Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

domingo, abril 20, 2008

O Silêncio dos competentes e o Talento em Portugal


Ainda dando continuidade ao tema do Otávio e do João sobre o silêncio dos competentes, pretendo evoluir para outras considerações ligadas às competências e atitudes, capacidades e oportunidades dadas aos competentes (exigidas e procuradas por eles) aos que potencialmente serão ou são já talentosos. É a questão tão em voga do talento em Portugal.

É certo que as competências se constroem através das atitudes, da educação, da formação, dos comportamentos, das inter-relações sociais e humanas. Muitas vezes é mesmo e só uma questão de crer, de atitude ou de uma forma de estar na vida. Outras não depende exclusivamente disso mas também de oportunidades e de janelas abertas. Vejamos o tema que aqui quero deixar e que se prende com o talento.

Está na ordem do dia falar-se em talento, na retenção de talento ou na identificação e recrutamento de pessoas com talento. Talento passou recentemente a fazer parte do léxico de muitos empresários, gestores, políticos ou outros opinion makers.

É bonito e importante falar em talento. Para se parecer talentoso. Se calhar é até chic ou muito in falar daquele de uma forma sofisticada como sofisticados parecem ser aqueles que são possuidores de talento. Claro são talentosos!

Mas exigir talento ou pessoas talentosas não passa de uma falácia e hoje em dia de um lugar comum. Quem são os talentosos? Nós? Eles? Quem somos nós? E quem são eles? E o que é o talento? Formação? Experiência? Atitude? Capacidade inata de fazer algo melhor e com mais competência a um nível de qualidade e eficiência que outros não conseguem? Ou o fenómeno da simples cunha? Talvez importasse definir claramente o que se entende por talento.

Seria igualmente relevante perceber porque se fala hoje tanto em talento? Dão os empresários apoio ou oportunidades aos talentosos? Aos jovens licenciados de elevado potencial, mediante a oferta de empregos qualificados e remunerados na justa medida? Àqueles que são ou podem vir a ser verdadeiramente talentosos? Oferecem-lhes boas expectativas de carreira, possibilidade de afirmação e realização pessoal e perspectivas de evolução, amadurecimento pessoal e profissional? Capacidade de virem a ter uma vida própria? Se sim, porque observamos então uma fuga sistemática e preocupante destes jovens talentos lá para fora, onde, por exemplo na Espanha, Inglaterra, Alemanha, Holanda ou EUA os recebem, talentosos, de braços abertos? Colocando a sua sabedoria e talento ao serviço das concorrentes instituições europeias e de outras partes do mundo?

E que dizer daqueles licenciados, profissionais de diferentes áreas, que já deram prova do seu talento e experiência que neste momento se encontram na fila do desemprego porque os talentosos empresários resolveram por em prática com algum talento programas de downsizing das suas empresas de modo a manterem só para si os seus talentosos resultados?

Ou será que quando falam (e se fala) em talento apenas se pretende fingir que se fala dos outros não se pretendendo outra coisa que não seja demonstrar e exprimir com uma vaidade subentendida que talentosos são eles (somos nós) porque, claro está, só exigem e procuram os serviços dos talentosos? Complexo não?
É extraordinário que num país como Portugal onde as carências em termos de conhecimento, formação e talento são tão vincadas, assistamos ao fenómeno de sujeitarmos mais de 65 mil licenciados ao desemprego. E que empresas em áreas tecnológicas nos digam que têm que recrutar centenas de jovens talentosos noutros países uma vez que estes não existem em Portugal. Quem sabe ainda algum destes jovens e talentosos emigrantes terá a sorte de ser recrutado na Alemanha ou na Holanda como jovem talento para trabalhar em Portugal.

Esta é uma questão sobre a qual teremos também que reflectir profundamente.

quinta-feira, abril 17, 2008

O silêncio dos competentes? Pois que se façam ouvir ...

Lanço aqui a discussão face ao excelente post do Otávio Rebelo com o título "o silêncio dos competentes". A temática é complexa, mas não necessita de ser tratada com complexidade.

O chefe é humano, o líder também, todos os colaboradores o são, negar a dimensão social, de relacionamento de qualquer colaborador com o próximo é contraproducente para chefes e chefiados e para todos nós enquanto membros dos grupos em que nos inserimos e da sociedade em geral. Isto significa que, por muito pouco que a tarefa, e respectivos resultados almejados, seja influenciada por razões sociais e por muito individual que seja, a dimensão social ou grupal na vida da empresa nunca deixa de ser importante.
Daqui se infere que as competencias de relacionamento e de comunicação são indissociáveis do conjunto de competências desejáveis de qualquer colaborador (aquele que colabora ...) em qualquer organização. Vivemos num ambiente cada vez mais propício à interacção, pela proximidade que as novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC) e a facilidade do recurso ao transporte físico nos permite. Essa interacção, se bem aproveitada, pode ser originadora de uma incomparável capacidade de criação, sem paralelo histórico, que poderá elevar a humanidade a níveis de progresso inimagináveis.
No entanto, a maior interacção também implica maior proximidade e maior intensidade de trocas entre culturas que até aqui têm subsistido relativamente "protegidas" de influências externas. Segundo Lévi Strauss, existe um fenómeno que acontece quando dois grupos se encontram e que tem sempre um de dois resultados. Passo a definição - "potlatch é um fenómeno social total, do tipo agonístico, em que duas fratrias, irmãs e inimigas, validam a sua identidade social" - o resultado dessa validação, amplamente estudado pelo sociólogo, tendencialmente tem dois resultados: a troca ou a guerra! E claro, uma das fratrias tem que ganhar e a outra perder no confronto. O importante é perceber que o confronto tem como objectivo a validação social e pode e deve ser efémero, senão mesmo evitado se ambos ou um dos grupos souber, no momento do contacto, endereçar as necessidades de validação do outro, o que envolve conhecer bem o grupo oponente e dominar boas tácticas de relacionamento. Tudo em prol do resultado que interessa - a fase de troca e construção, em oposição à guerra e destruição inerente.
Mas o que isto tudo tem a ver com o silêncio do competentes? Talvez esteja na hora dos competentes pensarem em investir mais em competências de relacionamento, da comunicação inerente, da liderança e das outras setenta e tal para as quais existem técnicas de desenvolvimento. Talvez esteja na hora de acreditar que, tal como as outras competencias técnicas que se dominam, também as denominadas "soft skills" merecem a justa atenção, porque se podem desenvolver e porque sem elas, o competente nunca será verdadeiramente competente, como colaborador, como chefe, como pessoa ...

terça-feira, abril 15, 2008

Não esquecer de (con) viver

Nos dias de hoje uma das frases que mais ouvimos é:

“ Agora não tenho tempo “

Não deixa de ser irónico, controlarmos tanta coisa e não termos tempo para controlar o nosso tempo.

Não se iludam amigos, o tempo que hoje têm é precioso.
Deixar que obrigações impostas por nós mesmos ou obrigações vindas do exterior, preencham a totalidade do nosso tempo, é e será sempre um erro.

Curioso é verificar que muitos de nós nem terão tempo, para se aperceberem que desperdiçaram a maior parte do tempo das suas vidas com futilidades.

É preciso acontecer algo bastante forte, por vezes até dramático, para que sejamos obrigados a sair da nossa “loucura diária” e paremos um pouco para ver e escutar o que está em nosso redor.

Dentro do realismo de que as obrigações aparecem em primeiro lugar, tenhamos coragem para ser simples de vez em quando.

Não menosprezemos as nossas capacidades e a importância das nossas palavras e dos nossos actos. Uma palavra dita ou escrita por nós, pode parecer algo irrelevante, mas não o é, antes pelo contrário.

Queremos sempre que sejam os outros a ter tempo para fazer mais e melhor.
Sim porque nós não temos tempo. Temos coisas importantes e inadiáveis para fazer e essas tarefas vão ocupando diária, semanal, mensal e anualmente o nosso dia-a-dia.

Entretanto, os anos vão passando e nós protestando.
Protestamos contra os governos, protestamos contra as oposições, protestamos contra tudo e contra todos. Apesar de não termos muito tempo, existe sempre tempo para protestar e criticar os outros. Esses outros são aqueles que muitas vezes estão usando o seu tempo para nos criarem melhores condições de vida.
“Mas estão a fazê-lo mal, seguindo os caminhos errados, dizemos nós “

E qual é então o caminho certo ?

Nós sabemos mas não temos tempo para o dizer.

Talvez se chame a isto hipocrisia.

Eu prefiro chamar-lhe desperdício de recursos e talentos.

Não se pede nenhum milagre a ninguém, quando se solicita que dentro dos seus saberes e da sua experiência, nos transmita algo de relevante e produtivo para a comunidade.

Talvez ainda exista outro factor que se esconde por baixo da desculpa do tempo. Esse factor é o egoísmo. Preferimos por egoísmo manter todos os nossos trunfos do nosso lado.

Ainda bem que quem inventou a roda, os post-its, o rádio, a televisão e os telemóveis não foram egoístas.

O mundo pode ser um local maravilhoso se nós tivermos do nosso lado uma série de “trunfos”.

Mas se tivermos a coragem ( e o tempo ) para fazer multiplicar esses trunfos, o mundo pode ser ainda um local muito mais maravilhoso.

Administrem o vosso tempo da melhor forma que souberem, mas não se esqueçam de ( con ) viver.

sábado, abril 12, 2008

Actividade Politica versus Actividade Privada - Conflito de Interesses? o Caso Português - Perspectiva de Ciência Politica

Tem sido tema de análise e discussão toda a semana nos media Portugueses a nomeação do Dr. Jorge Coelho - ex-Governante Socialista e figura politica de relevo no PS para Presidente Executivo da Mota/Engil.

Este tema relevante e polémico não é novo e tem sido analisado por cientistas politicos em vários Países. Como compatibilizar a actividade desenvolvida na vida politica com uma carreira no sector privado? São compativeis e é éticamente aceitável? é moral ou é imoral?

Assunto polémico e não consensual que na minha opinião deverá ser analisado numa perspectiva cientifica e não ideológica,pois, quando se analisa do ponto de vista ideológico e tendo em conta a cena politica portuguesa todos os actores partidários portugueses (partidos politicos) têm telhados de vidro sobre este tema dai que seja sensato ir ao fundo da questão que é a seguinte:

Em todas as democracias ocidentais e abertas ao pluralismo a transição de uma carreira politica para o sector privado é um dado adquirido.

Isto acontece em França, em Espanha, no Reino Unido e nos EUA. Portugal não está isento também deste fenómeno e com muito maior visibilidade em Portugal porquê?

Vejamos uma análise de sistemas comparados:

No Reino Unido ou nos EUA os ex-Ministros, Secretários de Estado ou ex-detentores de cargos relevantes são "caçados" pelas grandes corporações internacionais (Bancos de Investimento, Companhias Petroliferas, Consultoras Internacionais e Escritórios Internacionais de Advogados) para desempenharem cargos em áreas de desenvolvimento internacional, consultoria estratégica de apoio a expansão de negócios internacionais em mercados-alvo onde essas empresas têm interesses.

Vide por exemplo quando o antigo 1º Ministro Britânico Tony Blair foi para o JP Morgan ou Chris Patten foi para Chairman da BP depois de uma carreira como Governador de Hong-Kong e como Comissário das Relações Externas da União Europeia.

Em Portugal principalmente os ex-politicos são "caçados" para cargos em empresas nacionais mas para apoio ao desenvolvimento das estratégias de negócio dessas empresas no mercado doméstico.

Porquê é que acontece assim? nas culturas democráticas de origem Latina (Portugal, Espanha, França e Itália) a forte intervenção do Estado na Economia quer como regulador e entidade omnipresente implica que as grandes empresas tenham que dialogar constantemente com o Estado já que este ao mesmo tempo é um grande cliente e um grande regulador.

Na cultura Anglo-Saxônica como as economias domésticas funcionam mais abertamente e o Estado é de cariz Liberal as empresas não necessitam de recorrer tanto no plano doméstico a ex-politicos para exercer influência em processos de decision-making ou de diálogo com o Estado, pois, existem escritórios de Lobbying especializados e regulamentados na Lei que exercem esse papel de modo claro e transparente.

Quem visitar Washington por exemplo sabe que a Capital dos EUA é a capital do Lobbying e que exercer a profissão de Governamental Affairs ou de Consultor de Lobby numa grande corporação não é visto como algo negativo já que faz parte das regras normais funcionamento do jogo democrático.

Por outro lado, quando as empresas desses Países anglo-Saxônicos se internacionalizam ou actuam em contextos de mercado global recorrem ao recrutamento de politicos nacionais com skills, capacidade de influência e network internacional. Em Portugal infelizmente isso ainda não acontece dada a nossa pequena influência no plano internacional e não termos elites politicas internacionalizadas apesar de estar a aumentar com a nossa presença na União Europeia.

No plano politico português e dada a nossa baixa cultura politica quer no Topo (Classe Politica) quer na base (cidadãos) e a reduzida capacidade de intervenção civica e de transparência na vida pública própria de uma tradição politica centralizadora em que o Estado é o principal actor confundimos na semântica da ciência politica tráfico de influências com actividade de Lobbying.

Torna-se por isso um imperativo como sustenta hoje no "Expresso" o Politólogo Luis de Sousa do Observatório de Ética na Vida Pública e investigador no ISCTE e citando as suas palavras: " é necessário uma mudança de mentalidade e funcionamento do estado em que o lobby devia ser regulado porque tornaria as coisas mais transparentes e menos promiscuas".

O investigador ainda acrescenta " Em Portugal não há regulação para o Lobby, nem ele está institucionalizado, porque nós não somos uma democracia plural e participativa".

Em jeito de conclusão todos nossos cidadãos esclarecidos devemos reflectir sobre este tema relevante e transversal,pois, em termos de modelo de democracia madura e sociedade aberta como a designou Karl Popper temos ainda muito que evoluir ou será que "culture matters" e tudo continuará na mesma?

O Silêncio dos competentes

Destruir sempre foi mais fácil e mais rápido do que construir.

O ser humano é um sonhador e um construtor por natureza. Ao longo da evolução da sua espécie foi, ano após ano, década após década, século após século, construindo cada vez mais, guiado pelo seu espírito empreendedor.

A arte, o engenho e o mérito da construção não são contudo extensíveis a todos os seres humanos. Muitos descobriram que esse caminho nem sempre é o mais fácil. Outros descobriram que não se trata apenas de ser mais difícil; ele é virtual impossível para quem apresenta limitações ao nível das suas capacidades intelectuais. A este grupo (que infelizmente é maioritário) resta o caminho da crítica destrutiva e do lamento constante.

As suas palavras e acções são dominadas por atitudes e pensamentos mesquinhos, em que o mais importante é enaltecerem o pouco mérito que têm e denegrirem ou ocultarem o mérito dos que realmente demonstram capacidades e atitudes positivas e construtivas.

Vêm estas palavras de encontro a um sentimento generalizado de insatisfação de uma faixa importante da sociedade.

Falo concretamente das pessoas competentes. Excelentes profissionais, que com brio e dedicação, laboram diariamente pelo bem da sua empresa ou instituição. O seu trabalho é absolutamente vital.
Nada preocupados com mesquinhices ou jogos de interesse, esses profissionais, demonstrando elevado sentido de responsabilidade, resolvem diariamente um sem número de questões e tarefas mais ou menos complicadas. E fazem-no quase sempre “na sombra”. Na sombra dos seus colegas que se entretêm com “fogos de artifício” (bons para os olhos das chefias), e na sombra dos próprios chefes, quando também eles demonstram limitações na capacidade de avaliação correcta e isenta do trabalho desenvolvido pelos seus colaboradores.

Numa altura em que cada vez mais se fala na promoção do mérito e na importância da avaliação de desempenho, é importante chamar a atenção dos nossos líderes e chefes, para olharem com atenção para o trabalho desenvolvido pelos seus colaboradores.

Fica aqui uma dica. O trabalhador que executa bem apenas uma tarefa, tem “pressa” que o seu chefe reconheça o mérito do seu trabalho. Pelo contrário, o trabalhador que executa bastantes tarefas bem, com ritmo elevado e com regularidade, tem como principais preocupações que os trabalhos sejam feitos, bem e com competência, mantendo-se todavia em silêncio relativamente aos seus méritos.

Qual destes dois caminhos será o mais correcto?
A história tem teimosamente demonstrado que é o primeiro.
A bem do aumento da competitividade das nossas empresas e instituições e do reconhecimento dos que querem fazer um trabalho positivo, era bom que os chefes apreciassem mais o segundo.

terça-feira, abril 08, 2008

A medida certa

Toda empresa é posta diariamente à prova, sendo constantemente exigido a tomada de medidas certas.

Desde decisões simples de gestão corrente, até medidas mais profundas de âmbito estratégico e de planeamento a médio e longo prazo, a pressão para que se encontre o(s) melhor(es) caminho(s) é forte e constante.

Num cenário de “arrefecimento” da economia mundial com as previsões a apontarem para baixos valores de crescimento a nível global, maior se torna essa pressão.

Muitas pequenas unidades sentem uma necessidade de crescimento. “Só os mais fortes sobrevivem” é um dos clássicos chavões que se ouve com bastante regularidade.
Até as grandes empresas nacionais sentem que o nosso país é demasiado pequeno e optam por estratégias de crescimento marcadas pela aposta na internacionalização.

Ser forte não significa necessariamente ser grande. Mais importante do que crescer, é crescer na medida certa das capacidades de cada empresa. Muitas empresas, sem o saberem, já atingiram a sua dimensão ideal. Procurar crescer a todo custo, só porque se julga que no crescimento é que está o futuro da empresa, pode revelar-se uma opção fatal.

Nas cadeiras da faculdade, escutei e não mais esqueci a frase de um Professor que nos disse.
“ Para a tomada de boas decisões é necessário ter:
1. Muita Informação
2. Boa Formação
3. Bom Senso “

Neste cenário de crescente competitividade a nível mundial, torna-se importante o contributo cruzado dos bons gestores formados nas escolas de gestão com os bons gestores formados pela “escola da vida”.

Uns e outros, trabalhando juntos, falando e escutando, partilhando ideias, assimilarão as bases que lhes permitirão tomar as medidas certas.

sábado, abril 05, 2008

Deslocalização de empresas e Investimento Estrangeiro

Esta semana a noticia mais relevante de âmbito económico e social foi o encerramento de uma unidade de produção da Delphi em Ponte de Sor e de outra da Yazaki Saltano em Vila Nova de Gaia colocando no desemprego cerca de 900 pessoas sem contar com as empresas fornecedoras nacionais e service providers dessas duas multinacionais instaladas em Portugal que actuam no cluster automóvel.

Este cenário já era previsivel há bastante tempo aquando da entrada da China na OMC e do alargamento da UE a Europa Central e de Leste.

O sector de componentes autómovel está bastante globalizado e a tendência para o OEM (Offshore Equipment Manufacturing) é uma constante que implica a identificação e pesquisa de novos mercados fornecedores no seio da cadeia de valor do sector automóvel.

Portugal já foi um mercado atractivo até a nossa adesão a União Europeia,pois, com a livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais bem como a eliminação das barreiras aduaneiras nacionais tornou-se irrelevante a produção destas compeonentes em Portugal.

Para além de que os grandes fabricantes do sector automóvel não consideram Portugal um mercado estratégico para a fixação de unidades industriais deste sector. Excepção , felizmente é o caso da Autoeuropa.

Os nossos custos de produção são elevadissimos e não devem ter em conta a questão apenas da mão de obra, mas sim a produtividade, os custos de logistica, a competitividade dos portos nacionais e o custo energético bem como a elevada carga fiscal e a Burocracia que dificultam a captação de IDE em Porugal. Isto é, o grau de atractividade de investimento directo estrangeiro torna-se reduzido devido a estes condicionalismos.

O fenómeno da deslocalização e transferência de produção para outras áreas mais dinâmicas do globo não tem apenas Portugal como vitima, pois, abrange todos os Países da Europa e os EUA.

A globalização dos mercados e a procura de mercados mais competitivos ou a redução global de custos no seio das grandes corporações é algo que está para ficar e que está a criar verdadeiros fenómenos de desemprego ao nivel global e a conduzir regiões a situações perda de competitividade económica e social o que é prejudicial para a Estabilidade dos Países afectados onde essas regiões se encontram.

Alguns Paises vão conseguir superar esta questão através da seguinte estratégia:

- Reconversão profissional urgente das pessoas afectadas pelo fenómeno de desemprego nessas regiões - Mas uma reconversão real e eficaz feita entre Estado/ Autarquias e sector privado de forma a elevar a dignidades das pessoas e dar-lhes perspectivas reais de emprego em vez de emigrarem ou deslocarem-se para outras zonas do Pais.

- Captação de Investimento Directo que não necessita de ser de Multinacionais mas de PME que estão a internacionalizar-se e procuram novos mercados.

- Estratégia de captação de investimento direccionada para novos mercados emissores de IDE em vez de o esforço de diplomacia económica ser sempre nos mercados tradicionais.
- Melhoria do ambiente macroeconómico e redução da carga fiscal para o investidor

- Novo modelo de captação de investimento estrangeiro baseado em novas indústrias emergentes

- Novo modelo de apoio as PME nacionais na área da exportação e consórcios de exportação de forma a estimular a criação de riqueza nacional de base industrial nessas regiões.

- Forte estimulo a formação profissional e a criação de condições favoráveis nessas regiões para o investidor instalar as suas empresas o que implica redução da Burocracia e que as autarquias dessas vilas e cidades tenham gabinetes próprios de apoio ao investidor com técnicos com experiência do mundo real das empresas e que conheça quais as indústrias emergentes e as em declinio.

- Gestão previsional dos RH de forma a termos mão-de obra especializada para as indústrias atractivas que possam investir nessas regiões em declinio.

- Fortes acções de relações públicas internacionais para captar investidores e posicionar essa região como pólo atractivo para instalação de novas indústrias e com um ambiente envolvente com qualidade de vida e boas infraestruturas como: escolas, universidades, hospitais de excelência, boas acessibilidades etc..












quinta-feira, abril 03, 2008

Desigualdades Sociais e Globalização

Portugal como Estado aberto a economia global está neste momento a tornar-se num País dualista em que as desigualdades sociais e o fosso entre ricos e pobres é cada vez mais visivel.

É lamentável que um País que deu Mundos ao Mundo e que por natureza é uma Nação Global esteja neste momento a sentir-se incapaz de se integrar na economia global e a perder competitividade económica e social que se reflecte na perda do poder de compra da classe média nos últimos anos.

O erro que tem sido cometido por sucessivos Governos é julgar que o Estado resolve todos os problemas da sociedade e que em matérias em que devia ter eficacia na actuação não estar a ter e deixar o campo livre para áreas em que o sector privado já deu provas que pode fazer melhor.

Hoje em qualquer País com economia aberta a competitividade é baseada no alto desempenho do sector privado e numa regulação do Estado em que o próprio Estado que somos nós todos também é regulado de forma positiva. O que infelizmente cá ainda não acontece.

Em Portugal ainda se confunde muito Estado e interacção com sector privado o que dificulta a existência de uma verdadeira economia social de mercado.

As desigualdades sociais são fruto desse Estado Social de Mercado que ainda é incipiente e que não proteje aqueles que estão desfavorecidos ou em fraqueza social. É prioritário antes de mais definir que Modelo de Estado queremos ter,pois, ser 100% liberal e 100% socialista ao mesmo tempo não acredito que venha a dar muitos resultados. Vide por exemplo o caso de França.

Torna-se por isso urgente todos nós cidadãos responsáveis pensar que Modelo de Estado queremos para Portugal numa era de globalização em que só os mais fortes e aqueles paises com vontade x capacidade conseguirão vencer.

quarta-feira, abril 02, 2008

Politica Externa Portuguesa e Convergência Interministerial

O Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal: Dr. Luis Amado alertou esta semana para a existência de uma "politica de capelinhas" na acção externa do Estado Português.

É um facto que esta falta de coordenação interministerial no que concerne a formulação e implementação da Politica Externa Portuguesa existe há bastantes anos prejudicando a projecção internacional de Portugal na cena internacional.

Uma politica externa na assumpção da palavra tem que ser exequivel e ter em conta o interesse nacional e tem que estar acima de interesses ministeriais ou "capelinhas".

É necessário uma visão de Estado que coordene a acção externa da Máquina Diplomática e de todos aqueles que têm responsabilidade pela projecção internacional de portugal no âmbito da diplomacia politica,cultural, económica e defesa de forma a termos uma voz unissono e uma coerência na defesa dos interesses de portugal junto das instituições internacionais e dos centros de decisão internacional.

Torna-se por isso imperativo uma reforma no sentido de reorganização da máquina diplomática e de todas as áreas de relações internacionais dos ministérios que actuam ou se cruzam no campo da politica externa.

A competitividade dos Países pela procura de prestigio e influência internacional implica uma agilização dos instrumentos diplomáticos, culturais e económicos ao serviço do Estado de forma a aumentar a penetração da nossa capacidade de influência no sistema internacional e termos Portugal como estado pequeno mas aberto ao Mundo com forte prestigio diplomático no xadrez mundial.

Ao transpormos para a cena internacional uma máquina diplomática ágil e eficaz estamos a criar condições para um desenvolvimento económico de Portugal mais elevado e para o aumento da respeitabilidade como País aberto ao Mundo e com uma diversidade de relações internacionais.


Alfredo Motty
2/04/2008

sábado, março 29, 2008

Batalha Naval

Lembrei-me de repente de um dos jogos favoritos da minha infância.

Longe das Playstations e outras tecnologias actuais, utilizávamos papel e caneta ou lápis.

Cada jogador dispunha em cada jogo de um papel quadriculado que simulava o mar e onde tinha de colocar a sua frota, desde os submarinos ao porta-aviões.

O jogo consistia então em escolher 3 tiros em cada jogada de forma a adivinhar a localização que o adversário tinha escolhido para a sua frota. Esses tiros ou acertavam em parte dos navios do adversário ou, eram tiros na água.

Era um jogo simples e muito divertido que misturava intuição e estratégia.

Lembrei-me dele a propósito dos muitos contributos que testemunhamos ao ler diversos jornais e revistas semana após semana.

Considerando os navios como problemas que temos de resolver no dia-a-dia, um objectivo poderia ser dar tiros nesses “navios”, de modo a afundá-los, leia-se, resolver os problemas.

Infelizmente, conseguimos atingir o paradoxo de ter um exército de pessoas a produzir bons artigos e a dar boas ideias mas que, ao não serem devidamente aproveitadas, representam tiros na água, perdendo-se ingloriamente essas mais valias.

É como se a vida não passasse de uma brincadeira, onde podemos pacificamente ignorar a urgência na resolução de problemas simples ou complicados.

Vivemos pois um tempo de desperdício. Desperdício de talentos, desperdício de recursos que assumimos como inesgotáveis.

Felizmente assistimos a um ressurgir de novos grupos e novos movimentos que insistem em “dar pedradas no charco”.

Resta-nos então acreditar no velho ditado:
“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”

Miopia internacional das PME - O caso Português

No âmbito da actividade profissional que tenho desenvolvido quer como consultor quer como formador nas áreas de comércio internacional tenho vindo a constatar que ainda existem grupos de empresários de PME que continuam com a chamada doença "miopia internacional".

Doença esta que no âmbito dos estudos consagrados a internacionalização ainda afecta muito
alguns sectores de actividade em Portugal. Quais são os sintomas dessa doença? Vejamos:

- Estratégia de exportação definida pelo lado da oferta e não pelo lado da procura
Exemplo de discurso: tenho um bom produto e a um bom preço............mas sem estudar a concorrência directa e indirecta no plano global de produtos semelhantes e alternativos existentes em outros mercados.

- Aquele meu amigo que tem a empresa A está a exportar para o País X ou Y logo eu também vou exportar e ser bem sucedido nesses mercados.

- O mercado Português está estagnado e aqui não vendo nada logo é melhor fazer as malas e ir a procura de mercados sem uma estratégia definida. Há uns tipos que dizem que o que está a dar é os PALOP, outros que falam na Europa Central e de Leste onde as míudas são giras..... Porque não ir até aos PALOP, pois, eu até conheço bem Angola,pois, o meu bisavô fez lá a tropa...........

- Há uns tipos nesses mercados que me querem comprar uns produtos......eu fui lá para vender o que fabrico que são produtos têxteis mas isso eles já lá tinham então conheci uns distribuidores que me pediram se lhes arranjava vinho. Pensei cá para os meus botões eu tenho uma amigo da Adega Cooperativa que quer exportar, pois, ele não consegue entrar com os vinhos deles nas grandes superficies pois o produto tem que ser referenciado logo sugeri-lhe para irmos vender o vinho deles nesses mercados onde estive........vou perguntar quantas caixas leva um contentor de 20 FCL de tinto do bom.......e mandar umas amostras com rótulo de portugal,pois, agora é só para eles verem o produto. depois logo se vê o que vai dar...já me estava a esquecer........essa empresa que quer comprar é um importador/distribuidor de relevo nesses mercados? quais os termos de pagamento a praticar? quais os termos de entrega? custos de logistica? quais são? custos de adaptação de embalagem foram feito? o meu amigo também me disse que isso agora não é relevante......isto é como vender a porta da fábrica - o Lado da oferta é que manda.......e o meu amigo vai 1 semana num ano a um desses mercados logo tem um elevado conhecimento desses mercados. Para que tanta interrogação sobre como efectuar as transacções internacionais? é uma perda de tempo!

quinta-feira, março 27, 2008

Jantar/Debate do FRES - As Cidades


Estimados fresianos e caros visitantes


O FRES realizou ontem no restaurante Kardápio em Lisboa mais um jantar debate cujo tema de discussão foi "As cidades como pólos de desenvolvimento local e regional".

Durante este encontro foram discutidos os diferentes papeis das cidades, quer como pólos de crescimento e desenvolvimento territorial, quer como modelos de atractividade de pessoas, saberes, cultura, ciência e conhecimento, quer ainda como factores de assimetria regional ou nacional. Os papéis e impactos do crescimento das cidades, criando por um lado fócus de desenvolvimento, sejam eles estruturais, económicos ou sociais, estão, por outro lado, a provocar desequilibrios urbanos, a incrementar indiçes de criminalidade e a intensificar fenómenos de desigualdae social. A problemática do que é uma cidade competitiva versus uma cidade não competitiva, (seus indicadores) foi também abordada.

Nesta óptica foi igualmente discutido e debatido se os indicadores que definem os vários conceitos ou critérios de competitividade de uma cidade (segundo o método do Fórum Económico Mundial) são os mais adequados.

Daremos em breve aqui notícias sobre as conclusões ou (ausência delas) relativas a este debate.

Saudações fresianas

sábado, março 22, 2008

O Empreendedorismo social e os Think Tanks


Falar hoje em Portugal sobre o que é um Think Tank representa, para a maioria das pessoas, falar de algo completamente desconhecido. É infelizmente assim num país que não devia estar distante destas temáticas dos grupos de reflexão mas sim integrado numa outra dinâmica e grau de desenvolvimento social e intelectual. Acreditem, pois temos no dia-a-dia a prova disto. Testem. Experimentem.

Se internamente os poucos Think Tanks que existem estão virados para dentro e apenas trabalham numa perspectiva de debate e reflexão, já nos países da Europa e EUA onde estes proliferam de forma muito significativa como verdadeiros núcleos de debate, reflexão, pesquisa e investigação, estes, estão completamente virados para fora. A sua acção desenrola-se na esfera da produção de debates, produção de papers e realização de trabalhos de pesquisa e investigação, divulgação e discussão de políticas de desenvolvimento e cooperação (terceiro mundo, Ásia, África, países vitimas de catástrofes, ciências médicas ou investigação biológica, molecular ou estudos sociológicos concretos, apenas para referir alguns exemplos).

Todas as semanas se realizam por exemplo em universidades americanas (através de think tanks académicos- ou em Bruxelas no âmbito da comunidade europeia através de think tanks oriundos de vários países especializados em temáticas diversas) workshops, reuniões, seminários ou conferências sobre os trabalhos que estes grupos desenvolvem. Neles trabalham imensas pessoas que escrevem e investigam sobre os temas em curso. Estes grupos são geradores dos seus próprios proveitos e receitas. Este movimento da sociedade civil é designado por empreendedorismo social. Voltaremos a falar deste tema em posts seguintes.

Temos falado muitas vezes destas ideias entre alguns de nós no FRES e pretendemos dar passos em frente neste sentido. No fundo sabemos que sem ousadia e ambição, atitude ou determinação nada nos distingue da multidão cinzenta que compõe a maioria da sociedade civil em Portugal. Pretendemos com tempo, paciência e perseverança ultrapassar as fronteiras deste país e levar as nossas ideias ou propostas ao centro da Europa onde estão aqueles que falam por nós e que nos devem representar. Sabemos como fazê-lo, falta-nos tempo e alguma organização. Mas fá-lo-emos sem dúvida.
Se pretendermos hoje ir a Bruxelas apresentar uma proposta, um paper, sabemos com quem falar e quando ir. Temos espaço aberto para nós. Porque não o fazemos agora? Talvez por difícil articulação da vida profissional. Mas vamos tentar? Será daqui a 1, 2, 5 anos…não sabemos. Mas podemos manter como linha de orientação esse objectivo e esse rumo.

terça-feira, março 18, 2008

Aprender a nadar

A propósito do sub-aproveitamento do valioso recurso que Portugal dispõe ao contar com uma enorme zona marítima sob sua jurisdição, o Professor Universitário Viriato Soromenho Marques teceu algumas considerações interessantes e importantes.

Quem tiver a curiosidade de conhecer um pouco mais sobre a sua obra pode visitar a sua página oficial

http://viriatosoromenho-marques.com/

Quanto às considerações propriamente ditas, elas alertam para a necessidade de haver uma consciência da importância estratégica que o Mar pode representar para Portugal, sobretudo numa altura em que os Países lutam cada vez mais pela posse e administração de recursos.

A enorme zona marítima que Portugal administra pode ser aproveitada não só pelos sectores tradicionais de pesca e navegação, como também pelo sector do turismo e pelo sector da energia; ainda numa fase embrionária, a exploração do Mar como fonte de energia renovável e não poluente, pode ter um papel importante a desempenhar, caso se verifiquem os estudos e avanços tecnológicos necessários.

Outra chamada de atenção que o Professor Viriato Soromenho Marques fez foi a de que é absolutamente vital uma conjugação de esforços. Essa conjugação visa o aproveitamento de capacidades, de forma coordenada e, tendo como suporte uma visão estratégica do Mar, integrando os diversos factores acima referidos.

Curiosa é também a referência a uma necessidade de sermos persistentes estrategicamente, rentabilizando as iniciativas do sector público e do sector privado e partindo de uma consciência do que temos e do que precisamos de ter para poder investir e ganhar vantagens económicas com o Mar que dispomos.

Não menos importante foi a chamada de atenção para o facto de, se nada fizermos e formos negligentes, não só perderemos o potencial económico como também poderemos passar a ter um Mar maltratado com todos os perigos que isso pode acarretar.

A forma sensata e fundamentada como expõe as suas ideias, visando amplos consensos, fez-me apreciar as suas considerações e sentir uma certa identificação com o que temos procurado fazer no FRES.

sexta-feira, março 14, 2008

Investimentos e urgência de criação de emprego

A semana que hoje encerra teve algumas boas notícias em termos de investimento, nomeadamente:

1. A La Seda de Barcelona, que tem como principais accionistas o grupo português Imatosgil e a Caixa Geral de Depósitos (CGD), anunciou o arranque da construção em Sines de uma fábrica de PTA (ácido teraftálico purificado, a matéria-prima de todas as formas de poliéster). Este investimento, louvado pela sua importância local e nacional pelo Primeiro Ministro Engº José Sócrates, representa um valor de cerca de 400 milhões de euros, permitindo à empresa espanhola passar de terceiro para primeiro “player” na Europa neste segmento.
A La Seda de Barcelona foi fundada em 1925 e é líder no mercado europeu de PET (polietileno tereftalato), o plástico utilizado em embalagens.
Pormenores interessantes sobre este investimento podem ser vistos em

http://www.mun-sines.pt/inovaemprego/documentos/apresentacao_artenius_ruisousa.pdf

2. Investimento a nível da Hotelaria

Hotelaria: Axis investe 12 M€ em Viana do Castelo
http://www.millenniumbcp.com/SME/middle/04/showNew/0,3532,3-20080311115958-DIARIODIGITAL----true-,00.html

3. Investimento a nível do Comércio

AKI investe 35 M€
http://www.millenniumbcp.com/SME/middle/04/showNew/0,3532,3-20080311134500-DIARIODIGITAL----true-,00.html

4. Investimento em Logística

Como síntese dos investimentos atrás referidos e para realçar a importância de continuarmos todos a trabalhar bem e a bom ritmo, transcrevo os seguintes parágrafos relacionados com esta notícia.

“ O primeiro-ministro, José Sócrates, disse na terça-feira dia 11 de Março, que a plataforma logística Lisboa-Norte, no concelho de Vila Franca de Xira, é um «elemento modernizador da economia» e que representa a confiança dos investidores estrangeiros em Portugal.
«Estou aqui hoje para sublinhar a importância deste investimento [plataforma logística], que é um instrumento modernizador da nossa economia«, afirmou hoje José Sócrates durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra da plataforma logística de Castanheira do Ribatejo.
Na ocasião, o primeiro-ministro destacou a importância que o investimento empresarial estrangeiro tem para a economia portuguesa, salientando que Portugal «precisa de investimento modernizador e que dê emprego às pessoas«.
A plataforma logística, que estará concluída em 2018, representa um investimento de 265 milhões de euros por parte do grupo espanhol Abertis.
A nova infra-estrutura permitirá, segundo as estimativas da Abertis, criar mais de 5.000 postos de trabalho directos e 12.500 indirectos.
Para o primeiro-ministro, o investimento do grupo espanhol traduz «um elemento de confiança na economia portuguesa e nos portugueses«, o que significa «mais oportunidades de emprego«.
«Queremos que este investimento ande depressa porque há muita gente a querer trabalhar«, sublinhou.”

Esta é uma frase emblemática, que merece todas as análises e nenhum comentário em particular.

quinta-feira, março 06, 2008

Verde por 2 minutos

As questões ambientais têm tido uma importância crescente.

Somos diariamente bombardeados com muita informação pela televisão, jornais, revistas, etc.
A maior parte dessa informação consiste em guerras, violação de direitos humanos, desporto e factos políticos de duvidosa relevância.

Neste contexto, chamo particular atenção ao “ Minuto Verde”. Trata-se de um programa transmitido de manhã cedo e, como o nome indica, com a duração de apenas um minuto. Nele deparamos com pormenores interessantes sobre situações práticas diárias e sobre cuidados que algumas profissões necessitam de ter em atenção, para obter uma mais eficiente utilização de recursos.

Estas informações são fornecidas por alguns membros da Quercus, associação que todos conhecemos e que visa a defesa do meio ambiente.

A este propósito gostaria de fazer dois reparos ou sugestões:
- Julgo que se o programa fosse visualizado na dita “hora nobre”, abrangeria uma maior audiência, sendo um momento ideal para adquirir e aplicar conhecimentos no nosso dia-a-dia.

- Por outro lado, se em vez de apenas um minuto, onde tanta informação relevante é transmitida, pudéssemos contar com dois minutos diários, muito mais conhecimentos poderíamos adquirir, com benefícios para a nossa vida em casa, no trabalho e em todo o lado.

Violência contra as mulheres continua a aumentar

Amnistia Internacional divulga estudo com números preocupantes

“ Os números são alarmantes e revelam apenas a ponta de um iceberg. Um estudo hoje divulgado pela Amnistia Internacional indica que 4 portugueses são vítimas de crime todos os dias, sendo que as vítimas são essencialmente do sexo feminino.
De acordo com a Amnistia Internacional, os números agora divulgados indicam que o o fenómeno da discriminação de género continua enraizada no País e que as queixas conhecidas revelam apenas uma parcela dos casos reais conhecidos pelas autoridades. “
A 2 dias de se assinalar mais uma vez o Dia Internacional da Mulher, é com tristeza e apreensão que escuto notícias destas. Elas são o testemunho que muito ainda temos a percorrer para que as mulheres, TODAS AS MULHERES, sejam tratadas com o respeito que merecem.
A brutalidade e os maus-tratos, quer físicos quer psicológicos, que se infligem sistematicamente a homens, mulheres e crianças, são um verdadeiro acto de cobardia.
Lutarei como posso para combater essas maldades, que afectam maioritariamente as mulheres.
Nestes dias, e em especial no dia 8 de Março, múltiplas serão as iniciativas em todo o Pais, para homenagear e mimar as Mulheres em Portugal.
em
podemos ver que:
“No âmbito das comemorações do Dia da Mulher, Vila Real de Santo António tornar-se-á, durante três dias, a “Cidade da Mulher”, com actividades dedicadas ao público feminino.
Esta iniciativa da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António pretende homenagear todas as mulheres, não só do concelho, mas de todo o país, oferecendo-lhes a possibilidade de se dedicarem exclusivamente a si próprias durante três dias. “
Gosto de Vila Real de Santo António e gostava de lá estar nestes dias.
Mas o que gostava mesmo, mesmo muito, muito, muito, é que em breve não fosse mais necessário comemorar o Dia Internacional da Mulher.
Em vez disso, deveríamos todos ter a noção do valor desse ser tão igual a nós e ao mesmo tempo tão especial, e mimá-las todos os dias ou, no mínimo, respeitá-las.

terça-feira, março 04, 2008

Prons and Cons: Education´s true hour

Assisti ontem ao programa Prós e Contras sobre o tema educação. É de facto um programa único como poucos na televisão nacional e a não perder.

Como primeira conclusão refiro para já o seguinte: tinha assistido ao da semana passada sobre o mesmo tema, no qual participaram as partes litigantes – o Governo através da Ministra da Educação por um lado e os professores por outro - e comparativamente àquele, o de ontem sem as partes litigantes, antes debatido entre pessoas que pensam e trabalham a educação num contexto fora das partes beligerantes, foi muito mais profícuo, esclarecedor e interessante.

Depois várias questões relevantes foram abordadas pelos participantes. Quero aqui referir as que me pareceram ser de destacar. Não sendo de destacar quem disse o quê, apenas referirei as ideias que me pareceram essenciais.

Foi referida a necessidade de haver a criação de uma plataforma de intermediação do litígio hoje vigente entre professores e Ministério. Essa plataforma deverá ser composta por pessoas independentes, capazes, com competências e com prestígio suficiente para tratar o tema. No fundo uma intervenção cívica (ou um misto de) independente para mediar o conflito. Foi ainda referida a necessidade de vermos os professores como uma classe acima das disputas políticas, cuja importância da profissão é transversal a toda a sociedade portuguesa, devendo ser transcendental a todo este clima de quezília instalada. É aos professores que nós confiamos os nossos filhos para nos ajudarem a educá-los.

Outro interveniente referiu que hoje, o sistema de educação ao nível do ensino secundário, tal qual muitos de nós o conheceram e viveram, outrora de classe mundial, está hoje muito distante do melhor que existe nos países mais desenvolvidos ao nível da educação. A escola não se terá adaptado bem a uma certa modernidade, uma vez que há um novo paradigma a que chama a inteligência colectiva (com o advento da Internet) através do qual as pessoas agem, discutem e se expressam em grupo através da net, a qual tem hoje uma força que pode fazer mudar o estado das coisas e a perspectiva que se tem da realidade.
Diz o mesmo que por exemplo “lá fora” ou seja noutros países como os EUA, o grau de exigência, as temáticas de leitura e a atenção para todos os fenómenos de participação intelectual e cívica exigida aos alunos, não tem comparação em Portugal.

Um dos convidados da assistência regista uma ideia de salientar: a escola não pode e não deve estar vocacionada nem o sistema de ensino tampouco, para educar em função das necessidades das empresas, mas antes sim em função da felicidade dos alunos. Os alunos devem estudar e seguir as orientações, os cursos, os ensinamentos, as temáticas com as quais pretendem ser felizes. Esta busca da felicidade não pode ser condicionada de modo a que a escola apenas prepare as pessoas para trabalhar nas empresas. E a arte, as ciências, a literatura, a música, a pintura, a poesia e tudo o resto?

Outro dos convidados do debate reforçou a ideia que todos os intervenientes defenderam: é necessária a avaliação de professores. Deu como exemplo o facto de ter dado aulas na Inglaterra durante 3 anos e ter sido avaliado 2 vezes. Sem traumas e com toda a naturalidade é assim. Não se pode conceber uma profissão com a importância deste calibre sem as pessoas serem avaliadas.

Uma questão que esteve em aberto foi se os pais deveriam participar neste modelo de avaliação. Agora em minha opinião e também conforme foi referido por um dos intervenientes julgo que sim que é indispensável.

Tal como refere um dos convidados da assistência, recorrendo ao futebol como analogia, os treinadores são diariamente avaliados bem como os jogadores. É isso que os faz procurar ser melhores e vencedores. E os melhores avaliadores dos treinadores são os próprios jogadores. Também, pela mesma lógica de raciocínio, os pais podem ser bons avaliadores dos professores.

Finalmente ainda a destacar o facto de ter sido salientado que a disciplina, o esforço e a dedicação como factor essencial para uma escola de sucesso. Um dos convidados sublinha uma frase quanto a mim paradigmática: uma escola fácil não prepara os alunos para uma vida difícil.

Referiu ainda o aprumo e disciplina que testemunhou entre os alunos da Academia de Alcochete do Sporting como um exemplo a observar.

Não previmos isto no FRES quando há mais de um ano tomámos como tema mais relevante para trabalho a Educação. Parece que adivinhava-mos. Está como nunca na ordem do dia e prende a atenção das pessoas mais atentas e conscientes.

Agora esperemos pelo debate.

segunda-feira, março 03, 2008

Fuga das Estatísticas

Deveremos andar estatisticamente felizes por o número do desemprego baixar umas décimas ?

Há 3 semanas lia-se nas notícias que

“ Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que no quarto trimestre do ano passado a taxa de desemprego caiu uma décima para os 7,8%, e o número de desempregados atingia os 439,5 mil.”

Analisando estes números isoladamente até não parece muito mau. Mas numa altura em que aumentam o número de falências, com os sectores tradicionais de comércio e indústria a perderem dezenas de milhares de empregos, esta relativa “estabilidade” dos números do desemprego podem ter outras explicações.

Sendo um desafio interessante para os apaixonados da estatística, aqui fica a seguinte ideia:
- Porque não estudar a correlação entre a evolução do número de desempregados e a emigração no período dos 2 ou 3 últimos anos ?

Hoje li a seguinte notícia:

“ Portugueses em Espanha

Emigração para o país vizinho aumentou 40% em 2007

O número de portugueses a viver em Espanha aumentou mais de 40 por cento no ano passado. Madrid e a Galiza são as zonas preferidas de quem resolve emigrar e já são mais de 100 mil os que residem para lá da fronteira. “

fonte:
http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/20080303_Portugueses+em+Espanha.htm

Se a Economia Espanhola e outras, como por exemplo as do Reino Unido, França e Suíca, continuarem a absorver os nossos desempregados a um bom ritmo, os números manter-se-ão em níveis estatisticamente satisfatórios.

É claro que isso será mais uma vez fruto dos sacrifícios de milhares de compatriotas nossos que, não acreditando mais no futuro do nosso país, rumam a velhos destinos, onde o valor do trabalho parece (ainda ) ser reconhecido.

Os que cá ficam, deveriam estar atentos.
Estamos ainda longe do cenário de um ex-presidente do Brasil quando disse
“ O nosso país está à beira do abismo, mas vamos dar um grande passo em frente”.

Não é no entanto um exagero, alertar para o facto de os sinais de abrandamento da nossa economia ( sobretudo das milhares de pequenas e médias empresas que estão a travar lutas dramáticas pela sobrevivência ) começarem a ser muito fortes.

sábado, março 01, 2008

Defeitos e Feitios

A presidência do Conselho de Ministros aprovou recentemente o Programa pagar a tempo e horas.

No portal

http://www.dre.pt/pdf1sdip/2008/02/03800/0116701172.PDF

encontramos a Resolução do Conselho de Ministros n.º 34/2008
publicada no Diário da República, 1.ª série — N.º 38 — 22 de Fevereiro de 2008

Nela podemos ler que

“ Na economia portuguesa tem -se verificado a prática de prazos de pagamento alargados em transacções comerciais. De facto, vários estudos internacionais estimam que o prazo médio de pagamentos em Portugal seja significativamente superior ao praticado nos restantes países europeus. A prática de prazos de pagamento alargados é comum aos vários agentes económicos, onde se incluem alguns serviços das administrações públicas e algumas empresas do sector empresarial do Estado.
A redução dos prazos de pagamento nas transacções comerciais na economia portuguesa para níveis próximos dos padrões internacionais melhorará o ambiente de negócios, reduzindo custos de financiamento e de transacção, introduzindo maior transparência na fixação de preços, criando condições para uma mais sã concorrência. Por isso, o Estado deve contribuir para essa redução, acrescendo ainda que a prática de prazos de pagamento alargados pelas
administrações públicas e empresas públicas tem um efeito de arrastamento a toda a economia.”

Como sempre, várias considerações se podem tecer sobre esta iniciativa indo desde o esperançado “até que enfim uma medida importante” até ao descrente “mais uma medida para não sair do papel”.

Se é certo que não é por decreto que todos vão começar-se a comportar bem, não é menos certo que seria bem pior não fazer nada.

Hoje, a concorrência já não se faz apenas a nível local. Há muitos anos que pertencemos a um espaço económico mais alargado ( a União Europeia ) e cada vez se sente mais os efeitos da globalização ( concorrência a nível mundial ).

Estes factos, aliados a uma necessidade cada vez maior de aproximação e transparência de regras entre os múltiplos agentes económicos, levam-me a aplaudir esta medida do Governo.

Diz-se na gíria, com algum abuso e muitas vezes com pouca graça, que “para pagar e para morrer, quanto mais tarde melhor”.

Este espírito de que os prazos de pagamento não devem ser cumpridos, distorce fortemente as regras de concorrência, criando dificuldades tanto maiores quanto menor for a dimensão da empresa e a sua robustez financeira. Muitas pequenas e médias empresas vivem hoje em dia uma situação asfixiante, não porque não tiveram um bom desempenho comercial, mas porque os cumprimentos financeiros dos seus clientes deixam muito a desejar.

Este é mais um assunto que dá “pano para mangas”. Não quero no entanto alongar-me, dizendo apenas que gostava que este programa estatal ( logo destinado aos organismos e empresas da administração publica ) fosse visto também como um bom exemplo a seguir pelas empresas do sector privado, sobretudo por aquelas que, tendo capacidade financeira para cumprir os compromissos com os seus fornecedores a tempo e horas, não o fazem apenas porque se assiste a um abusivo, “quanto mais tarde se pagar, melhor”.