Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

sábado, setembro 08, 2007

Modelos Politicos e Económicos e o papel do Estado

Estimados Fresianos,

Tenho estado ausente dos vossos debates sobre qual o modelo ideal? o Estado Social ou Estado Liberal?.
Na minha modesta opinião têm vantagens e desvantagens. Não existem modelos perfeitos. O modelo ideal neste momento é a chamada democracia social de mercado que já existe em Países como Dinamarca, Suécia e Finlândia já que combina liberalismo económico com regulação do estado em diversos sectores como a educação, justiça, segurança social, defesa nacional e sáude.

Para além disso este modelo tem como pilar uma consciência nacional e colectiva em que se dá primazia ao Estado de Direito, Liberdades e Garantias individuais, isto é a liberdade individual no âmbito das actividades económicas e politicas não é posta em causa pelo Estado.

Em Portugal estamos numa fase de adopção de modelos quer pelas familias politicas da esquerda ou da direita. Algum partido de esquerda se digna hoje a defender o colectivismo e a propriedade colectiva dos meios de produção?. A Esquerda socialista ocupa o espaço politico do PSD (Social democracia) e implementa reformas e politicas públicas que se fossem realizadas pelo PSD ou PP seriam consideradas medidas de direita. Porque é que isto acontece? após a queda do muro de berlim e a desintegração do sistema soviético as referências politicas quer dos partidos socialistas e comunistas no espectro politico europeu passaram a ser outras. Hoje assiste-se a chamada desideologização da vida politica já que como dizia Francis Fukuyama " estamos na época do fim das ideologias" dada a economia de mercado ter vencido. Será que é totalmente válida esta tese?
Também não concordo com Fukuyama em absoluto.
A democracia liberal e a economia de mercado ainda não está totalmente implementada em todos os Estados que compõem o sistema internacional apesar de a globalização diminuir cada vez mais o campo de intervenção do Estado.
O Estado ainda continua a ter um papel estratégico em áreas como diplomacia, segurança interna e defesa nacional e em muitos Países ainda assume um carácter intervencionista de forma a impedir a desregulação dos mercados principalmente quando existem situações em que empresas estrangeiras efectuam aquisições de empresas nacionais.

Em jeito de conclusão podemos afirmar que os modelos politicos e económicos são dinâmicos e que o papel do Estado é maior ou menor tendo em conta o maior ou menor grau de liberdade individual existente nesse País. Em Países onde o Estado é mais paternalista as liberdades individuais são sem dúvida menores já que mesmo que se queira expressar a liberdade individual de cariz económico existem sempre limitações regulatórias por Parte do Estado. Tudo pode mudar nesses Estados quando a liberdade ou consciência colectiva for uma aglutinação das das liberdades individuais dos cidadãos tal como acontece no sistema escandinavo.
Se a consciência colectiva é fruto do Estado e não dos cidadãos então não existe verdadeira democracia liberal.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Educar tem de voltar a estar na moda

A propósito da consideração da nossa colega Estela sobre as Ideologias parecerem estar fora de moda, apercebi-me do tremendo impacto que as modas exercem sobre as nossas acções e pretensões.

As televisões nacionais decidiram há vários anos, colocar no dito horário nobre diário, um inesgotável rol de telenovelas e reality shows. Nas horas a que a maioria dos cidadãos conseguem estar em frente do pequeno ecrán, os programas educativos tornaram-se um oásis. Educar deixou de estar na moda.

Ultrapassando os limites da educação escolar e considerando a educação no sentido lato ou seja, o somatório das várias vertentes da educação que devem acompanhar a nossa vida, a maioria de nós reconhecerá que a educação é o pilar do desenvolvimento de cada ser humano e da relação que estabelece com o meio envolvente.

Muitas das nossas acções e pretensões esbarram numa tremenda falta de cultura educacional que testemunhamos nos dias de hoje. Massacrados por uma longa “campanha de desinformação”, cada vez temos mais dificuldades em que os outros escutem e reflictam sobre as ideias que lançamos.

Para um maior sucesso das muitas propostas que iremos continuar a fazer, seria também muito importante que a educação voltasse a estar na moda.

sábado, setembro 01, 2007

A China e a Índia


Ainda a propósito dos nossos debates sobre a India e a China e o seu impacto no contexto mundial, deixo aquei algumas pérolas de um livro fantástico de Federico Rampini: China e India – as duas grandes potências emergentes.

“ Perguntei a um indiano as mesmas perguntas que a um chinês que não me soube responder o seguinte – O que será a India daqui a vinte anos e em que direcção o emergir da India como superpotência pode levar o mundo?

A resposta impôe-se a si mesma e foi seguinte – A India não muda o mundo, a India é o mundo. A India , pela sua atraente diversidade, mistura de identidades culturais sedimentadas pela história, a coexistência de extremos socioeconómicos e contradições, até mesmo os conflitos políticos latentes entre comunidades étnicas e religiosas, contém todo o nosso passado, o nosso presente e o nosso futuro.

“ A china está concentrada na indústria enquanto a India se evidencia no sOftware, na consultadoria e nos serviços...na China, criam novas fábricas na India laboratórios e vão para a frente, de preferência, aqueles empregos onde a comunicação em tempo real é indispensável.”
“Se chineses e indianos colaborarem e aprenderem uns com os outros, a ascenção destes dois países será irresistível”.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Portugal; uma futura potência mundial no Surf ?



O Blog do F.R.E.S. tem como missão, entre outras, a de ajudar a promover casos de sucesso ou, casos que no futuro possam ser coroados de sucesso em Portugal.
Um destes casos está relacionado com Tiago Pires.
O Tiago é um surfista português que nestes dias conseguiu um feito notável, foi o primeiro luso a conseguir a qualificação para o WCT.
Esta competição é o expoente máximo do surf a nível mundial e está reservada anualmente, em exclusivo, aos 48 melhores surfistas mundiais.
Este feito é tanto mais notável, que, e apesar de Portugal ter das melhores condições naturais na Europa para a prática desta modalidade contando com um crescente número de praticantes e adeptos, a nível competitivo ainda nenhum atleta nacional tinha alcançado tal feito.
Esperemos pois, que este exemplo, possa ajudar a promover a imagem de Portugal além fronteiras permitindo ao mesmo tempo o desenvolvimento de uma indústria em franca expansão (fabricantes de pranchas, roupas, acessórios, escolas de surf e lojas da especialidade) possibilitando a criação de novos postos de trabalho.
A maior parte destas são pequenas empresas (Semente, Koala, Polen, SPO, Energia Tropical, Ericeira Surf etc.) que estão a contribuir com a sua quota-parte para o crescimento económico em Portugal mas que necessitam de se profissionalizar, para, com sucesso, conseguirem dar o passo evolutivo para médias e grandes empresas que possam competir de igual para igual com as suas congéneres europeias e americanas.
Esperemos que a carreira do Tiago sirva de estímulo a todo uma indústria que directamente está ligada a este desporto para atingirmos o lugar de relevo internacional que podemos e queremos ter.
Quem quiser viver de perto este desporto fantástico e ver o NOSSO Tiago “Saca “ Pires a competir frente a alguns dos melhores surfistas mundiais terá oportunidade de o fazer esta semana na Ericeira para a etapa portuguesa do WQS (o Tiago está neste momento em 2º Lugar) a competição que dá acesso ao WCT do próximo ano.

terça-feira, julho 17, 2007

Jantar/Debate do FRES sobre o SNS


Realizou-se na passada sexta feira dia 13 no restaurante Kardápio em Lisboa mais um jantar/debate do FRES, o qual teve como tema central de discussão o Serviço Nacional de Saúde.


Durante o mesmo foram abordadas questões relativas às reformas em curso, em particular o fecho das maternidades, serviços de urgência e postos de atendimento permanente.


Daremos em breve notícia sobre as conclusões obtidas.


saudações fresianas

terça-feira, julho 03, 2007

Retrato do Plano Tecnológico


Pretendemos aqui neste espaço ser criticos conscientes mas positivos. Por isso não deixa de ser de louvar o anúncio sobre alguns dos primeiros resultados da implementação do Plano Tecnológico. Objecto de crítica (sempre o destino fatal português) há no entanto sinais positivos (para além da empresa na hora) exemplo copiado já internacionalmente.

Portugal lidera no crescimento do emprego em alta tecnologia.

Foi o país da União Europeia que registou em 2006 o maior crescimento do emprego em serviços de alta tecnologia e conhecimento intensivo. Insuficiente dirão muitos. Concordamos. Mas é este o caminho. Ou não será? E se não for qual é o outro?

O emprego nestas áreas teve em Portugal um crescimento de 9,9% contra uma média da UE de 2,7 % ( Chipre com 8,8% e Espanha com 8,1% - os espanhóis rejubilam certamente com isto).


Parabéns ao país por isso. Como alguém disse " O caminho faz-se caminhando"


ou


" quanto mais caminharmos rumo ao objectivo provavelmente menos nos faltará para o alcançar"


saudações fresianas

segunda-feira, junho 18, 2007

Educação, Educação


Dizem-nos hoje as notícias da manhã, relembrando-nos, que há já 10 anos que a lei determinou que o governo português tem a responsabilidade e a incumbência de criar uma rede pública de ensino pré-escolar. Porque há milhares de crianças que em idade pré-escolar necessitam (e merecem) de apoio quer seja por questões de aprendizagem, integração social ou pela necessidade dos pais em garantir o acompanhamento da sua educação e guarda porque trabalham fora de casa.

E o que fez o governo nestes 10 anos? Que medidas tomou nesse sentido? O que foi já concretizado? Face aos discursos sempre inflamados sobre a educação, o que fizeram as instituições nacionais para contribuir para esta rede? Que verbas alocou o Estado a este projecto? Não descobrimos já a importância da educação como bem e direito essencial que a todas as crianças assiste para vingar neste mundo competitivo? Quantos infantários, creches ou jardins-de-infância públicos foram abertos neste período?

Poucos? Porquê? Por falta de verbas? E quanto dedicam as empresas e os empresários de maior porte às campanhas partidárias? E quanto vão os partidos gastar na campanha pelas eleições em Lisboa?

Nota: Num ano em que se encerraram 1.500 escolas secundárias, parabéns à escola secundária de Odemira. Dedicando grande actividade à investigação e ciência, soubemos agora que obteve um honroso 3º lugar num concurso internacional nos EUA que premiou os trabalhos de alunos do secundário.

segunda-feira, junho 04, 2007

10º Encontro FRES


Estimados visitantes e leitores

Informamos que se realizou na passada sexta feira dia 01 de Junho, a partir das 19 horas na Delegação de Lisboa da Associação PME Portugal, o 10º Encontro/Debate do FRES.

Neste foram debatidos, entre outros temas, o papel da educação em Portugal e a adaptabilidade (ou ilusão desta) à realidade do país, do melhor que outros sistemas apresentam, como por exemplo os casos que têm sido estudados como o da Finlândia ou da Índia.

Foi igualmente aberta a discussão para a questão da existência (ou não) de uma VISÃO para o país. Poderemos dizer que Portugal tem uma visão? É fácil ou até importante defini-la? Se tem qual será esta?

Saudações fresianas

quarta-feira, maio 30, 2007

Escolas e Universidades “excelentes” ?

O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu há umas semanas atrás uma reforma nas universidades portuguesas que coloque as instituições do ensino superior como "escolas de excelência de nível internacional.”
Defendendo a necessidade de melhorar a gestão, a forma de avaliação e da acreditação das universidades como medidas fundamentais de forma a alcançar a Excelência, o Presidente da Republica veio assim a público defender uma reforma no nosso ensino superior.
Cavaco Silva não se opôs à ideia da elaboração de um "ranking" de universidades, e afirmou, nomeadamente, tratar-se de "uma coisa que existe a nível internacional e que, com certeza, chegará a Portugal.
Seria importante alargar este Ranking também ás escolas secundárias (públicas e privadas) no sentido de ajudar pais e alunos na escolha das melhores instituições, mas,…… só isso não basta…….
Um elevado nível de qualidade no ensino só é alcançado com o envolvimento activo dos próprios pais no funcionamento das escolas nomeadamente através da participação em associações de pais, no contacto regular e construtivo com os professores na elaboração dos programas pedagógicos a acima de tudo no acompanhamento em horário pós escolar, e, utilizando, com ponderação e bom senso os livros de reclamações/sugestões.
No fundo é tudo uma questão de atitude, o ensino em Portugal é uma questão importante de mais para ser deixada apenas nas mãos dos nossos governantes.
A excelência, a todos os níveis só se alcança com o envolvimento e participação activa de toda a sociedade civil.

Microcrédito - Uma relação de confiança







1. O nascimento do conceito

Muhammad Yunus, distinguido em Dezembro de 2006 pela Academia Sueca das Ciências como Prémio Nobel da Paz, esteve recentemente e de novo em Portugal, onde interviu na conferência que o homenageou e que foi designada como “Microcrédito – Um contributo para a paz”.

Através da sua intervenção pudemos mais uma vez testemunhar e confirmar a obra e os seus resultados, daquele que é, sem dúvida, um dos nomes cujo contributo para a economia como ciência social, foi dos mais importantes.
Conhecido como o fundador do Grameen Bank (Banco da Aldeia) após regressar em 1972 dos EUA findo o seu doutoramento em economia, Yunus iniciaria a saga deste projecto quando decide emprestar 27 dólares a 42 pobres na aldeia de Jobra para que pudessem desenvolver pequenos negócios. Nasce assim o conceito do microcrédito cuja definição pode ser “ um financiamento de reduzido montante destinado a apoiar a criação de negócios de pessoas que não reúnem condições para aceder ao crédito tradicional”. De tal forma este conceito tocou as pessoas que levou à sua replicação por mais de 60 países envolvendo (segundo o Banco Mundial) cerca de sete mil instituições de microcrédito em todo o mundo. O microcrédito inverte o conceito usual da ajuda aos pobres porque rejeita a esmola, o subsidio ou o donativo como meio de fazer justiça social. Procura antes criar condições para o desenvolvimento da pessoa humana no sentido “de baixo para cima”, i.e. pelo seu próprio esforço, energia, capacidade e motivação, com a ajuda do pequeno crédito.

2. O testemunho

Yunus deixa-nos o seu testemunho nos seguintes aspectos:O Grameen Bank é fundado em 1976 no Bangladesh, país com 145 milhões de habitantes, talvez o mais populoso por km2, onde a esmagadora maioria das pessoas é muito pobre. Actualmente o banco tem 24 mil colaboradores, 7 milhões de clientes (e accionistas porque cada cliente é accionista do banco) 500 milhões de dólares de empréstimos, 97% dos quais atribuídos a mulheres. 70% dos recursos do banco são provenientes dos clientes...pobres.

Quanto ao impacto social no país, ao longo destes 20 anos, o banco assistiu a uma elevação considerável do nível de vida dos seus 7 milhões de clientes: todas as crianças destas familias frequentam a escola. Com o contributo do Grameen Bank, durante a década de 90 a pobreza reduziu-se no país em 10%. Do ano 2000 a 2005, assistiu-se já a uma igual taxa de redução da pobreza (com uma média de redução anual de 2%). A taxa de natalidade caíu de 5.6 para 3.5. (nascimentos por 1000 habitantes). As mulheres do país, outrora cidadãs de 2ª classe, ganharam dignidade e auto-confiança.

O Grameen Bank empresta sem garantias, sem colaterais e sem contratos. Dirige-se apenas a quem nada tem. Ninguém fecha um negócio no banco, antes vai este a casa das pessoas. Os seus clientes indicam e ajudam a identificar os muito pobres que são alvos como futuros clientes. O banco apenas pede às pessoas que deposite um valor infímo das suas poupanças todas as semanas. Esta acção constituirá a sua independência financeira futura.

3. O microcrédito em Portugal

O sistema do microcrédito em Portugal é, há semelhança de outros países, ainda débil encontrando-se ainda numa fase emergente,embora tenha nascido em 1999 através da Associção Nacional do Direito ao Crédito (ANDC ver em
www.microcredito.com.pt).
A ANDC concedeu nestes últimos sete anos 640 empréstimos cujo valor financiado atingiu os 2.794.573 € dos quais resultou a criação inicial de 762 empregos. Reuniu ainda 115.717 € no Fundo de Garantia, com um total de 320 associados. Os montantes a atribuir pela ANDC variam entre os mil e os 5 mil €, quando na Europa estes valores se situam entre os 500 e os 10 mil €. O valor médio dos empréstimos atribuídos desde a sua constituição situou-se nos 4.355 €. Lisboa concentra o maior volume de crédito atribuído com 38% do total, seguindo-se o Porto com 12% e Setúbal com 9%.

Para além da ANDC o sistema do microcrédito tem assentado ao longo destes anos no Estado, através do IEFP que actua como financiador da ANDC e ainda no Banco Millennium BCP, entidade que concede o microcrédito às pessoas escolhidas pela ANDC. A própria ANDC tem como missão identificar potenciais clientes alvo do microcrédito, que não têm crédito junto da banca, tornar-lhes possivel o acesso ao mesmo e reduzir-lhes os custos de transacção.

Em 8 de Novembro de 2005 o Millennium BCP lançou uma rede comercial autónoma para o microcrédito com o objectivo de captar 2.500 clientes e uma carteira de crédito de 6 milhões € em dois anos. Com 3 lojas em Lisboa, Porto e Braga, tem como principais beneficiários os desempregados, jovens licenciados, imigrantes, reformados e micro-empresas familiares. O montante máximo de crédito não ultrapassará os 15 mil € e terá a duração máxima de 4 anos, com um período de carência que poderá ir aos 6 meses. Este projecto conta com a ajuda financeira da Fundação Calouste Gulbenkian. Em Maio de 2006 este banco renovava ainda por mais 3 anos o protocolo de cooperação com a ANDC, reforçando as suas preocupações sociais e tendo como objectivo desenvolver projectos de microcrédito tendo em vista apoiar pessoas em situação de exclusão social ou em risco.
No seu primeiro ano de actividade este banco aprovou 187 empréstimos num montante global de 2.1 milhões de €, tendo como resultado a criação de 327 empregos e um investimento de 4.1 milhões de €.

Também a Caixa Geral de Depósitos (CGD) entra em Dezembro de 2005 no sistema do microcrédito através do estabelecimento de um protocolo com duas associações: a ANDC e a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE). Com uma linha de 1 milhão de € que terá a validade de 3 anos, a CGD propõe disponibilizar à ANDC o montante de 250 mil € aos projectos dela provenientes e de 750 mil € para projectos de investimento da ANJE. Com agências em Lisboa, Porto, Faro e Coimbra a CGD disponibilizará à ANDC empréstimos que variam entre os mil e 5 mil € por um prazo máximo de 36 meses. No caso de investimentos da ANJE os empréstimos podem atingir o máximo de 25 mil €, num máximo de 80% do investimento a realizar e pelo prazo máximo de 48 meses.

De igual forma o IEFP assinou em Dezembro de 2006 com a ANDC um novo acordo que permitirá disponibilizar cerca de 700 mil € nos próximos 3 anos para ajudar à concretização de 220 projectos por ano, permitindo ainda duplicar o montante máximo de 5.800 para 12 mil € por empréstimo.Os bancos que financiam estes projectos são a CGD, o Millennium BCP e o BES.

Uma análise do perfil da pessoa que recorre ao microcrédito permite concluir que 85% são de nacionalidade portuguesa, 53% são mulheres, 39% solteiros, 32% casados, 28% com o ensino secundário, 25% com o terceiro ciclo e 12.5% com ensino superior. Cerca de 51% não têm filhos, 33% são desempregados, 22.8% trabalhadores independentes e 22.1% empresários em nome individual.

4. Um modelo de financiamento

“O microcrédito tem contribuido de forma eficaz para melhorar o bem estar dos seus beneficiários, não só gerando acréscimos significativos de rendimento, mas também contribuindo positivamente para outras dimensões da inclusão social” (conclusão do Relatório Preliminar sobre a avaliação do sistema de microcrédito em Portugal).

Dada a relevância do impacto sócio económico do microcrédito podemos aqui propor um novo modelo de financiamento deste sistema no qual participem as empresas. Estas poderão afectar, voluntáriamente, uma parte do lucro (através da aplicação a este de uma taxa a variar entre os 0,1% a 0,5% - dedutível em sede de IRC) cujo valor será atribuído a um fundo de investimento privado (Fundo de Investimento de Apoio Empresarial). Este fundo poderá financiar directamente o sistema de microcrédito através dos bancos que já intervêm no mesmo ou garantindo o risco deste mesmos bancos, melhorando a qualidade deste crédito, através da colaterização de fundos ou por aval a estes empréstimos de pequena escala. Assim, o contributo das empresas a pequenos projectos (inovadores ou simplesmente de subsistência) de pessoas ou microempresas, dinamizará a criação de novas empresas, de mais emprego, de inovação e a criação de riqueza e bem estar.

terça-feira, maio 22, 2007

RIO-ME QUANDO NOS COMPARAM COM ESPANHA


Durante os tempos livres que lhes permitia o seu trabalho nos grupos empresariais em que trabalhavam, José Garcia e Miguel Silva começaram a modelar o seu projecto pessoal até que decidiram iniciá-lo comercialmente no Natal de 2002. A empresa faria o design e definição dos produtos, sendo que os processos que não aportavam valor, como a sua montagem, seriam subcontratados na China. Com esta ideia, um plano de negócios e 3.000 euros de capital social, os sócios dirigiram-se ao BBVA para conseguir os 600.000 euros necessários para fabricar. Segundo os sócios o projecto pareceu excelente ao banco tanto do ponto vista conceptual, mas o banco queria resultados e a empresa ainda nem tinha nascido!

Apesar deste factor desfavorável, deram com um director de um banco a quem despertaram curiosidade. Depois de muitas perguntas e jurar que o produto se vendia, conseguiram 300.000 euros só com aval pessoal. Depois foram a outro banco onde ocorreu o mesmo, mas chamou-lhes à atenção que o BBVA lhes tivesse dado o dinheiro e concederam à empresa os 300.000 restantes necessários. Hoje a empresa factura 60 milhões de euros e é líder no mercado, destronando a Sony e outros players.

Esta história publicada do sucesso da Blusens, é quase falada em português. Quase porque a empresa nasceu e está em Santiago de Compostela, onde se fala o galaico-português. Quase, porque nasceu no lado certo da fronteira. Naquele, onde se acredita nas empresas. Naquele onde o Estado Central, Governo Regional e Banca, convergem para apoiar as boas empresas e os bons projectos. Em Portugal, onde impera a arcaica retórica neo-liberal da separação financiamento e fomento empresarial, de dizer que a banca não deve apoiar o risco, esta história seria impossível. Não haveria nem BBVA nem Banesto para compor a história. E para apoiar com 600.000 euros de empréstimos – suportavam com aval pessoal de dois jovens – uma empresa nascente, que hoje emprega 90 pessoas numa das regiões mais pobres de Espanha.

Por cá, em vez de discutirmos estas matérias, se temos mecanismos financeiros eficazes (não temos), se o Estado gere bem o Capital de Risco (ou se pelo contrário o monopoliza), se temos uma política de exportações (há um ano que está para se extinguir o ICEP), se temos ou não QREN, aqui ao lado, o tal país que cresce mais de 3% ao ano, os milagres acontecem. Só que não são milagres. São resultado de uma aposta clara da Banca e do Estado nos empreendedores e nos empresários.

Assim, enquanto por cá se discutia as habilitações do Primeiro-Ministro, sobrava pouco tempo para discutir o importante. E o importante é saber que aqui ao lado o ICEX tem 300 milhões de euros para promover as exportações e nosso ICEP em-vias-de-extinção (?) terá ao que consta zero! O importante seria perceber como é possível que ainda não esteja feita a fusão API-ICEP? Como será possível continuar a desenhar e anunciar programas de apoio, quando o QREN não está fechado nem aberto. Como será possível fomentar o empreendedorismo e as PME, quando as práticas são hoje estatizantes, em áreas fulcrais como economia ou emprego? Como será possível algum desenvolvimento e afirmação regional, quando as decisões continuarem a ser tomadas pelos burocratas dos serviços centrais?

Por isso, não deixa de me espantar a força daqueles que como o Primeiro-Ministro, atacado pelas razões erradas, lançam uma importante reforma, a do ordenamento do território, dos PDMs, dos planos de pormenor, dos licenciamentos, passando a responsabilidade para os profissionais privados.

É que não deixa de ser paradoxal, que esta visão pragmática e do primado do individual e sua responsabilidade face ao monstro burocrático, venha hoje do Primeiro-Ministro e do Secretário de Estado da Justiça ou do Presidente da API, cujas iniciativas são todas pró-empresariais e pró-responsabilidade profissional em detrimento dos burocratas e do Centralismo burocrático que nos cerca.

Pena é que quem tem responsabilidades ao nível das políticas de fomento económico, não siga as práticas desestatizantes do Primeiro-Ministro, antes se deixando enredar pela máquina ou tendo a habitual veleidade de comandar a economia, com instrumentos geridos por entidades públicas sem qualquer eficácia.

Bastaria olhar para como se faz aqui ao lado, para se perceber como é com a liderança dos empresários e das empresas, que se obtêm resultados. Não da mão visível que ostenta publicidade que não pode cumprir.

Assim, poderíamos ter por cá exemplos como os do José Garcia e do Miguel Silva e da sua galega Blusens. Que se riem quando os comparam com a Inditex, esse colosso da vizinha Corunha, e que graças a Deus existe, pois alimenta boa parte do que sobre do Norte têxtil.
Pois eu rio-me, e não é de alegria, quando nos comparam com Espanha. Não temos piores líderes nem piores quadros. Então o que nos faltará?

Artigo publicado no Semanário Económico de 04 de Maio de 2007


Joaquim Rocha da Cunha

terça-feira, maio 15, 2007

O REGRESSO AO PÂNTANO


O país está em suspenso e a discussão a um nível demasiado forte. Será por causa do pequeno crescimento económico? Da tímida reforma da Administração? Da discussão sobre o QREN? Da bondade do “Novas oportunidades”? Da solução aeroportuária? De se é com PME’s ou apenas com multinacionais que recuperamos a economia?

Não, regressado de mais uma viagem ao estrangeiro, esperava encontrar um clima mais positivo. Que se discutisse o importante. Que não caíssemos no lamaçal. Que houvesse mais bom-senso e respeito pelas instituições – respeito que nos últimos anos se perdeu totalmente.

Não. Venho encontrar um país com o seu mais alto Executivo de cócoras perante uma sociedade pobre, medíocre, invejosa e mesquinha. Está a ser julgado pelo que fez no seu alto cargo? Está ser escrutinado por não ter baixado os impostos? Não, estão a encurralar o CEO do país, aproveitando para o julgar não pelo desempenho, mas pela “mentira”, pelo carácter.

Este episódio caracteriza o verdadeiro estado de guerra civil em que vive este país. Destroem-se projectos, pessoas e julgam-se acções e caracteres na praça pública, sem o menor discernimento e respeito. O que o povo inteligente mas ignorante pede é sangue, e é com sangue que os media servem o CEO do país. Em nome do valor supremo do direito à informação.

O problema é que o direito à informação se tem transformado neste país num verdadeiro massacre de personalidades e instituições. Qualquer coincidência é complicada, qualquer acto privado é à partida criminoso e de desconfiar. E, quem tem estatuto público está sujeito a ser arrastado para o lamaçal em que se tornou a vida pública nacional.

As cabalas que se inventam e que derrapam para títulos tão fáceis como criminosos e mentirosos do género “judiciária investiga”, tomaram conta do espaço publicado. Hoje qualquer indigente que não goste do vizinho ou do patrão faz queixa dele, da queixa feita faz uma notícia fácil e irresponsável. E a imprensa mesmo aquela que se dizia de referência, publica com muito gosto!

O estado das coisas faz-me aliás recordar uma célebre e hoje cada vez mais actual frase de Guterres, quando se demitiu. Fazia-o para evitar que o país se transformasse num pântano político. Pois é, foi em 2001, mas em 2007 ainda dele não saímos. E porquê?

Porque na minha opinião – e felizmente sei distinguir a minha opinião dos factos – no espaço público se perdeu totalmente o nível e o respeito. Não se respeita um empresário, não se respeita um Primeiro-Ministro, não se respeita ninguém. Para gáudio de periodistas de secretária, para quem um título justifica todos os meios, e por culpa de quem na política, vive de dinamitar os adversários e não discutir ideias e práticas, perdeu-se o respeito, perdeu-se o nível e se calhar perdeu-se o país.

Assim, logo a seguir a Guterres, Durão foi na primeira oportunidade para fora, ou para cima, só voltando um dia para o supremo cargo de corta-fitas. Seguiu-se Santana, que não foi vítima de julgamento do seu mandato, mas daquilo que se dizia do seu carácter, conduta e vícios, na praça pública ou nos seus amplos bastidores! Valeu tudo, com o apoio dos correligionários, e Santana saiu demolido, não pelo que fez ou deixou de fazer, mas por aquilo que dele se dizia – e quem o demitiu explicitamente omitiu essas razões.
Agora, não contentes com termos tido dezanove Governos, a política e os media estão a cozinhar o CEO do país em lume brando. Tudo em nome do supremo dever de informar e para julgar o carácter do homem!

Perdeu-se assim uma enorme oportunidade para em vez de destruir, escrutinar o que importa. Não se o CEO está ou não inscrito na Ordem. Mas, se faz aquilo para que foi eleito, se é eficaz e se de facto reforma.

Infelizmente, o circo em que este país se tornou, a chacota que na política e nos media se geram, perante um país inculto e crente, não deixa surpresa para que se elejam homens radicais e providenciais como as melhores personagens de sempre.

Como quem escrutina nunca pecou, como somos todos honestíssimos e como os que atacam o CEO não têm nada a esconder, como os periodistas não têm declarações de interesses e de património, tudo vale.

Não se admirem, é que de destruição em destruição de pessoas e caracteres, a má moeda substitua de vez a boa moeda que exista. Ficaremos então com os puros, os virgens, ou os vegetais e burocratas, aqueles que nunca erraram porque nunca fizeram. Ou de tão puros, tão virgens, serão beatificados nalgum plebiscito e transformados nos melhores portugueses de sempre.


Artigo publicado no Semanário Económico de 20 de Abril de 2007


Joaquim Rocha da Cunha

segunda-feira, maio 14, 2007

AS PME A EXPORTAR MAIS E A ECONOMIA A CRESCER DE FACTO


No meio de mais um debate nacional, em que discute a bondade de grandes obras públicas e reestruturação da despesa corrente, a economia continua a tentar recuperar. O que a faz crescer ainda que pouco são as exportações. Com ou sem AICEP, que continua por constituir congregando ICEP e API, não apenas por causa da Auto-Europa, milhares de PME - sem apoios como os que abundam em Espanha - viram-se para outros mercados, inovam exportam.

Ao contrário do que os media generalista propalam certamente por mera ignorância, as PME que nunca tiveram o devido apoio pelas políticas públicas, há muito que deixaram de ser, se é que alguma vez foram, subsidio dependentes. Ainda há bem pouco tempo estudos apontavam que apenas 10% das empresas portuguesas tinham alguma vez acedido a apoios ao investimento. Mas num país, em que a arena pública se transformou num circo romano, quem arrisca e cria é um alvo da populaça e da inveja. Se acertar e lucrar, decerto lhe apontarão as baterias, qual ladrão, vigarista, etc. Se errar, então estava claro, predestinado, já todos sabiam que era um falhanço, enfim aquelas habituais aves do mau agoiro, que sem nada fazerem e sem nunca terem produzido ou assinado um cheque de vencimentos de pessoal, se divertem a inventar mentiras sobre quem faz.

Ora à margem, de tudo isto, milhares de empresários das PME, têm conquistado novos mercados não apenas em Espanha e Angola, mercados naturais de expansão, mas por toda a Europa de Leste, na Ex-União Soviética, no norte de África, nos países petrolíferos, na Ásia. O que têm em comum: passam ao lado de qualquer incentivo á exportação – que não existem, para PMEs – e pior, nem querem que cá se conheça o seu sucesso: pode dar azar, inveja, ou alguma cabala nos media, como muitas que se montam por aí com cumplicidade de quem quer protagonismo e notícia falsa e fácil.

As PME´s têm procurado promover a informação sobre mercados, escolhendo três aos quais têm dedicado particular atenção: Espanha pela continuidade natural e pelo crescimento galopante; Roménia por ser um novo Estado da EU onde há oportunidades e custos baixos para industriais, comércio, serviços e hotelaria - ou seja como há 21 anos em Portugal, muito há a fazer; e claro, Angola, que cresce em média 20% ao ano, e que independentemente dos mal entendidos e dos erros mútuos, não pode ser ignorado por quem exporta nem por quem diz querer promover.

E digo dizer querer promover, porque há um ano entidades nacionais de grande dimensão públicas e privadas anunciaram a criação de uma plataforma logística para empresas portuguesas em Luanda, e de concreto nada há. Se calhar esqueceram-se que Angola é um país soberano que as sua autoridades deviam ter sido envolvidas – e não foram - e que outras empresas e associações, deviam ter sido auscultadas e envolvidas. Pelo que resultado passado um ano, é uma promessa por cumprir, e expectativas criadas nas empresas quer não podem obviamente ser acompanhadas. Mas isto é matéria para o ICEP tratar.

Vamos abordar um pouco Angola. Esta semana estiveram visitando PMEs portuguesas membros oficiais e do Governo de Angola, bem como empresários locais. Promoveu-se um fórum que reuniu mais 120 empresários das PME e onde o debate foi vivo, onde se criaram oportunidades concretas de negócio. O nosso convidado Ministro do Governo de Angola deixou promessas bem vindas aos portugueses. Licenciar actividades comerciais demora cinco ou 10 minutos e não pode custar mais do 100 a 150 euros – mais disse, cuidado com os falsos intermediários, não se deixem por eles enredar e denunciem-nos.

Confesso que isto dito em público, revelou uma coragem que por vezes falta em Portugal. Não apenas a de tornar o licenciamento das actividades económicas declarativo e fácil, e não como hoje, um processo que demora anos. Mas porque um Ministro no estrangeiro, não teve problema em assumido que há excessos burocráticos e que há funcionários e outros agentes que disso se aproveitam. Não chamou corruptores aos empresários que se vêm, obrigado a recorrer por ignorância ou erro a esses intermediários. Não, com humildade apontou os intermediários e deixou a sua porta aberta para com as PME nacionais, desobstaculizar e resolver o que quer que esteja parado. Uma lição de política para reter e com humildade promover por cá.

Angola cresceu 20% em 2005 e o ano passado deverá ter crescido mais, esperando-se que estes valores aumentem nesta média anual até 2010. Tem a inflação controlada. Tem a taxa de juro base nos 6%. E apesar da falta e apoio e da falta de linhas de crédito, somos o principal exportador para Angola, o único que supera os dois dígitos cifrando-se a nossa quota de mercado nas importações de Angola nos 17%, mais do dobro dos 8% da China que concedeu mais 50% do crédito que Angola possui!

Ora este dinamismo onde contrasta a falta de políticas públicas efectivas com os resultados efectivos das empresas, demonstra que Portugal vai sair da crise graças ás exportações e graças a cada vez mais PMEs estarem a exportar.

E esta verdade indesmentível, a de que sem rede e sem apoios as empresas e as PME estão a vencer o desafio de exportar mais, que devia levar a uma reflexão e a uma decisão ao mais alto nível: quanto aumentariam as nossas exportações se se promovesse a capacidade exportadora das PME? E quanto não cresceria a mais o nosso PIB por essa via?

É que no QREN a palavra PME está mitigada e a palavra exportação pura e simplesmente não aparece. E só com PMEs mais fortes e mais exportadoras, poderá como é evidente, o nosso país crescer.

Artigo Publicado no Semanário Económico de 05 de Abril de 2007


Joaquim Rocha da Cunha

sexta-feira, maio 11, 2007

Incumprimentos nos pagamentos aniquilam PME’s

O país tem andado distraído com os “fait-divers” da politica interna. Da licenciatura do primeiro ministro aos conflitos partidários e/ou camarários. Sobre a discussão sobre túneis, seu grau de qualidade dos acabamentos, datas de inauguração e similares.

Entretanto parece-nos que ao cidadão comum que se ocupa destas preocupações “épicas”e aos responsáveis politicos, media e outros actores, assolou uma onda de esquecimento sobre alguns dos sérios problemas que urge resolver como o nível de desemprego elevado, entre os jovens, do qual uma excessiva percentagem é de longa duração. Depois parece que o país se esqueceu das assimetrias. Temos Lisboa com um nível de riqueza produzida per capita equivalente a 105% da média Europeia e a região Norte do país (triângulo Porto-Braga-Guimarães) e zonas limitrofes incluidno região do Ave, com um nível de riqueza que desceu dos 67% para 59% da média comunitária.

É na região Norte que se verifica maior desemprego de longa duração e onde já se verifica um movimento de emigração em virtude do fecho de muitas empresas. Esta é a mesma região onde se localiza o maior nº de PME’s. Que criam mais de 50% da riqueza nacional e cerca de 75% do emprego. E é esta região Norte que ocupa já os canhâmos como uma das regiões mais pobres da Europa.

E estas PME’s estão a ser aniquiladas pelo sistema de pagamentos vigente em território nacional. Porque muitas delas dependem das grandes empresas para sobreviver, as quais lhes dão trabalho porque as sub-contratam. Porque as PME´s não podem recusar as propostas que estas lhes apresentam ou evitar concorrer às oportunidades que estas lhes criam. Mas são estas mesmas grandes empresas que, paradoxalmente, condenam as pequenas empresas, porque não lhes pagam a tempo e horas. Porque os seus prazos de pagamentos, por dilatados que são, sufocam a tesouraria das pequenas.

Mas são também as grande empresas a sofrer com a irracionalidade deste mesmo sistema, poque também as instituições públicas (ministérios, hospitais, secretarias regionais, autarquias) não lhes pagam a tempo e horas.

E todo o sistema, o país e os cidadãos, está vitimizado por esta irracionalidade. A qual leva a que haja empresas de grande porte (porque as pequenas fechariam certamente as portas muito antes disso) a aguardar 6 meses, 1 ano ou 2 anos pelos pagamentos do Estado e/ou das instituições públicas (especialmente autarquias). É a mesma irracionalidade que leva a que autarquias não paguem a PME’s cifras de 250 euros por falta de dotação orçamental. E é este espirito de incumprimento e de impunidade que aniquila as PME’s e condena a criação de riqueza e emprego. Por isso assitimos ao fecho de 42.500 empresas em poucos meses.

Pague o estado a tempo e horas o que deve e menos grandes empresas deixarão de cumprir com as suas responsabilidades perante as pequenas, menos pequenas encerrarão as suas actividades, menos desemprego haverá no país e mais criação de riqueza será concretizada. O exemplo tem que vir de cima. O estado no início do sistema está a condenar as empresas a meio do sistema e os cidadãos no fim da linha, condenando-os ao desemprego. De onde virá o capital para investir na exportação?

segunda-feira, maio 07, 2007

9º Encontro FRES

Estimados visitantes

Realizou-se na passada sexta feira dia 04 de Maio, às 19 horas no Hotel Comfort Inn Embaixador em Lisboa, o 9º Encontro FRES através do qual foi desenvolvida mais uma tertúlia na linha dos anteriores encontros.

Entre outros assuntos foram debatidos temas como a qualidade da Formação em Portugal, a importância do Learning by Doing e do Coaching, a atitude das pessoas e das empresas face à formação.

Foi igualmente discutido e debatido o conceito do sistema de ensino designado como "Liberdade para a educação", defendido por alguns especialistas e Fóruns especializados neste tema.

A sessão terminou com uma apresentação do sistema de educação dos EUA, suas características e evolução recente.

Saudações Fresianas

sábado, maio 05, 2007

Coesão Nacional , Assimetrias Regionais e competitividade num Portugal Dual

Estava a ler atentamente um e-mail de um colega Fresiano que nos alerta para a perda de competitividade da região norte de Portugal em relação a região de Lisboa. É um facto que o norte de Portugal tem perdido competitividade no contexto nacional e internacional o que é perigoso para a coesão de Portugal como estado uno e indivisível e com capacidade de projecção internacional.

Há quem tenha apenas uma visão economicista da questão e afirme: a Espanha também tem regiões pobres como Galiza e Andaluzia e Itália também tem um norte pujante e desenvolvido e um sul pobre e com problemas de competitividade. Será que assim? será que não é motivo de preocupação? Eu julgo que sim e porquê?

- O norte de Portugal representa o modelo empreendedor privado português cuja estrutura económica é baseada em empresas de origem familiar e de pequena e média dimensão com capacidade exportadora. Claro que existem grandes grupos económicos mas esses são excepção nesse contexto geral.
- As PME do Norte de Portugal como geradoras de emprego e riqueza têm um papel estabilizador nas economias regionais onde estão localizadas e constituem pólos de desenvolvimento.
- Estas empresas actuam maioritariamente em sectores tradicionais de mão de obra intensiva fortemente expostos a concorrência internacional e dependentes de compradores/importadores internacionais que estão a comprar os mesmos produtos em mercados concorrentes dos nossos.

É necessário que os decisores políticos desenvolvem um esforço concertado de apoio as empresas com capacidade internacionalização e com gestão profissionalizada de forma a estas puderem competir nos mercados internacionais com produtos de valor acrescentado e controlarem os canais de distribuição no exterior. Para além disso deverá haver um maior esforço de cooperação inter-empresas dos mesmos sectores e sectores complementares através da formação de consórcios de exportação e de investimentos conjuntos em termos de identificação de áreas na cadeia de valor de possivel outsourcing de produção e enfoque nas áreas de maior valor acrescentado.

Gostaria de salientar também que a aposta na formação e desenvolvimento, requalificação dos recursos humanos locais dessas regiões com perda de competitividade deverá constituir uma prioridade dos poderes centrais e locais, associações de empresários e empresários no geral.

Se não colocarmos estas prioridades na agenda corremos o risco de assistirmos a um Portugal dual com um Litoral rico e de nível europeu e regiões do norte e interior com graves problemas económicos e sociais em que a única saida possivel para essas populações é ir a salto para a outra Europa ou migração para o Litoral Sul. Este cenário nota-se que cada vez mais está a acontecer em Portugal (um Portugal dual) e que nos faz lembrar o modelo económico e de assimetrias regionais que existem em alguns países da América latina.

Politica externa portuguesa e opção euro- atlântica

A politica externa de um Estado no sistema internacional de relações internacionais é baseada nos seguintes pressupostos:

- Definição de prioridades de politica externa

- Definição de uma estratégia nacional

- Objectivos nacionais permanentes

Portugal como pequeno Estado integrado na União Europeia tem que ter em conta os pressupostos acima mencionados quando formula uma politica externa em relação a áreas geográficas do globo onde pretende ter uma afirmação cultural,politica e económica.

A politica externa de Portugal implica continuidade e não ruptura com uma visão euro-atlântica em que Portugal seja a porta da UE para o atlântico norte (EUA), atlântico sul (Brasil) e África de Expressão Portuguesa.

Portugal ao longo da história só se afirmou na cena internacional como potência europeia quando diversificou as relações internacionais e quando rompeu com o euro-centrismo,isto é, quando construiu uma ponte entre a Europa e o Mundo.

A nossa diplomacia económica e politica deve estar antenta a estas opções independemente de valores e juizos morais, paixões pessoais ou juizos de valores.

A politica externa de um pais não pode basear-se nos caprichos , emoções, gostos ou preferências de um homem ou grupo de homens (Embaixador Franco Nogueira - in Diálogos interditos 1979).
Não pode nem deve ser partidária, sendo grave transformar em politica externa a politica de partidos ainda que todos se arroguem de defesa do interesse nacional.

A politica externa de um país corresponde aos interesses permanentes de uma nação e não pode ser alterada porque no governo de um país se sucede um partido a outro. "Nos Países onde haja civismo e espirito público, as grandes decisões de politica externa são apartidárias, ou multipartidárias. " My country right or wrong " afirmava Churchill quando decidia sobre questões de politica externa.

Deixo para reflexão ainda este texto muito interessante do Embaixador Franco Nogueira que foi um dos melhores diplomatas portugueses do século XX e cujo pensamento diplomático ainda é uma referência nas escolas de estudos diplomáticos.

"Uma nação é uma realidade. Uma realidade, antes de tudo, para os seus nacionais. Estes têm - ou devem ter uma visão, uma ideia, um conceito do seu país: têm ou devem ter - uma imagem do seu passado. um quadro do seu presente, uma perspectiva do seu futuro; e de tudo decorre - ou deve recorrer - uma consciência das suas raízes, dos seus interesses, dos seus meios e dos seus objectivos Politica externa é fazer projectar, para lá da fronteira, aquelas sensações e certezas. Politica externa é uma luta constante em que nunca se chega ao fim".

terça-feira, abril 24, 2007

Modelo Politico Nórdico na Europa do Sul - O caso Português

Com o fim da guerra fria, queda do muro de Berlim e fim das democracias populares na Europa de Leste a velha clivagem ideológica: capitalismo/socialismo deixa de fazer sentido. Há
quem diga que sim há que diga que não.

O politólogo norte-americano Francis Fukuyama na sua famosa obra "o fim da história" defende que no pós guerra fria o triunfo da ideologia liberal e da economia de mercado terminaram com a velha luta ideológica capitalismo versus socialismo já que todos os paises em transição politica e económica colocaram o socialismo na gaveta e abraçaram a politica económica liberal e a democracia de mercado como receitas para curar a obsedidade causada pelo estado socialista centralizador e forte de carácter intervencionista que não permitia a livre concorrência dos operadores privados.

A Europa do Sul e concretamente Portugal também não escapou a este fenómeno apesar de a nossa transição politica de um regime autoritário para uma democracia participativa ter-se iniciado décadas antes das chamadas revoluções de veludo que ocorreram na Europa de leste.

Em Portugal a tradição socialista de origem jacobina e francesa e a social democracia baseada no modelo alemão sempre foram dois modelos de referência. Contudo, com o aparecimento da chamada terceira via no Reino Unido e o sucesso do modelo politico e económico nórdico as referências passaram a ser outras.

Quer em França onde as elites politicas portuguesas continuam a seguir como exemplo quer em Portugal o modelo politico nórdico é hoje a bandeira dos socialistas. Porquê? a explicação é simples: numa europa em que o modelo puro liberal semelhante ao dos EUA falhou e em que o modelo socialista jacobino também falhou a alternativa é o modelo experimental nórdico que combina a revisão do modelo tradicional europeu: o chamado welfare State criado no Reino Unido no pós guerra e que agora se baseia nos seguintes pilares:
- Economia Social de Mercado
- Liberalização Económica com forte regulação do Estado

A quem diga a seguinte frase: " Don't copy models - apply intelligent reforms". Não será antes isso que deverá ser feito em Portugal? a Europa do Sul não tem a mesma mindset da Europa nórdica.
Os próprios conceitos de cidadania, liberdade individual e colectiva ou de democracia participativa são diferentes. O grau de responsabilização politica na Suécia ou Finlândia é muito diferente do de Portugal.

A própria base de recrutamento das elites politicas e económicas também o são. A transparência na vida politica contrasta com o modelo hermético português em que os partidos politicos continuam a ser as principais agências de recrutamento da classe politica. Nos Países nórdicos a sociedade civil (think tanks, grupos de pressão, fundações e ONGs são actores de relevo) enquanto em Portugal o distanciamento entre classe politica e cidadãos ainda é profundo fruto da nossa baixa cultura politica e de um processo democrático ainda bastante jovem.

Aconselho por isso a lerem o livro "culture matters" - how values shape human progress editado por Lawrence E. Harrisson e Samuel P. Huntington.
O factor cultura continua a estar presente na adopção e sucesso ou insucesso de modelos politicos e económicos em várias regiões do globo como defendem os autores.
Por isso é desaconselhável copiar modelos mas aconselhável efectuar reformas inteligentes tendo em conta a especificidade económica, politica e cultural de portugal. Deixo esta frase para reflexão sociológica:
Implementar reformas a pressa sem ter em conta o nosso modelo cultural e politico pode conduzir a fragmentações na sociedade portuguesa.

Alfredo Motty
24/04/2007

quinta-feira, abril 05, 2007

Jantar/debate


Otávio Rebelo em defesa dos seus argumentos no início do jantar debate.

8º Encontro FRES

Mário Romão retém a atenção da audiência numa das suas habituais brilhantes intervenções.

8º Encontro FRES

O Rui Marques e o Alfredo Motty a esclarecer questões da sessão.

Jantar/debate


Em ambiente de tertúlia em conversa alargada.

Jantar/debate

O Jorge Carriço e o Otávio Rebelo com fórmulas mágicas!

Jantar/debate

Agora os momentos de maior descontracção no jantar.

8º Encontro FRES

A Cecília e o Otávio antes do início dos trabalhos.

8º Encontro FRES

Fase do debate alargado a toda a audiência.

8º Encontro FRES


Durante a apresentação e debate do sistema de educação da Índia.

8º Encontro FRES


A Estela Domingos faz nova apresentação com novos dados sobre o sistema nacional de educação.

8º Encontro FRES

O uso da palavra faz sede.

8º Encontro FRES

Durante a apresentação do sistema de ensino da Índia, a atenção às intervenções.

8º Encontro FRES

Apresentação do 1º tema da sessão: o sistema de ensino Norte Americano pelo Rui Marques.

8º Encontro FRES

Atenção à primeira apresentação: o sistema de educação dos EUA.

8º Encontro FRES

Antes do início da sessão e do princípio dos trabalhos.

sexta-feira, março 30, 2007

8º Encontro FRES

Estimados visitantes

Damos aqui notícia de que se irá realizar hoje, a partir das 19 horas, no Hotel Comfort Inn Embaixador em Lisboa, o 8º Encontro FRES, no decorrer do qual serão apresentados trabalhos sobre os sistemas de ensino dos EUA, India e Portugal.

Seguidamente será efectuado um debate alargado a todos os participantes, dando assim sequência às tertúlias anteriores sobre o tema Educação.

Daremos também notícias posteriores sobre este encontro, após cumprida mais esta etapa de trabalho, com vista à apresentação no final de uma recomendação ao sistema de ensino nacional.

Saudações fresianas

segunda-feira, março 26, 2007

A new trade diplomat for Portugal

Portuguese Economic Diplomacy – setting up a new generation of international trade promoters

The globalization of international relations and Portuguese membership to European Union had place new challenges for the Portuguese diplomatic channels. Economic diplomacy each day is more relevant than the traditional diplomacy of power politics. Important issues like: trade agreements between European union and USA, tariffs agreements between European Union and Mercosur and also an in- depth knowledge of Multilateral regimes such as: WTO, UNCTAD and UNIDO, UNDP are important reasons to identify and train a new type of diplomat – the trade diplomat. This new diplomat with a prior training on international economic and commercial relations and with a global vision of international relations have currently an important mission:

· Defend and promote the interest of Portuguese companies
· Defend and promote our key-economic sectors
· Must contribute and help the internationalization of Portuguese companies
· Must help to promote our exports
· Must contribute to attract FDI and identify potential investors abroad

Therefore, the new set up of Portuguese Investment Agency (API ) and the reorganization of ICEP – Portuguese foreign trade office and the autonomy granted to the authority responsible for the tourism external promotion are important and necessary steps to achieve a new economic diplomacy model for a modern and global Portugal.

Portugal if wants to be a State entity with international exposure and international influence needs a economic diplomacy model proactive focus on the rapid changes of the world economic system.

This new economic diplomat must have a in- depth knowledge of key emerging markets with potential for the penetration of our products and companies.

This new commercial diplomats should study the better market access and conditions if our companies want to take correct decisions when they go to formulate internationalization strategies with support of Government export programmes.

This new generation of commercial diplomats with international experience and with a mentality open to a globalized Portugal must also to have a new vision of the international relations system and of the new priorities of our economic foreign policy.


If we want that this will happen Portuguese foreign affairs office and Economics affairs Ministry should set up a diplomatic academy where they could organize short and long term training programmes and seminars about the following area studies:

· International Negotiation
· Commercial Diplomacy
· Internationalization of local economies and companies
· Export promotion strategies
· International Trade
· National Marketing strategies and attraction of investment
· International Investment
· Emerging Markets
· Foreign Languages
· International assessment of clusters/countries
· International Economic Law
· International Trade Law

I recommend also a better connection between official foreign trade authorities, chambers of commerce and business associations as the most suitable strategy to promote globally the brand « Portugal » if we want to increase our brand image.

These new economic diplomacy model it is just possible to implement with a national strategy in a long-term perspective.

The main goal is to contribute for the improvement of the international relations of Portugal, to increase the external competitiveness of our companies, to increase our international prestige
and to assure add value to the Portugal Brand name in a global market where the countries competitiveness is rated by intangible factors like « brand state » , Human Resources skills and national based companies with internationalization will and capacity to look beyond national borders.

Alfredo Motty
23/07/2003
International Trade Consultant
Source: Economic Diplomacy Portal
Mediterranean Academy of Diplomatic Studies - Malta

domingo, março 25, 2007

Competitividade e Comunicação


Competitividade e Comunicação

Vivendo numa “aldeia global” onde a competitividade entre as economias assume uma importância crescente, é interessante analisar um factor determinante para o aumento dessa competitividade como é o factor comunicação.

Repetidas vezes ignorada, a comunicação deveria ser um factor presente na implementação da maioria das medidas ligadas à vida das instituições, empresas e cidadãos.

Contudo todos nós deparamos diariamente com situações em que a falta de comunicação, a comunicação errada ou incompleta, representa um entrave à implementação de novas medidas e até ao cumprimento da legislação.

Poderia esta introdução vir a propósito de um sem número de casos reais. Vamos neste texto analisar o exemplo do eco-valor.

Quantos de nós já ouviram falar no eco-valor? Dos que já ouviram falar quantos sabem a que se refere na sua essência? E destes quantos sabem quais as implicações que aquele representa para o cidadão comum ou para uma unidade económica interveniente no circuito da liquidação e implementação desse eco-valor?
Das entidades económicas sujeitas à aplicação do eco-valor quantas sabem actualmente como o fazer?

Estas são apenas algumas das questões que demonstram que para o verdadeiro aumento da competitividade não basta o cumprimento das leis respeitadoras, no caso presente, dos princípios de defesa do ambiente. É necessário que essas leis sejam devidamente comunicadas aos interessados ou que estejam simples e claramente acessíveis a todos de modo a evitar a lenta implementação efectiva das medidas necessárias à prossecução do cumprimento de novas normas.

Profissionalmente ligado a esta realidade, iniciei um exercício de pesquisa sobre este assunto, tendo-se-me deparado alguns factos insólitos.

Ao falarmos de eco-valor não estamos apenas a considerar uma única abordagem ao tema mas a uma variedade possível de abordagens, senão vejamos.

Existem pelo menos os seguintes conceitos de eco-valor:

- relativo a óleos (eco-lub)
- relativo a pneus
- relativo a pilhas e acumuludores (vulgo baterias)
- relativo a equipamentos eléctricos e electrónicos (eco-reee)

Uma unidade económica que não seja nem produtora nem consumidora de óleos, está no entanto sujeita à norma eco-lub. No entanto o Legislador “esqueceu-se” de contemplar (pelo menos no âmbito do Dec-Lei Base da Regulação do eco-lub) os operadores económicos que não sejam nem produtores de óleos novos ou consumidores de óleos novos. Dito isto como devem então agir estes operadores económicos que são intermediários entre os produtores e os consumidores? O comércio existe e representa uma fatia importante do tecido económico nacional.

No âmbito desta pesquisa pude constatar a existência de uma grande diversidade e informação e legislação dispersa e pouco clara sobre o tema. Há no entanto (como constatado junto da Câmara dos Técnicos Oficias de Contas) um entendimento sobre o conceito de eco-valor e do seu apuramento contabilístico e fiscal.

Sobra agora a questão do tratamento informático da questão. Aqui pude igualmente constatar novas dificuldades pois nem todos os programas de software de facturação estavam adaptados ao tratamento deste novo conceito. Os que estavam preparados, apresentavam ainda fragilidades quanto à forma de input da informação, obrigando à parametrização dos artigos sujeitos (ou isentos) a eco-valor, de entre os que estão sujeitos, quais os que estão sujeitos a IVA ou quais as taxas a que estão sujeitos.

O tratamento desta questão obriga por isso a uma grande dispersão de esforços dado que pode representar a necessidade de consultar uma diversidade de entidades como a Sogilub (Sociedade Gestora de Óleos Usados) ou outras caso se trate de pneus e baterias ou ainda o Instituto Nacional de Resíduos.

Importa não esquecer que larga percentagem das empresas nacionais são PME´S, com fracos recursos para despender em questões desta natureza. Hoje é o eco-valor (que acrescento, começou a ser legislado em 2001) ontem foram outras obrigações e no futuro não cessarão de surgir novas normas como esta.

Não seria então dever do Estado promover com eficiência uma comunicação eficaz das medidas que pretende ver implementadas? Para que servem a televisão pública e outros órgãos de comunicação ao serviço do Estado? Não deveriam estar ao serviço do cidadão e das empresas?

Defendo que se justificaria um programa informativo num dos canais Estatais a designar como por exemplo “Minuto do Cidadão” ou “Minuto da Empresa”, através do qual este e outros temas análogos pudessem ter mais ampla divulgação, remetendo todos os interessados em análises mais aprofundadas, para uma informação simples e clara através de um site estatal.

Se pretendemos realmente competir numa economia global, não podemos permitir que milhares de operadores económicos percam centenas de horas (que se traduzem em baixa produtividade e competitividade) na busca, interpretação, síntese e aplicação de leis e normas que devem ser de fácil adopção e implementação, de modo a podermos dedicar mais tempo na melhoria de outros factores determinantes da competitividade.



Otávio Rebelo
Gestor
Março 2007

Comemoração dos 50 anos Tratado de Roma

Celebra-se hoje por toda a Europa dos 27 estados-membros a comemoração dos 50 anos do tratado de Roma que instituiu a então Comunidade Europeia e actual União Europeia.

Pelo mão de visionários como Robert Schuman e João Monnet formalizou-se e cimentou-se as bases para a criação de um espaço económico e politico europeu acima das vontades nacionais com o objectivo de desenvolver um processo de integração económica que conduzisse a uma verdadeira união politica com papel de relevo na cena internacional.

A Europa pós guerra estava devastada e era necessário devolver o seu papel no Mundo o que só seria possivel através da união de diferentes vontades nacionais com vista a prossecução de um objectivo europeu. A criação de uma comunidade económica que se consubtanciou na unificação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) antecedente da CEE em 1951 e a formalização em 1957 da CEE com adesão dos 6 estados fundadores marcam o inicio do que é hoje a UE.

Desde 1957 que a Europa tem evoluido gradualmente de um espaço económico para uma verdadeira entidade politica com sucessivos alargamentos; avanços e recuos, consensos e ausência de consensos; europessimistas versus europtimistas; eurocépticos e federalistas e anti-federalistas.

Hoje a Europa quer gostemos quer não é o maior espaço comercial do Mundo que engloba 27 estados-Membros e que assenta em 4 liberdades fundamentais para o seu sucesso:
- Liberdade de Circulação de Pessoas
- Liberdade de circulação de bens
- Liberdade de circulação de serviços
- Liberdade de circulação de capitais

Para além da União Económica e Monetária que conduziu a moeda única que foi um grande progresso politico.

Será que a Europa irá estar mais alargada e aprofundada? Quais os novos desafios que se colocam a Europa? os temas não são de certeza os mesmos que os da década de 50 mas a Europa hoje debate-se com os seguintes assuntos por resolver:
- Custos do alargamento
- Emigração e pressão dos países extra-comunitários
- Adesão ou não da Turquia?
- Papel da UE no Mundo e concorrência da Ásia e EUA
- Relacionamento com África
- Envelhecimento da População Europeia
- Reforma do Estado Social Europeu
- Desemprego estrutural
- Criação de uma verdadeira politica tecnológica e ambiental
- Nacionalismo económico versus criação de mercados europeus e empresas integradas

São temas que merecem de todos nós cidadãos europeus e responsáveis um olhar atento e principalmente dos decisores comunitários e nacionais que deverão olhar para estes temas de forma realista e pragmática com uma visão de longo prazo como o fizeram os pais fundadores da UE. Se a Europa continuar embuida de egoismos nacionais e de lideres demagógicos sem visão europeia e global estamos a contribuir para que não se construa uma verdadeira europa unificada e aberta ao Mundo.

Alfredo Motty
25/03/2007

sexta-feira, março 23, 2007

Centros de decisão nacional

A abordagem
Está na ordem do dia a discussão da questão sobre a manutenção dos “centros de decisão” nas mãos dos investidores nacionais e o risco da sua transferência para o estrangeiro. Este debate surge reforçado após a consciência plena do que é (e pode ser) a globalização. Fará sentido esta discussão no quadro da nossa integração no espaço económico e social comum, no âmbito da União Europeia? Seremos demasiado proteccionistas? Acreditamos que pelo menos merece haver espaço para esta discussão.

A questão dos centros de decisão pode ser vista de três ângulos:
*A nacionalidade do capital e a consequente detenção do controlo accionista, independentemente da nacionalidade dos órgãos executivos e localização dos decisores (Multinacional portuguesa com empresas e decisores noutros países).
*A localização do centro de decisão, independentemente da nacionalidade do capital e dos decisores (Multinacional estrangeira com sucursal em Portugal)
*A nacionalidade dos decisores, independentemente da nacionalidade do capital e da localização do decisor.

Há uma grande diversidade de argumentos, uns a favor e outros contra a transferência do capital das empresas nacionais para mãos estrangeiras. Em ambos os entendimentos, encontramos posições razoáveis e sensatas. Por isso acreditamos que a questão não é simples e de conclusão linear. Encontrámos, entre outros, alguns dos argumentos que nos merecem maior reflexão.

i) A favor da transferência do capital para estrangeiros:

- a importação de conhecimento, novas tecnologias, know how e novas competências de gestão;

- a criação de emprego, o aproveitamento da mão-de-obra especializada que, se bem gerida, revela bons níveis de competência e produtividade;

- a captação de importantes níveis de capital não disponível em mãos de investidores nacionais;

- a possibilidade de alavancar a economia para novos graus de produtividade e desenvolvimento tecnológico;

- a integração de Portugal nos modelos de crescimento dos países parceiros mais desenvolvidos da União Europeia (caso da Inglaterra, Holanda, Suécia ou Espanha).

ii) Contra a deslocalização do capital:

- a eventual procura pelos estrangeiros de um modelo de mão-de-obra barata que desqualifica o país;

- o risco de provocar o desemprego, com o impacto social negativo consequente, quando este modelo de baixo custo da mão-de-obra sofre a concorrência de países como a China, Índia, Republica Checa ou Roménia;

- o mesmo fenómeno que o anterior mas baseado na deslocalização da produção para os países da Europa de Leste cujas qualificações da população são mais elevadas;

- o mero aproveitamento dos benefícios fiscais do Estado por um período de anos, findos os quais se encerra a actividade e se deslocaliza para os países atrás referidos;

A politica
Apesar dos argumentos acima apresentados, continua para nós a não ser simples uma tomada de posição, a favor ou contra os mesmos, uma vez que tais argumentos não reflectem por si só a profundidade do problema. A exemplo de países já referidos como a Holanda, Suécia, Inglaterra ou Espanha, também em Portugal será de grande conveniência permitir a transferência do capital para accionistas estrangeiros (quer de grandes, pequenas ou médias empresas) desde que estes investidores nos tragam não só novos capitais mas também uma forte capacidade financeira que permita ao país mais desenvolvimento, inovação e criação de riqueza. Isto é igualmente aplicável a negócios em sectores estratégicos para Portugal. No momento em que tanto se fala (e trabalha) para a captação de investimento estrangeiro, o país não pode e não deve actuar em contradição com esta politica dado que a criação de riqueza permitirá a obtenção de sinergias com outras empresas a montante e a jusante (clusters) tão importantes para o país.

Os reguladores
O risco da transferência dos centros de decisão, a existir, poderá ser significativamente reduzido, extinto mesmo, se houver uma forte política reguladora em Portugal (como na Inglaterra por exemplo nos sectores energético ou financeiro). Acreditamos que uma forte entidade reguladora em cada sector estratégico permitirá dar cumprimento às normas estabelecidas no mercado de cada sector, o que permitirá a protecção dos interesses nacionais, reduzindo o perigo de uma prejudicial detenção de capital nacional em mãos estrangeiras. Estes riscos, se os houver (desemprego acelerado, encerramento de operações e desinvestimento, atropelo das normas de concorrência, politicas empresariais com impacto social negativo na sociedade, fragilidade na defesa e coesão nacional) serão minorados com uma politica reguladora de rigor e exigência. A existir tal politica, será possível manter em Portugal o capital na posse de quem terá melhores condições para criar valor de forma mais acelerada mas desenvolvendo (e protegendo) um modelo de coesão social.

Uma dúvida nos assola. Deverão as entidades reguladoras que definem as regras do mercado e da concorrência contribuir igualmente para a definição do que são as políticas estratégicas nacionais para o sector? Acreditamos que essa solução ficaria exposta a conflitos de interesses, o que é de evitar totalmente. Antes a decisão deverá ser politica, de acordo com o interesse nacional mas respeitando a sã concorrência entre os operadores.

O Estado
Caberá ao Estado em última instância responder pela manutenção do modelo de coesão social, soberania e segurança nacionais. A questão que mais dúvida nos suscita é se o estado deverá sobrepor-se aos reguladores sectoriais e, se sim, em que matérias. Se tomarmos como certo que tal não deva acontecer, poderá (deverá) o Estado em fim de linha proceder a compensações fiscais em sede de IRS, IRC ou outros (exemplo: havendo decisões num mercado ou sector com impacto negativo directo nos rendimentos dos mais desfavorecidos, compensará quem aufere de menores rendimentos).
Grupo de trabalho composto por:
Mário de Jesus
Cecília Santos
Estela Domingos
João Mateus
Jorge Carriço

quarta-feira, março 14, 2007

A Economia Paralela

Lendo as mais recentes tendências apresentadas na última edição de um dos mais credenciados jornais económicos da nossa praça (Semanário Vida Económica) tive a oportunidade de me confrontar com uma informação que, no mínimo, confirmou algumas das minhas suspeitas embora paradoxalmente não me tenha surpreendido. Isto devido ao facto de, em tempos, ter estudado o assunto.

Trata-se da confirmação de que nós, portugueses, temos uma visceral tendência para nos auto-flagelarmos e dizermos mal de nós próprios, desacreditarmos naquilo que é genuinamente nosso e julgarmos que tudo o que vem de fora é que é bom. No fundo acredito que isto será o reflexo de um certo sentimento (contraditório) de inferioridade em face dos outros (estrangeiros) quando noutros campos nos julgamos superiores (no improviso e na dita esperteza saloia). Veja-se também o sentimento ligado ao fenómeno do futebol. Somos muitas vezes os maiores…

Mas vamos ao que interessa. Diz o Vida Económica na última edição de 09 de Março que Portugal apresenta um nível de economia paralela (também conhecido como o sistema económico a funcionar pela via informal) de 22.3% (isto em % do PIB relativo a 2002). É certo que estamos acima da média da UE (só pode ser a 15) que é de 17%. É certo que acima da França (14,8%), Irlanda (15,5%) ou Alemanha (16,8%).

Mas é igualmente certo que abaixo da Itália (26,2%) e do Reino Unido (23%) e iguais a Espanha (22,3%). Isto é tanto mais curioso quanto sabemos que, se perguntarmos ao cidadão comum e inclusivamente a muitos de nós, pessoas evoluídas e informadas, a resposta disparará para valores muito superiores a estes. “Aqui! É cada um a roubar para o seu lado…”. Porque no fundo lá estamos nós a acreditar que somos piores que os outros. Quanto será na Grécia, Turquia, Albânia, Polónia, Republica Checa? No Brasil ou na China?

Fonte: relatório Schneider e Kilglmair (2004)

domingo, março 11, 2007

As Escolas na Finlândia - os skis


Para finalizar há também estacionamento para os skis que entretêm os jovens no recreio - alguns deles poderão usá-los nas deslocações a pé.

As Escolas na Finlândia - sala de aulas


Vários detalhes a referir como haver em todas as salas: computador, videoprojector, equipamento de som, televisor para projectar filmes e quadro de trabalho movível para multiuso.

As Escolas na Finlândia - oficinas

De salientar a limpeza, estado de conservação e arrumação.

As Escolas na Finlândia - ginásio


O ginásio é servido das melhores condições técnicas em equipamentos (por exemplo os de som).

As Escolas na Finlândia - estacionamento dos alunos


Os alunos chegam de bicicleta pese embora as condições climatéricas agressivas. E estacionam ordeiramente.

As Escolas na Finlândia - corredor

Os alunos entram nas salas de aula mas os sapatos ficam à porta.

As Escolas na Finlândia - brincar no intervalo


Um exemplo do entretenimento das crianças finlândesas no intervalo do recreio. Concentração? Procura pela perfeição?

As Escolas na Finlândia - o Átrio

Na sequência do debate sobre a educação no último encontro, vamos neste espaço apresentar um conjunto de fotos sobre uma escola da Finlândia, fotos essas que nos foram gentilmente cedidas pela Vera aquando da sua recente deslocação àquele país. O seu testemunho foi valioso para a elucidação de todos nós.
A destacar: ausência de qualquer tipo de vedação na área circundante à escola.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Um Fundo de Apoio Social


Será a sociedade portuguesa disfuncional e, por conseguinte, todos nós como seus constituintes, disfuncionais? Provirá antes essa disfunção do núcleo familiar?

Não deixa de ser estranho que, sendo Portugal um país do espaço europeu, membro da comunidade europeia agora com 27 países, aquele continente no qual a maioria dos povos de outros continentes ambicionaria viver pelos índices de desenvolvimento, riqueza e qualidade de vida aqui existentes, do qual provêm quatro dos oito países mais desenvolvidos do Mundo, aqui se registem comportamentos sociais tão sinistros como os que passo a relatar.

Somos um país que na generalidade trata mal as crianças e os idosos, para não falar das mulheres. Diariamente ouvimos falar (e as estatísticas confirmam) de comportamentos tenebrosos sobre a forma como se cuida (mal) das crianças, os quais vão desde o abandono de recém nascidos ou em idade de berço, aos maus-tratos físicos e psicológicos até à prática de homicídios de crianças de tenra idade. Estes comportamentos, como a notória falta de amor pelas crianças, carinho e afecto, revelam recalcamentos psicológicos de quem os pratica e provêm na maioria dos casos, dos próprios pais, avós ou de quem tem as crianças ao seu cuidado. As estatísticas e os casos são numerosos e chocam até as pessoas menos sensíveis. Alguns casos recentemente ocorridos e muito divulgados pelos meios de comunicação social são, em muitas circunstâncias, comportamentos e actos indignos da condição humana.

Quanto aos idosos, os casos registados de maus-tratos, abandono, violência física e psicológica são numerosos e partem na sua maioria dos próprios filhos. Muitos dos nossos idosos são mal alimentados, silenciados, abandonados em suas casas, nos lares ou nas casas dos seus familiares, vivendo muitos deles em situação de pânico e medo porque dependem dos seus familiares para sobreviver mas dos quais pouco recebem a não ser, na melhor circunstância, muita indiferença. E os idosos em risco são especialmente as mulheres, mais do que os homens, dependentes e a viver em casa dos filhos, acima dos 80 anos, particularmente em situação de difícil mobilidade. Temos recente registo deste flagelo social em zonas urbanas e desenvolvidas (como por exemplo Bragança e Almada) não sendo, por isso, factor de atraso económico ou social.

Há que concordar que, para um país desta dimensão, tal número de casos de violência é demasiado elevado. E muitos casos são ocultados, da parte das crianças pela sua incapacidade ou medo de as divulgar junto de terceiros ou outros familiares, da parte dos idosos por estas razões e outras como receio de represálias ou de incompreensão. E quanto aos casos de violência doméstica sobre as mulheres, que não irei aqui abordar, estes registos são também elucidativos. Em 2006 foram 16 os casos de homicídio de mulheres pelos maridos ou companheiros.

É da responsabilidade de todos o contributo para combater este quadro social negativo. Governo, cidadãos e instituições devem actuar num contexto de solidariedade alargada e segundo uma estratégia concertada. De que forma? Vários cenários são possíveis. Da parte do Governo criar condições para que a assistência social identifique e acompanhe de perto os casos de risco, muitos deles já certamente identificados, antecipe os problemas e actue atempadamente, sem hesitações e restrições burocráticas e financeiras.

Da parte dos cidadãos, denunciando às autoridades de justiça e à assistência social, casos detectados e identificados como de risco. Promovendo, debatendo, recomendando, através de movimentos cívicos mais ou menos organizados, formas de combate a estes comportamentos e ajudar a criar um espírito de solidariedade, que muito falta à sociedade portuguesa.

Da parte das empresas o que se espera é que concretizem o seu contributo solidário de forma monetária. Paradoxo? Não. As empresas devem contribuir para um fundo de apoio social, a constituir em cada autarquia, onde se localiza a sua respectiva sede social. Este fundo será gerido pela autarquia, o qual servirá para financiar as instituições de assistência social e a realização de projectos sociais, despesas de funcionamento, gestão e manutenção de orfanatos, creches e jardins de infância, casas de acolhimento para jovens e lares para idosos. Este financiamento solidário repartido pelo governo central, empresas e autarquias, permitirá assegurar um melhor futuro aos desfavorecidos e desprotegidos.

O contributo empresarial para o fundo de apoio social poderá ser concretizado através da retenção de uma percentagem entre os 0,1% e os 0,25% do lucro gerado pelas empresas do Concelho e reverterá a favor das instituições de solidariedade social desse Concelho. Este valor será abatido ao lucro para efeitos de cálculo do IRC, podendo ainda as empresas obter junto das autarquias bonificações ou deduções em impostos municipais como o imposto do selo automóvel da sua frota de veículos, a derrama, o IMT, as taxas de esgotos ou outros.

Afinal de contas a economia é uma ciência social, dirigida aos problemas do Homem no quadro dos sistemas de organização das sociedades onde ele se insere, de modo a contribuir para melhorar a vida quer na sua vertente material (habitação, alimentação, vestuário, segurança e outras) quer na vertente imaterial (cultura, religião, conhecimento).

terça-feira, fevereiro 13, 2007

7º Encontro FRES


A Cecília e o Bruno apresentam o sistema de ensino da Irlanda. Seguiriam-se a Finlândia e também a situação do caso português.

7º Encontro FRES

O João Mateus apresenta a sua posição sobre o tema ensino na Irlanda.

7º Encontro FRES

Uma intervenção e um discurso no debate que merece a atenção de alguns presentes.

7º Encontro FRES


A preparação dos trabalhos antes da apresentação da Finlândia.

7º Encontro FRES

A apresentação do sistema de educação da Finlândia pelo Alfredo Motty.

7º Encontro FRES


A atenção dos nossos participantes quer na escrita pelo Nuno quer na concentração pela Carla.

7º Encontro FRES

As razões e explicações do Bruno Coelho sobre o sistema de educação da Irlanda.

7º Encontro FRES


A atenção antes do debate. Mas houve sorrisos e muitos.

A competitividade e as novas fronteiras da economia

Suzanne Berger e a equipa do industrial performance center do MIT publicaram um livro fabuloso " A competititividade e as novas fronteiras da economia" - Editorial Presença.
Os autores deste relatório analisaram profundamente o impacto da globalização do comércio e investimento internacionais nas economias americanas e europeias.

O papel crescente da China e das economias asiáticas como Taiwan no OEM (Offshoring Equipment Manufacturing) e ODM (Offshore Design Manufacturing) são vistas a lupa neste relatório.

O Sector textil italiano e norte-americano e as deslocalizações para a Roménia e Hong-Kong também são analisadas pela equipa do MIT.
Um livro que recomendo ao empresariado português do sector tradicional da economia que lhes pode dar algumas pistas como vencer na economia global.