Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

domingo, agosto 31, 2008

Trabalho em equipa

Já está escolhido e oficialmente anunciado o nome de Mário Mendes como o homem que irá estrear o cargo de Secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, ficando portanto a seu cargo, a coordenação de todas as polícias portuguesas.

A criação deste cargo já designado de “super-polícia”, terá certamente vantagens e desvantagens derivadas da concentração numa só pessoa, de um conjunto de poderes e obrigações bastante elevado.
Porque ter poderes não significa fazer tudo sozinho, muito do sucesso do seu trabalho terá de advir da capacidade de trabalho em equipa.
Este é um dos factores críticos de sucesso, mas que é esquecido muitas vezes em áreas tão diversas como a saúde, a educação, os transportes e tantas outras.
Não basta termos pessoas capazes nas diferentes áreas. È necessário dotá-las de meios minimamente suficientes para que executem o seu trabalho e é necessário que as pessoas oiçam os outros e se façam ouvir.
De que me serve ter uma informação chave ou conhecimento importante se não for capaz de partilhá-lo ?
Não devemos viver sob o medo de sermos ultrapassados pelos outros pelo simples facto de partilharmos informação. As capacidades de trabalho de cada um não começam nem acabam nas informações que detemos.
Devemos portanto manter um espírito aberto em que a nossa valia profissional é conjugada com a valia profissional dos que connosco interagem.
Temos de incentivar as rotinas de trabalho em equipa.
Com as competências e autoridades devidamente definidas, fica mais fácil cada um dar o máximo naquilo que pode e deve fazer bem. Só assim se pode realizar obra.
E o país está carente de obras, em todos os sentidos. Obras de Construção que não têm necessariamente que ser projectos megalómanos e obras no sentido de realização de múltiplas tarefas que permitirão que o país como um todo, caminhe no sentido do desejado e necessário progresso.

sexta-feira, agosto 22, 2008

In ( Segurança )

Quando a maioria dos portugueses se aproxima do fim das férias e do regresso às rotinas normais de casa, trabalho e escola, o país vê-se a braços com uma invulgar onda de assaltos.
Os assaltos são generalizados, de norte a sul do país, variam de pequenos a grandes furtos e têm aumentado na violência que acompanha cada assalto.
Se os assaltos que são notícia nos jornais e televisões fossem os únicos, já as coisas não andavam muito bem.
O pior é que eles estão longe de ser únicos. Não dispomos de dados concretos mas a chamada sensação de insegurança passou a ser cada vez mais real em quase todos os distritos do país.
Ao escrever estas linhas, penso em duas situações concretas:
1º Os 2 assaltos que ocorreram hoje no meu bairro, onde um grupo de assaltantes atacou com toda a tranquilidade e na mesma tarde, uma farmácia e um supermercado do bairro. Assaltos à mão armada, com roubo não apenas do dinheiro mas das próprias máquinas registadoras, em plena luz do dia e com o terror provocado nos empregados dos referidos estabelecimentos.
2º Sua Excelência o Sr. Ministro da Administração Interna, questionado no telejornal da sic sobre o combate a esta onda de criminalidade, disse que o seu antecessor e ele próprio tomaram as medidas adequadas para dentro de um a dois anos, termos uma polícia com mais condições reais para fazer face a estas situações. Gostava de ficar mais tranquilo com o que o nosso governo está a fazer em matéria de segurança ( um dos principais bens a preservar, incluindo as vidas humanas ) mas, a avaliar pela distante serenidade com que o Ministro respondia às perguntas sobre a onda de criminalidade actual, e a avaliar pela sua quase exclusiva preocupação com a tomada de posição de um partido da oposição, fiquei com a sensação de que mais uma vez os nossos governantes estão distanciando-se da realidade vivida e sofrida na pele pelo número crescente de pessoas que vivem o drama de serem assaltadas.
Espero estar a fazer uma avaliação errada, mas julgo que a criminalidade, a posse e venda de armas ilegais, a situação económica cada vez mais difícil que o país atravessa, são vectores que o governo deseja controlar mas, está longe de o fazer, o que não augura nada de bom para os próximos tempos.
Não sei se estarei a exagerar ao pensar que a insegurança crescente vivida nas lojas, nos bancos, nos postos de combustíveis e até nos próprios carros no caso das vítimas de carjacking, faz-nos aproximar perigosamente de padrões típicos de insegurança até agora característicos em países como o Brasil.
O nosso Portugal, país calmo e tranquilo, de bons e brandos costumes, à beira-mar plantado, pode estar a assistir a um forte e crescente ataque ao nosso espírito pacifista.
Temos todos um desafio adicional de pensar como podemos ajudar as forças de segurança do nosso país a combater este “monstro” perigoso que é o crescente número de assaltantes e assaltos.
Não somos nem queremos ser super-heróis, mas a nossa polícia não me parece capaz de sozinha, fazer frente a esta situação.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Sorrisos de Pequim

"É bom poder dar esta alegria aos portugueses", foi com esta frase e com a bandeira portuguesa aos ombros que Nélson Évora, o quarto português a conquistar uma medalha de ouro olímpica, saiu hoje da pista de Pequim, tendo acabado de vencer a prova do triplo salto.
Quase ao cair do pano, eis que surge finalmente o ouro para Portugal.
Dias antes já a bandeira portuguesa tinha sido vista, graças à medalha de prata de Vanessa Fernandes no triatlo.
Mas guardada estava a melhor surpresa que nos podiam oferecer: o orgulho de vermos a bandeira subir até ao lugar mais alto, acompanhada finalmente pelo Hino Nacional que vai ser ouvido pela primeira e, provavelmente, última vez, nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008.
Apesar de uma participação na generalidade fraca em termos de resultados, Portugal acaba com a Prata de Vanessa e o Ouro de Nelson, por ter a melhor participação de sempre em termos de medalhas olímpicas.
Sem esquecer que há muitas ilações a retirar dos aspectos positivos e negativos desta participação, temos finalmente sorrisos em Pequim.

terça-feira, agosto 12, 2008

Lágrimas de Pequim

Depois de uma surpreendente e maravilhosa cerimónia de abertura, começaram os Jogos Olímpicos de Pequim 2008.
Mais uma vez estão reunidos atletas de todo o mundo que competindo em variadas modalidades sonham em honrar os seus países com boas prestações e as almejadas medalhas.
Sonhar com medalhas é bom, mas não deveríamos estar obcecados ou cegos por esse sonho.
Competir significa esgrimir argumentos com outros atletas que têm os mesmos sonhos, as mesmas ambições.
Talvez os atletas portugueses tenham colocado a fasquia demasiado alta.
Ainda não se iniciaram as provas de atletismo, e em algumas das outras modalidades, como o judo, a natação, as provas de tiro e esgrima, muitos foram os atletas lusos que sonhavam com melhores prestações e até mesmo, em trazer o ouro para Portugal.
Infelizmente a realidade é bem diferente e à excepção de recordes nacionais ou melhores marcas pessoais do ano, quase tudo o que trouxemos até agora resume-se a lágrimas de amargura e grande desilusão.
Para os atletas que mais sonharam e mais desilusões sofreram, fica a Lição de que competir não significa sempre ganhar. Para ganhar, é necessário competir ao melhor nível e superar outros atletas que têm os mesmos objectivos.
No atletismo residem agora as principais esperanças de ver a bandeira Portuguesa hasteada e de ouvir o Hino Nacional.
Nessa prova e noutras em que ainda participamos, como as provas de vela e remo, aqui ficam os votos de sucesso aos nossos atletas.
Que saibam competir bem e saibam ganhar ou perder.

quinta-feira, agosto 07, 2008

A Gosto

Ao fim da primeira semana de Agosto sente-se que o País “ foi a banhos “.

Restaurantes, Lojas, Cafés e muitos serviços encerram neste mês, proporcionando aos seus donos e empregados um merecido repouso.
Para quem não gostar muito de Praia, o País continua a apresentar de norte a sul, uma oferta alargada que cobre quase todos os gostos.
Em tempo de repouso, temos mais tempo para apreciar como cada canto do nosso país, se esforça para oferecer a quem o visita, o que de melhor possuem.
Também nos apercebemos que o turismo já não é sol e praia.
Da Gastronomia aos Produtos Artesanais, viajando pela história e cultura de cada local, muito se tem feito para o desenvolvimento sócio-económico de regiões menos favorecidas.
Cada região apresenta o que tem de melhor e muitas acabam por se destacar pela qualidade da sua oferta, ficando conhecidas nacional e internacionalmente, por um determinado acontecimento relevante.
Tendo o nosso país, séculos de história, aqui fica o convite a quem estiver desocupado nestes dias, a visitar Santa Maria da Feira.
Ano após ano, a sua Feira Medieval tem crescido em participantes e qualidade.
Alguma informação pode ser vista em
http://www.viagemmedieval.com/index2.php
Continuação de votos de boas férias para quem está de férias e bom trabalho para quem ainda não foi ou já voltou.

quarta-feira, julho 30, 2008

Uma nova Revolução – Uma nova Era




A propósito do excelente documento de reflexão de Carlos Lacerda que nos foi enviado pelo nosso confrade José Alves, o qual daria para um longuíssimo serão de debate, gostaria de partilhar aqui alguns pensamentos entre os fresianos e os visitantes em geral. Em especial no tocante àqueles pontos que considero mais relevantes para uma primeira discussão.

Quanto ao Ponto 9 do referido documento onde se fala do Ressurgir da Rússia e Índia em virtude da sua evolução tecnológica, económica e social “a uma velocidade estonteante” devo dizer que a Rússia foi já no século passado uma potência importante (uma das duas potências lembram-se?) a qual se afunda depois da queda do muro de Berlim e após a manutenção de uma desastrosa política económica, centralista e obsoleta que levou ao descalabro da sua sociedade e tecido empresarial. A Rússia surge hoje dos escombros, refeita e mais enérgica do que antes como um poderoso interventor no quadro da globalização. E isto só pode ser bom.

Já no caso da Índia, que bom seria se a Europa dominasse o inglês, a matemática, a física ou as ciências da computação como os indianos. Que bom seria ver um país como Portugal a vencer os valores como a dedicação, a disciplina, o espírito de sacrifício e a vontade de aprender, de correr atrás do conhecimento. Ainda que seja um país do terceiro mundo onde se observam as maiores disparidades e uma pobreza desmesurada, começa a despontar uma nova Índia cujos intérpretes têm trazido ao mundo novos conhecimentos, inteligência e conhecimentos científicos.

Neste ponto, refiro que aquilo que já disse: As sociedades actuais revelam, em termos globais, uma grande capacidade de ajustamento e de integração de novas realidades. Terão certamente capacidade de se ajustar a um novo paradigma económico (sempre o fizeram antes) no qual teremos que passar a contar com estes novos parceiros.

Quanto ao Ponto 7 do referido texto no qual o autor fala de uma China ao assalto, temo que este termo seja absolutamente verdadeiro e assustador. Mas… porque revela este novo paradigma de que falo. Não será assustador pela ameaça que nos traz mas antes pelas oportunidades que provocará e na necessidade de termos de mudar todos os paradigmas até então adoptados.

Se as indústrias naval e automóvel chinesas são uma ameaça para o mundo ocidental, então o mundo ocidental terá que se virar e descobrir outros caminhos e contornar o problema. Não aconteceu o mesmo com os americanos com a ameaça japonesa no sector automóvel nos anos 80? Alguém se lembra do proteccionismo americano (e do medo) face ao Japão? No sector automóvel e nas novas tecnologias por exemplo? E alguém hoje se lembra disso?

Não acredito que a Europa não tenha capacidade de defesa em sectores como estas indústrias às quais se junta a têxtil. Terá sim mas através da adopção de outras estratégias mas eficientes e competitivas. A Europa necessita da China mas a China necessita igualmente da Europa. Como é que esta alimenta a fome consumista que tolhe uma classe média de mais de 300 milhões de habitantes?

A China trazer-nos á capitais, força de trabalho, muitos produtos, mas também território e oportunidades infindáveis no futuro. É tudo uma questão de (boa) negociação.

Além do mais acredito que, no caso hipotético de se confirmar o cenário apresentado pelo autor, os países não se exporiam a uma ameaça de desemprego colossal sem antes adoptar uma política proteccionista, de segregação da China ...se tivesse que ser... para não colocar os seus concidadãos na miséria e no desemprego. Estão a ver a Europa a aceitar isso? Alguém daria pela certa um pontapé à China para fora da OMC. Negociar-se-iam novas cláusula de salvaguarda. Além disso nem toda a gente gosta de carros chineses…

Some food for Thought…

domingo, julho 27, 2008

Grão a Grão enche a galinha o papo

Quase a entrar em Agosto, período em que a maioria dos trabalhadores portugueses entram de férias, aqui temos uma óptima notícia:
A empresa brasileira de aeronáutica Embraer, um dos maiores construtores mundiais de aviões, vai investir cerca de 400 milhões de euros em duas fábricas na cidade de Évora.
O investimento da empresa brasileira em Portugal está previsto num acordo Ogma/Embraer, e é um projecto considerado de interesse estratégico nacional, estando previsto incentivos do Estado português, tendo em conta a localização no interior do país.
As duas unidades fabris de componentes estruturais de aviões vão ser construídas na área do aeródromo da cidade alentejana.
O investimento prevê a criação de cerca de 500 postos de trabalho directos e mais de mil indirectos.
A brasileira Embraer é uma das maiores empresas aeroespaciais do mundo, que já produziu cerca de cinco mil aviões, que operam em 76 países dos cinco continentes.
Quando apenas vemos o resultado final, ou seja, a notícia de que o projecto vai mesmo avançar, tendemos a esquecer o trabalho de base que está na origem do mesmo.
Com efeito para que se chegasse à apresentação deste acordo e deste projecto, muito trabalho de bastidor foi desenvolvido pelo governo português, tendo as negociações iniciado há mais de 2 anos.
Está pois o governo português de parabéns. São iniciativas como esta que ajudam a aumentar o Investimento Estrangeiro em Portugal.
A luta pela captação de investimentos estrangeiros é mais outra das lutas entre as economias mundiais.
Neste caso fomos nós que vencemos e, como diz o ditado, grão-a-grão enche a galinha o papo.

quinta-feira, julho 17, 2008

Rendimento menos Consumo = Poupança ?

Agora que muitos de nós já fomos ou estamos prestes a “ ir a banhos “ aqui fica uma leitura de 2 factos, para mim Contraditórios:

1º Facto - Os portugueses precisam de poupar mais para limitarem o défice externo português, alerta hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O alerta foi deixado pelos especialistas do FMI nas conclusões preliminares do relatório sobre Portugal, elaborado no âmbito do artigo IV e que hoje foram divulgadas.
"A acumulação de desequilíbrios externos não pode continuar indefinidamente", diz o FMI.
"Resolver este problema exige que todos os sectores da economia ajustem e poupem mais", acrescenta o Fundo.
Este alerta do FMI surge depois do Banco de Portugal ter anunciado terça-feira que espera que o défice externo português suba este ano para perto dos 11 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), o valor mais elevado em 26 anos.
Os especialistas do FMI deixam uma sugestão: o desenvolvimento de fundos de pensões privados, um segmento que está ainda "pouco desenvolvido" em Portugal.
2º Facto - Dívidas disparam
O total das dívidas dos portugueses ultrapassa os 129 por cento do rendimento disponível. Uma percentagem que não tem parado de crescer nos últimos três anos.
Não é preciso tirar um curso de economia para saber que a Poupança é a Diferença entre o Rendimento e o Consumo. Ora se as dívidas das famílias já correspondem a 129% do Rendimento disponível, onde irão elas “inventar” rendimento para poupar ?
Com o Governo e muitos analistas a desaconselhar novos aumentos salariais, tais poupanças só serão possíveis se os Portugueses abdicarem dos eventualmente bens supérfluos e também de bens essenciais que aliás já estão a fazer.
Muito se defendeu a subida da qualidade de vida por onde também passava a qualidade alimentar.
Com pouco mais onde poupar, voltamos a ter más alimentações, que podem representar um alívio no exíguo bolso dos portugueses mas que terão consequências nefastas na sua saúde a curto prazo.

domingo, julho 13, 2008

Proliferação de armas ilegais e insegurança

A semana que agora terminou trouxe de novo às primeiras páginas vários cenários de violência urbana.
A insegurança foi desde as praias, onde na praia da Torre em Oeiras se vêm repetindo com demasiada frequência, cenas de pancadaria entre gangs rivais, até à Quinta da Fonte no Concelho de Loures, onde assistimos a cenas dignas de um qualquer filme de cowboys americano, onde em pleno dia e na rua principal do referido bairro, demasiadas pessoas disparavam tiros, numa luta entre grupos rivais.
Comum a estes e a outros cenários, está a presença de um incrivelmente levado número de armas ilegais. Em Portugal, excluindo as forças armadas e as restantes forças de segurança, a maior parte das armas legais encontra-se na mão dos caçadores que desenvolvem nos períodos e locais estipulados por lei a sua actividade de caça.
No entanto e apesar de já se estarem a fazer esforços no sentido de diminuir e controlar o número de armas ilegais, ninguém sabe com rigor, quantas armas ilegais existem em Portugal e na posse de quem é que estão.
Ouve-se também dizer que não é muito difícil adquirir armas ilegais em Portugal, o que parece ser verdade a avaliar pela quantidade de armas que só nos confrontos da Quinta da Fonte foram utilizadas.
Vamos a meio do ano e já tivemos as notícias mais incríveis.
Foi o caso de Moscavide onde uma pessoa que foi assaltada e estava a ser agredida pelos seus assaltantes, decidiu, imagine-se lá porquê, refugiar-se na esquadra da polícia, acabando por ser perseguida até ao seu interior, tendo continuado a ser agredido e agora com a companhia do único policia que se encontrava na esquadra e que acabou também por ser agredido.
Foi o caso de 2 assassinatos no espaço de uma semana, um em Sacavém e outro no Centro Centro Comercial Oeiras Parque.
Foi ainda o mais recente caso também completamente inqualificável da agressão aos juízes em Santa Maria da Feira, tendo representado um ataque também ele inadmissível num Estado de Direito.
Estes são apenas alguns dos casos mais mediáticos e estão longe de representar todos os casos de violência que varrem o país de norte a sul. Nem as ilhas escapam, vendo por exemplo o caso da Madeira onde grupos de jovens entretêm-se a agredir pessoas só com o intuito de filmar as agressões e colocá-las na internet.
Disse num comentário recente que questões como a da segurança, acabam por ficar para segundo plano quando estamos perante questões graves de ordem económica. No entanto devo voltar um pouco atrás e admitir que devemos todos esperar que os nossos governantes façam mais pela segurança de todos nós inclusivé pela segurança dos próprios polícias.
Este fim-de-semana vimos uma grande presença do corpo de intervenção na Quinta da Fonte.
Parece que só uma força dessa natureza consegue desmotivar os grupos rivais.
Que dizer ou fazer então com outras centenas de ocorrência onde apenas 2 ou 3 ou 4 policias, sem qualquer outro tipo de apoio ou protecção, avançam para tentar controlar situações igualmente explosivas nesses e em tantos outros bairros problemáticos dos grandes centros urbanos ?
Precisamos mesmo de ver reforçadas as medidas no campo da segurança, para que todos possamos andar de dia e dormir de noite, mais descansados.

Sinais da crise internacional, os fluxos de Emigração e Africa

Não param de chegar à imprensa ecos da crise internacional. Descrevo aqui dois casos com forte ligação a Portugal e aos trabalhadores portugueses:
1. Reino Unido enfrenta «risco grave» de recessão
A economia do Reino Unido enfrenta um «risco grave» de entrar em recessão, adverte um relatório da BCC (British Chambers of Commerce) divulgado na imprensa britânica esta terça-feira.
O mais recente inquérito da confederação de câmaras de comércio sublinha que as empresas de serviços, sector que pesa três quartos do produto, detectaram sinais «alarmantes» de deterioração no segundo trimestre.
As perspectivas de deterioração da conjuntura são acentuadas pelo aumento dos custos de factores de produção na indústria e aperto nas condições de acesso ao crédito bancário.
De acordo com a BCC, 45% das empresas espera um decréscimo de encomendas superou. Este número supera, pela primeira desde 1990, o universo daquelas que projectam aumento de pedidos.
O relatório realizado com base em inquéritos a cerca de 5.000 companhias refere que, além do abrandamento da actividade, as dificuldades financeiras do próprio Tesouro britânico complicará ainda mais a vida das empresas, acentuando a falta de confiança das famílias e o consumo.
2. A economia espanhola, liderada por Zapatero, enfrenta riscos crescentes de recessão em paralelo com uma inflação ao ritmo mais elevado num quarto de século,
A inflação anual da Espanha aumentou para 5% em junho, seu mais alto patamar em uma década, puxada pela alta dos preços internacionais do petróleo.
Os preços ao consumidor subiram na Zona do Euro nos últimos meses, devido à alta dos preços do petróleo e dos alimentos. O efeito tem sido especialmente agudo na Espanha porque os alimentos têm um grande peso no índice de preços ao consumidor do país e porque a Espanha tem uma grande dependência das importações de petróleo.
Muitas vezes se diz que “com o mal dos outros podemos nós bem”.
Mas nem sempre assim acontece. A boa saúde das economias do Reino Unido e da Espanha muito interessa aos portugueses. A Espanha é um dos principais destinos das nossas exportações e ambos os países têm sido na última década, locais de acolhimento de dezenas milhares de portugueses que procuram nesses dois países o trabalho que não encontram em Portugal.
Com ambos países a ameaçarem seriamente entrar em recessão, poderemos assistir ao regresso forçado dessas dezenas de milhar de emigrantes que chegarão ao nosso país com partiram, ou seja, sem nenhuma perspectiva de poder exercer um dos direitos mais básicos de qualquer cidadão, o direito ao trabalho.
Com a dificuldade do Governo Português em promover uma criação líquida de emprego positiva, estas más notícias externas vêm em má altura. Tornam ainda mais difícil a nossa tarefa e a dos nossos Governantes.
Pode estar na hora de pensarmos em desenvolver uma estratégia forte, consistente, duradoura e global com Africa, um dos últimos possíveis refúgios para contrariar esta crise generalizada.
Com os países africanos de Língua Oficial Portuguesa pode e deve ser efectuado um trabalho a dois níveis: um primeiro nível de cooperação directa promovendo o seu desenvolvimento assente sempre que possível na exportação de nossos produtos e serviços. E um segundo nível, que seria a utilização desses países como plataformas de fomento de relações com os outros países africanos.
Dada a importância desta questão, espero voltar a ela em breve, aguardando entretanto que outros Fresianos, partilhem as suas opiniões e experiências sobre a viabilidade ou não deste caminho.

terça-feira, julho 08, 2008

O Estado da Nação


Diz recentemente a OCDE que no próximo ano existirão cerca de 3 milhões de novos desempregados entre os países membros. Que em Portugal a taxa de desemprego se manterá na casa dos 7,9% e que não se perspectivam melhorias neste campo. A dívida externa portuguesa terá já atingido os 100% do PIB.

Ao mesmo tempo surge a notícia de que só no primeiro semestre o nº de empresas que abriu falência duplicou face a igual período do ano anterior, tendo sido decretadas 50 mil falências de empresas só em 2008.

Tudo isto ao mesmo tempo em que se discute o TGV, Alcochete, as SCUT´s ou a terceira travessia sobre o Tejo. As obras em carteira, somando plataformas logísticas e novos Km de auto-estradas somam cerca de 50 mil milhões de € de investimento.

Aqui ao lado vemos uma Espanha a definhar em termos de crescimento económico, com um aumento do nível de desemprego, a crise imobiliária e a de falta de liquidez dos seus bancos. Dizem-nos que só crescendo mais do que a Espanha, nosso principal parceiro comercial, Portugal conseguirá ir-se aproximando da média do nível de vida e competitividade da UE.

Entretanto o mundo vai padecendo de algumas crises e enferma de doenças difíceis de curar: é a crise financeira nascida nos EUA através do crédito sub-prime, transformada em crise de liquidez acentuada uma vez que expôs inúmeros bancos por esse mundo fora; é a subida dos combustíveis alimentada por vários factores entre os quais o crescimento registado no consumo (China, Índia e Brasil) e alimentado pelas tensões no oriente médio; é a crise alimentar surgida com a subida o preço dos cereais e restantes commodities que encarecem de sobremaneira o custo de vida e a sustentabilidade alimentar de muitos povos (com o consequente impacto em muitas famílias portuguesas); é o crescimento do custo do crédito hipotecário (em especial à habitação) que coloca em muitas famílias uma espada sobre as suas cabeças; é a verdadeira inflação sentida nos preços dos bens alimentares, esta, creio, não se confinando aos números que nos são apresentados na casa dos 2,5 % mas muito acima disto.

Importa pois perceber e saber para onde queremos ir, como iremos, com que objectivos, qual a nossa missão, como sairemos e nos defendemos destes ataques cerrados que nos surgem de todo o lado. Importa sair deste atavismo lusitano, como ouvi recentemente no seio do maior Think Tank português (a rádio TSF), lutar por um país que vale a pena, ajudar a reconstruir, participar e intervir.

Portugal precisa de um rumo, de uma missão. Como nos queremos apresentar? Com que factores distintivos? É esta sociedade sustentável tal qual a estamos a conduzir? Como combateremos o afastamento que nos vai puxando para baixo? Queremos exigir mais dos políticos e do país? De que forma devemos actuar?

Estas são reflexões que mais do que nunca é obrigatório fazer. Sair do sofá. Participar e expressar posições, denunciar e não assobiar. Inscrevermo-nos, pois este tem sido o país da não inscrição.

Há que ajudar a procurar novos rumos e expressar como queremos ver o país na próxima geração, aquela que há-de ser a dos nossos filhos. Como diz o Presidente, não nos resignar-mos, nunca nos resignar-mos. Até porque parece tempos mais difíceis se aproximam.

Hoje a SEDES apresentará às 21h 30m no auditório da livraria Byblos o seu último documento sobre o Estado da Nação. Diz a SEDES que o governo, que desenvolveu nos últimos 3 anos “vários esforços de estabilização orçamental e várias reformas que exigiram coragem politica, começa agora a recuar, por exemplo com a recente descida de impostos e ao decretar o fim da crise orçamental” procura agora governar para as eleições.

A discussão politica está lançada, quem se mostrar interessado que participe ou acompanhe. Será interessante poder estar presente logo à noite.

Como em tempo de guerra não se limpam armas e como não temos munições para todas as armas, diria que é necessário recentrar a discussão à volta dos grandes investimentos públicos previstos. Ainda que parte dos fundos venham da Europa e do sector privado. Alcochete será sempre importante, estratégico para o desenvolvimento urbano e para o turismo. Portos, fundamentais. Leixões, Lisboa e Sines. Necessitamos de 3 grandes, funcionais e estratégicos Portos (atente-se à nossa posição geográfica).O comércio marítimo será cada vez mais importante. Excelente aposta na energia eólica e na hídrica (esta através dos investimentos programados em mini-hidricas e barragens de maior escala – a água será a preocupação que se segue muito em breve).

Quanto ao resto, aguardamos por novas munições para as armas que temos.

segunda-feira, julho 07, 2008

Aprendendo com os verdadeiros especialistas

No passado dia 18 de Maio, a nossa colega Cecília Santos escreveu aqui no blogdofres um brilhante artigo intitulado “As razões da fome”.

Volta este tema a ser notícia agora a propósito do início de mais uma reunião do G8, alargada a membros convidados
Do seguinte link retirei alguns dos seguintes parágrafos.
“ A alta dos preços dos alimentos ameaça inverter todos os avanços globais em termos de desenvolvimento e levar 100 milhões de pessoas em todo o mundo abaixo da linha de pobreza, advertiram hoje o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.
A declaração de ambos foi feita na ilha de Hokkaido, no Japão, onde decorre a cimeira anual do G8, o grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia.
Ambos haviam participado antes numa reunião com os líderes do G8 e oito chefes de Estado ou governo africanos.
Ban e Zoellick pediram aos países do G8 uma acção urgente para combater a actual crise e para prevenir futuras altas nos preços dos alimentos.
Segundo o secretário-geral da ONU, o mundo enfrenta três crises simultâneas e interligadas - dos alimentos, do clima e de desenvolvimento - para as quais são necessárias soluções integradas.
«Os nossos esforços até agora têm sido muito divididos e esporádicos. Agora é a hora de termos uma abordagem diferente», afirmou Ban.
«A ONU está pronta para ajudar com todos esses desafios globais», disse, acrescentando que «cada dólar investido hoje equivale a 10 amanhã ou a 100 no dia seguinte».

O presidente do Banco Mundial afirmou que a actual crise é uma oportunidade para que o mundo consiga alcançar um caminho de desenvolvimento a longo prazo, mas que para isso é necessário um comprometimento dos países ricos em mais investimentos.
Acrescentou que investimentos em projectos como irrigação podem ajudar a expandir as colheitas, principalmente em África, e ajudar a combater a escassez global de alimentos.
«Só 4,9% das terras aráveis de África são irrigadas, contra 40% no Sudeste Asiático», disse, salientando que os caminhos para possíveis soluções para os problemas actuais já são conhecidos, mas faltam mais recursos.”
Nota: Fim das frases retiradas do link acima indicado.
Sempre que há uma reunião ou cimeira importante, os participantes manifestam o desejo de que dela resultem mais do que declarações de intenções. Actualmente vivemos um problema vincado de falta de recursos. George Bush diz que a América já não está nos seus melhores momentos, indicando claramente que os mais países ricos e poderosos, já não são ( estão ) tão ricos e tão poderosos.

Que sorte terão então milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza ?
Eu não participo no G8, mas gostava de lhes dizer que aos pobres e aos que têm poucos recursos financeiros ou naturais, resta-lhes a astúcia.
“Quem não tem cão, caça com gato” diz o ditado
Pois bem nada melhor do que exemplos concretos.
Se o problema é escassez de água, porque não aprendemos com países como Israel e Omã ?
Julgo que há 2 anos atrás estiveram em Portugal, alguns peritos Israelitas em aproveitamentos hídricos. Estiveram em Bragança, uma região onde os agricultores se queixam de falta de água para regadio. Deixaram muitos conselhos mas ficaram surpresos ao verem que ao mesmo tempo que nos queixamos de faltas de faltas de recursos, administramos de forma bastante errada os recursos disponíveis, conduzindo inevitavelmente a grandes desperdícios.
Exemplos como este podem multiplicar-se por outras áreas. Se os problemas se tornam maiores e não há tempo a perder, aumentemos a nossa astúcia a combatê-los, sobretudo aprendendo com os verdadeiros especialistas.

sábado, julho 05, 2008

Actores e Espectadores

“Se os seus esforços forem vistos com indiferença, não desanime. Todos os dias o Sol dá a cada raiar do dia, um espectáculo especial, mas a plateia continua dormindo.” Anónimo.

Destruir ou nada fazer sempre foi mais fácil que construir. Qualquer projecto de carácter desportivo, cultural, social ou económico, encontra tantos obstáculos que é natural os seus promotores sentirem algum desânimo.
No entanto, o que distingue os projectos vencedores é a forte convicção dos seus criadores nas ideias e nos projectos que estão a desenvolver. Esses são os alicerces para que se mantenham de pé, enfrentando toda a espécie de contrariedades.
Isto torna-se tanto mais verdade quanto maior é a indiferença dos destinatários ou beneficiários dos projectos que se estão a promover.
Sente-se hoje na sociedade portuguesa uma apatia e uma indiferença quase confrangedoras pois envolvem quase todos os sectores da vida dos cidadãos. Estas características evoluem em proporção directa a um crescente isolamento e individualismo das pessoas que, incapazes de lutarem por si e pelo mundo que as rodeia, resolveram lutar apenas por si próprias.
Também a nossa democracia, embora jovem e segura, torna-se vítima da crescente indiferença dos eleitores em geral, e dos jovens em particular.
A Assembleia da República aprovou esta semana, na generalidade, e por unanimidade, uma alteração à lei que torna automático o recenseamento eleitoral.
Esta alteração à lei vai permitir incluir nos cadernos eleitorais mais de 300 mil jovens dos 18 aos 24 anos que não estão recenseados.
O recenseamento eleitoral em Portugal é obrigatório, a partir dos 18 anos havendo porém, jovens que não fazem a sua inscrição.
José Magalhães sublinhou que a lei permitirá «incluir nos cadernos eleitorais mais de 300.600 jovens entre os 18 e os 24 anos que figurando na base de dados de identificação civil, não estão hoje recenseados».
A proposta, aprovada a 05 de Junho em Conselho de Ministros, evita que os cidadãos se desloquem às juntas de freguesia para fazer o recenseamento, está integrada no programa SIMPLEX, e será desenvolvida a partir da base de dados do Cartão do Cidadão.
A lei visa também garantir, através de um Sistema de Informação e Gestão do Recenseamento Eleitoral (SIGRE), «mecanismos de actualização permanente» para que o recenseamento «corresponda tendencialmente ao universo eleitoral».
Aprovando uma Lei, o Parlamento consegue vencer a indiferença dos jovens e à margem da sua iniciativa, promove o seu recenseamento.
No entanto, será que esses jovens, que nem iniciativa e interesse tiveram em se recensearem, irão, pelo simples facto de estarem automaticamente inscritos, participar nos actos eleitorais onde se define o presente e futuro do nosso país ?
Permitam-me duvidar. Os nossos actores principais ( os nossos políticos ) têm um longo caminho a percorrer se quiserem mobilizar esses jovens indiferentes e também todos aqueles que deixaram de acreditar neles e nos partidos em que se integram, abdicando do seu maior poder numa democracia, o poder de votar.
Cada vez há mais espectadores passivos, indiferentes e comodistas. Talvez se um dia for possível votarmos via telemóvel, enviando confortavelmente um sms sentado nos nossos sofás, ou bebendo um refresco numa esplanada, tenhamos uma maior participação dos cidadãos nas decisões que influenciam a vida de todos.
Enquanto esse avanço tecnológico não é viável, resta-nos desejar aos actores que aumentem a qualidade das suas performances, com esperança que possam cativar os indiferentes espectadores.

quarta-feira, julho 02, 2008

Sabor, Doce ou Amargo ?

O Primeiro-Ministro José Sócrates esteve no início da semana no Distrito de Bragança onde foram assinaladas as evoluções no projecto da construção da Barragem do Baixo Sabor.
Envolto há mais de dez anos em sucessivas polémicas, talvez seja desta que o projecto “vai para a frente”.
Embora já um pouco antigo aqui deixo um link onde dados sobre a construção desta barragem podem ser observados
http://www.edp.pt/EDPI/Internet/PT/Group/Media/EDPNews/2007/Baixo_Sabor.htm
Se é um facto que as Associações de Defesa do Ambiente muito têm feito em defesa do equilíbrio ambiental em Portugal, também não é menos verdade que as suas posições nem sempre se revelaram as mais equilibradas, tendo os ambientalistas efectuado despropositados bloqueios ao progresso e sustentabilidade económica e social.
Fica sempre a dúvida de saber quando é que têm razão e quando é que estão ( segundo já diversas vezes foram apelidados ) a ser “fundamentalistas”.
A barragem do baixo sabor vai continuar a ser palco da “batalha” entre Governo e Ambientalistas.
Numa altura em que se acentua a crise energética, até que ponto se torna legítimo bloquear projectos com a dimensão importância regional e nacional que tem a Barragem do Baixo Sabor ?
Gostaria de ouvir e sentir a vossa sensibilidade para esta questão em particular e para o papel em geral das Associações Ambientalistas. Estarão elas a desempenhar bem o seu papel? Ou estarão a ser um despropositado entrave ao avanço da generalidade dos projectos energéticos ou turísticos que muitas vantagens trariam a Portugal em termos de receitas e criação de emprego ?

segunda-feira, junho 30, 2008

A vida depois do Euro 2008

Terminou o Campeonato Europeu de Futebol com uma vitória da Selecção Espanhola.
Durante cerca de um mês grande parte dos shares televisivos foram dominados pelas transmissões dos jogos e pelas reportagens antes e depois dos jogos.
A estação detentora dos direitos de transmissão televisiva exclusivos para Portugal, TVI, bateu neste mês de Junho os seus recordes de audiência e de shares televisos, “fintando” o domínio da SportTV que pouco tem de democrático pois a maioria dos Portugueses não tem dinheiro para pagar um valor extra todos os meses para ver a SportTV. A SportTV entre muitas “maldades” ditadas pela lei da economia de mercado, já retirou da vista de muitos portugueses amantes do desporto, diversas competições importantes que nos habituamos a ver durante décadas, tal como o Mundial de Fórmula 1, a mais importante competição automobilística Mundial.
Goste-se ou não do fenómeno futebol, a sua importância é demasiado vasta para ser negligenciada. Poucos são os acontecimentos que conseguem mobilizar tantas pessoas e tantas nações, “prendendo-as” ao pequeno écran durante horas a fio.
O futebol hoje é um fenómeno planetário com dimensão desportiva, económica e social.
A desportiva tem a ver com o jogo propriamente dito, que bem interpretado pelos “nuestros hermanos” possibilitou-lhes provar que vale a pena trabalhar bem e trabalhar em equipa tendo sempre como objectivo principal, o interesse colectivo.
A económica prende-se com todo o “circo” que gira à roda de um Campeonato de Futebol. Desde as receitas de bilheteiras às receitas derivadas das transmissões televisivas para o mundo inteiro, passando pelas receitas da publicidade, temos um autêntico carrossel económico girando em torno deste acontecimento. Também as actividades turísticas saem beneficiadas vendo-se disparar as receitas de operadores de viagens e de hotelaria, e vendo-se aumentar também significativamente as receitas da restauração. Em Portugal todas elas teriam sido bem maiores caso a nossa Selecção fosse mais além, mas infelizmente desta vez não foi. É tempo de aprender com os melhores e este ano os melhores foram os Espanhóis.
Finalmente uma nota à dimensão social do fenómeno futebol. A grande audiência directa ( nos estádios ) e indirecta ( via transmissões televisivas ) são um óptimo veículo para a “passagem” de mensagens de carácter social. O Futebol, embora muitas vezes palco de despropositadas violências, tem procurado cada vez mais ser um espaço de concórdia e tolerância entre os povos. Foi esta a mensagem que a Organizadora da Competição, A UEFA ( União Europeia de Associações de Futebol ) passou ao promover em todos os encontros a mensagem NO TO RACISM ( NÃO AO RACISMO ) que repetidamente foi vista e ouvida ao longo da competição. O veículo futebol, com a sua dimensão planetária, revela-se uma das poucas universais formas de comunicação entre os povos. Diz-se na gíria que a linguagem do futebol é universal. Atrás desta linguagem muitas “pontes” têm sido estabelecidas entre os povos.
Terminou o Euro 2008, teremos em breve outro fenómeno ainda mais Universal, Os Jogos Olímpicos que a martirizada China vai acolher.
Para os amantes do futebol , os olhos começam já a ser postos no Mundial de 2010 que vai ser organizado pela Africa do Sul, naquela que será a primeira competição Mundial de Selecções a ser organizado por um País Africano.
Para os não amantes do futebol, fica a certeza de que poderão descansar largos meses sem terem de ser “absorvidos” pela força do Futebol.

sábado, junho 28, 2008

Reféns da Informática

A Assembleia da República aprovou no passado dia 19 de Junho a Lei n.º 26-A/2008, que reduz a Taxa Normal de Iva de 21% para 20% que pode ser lida em

http://www.rvr.pt/netimages/file/L_26_A_2008.pdf
No nosso blog já tínhamos dado conta há menos de um mês desta medida do Governo e não pretendo agora ajuizar da bondade desta medida mas do seu “timing”.
Entre a notícia dada da intenção da redução do Iva divulgada no final do passado mês de Maio e a aprovação agora alcançada da Lei 26-A/2008, decorreu pouco mais de um mês. E a Lei agora publicada no dia 27 de Junho, entra em vigor 4 dias depois, ou seja já no próximo dia 01 de Julho de 2008.

Sendo o tecido empresarial constituído na quase totalidade por pequenas, médias e micro-empresas, estando quase todas elas dependentes de empresas de venda e assistência de software informático, não será difícil de imaginar um período inicial de muitas dificuldades de implementação da Lei.

A maior dificuldade deriva do facto de os programas de facturação se terem tornado cada vez mais complexos e não ser uma simples rotina proceder à actualização de 21 para 20% da taxa de Iva nos documentos de stocks, de compras e vendas.

Muitas empresas de software informático já disponibilizaram utilitários que permitem aos seus clientes a conversão automática desta taxa. Mas como não há bela sem senão, esses utilitários não são de implementação fácil por leigos, obrigando à intervenção dos técnicos informáticos. Não mencionando aqui o contra-senso de uma medida de baixa de Iva constituir uma imediata despesa adicional de implementação de actualizações informáticas, ficam contudo dezenas de milhares de empresas reféns da disponibilidade humana dos técnicos das empresas informáticas em se deslocarem às instalações das empresas para se conseguir a implementação desta actualização.
Se atenderemos a que dia 1 de Julho é já na próxima terça-feira, teremos obviamente milhares de empresas a não conseguirem emitir facturas e vendas-a-dinheiro com o IVA à taxa de 20%. Mas como o Português é conhecido pelo seu espírito de “desenrascar” as situações mais complicadas e de trabalhar bem sob pressão, estou esperançado que esta seja uma situação temporária e de pouca expressão, ficando tudo normalizado em poucos dias e com poucos “danos colaterais”.

Fica então a sugestão de que medidas desta natureza, talvez necessitassem de um período ligeiramente superior para a sua implementação.

Bill Gates e o Mundo / Microsfot e Valores Portugueses

1. Bill Gates e o Mundo

O criador do império Microsoft, Bill Gates, retirou-se esta sexta-feira da companhia que o converteu num dos homens mais ricos do mundo, num momento de incerteza para o gigante informático, que vive tempos agitados.
Aos 52 anos, William Henry Gates, casado e pai de três filhos, deixa a Microsoft quando é considerado o terceiro homem mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em 58 mil milhões de dólares (perto de 37 mil milhões de euros), segundo a revista Forbes em 2008.
Bill Gates vai apostar, a partir de agora, em levar por diante projectos humanitários que pôs em marcha através da Fundação Bill e Melinda Gates, instituição de benemerência dedicada à saúde e educação, que recebeu, em 2006, o Prémio Príncipe das Astúrias de Cooperação Internacional. «Terei quatro vezes mais tempo para rever estratégias sobre o que fazemos na educação, luta contra doenças, agricultura, micro-créditos e as aparições em público terão que ver, na sua maior parte, com a Fundação, assim como as minhas viagens serão para África e a Índia».
Daqui envio os meus votos de sucesso a Bill Gates nestes seus novos desafios. Muitos de nós temos também sonhos filantrópicos mas falta-nos algo que ele tem, dinheiro, muito dinheiro. Este será sempre um dos factores diferenciadores na obtenção de sucesso em projectos de natureza económica ou social. Será no entanto curioso analisar o que realmente podem os poderosos fazer para melhorar a vida dos carenciados.
2. Microsfot e Valores Portugueses
Enquanto isto, a Microsoft anunciou quinta-feira que vai adquirir a empresa portuguesa de tecnologias de computação e comunicações móveis, Mobicomp, e inclui-la num futuro centro de investigação e desenvolvimento orientado para esse sector, que terá sede em Portugal.
Mais uma vez a aposta na qualidade vinga. Dou os meus parabéns aos criadores e promotores da Mobicomp. Deram-nos uma vez mais o exemplo de que apesar de estarmos num país de dimensões reduzidas, podemos e devemos apostar na inovação e na qualidade como factores críticos de sucesso e criadores de valor e riqueza.
Num país desmoralizado com tanta coisa a correr mal em termos económicos e sociais, esta “lufada de ar fresco” pode ser motivadora de novos empreendimentos e novas iniciativas. Julgo que podemos “repescar” o ditado que diz “Grão a Grão, enche a galinha o Papo”.
As oportunidades escasseiam e o mundo está cada vez mais competitivo ? Ok, vamos então responder com iniciativas e acções inteligentes. Podemos não ganhar o céu mas teremos sempre mais hipóteses de inverter tendências negativistas, quando promovermos empresas e projectos com qualidade.

terça-feira, junho 17, 2008

ESPANHA: Sem bons ventos mas (alguns) bons casamentos


Não esquecendo o assunto referido no artigo em baixo sobre a negação da Irlanda, através do instituto do referendo, ao Tratado de Lisboa, gostaria de manifestar aqui e perante os nossos visitantes, a minha preocupação perante um outro fenómeno, este não de natureza politica mas sim económica. Refiro-me aos sinais de abrandamento da economia espanhola.

Sendo verdade que mais de 28% das exportações portuguesas se destinam ao país vizinho, sendo estas o factor essencial de arranque da nossa economia e do crescimento económico (ainda que débil) que se tem registado, devemos pois olhar com atenção e alguma preocupação para o que aqui se passa ao lado.

Por outro lado importamos de igual forma e por valores acima de 30% do total do nosso parceiro Espanha. É por isso o nosso principal parceiro comercial. E se este se constipa, aparece-nos febre.

Em recente conversa com alguém do mesmo ramo económico e profissional do que o meu, pude constatar idêntica preocupação vivida directamente pela relação directa havida com Espanha por parte deste meu interlocutor. Tenho inclusivamente o registo de alguns testemunhos de que os bancos em Espanha passam por algumas dificuldades de liquidez, fruto quer da crise financeira instalada mas também pela desaceleração e abrandamento da economia do país vizinho.

Imaginemos o que será Espanha a fechar-se sobre si mesma, reduzindo as importações e as compras às empresas portuguesas! Como se reflectirá isto nas nossas empresas e no nosso crescimento económico, este, como já disse, suportado na dinâmica das exportações.

Uma conclusão a que poderemos chegar, entre muitas outras, poderá ser a tentativa das empresas espanholas, mais fortes e musculadas, à procura de mercados alternativos à crise interna, se lançará sobre o mercado nacional, batendo as nossas de menor escala. Poderá ser assim no sector da construção. De facto foi no sector imobiliário que surgiram os primeiros sinais de abrandamento e da crise espanhola. Esta não existe, é apenas aparente, mas pode ser real.

sexta-feira, junho 13, 2008

Dia Não

A Irlanda, único país da União Europeia que fez um referendo ao Tratado de Lisboa, votou não ao tratado.

Este acontecimento merece múltiplas abordagens. Tentarei aqui focar algumas.

A Europa quer ( e precisa de ) andar para a frente. No entanto o consenso entre os europeus não está fácil de alcançar. Impressiono-me com o poder do não irlandês. Um projecto tão abrangente e com implicações em centenas de milhões de europeus pode, pelos vistos, ser posto em causa por uma minoria de pouco mais de 3 Milhões de eleitores. Aqui está mais um ponto interessante pois desses 3 Milhões de eleitores apenas cerca de 40% votaram. Como é que uma votação democrática, que nem tem 50% dos votantes pode ter uma força tão grande ? São as virtudes da democracia.

Por outro lado é super interessante ler o que pensaram e disseram muitos Irlandeses a propósito do referendo ao Tratado de Lisboa.

"Ninguém me explicou do que se trata, para que eu, o comum dos mortais, possa perceber o que é o tratado", diz Jason Hills, que acabou por votar contra naquele que é o único referendo em 27 Estados membros da União Europeia.”

“Na mesma linha, Maria Duggan, que tentou ler o documento, brinca, à porta da assembleia de voto, que "eles lá em Bruxelas devem ter um tradutor de japonês muito mau, aquela coisa é impossível de ler!".

Quando se fala da construção europeia, falamos da construção da nossa Europa, local onde todos os cidadãos-membros da União Europeia residem e trabalham. No entanto, atendendo a estas 2 representativas opiniões, ficamos mais uma vez com a opinião de que há mesmo 2 Europas: a nossa Europa e a Europa deles. A Europa deles aqui é entendida como a Europa dos políticos europeus que devem de uma vez por todas tentar explicar aos seus povos, o que andam a fazer. Se pode ser mau haver um não ao tratado de Lisboa, haver um não porque não foi explicado aos eleitores o que é o tratado, parece-me mau demais.
Mas a ignorância sobre o tratado em que votaram não foi um problema para todos. John Edwards, que interrompeu o trabalho para ir votar, escuda-se na "confiança no Governo" para se decidir "pelo 'Sim'". E justifica que "não cabe ao cidadão comum perceber todos pormenores sobre um tratado. Já votei neles, se me dizem que é o melhor, então voto sim a Lisboa".

Com maior ou menor ignorância, a verdade é que o não vingou.

O Presidente da Comissão Europeia Durão Barroso, antecipou-se e fez uma declaração em Bruxelas dizendo que o chumbo irlandês é um resultado que deve ser assumido por todos os países membros da união e não apenas pela Irlanda.
«Este voto não deve ser encarado como um voto contra a União Europeia», sublinhou Durão barroso. «Acredito que a Irlanda continua empenhada em construir uma Europa forte e em ter um papel activo na UE».
Pois é a Irlanda até pode continuar empenhada em construir uma Europa forte mas os Irlandeses não, pelo menos a maioria dos cerca de 40% que votaram.
A União Europeia vai debater este assunto na próxima segunda-feira. Aguardemos pelas “cenas dos próximos capítulos”.

quarta-feira, junho 11, 2008

Diálogos sensatos e produtivos

Em plena crise resultante de paralisações e bloqueios à circulação dos transportes de mercadorias e matérias-primas, surge a seguinte notícia que transcrevo para melhor nos inteirarmos desta questão que a todos vai afectando.

“ Antram e Governo chegam a acordo “
21:05 11-06-2008
António Mousinho, presidente da Antram (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias) confirmou hoje que já "há acordo entre a Antram e o Governo".
Em declarações à SIC Nocícias, António Mouzinho, adiantou ainda que foram acordadas várias medidas para beneficiar os seus associados.
Esta reunião demorou cerca de seis horas e apesar do acordo não significa que a greve seja desmobilizada, segundo palavras do presidente da Antram.
Numa nota de rodapé no site oficial da Associação, "a Antram incita os seus Associados que eventualmente se encontrem em paralisação a retomar a sua actividade".
Segundo o mesmo site, o acordo com o Ministério das Obras Públicas foi nos seguintes dossiers:
- Consagração legal de fórmula de revisão automática dos preços dos serviços, de acordo com as variações do preço do combustível, e estabelecimento de coimas pelo seu incumprimento;
- Consagração legal do prazo máximo de 30 dias para o pagamento dos serviços de transporte, e estabelecimento de coimas pelo seu incumprimento;
- Majoração em 20% dos custos com combustível para efeitos de IRC;
- Diferimento do pagamento do IVA ao Estado para o momento do recebimento efectivo do serviço de transporte, a partir de 2009;
- Criação de incentivo à renovação de frotas (prémio ao abate, incentivo à instalação de filtros de partículas e pagamento do diferencial de custo entre veículos Euro 4 e Euro 5, na aquisição de um veículo Euro 5);
- Reintrodução dos descontos nas portagens das auto-estradas (entre 30% e 50%);
- Manutenção do valor do ISP para 2009;
- Manutenção do valor do IUC nos próximos três anos;
- Criação de apoios à formação no sector e criação do Centro de Novas Oportunidades para Transportes;
- Assumpção pelo Ministro dos Transportes do dossier das Ajudas de Custo TIR;
- Criação de um grupo de trabalho envolvendo os Ministérios dos Transportes e do Trabalho, para adaptação da legislação laboral à especificidade do sector.

Fim da notícia
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Face a estas notícias não posso deixar de levantar as seguintes questões:

1. Estarão nestes dossiers os pontos de contestação mais relevantes que levaram os camionistas a esta paralisação? É preciso não esquecer que a Antram deste o início manifestou que não era necessário fazer a paralisação pois estavam agendadas reuniões com o Governo, havendo pois pelo menos 3 partes intervenientes nesta questão, a Antram, o Governo e os “Grevistas”.

2. Tendo o Governo pouca abertura para acordos e negociações, parece-me uma importante vitória a Antram ter chegado a acordo em tantos e tão diferentes dossiers. Terá ironicamente a greve/ paralisação ajudado a Antram ?

3. Todos procuramos viver num mundo mais justo e mais equilibrado. Se assim é e se o governo chegou agora a estes acordos, porque não o fez mais cedo ? Será que só quando é fortemente pressionado e os seus interlocutores têm algum poder, o governo os escuta ? Coitados de todos os que têm toda a razão do mundo, mas não conseguem ter argumentos fortes para o governo os escutar.

A grande lição que gostaria que todos retirássemos deste e de outros diferendos é a de que se há margem real para cedências mútuas e acordos em prol do bem comum, não sejamos cegos, surdos e mudos. A vida de todos nós precisa de muitos diálogos sensatos e produtivos.