertar as consciências (aquele que esteve muito perto de ser o homem mais importante do mundo em termos políticos – mas que foi já o segundo).

Digo isto a propósito dos mais recentes acontecimentos vividos em Portugal, os quais, apesar do mediatismo, passam ao lado da maioria dos cidadãos (é assobiar para cima ou para o lado ou chutar para canto – como dizemos na gíria). Fenómenos como o mais recente escândalo financeiro vivido no seio do maior banco privado nacional, do qual muitos de nós cidadãos anónimos sejamos talvez accionistas ou clientes, reflectem o estado da vivência a que assistimos no país, onde entidades de supervisão (não se entende muito bem) parece terem-se demitido de assumir as suas responsabilidades (pelo menos na sua quota parte de responsabilidades) e que nos confunde quanto ao nosso julgamento sobre a seriedade, verticalidade, racionalidade e confiança que sempre nos mereceram aqueles que o dirigiam (não nos lembrava qualquer coisa como Deus pátria e familia?).

Ou o fenómeno a que assistimos na televisão sobre as dezenas de camas nos corredores das urgências do hospital de Faro (o maior do sul do país e da região algarvia) onde, por falta de condições logísticas, de espaço, médicos ou enfermeiros (eu sei lá que mais) nos foi permitido assistir a um cenário típico do mais terciário dos países do chamado terceiro mundo. Falta de dinheiro para novos hospitais? Para alargamento dos actuais? Para contratar médicos?

Mas teremos o TGV (aquela alta velocidade) que sairá do bolso dos mesmos contribuintes que se encontram naquelas macas nos hospitais.

E temos o Sr. Vara que, fenómeno espantoso, se transfere de armas e bagagens como funcionário público do maior banco nacional, embarca no combóio da alta administração para a alta administração do maior banco privado português. Mas pretende-se que se mantenha no primeiro no regime de licença sem vencimento!!!. Funcionário assim de dois bancos directamente concorrentes. Algo sinistro.

Nada tenho a dizer sobre as listas de candidatos, pois é aos accionistas que compete mandar e decidir sobre quem querem a conduzir os destinos do banco (ou pelo menos dessa responsabilidade não se livram). Mas a todos aqueles que são profissionais na banca, lhes pergunto se tal lhes seria a si permitido tal qual se pretende permitir, como tudo leva a crer, no caso do Sr. Vara.

E não tenho visto grande debate e movimento ou pronunciamento sobre estes fenómenos. Estamos calados, julgamos que não é nada, estamos até de acordo e não estranhamos certos fenómenos ou se calhar pensamos “é o costume” encolhendo os braços.

O que fazer então perante fenómenos como estes, para além de debatê-los? Para já debatê-los e denunciá-los efectivamente. Aqui , no Blog, na imprensa jornalística. É assim o princípio democrático em qualquer sociedade desenvolvida e solidária, despertar consciências, apelar ao grito da sociedade civil.

Depois algo mais. Em termos práticos? Encerrarmos contas bancárias, vendermos acções, desligarmo-nos. Mudar de banco. Promover abaixo assinados para impedir fenómenos como o do hospital de Faro e lutar contra o TGV talvez mesmo com manifestações de rua, exigindo a transferência de fundos da UE e do Estado, de combóios vazios para hospitais cheios de gente.

terça-feira, janeiro 08, 2008

A Realidade do País ou as Realidades do País?


Num mundo cada vez mais globalizado, os países que não estão isolados, estão naturalmente sujeitos a alterações exógenas. Estas alterações ocorrem a ritmos cada vez mais acelerados e associam-se a alterações internas que cada país procura implementar para a melhoria de vida das suas populações.

Muito se tem debatido sobre as mudanças que estão a ocorrer em Portugal em todos os sectores. Os sectores que mais notoriedade têm são sobretudo o do trabalho e segurança social, o da saúde de e o da educação. Embora existam outros sectores como o da justiça, também ele objecto de muitas polémicas, os sectores atrás referidos têm sido os que maiores mobilizações têm captado em termos da sociedade portuguesa, quer a nível de debates, quer a nível de contestações traduzidas, entre outras formas, por greves e manifestações.

Se no ponto de partida todos parecem concordar com os princípios que estão na origem dos problemas e na necessidade de se encontrar soluções, já o mesmo não sucede no ponto de chegada, onde as soluções escolhidas são fortemente contestadas.

Impõem-se então as perguntas: O que está a falhar? Porquê uma contradição tão gritante entre posições cada vez menos consensuais, quando se implementam soluções que supostamente deveriam ser benéficas para todos?

Sendo esta uma questão fulcral, que estará sempre presente, qualquer que seja a área de debate escolhida, sugiro as seguintes pistas para obtenção de respostas que poderão nortear futuros debates em torno destas questões:

1. Muito se fala da realidade do país, quando o que deveríamos ter em mente deveriam ser as realidades do país. Num país marcado por fortes assimetrias regionais em termos de desenvolvimento sócio-económico, é profundamente errado reduzir a padrões e soluções standard, problemas diferentes, fruto de especificidades próprias do meio em que ocorrem.

2. Em todas as acções a implementar, existem por um lado os planificadores das acções e por outro lado, os destinatários das mesmas. Os decisores devem ter em mente que as soluções que preconizam só terão sucesso se forem decisões que tenham em conta a participação das pessoas. Não se deve fazer para as pessoas mas sim fazer com as pessoas, que deverão em qualquer sistema, ser tidas em conta nos processos de mudança.

3. As bases de estudo das realidades têm de ser amplas, profundas e actuais. Só deste modo poderemos ter uma maior garantia de proximidade das realidades, na elaboração de premissas que estarão no cerne de muitas tomadas de decisões que irão condicionar o nosso presente e o nosso futuro.

4. Os recursos humanos, materiais e financeiros disponíveis têm de ser quantificados. Este dado é absolutamente vital. Diz o povo na sua milenar sabedoria popular que “Não se fazem omeletes sem ovos”.

5. Esclarecidas as questões internas acima indicadas, interessa perceber em que “quadro de relações externas” estas realidades estão a ocorrer, ou seja, de que forma o que se passa no mundo, afecta as medidas que se implementam a nível nacional.

6. Todos os factores acima indicados, devem ser objecto de uma comunicação clara aquando da tomada das decisões. Estas nunca serão pacíficas pois conciliar interesses sempre tão diversos, ainda por cima em cenário de contenção financeira (porque não vivemos num país rico) nunca será tarefa fácil. Importa pois que as decisões tomadas sejam as mais correctas possíveis e sejam entendidas como tal, de forma a haver maior canalização de esforços para o trabalho efectivo de implementação de medidas necessárias.


Estas pistas procuram entender as diversas posições intervenientes nas mudanças presentes e futuras. Só procurando amplos consensos poderemos abarcar um maior número de realidades do país, promovendo medidas que, não sendo satisfatórias na totalidade, terão um maior campo de acolhimento, realizando objectivos comuns do povo e dos governantes, ou seja, a melhoria de vida das populações.

Otávio Rebelo

sábado, janeiro 05, 2008

INTEGRAR

Bom dia, boa tarde ou boa noite a todos.
Ao lerem estas palavras já estarão “fartos” de ouvir desejar um Bom Ano de 2008.

O desenvolvimento tecnológico que atingimos já nos permite controlar muita coisa.
Um simples click numa tecla de um telemóvel, computador ou de um dos muitos telecomandos que possuímos, proporcionam rapidamente a concretização de muitos desejos.

Contudo, (in) felizmente, ainda há muitos acontecimentos que não estão ao nosso alcance.

Não somos nós que determinamos quando anoitece ou quando nasce o Sol.
Não somos nós que controlamos a chuva, a seca, o frio ou o calor. Não somos nós que controlamos o tempo atmosférico nem o tempo cronológico que mede, pacientemente, a nossa passagem por este lindo planeta azul.

Quem não tem o desejo de ser jovem ou saudável eternamente?

Quer os que acreditam na vida eterna, quer os cépticos em relação a qualquer forma de vida para além da nossa existência como comuns mortais, co-habitam hoje e agora, um espaço maravilhoso mas, limitado.

Só partindo da compreensão dos limites espaço-temporais que balizam as nossas vidas, poderemos verdadeiramente encontrar novas e melhores formas de interacção com os que nos rodeiam nos nossos lares, nos nossos locais de trabalho ou nos espaços comuns que a vida em sociedade nos proporciona.

É verdade que os limites cada vez são mais apertados.

Se conduzimos não podemos ultrapassar os limites “x” ou “y” consoante as estradas em que estivermos.
Se estivermos rodeados de pessoas que estão sossegadas ou a descansar, não podemos ultrapassar limites sonoros ao ponto de as prejudicar.
E agora, mais recentemente, se estivermos em locais fechados ou pouco ventilados, não podemos fumar.

Todas estas limitações parecem anular aquilo que o ser humano mais preza, a sua liberdade.

Não pretende esta pequena reflexão comentar quais os limites da nossa liberdade.
O facto incontornável é que a limitação da liberdade existe, em maior ou menor grau, consoante a hora e o local onde estivermos e também, de acordo com as pessoas que nos rodeiam.

Assisto com alguma preocupação à forma como nós estamos a reagir a todas estas alterações que nos são impostas.

Alinhando com aqueles que defendem a vida em sociedade, não me agrada que todas estas medidas tornem cada um de nós num cidadão isolado no “seu mundo”, com maior ou menor segurança financeira e rodeado de maior ou menor conforto material mas sempre, isolado.

O isolamento e a solidão têm efeitos muito nefastos. Num contexto de aparente bem estar, proporcionado pelo conforto e segurança material, ocorrem episódios (mais ou menos intensos) de distanciamento de quem nos rodeia.
O distanciamento, contrariamente ao que muitos pensam, tem dois sentidos: distanciamo-nos de quem nos rodeia, alheando (confortavelmente) dos seus problemas e, criamos barreiras a que os outros se apercebam dos nossos problemas.

A realidade obriga-nos a perceber que vivemos num mundo cada vez mais competitivo em que se luta, na maior parte dos casos, ainda com regras de respeito pelos outros.

É neste contexto que devemos fomentar a integração. Se não conseguirmos uma integração imediata e universal, podemos sempre começar pela integração de quem nos rodeia.

Pessoalmente, gosto de vencer desafios, mas não gosto de vencer desafios onde as armas estão todas do meu lado. É desta integração que precisamos para verdadeiramente vivermos num mundo melhor. Ao ajudarmos alguém a crescer, não o podemos fazer “aterrorizados” com a ideia de que esse alguém nos vai anular.

Todos nós neste projecto do FRES ou em qualquer projecto em que estejamos envolvidos, podemos sempre fazer mais e melhor. O contributo de cada um, por mais simples que seja, é um passo no sentido da integração. Esses passos devem ser dados sem receios.

Parece um pouco “mais do mesmo” mas, aproveitando o facto de estarmos em período de mais umas eleições presidenciais na América, repesco e adapto a mítica frase de Kennedy, dizendo, não questionem o que o mundo que nos rodeia pode fazer por nós, mas o que nós podemos fazer por este (único?) mundo.

Otávio Rebelo

sexta-feira, dezembro 28, 2007

TERMINADO 2007 VIVA 2008


Mais um ano terminado e profícuo em actividades do FRES. Mais um ano de franca e cordial convivência entre todos os fresianos e alguns dos seus convidados.

Diversos foram os encontros onde foram abordadas temáticas tão diversas e de forma viva e entusiástica como o foram temas como o grande debate sobre sistema de educação nacional – o nosso grande tema do ano – a problemática da manutenção dos centros de decisão em mãos nacionais ou as reformas do sistema nacional de saúde em especial no que concerne ao encerramento de serviços de urgência ou maternidades.

Ao longo do ano estudámos o ensino de países como a Alemanha, a Finlândia, a Irlanda, Índia, Islândia ou EUA. Debatemos, com mais ou menos polémica, opiniões, pontos de vista, percepções de todos e entre todos. Foi um ano de interessantes debates, troca de conhecimentos e experiências. À semelhança do que tem sido o FRES desde a sua fundação.

Publicámos interessantes trabalhos fruto dos debates e reflexões surgidas de encontros realizados e de jantares/debate sempre animados. Em especial os temas sobre os centros de decisão nacionais e as reformas do serviço nacional de saúde, temas estes saídos da reflexão dos nossos jantares/debate.

Terminado 2007 viva já 2008.

Para o novo ano temos já em carteira novos projectos como a abordagem a temas como a importância das cidades como centros de desenvolvimento regional e o seu papel sociológico nos comportamentos ou ainda a temática do Género – barreiras e dificuldades do ser feminino – no contexto da sociedade moderna.

Viva 2008, vivam os fresianos, viva o FRES.

A Direcção do FRES

quarta-feira, dezembro 12, 2007

12º Encontro Geral do FRES


Estimados fresianos, visitantes e comentadores

Foi realizado na passada sexta feira dia 7 de Dezembro, o 12º Encontro do FRES na Delegação de Lisboa da PME Portugal.

Entre outros temas o debate focalizou-se em especial no estudo que o Fórum está a desenvolver sobre o sistema de educação nacional.

O debate foi dirigido em especial para a problemática e importância dos rankings nacionais das escolas (serão relevantes?) e para a questão dos incentivos à participação dos pais e alunos no processo escolar e nas iniciativas das escolas.

Este modelo é por exemplo aplicado em alguns Estados americanos como Nova Yorque.


Saudações fresianas

quarta-feira, novembro 28, 2007

Vantagens de um clima ameno para a Saúde


Portugal pode ser um destino para doentes europeus é a notícia.

Diz recentemente o Director da área da saúde da comissão europeia que “Portugal tem todas as condições para ser um destino prioritário na área da saúde graças ao óptimo clima e aos baixos preços”.
Mais uma vez o clima e as condições naturais quase únicas.

Quando a nova directiva comunitária estiver em vigor, tal oportunidade será uma realidade para o país. Esta é uma nova e interessante oportunidade para os responsáveis da saúde uma vez que têm aqui a possibilidade de trabalhar com algum tempo nesse sentido, melhorando os serviços, estabelecendo uma estratégia complementar para a captação de doentes de outras nacionalidades. E esta estratégia é particularmente importante para a oferta de cariz privado.

Preparar pacotes de turismo e saúde, como é aliás feito já em alguns países como a República Checa, a Polónia e a Hungria, com passeios pelos rios, serras, rotas turísticas diversas.

Enfim, modernizar o país e trazê-lo para a linha da frente. Estamos ainda longe disso, se atender-mos à qualidade da saúde que nos dias de hoje ainda está de alguma forma generalizada em Portugal, em muitas unidades de saúde. E é cá dentro que em primeiro lugar temos que actuar.

Mas o futuro e as oportunidades estão aí.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Reformas no Sistema Nacional de Saúde - V


5.Em defesa de apoio psicológico

Para além das propostas para o SNS, importa referenciar igualmente os comportamentos dos profissionais de saúde e a qualidade do apoio psicológico que qualquer unidade de saúde deve prestar, factores determinantes para a população aferir sobre a qualidade dos serviços de saúde.

Verifica-se em Portugal, por demasiadas vezes, uma falta de sensibilidade (em particular nas grandes unidades hospitalares) para as questões relacionadas com o apoio psicológico e emocional que em muitos casos tem que ser prestado não só aos doentes mas aos seus familiares. Este apoio pode muitas vezes resumir-se apenas à prestação de informações à familia sobre o estado do doente ou do resultado de uma intervenção cirúrgica. Estes comportamentos reflectem a falta de alguns conhecimentos ou de formação básica em psicologia que consideramos ser absolutamente necessários a um profissional de saúde competente.

Os doentes (ou os seus familiares) num qualquer hospital, são sempre “clientes” em situação fragilizada pelo que o apoio emocional e psicológico, por mais simples que seja, é muitas vezes indispensável. Um apoio familiar adequado é um factor determinante para a classificação do que é “a qualidade da saúde do país”.

terça-feira, novembro 13, 2007

Reformas no Sistema Nacional de Saúde - IV


4.Propostas para o SNS

A grande questão a colocar às pessoas é se julgam que o Serviço Nacional de Saúde deve ou não assegurar o serviço básico de saúde a todos os cidadãos, independentemente da sua capacidade financeira. Em nossa opinião julgamos que sim uma vez que esta é claramente para nós uma função social do estado ao qual ninguém se deve substituir. Este é um dos papeis fundamentais que assiste a um estado de direito, moderno, democrático e cumpridor dos principios de solidariedade social. Todos devem ter acesso livre e gratuito à saúde, ainda que, em certos casos, possa haver lugar ao pagamento de taxas moderadoras ou para serviços complementares, sempre no estricto cumprimento do principio da equidade i.e., quem mais paga, é quem mais pode pagar.

Aceitamos contudo um modelo complementar de serviço de saúde privado, utilizado por todos aqueles que apresentem condições financeiras de o pagar. Este pode e deve ser colocado em casos excepcionais ao serviço do cidadão comum, no âmbito do serviço público, sempre que este não esteja em condições de actuar no âmbito público, pela urgência ou gravidade de determinadas situações. O seu custo deverá ser, nestes casos, suportado pelo estado.

Um outro factor que afecta a boa prestação dos cuidados públicos de saúde prende-se com a descentralidade dos serviços. A designada desertificação do país deve ser tida em atenção, de modo a não se criarem fenómenos de descriminação quer na qualidade e diversidade dos serviços prestados quer na disponibilidade dos equipamentos. Nos casos em que estamos perante situações de interioridade, a politica da saúde não pode ser medida e avaliada apenas por critérios economicistas relativamente às unidades prestadoras desses serviços. Estas deverão ser preocupações de um estado social. Acreditamos seguramente que se houvessem condições técnicas e pessoais, provavelmente muitos médicos e profissionais de saúde estariam disponíveis para trabalhar fora dos grandes centros urbanos. Parte do problema reside, sabemos, na falta de dinheiro, o que não permite expandir os investimentos para um interior menos povoado, levando assim ao corte das verbas para onde há menor procura de serviços médicos.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Reformas no Sistema Nacional de Saúde - III


3.Que investimentos alternativos?

Em face das limitações orçamentais onde é que se torna prioritário investir? Em megaestruturas como o novo aeroporto na OTA ou no TGV? Numa nova cidade aeroportuária? Ou em novos hospitais e centros de saúde adequados às características demográficas de uma população cada vez mais envelhecida? Se o país não apresenta capacidade financeira para abraçar todos os grandes (e importantes não temos dúvidas) projectos, terá que fazer escolhas e opções. E estas parecem-nos claras. Não há estado de direito verdadeiramente solidário e social que não proporcione aos seus concidadãos a dignidade de uma saúde tendencialmente gratuita mas onde se favoreça de igual forma um serviço de saúde privado, visando este naturalmente o lucro, como uma qualquer outra actividade económica mas exigindo-se dele a melhor qualidade.

O que terá maior impacto na competitividade, notoriedade ou reputação do país face ao exterior? Aquelas infra-estuturas ou uma rede de hospitais e unidades de saúde do melhor nível, com profissionais de saúde altamente motivados e dedicados, que sirva não só os cidadãos nacionais mas todos aqueles que nos visitam (temos uma população europeia igualmente envelhecida) tornando assim o país apelativo e atractivo a quem nos pensa visitar? Não será o turismo uma das apostas estratégicas de Portugal para o futuro?

Pensamos que para a coexistência de um bom serviço de saúde público com um privado de elevado nível podem adoptar-se nalguns casos o modelo das parcerias público-privadas, do qual resultará, se desenvolvido de forma correcta e eficaz, uma solução favorável à população. Parece-nos lógico combinar a experiência pública e a capacidade financeira do estado na área da saúde, com os meios e experiência de gestão que alguns operadores privados podem trazer para esta relação. Há na Europa bons exemplos destas parcerias, que funcionam com benefícios e custos equivalentes para ambas as partes ( à parte o modelo de saúde nórdico que privilegia o papel e a responsabilidade social do estado nesta área e que é no entanto um modelo de sucesso).

segunda-feira, novembro 05, 2007

Reformas no Sistema Nacional de Saúde - II


2.O papel da tutela

Um outro problema do SNS que não tem que ver com a qualidade dos médicos e enfermeiros ou outros profissionais da saúde, diz respeito à qualidade da tutela e da sua capacidade de gestão. Sabemos que ao longo de muitos anos Portugal andou aos ziguezagues na condução das políticas de saúde, com governos que iniciavam dossiers que outros não concluíam. Vivendo sucessivas e nem sempre coerentes reformas, o SNS sofreu também com a variabilidade do pensamento e estratégias politicas e dos politicos.

Hoje temos a certeza de que a boa prestação de cuidados de saúde nos hospitais e centros de saúde, passa pela boa organização de todo o sistema, medindo-se aquela não só pela atenção e profissionalismo dos médicos e enfermeiros, mas por uma boa capacidade de gestão, pela competência da tutela em exigir aos condutores das politicas de saúde a nível micro (entenda-se na gestão hospitalar) objectivos, metas e resultados. Por sua vez, estes gestores hospitalares, devem ser escolhidos por critérios de competência, capacidade de liderança e provas dadas, devendo ser não só motivados a cumprirem os seus objectivos e metas mas também sendo capazes de liderar e motivar aqueles que dirigem.

No fim da linha, a tutela deverá controlar de forma rigorosa a gestão da saúde, observar as metas alcançadas e definir as necessárias correções a implementar. Sabemos que foi isto que falhou em Portugal durante muitos anos. Ora isto significa gerir os hospitais como organizações empresariais, que actuem de forma eficiente e eficaz, cumprindo com os seus objectivos, gerindo orçamentos por vezes apertados, satisfazendo os seus clientes (utentes) e atingindo os resultados pré-definidos.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Reformas no Sistema Nacional de Saúde - I




Iremos passar a apresentar os diversos capítulos que constituem o trabalho de diagnóstico, reflexões e recomendações da equipa do FRES que se debruçou sobre as reformas em curso no Sistema Nacional de Saúde.

1.Reforma da rede de urgências

Em Janeiro deste ano foi apresentado pelo Ministério da Saúde através de uma comissão técnica de avaliação e apoio ao processo de requalificação das urgências, o relatório final com propostas concretas sobre a rede de urgências nacionais.
Este relatório apresenta um conjunto de nove critérios de avaliação e a consignar no âmbito das reformas propostas. Em termos globais são apresentadas dezassete propostas de reajustamento à rede de urgências.
Dada a sua extensão não nos iremos debruçar com detalhe sobre todos os pontos propostos neste relatório mas apenas reflectir sobre o que nos parece merecer particular atenção.

Estão definidos três níveis de serviço de urgência quando o anterior regime definia apenas dois. São estes o Serviço de Urgência Polivalente (SUP) o Serviço de Urgência Médico-Cirúrgico (SUMC) e o Serviço de Urgência Básico (SUB). Estes diferentes níveis de urgência distinguem-se pela sua capacidade de atendimento e capacidade cirúrgica, critérios estes dependentes quer da população local quer da afluência previsível de doentes. Numa primeira análise, considerando a distribuição e hierarquização da rede de urgências pelos hospitais e centros de saude do país, parecem-nos adequadas as propostas apresentadas. Parece-nos correcto que, por exemplo, hospitais como o de Santo António ou São João no Porto, Universitários de Coimbra, Santa Maria e São José em Lisboa, Fernando Fonseca na Amadora ou de Santarém, usufruam dos serviços de urgência de maior dimensão e oferta de serviços médico-cirúrgicos.

Um outro aspecto que pretendemos realçar são os critérios relativos ao tempo de resposta ao socorro local. Estes são suportados em considerações de natureza geográfica e tempos de chegada aos locais de socorro. Neste campo, as metas estabelecidas, pelos critérios que consideram, parecem-nos à partida racionais. É certo que é sempre dificil estabelecer com absoluta certeza a aplicabilidade adequada destes tempos quando falamos de socorrer vidas humanas. Cada circunstância pode ser diferente da anterior e nunca ninguém aceita como justificável a perda de uma vida humana devido a um atraso na chegada de apoio. Mas tendo em conta que os tempos de resposta preconizados nesta proposta se enquadram no que se considera serem os padrões internacionais, o que defendemos é que os meios aplicados e a distribuição dos mesmos seja adequada à realidade do país que temos, às características demográficas das populações e sua estrutura etária, às redes de comunicação e às condições físicas do local. É igualmente difícil de aferir sobre a adequabilidade do número de ambulâncias por um determinado número de habitantes. Aqui mais uma vez os critérios parecem-nos razoáveis, mas cada situação diverge da anterior podendo contudo acontecer que uma ambulância de emergência por cada 40.000 habitantes seja insuficiente. O que importa é que, nestes casos, haja de imediato a possibilidade de aparecerem duas em vez de uma.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Pobreza em Portugal

Li hoje na imprensa que 20% da população portuguesa vive em risco de pobreza absoluta.

Tendo em conta que passado 20 anos após a adesão de Portugal a União Europeia continuarmos com esta percentagem e com tendência para aumentar devemos todos cidadãos com sentido de estado e consciência politica e civica parar para reflectir e questionar: o que é que falhou nas nossas politicas sociais de combate a pobreza, de incentivo a formação e a criação de emprego? Será que o Estado social de direito está a aplicar politicas correctas? o esforço financeiro será suficiente? ou as prioridades/opções estarão mal definidas?

Não sou especialista em politica social,mas fico bastante preocupado quando assisto que o fosso entre ricos e os pobres é cada vez maior e que a classe média elemento estabilizador de qualquer sociedade de desenvolvida está a desaparecer ou em risco de atingir também o pilar da pobreza.

É um exercicio doloroso mas que nos leva a reflectir e a constar que Portugal está cada vez mais a distanciar-se da europa dos 15 e a integrar o clube europeu dos mais periféricos e com elevadas assimetrias sociais.

O Estado e a economia real das empresas têm que fazer um esforço coordenado no sentido de se criar mais emprego através de investimento de origem nacional e internacional o que passará pela criação de um ambiente macro económico e fiscal favorável ao investidor por parte do Estado. Para além disso deverão ser implementadas politicas de qualificação e emprego realistas e exequiveis tendo em contas as necessidades das empresas.

Do lado dos empresários é aconselhável uma estratégia baseada em produção de produtos de valor acrescentado e orientados para o mercado internacional em que o factor trabalho seja de alta remuneração, em que as pessoas sejam motivadas e incentivadas a dar o seu melhor dentro das organizações. O modelo em que as pessoas são apenas um custo equivalente a mão de obra barata e não especializada está esgotado nesta economia global.
Devemos todos estar atentos ao mundo,pois, este muda tão depressa e nós infelizmente cada vez mais estamos a perder a corrida da competição global.