O Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal: Dr. Luis Amado alertou esta semana para a existência de uma "politica de capelinhas" na acção externa do Estado Português.
É um facto que esta falta de coordenação interministerial no que concerne a formulação e implementação da Politica Externa Portuguesa existe há bastantes anos prejudicando a projecção internacional de Portugal na cena internacional.
Uma politica externa na assumpção da palavra tem que ser exequivel e ter em conta o interesse nacional e tem que estar acima de interesses ministeriais ou "capelinhas".
É necessário uma visão de Estado que coordene a acção externa da Máquina Diplomática e de todos aqueles que têm responsabilidade pela projecção internacional de portugal no âmbito da diplomacia politica,cultural, económica e defesa de forma a termos uma voz unissono e uma coerência na defesa dos interesses de portugal junto das instituições internacionais e dos centros de decisão internacional.
Torna-se por isso imperativo uma reforma no sentido de reorganização da máquina diplomática e de todas as áreas de relações internacionais dos ministérios que actuam ou se cruzam no campo da politica externa.
A competitividade dos Países pela procura de prestigio e influência internacional implica uma agilização dos instrumentos diplomáticos, culturais e económicos ao serviço do Estado de forma a aumentar a penetração da nossa capacidade de influência no sistema internacional e termos Portugal como estado pequeno mas aberto ao Mundo com forte prestigio diplomático no xadrez mundial.
Ao transpormos para a cena internacional uma máquina diplomática ágil e eficaz estamos a criar condições para um desenvolvimento económico de Portugal mais elevado e para o aumento da respeitabilidade como País aberto ao Mundo e com uma diversidade de relações internacionais.
Alfredo Motty
2/04/2008
quarta-feira, abril 02, 2008
sábado, março 29, 2008
Batalha Naval
Lembrei-me de repente de um dos jogos favoritos da minha infância.
Longe das Playstations e outras tecnologias actuais, utilizávamos papel e caneta ou lápis.
Cada jogador dispunha em cada jogo de um papel quadriculado que simulava o mar e onde tinha de colocar a sua frota, desde os submarinos ao porta-aviões.
O jogo consistia então em escolher 3 tiros em cada jogada de forma a adivinhar a localização que o adversário tinha escolhido para a sua frota. Esses tiros ou acertavam em parte dos navios do adversário ou, eram tiros na água.
Era um jogo simples e muito divertido que misturava intuição e estratégia.
Lembrei-me dele a propósito dos muitos contributos que testemunhamos ao ler diversos jornais e revistas semana após semana.
Considerando os navios como problemas que temos de resolver no dia-a-dia, um objectivo poderia ser dar tiros nesses “navios”, de modo a afundá-los, leia-se, resolver os problemas.
Infelizmente, conseguimos atingir o paradoxo de ter um exército de pessoas a produzir bons artigos e a dar boas ideias mas que, ao não serem devidamente aproveitadas, representam tiros na água, perdendo-se ingloriamente essas mais valias.
É como se a vida não passasse de uma brincadeira, onde podemos pacificamente ignorar a urgência na resolução de problemas simples ou complicados.
Vivemos pois um tempo de desperdício. Desperdício de talentos, desperdício de recursos que assumimos como inesgotáveis.
Felizmente assistimos a um ressurgir de novos grupos e novos movimentos que insistem em “dar pedradas no charco”.
Resta-nos então acreditar no velho ditado:
“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”
Longe das Playstations e outras tecnologias actuais, utilizávamos papel e caneta ou lápis.
Cada jogador dispunha em cada jogo de um papel quadriculado que simulava o mar e onde tinha de colocar a sua frota, desde os submarinos ao porta-aviões.
O jogo consistia então em escolher 3 tiros em cada jogada de forma a adivinhar a localização que o adversário tinha escolhido para a sua frota. Esses tiros ou acertavam em parte dos navios do adversário ou, eram tiros na água.
Era um jogo simples e muito divertido que misturava intuição e estratégia.
Lembrei-me dele a propósito dos muitos contributos que testemunhamos ao ler diversos jornais e revistas semana após semana.
Considerando os navios como problemas que temos de resolver no dia-a-dia, um objectivo poderia ser dar tiros nesses “navios”, de modo a afundá-los, leia-se, resolver os problemas.
Infelizmente, conseguimos atingir o paradoxo de ter um exército de pessoas a produzir bons artigos e a dar boas ideias mas que, ao não serem devidamente aproveitadas, representam tiros na água, perdendo-se ingloriamente essas mais valias.
É como se a vida não passasse de uma brincadeira, onde podemos pacificamente ignorar a urgência na resolução de problemas simples ou complicados.
Vivemos pois um tempo de desperdício. Desperdício de talentos, desperdício de recursos que assumimos como inesgotáveis.
Felizmente assistimos a um ressurgir de novos grupos e novos movimentos que insistem em “dar pedradas no charco”.
Resta-nos então acreditar no velho ditado:
“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”
Miopia internacional das PME - O caso Português
No âmbito da actividade profissional que tenho desenvolvido quer como consultor quer como formador nas áreas de comércio internacional tenho vindo a constatar que ainda existem grupos de empresários de PME que continuam com a chamada doença "miopia internacional".
Doença esta que no âmbito dos estudos consagrados a internacionalização ainda afecta muito
alguns sectores de actividade em Portugal. Quais são os sintomas dessa doença? Vejamos:
- Estratégia de exportação definida pelo lado da oferta e não pelo lado da procura
Exemplo de discurso: tenho um bom produto e a um bom preço............mas sem estudar a concorrência directa e indirecta no plano global de produtos semelhantes e alternativos existentes em outros mercados.
- Aquele meu amigo que tem a empresa A está a exportar para o País X ou Y logo eu também vou exportar e ser bem sucedido nesses mercados.
- O mercado Português está estagnado e aqui não vendo nada logo é melhor fazer as malas e ir a procura de mercados sem uma estratégia definida. Há uns tipos que dizem que o que está a dar é os PALOP, outros que falam na Europa Central e de Leste onde as míudas são giras..... Porque não ir até aos PALOP, pois, eu até conheço bem Angola,pois, o meu bisavô fez lá a tropa...........
- Há uns tipos nesses mercados que me querem comprar uns produtos......eu fui lá para vender o que fabrico que são produtos têxteis mas isso eles já lá tinham então conheci uns distribuidores que me pediram se lhes arranjava vinho. Pensei cá para os meus botões eu tenho uma amigo da Adega Cooperativa que quer exportar, pois, ele não consegue entrar com os vinhos deles nas grandes superficies pois o produto tem que ser referenciado logo sugeri-lhe para irmos vender o vinho deles nesses mercados onde estive........vou perguntar quantas caixas leva um contentor de 20 FCL de tinto do bom.......e mandar umas amostras com rótulo de portugal,pois, agora é só para eles verem o produto. depois logo se vê o que vai dar...já me estava a esquecer........essa empresa que quer comprar é um importador/distribuidor de relevo nesses mercados? quais os termos de pagamento a praticar? quais os termos de entrega? custos de logistica? quais são? custos de adaptação de embalagem foram feito? o meu amigo também me disse que isso agora não é relevante......isto é como vender a porta da fábrica - o Lado da oferta é que manda.......e o meu amigo vai 1 semana num ano a um desses mercados logo tem um elevado conhecimento desses mercados. Para que tanta interrogação sobre como efectuar as transacções internacionais? é uma perda de tempo!
Doença esta que no âmbito dos estudos consagrados a internacionalização ainda afecta muito
alguns sectores de actividade em Portugal. Quais são os sintomas dessa doença? Vejamos:
- Estratégia de exportação definida pelo lado da oferta e não pelo lado da procura
Exemplo de discurso: tenho um bom produto e a um bom preço............mas sem estudar a concorrência directa e indirecta no plano global de produtos semelhantes e alternativos existentes em outros mercados.
- Aquele meu amigo que tem a empresa A está a exportar para o País X ou Y logo eu também vou exportar e ser bem sucedido nesses mercados.
- O mercado Português está estagnado e aqui não vendo nada logo é melhor fazer as malas e ir a procura de mercados sem uma estratégia definida. Há uns tipos que dizem que o que está a dar é os PALOP, outros que falam na Europa Central e de Leste onde as míudas são giras..... Porque não ir até aos PALOP, pois, eu até conheço bem Angola,pois, o meu bisavô fez lá a tropa...........
- Há uns tipos nesses mercados que me querem comprar uns produtos......eu fui lá para vender o que fabrico que são produtos têxteis mas isso eles já lá tinham então conheci uns distribuidores que me pediram se lhes arranjava vinho. Pensei cá para os meus botões eu tenho uma amigo da Adega Cooperativa que quer exportar, pois, ele não consegue entrar com os vinhos deles nas grandes superficies pois o produto tem que ser referenciado logo sugeri-lhe para irmos vender o vinho deles nesses mercados onde estive........vou perguntar quantas caixas leva um contentor de 20 FCL de tinto do bom.......e mandar umas amostras com rótulo de portugal,pois, agora é só para eles verem o produto. depois logo se vê o que vai dar...já me estava a esquecer........essa empresa que quer comprar é um importador/distribuidor de relevo nesses mercados? quais os termos de pagamento a praticar? quais os termos de entrega? custos de logistica? quais são? custos de adaptação de embalagem foram feito? o meu amigo também me disse que isso agora não é relevante......isto é como vender a porta da fábrica - o Lado da oferta é que manda.......e o meu amigo vai 1 semana num ano a um desses mercados logo tem um elevado conhecimento desses mercados. Para que tanta interrogação sobre como efectuar as transacções internacionais? é uma perda de tempo!
quinta-feira, março 27, 2008
Jantar/Debate do FRES - As Cidades

Estimados fresianos e caros visitantes
O FRES realizou ontem no restaurante Kardápio em Lisboa mais um jantar debate cujo tema de discussão foi "As cidades como pólos de desenvolvimento local e regional".
Durante este encontro foram discutidos os diferentes papeis das cidades, quer como pólos de crescimento e desenvolvimento territorial, quer como modelos de atractividade de pessoas, saberes, cultura, ciência e conhecimento, quer ainda como factores de assimetria regional ou nacional. Os papéis e impactos do crescimento das cidades, criando por um lado fócus de desenvolvimento, sejam eles estruturais, económicos ou sociais, estão, por outro lado, a provocar desequilibrios urbanos, a incrementar indiçes de criminalidade e a intensificar fenómenos de desigualdae social. A problemática do que é uma cidade competitiva versus uma cidade não competitiva, (seus indicadores) foi também abordada.
Nesta óptica foi igualmente discutido e debatido se os indicadores que definem os vários conceitos ou critérios de competitividade de uma cidade (segundo o método do Fórum Económico Mundial) são os mais adequados.
Daremos em breve aqui notícias sobre as conclusões ou (ausência delas) relativas a este debate.
Saudações fresianas
sábado, março 22, 2008
O Empreendedorismo social e os Think Tanks

Falar hoje em Portugal sobre o que é um Think Tank representa, para a maioria das pessoas, falar de algo completamente desconhecido. É infelizmente assim num país que não devia estar distante destas temáticas dos grupos de reflexão mas sim integrado numa outra dinâmica e grau de desenvolvimento social e intelectual. Acreditem, pois temos no dia-a-dia a prova disto. Testem. Experimentem.
Se internamente os poucos Think Tanks que existem estão virados para dentro e apenas trabalham numa perspectiva de debate e reflexão, já nos países da Europa e EUA onde estes proliferam de forma muito significativa como verdadeiros núcleos de debate, reflexão, pesquisa e investigação, estes, estão completamente virados para fora. A sua acção desenrola-se na esfera da produção de debates, produção de papers e realização de trabalhos de pesquisa e investigação, divulgação e discussão de políticas de desenvolvimento e cooperação (terceiro mundo, Ásia, África, países vitimas de catástrofes, ciências médicas ou investigação biológica, molecular ou estudos sociológicos concretos, apenas para referir alguns exemplos).
Todas as semanas se realizam por exemplo em universidades americanas (através de think tanks académicos- ou em Bruxelas no âmbito da comunidade europeia através de think tanks oriundos de vários países especializados em temáticas diversas) workshops, reuniões, seminários ou conferências sobre os trabalhos que estes grupos desenvolvem. Neles trabalham imensas pessoas que escrevem e investigam sobre os temas em curso. Estes grupos são geradores dos seus próprios proveitos e receitas. Este movimento da sociedade civil é designado por empreendedorismo social. Voltaremos a falar deste tema em posts seguintes.
Temos falado muitas vezes destas ideias entre alguns de nós no FRES e pretendemos dar passos em frente neste sentido. No fundo sabemos que sem ousadia e ambição, atitude ou determinação nada nos distingue da multidão cinzenta que compõe a maioria da sociedade civil em Portugal. Pretendemos com tempo, paciência e perseverança ultrapassar as fronteiras deste país e levar as nossas ideias ou propostas ao centro da Europa onde estão aqueles que falam por nós e que nos devem representar. Sabemos como fazê-lo, falta-nos tempo e alguma organização. Mas fá-lo-emos sem dúvida.
Se pretendermos hoje ir a Bruxelas apresentar uma proposta, um paper, sabemos com quem falar e quando ir. Temos espaço aberto para nós. Porque não o fazemos agora? Talvez por difícil articulação da vida profissional. Mas vamos tentar? Será daqui a 1, 2, 5 anos…não sabemos. Mas podemos manter como linha de orientação esse objectivo e esse rumo.
Se internamente os poucos Think Tanks que existem estão virados para dentro e apenas trabalham numa perspectiva de debate e reflexão, já nos países da Europa e EUA onde estes proliferam de forma muito significativa como verdadeiros núcleos de debate, reflexão, pesquisa e investigação, estes, estão completamente virados para fora. A sua acção desenrola-se na esfera da produção de debates, produção de papers e realização de trabalhos de pesquisa e investigação, divulgação e discussão de políticas de desenvolvimento e cooperação (terceiro mundo, Ásia, África, países vitimas de catástrofes, ciências médicas ou investigação biológica, molecular ou estudos sociológicos concretos, apenas para referir alguns exemplos).
Todas as semanas se realizam por exemplo em universidades americanas (através de think tanks académicos- ou em Bruxelas no âmbito da comunidade europeia através de think tanks oriundos de vários países especializados em temáticas diversas) workshops, reuniões, seminários ou conferências sobre os trabalhos que estes grupos desenvolvem. Neles trabalham imensas pessoas que escrevem e investigam sobre os temas em curso. Estes grupos são geradores dos seus próprios proveitos e receitas. Este movimento da sociedade civil é designado por empreendedorismo social. Voltaremos a falar deste tema em posts seguintes.
Temos falado muitas vezes destas ideias entre alguns de nós no FRES e pretendemos dar passos em frente neste sentido. No fundo sabemos que sem ousadia e ambição, atitude ou determinação nada nos distingue da multidão cinzenta que compõe a maioria da sociedade civil em Portugal. Pretendemos com tempo, paciência e perseverança ultrapassar as fronteiras deste país e levar as nossas ideias ou propostas ao centro da Europa onde estão aqueles que falam por nós e que nos devem representar. Sabemos como fazê-lo, falta-nos tempo e alguma organização. Mas fá-lo-emos sem dúvida.
Se pretendermos hoje ir a Bruxelas apresentar uma proposta, um paper, sabemos com quem falar e quando ir. Temos espaço aberto para nós. Porque não o fazemos agora? Talvez por difícil articulação da vida profissional. Mas vamos tentar? Será daqui a 1, 2, 5 anos…não sabemos. Mas podemos manter como linha de orientação esse objectivo e esse rumo.
terça-feira, março 18, 2008
Aprender a nadar
A propósito do sub-aproveitamento do valioso recurso que Portugal dispõe ao contar com uma enorme zona marítima sob sua jurisdição, o Professor Universitário Viriato Soromenho Marques teceu algumas considerações interessantes e importantes.
Quem tiver a curiosidade de conhecer um pouco mais sobre a sua obra pode visitar a sua página oficial
http://viriatosoromenho-marques.com/
Quanto às considerações propriamente ditas, elas alertam para a necessidade de haver uma consciência da importância estratégica que o Mar pode representar para Portugal, sobretudo numa altura em que os Países lutam cada vez mais pela posse e administração de recursos.
A enorme zona marítima que Portugal administra pode ser aproveitada não só pelos sectores tradicionais de pesca e navegação, como também pelo sector do turismo e pelo sector da energia; ainda numa fase embrionária, a exploração do Mar como fonte de energia renovável e não poluente, pode ter um papel importante a desempenhar, caso se verifiquem os estudos e avanços tecnológicos necessários.
Outra chamada de atenção que o Professor Viriato Soromenho Marques fez foi a de que é absolutamente vital uma conjugação de esforços. Essa conjugação visa o aproveitamento de capacidades, de forma coordenada e, tendo como suporte uma visão estratégica do Mar, integrando os diversos factores acima referidos.
Curiosa é também a referência a uma necessidade de sermos persistentes estrategicamente, rentabilizando as iniciativas do sector público e do sector privado e partindo de uma consciência do que temos e do que precisamos de ter para poder investir e ganhar vantagens económicas com o Mar que dispomos.
Não menos importante foi a chamada de atenção para o facto de, se nada fizermos e formos negligentes, não só perderemos o potencial económico como também poderemos passar a ter um Mar maltratado com todos os perigos que isso pode acarretar.
A forma sensata e fundamentada como expõe as suas ideias, visando amplos consensos, fez-me apreciar as suas considerações e sentir uma certa identificação com o que temos procurado fazer no FRES.
Quem tiver a curiosidade de conhecer um pouco mais sobre a sua obra pode visitar a sua página oficial
http://viriatosoromenho-marques.com/
Quanto às considerações propriamente ditas, elas alertam para a necessidade de haver uma consciência da importância estratégica que o Mar pode representar para Portugal, sobretudo numa altura em que os Países lutam cada vez mais pela posse e administração de recursos.
A enorme zona marítima que Portugal administra pode ser aproveitada não só pelos sectores tradicionais de pesca e navegação, como também pelo sector do turismo e pelo sector da energia; ainda numa fase embrionária, a exploração do Mar como fonte de energia renovável e não poluente, pode ter um papel importante a desempenhar, caso se verifiquem os estudos e avanços tecnológicos necessários.
Outra chamada de atenção que o Professor Viriato Soromenho Marques fez foi a de que é absolutamente vital uma conjugação de esforços. Essa conjugação visa o aproveitamento de capacidades, de forma coordenada e, tendo como suporte uma visão estratégica do Mar, integrando os diversos factores acima referidos.
Curiosa é também a referência a uma necessidade de sermos persistentes estrategicamente, rentabilizando as iniciativas do sector público e do sector privado e partindo de uma consciência do que temos e do que precisamos de ter para poder investir e ganhar vantagens económicas com o Mar que dispomos.
Não menos importante foi a chamada de atenção para o facto de, se nada fizermos e formos negligentes, não só perderemos o potencial económico como também poderemos passar a ter um Mar maltratado com todos os perigos que isso pode acarretar.
A forma sensata e fundamentada como expõe as suas ideias, visando amplos consensos, fez-me apreciar as suas considerações e sentir uma certa identificação com o que temos procurado fazer no FRES.
sexta-feira, março 14, 2008
Investimentos e urgência de criação de emprego
A semana que hoje encerra teve algumas boas notícias em termos de investimento, nomeadamente:
1. A La Seda de Barcelona, que tem como principais accionistas o grupo português Imatosgil e a Caixa Geral de Depósitos (CGD), anunciou o arranque da construção em Sines de uma fábrica de PTA (ácido teraftálico purificado, a matéria-prima de todas as formas de poliéster). Este investimento, louvado pela sua importância local e nacional pelo Primeiro Ministro Engº José Sócrates, representa um valor de cerca de 400 milhões de euros, permitindo à empresa espanhola passar de terceiro para primeiro “player” na Europa neste segmento.
1. A La Seda de Barcelona, que tem como principais accionistas o grupo português Imatosgil e a Caixa Geral de Depósitos (CGD), anunciou o arranque da construção em Sines de uma fábrica de PTA (ácido teraftálico purificado, a matéria-prima de todas as formas de poliéster). Este investimento, louvado pela sua importância local e nacional pelo Primeiro Ministro Engº José Sócrates, representa um valor de cerca de 400 milhões de euros, permitindo à empresa espanhola passar de terceiro para primeiro “player” na Europa neste segmento.
A La Seda de Barcelona foi fundada em 1925 e é líder no mercado europeu de PET (polietileno tereftalato), o plástico utilizado em embalagens.
Pormenores interessantes sobre este investimento podem ser vistos em
http://www.mun-sines.pt/inovaemprego/documentos/apresentacao_artenius_ruisousa.pdf
2. Investimento a nível da Hotelaria
Hotelaria: Axis investe 12 M€ em Viana do Castelo
http://www.millenniumbcp.com/SME/middle/04/showNew/0,3532,3-20080311115958-DIARIODIGITAL----true-,00.html
3. Investimento a nível do Comércio
AKI investe 35 M€
http://www.millenniumbcp.com/SME/middle/04/showNew/0,3532,3-20080311134500-DIARIODIGITAL----true-,00.html
4. Investimento em Logística
Como síntese dos investimentos atrás referidos e para realçar a importância de continuarmos todos a trabalhar bem e a bom ritmo, transcrevo os seguintes parágrafos relacionados com esta notícia.
“ O primeiro-ministro, José Sócrates, disse na terça-feira dia 11 de Março, que a plataforma logística Lisboa-Norte, no concelho de Vila Franca de Xira, é um «elemento modernizador da economia» e que representa a confiança dos investidores estrangeiros em Portugal.
«Estou aqui hoje para sublinhar a importância deste investimento [plataforma logística], que é um instrumento modernizador da nossa economia«, afirmou hoje José Sócrates durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra da plataforma logística de Castanheira do Ribatejo.
Na ocasião, o primeiro-ministro destacou a importância que o investimento empresarial estrangeiro tem para a economia portuguesa, salientando que Portugal «precisa de investimento modernizador e que dê emprego às pessoas«.
A plataforma logística, que estará concluída em 2018, representa um investimento de 265 milhões de euros por parte do grupo espanhol Abertis.
A nova infra-estrutura permitirá, segundo as estimativas da Abertis, criar mais de 5.000 postos de trabalho directos e 12.500 indirectos.
Para o primeiro-ministro, o investimento do grupo espanhol traduz «um elemento de confiança na economia portuguesa e nos portugueses«, o que significa «mais oportunidades de emprego«.
http://www.mun-sines.pt/inovaemprego/documentos/apresentacao_artenius_ruisousa.pdf
2. Investimento a nível da Hotelaria
Hotelaria: Axis investe 12 M€ em Viana do Castelo
http://www.millenniumbcp.com/SME/middle/04/showNew/0,3532,3-20080311115958-DIARIODIGITAL----true-,00.html
3. Investimento a nível do Comércio
AKI investe 35 M€
http://www.millenniumbcp.com/SME/middle/04/showNew/0,3532,3-20080311134500-DIARIODIGITAL----true-,00.html
4. Investimento em Logística
Como síntese dos investimentos atrás referidos e para realçar a importância de continuarmos todos a trabalhar bem e a bom ritmo, transcrevo os seguintes parágrafos relacionados com esta notícia.
“ O primeiro-ministro, José Sócrates, disse na terça-feira dia 11 de Março, que a plataforma logística Lisboa-Norte, no concelho de Vila Franca de Xira, é um «elemento modernizador da economia» e que representa a confiança dos investidores estrangeiros em Portugal.
«Estou aqui hoje para sublinhar a importância deste investimento [plataforma logística], que é um instrumento modernizador da nossa economia«, afirmou hoje José Sócrates durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra da plataforma logística de Castanheira do Ribatejo.
Na ocasião, o primeiro-ministro destacou a importância que o investimento empresarial estrangeiro tem para a economia portuguesa, salientando que Portugal «precisa de investimento modernizador e que dê emprego às pessoas«.
A plataforma logística, que estará concluída em 2018, representa um investimento de 265 milhões de euros por parte do grupo espanhol Abertis.
A nova infra-estrutura permitirá, segundo as estimativas da Abertis, criar mais de 5.000 postos de trabalho directos e 12.500 indirectos.
Para o primeiro-ministro, o investimento do grupo espanhol traduz «um elemento de confiança na economia portuguesa e nos portugueses«, o que significa «mais oportunidades de emprego«.
«Queremos que este investimento ande depressa porque há muita gente a querer trabalhar«, sublinhou.”
Esta é uma frase emblemática, que merece todas as análises e nenhum comentário em particular.
quinta-feira, março 06, 2008
Verde por 2 minutos
As questões ambientais têm tido uma importância crescente.
Somos diariamente bombardeados com muita informação pela televisão, jornais, revistas, etc.
Somos diariamente bombardeados com muita informação pela televisão, jornais, revistas, etc.
A maior parte dessa informação consiste em guerras, violação de direitos humanos, desporto e factos políticos de duvidosa relevância.
Neste contexto, chamo particular atenção ao “ Minuto Verde”. Trata-se de um programa transmitido de manhã cedo e, como o nome indica, com a duração de apenas um minuto. Nele deparamos com pormenores interessantes sobre situações práticas diárias e sobre cuidados que algumas profissões necessitam de ter em atenção, para obter uma mais eficiente utilização de recursos.
Estas informações são fornecidas por alguns membros da Quercus, associação que todos conhecemos e que visa a defesa do meio ambiente.
A este propósito gostaria de fazer dois reparos ou sugestões:
- Julgo que se o programa fosse visualizado na dita “hora nobre”, abrangeria uma maior audiência, sendo um momento ideal para adquirir e aplicar conhecimentos no nosso dia-a-dia.
Neste contexto, chamo particular atenção ao “ Minuto Verde”. Trata-se de um programa transmitido de manhã cedo e, como o nome indica, com a duração de apenas um minuto. Nele deparamos com pormenores interessantes sobre situações práticas diárias e sobre cuidados que algumas profissões necessitam de ter em atenção, para obter uma mais eficiente utilização de recursos.
Estas informações são fornecidas por alguns membros da Quercus, associação que todos conhecemos e que visa a defesa do meio ambiente.
A este propósito gostaria de fazer dois reparos ou sugestões:
- Julgo que se o programa fosse visualizado na dita “hora nobre”, abrangeria uma maior audiência, sendo um momento ideal para adquirir e aplicar conhecimentos no nosso dia-a-dia.
- Por outro lado, se em vez de apenas um minuto, onde tanta informação relevante é transmitida, pudéssemos contar com dois minutos diários, muito mais conhecimentos poderíamos adquirir, com benefícios para a nossa vida em casa, no trabalho e em todo o lado.
Violência contra as mulheres continua a aumentar
Amnistia Internacional divulga estudo com números preocupantes
“ Os números são alarmantes e revelam apenas a ponta de um iceberg. Um estudo hoje divulgado pela Amnistia Internacional indica que 4 portugueses são vítimas de crime todos os dias, sendo que as vítimas são essencialmente do sexo feminino.
De acordo com a Amnistia Internacional, os números agora divulgados indicam que o o fenómeno da discriminação de género continua enraizada no País e que as queixas conhecidas revelam apenas uma parcela dos casos reais conhecidos pelas autoridades. “
A 2 dias de se assinalar mais uma vez o Dia Internacional da Mulher, é com tristeza e apreensão que escuto notícias destas. Elas são o testemunho que muito ainda temos a percorrer para que as mulheres, TODAS AS MULHERES, sejam tratadas com o respeito que merecem.
A brutalidade e os maus-tratos, quer físicos quer psicológicos, que se infligem sistematicamente a homens, mulheres e crianças, são um verdadeiro acto de cobardia.
Lutarei como posso para combater essas maldades, que afectam maioritariamente as mulheres.
Lutarei como posso para combater essas maldades, que afectam maioritariamente as mulheres.
Nestes dias, e em especial no dia 8 de Março, múltiplas serão as iniciativas em todo o Pais, para homenagear e mimar as Mulheres em Portugal.
em
em
podemos ver que:
“No âmbito das comemorações do Dia da Mulher, Vila Real de Santo António tornar-se-á, durante três dias, a “Cidade da Mulher”, com actividades dedicadas ao público feminino.
Esta iniciativa da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António pretende homenagear todas as mulheres, não só do concelho, mas de todo o país, oferecendo-lhes a possibilidade de se dedicarem exclusivamente a si próprias durante três dias. “
Esta iniciativa da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António pretende homenagear todas as mulheres, não só do concelho, mas de todo o país, oferecendo-lhes a possibilidade de se dedicarem exclusivamente a si próprias durante três dias. “
Gosto de Vila Real de Santo António e gostava de lá estar nestes dias.
Mas o que gostava mesmo, mesmo muito, muito, muito, é que em breve não fosse mais necessário comemorar o Dia Internacional da Mulher.
Em vez disso, deveríamos todos ter a noção do valor desse ser tão igual a nós e ao mesmo tempo tão especial, e mimá-las todos os dias ou, no mínimo, respeitá-las.
terça-feira, março 04, 2008
Prons and Cons: Education´s true hour
Assisti ontem ao programa Prós e Contras sobre o tema educação. É de facto um programa único como poucos na televisão nacional e a não perder.
Como primeira conclusão refiro para já o seguinte: tinha assistido ao da semana passada sobre o mesmo tema, no qual participaram as partes litigantes – o Governo através da Ministra da Educação por um lado e os professores por outro - e comparativamente àquele, o de ontem sem as partes litigantes, antes debatido entre pessoas que pensam e trabalham a educação num contexto fora das partes beligerantes, foi muito mais profícuo, esclarecedor e interessante.
Depois várias questões relevantes foram abordadas pelos participantes. Quero aqui referir as que me pareceram ser de destacar. Não sendo de destacar quem disse o quê, apenas referirei as ideias que me pareceram essenciais.
Foi referida a necessidade de haver a criação de uma plataforma de intermediação do litígio hoje vigente entre professores e Ministério. Essa plataforma deverá ser composta por pessoas independentes, capazes, com competências e com prestígio suficiente para tratar o tema. No fundo uma intervenção cívica (ou um misto de) independente para mediar o conflito. Foi ainda referida a necessidade de vermos os professores como uma classe acima das disputas políticas, cuja importância da profissão é transversal a toda a sociedade portuguesa, devendo ser transcendental a todo este clima de quezília instalada. É aos professores que nós confiamos os nossos filhos para nos ajudarem a educá-los.
Outro interveniente referiu que hoje, o sistema de educação ao nível do ensino secundário, tal qual muitos de nós o conheceram e viveram, outrora de classe mundial, está hoje muito distante do melhor que existe nos países mais desenvolvidos ao nível da educação. A escola não se terá adaptado bem a uma certa modernidade, uma vez que há um novo paradigma a que chama a inteligência colectiva (com o advento da Internet) através do qual as pessoas agem, discutem e se expressam em grupo através da net, a qual tem hoje uma força que pode fazer mudar o estado das coisas e a perspectiva que se tem da realidade.
Diz o mesmo que por exemplo “lá fora” ou seja noutros países como os EUA, o grau de exigência, as temáticas de leitura e a atenção para todos os fenómenos de participação intelectual e cívica exigida aos alunos, não tem comparação em Portugal.
Um dos convidados da assistência regista uma ideia de salientar: a escola não pode e não deve estar vocacionada nem o sistema de ensino tampouco, para educar em função das necessidades das empresas, mas antes sim em função da felicidade dos alunos. Os alunos devem estudar e seguir as orientações, os cursos, os ensinamentos, as temáticas com as quais pretendem ser felizes. Esta busca da felicidade não pode ser condicionada de modo a que a escola apenas prepare as pessoas para trabalhar nas empresas. E a arte, as ciências, a literatura, a música, a pintura, a poesia e tudo o resto?
Outro dos convidados do debate reforçou a ideia que todos os intervenientes defenderam: é necessária a avaliação de professores. Deu como exemplo o facto de ter dado aulas na Inglaterra durante 3 anos e ter sido avaliado 2 vezes. Sem traumas e com toda a naturalidade é assim. Não se pode conceber uma profissão com a importância deste calibre sem as pessoas serem avaliadas.
Uma questão que esteve em aberto foi se os pais deveriam participar neste modelo de avaliação. Agora em minha opinião e também conforme foi referido por um dos intervenientes julgo que sim que é indispensável.
Tal como refere um dos convidados da assistência, recorrendo ao futebol como analogia, os treinadores são diariamente avaliados bem como os jogadores. É isso que os faz procurar ser melhores e vencedores. E os melhores avaliadores dos treinadores são os próprios jogadores. Também, pela mesma lógica de raciocínio, os pais podem ser bons avaliadores dos professores.
Finalmente ainda a destacar o facto de ter sido salientado que a disciplina, o esforço e a dedicação como factor essencial para uma escola de sucesso. Um dos convidados sublinha uma frase quanto a mim paradigmática: uma escola fácil não prepara os alunos para uma vida difícil.
Referiu ainda o aprumo e disciplina que testemunhou entre os alunos da Academia de Alcochete do Sporting como um exemplo a observar.
Não previmos isto no FRES quando há mais de um ano tomámos como tema mais relevante para trabalho a Educação. Parece que adivinhava-mos. Está como nunca na ordem do dia e prende a atenção das pessoas mais atentas e conscientes.
Agora esperemos pelo debate.
Como primeira conclusão refiro para já o seguinte: tinha assistido ao da semana passada sobre o mesmo tema, no qual participaram as partes litigantes – o Governo através da Ministra da Educação por um lado e os professores por outro - e comparativamente àquele, o de ontem sem as partes litigantes, antes debatido entre pessoas que pensam e trabalham a educação num contexto fora das partes beligerantes, foi muito mais profícuo, esclarecedor e interessante.
Depois várias questões relevantes foram abordadas pelos participantes. Quero aqui referir as que me pareceram ser de destacar. Não sendo de destacar quem disse o quê, apenas referirei as ideias que me pareceram essenciais.
Foi referida a necessidade de haver a criação de uma plataforma de intermediação do litígio hoje vigente entre professores e Ministério. Essa plataforma deverá ser composta por pessoas independentes, capazes, com competências e com prestígio suficiente para tratar o tema. No fundo uma intervenção cívica (ou um misto de) independente para mediar o conflito. Foi ainda referida a necessidade de vermos os professores como uma classe acima das disputas políticas, cuja importância da profissão é transversal a toda a sociedade portuguesa, devendo ser transcendental a todo este clima de quezília instalada. É aos professores que nós confiamos os nossos filhos para nos ajudarem a educá-los.
Outro interveniente referiu que hoje, o sistema de educação ao nível do ensino secundário, tal qual muitos de nós o conheceram e viveram, outrora de classe mundial, está hoje muito distante do melhor que existe nos países mais desenvolvidos ao nível da educação. A escola não se terá adaptado bem a uma certa modernidade, uma vez que há um novo paradigma a que chama a inteligência colectiva (com o advento da Internet) através do qual as pessoas agem, discutem e se expressam em grupo através da net, a qual tem hoje uma força que pode fazer mudar o estado das coisas e a perspectiva que se tem da realidade.
Diz o mesmo que por exemplo “lá fora” ou seja noutros países como os EUA, o grau de exigência, as temáticas de leitura e a atenção para todos os fenómenos de participação intelectual e cívica exigida aos alunos, não tem comparação em Portugal.
Um dos convidados da assistência regista uma ideia de salientar: a escola não pode e não deve estar vocacionada nem o sistema de ensino tampouco, para educar em função das necessidades das empresas, mas antes sim em função da felicidade dos alunos. Os alunos devem estudar e seguir as orientações, os cursos, os ensinamentos, as temáticas com as quais pretendem ser felizes. Esta busca da felicidade não pode ser condicionada de modo a que a escola apenas prepare as pessoas para trabalhar nas empresas. E a arte, as ciências, a literatura, a música, a pintura, a poesia e tudo o resto?
Outro dos convidados do debate reforçou a ideia que todos os intervenientes defenderam: é necessária a avaliação de professores. Deu como exemplo o facto de ter dado aulas na Inglaterra durante 3 anos e ter sido avaliado 2 vezes. Sem traumas e com toda a naturalidade é assim. Não se pode conceber uma profissão com a importância deste calibre sem as pessoas serem avaliadas.
Uma questão que esteve em aberto foi se os pais deveriam participar neste modelo de avaliação. Agora em minha opinião e também conforme foi referido por um dos intervenientes julgo que sim que é indispensável.
Tal como refere um dos convidados da assistência, recorrendo ao futebol como analogia, os treinadores são diariamente avaliados bem como os jogadores. É isso que os faz procurar ser melhores e vencedores. E os melhores avaliadores dos treinadores são os próprios jogadores. Também, pela mesma lógica de raciocínio, os pais podem ser bons avaliadores dos professores.
Finalmente ainda a destacar o facto de ter sido salientado que a disciplina, o esforço e a dedicação como factor essencial para uma escola de sucesso. Um dos convidados sublinha uma frase quanto a mim paradigmática: uma escola fácil não prepara os alunos para uma vida difícil.
Referiu ainda o aprumo e disciplina que testemunhou entre os alunos da Academia de Alcochete do Sporting como um exemplo a observar.
Não previmos isto no FRES quando há mais de um ano tomámos como tema mais relevante para trabalho a Educação. Parece que adivinhava-mos. Está como nunca na ordem do dia e prende a atenção das pessoas mais atentas e conscientes.
Agora esperemos pelo debate.
segunda-feira, março 03, 2008
Fuga das Estatísticas
Deveremos andar estatisticamente felizes por o número do desemprego baixar umas décimas ?
Há 3 semanas lia-se nas notícias que
“ Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que no quarto trimestre do ano passado a taxa de desemprego caiu uma décima para os 7,8%, e o número de desempregados atingia os 439,5 mil.”
Analisando estes números isoladamente até não parece muito mau. Mas numa altura em que aumentam o número de falências, com os sectores tradicionais de comércio e indústria a perderem dezenas de milhares de empregos, esta relativa “estabilidade” dos números do desemprego podem ter outras explicações.
Sendo um desafio interessante para os apaixonados da estatística, aqui fica a seguinte ideia:
- Porque não estudar a correlação entre a evolução do número de desempregados e a emigração no período dos 2 ou 3 últimos anos ?
Hoje li a seguinte notícia:
“ Portugueses em Espanha
Emigração para o país vizinho aumentou 40% em 2007
O número de portugueses a viver em Espanha aumentou mais de 40 por cento no ano passado. Madrid e a Galiza são as zonas preferidas de quem resolve emigrar e já são mais de 100 mil os que residem para lá da fronteira. “
fonte:
http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/20080303_Portugueses+em+Espanha.htm
Se a Economia Espanhola e outras, como por exemplo as do Reino Unido, França e Suíca, continuarem a absorver os nossos desempregados a um bom ritmo, os números manter-se-ão em níveis estatisticamente satisfatórios.
É claro que isso será mais uma vez fruto dos sacrifícios de milhares de compatriotas nossos que, não acreditando mais no futuro do nosso país, rumam a velhos destinos, onde o valor do trabalho parece (ainda ) ser reconhecido.
Os que cá ficam, deveriam estar atentos.
Há 3 semanas lia-se nas notícias que
“ Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que no quarto trimestre do ano passado a taxa de desemprego caiu uma décima para os 7,8%, e o número de desempregados atingia os 439,5 mil.”
Analisando estes números isoladamente até não parece muito mau. Mas numa altura em que aumentam o número de falências, com os sectores tradicionais de comércio e indústria a perderem dezenas de milhares de empregos, esta relativa “estabilidade” dos números do desemprego podem ter outras explicações.
Sendo um desafio interessante para os apaixonados da estatística, aqui fica a seguinte ideia:
- Porque não estudar a correlação entre a evolução do número de desempregados e a emigração no período dos 2 ou 3 últimos anos ?
Hoje li a seguinte notícia:
“ Portugueses em Espanha
Emigração para o país vizinho aumentou 40% em 2007
O número de portugueses a viver em Espanha aumentou mais de 40 por cento no ano passado. Madrid e a Galiza são as zonas preferidas de quem resolve emigrar e já são mais de 100 mil os que residem para lá da fronteira. “
fonte:
http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/20080303_Portugueses+em+Espanha.htm
Se a Economia Espanhola e outras, como por exemplo as do Reino Unido, França e Suíca, continuarem a absorver os nossos desempregados a um bom ritmo, os números manter-se-ão em níveis estatisticamente satisfatórios.
É claro que isso será mais uma vez fruto dos sacrifícios de milhares de compatriotas nossos que, não acreditando mais no futuro do nosso país, rumam a velhos destinos, onde o valor do trabalho parece (ainda ) ser reconhecido.
Os que cá ficam, deveriam estar atentos.
Estamos ainda longe do cenário de um ex-presidente do Brasil quando disse
“ O nosso país está à beira do abismo, mas vamos dar um grande passo em frente”.
Não é no entanto um exagero, alertar para o facto de os sinais de abrandamento da nossa economia ( sobretudo das milhares de pequenas e médias empresas que estão a travar lutas dramáticas pela sobrevivência ) começarem a ser muito fortes.
“ O nosso país está à beira do abismo, mas vamos dar um grande passo em frente”.
Não é no entanto um exagero, alertar para o facto de os sinais de abrandamento da nossa economia ( sobretudo das milhares de pequenas e médias empresas que estão a travar lutas dramáticas pela sobrevivência ) começarem a ser muito fortes.
sábado, março 01, 2008
Defeitos e Feitios
A presidência do Conselho de Ministros aprovou recentemente o Programa pagar a tempo e horas.
No portal
http://www.dre.pt/pdf1sdip/2008/02/03800/0116701172.PDF
encontramos a Resolução do Conselho de Ministros n.º 34/2008
publicada no Diário da República, 1.ª série — N.º 38 — 22 de Fevereiro de 2008
Nela podemos ler que
“ Na economia portuguesa tem -se verificado a prática de prazos de pagamento alargados em transacções comerciais. De facto, vários estudos internacionais estimam que o prazo médio de pagamentos em Portugal seja significativamente superior ao praticado nos restantes países europeus. A prática de prazos de pagamento alargados é comum aos vários agentes económicos, onde se incluem alguns serviços das administrações públicas e algumas empresas do sector empresarial do Estado.
A redução dos prazos de pagamento nas transacções comerciais na economia portuguesa para níveis próximos dos padrões internacionais melhorará o ambiente de negócios, reduzindo custos de financiamento e de transacção, introduzindo maior transparência na fixação de preços, criando condições para uma mais sã concorrência. Por isso, o Estado deve contribuir para essa redução, acrescendo ainda que a prática de prazos de pagamento alargados pelas
administrações públicas e empresas públicas tem um efeito de arrastamento a toda a economia.”
Como sempre, várias considerações se podem tecer sobre esta iniciativa indo desde o esperançado “até que enfim uma medida importante” até ao descrente “mais uma medida para não sair do papel”.
Se é certo que não é por decreto que todos vão começar-se a comportar bem, não é menos certo que seria bem pior não fazer nada.
Hoje, a concorrência já não se faz apenas a nível local. Há muitos anos que pertencemos a um espaço económico mais alargado ( a União Europeia ) e cada vez se sente mais os efeitos da globalização ( concorrência a nível mundial ).
Estes factos, aliados a uma necessidade cada vez maior de aproximação e transparência de regras entre os múltiplos agentes económicos, levam-me a aplaudir esta medida do Governo.
Diz-se na gíria, com algum abuso e muitas vezes com pouca graça, que “para pagar e para morrer, quanto mais tarde melhor”.
Este espírito de que os prazos de pagamento não devem ser cumpridos, distorce fortemente as regras de concorrência, criando dificuldades tanto maiores quanto menor for a dimensão da empresa e a sua robustez financeira. Muitas pequenas e médias empresas vivem hoje em dia uma situação asfixiante, não porque não tiveram um bom desempenho comercial, mas porque os cumprimentos financeiros dos seus clientes deixam muito a desejar.
Este é mais um assunto que dá “pano para mangas”. Não quero no entanto alongar-me, dizendo apenas que gostava que este programa estatal ( logo destinado aos organismos e empresas da administração publica ) fosse visto também como um bom exemplo a seguir pelas empresas do sector privado, sobretudo por aquelas que, tendo capacidade financeira para cumprir os compromissos com os seus fornecedores a tempo e horas, não o fazem apenas porque se assiste a um abusivo, “quanto mais tarde se pagar, melhor”.
No portal
http://www.dre.pt/pdf1sdip/2008/02/03800/0116701172.PDF
encontramos a Resolução do Conselho de Ministros n.º 34/2008
publicada no Diário da República, 1.ª série — N.º 38 — 22 de Fevereiro de 2008
Nela podemos ler que
“ Na economia portuguesa tem -se verificado a prática de prazos de pagamento alargados em transacções comerciais. De facto, vários estudos internacionais estimam que o prazo médio de pagamentos em Portugal seja significativamente superior ao praticado nos restantes países europeus. A prática de prazos de pagamento alargados é comum aos vários agentes económicos, onde se incluem alguns serviços das administrações públicas e algumas empresas do sector empresarial do Estado.
A redução dos prazos de pagamento nas transacções comerciais na economia portuguesa para níveis próximos dos padrões internacionais melhorará o ambiente de negócios, reduzindo custos de financiamento e de transacção, introduzindo maior transparência na fixação de preços, criando condições para uma mais sã concorrência. Por isso, o Estado deve contribuir para essa redução, acrescendo ainda que a prática de prazos de pagamento alargados pelas
administrações públicas e empresas públicas tem um efeito de arrastamento a toda a economia.”
Como sempre, várias considerações se podem tecer sobre esta iniciativa indo desde o esperançado “até que enfim uma medida importante” até ao descrente “mais uma medida para não sair do papel”.
Se é certo que não é por decreto que todos vão começar-se a comportar bem, não é menos certo que seria bem pior não fazer nada.
Hoje, a concorrência já não se faz apenas a nível local. Há muitos anos que pertencemos a um espaço económico mais alargado ( a União Europeia ) e cada vez se sente mais os efeitos da globalização ( concorrência a nível mundial ).
Estes factos, aliados a uma necessidade cada vez maior de aproximação e transparência de regras entre os múltiplos agentes económicos, levam-me a aplaudir esta medida do Governo.
Diz-se na gíria, com algum abuso e muitas vezes com pouca graça, que “para pagar e para morrer, quanto mais tarde melhor”.
Este espírito de que os prazos de pagamento não devem ser cumpridos, distorce fortemente as regras de concorrência, criando dificuldades tanto maiores quanto menor for a dimensão da empresa e a sua robustez financeira. Muitas pequenas e médias empresas vivem hoje em dia uma situação asfixiante, não porque não tiveram um bom desempenho comercial, mas porque os cumprimentos financeiros dos seus clientes deixam muito a desejar.
Este é mais um assunto que dá “pano para mangas”. Não quero no entanto alongar-me, dizendo apenas que gostava que este programa estatal ( logo destinado aos organismos e empresas da administração publica ) fosse visto também como um bom exemplo a seguir pelas empresas do sector privado, sobretudo por aquelas que, tendo capacidade financeira para cumprir os compromissos com os seus fornecedores a tempo e horas, não o fazem apenas porque se assiste a um abusivo, “quanto mais tarde se pagar, melhor”.
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
O Poder das Barragens
Para combater a escassez de água em períodos de seca e para possibilitar a produção de energia, constroem-se barragens.
As barragens possibilitam a retenção de recursos preciosos que, de outro modo, seguiriam o seu curso natural, sendo na maior parte das vezes desperdiçados.
Este exemplo do aproveitamento ou desperdício de um recurso importante, pode também ser aproveitado a propósito dos diálogos, debates, ideias e propostas, que proliferam na net.
Antes de aderir ao FRES e de termos criado o nosso blog, nem sabia o que era um blog. Hoje, constato a existência de centenas de blogs, com maior ou menor qualidade e com maior ou menor número de intervenientes e visitantes.
Numa altura em que se “acusa” a sociedade de ser pouco crítica e pouco criativa, é com agrado que constato que isso não corresponde à verdade. Com efeito, a capacidade crítica e criativa existe e está bem patente em muitos blogs, de que é exemplo o blog da quarta república, cujo link se encontra neste nosso blogdofres.
Acompanhando com interesse os animados debates neste blog, fico contudo com a ideia de que não deixam de ser “debates em circuito fechado”, restritos (involuntariamente) a um número regular de intervenientes.
Assim sendo, todos os interessantes debates, todas as importantes ideias e sugestões, representam gotas preciosas de água que, não existindo barragem onde se alojar, serão irremediável e lamentavelmente perdidas.
Toda a capacidade de produção de energia (necessária a uma transformação para melhor da sociedade em que vivemos) continua a ser silenciosamente desperdiçada.
O desafio que se coloca é então de saber como construir “barragens” para reter estas torrentes de ideias positivas.
As barragens possibilitam a retenção de recursos preciosos que, de outro modo, seguiriam o seu curso natural, sendo na maior parte das vezes desperdiçados.
Este exemplo do aproveitamento ou desperdício de um recurso importante, pode também ser aproveitado a propósito dos diálogos, debates, ideias e propostas, que proliferam na net.
Antes de aderir ao FRES e de termos criado o nosso blog, nem sabia o que era um blog. Hoje, constato a existência de centenas de blogs, com maior ou menor qualidade e com maior ou menor número de intervenientes e visitantes.
Numa altura em que se “acusa” a sociedade de ser pouco crítica e pouco criativa, é com agrado que constato que isso não corresponde à verdade. Com efeito, a capacidade crítica e criativa existe e está bem patente em muitos blogs, de que é exemplo o blog da quarta república, cujo link se encontra neste nosso blogdofres.
Acompanhando com interesse os animados debates neste blog, fico contudo com a ideia de que não deixam de ser “debates em circuito fechado”, restritos (involuntariamente) a um número regular de intervenientes.
Assim sendo, todos os interessantes debates, todas as importantes ideias e sugestões, representam gotas preciosas de água que, não existindo barragem onde se alojar, serão irremediável e lamentavelmente perdidas.
Toda a capacidade de produção de energia (necessária a uma transformação para melhor da sociedade em que vivemos) continua a ser silenciosamente desperdiçada.
O desafio que se coloca é então de saber como construir “barragens” para reter estas torrentes de ideias positivas.
terça-feira, fevereiro 26, 2008
Prós e Contras
Mediado como sempre por Fátima Campos Ferreira, assistimos ontem na televisão a mais um programa Prós e Contras.
O programa de ontem foi sobre a Educação tendo entre os convidados a Ministra da Educação e Professores.
Entre as principais questões analisadas, estiveram a avaliação de desempenho dos professores e o modelo de gestão das escolas.
De parte a parte ( Ministra da Educação e Professores ) os argumentos foram sendo apresentados, embora nem sempre da forma mais clara.
Como também é apanágio do programa, muitos aspectos foram revelados, uns mais surpreendentes que outros.
Num ano em que todos se lembraram de falar da Educação, desde o Presidente da República ao Primeiro-Ministro, passando pelos partidos da oposição que apresentam continuamente uma série de propostas, até à própria sociedade civil, é importante manter o discernimento sobre este tema que é de facto relevante pela sua transversalidade a toda a sociedade.
Para quem não tem oportunidade de assistir a este programa, dada a hora tardia que começa e, pior ainda, a hora bem tardia a que acaba, o day-after noticioso, seria uma boa oportunidade de ter um resumo lógico e coerente das principais ideias expostas pelos dois lados da “barricada”.
Em vez disso e nos habituais Jornais da Noite dos 3 canais com maior audiência, o tema principal foi que, graças a recentes decisões favoráveis a acções interpostas por professores, as horas por estes dispendidas nas chamadas aulas de substituição até Janeiro de 2007, poderiam ser reclamadas em termos financeiros, podendo (segundo foi noticiado) os professores requerer o respectivo pagamento.
Este facto pode ter até uma grande relevância para os professores envolvidos.
No entanto, ele teve o efeito de mais uma vez ofuscar tudo o resto.
Como poderemos pretender ser um país sério e evoluído se continuamos a ter os detentores das principais shares televisivas a noticiar com grande relevo um facto que deveria ser uma notícia secundária ?
É importante que se volte a caminhar no sentido de um jornalismo mais sério.
Nem toda a população portuguesa dispõe de tv por cabo ou por satélite.
Para quem ainda está reduzido a 4 canais, resta o oásis de qualidade que é o Jornal 2 , da RTP2. Não quero ser utópico e pedir que RTP1 , SIC e TVI alcancem a qualidade jornalística do telejornal das 22,00 horas da RTP2. Mas não deixa de ser confrangedor que a tão prometida diversidade ( 3 canais a darem notícias às 20,00 Horas ) se reduza a um “copiar” de lógica de informação, em que muitas vezes, ao mudarmos entre os 3 canais, vemos as mesmas notícias, transmitidas com a mesma linguagem e a mesma sequência. Chamar a isto pluralismo é um puro exagero.
Com desinformações destas, perdemos todos. Hoje perdemos por numa questão tão importante como a educação, só ficarmos a saber que alguns professores vão poder reclamar o pagamento de “horas extraordinárias”. Para uma sociedade a quem se pede um papel mais esclarecido e interventivo, sabe a pouco.
Otávio Rebelo
O programa de ontem foi sobre a Educação tendo entre os convidados a Ministra da Educação e Professores.
Entre as principais questões analisadas, estiveram a avaliação de desempenho dos professores e o modelo de gestão das escolas.
De parte a parte ( Ministra da Educação e Professores ) os argumentos foram sendo apresentados, embora nem sempre da forma mais clara.
Como também é apanágio do programa, muitos aspectos foram revelados, uns mais surpreendentes que outros.
Num ano em que todos se lembraram de falar da Educação, desde o Presidente da República ao Primeiro-Ministro, passando pelos partidos da oposição que apresentam continuamente uma série de propostas, até à própria sociedade civil, é importante manter o discernimento sobre este tema que é de facto relevante pela sua transversalidade a toda a sociedade.
Para quem não tem oportunidade de assistir a este programa, dada a hora tardia que começa e, pior ainda, a hora bem tardia a que acaba, o day-after noticioso, seria uma boa oportunidade de ter um resumo lógico e coerente das principais ideias expostas pelos dois lados da “barricada”.
Em vez disso e nos habituais Jornais da Noite dos 3 canais com maior audiência, o tema principal foi que, graças a recentes decisões favoráveis a acções interpostas por professores, as horas por estes dispendidas nas chamadas aulas de substituição até Janeiro de 2007, poderiam ser reclamadas em termos financeiros, podendo (segundo foi noticiado) os professores requerer o respectivo pagamento.
Este facto pode ter até uma grande relevância para os professores envolvidos.
No entanto, ele teve o efeito de mais uma vez ofuscar tudo o resto.
Como poderemos pretender ser um país sério e evoluído se continuamos a ter os detentores das principais shares televisivas a noticiar com grande relevo um facto que deveria ser uma notícia secundária ?
É importante que se volte a caminhar no sentido de um jornalismo mais sério.
Nem toda a população portuguesa dispõe de tv por cabo ou por satélite.
Para quem ainda está reduzido a 4 canais, resta o oásis de qualidade que é o Jornal 2 , da RTP2. Não quero ser utópico e pedir que RTP1 , SIC e TVI alcancem a qualidade jornalística do telejornal das 22,00 horas da RTP2. Mas não deixa de ser confrangedor que a tão prometida diversidade ( 3 canais a darem notícias às 20,00 Horas ) se reduza a um “copiar” de lógica de informação, em que muitas vezes, ao mudarmos entre os 3 canais, vemos as mesmas notícias, transmitidas com a mesma linguagem e a mesma sequência. Chamar a isto pluralismo é um puro exagero.
Com desinformações destas, perdemos todos. Hoje perdemos por numa questão tão importante como a educação, só ficarmos a saber que alguns professores vão poder reclamar o pagamento de “horas extraordinárias”. Para uma sociedade a quem se pede um papel mais esclarecido e interventivo, sabe a pouco.
Otávio Rebelo
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Riscos de crise social
A propósito da tomada de posição da SEDES – Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, julgo ser pertinente uma pequena reflexão, na sequência do excelente e oportuno artigo apresentado pelo Otávio. Aliás, este é um tema na ordem do dia do qual, nenhum de nós, como cidadãos conscientes e atentos, nos devemos alhear.
A SEDES é uma Associação cívica com cerca de 37 anos de vida e provavelmente o mais antigo e notável Think Tank português. Ao longo do tempo tem tomada posições e apresentado propostas, ouvidas, respeitadas e seguidas pelos políticos, agentes económicos, empresários e decisores nacionais. Apresentando estudos e pareceres transversais a toda a sociedade portuguesa, sejam de carácter económico, orçamental, cívico ou político, a SEDES tem sido ouvida e respeitada.
No caso mais recente a que me reporto, verificamos que a mais recente análise da SEDES se limita a efectuar um diagnóstico da situação social actual. No mesmo, é-nos dito, entre outras coisas, que o país vive “um mal-estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional” ou que há “sinais de degradação da confiança dos cidadãos nos seus representantes” e ainda que “ se vive um sentimento de insegurança entre os cidadãos” para citar apenas alguns exemplos. De igual forma nos é dito que se assiste ao “afundamento da qualidade dos partidos” e que o Estado “tem uma presença asfixiante sobre a sociedade”.
São conclusões e afirmações verdadeiras as que aqui são produzidas. Porém, e mais uma vez, não passam senão de um novo diagnóstico, social e político, dos quais todos sabemos que estamos já bem servidos. Aliás Portugal é, como já muitos têm afirmado, um país de diagnósticos em que tudo é diagnosticavel mas pouco é concretizado.
Dada a honorabilidade de uma organização como a SEDES, julgo que seria benéfico para todos nós, cidadãos, políticos, empresários, gestores, encontrar nas palavras ou nas reflexões da SEDES, propostas, sugestões, linhas orientadoras de acção para a resolução dos problemas que a mesma apenas se limita a diagnosticar. De facto, a importância e o impacto que teve de imediato na sociedade civil e politica, o texto publicado no portal desta organização, os ecos que causou nas rádios e televisões ou as reacções partidárias, leva-nos a concluir que era preciso mais do que apenas um diagnóstico. Estas reacções são a prova da necessidade que o país tem de linhas de orientação provenientes da sociedade civil. Até parece que todos estavam à espera destas palavras. É para isso que servem as organizações similares, é para isso que servem os Think Tanks como a SEDES…ou o FRES.
Estes factos são igualmente a prova da necessidade de vermos o FRES e estarmos no FRES como verdadeiros empreendedores sociais. Para além de diagnósticos, urge apresentar propostas e soluções. Em breve retomarei a temática do empreendedorismo social e do seu impacto em todo o mundo através de dezenas de exemplos concretos.
A SEDES é uma Associação cívica com cerca de 37 anos de vida e provavelmente o mais antigo e notável Think Tank português. Ao longo do tempo tem tomada posições e apresentado propostas, ouvidas, respeitadas e seguidas pelos políticos, agentes económicos, empresários e decisores nacionais. Apresentando estudos e pareceres transversais a toda a sociedade portuguesa, sejam de carácter económico, orçamental, cívico ou político, a SEDES tem sido ouvida e respeitada.
No caso mais recente a que me reporto, verificamos que a mais recente análise da SEDES se limita a efectuar um diagnóstico da situação social actual. No mesmo, é-nos dito, entre outras coisas, que o país vive “um mal-estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional” ou que há “sinais de degradação da confiança dos cidadãos nos seus representantes” e ainda que “ se vive um sentimento de insegurança entre os cidadãos” para citar apenas alguns exemplos. De igual forma nos é dito que se assiste ao “afundamento da qualidade dos partidos” e que o Estado “tem uma presença asfixiante sobre a sociedade”.
São conclusões e afirmações verdadeiras as que aqui são produzidas. Porém, e mais uma vez, não passam senão de um novo diagnóstico, social e político, dos quais todos sabemos que estamos já bem servidos. Aliás Portugal é, como já muitos têm afirmado, um país de diagnósticos em que tudo é diagnosticavel mas pouco é concretizado.
Dada a honorabilidade de uma organização como a SEDES, julgo que seria benéfico para todos nós, cidadãos, políticos, empresários, gestores, encontrar nas palavras ou nas reflexões da SEDES, propostas, sugestões, linhas orientadoras de acção para a resolução dos problemas que a mesma apenas se limita a diagnosticar. De facto, a importância e o impacto que teve de imediato na sociedade civil e politica, o texto publicado no portal desta organização, os ecos que causou nas rádios e televisões ou as reacções partidárias, leva-nos a concluir que era preciso mais do que apenas um diagnóstico. Estas reacções são a prova da necessidade que o país tem de linhas de orientação provenientes da sociedade civil. Até parece que todos estavam à espera destas palavras. É para isso que servem as organizações similares, é para isso que servem os Think Tanks como a SEDES…ou o FRES.
Estes factos são igualmente a prova da necessidade de vermos o FRES e estarmos no FRES como verdadeiros empreendedores sociais. Para além de diagnósticos, urge apresentar propostas e soluções. Em breve retomarei a temática do empreendedorismo social e do seu impacto em todo o mundo através de dezenas de exemplos concretos.
domingo, fevereiro 24, 2008
Crises e Soluções
A Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES) alertou quinta-feira para um «mal-estar» na sociedade portuguesa que, a manter-se, dizem, poderá originar uma «crise social de contornos difíceis de prever».
Criada em 1970, a SEDES é uma estrutura que tem como preocupação reflectir sobre a situação económico-social do país e o último alerta que lançou pode também ser relembrado no link
http://www.millenniumbcp.com/SME/middle/04/showNew/0,3532,3-20080222011700-DIARIODIGITAL----true-,00.html
Tal como a SEDES, o FRES também segue atentamente os acontecimentos que têm implicações económicas e sociais, aplaudindo os contributos de todas as associações que com maior ou menor notoriedade, lutam por uma sociedade melhor.
O contributo recente da Sedes é particularmente importante por ter conseguido despoletar de imediato uma série de reacções e debates, envolvendo pessoas de diversos quadrantes.
Uma das questões que se coloca em torno deste alerta é o de tentar perceber se esta crise social terá origem numa crise económica ou se, pelo contrário, é a crise social que cria as condições para um agravar da crise económica.
Mesmo não querendo “abusar” da palavra crise, todos constatamos uma multiplicação de sinais preocupantes tais como: elevado número de desempregados, fraco dinamismo do mercado de emprego, aumento do número de falências e crescimento económico bastante abaixo do desejado e necessário para uma real revitalização da economia.
Tal como a questão popular de quem nasceu primeiro, se foi o ovo, ou se foi a galinha, também aqui poderiam ser analisadas as relações de causa-efeito entre a crise social e a crise económica.
Receio contudo que essa não seja a tarefa mais importante. Todos os estudos, debates e análises são importantes para se aferir a realidade com base em factos. No entanto, é também necessário ter presente o factor tempo. Enquanto o tempo vai passando, são milhares as pessoas afectadas pelos males económico-sociais acima descritos.
Numa altura em que as estatísticas estão na moda, é importante que se deixe de pensar nas pessoas como simples números estatísticos, analisados e interpretados sempre da perspectiva mais benéfica, distanciando-se do que está na origem dos números, ou seja, das pessoas, dos cidadãos, dos seres humanos que nos rodeiam e que por motivos alheios à sua vontade, enfrentam desafios de sobrevivência em condições cada vez mais precárias.
Também nesta semana e em entrevista televisiva, António Pires de Lima, presidente da comissão executiva da Unicer, comentou as alterações recentes efectuadas no seio da empresa. Relatou a necessidade de com rigor mas com custos sociais, terem sido feitas reestruturações organizativas.
O que achei mais curioso e esperançoso nos seus comentários foram dois factos:
1º - As reestruturações recentes que a Unicer fez tiveram o apoio e envolvimento dos trabalhadores. Não de todos, obviamente, pois certamente houve muitos trabalhadores que não queriam ser dispensados. No entanto, as administrações das empresas têm de defender o interesse global de accionistas e trabalhadores no longo prazo, sendo por vezes necessários os tão temidos sacrifícios. Quanto aos trabalhadores que ficaram, foi criado um clima de maior envolvimento na organização, que traz sempre resultados positivos. Sempre defendi que as reformas se fazem com as pessoas e não para as pessoas, sendo positivo o contributo de cada pessoa, de cada trabalhador(a).
2º - Sendo desejados os processos de racionalização, eles não podem ser a única via a enveredar porque, até a racionalização tem limites físicos. Torna-se então importante ter novas estratégias, novas medidas, novas acções que potenciem o crescimento económico da empresa. Essa ambição, assente em bases realistas, contribuiu para uma constante e maior motivação de todos elementos da organização.
Também o nosso país funciona como uma empresa. Se por um lado são necessários sacrifícios que trazem as sempre indesejáveis consequências económicas e sociais, por outro lado é necessário que os nossos administradores públicos e privados (leia-se Estado e Empresas Privadas) sejam capazes de tomar medidas motivadoras e que contemplem a participação activa dos cidadãos.
Otávio Rebelo
domingo, fevereiro 17, 2008
No interior da Cultura e a Cultura no Interior
A promoção da qualidade de vida dos cidadãos passa também pelo seu acesso a eventos culturais. Nas grandes cidades do país já existe uma boa e diversificada oferta, sendo também verdade que se pode sempre melhorar, em quantidade e em qualidade.
Quando nos deslocamos para o interior, esses momentos de recreação, lazer e cultura, tendem a ser mais escassos ou, pior ainda, inexistentes.
Foi por isso com bastante agrado que me desloquei ontem ao Sobral do Monte Agraço. Não se trata de um concelho do interior profundo. Está situado entre Torres Vedras e Arruda dos Vinhos, não estando pois muito longe de Lisboa. É contudo, uma terra pouco falada e pouco visitada, que acolheu ontem à noite um espectáculo de Jazz.
Confesso que não sou ( não era ) apreciador de Jazz. Habituado a ouvir um pouco de tudo, nunca tive muita predilecção por este género musical. Ainda assim, e por ter a opinião de que devemos ter a mente e os ouvidos abertos a novas sonoridades, resolvi descobrir então quem são os Lisbon Swingers e como iriam eles fazer a defesa da sua dama, o Jazz.
Os Lisbon Swingers são uma chamada Big Band, constituída por um grupo de amigos de diversas idades, interessados em interpretar grandes temas do Jazz, nomeadamente os clássicos americanos da era do Swing. Ensaiam sob a direcção de Claus Nymark e contam actualmente com cinco saxofones, um clarinete, oito metais, secção rítmica e duas vozes, tudo novidades para mim. Uma coisa é estarmos sentados no sofá de casa, ouvindo um cd. Outra bem diferente é vermos os intérpretes ao vivo, podendo apreciar como tocam cada um dos instrumentos. Esta orquestra foi constituída há mais de dez anos e realiza anualmente concertos por todo o país, levando estes “pedaços de cultura” a públicos pouco habituados a eventos desta natureza.
Ontem foram a população do Sobral ( e os visitantes ) presenteados com um muito bom espectáculo, onde foram dados a conhecer os sons de orquestras de referência da história do Jazz, como as de Count Basie e Duke Ellington. Para mim e num primeiro contacto ao vivo com o Jazz, mais importante do que estes nomes, foi o apreciar da actuação desta orquestra. Estiveram em palco cerca de 20 elementos que se entregaram de corpo e alma, demonstrando rigor e paixão. Foi sem dúvida uma óptima oportunidade de conhecer melhor este género musical.
Também ajudou o facto de estarmos numa sala bastante acolhedora. O Cine-Teatro do Sobral de Monte Agraço, com capacidade para 219 espectadores, apresenta-se como um espaço de descoberta em torno da Dança, Música, Teatro, Cinema e áreas multidisciplinares. A sua plena utilização ao longo do ano, dinamizada sobretudo pela Câmara Municipal, possibilita o desenvolvimento de um trabalho de sensibilização e fidelização de públicos, promovendo a elevação do nível de acesso cultural da população do concelho do Sobral e dos concelhos limítrofes.
Gostando de apreciar o que se vai fazendo no desenvolvimento e promoção da cultura, devemos estar orgulhosos por também no interior se estarem a fazer esforços produtivos no sentido da sua divulgação.
O frio da noite de ontem não chegou para arrefecer o entusiasmo da população, que saiu do Cine-Teatro com um sorriso de satisfação por ter presenciado um bom espectáculo cultural.
domingo, fevereiro 10, 2008
Um bom exemplo
Foi com enorme agrado que vi ontem na tv a notícia da construção e conclusão ainda este ano do Kartódromo do Algarve.
Para quem ainda não sabe aqui fica um link com a notícia
http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=556181
Este é um daqueles casos em que a alegria é múltipla, ou seja, há vários motivos para ficar contente:
Para quem ainda não sabe aqui fica um link com a notícia
http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=556181
Este é um daqueles casos em que a alegria é múltipla, ou seja, há vários motivos para ficar contente:
1. É uma “pedrada no charco”, sendo de louvar esta iniciativa privada que representa um investimento de 200 Milhões de Euros.
2. É um projecto arrojado mas, assente em bases realistas. Foi concebido com base no detectar de um conjunto de oportunidades a vários níveis ( desportivo, turístico, tecnológico, etc ).
3. Mostra audácia e vontade prática de combater com acções os outros países.
4. Reabre a possibilidade de voltarmos a ter a F1 em Portugal.
5. Ainda não analisei totalmente as repercussões deste investimento, mas só a existência de um pólo tecnológico onde se pretende atrair marcas de prestígio como a Ferrari, demonstra a enorme mais valia deste projecto.
6. É um projecto sem intervenção directa do Estado, mas que o Estado vê com bons olhos, entre outros factores, pelo potencial de desenvolvimento económico de uma região carenciada de investimentos. Lembrei-me imediatamente do nosso estimado colega Ricardo Pedrosa e das suas análises das PPP´S ( parcerias público-privadas ). Também elas serão bem vindas pois muita da disputa internacional também se faz com a participação dos Governos de cada país.
Por tudo isto considero este um bom exemplo e uma machadada ( quantas ainda serão precisas ? ) nos “Velhos do Restelo”.
Otavio Rebelo
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Politica Internacional, eleições e eleitos
Em resposta aos desafios e reflexões do Otávio posso acrescentar alguns pontos de vista.
O Paquistão é um país relevante politica e militar no quadro internacional uma vez que pode contribuir (ou não) para uma situação de (des)equilíbrio geo-estratégico naquela região do globo.
Por um lado porque se encontra em fronteira com a Índia, gigante no contexto geográfico e futuramente em termos económicos. Poderá por isso retirar benefícios futuros desta fronteira sanados que forem os conflitos de natureza territorial existentes. Alimentando com este país uma relação tensa relativamente a domínios de tipo territorial, o Paquistão, recente aliado dos EUA pós 11 e Setembro, tem procurado marcar uma posição favorável junto do mundo ocidental. No entanto a sua mais recente história politica é contraditória e contrária aos propósitos que parecem conduzir a sua diplomacia económica e politica actual. O Paquistão, pela sua posição geográfica relativamente ao Afeganistão e Iraque tem sido alvo de desconfianças por parte dos países ocidentais, em especial nos momentos pós guerra Afeganistão - União Soviética e pós ocupação dos EUA ao Afeganistão. Por todas estas razões o equilíbrio político no quadro interno será essencial para um equilíbrio e transparência de relações com o ocidente. Tanto mais que o papel económico futuro da índia no Mundo exigirá (sob pena de as relações ocidentais com uma parte da Ásia serem afectadas) essa clarificação.
O Quénia é um país de África. Visto muito recentemente como um exemplo a seguir em termos políticos e até económicos, vê agora quebrar-se esse equilíbrio e a imagem de um país a caminhar para o desenvolvimento e para uma democracia madura. Novamente as questões tribais (e sempre elas) a colocarem um travão no desenvolvimento humano, económico e social. As questões culturais (pensemos bem) a sobreporem-se a todas as outras. A comunidade internacional (entenda-se as Nações Unidas) tem obrigatoriamente aqui que desenvolver um papel interventivo (de diplomacia politica - quiçá em breve na ajuda a deslocados) no sentido de procurar estancar este perigo que poderá certamente alastrar a outros países fronteiriços (países de grande instabilidade politica. Sudão e Burundi por exemplo) que, como é usual em África, tomarão partido de alguma das partes.
EUA. Os comandos do planeta! Sou algo tendencioso aqui. As eleições nos EUA são determinantes para um novo quadro de relações internacionais deste país com o resto do mundo, o que em muito influenciará o clima de confiança política e sustentação/reforço de cariz económico entre os diversos blocos. A desastrosa politica externa (e interna) da actual administração americana, desconstruíu o que havia sido construído/edificado na era Clinton-Gore. Os EUA necessitam de uma nova administração (e o resto do mundo também). Voltar ao diálogo, à diplomacia económica e politica é um imperativo, mudar a imagem dos EUA face ao resto do mundo é imperativo. A estabilidade politica, social e económica nos EUA é um anti-depressivo, um paliativo ou um analgésico (conforme queiramos) para as dores que a Europa, Ásia e Médio oriente sentem agora.
O Paquistão é um país relevante politica e militar no quadro internacional uma vez que pode contribuir (ou não) para uma situação de (des)equilíbrio geo-estratégico naquela região do globo.
Por um lado porque se encontra em fronteira com a Índia, gigante no contexto geográfico e futuramente em termos económicos. Poderá por isso retirar benefícios futuros desta fronteira sanados que forem os conflitos de natureza territorial existentes. Alimentando com este país uma relação tensa relativamente a domínios de tipo territorial, o Paquistão, recente aliado dos EUA pós 11 e Setembro, tem procurado marcar uma posição favorável junto do mundo ocidental. No entanto a sua mais recente história politica é contraditória e contrária aos propósitos que parecem conduzir a sua diplomacia económica e politica actual. O Paquistão, pela sua posição geográfica relativamente ao Afeganistão e Iraque tem sido alvo de desconfianças por parte dos países ocidentais, em especial nos momentos pós guerra Afeganistão - União Soviética e pós ocupação dos EUA ao Afeganistão. Por todas estas razões o equilíbrio político no quadro interno será essencial para um equilíbrio e transparência de relações com o ocidente. Tanto mais que o papel económico futuro da índia no Mundo exigirá (sob pena de as relações ocidentais com uma parte da Ásia serem afectadas) essa clarificação.
O Quénia é um país de África. Visto muito recentemente como um exemplo a seguir em termos políticos e até económicos, vê agora quebrar-se esse equilíbrio e a imagem de um país a caminhar para o desenvolvimento e para uma democracia madura. Novamente as questões tribais (e sempre elas) a colocarem um travão no desenvolvimento humano, económico e social. As questões culturais (pensemos bem) a sobreporem-se a todas as outras. A comunidade internacional (entenda-se as Nações Unidas) tem obrigatoriamente aqui que desenvolver um papel interventivo (de diplomacia politica - quiçá em breve na ajuda a deslocados) no sentido de procurar estancar este perigo que poderá certamente alastrar a outros países fronteiriços (países de grande instabilidade politica. Sudão e Burundi por exemplo) que, como é usual em África, tomarão partido de alguma das partes.
EUA. Os comandos do planeta! Sou algo tendencioso aqui. As eleições nos EUA são determinantes para um novo quadro de relações internacionais deste país com o resto do mundo, o que em muito influenciará o clima de confiança política e sustentação/reforço de cariz económico entre os diversos blocos. A desastrosa politica externa (e interna) da actual administração americana, desconstruíu o que havia sido construído/edificado na era Clinton-Gore. Os EUA necessitam de uma nova administração (e o resto do mundo também). Voltar ao diálogo, à diplomacia económica e politica é um imperativo, mudar a imagem dos EUA face ao resto do mundo é imperativo. A estabilidade politica, social e económica nos EUA é um anti-depressivo, um paliativo ou um analgésico (conforme queiramos) para as dores que a Europa, Ásia e Médio oriente sentem agora.
sábado, fevereiro 02, 2008
Politica Internacional num Mundo Interdependente
Caro Octávio,
Como solicitastes um comentário sobre três Países estratégicos para a estabilidade mundial gostaria de dar o meu pequeno contributo numa análise de caracter geopolitico:
Relações Paquistão-India
O Paquistão é um pais relevante na cena internacional,pois, é um aliado estratégico dos EUA na região e serve como balança de poderes regional em relação a India a superpotência regional em grande ascensão que também faz parte do clube BRIC (Brasil, Rússia, India e China). O Paquistão ao ser aliado estratégico dos EUA na luta contra o terrorismo está ao mesmo tempo a dizer ao Estados Unidos: " aproxima-te de mim,pois, a India está a aproximar-se da Rússia"
Para a politica externa americana, contudo, também não lhe convém um distanciamento em relação a India dado o peso desta potência no sistema económico mundial e as privilegiadas relações comerciais que possui quer com a Europa quer com a China.
A India e o Paquistão têm religiões diferentes apesar de serem ambos filhos do Império Britânico (um País é maioritariamente Hindu e outro é Muçulmano). Como dizia Henry Kissinger a politica internacional é feita de equilibrios de poderes e a estabilidade do sistema multipolar implica a existência de vários poderes (EUA, União Europeia, Rússia, India e China) com capacidade de projecção internacional.
Quando o centro do Mundo se transfere do Ocidente para a Ásia é obvio que numa análise estratégica temos que ter sempre em conta a região da Ásia e o Sub-Continente Indiano.
Quénia -
A instabilidade politica no Quénia um dos paises mais estáveis do Continente Africano e com uma capital Nairobi que alberga vários escritórios regionais das Nações Unidas e que era considerado um modelo de democracia africana está neste momento a criar condições para um instabilidade regional que pode afectar paises vizinhos como Burundi, Ruanda, Uganda e Sul do Sudão. Na opinião de alguns analistas internacionais as causas desta instabilidade são questões tribais, de conquista de território e de acesso a recursos. A União Europeia e os Estados Unidos principais doadores do País estão preocupados com a situação dai que a ajuda humanitária no terreno seja uma prioridade bem como o regresso a normalidade.
Estados Unidos - Eleições
As eleições nos EUA são bastante importantes para todos nós cidadãos comuns deste mundo globalizado já que irão ter implicações quer na economia mundial quer no pós eleições no formular de uma poiltica externa americana de carácter menos unilateral e mais multilateral de diálogo e de aproximação as restantes superpotências. A Politica externa americana no Médio Oriente e as relações com os Países da América Latina serão sem dúvida para ambos os candidatos Hilary Clinton ou Obama prioridades da agenda politica internacional. Vamos aguardar novos desenvolvimentos.......
Como solicitastes um comentário sobre três Países estratégicos para a estabilidade mundial gostaria de dar o meu pequeno contributo numa análise de caracter geopolitico:
Relações Paquistão-India
O Paquistão é um pais relevante na cena internacional,pois, é um aliado estratégico dos EUA na região e serve como balança de poderes regional em relação a India a superpotência regional em grande ascensão que também faz parte do clube BRIC (Brasil, Rússia, India e China). O Paquistão ao ser aliado estratégico dos EUA na luta contra o terrorismo está ao mesmo tempo a dizer ao Estados Unidos: " aproxima-te de mim,pois, a India está a aproximar-se da Rússia"
Para a politica externa americana, contudo, também não lhe convém um distanciamento em relação a India dado o peso desta potência no sistema económico mundial e as privilegiadas relações comerciais que possui quer com a Europa quer com a China.
A India e o Paquistão têm religiões diferentes apesar de serem ambos filhos do Império Britânico (um País é maioritariamente Hindu e outro é Muçulmano). Como dizia Henry Kissinger a politica internacional é feita de equilibrios de poderes e a estabilidade do sistema multipolar implica a existência de vários poderes (EUA, União Europeia, Rússia, India e China) com capacidade de projecção internacional.
Quando o centro do Mundo se transfere do Ocidente para a Ásia é obvio que numa análise estratégica temos que ter sempre em conta a região da Ásia e o Sub-Continente Indiano.
Quénia -
A instabilidade politica no Quénia um dos paises mais estáveis do Continente Africano e com uma capital Nairobi que alberga vários escritórios regionais das Nações Unidas e que era considerado um modelo de democracia africana está neste momento a criar condições para um instabilidade regional que pode afectar paises vizinhos como Burundi, Ruanda, Uganda e Sul do Sudão. Na opinião de alguns analistas internacionais as causas desta instabilidade são questões tribais, de conquista de território e de acesso a recursos. A União Europeia e os Estados Unidos principais doadores do País estão preocupados com a situação dai que a ajuda humanitária no terreno seja uma prioridade bem como o regresso a normalidade.
Estados Unidos - Eleições
As eleições nos EUA são bastante importantes para todos nós cidadãos comuns deste mundo globalizado já que irão ter implicações quer na economia mundial quer no pós eleições no formular de uma poiltica externa americana de carácter menos unilateral e mais multilateral de diálogo e de aproximação as restantes superpotências. A Politica externa americana no Médio Oriente e as relações com os Países da América Latina serão sem dúvida para ambos os candidatos Hilary Clinton ou Obama prioridades da agenda politica internacional. Vamos aguardar novos desenvolvimentos.......
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