
Josette Sheeran directora do Programa Alimentar Mundial referiu –se recentemente ao crescente aumento dos preços dos produtos alimentares como um “tsunami silencioso” e emite um pedido de ajuda internacional, afirmando que “milhões de pessoas que há seis meses não estavam numa situação de necessidade urgente fazem agora parte deste grupo”.
Também as Nações Unidas respondem à dramática escalada do preço dos produtos alimentares no seu Comunicado de Imprensa, “A unified United Nations response to the global food price challenge” o qual pode ser lido em:
http://www.fao.org/fileadmin/user_upload/foodclimate/documents/CEBunified290408.pdf
As principais razões para o aumento do preço dos produtos alimentares e da situação de crise e emergência generalizada de fome, resultam dos seguintes factores:
- Aumento da população mundial (são cerca de 75 milhões de novas pessoas por ano) ao que se adiciona o crescimento económico e a melhoria do nível de vida principalmente na Índia e na China, resultando no aumento da procura de cereais e outros alimentos;
- O aumento do preço dos produtos petrolíferos que tem pressionado a inflação na zona euro e que só por si encarece o preço de todas as produções agrícolas;
- Três factores agregados, o elevado preço dos combustíveis fósseis, a tentativa de reduzir a dependência do petróleo importado e a exigência de resolver os problemas ambientais, originam a rápida expansão dos biocombustíveis, os quais, sendo produzidos essencialmente de milho e açúcar, matérias-primas utilizadas outrora essencialmente na alimentação, viram a sua procura aumentar para um novo fim;
- A crise financeira internacional, despoletada pelo crédito subprime nos EUA, com a inerente falta de confiança dos investidores nos mercados accionistas e a pressão descendente das suas cotações em bolsa, que provocou o despertar da apetência dos especuladores financeiros para o sector (mercado de futuros) das commodities agrícolas sobrevalorizando o preço dos produtos alimentares;
- As restrições às exportações impostas pelos países exportadores de produtos agrícolas (como forma de assegurar a procura interna), muito embora se assistam a colheitas recorde nomeadamente de arroz, o que contribui para manter os preços em alta.
Nos anos 80 e 90 a UE introduziu reformas no âmbito da PAC (Política Agrícola Comum) destinadas a tentar limitar a produção de produtos excedentários nomeadamente a introdução de quotas de produção, limitação da superfície de cultivo/número de animais para os quais os agricultores obtêm ainda hoje subsídios. Estas reformas visaram uma PAC orientada para a procura (já que o aparecimento de excedentes teria como consequência a perda de posição a nível comunitário e mundial) e para a atribuição de subsídios à exportação (atribuição de uma compensação aos exportadores pela exportação de produtos a preços de mercado mundial, inferiores aos praticados na UE).
Estamos portanto face a um problema estrutural em que a politica proteccionista agrícola europeia limitou os países mais pobres na capacidade de virem a desenvolver o seu potencial agrícola, distorceu os preços dos produtos agrícolas e limitou a sua produção não estando em condições de satisfazer o aumento da procura mundial.
A comunidade mundial vai ter que responder a este “tsunami silencioso” da fome, esta emergência humanitária, a qual poderá provocar um outro “tsunami” de motins sociais, os quais podem vir a afectar o equilíbrio económico e social do mundo. Para o bem da humanidade que a resposta seja rápida.
Também as Nações Unidas respondem à dramática escalada do preço dos produtos alimentares no seu Comunicado de Imprensa, “A unified United Nations response to the global food price challenge” o qual pode ser lido em:
http://www.fao.org/fileadmin/user_upload/foodclimate/documents/CEBunified290408.pdf
As principais razões para o aumento do preço dos produtos alimentares e da situação de crise e emergência generalizada de fome, resultam dos seguintes factores:
- Aumento da população mundial (são cerca de 75 milhões de novas pessoas por ano) ao que se adiciona o crescimento económico e a melhoria do nível de vida principalmente na Índia e na China, resultando no aumento da procura de cereais e outros alimentos;
- O aumento do preço dos produtos petrolíferos que tem pressionado a inflação na zona euro e que só por si encarece o preço de todas as produções agrícolas;
- Três factores agregados, o elevado preço dos combustíveis fósseis, a tentativa de reduzir a dependência do petróleo importado e a exigência de resolver os problemas ambientais, originam a rápida expansão dos biocombustíveis, os quais, sendo produzidos essencialmente de milho e açúcar, matérias-primas utilizadas outrora essencialmente na alimentação, viram a sua procura aumentar para um novo fim;
- A crise financeira internacional, despoletada pelo crédito subprime nos EUA, com a inerente falta de confiança dos investidores nos mercados accionistas e a pressão descendente das suas cotações em bolsa, que provocou o despertar da apetência dos especuladores financeiros para o sector (mercado de futuros) das commodities agrícolas sobrevalorizando o preço dos produtos alimentares;
- As restrições às exportações impostas pelos países exportadores de produtos agrícolas (como forma de assegurar a procura interna), muito embora se assistam a colheitas recorde nomeadamente de arroz, o que contribui para manter os preços em alta.
Nos anos 80 e 90 a UE introduziu reformas no âmbito da PAC (Política Agrícola Comum) destinadas a tentar limitar a produção de produtos excedentários nomeadamente a introdução de quotas de produção, limitação da superfície de cultivo/número de animais para os quais os agricultores obtêm ainda hoje subsídios. Estas reformas visaram uma PAC orientada para a procura (já que o aparecimento de excedentes teria como consequência a perda de posição a nível comunitário e mundial) e para a atribuição de subsídios à exportação (atribuição de uma compensação aos exportadores pela exportação de produtos a preços de mercado mundial, inferiores aos praticados na UE).
Estamos portanto face a um problema estrutural em que a politica proteccionista agrícola europeia limitou os países mais pobres na capacidade de virem a desenvolver o seu potencial agrícola, distorceu os preços dos produtos agrícolas e limitou a sua produção não estando em condições de satisfazer o aumento da procura mundial.
A comunidade mundial vai ter que responder a este “tsunami silencioso” da fome, esta emergência humanitária, a qual poderá provocar um outro “tsunami” de motins sociais, os quais podem vir a afectar o equilíbrio económico e social do mundo. Para o bem da humanidade que a resposta seja rápida.

