Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

segunda-feira, maio 14, 2007

AS PME A EXPORTAR MAIS E A ECONOMIA A CRESCER DE FACTO


No meio de mais um debate nacional, em que discute a bondade de grandes obras públicas e reestruturação da despesa corrente, a economia continua a tentar recuperar. O que a faz crescer ainda que pouco são as exportações. Com ou sem AICEP, que continua por constituir congregando ICEP e API, não apenas por causa da Auto-Europa, milhares de PME - sem apoios como os que abundam em Espanha - viram-se para outros mercados, inovam exportam.

Ao contrário do que os media generalista propalam certamente por mera ignorância, as PME que nunca tiveram o devido apoio pelas políticas públicas, há muito que deixaram de ser, se é que alguma vez foram, subsidio dependentes. Ainda há bem pouco tempo estudos apontavam que apenas 10% das empresas portuguesas tinham alguma vez acedido a apoios ao investimento. Mas num país, em que a arena pública se transformou num circo romano, quem arrisca e cria é um alvo da populaça e da inveja. Se acertar e lucrar, decerto lhe apontarão as baterias, qual ladrão, vigarista, etc. Se errar, então estava claro, predestinado, já todos sabiam que era um falhanço, enfim aquelas habituais aves do mau agoiro, que sem nada fazerem e sem nunca terem produzido ou assinado um cheque de vencimentos de pessoal, se divertem a inventar mentiras sobre quem faz.

Ora à margem, de tudo isto, milhares de empresários das PME, têm conquistado novos mercados não apenas em Espanha e Angola, mercados naturais de expansão, mas por toda a Europa de Leste, na Ex-União Soviética, no norte de África, nos países petrolíferos, na Ásia. O que têm em comum: passam ao lado de qualquer incentivo á exportação – que não existem, para PMEs – e pior, nem querem que cá se conheça o seu sucesso: pode dar azar, inveja, ou alguma cabala nos media, como muitas que se montam por aí com cumplicidade de quem quer protagonismo e notícia falsa e fácil.

As PME´s têm procurado promover a informação sobre mercados, escolhendo três aos quais têm dedicado particular atenção: Espanha pela continuidade natural e pelo crescimento galopante; Roménia por ser um novo Estado da EU onde há oportunidades e custos baixos para industriais, comércio, serviços e hotelaria - ou seja como há 21 anos em Portugal, muito há a fazer; e claro, Angola, que cresce em média 20% ao ano, e que independentemente dos mal entendidos e dos erros mútuos, não pode ser ignorado por quem exporta nem por quem diz querer promover.

E digo dizer querer promover, porque há um ano entidades nacionais de grande dimensão públicas e privadas anunciaram a criação de uma plataforma logística para empresas portuguesas em Luanda, e de concreto nada há. Se calhar esqueceram-se que Angola é um país soberano que as sua autoridades deviam ter sido envolvidas – e não foram - e que outras empresas e associações, deviam ter sido auscultadas e envolvidas. Pelo que resultado passado um ano, é uma promessa por cumprir, e expectativas criadas nas empresas quer não podem obviamente ser acompanhadas. Mas isto é matéria para o ICEP tratar.

Vamos abordar um pouco Angola. Esta semana estiveram visitando PMEs portuguesas membros oficiais e do Governo de Angola, bem como empresários locais. Promoveu-se um fórum que reuniu mais 120 empresários das PME e onde o debate foi vivo, onde se criaram oportunidades concretas de negócio. O nosso convidado Ministro do Governo de Angola deixou promessas bem vindas aos portugueses. Licenciar actividades comerciais demora cinco ou 10 minutos e não pode custar mais do 100 a 150 euros – mais disse, cuidado com os falsos intermediários, não se deixem por eles enredar e denunciem-nos.

Confesso que isto dito em público, revelou uma coragem que por vezes falta em Portugal. Não apenas a de tornar o licenciamento das actividades económicas declarativo e fácil, e não como hoje, um processo que demora anos. Mas porque um Ministro no estrangeiro, não teve problema em assumido que há excessos burocráticos e que há funcionários e outros agentes que disso se aproveitam. Não chamou corruptores aos empresários que se vêm, obrigado a recorrer por ignorância ou erro a esses intermediários. Não, com humildade apontou os intermediários e deixou a sua porta aberta para com as PME nacionais, desobstaculizar e resolver o que quer que esteja parado. Uma lição de política para reter e com humildade promover por cá.

Angola cresceu 20% em 2005 e o ano passado deverá ter crescido mais, esperando-se que estes valores aumentem nesta média anual até 2010. Tem a inflação controlada. Tem a taxa de juro base nos 6%. E apesar da falta e apoio e da falta de linhas de crédito, somos o principal exportador para Angola, o único que supera os dois dígitos cifrando-se a nossa quota de mercado nas importações de Angola nos 17%, mais do dobro dos 8% da China que concedeu mais 50% do crédito que Angola possui!

Ora este dinamismo onde contrasta a falta de políticas públicas efectivas com os resultados efectivos das empresas, demonstra que Portugal vai sair da crise graças ás exportações e graças a cada vez mais PMEs estarem a exportar.

E esta verdade indesmentível, a de que sem rede e sem apoios as empresas e as PME estão a vencer o desafio de exportar mais, que devia levar a uma reflexão e a uma decisão ao mais alto nível: quanto aumentariam as nossas exportações se se promovesse a capacidade exportadora das PME? E quanto não cresceria a mais o nosso PIB por essa via?

É que no QREN a palavra PME está mitigada e a palavra exportação pura e simplesmente não aparece. E só com PMEs mais fortes e mais exportadoras, poderá como é evidente, o nosso país crescer.

Artigo Publicado no Semanário Económico de 05 de Abril de 2007


Joaquim Rocha da Cunha

sexta-feira, maio 11, 2007

Incumprimentos nos pagamentos aniquilam PME’s

O país tem andado distraído com os “fait-divers” da politica interna. Da licenciatura do primeiro ministro aos conflitos partidários e/ou camarários. Sobre a discussão sobre túneis, seu grau de qualidade dos acabamentos, datas de inauguração e similares.

Entretanto parece-nos que ao cidadão comum que se ocupa destas preocupações “épicas”e aos responsáveis politicos, media e outros actores, assolou uma onda de esquecimento sobre alguns dos sérios problemas que urge resolver como o nível de desemprego elevado, entre os jovens, do qual uma excessiva percentagem é de longa duração. Depois parece que o país se esqueceu das assimetrias. Temos Lisboa com um nível de riqueza produzida per capita equivalente a 105% da média Europeia e a região Norte do país (triângulo Porto-Braga-Guimarães) e zonas limitrofes incluidno região do Ave, com um nível de riqueza que desceu dos 67% para 59% da média comunitária.

É na região Norte que se verifica maior desemprego de longa duração e onde já se verifica um movimento de emigração em virtude do fecho de muitas empresas. Esta é a mesma região onde se localiza o maior nº de PME’s. Que criam mais de 50% da riqueza nacional e cerca de 75% do emprego. E é esta região Norte que ocupa já os canhâmos como uma das regiões mais pobres da Europa.

E estas PME’s estão a ser aniquiladas pelo sistema de pagamentos vigente em território nacional. Porque muitas delas dependem das grandes empresas para sobreviver, as quais lhes dão trabalho porque as sub-contratam. Porque as PME´s não podem recusar as propostas que estas lhes apresentam ou evitar concorrer às oportunidades que estas lhes criam. Mas são estas mesmas grandes empresas que, paradoxalmente, condenam as pequenas empresas, porque não lhes pagam a tempo e horas. Porque os seus prazos de pagamentos, por dilatados que são, sufocam a tesouraria das pequenas.

Mas são também as grande empresas a sofrer com a irracionalidade deste mesmo sistema, poque também as instituições públicas (ministérios, hospitais, secretarias regionais, autarquias) não lhes pagam a tempo e horas.

E todo o sistema, o país e os cidadãos, está vitimizado por esta irracionalidade. A qual leva a que haja empresas de grande porte (porque as pequenas fechariam certamente as portas muito antes disso) a aguardar 6 meses, 1 ano ou 2 anos pelos pagamentos do Estado e/ou das instituições públicas (especialmente autarquias). É a mesma irracionalidade que leva a que autarquias não paguem a PME’s cifras de 250 euros por falta de dotação orçamental. E é este espirito de incumprimento e de impunidade que aniquila as PME’s e condena a criação de riqueza e emprego. Por isso assitimos ao fecho de 42.500 empresas em poucos meses.

Pague o estado a tempo e horas o que deve e menos grandes empresas deixarão de cumprir com as suas responsabilidades perante as pequenas, menos pequenas encerrarão as suas actividades, menos desemprego haverá no país e mais criação de riqueza será concretizada. O exemplo tem que vir de cima. O estado no início do sistema está a condenar as empresas a meio do sistema e os cidadãos no fim da linha, condenando-os ao desemprego. De onde virá o capital para investir na exportação?

segunda-feira, maio 07, 2007

9º Encontro FRES

Estimados visitantes

Realizou-se na passada sexta feira dia 04 de Maio, às 19 horas no Hotel Comfort Inn Embaixador em Lisboa, o 9º Encontro FRES através do qual foi desenvolvida mais uma tertúlia na linha dos anteriores encontros.

Entre outros assuntos foram debatidos temas como a qualidade da Formação em Portugal, a importância do Learning by Doing e do Coaching, a atitude das pessoas e das empresas face à formação.

Foi igualmente discutido e debatido o conceito do sistema de ensino designado como "Liberdade para a educação", defendido por alguns especialistas e Fóruns especializados neste tema.

A sessão terminou com uma apresentação do sistema de educação dos EUA, suas características e evolução recente.

Saudações Fresianas

sábado, maio 05, 2007

Coesão Nacional , Assimetrias Regionais e competitividade num Portugal Dual

Estava a ler atentamente um e-mail de um colega Fresiano que nos alerta para a perda de competitividade da região norte de Portugal em relação a região de Lisboa. É um facto que o norte de Portugal tem perdido competitividade no contexto nacional e internacional o que é perigoso para a coesão de Portugal como estado uno e indivisível e com capacidade de projecção internacional.

Há quem tenha apenas uma visão economicista da questão e afirme: a Espanha também tem regiões pobres como Galiza e Andaluzia e Itália também tem um norte pujante e desenvolvido e um sul pobre e com problemas de competitividade. Será que assim? será que não é motivo de preocupação? Eu julgo que sim e porquê?

- O norte de Portugal representa o modelo empreendedor privado português cuja estrutura económica é baseada em empresas de origem familiar e de pequena e média dimensão com capacidade exportadora. Claro que existem grandes grupos económicos mas esses são excepção nesse contexto geral.
- As PME do Norte de Portugal como geradoras de emprego e riqueza têm um papel estabilizador nas economias regionais onde estão localizadas e constituem pólos de desenvolvimento.
- Estas empresas actuam maioritariamente em sectores tradicionais de mão de obra intensiva fortemente expostos a concorrência internacional e dependentes de compradores/importadores internacionais que estão a comprar os mesmos produtos em mercados concorrentes dos nossos.

É necessário que os decisores políticos desenvolvem um esforço concertado de apoio as empresas com capacidade internacionalização e com gestão profissionalizada de forma a estas puderem competir nos mercados internacionais com produtos de valor acrescentado e controlarem os canais de distribuição no exterior. Para além disso deverá haver um maior esforço de cooperação inter-empresas dos mesmos sectores e sectores complementares através da formação de consórcios de exportação e de investimentos conjuntos em termos de identificação de áreas na cadeia de valor de possivel outsourcing de produção e enfoque nas áreas de maior valor acrescentado.

Gostaria de salientar também que a aposta na formação e desenvolvimento, requalificação dos recursos humanos locais dessas regiões com perda de competitividade deverá constituir uma prioridade dos poderes centrais e locais, associações de empresários e empresários no geral.

Se não colocarmos estas prioridades na agenda corremos o risco de assistirmos a um Portugal dual com um Litoral rico e de nível europeu e regiões do norte e interior com graves problemas económicos e sociais em que a única saida possivel para essas populações é ir a salto para a outra Europa ou migração para o Litoral Sul. Este cenário nota-se que cada vez mais está a acontecer em Portugal (um Portugal dual) e que nos faz lembrar o modelo económico e de assimetrias regionais que existem em alguns países da América latina.

Politica externa portuguesa e opção euro- atlântica

A politica externa de um Estado no sistema internacional de relações internacionais é baseada nos seguintes pressupostos:

- Definição de prioridades de politica externa

- Definição de uma estratégia nacional

- Objectivos nacionais permanentes

Portugal como pequeno Estado integrado na União Europeia tem que ter em conta os pressupostos acima mencionados quando formula uma politica externa em relação a áreas geográficas do globo onde pretende ter uma afirmação cultural,politica e económica.

A politica externa de Portugal implica continuidade e não ruptura com uma visão euro-atlântica em que Portugal seja a porta da UE para o atlântico norte (EUA), atlântico sul (Brasil) e África de Expressão Portuguesa.

Portugal ao longo da história só se afirmou na cena internacional como potência europeia quando diversificou as relações internacionais e quando rompeu com o euro-centrismo,isto é, quando construiu uma ponte entre a Europa e o Mundo.

A nossa diplomacia económica e politica deve estar antenta a estas opções independemente de valores e juizos morais, paixões pessoais ou juizos de valores.

A politica externa de um pais não pode basear-se nos caprichos , emoções, gostos ou preferências de um homem ou grupo de homens (Embaixador Franco Nogueira - in Diálogos interditos 1979).
Não pode nem deve ser partidária, sendo grave transformar em politica externa a politica de partidos ainda que todos se arroguem de defesa do interesse nacional.

A politica externa de um país corresponde aos interesses permanentes de uma nação e não pode ser alterada porque no governo de um país se sucede um partido a outro. "Nos Países onde haja civismo e espirito público, as grandes decisões de politica externa são apartidárias, ou multipartidárias. " My country right or wrong " afirmava Churchill quando decidia sobre questões de politica externa.

Deixo para reflexão ainda este texto muito interessante do Embaixador Franco Nogueira que foi um dos melhores diplomatas portugueses do século XX e cujo pensamento diplomático ainda é uma referência nas escolas de estudos diplomáticos.

"Uma nação é uma realidade. Uma realidade, antes de tudo, para os seus nacionais. Estes têm - ou devem ter uma visão, uma ideia, um conceito do seu país: têm ou devem ter - uma imagem do seu passado. um quadro do seu presente, uma perspectiva do seu futuro; e de tudo decorre - ou deve recorrer - uma consciência das suas raízes, dos seus interesses, dos seus meios e dos seus objectivos Politica externa é fazer projectar, para lá da fronteira, aquelas sensações e certezas. Politica externa é uma luta constante em que nunca se chega ao fim".

terça-feira, abril 24, 2007

Modelo Politico Nórdico na Europa do Sul - O caso Português

Com o fim da guerra fria, queda do muro de Berlim e fim das democracias populares na Europa de Leste a velha clivagem ideológica: capitalismo/socialismo deixa de fazer sentido. Há
quem diga que sim há que diga que não.

O politólogo norte-americano Francis Fukuyama na sua famosa obra "o fim da história" defende que no pós guerra fria o triunfo da ideologia liberal e da economia de mercado terminaram com a velha luta ideológica capitalismo versus socialismo já que todos os paises em transição politica e económica colocaram o socialismo na gaveta e abraçaram a politica económica liberal e a democracia de mercado como receitas para curar a obsedidade causada pelo estado socialista centralizador e forte de carácter intervencionista que não permitia a livre concorrência dos operadores privados.

A Europa do Sul e concretamente Portugal também não escapou a este fenómeno apesar de a nossa transição politica de um regime autoritário para uma democracia participativa ter-se iniciado décadas antes das chamadas revoluções de veludo que ocorreram na Europa de leste.

Em Portugal a tradição socialista de origem jacobina e francesa e a social democracia baseada no modelo alemão sempre foram dois modelos de referência. Contudo, com o aparecimento da chamada terceira via no Reino Unido e o sucesso do modelo politico e económico nórdico as referências passaram a ser outras.

Quer em França onde as elites politicas portuguesas continuam a seguir como exemplo quer em Portugal o modelo politico nórdico é hoje a bandeira dos socialistas. Porquê? a explicação é simples: numa europa em que o modelo puro liberal semelhante ao dos EUA falhou e em que o modelo socialista jacobino também falhou a alternativa é o modelo experimental nórdico que combina a revisão do modelo tradicional europeu: o chamado welfare State criado no Reino Unido no pós guerra e que agora se baseia nos seguintes pilares:
- Economia Social de Mercado
- Liberalização Económica com forte regulação do Estado

A quem diga a seguinte frase: " Don't copy models - apply intelligent reforms". Não será antes isso que deverá ser feito em Portugal? a Europa do Sul não tem a mesma mindset da Europa nórdica.
Os próprios conceitos de cidadania, liberdade individual e colectiva ou de democracia participativa são diferentes. O grau de responsabilização politica na Suécia ou Finlândia é muito diferente do de Portugal.

A própria base de recrutamento das elites politicas e económicas também o são. A transparência na vida politica contrasta com o modelo hermético português em que os partidos politicos continuam a ser as principais agências de recrutamento da classe politica. Nos Países nórdicos a sociedade civil (think tanks, grupos de pressão, fundações e ONGs são actores de relevo) enquanto em Portugal o distanciamento entre classe politica e cidadãos ainda é profundo fruto da nossa baixa cultura politica e de um processo democrático ainda bastante jovem.

Aconselho por isso a lerem o livro "culture matters" - how values shape human progress editado por Lawrence E. Harrisson e Samuel P. Huntington.
O factor cultura continua a estar presente na adopção e sucesso ou insucesso de modelos politicos e económicos em várias regiões do globo como defendem os autores.
Por isso é desaconselhável copiar modelos mas aconselhável efectuar reformas inteligentes tendo em conta a especificidade económica, politica e cultural de portugal. Deixo esta frase para reflexão sociológica:
Implementar reformas a pressa sem ter em conta o nosso modelo cultural e politico pode conduzir a fragmentações na sociedade portuguesa.

Alfredo Motty
24/04/2007

quinta-feira, abril 05, 2007

Jantar/debate


Otávio Rebelo em defesa dos seus argumentos no início do jantar debate.

8º Encontro FRES

Mário Romão retém a atenção da audiência numa das suas habituais brilhantes intervenções.

8º Encontro FRES

O Rui Marques e o Alfredo Motty a esclarecer questões da sessão.

Jantar/debate


Em ambiente de tertúlia em conversa alargada.

Jantar/debate

O Jorge Carriço e o Otávio Rebelo com fórmulas mágicas!

Jantar/debate

Agora os momentos de maior descontracção no jantar.

8º Encontro FRES

A Cecília e o Otávio antes do início dos trabalhos.

8º Encontro FRES

Fase do debate alargado a toda a audiência.

8º Encontro FRES


Durante a apresentação e debate do sistema de educação da Índia.

8º Encontro FRES


A Estela Domingos faz nova apresentação com novos dados sobre o sistema nacional de educação.

8º Encontro FRES

O uso da palavra faz sede.

8º Encontro FRES

Durante a apresentação do sistema de ensino da Índia, a atenção às intervenções.

8º Encontro FRES

Apresentação do 1º tema da sessão: o sistema de ensino Norte Americano pelo Rui Marques.

8º Encontro FRES

Atenção à primeira apresentação: o sistema de educação dos EUA.

8º Encontro FRES

Antes do início da sessão e do princípio dos trabalhos.

sexta-feira, março 30, 2007

8º Encontro FRES

Estimados visitantes

Damos aqui notícia de que se irá realizar hoje, a partir das 19 horas, no Hotel Comfort Inn Embaixador em Lisboa, o 8º Encontro FRES, no decorrer do qual serão apresentados trabalhos sobre os sistemas de ensino dos EUA, India e Portugal.

Seguidamente será efectuado um debate alargado a todos os participantes, dando assim sequência às tertúlias anteriores sobre o tema Educação.

Daremos também notícias posteriores sobre este encontro, após cumprida mais esta etapa de trabalho, com vista à apresentação no final de uma recomendação ao sistema de ensino nacional.

Saudações fresianas

segunda-feira, março 26, 2007

A new trade diplomat for Portugal

Portuguese Economic Diplomacy – setting up a new generation of international trade promoters

The globalization of international relations and Portuguese membership to European Union had place new challenges for the Portuguese diplomatic channels. Economic diplomacy each day is more relevant than the traditional diplomacy of power politics. Important issues like: trade agreements between European union and USA, tariffs agreements between European Union and Mercosur and also an in- depth knowledge of Multilateral regimes such as: WTO, UNCTAD and UNIDO, UNDP are important reasons to identify and train a new type of diplomat – the trade diplomat. This new diplomat with a prior training on international economic and commercial relations and with a global vision of international relations have currently an important mission:

· Defend and promote the interest of Portuguese companies
· Defend and promote our key-economic sectors
· Must contribute and help the internationalization of Portuguese companies
· Must help to promote our exports
· Must contribute to attract FDI and identify potential investors abroad

Therefore, the new set up of Portuguese Investment Agency (API ) and the reorganization of ICEP – Portuguese foreign trade office and the autonomy granted to the authority responsible for the tourism external promotion are important and necessary steps to achieve a new economic diplomacy model for a modern and global Portugal.

Portugal if wants to be a State entity with international exposure and international influence needs a economic diplomacy model proactive focus on the rapid changes of the world economic system.

This new economic diplomat must have a in- depth knowledge of key emerging markets with potential for the penetration of our products and companies.

This new commercial diplomats should study the better market access and conditions if our companies want to take correct decisions when they go to formulate internationalization strategies with support of Government export programmes.

This new generation of commercial diplomats with international experience and with a mentality open to a globalized Portugal must also to have a new vision of the international relations system and of the new priorities of our economic foreign policy.


If we want that this will happen Portuguese foreign affairs office and Economics affairs Ministry should set up a diplomatic academy where they could organize short and long term training programmes and seminars about the following area studies:

· International Negotiation
· Commercial Diplomacy
· Internationalization of local economies and companies
· Export promotion strategies
· International Trade
· National Marketing strategies and attraction of investment
· International Investment
· Emerging Markets
· Foreign Languages
· International assessment of clusters/countries
· International Economic Law
· International Trade Law

I recommend also a better connection between official foreign trade authorities, chambers of commerce and business associations as the most suitable strategy to promote globally the brand « Portugal » if we want to increase our brand image.

These new economic diplomacy model it is just possible to implement with a national strategy in a long-term perspective.

The main goal is to contribute for the improvement of the international relations of Portugal, to increase the external competitiveness of our companies, to increase our international prestige
and to assure add value to the Portugal Brand name in a global market where the countries competitiveness is rated by intangible factors like « brand state » , Human Resources skills and national based companies with internationalization will and capacity to look beyond national borders.

Alfredo Motty
23/07/2003
International Trade Consultant
Source: Economic Diplomacy Portal
Mediterranean Academy of Diplomatic Studies - Malta

domingo, março 25, 2007

Competitividade e Comunicação


Competitividade e Comunicação

Vivendo numa “aldeia global” onde a competitividade entre as economias assume uma importância crescente, é interessante analisar um factor determinante para o aumento dessa competitividade como é o factor comunicação.

Repetidas vezes ignorada, a comunicação deveria ser um factor presente na implementação da maioria das medidas ligadas à vida das instituições, empresas e cidadãos.

Contudo todos nós deparamos diariamente com situações em que a falta de comunicação, a comunicação errada ou incompleta, representa um entrave à implementação de novas medidas e até ao cumprimento da legislação.

Poderia esta introdução vir a propósito de um sem número de casos reais. Vamos neste texto analisar o exemplo do eco-valor.

Quantos de nós já ouviram falar no eco-valor? Dos que já ouviram falar quantos sabem a que se refere na sua essência? E destes quantos sabem quais as implicações que aquele representa para o cidadão comum ou para uma unidade económica interveniente no circuito da liquidação e implementação desse eco-valor?
Das entidades económicas sujeitas à aplicação do eco-valor quantas sabem actualmente como o fazer?

Estas são apenas algumas das questões que demonstram que para o verdadeiro aumento da competitividade não basta o cumprimento das leis respeitadoras, no caso presente, dos princípios de defesa do ambiente. É necessário que essas leis sejam devidamente comunicadas aos interessados ou que estejam simples e claramente acessíveis a todos de modo a evitar a lenta implementação efectiva das medidas necessárias à prossecução do cumprimento de novas normas.

Profissionalmente ligado a esta realidade, iniciei um exercício de pesquisa sobre este assunto, tendo-se-me deparado alguns factos insólitos.

Ao falarmos de eco-valor não estamos apenas a considerar uma única abordagem ao tema mas a uma variedade possível de abordagens, senão vejamos.

Existem pelo menos os seguintes conceitos de eco-valor:

- relativo a óleos (eco-lub)
- relativo a pneus
- relativo a pilhas e acumuludores (vulgo baterias)
- relativo a equipamentos eléctricos e electrónicos (eco-reee)

Uma unidade económica que não seja nem produtora nem consumidora de óleos, está no entanto sujeita à norma eco-lub. No entanto o Legislador “esqueceu-se” de contemplar (pelo menos no âmbito do Dec-Lei Base da Regulação do eco-lub) os operadores económicos que não sejam nem produtores de óleos novos ou consumidores de óleos novos. Dito isto como devem então agir estes operadores económicos que são intermediários entre os produtores e os consumidores? O comércio existe e representa uma fatia importante do tecido económico nacional.

No âmbito desta pesquisa pude constatar a existência de uma grande diversidade e informação e legislação dispersa e pouco clara sobre o tema. Há no entanto (como constatado junto da Câmara dos Técnicos Oficias de Contas) um entendimento sobre o conceito de eco-valor e do seu apuramento contabilístico e fiscal.

Sobra agora a questão do tratamento informático da questão. Aqui pude igualmente constatar novas dificuldades pois nem todos os programas de software de facturação estavam adaptados ao tratamento deste novo conceito. Os que estavam preparados, apresentavam ainda fragilidades quanto à forma de input da informação, obrigando à parametrização dos artigos sujeitos (ou isentos) a eco-valor, de entre os que estão sujeitos, quais os que estão sujeitos a IVA ou quais as taxas a que estão sujeitos.

O tratamento desta questão obriga por isso a uma grande dispersão de esforços dado que pode representar a necessidade de consultar uma diversidade de entidades como a Sogilub (Sociedade Gestora de Óleos Usados) ou outras caso se trate de pneus e baterias ou ainda o Instituto Nacional de Resíduos.

Importa não esquecer que larga percentagem das empresas nacionais são PME´S, com fracos recursos para despender em questões desta natureza. Hoje é o eco-valor (que acrescento, começou a ser legislado em 2001) ontem foram outras obrigações e no futuro não cessarão de surgir novas normas como esta.

Não seria então dever do Estado promover com eficiência uma comunicação eficaz das medidas que pretende ver implementadas? Para que servem a televisão pública e outros órgãos de comunicação ao serviço do Estado? Não deveriam estar ao serviço do cidadão e das empresas?

Defendo que se justificaria um programa informativo num dos canais Estatais a designar como por exemplo “Minuto do Cidadão” ou “Minuto da Empresa”, através do qual este e outros temas análogos pudessem ter mais ampla divulgação, remetendo todos os interessados em análises mais aprofundadas, para uma informação simples e clara através de um site estatal.

Se pretendemos realmente competir numa economia global, não podemos permitir que milhares de operadores económicos percam centenas de horas (que se traduzem em baixa produtividade e competitividade) na busca, interpretação, síntese e aplicação de leis e normas que devem ser de fácil adopção e implementação, de modo a podermos dedicar mais tempo na melhoria de outros factores determinantes da competitividade.



Otávio Rebelo
Gestor
Março 2007

Comemoração dos 50 anos Tratado de Roma

Celebra-se hoje por toda a Europa dos 27 estados-membros a comemoração dos 50 anos do tratado de Roma que instituiu a então Comunidade Europeia e actual União Europeia.

Pelo mão de visionários como Robert Schuman e João Monnet formalizou-se e cimentou-se as bases para a criação de um espaço económico e politico europeu acima das vontades nacionais com o objectivo de desenvolver um processo de integração económica que conduzisse a uma verdadeira união politica com papel de relevo na cena internacional.

A Europa pós guerra estava devastada e era necessário devolver o seu papel no Mundo o que só seria possivel através da união de diferentes vontades nacionais com vista a prossecução de um objectivo europeu. A criação de uma comunidade económica que se consubtanciou na unificação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) antecedente da CEE em 1951 e a formalização em 1957 da CEE com adesão dos 6 estados fundadores marcam o inicio do que é hoje a UE.

Desde 1957 que a Europa tem evoluido gradualmente de um espaço económico para uma verdadeira entidade politica com sucessivos alargamentos; avanços e recuos, consensos e ausência de consensos; europessimistas versus europtimistas; eurocépticos e federalistas e anti-federalistas.

Hoje a Europa quer gostemos quer não é o maior espaço comercial do Mundo que engloba 27 estados-Membros e que assenta em 4 liberdades fundamentais para o seu sucesso:
- Liberdade de Circulação de Pessoas
- Liberdade de circulação de bens
- Liberdade de circulação de serviços
- Liberdade de circulação de capitais

Para além da União Económica e Monetária que conduziu a moeda única que foi um grande progresso politico.

Será que a Europa irá estar mais alargada e aprofundada? Quais os novos desafios que se colocam a Europa? os temas não são de certeza os mesmos que os da década de 50 mas a Europa hoje debate-se com os seguintes assuntos por resolver:
- Custos do alargamento
- Emigração e pressão dos países extra-comunitários
- Adesão ou não da Turquia?
- Papel da UE no Mundo e concorrência da Ásia e EUA
- Relacionamento com África
- Envelhecimento da População Europeia
- Reforma do Estado Social Europeu
- Desemprego estrutural
- Criação de uma verdadeira politica tecnológica e ambiental
- Nacionalismo económico versus criação de mercados europeus e empresas integradas

São temas que merecem de todos nós cidadãos europeus e responsáveis um olhar atento e principalmente dos decisores comunitários e nacionais que deverão olhar para estes temas de forma realista e pragmática com uma visão de longo prazo como o fizeram os pais fundadores da UE. Se a Europa continuar embuida de egoismos nacionais e de lideres demagógicos sem visão europeia e global estamos a contribuir para que não se construa uma verdadeira europa unificada e aberta ao Mundo.

Alfredo Motty
25/03/2007

sexta-feira, março 23, 2007

Centros de decisão nacional

A abordagem
Está na ordem do dia a discussão da questão sobre a manutenção dos “centros de decisão” nas mãos dos investidores nacionais e o risco da sua transferência para o estrangeiro. Este debate surge reforçado após a consciência plena do que é (e pode ser) a globalização. Fará sentido esta discussão no quadro da nossa integração no espaço económico e social comum, no âmbito da União Europeia? Seremos demasiado proteccionistas? Acreditamos que pelo menos merece haver espaço para esta discussão.

A questão dos centros de decisão pode ser vista de três ângulos:
*A nacionalidade do capital e a consequente detenção do controlo accionista, independentemente da nacionalidade dos órgãos executivos e localização dos decisores (Multinacional portuguesa com empresas e decisores noutros países).
*A localização do centro de decisão, independentemente da nacionalidade do capital e dos decisores (Multinacional estrangeira com sucursal em Portugal)
*A nacionalidade dos decisores, independentemente da nacionalidade do capital e da localização do decisor.

Há uma grande diversidade de argumentos, uns a favor e outros contra a transferência do capital das empresas nacionais para mãos estrangeiras. Em ambos os entendimentos, encontramos posições razoáveis e sensatas. Por isso acreditamos que a questão não é simples e de conclusão linear. Encontrámos, entre outros, alguns dos argumentos que nos merecem maior reflexão.

i) A favor da transferência do capital para estrangeiros:

- a importação de conhecimento, novas tecnologias, know how e novas competências de gestão;

- a criação de emprego, o aproveitamento da mão-de-obra especializada que, se bem gerida, revela bons níveis de competência e produtividade;

- a captação de importantes níveis de capital não disponível em mãos de investidores nacionais;

- a possibilidade de alavancar a economia para novos graus de produtividade e desenvolvimento tecnológico;

- a integração de Portugal nos modelos de crescimento dos países parceiros mais desenvolvidos da União Europeia (caso da Inglaterra, Holanda, Suécia ou Espanha).

ii) Contra a deslocalização do capital:

- a eventual procura pelos estrangeiros de um modelo de mão-de-obra barata que desqualifica o país;

- o risco de provocar o desemprego, com o impacto social negativo consequente, quando este modelo de baixo custo da mão-de-obra sofre a concorrência de países como a China, Índia, Republica Checa ou Roménia;

- o mesmo fenómeno que o anterior mas baseado na deslocalização da produção para os países da Europa de Leste cujas qualificações da população são mais elevadas;

- o mero aproveitamento dos benefícios fiscais do Estado por um período de anos, findos os quais se encerra a actividade e se deslocaliza para os países atrás referidos;

A politica
Apesar dos argumentos acima apresentados, continua para nós a não ser simples uma tomada de posição, a favor ou contra os mesmos, uma vez que tais argumentos não reflectem por si só a profundidade do problema. A exemplo de países já referidos como a Holanda, Suécia, Inglaterra ou Espanha, também em Portugal será de grande conveniência permitir a transferência do capital para accionistas estrangeiros (quer de grandes, pequenas ou médias empresas) desde que estes investidores nos tragam não só novos capitais mas também uma forte capacidade financeira que permita ao país mais desenvolvimento, inovação e criação de riqueza. Isto é igualmente aplicável a negócios em sectores estratégicos para Portugal. No momento em que tanto se fala (e trabalha) para a captação de investimento estrangeiro, o país não pode e não deve actuar em contradição com esta politica dado que a criação de riqueza permitirá a obtenção de sinergias com outras empresas a montante e a jusante (clusters) tão importantes para o país.

Os reguladores
O risco da transferência dos centros de decisão, a existir, poderá ser significativamente reduzido, extinto mesmo, se houver uma forte política reguladora em Portugal (como na Inglaterra por exemplo nos sectores energético ou financeiro). Acreditamos que uma forte entidade reguladora em cada sector estratégico permitirá dar cumprimento às normas estabelecidas no mercado de cada sector, o que permitirá a protecção dos interesses nacionais, reduzindo o perigo de uma prejudicial detenção de capital nacional em mãos estrangeiras. Estes riscos, se os houver (desemprego acelerado, encerramento de operações e desinvestimento, atropelo das normas de concorrência, politicas empresariais com impacto social negativo na sociedade, fragilidade na defesa e coesão nacional) serão minorados com uma politica reguladora de rigor e exigência. A existir tal politica, será possível manter em Portugal o capital na posse de quem terá melhores condições para criar valor de forma mais acelerada mas desenvolvendo (e protegendo) um modelo de coesão social.

Uma dúvida nos assola. Deverão as entidades reguladoras que definem as regras do mercado e da concorrência contribuir igualmente para a definição do que são as políticas estratégicas nacionais para o sector? Acreditamos que essa solução ficaria exposta a conflitos de interesses, o que é de evitar totalmente. Antes a decisão deverá ser politica, de acordo com o interesse nacional mas respeitando a sã concorrência entre os operadores.

O Estado
Caberá ao Estado em última instância responder pela manutenção do modelo de coesão social, soberania e segurança nacionais. A questão que mais dúvida nos suscita é se o estado deverá sobrepor-se aos reguladores sectoriais e, se sim, em que matérias. Se tomarmos como certo que tal não deva acontecer, poderá (deverá) o Estado em fim de linha proceder a compensações fiscais em sede de IRS, IRC ou outros (exemplo: havendo decisões num mercado ou sector com impacto negativo directo nos rendimentos dos mais desfavorecidos, compensará quem aufere de menores rendimentos).
Grupo de trabalho composto por:
Mário de Jesus
Cecília Santos
Estela Domingos
João Mateus
Jorge Carriço

quarta-feira, março 14, 2007

A Economia Paralela

Lendo as mais recentes tendências apresentadas na última edição de um dos mais credenciados jornais económicos da nossa praça (Semanário Vida Económica) tive a oportunidade de me confrontar com uma informação que, no mínimo, confirmou algumas das minhas suspeitas embora paradoxalmente não me tenha surpreendido. Isto devido ao facto de, em tempos, ter estudado o assunto.

Trata-se da confirmação de que nós, portugueses, temos uma visceral tendência para nos auto-flagelarmos e dizermos mal de nós próprios, desacreditarmos naquilo que é genuinamente nosso e julgarmos que tudo o que vem de fora é que é bom. No fundo acredito que isto será o reflexo de um certo sentimento (contraditório) de inferioridade em face dos outros (estrangeiros) quando noutros campos nos julgamos superiores (no improviso e na dita esperteza saloia). Veja-se também o sentimento ligado ao fenómeno do futebol. Somos muitas vezes os maiores…

Mas vamos ao que interessa. Diz o Vida Económica na última edição de 09 de Março que Portugal apresenta um nível de economia paralela (também conhecido como o sistema económico a funcionar pela via informal) de 22.3% (isto em % do PIB relativo a 2002). É certo que estamos acima da média da UE (só pode ser a 15) que é de 17%. É certo que acima da França (14,8%), Irlanda (15,5%) ou Alemanha (16,8%).

Mas é igualmente certo que abaixo da Itália (26,2%) e do Reino Unido (23%) e iguais a Espanha (22,3%). Isto é tanto mais curioso quanto sabemos que, se perguntarmos ao cidadão comum e inclusivamente a muitos de nós, pessoas evoluídas e informadas, a resposta disparará para valores muito superiores a estes. “Aqui! É cada um a roubar para o seu lado…”. Porque no fundo lá estamos nós a acreditar que somos piores que os outros. Quanto será na Grécia, Turquia, Albânia, Polónia, Republica Checa? No Brasil ou na China?

Fonte: relatório Schneider e Kilglmair (2004)

domingo, março 11, 2007

As Escolas na Finlândia - os skis


Para finalizar há também estacionamento para os skis que entretêm os jovens no recreio - alguns deles poderão usá-los nas deslocações a pé.

As Escolas na Finlândia - sala de aulas


Vários detalhes a referir como haver em todas as salas: computador, videoprojector, equipamento de som, televisor para projectar filmes e quadro de trabalho movível para multiuso.

As Escolas na Finlândia - oficinas

De salientar a limpeza, estado de conservação e arrumação.

As Escolas na Finlândia - ginásio


O ginásio é servido das melhores condições técnicas em equipamentos (por exemplo os de som).

As Escolas na Finlândia - estacionamento dos alunos


Os alunos chegam de bicicleta pese embora as condições climatéricas agressivas. E estacionam ordeiramente.

As Escolas na Finlândia - corredor

Os alunos entram nas salas de aula mas os sapatos ficam à porta.

As Escolas na Finlândia - brincar no intervalo


Um exemplo do entretenimento das crianças finlândesas no intervalo do recreio. Concentração? Procura pela perfeição?

As Escolas na Finlândia - o Átrio

Na sequência do debate sobre a educação no último encontro, vamos neste espaço apresentar um conjunto de fotos sobre uma escola da Finlândia, fotos essas que nos foram gentilmente cedidas pela Vera aquando da sua recente deslocação àquele país. O seu testemunho foi valioso para a elucidação de todos nós.
A destacar: ausência de qualquer tipo de vedação na área circundante à escola.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Um Fundo de Apoio Social


Será a sociedade portuguesa disfuncional e, por conseguinte, todos nós como seus constituintes, disfuncionais? Provirá antes essa disfunção do núcleo familiar?

Não deixa de ser estranho que, sendo Portugal um país do espaço europeu, membro da comunidade europeia agora com 27 países, aquele continente no qual a maioria dos povos de outros continentes ambicionaria viver pelos índices de desenvolvimento, riqueza e qualidade de vida aqui existentes, do qual provêm quatro dos oito países mais desenvolvidos do Mundo, aqui se registem comportamentos sociais tão sinistros como os que passo a relatar.

Somos um país que na generalidade trata mal as crianças e os idosos, para não falar das mulheres. Diariamente ouvimos falar (e as estatísticas confirmam) de comportamentos tenebrosos sobre a forma como se cuida (mal) das crianças, os quais vão desde o abandono de recém nascidos ou em idade de berço, aos maus-tratos físicos e psicológicos até à prática de homicídios de crianças de tenra idade. Estes comportamentos, como a notória falta de amor pelas crianças, carinho e afecto, revelam recalcamentos psicológicos de quem os pratica e provêm na maioria dos casos, dos próprios pais, avós ou de quem tem as crianças ao seu cuidado. As estatísticas e os casos são numerosos e chocam até as pessoas menos sensíveis. Alguns casos recentemente ocorridos e muito divulgados pelos meios de comunicação social são, em muitas circunstâncias, comportamentos e actos indignos da condição humana.

Quanto aos idosos, os casos registados de maus-tratos, abandono, violência física e psicológica são numerosos e partem na sua maioria dos próprios filhos. Muitos dos nossos idosos são mal alimentados, silenciados, abandonados em suas casas, nos lares ou nas casas dos seus familiares, vivendo muitos deles em situação de pânico e medo porque dependem dos seus familiares para sobreviver mas dos quais pouco recebem a não ser, na melhor circunstância, muita indiferença. E os idosos em risco são especialmente as mulheres, mais do que os homens, dependentes e a viver em casa dos filhos, acima dos 80 anos, particularmente em situação de difícil mobilidade. Temos recente registo deste flagelo social em zonas urbanas e desenvolvidas (como por exemplo Bragança e Almada) não sendo, por isso, factor de atraso económico ou social.

Há que concordar que, para um país desta dimensão, tal número de casos de violência é demasiado elevado. E muitos casos são ocultados, da parte das crianças pela sua incapacidade ou medo de as divulgar junto de terceiros ou outros familiares, da parte dos idosos por estas razões e outras como receio de represálias ou de incompreensão. E quanto aos casos de violência doméstica sobre as mulheres, que não irei aqui abordar, estes registos são também elucidativos. Em 2006 foram 16 os casos de homicídio de mulheres pelos maridos ou companheiros.

É da responsabilidade de todos o contributo para combater este quadro social negativo. Governo, cidadãos e instituições devem actuar num contexto de solidariedade alargada e segundo uma estratégia concertada. De que forma? Vários cenários são possíveis. Da parte do Governo criar condições para que a assistência social identifique e acompanhe de perto os casos de risco, muitos deles já certamente identificados, antecipe os problemas e actue atempadamente, sem hesitações e restrições burocráticas e financeiras.

Da parte dos cidadãos, denunciando às autoridades de justiça e à assistência social, casos detectados e identificados como de risco. Promovendo, debatendo, recomendando, através de movimentos cívicos mais ou menos organizados, formas de combate a estes comportamentos e ajudar a criar um espírito de solidariedade, que muito falta à sociedade portuguesa.

Da parte das empresas o que se espera é que concretizem o seu contributo solidário de forma monetária. Paradoxo? Não. As empresas devem contribuir para um fundo de apoio social, a constituir em cada autarquia, onde se localiza a sua respectiva sede social. Este fundo será gerido pela autarquia, o qual servirá para financiar as instituições de assistência social e a realização de projectos sociais, despesas de funcionamento, gestão e manutenção de orfanatos, creches e jardins de infância, casas de acolhimento para jovens e lares para idosos. Este financiamento solidário repartido pelo governo central, empresas e autarquias, permitirá assegurar um melhor futuro aos desfavorecidos e desprotegidos.

O contributo empresarial para o fundo de apoio social poderá ser concretizado através da retenção de uma percentagem entre os 0,1% e os 0,25% do lucro gerado pelas empresas do Concelho e reverterá a favor das instituições de solidariedade social desse Concelho. Este valor será abatido ao lucro para efeitos de cálculo do IRC, podendo ainda as empresas obter junto das autarquias bonificações ou deduções em impostos municipais como o imposto do selo automóvel da sua frota de veículos, a derrama, o IMT, as taxas de esgotos ou outros.

Afinal de contas a economia é uma ciência social, dirigida aos problemas do Homem no quadro dos sistemas de organização das sociedades onde ele se insere, de modo a contribuir para melhorar a vida quer na sua vertente material (habitação, alimentação, vestuário, segurança e outras) quer na vertente imaterial (cultura, religião, conhecimento).

terça-feira, fevereiro 13, 2007

7º Encontro FRES


A Cecília e o Bruno apresentam o sistema de ensino da Irlanda. Seguiriam-se a Finlândia e também a situação do caso português.

7º Encontro FRES

O João Mateus apresenta a sua posição sobre o tema ensino na Irlanda.

7º Encontro FRES

Uma intervenção e um discurso no debate que merece a atenção de alguns presentes.

7º Encontro FRES


A preparação dos trabalhos antes da apresentação da Finlândia.

7º Encontro FRES

A apresentação do sistema de educação da Finlândia pelo Alfredo Motty.

7º Encontro FRES


A atenção dos nossos participantes quer na escrita pelo Nuno quer na concentração pela Carla.

7º Encontro FRES

As razões e explicações do Bruno Coelho sobre o sistema de educação da Irlanda.

7º Encontro FRES


A atenção antes do debate. Mas houve sorrisos e muitos.

A competitividade e as novas fronteiras da economia

Suzanne Berger e a equipa do industrial performance center do MIT publicaram um livro fabuloso " A competititividade e as novas fronteiras da economia" - Editorial Presença.
Os autores deste relatório analisaram profundamente o impacto da globalização do comércio e investimento internacionais nas economias americanas e europeias.

O papel crescente da China e das economias asiáticas como Taiwan no OEM (Offshoring Equipment Manufacturing) e ODM (Offshore Design Manufacturing) são vistas a lupa neste relatório.

O Sector textil italiano e norte-americano e as deslocalizações para a Roménia e Hong-Kong também são analisadas pela equipa do MIT.
Um livro que recomendo ao empresariado português do sector tradicional da economia que lhes pode dar algumas pistas como vencer na economia global.

O 7º Encontro FRES

A boa disposição inicial dos participantes na sessão que se estendeu pelo resto do encontro.

O 7º Encontro FRES

O sorriso e a atenção da nossa audiência, na apresentação dos temas em debate na sessão.

O 7º Encontro FRES

Continuação da apresentação do plano de trabalhos para o ano de 2007.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O 7º Encontro FRES

Apresentação das propostas de orientação estratégica para o funcionamento do FRES em 2007.

O 7º Encontro FRES

A Atenção dos participantes. Parece assunto sério. Mas o clima foi de descontracção.

Portugal no seu melhor

Independentemente do resultado. Fosse ele qual fosse. Houve referendo. Registaram-se imensos grupos e movimentos cívicos que mobilizaram a sociedade portuguesa por uma causa. Uns a favor do sim, outros do não. A força da sociedade civil começou já a aparecer. De forma consciente. Estaremos mais cultos e mais atentos? Mais entendidos sobre a importância do nosso papel cívico?

Que melhor reflexo de uma sociedade moderna, consciente dos seus deveres mas também dos seus direitos, poderia haver? É assim que deve ser. É assim que tem que ser. Para um Portugal moderno. Quais os países não democráticos, socialmente injustos e subdesenvolvidos que promovem actos destes? Onde, nesses países, seria possível verificar uma acção e movimentação, campanha e acto cívico com esta serenidade e correcção?

Só nesta Europa, a que pertencemos, desenvolvida, onde, como já disse antes, todos os que vivem fora dela, nela gostariam de viver. Demos mais uma prova de maturidade democrática e de um civismo evoluído. Este é o caminho para um país de Valores.

Isto é Portugal no seu melhor. Recomenda-se a outros actos, atitudes e realizações. Todos, mas todos, ficámos mais perto do objectivo de uma sociedade mais justa, porque tivemos a consciência da importância do papel da população nas decisões que afectam os destinos de todos nós. Como nos países mais desenvolvidos. Que venha o próximo refendo. Nós, o povo, é que decidimos.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

7º ENCONTRO DO FRES

Estimados FRESianos e prezados visitantes.

Voltamos a informar que se realiza hoje o 7º encontro do FRES, às 19 horas, no Hotel Comfort Inn Embaixador, na Avª Duque de Loulé em Lisboa.

Trata-se de mais um encontro/debate o qual terá como temática central o sistema de ensino, educação e conhecimento em Portugal face a outros países da Europa e do Mundo.

Saudações Fresianas

A Direcção do FRES

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

A Indústria nacional – sinais positivos

Segundo uma notícia que dava como referência o gabinete de estudos da AEP, o desempenho da produção industrial nacional passou a estar acima da média da zona do euro, no quarto trimestre de 2006, sendo apenas ultrapassado pela Espanha e Luxemburgo. Excelentes notícias. Estaremos a recuperar?

Diz-se nesta notícia que em 2006 houve uma recuperação tanto da produção como do volume de negócios, crescimento este que foi o mais elevado dos últimos cinco ou seis anos. A produção industrial terá crescido 2% (contra -1,6% em 2005) e o volume de negócios 6,8% (contra 1,2% em 2005). São números interessantes. Contudo o que importa considerar é a continuidade deste ciclo de crescimento, designadamente o que nos trará o ano de 2007 (cujas perspectivas e clima de confiança são igualmente positivas). Dizem-nos que os mercados externos são os principais responsáveis por este arranque. Bem vinda a ousadia e audácia de competir e investir internacionalmente. Aqui está a importância de um bom papel do ICEP (agora AICEP). Exige-se.

Mas devemos procurar olhar com seriedade para a nossa base de partida que é muito baixa, comparativamente com a restante zona euro e perceber que o nosso esforço tem que ser muito maior. Até para que tudo isto tenha um impacto positivo no nível de emprego do país.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Jovens, trabalho e empresas

Ainda segundo a OCDE, Portugal é o segundo país desta organização onde os jovens demoram mais tempo a encontrar um emprego permanente. O tempo médio de espera é também dos mais elevados. Assim o número de meses entre a saída da escola e o início de carreira (primeiro emprego) é em Portugal de 22,6 meses. Aqui não estaremos tão mal porque temos a Espanha com 34,6 meses, a Finlândia com 27,6 meses, a Itália com 25,5 meses e a França com 24,3 meses. Os melhores países são a Irlanda com 13,2 meses e depois a Dinamarca com 14,6 meses.

Mas após deixarem a escola os jovens portugueses demoram em média quatro anos e três meses até conseguirem um contrato de trabalho permanente. MAS ao contrário do que se possa pensar o país não tem muitos “part-times”, sendo que em 2004 apenas 10% dos jovens trabalhavam desta forma. Já o desemprego entre os jovens dos 15-24 anos está dentro da média da OCDE (16%), sendo no entanto mais preocupante o desemprego de longa duração que é superior à média (em 2005 cerca de 33% dos jovens desempregados estavam assim há mais de 6 meses). A média da OCDE era de 20%.

Preocupante para a OCDE para além deste facto anterior é o facto de Portugal apresentar maior risco de empregabilidade por falta de qualificações.
Curiosamente o emprego entre jovens ocorre menos nas áreas de intermediação financeira e educação sendo as áreas de hotelaria, restauração e comércio as áreas de maior emprego.

Por fim e pretendendo-se que isto seja um repto às empresas portuguesas, estas são as que menos investem na formação profissional dos seus colaboradores – sintomático. Em Portugal apenas 8,9% das pessoas entre 15-29 anos e 3,4% entre os 30-54 anos recebe formação em Portugal. Em 19 países apenas temos atrás a Grécia, a Itália e a Eslováquia.

Campeões? A Dinamarca (54,5% e 28,7% respectivamente) a Suíça (50,8% e 30%) a Holanda (45,5% e 17%) ou o Reino Unido (44,2% e 33,6%). Vejamos as diferenças!
Reparemos que as empresas nem tampouco pretendem corrigir as falhas na formação e educação que já vêm de trás i.e. somos o terceiro país da OCDE com maior percentagem de jovens que abandonam a escola sem o ensino secundário completo - temos atrás apenas o México e a Turquia!

sexta-feira, dezembro 29, 2006

O Nosso Despertar


Estimados FRESianos

Ao terminar este ano de 2006 e à porta do Novo Ano que se avizinha, importa sintetizar, sublinhando, aquilo que de bom construímos no seio do FRES. Acreditamos que este foi o ano do verdadeiro arranque deste nosso projecto cívico e intelectual o que a todos nos deve orgulhar pelo trabalho realizado, pela aprendizagem que nos foi proporcionada por todos bem como ainda pelos objectivos e obra alcançados.

Foi em 2006 que criámos o nosso Blog, que o aprendemos a utilizar e que lhe demos vida, instrumento essencial para a expressão do nosso pensamento. Foi em 2006 que iniciámos a discussão dos grandes temas como a educação, a competitividade, o turismo, o futuro económico e social do país. Foi igualmente em 2006 que escolhemos o nosso primeiro grande tema de análise e trabalho – A educação e o conhecimento – o que nos permitiu iniciar a apresentação e o debate de vários sistemas educativos de vários países de vários continentes. Em suma o que nos permitiu aprender mais.

Mas 2006 foi igualmente o ano em que, após fecharmos a nossa carta de princípios, valores e objectivos, projecto iniciado em 2005, escrevemos e criámos os nossos próprios estatutos. E em sequência foi o ano em que registámos o FRES em escritura pública tornando-o numa verdadeira Organização que se quer responsável.

Aqui discutimos ideias, mais ou menos polémicas, mais ou menos pessoais, criticámos o sistema, efectuámos diagnósticos e apresentámos sugestões. Aqui sugerimos livros para leitura, lemos novos livros sugeridos por outros membros, escrevemos e publicámos artigos sobre temas como a economia, a sociedade, a gestão e os negócios, o turismo ou a internacionalização do país. Em 2006 o FRES mereceu a atenção e o respeito de quem nos leu e acompanhou, temos disso prova.

Acima de tudo partilhámos conhecimentos e usufruímos dos ensinamentos que de todos brotaram, de acordo com as suas sensibilidades e experiências. Partilhámos, no fundo, esta propriedade intelectual que nos valoriza e faz crescer como cidadãos conscientes.

Façamos votos para que 2007 seja pelo menos tão profícuo em ideias e iniciativas como este que agora termina e que tenhamos a ousadia, coragem e capacidade para produzir e desenvolver novas ideias e projectos tão valorosos como os que iniciámos e terminámos em 2006. O céu pode ser o limite da nossa criatividade.

"Se não intervirmos e desistirmos, falhámos".

A Direcção do FRES

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Novas Recomendações da OCDE


São concretas e radicais, algumas delas, mas certamente vêm romper com hábitos perniciosos instalados e colmatar algumas falhas do sistema. Mas exige-se sentido critico de tudo isto.

Em síntese eis algumas das recomendações mais relevantes:

i) Universidades passem a ser Fundações, garantindo o Estado parte do financiamento, mas a sua gestão feita de acordo com o modelo do sector privado. Uma forma de responsabilizar as instituições de ensino dando-lhes autonomia financeira e administrativa mas exigindo-lhes resultados como o sucesso dos seus alunos. Não merece discussão esta última parte.

ii) Professores fora da função pública. Aí está uma forma de se dar o passo para se gerir as instituições numa óptima privada. Poderemos ter uma gestão segundo um modelo privado sem retirar, obrigatoriamente, os professores do sector público, desde que responsabilizados pelo seu trabalho e resultados.

iii) Duplicar, a longo prazo, o valor das propinas, passando estas de 17% do custo real de formação do aluno para 40%. Significa reduzir o peso do financiamento do Estado no ensino superior. Ajuda ao deficit orçamental da função pública.

iv) Reitores das universidades escolhidos por concurso público e eleitos por prazo não superior a dez anos. Há em Portugal a imagem de uma liderança e gestão fracas. Em muitos casos sabemos que é a pura verdade. Há insensibilidade na gestão, incompetência e lobby académico instalado.

v) Participação da sociedade civil (sempre) na elaboração de um quadro regulatório e de qualificações exigidas de modo a se saber que tipo de diplomado o mercado procura. Nada mais correcto. A sociedade civil somos todos nós, contribuintes, estudantes e pais de estudantes. O FRES.

vi) Defesa de um crescimento no investimento do Estado no ensino superior de modo a estimular os níveis de frequência universitária. Portugal tem um nível de despesa pública de 1,04% do PIB no ensino terciário, um pouco abaixo da média da UE15 mas muito abaixo de países como a Finlândia, Dinamarca e Suécia (the shinning cases).

vii) Cada instituição deverá recorrer a uma maioria de elementos externos nos órgãos de governo da instituição. Mas quem? Políticos? Com que qualificações e experiência de gestão? Atenção a este aspecto.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Recomendações da OCDE "Olhares da Educação 2006"

Dizia o relatório da OCDE de Setembro de 2006, designado por “Olhares da educação 2006” que Portugal continua a ser o país membro desta Organização em que a população activa passa menos anos na escola. Os portugueses têm uma média de anos de escolaridade de 8,5 anos, menos 3,5 anos que a média da população dos países da OCDE. Em média, a população portuguesa não consegue sequer cumprir a escolaridade obrigatória.

Segundo este mesmo relatório, apenas 13% da população activa tem licenciatura, menos de metade do indicador dos países referidos acima. No entanto é no ensino secundário que o atraso é maior: apenas 25% dos portugueses têm este nível de ensino, quase três vezes menos que a média da população da OCDE. As perguntas a formular são: como é que vamos lá chegar? Como vamos com eles competir?

Tendo os piores índices de qualificação dos 31 países analisados, isto significa maiores dificuldades de obter bons salários, melhor emprego, dificuldades em atingir maior competitividade e registar menor crescimento económico. Prova disto, diz o estudo, é que o aumento das qualificações significa descida do desemprego pois 84% da população que atingiu o ensino superior está empregada. Bom, mas entre nós é sabido que temos demasiados licenciados no desemprego, razão pela qual este rácio não nos deve satisfazer. O país necessita francamente de manter empregada uma população altamente qualificada, quanto a isso não há discussão.

Diz igualmente a OCDE neste relatório que o investimento por aluno no ensino superior em Portugal representa menos um terço que a média dos países da Organização (5.315 euros por ano). Pudera, gastámos demais em auto-estradas para alimentar o lóbi construtor e o do poder local. No ensino secundário a média de investimento por aluno desceu para 4.801 euros estando ligeiramente abaixo da média da OCDE que é de 5.485 euros. Mas não só de valores monetários se deve fazer o ensino. Importa é a qualidade do mesmo. Deve merecer reflexão o facto de, segundo o PISA (relatório internacional que avalia o desempenho dos alunos de 15 anos a Matemática) menos de 1% dos estudantes portugueses conseguir realizar problemas complexos, quando comparados com 8% na Finlândia.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Um nome a reter

Nasceu numa família de agricultores pobres. Eram seis irmãos que dormiam todos numa divisão de uma pequeníssima casa. Mas havia alegria e criatividade na escassez.

AC detestava a rotina, vivia distraído, desconcentrado, desligado da realidade das dificuldades dos pais que contrastavam com a grandeza dos seus sonhos. O pai tinha um problema cardíaco. AC sonhou ser médico e também cientista. Desejava descobrir coisas que ninguém pesquisara, desvendar enigmas ocultos. Estes sonhos contrastavam com a pouca vontade de estar na escola.

AC era sociável e afectivo mas claramente irresponsável. Gostava de festas e poucos compromissos. Tinha um amigo com o qual fazia serenatas de madrugada com um violão, mas as raparigas nunca acendiam a luz do quarto porque nem ele nem o amigo sabiam tocar e o som era péssimo.

Chegou um momento em que AC deixou de brincar com a vida e resolveu levá-la a sério. Estudava mais de 12 horas por dia para entrar na faculdade de Medicina. No início tinha vertigens e sentia-se tonto mas a palavra desistir não existia no seu dicionário. Entrou na faculdade de Medicina.

Na faculdade, parecia um jovem alienado. Não tinha boa memória, mas tinha uma apurada capacidade de observação e um desejo de criar coisas originais. Por vezes discordava dos professores. Era crítico, tinha coragem para pensar e ousadia para ser diferente.

Entre o segundo e terceiro ano da faculdade teve uma depressão. Era a última coisa que todos pensavam que ele poderia ter. Com medo de não ser compreendido, escondeu a sua crise de amigos e íntimos. Na entendia o que era uma depressão, só que sentia uma profunda tristeza e aperto no peito. Sentia-se isolado.

AC percebeu que estava a sufocar o seu sonho de ser cientista e de ajudar a humanidade e foi isso que o fez empreender uma luta interior, em vez de se conformar. AC descobriu que “quando o mundo nos abandona, a solidão é superável, mas, quando nós mesmos nos abandonamos, a solidão é quase insuperável”.

Com este acidente, AC tornou-se um grande observador de si próprio. Desenvolveu uma técnica psico-terapêutica revolucionária (a mesa redonda do eu) e saiu da depressão mais forte, humilde e compreensivo. Os seu sonhos voltaram e cresceram. Descobriu que “a dor nos pode destruir ou construir. Ele preferiu usá-la para se construir”.

AC descobriu que treinar o “eu” para ser líder de si mesmo é fundamental para a saúde psíquica e deparou-se com o paradoxo do sistema social – “que ser humano é esse que governa o mundo exterior mas é frágil para governar o mundo psíquico?” Quando AC se tornou psiquiatra passou a aplicar as técnicas que desenvolveu neste momento. “Todo o ser humano tem um poder intelectual represado sob os destroços das suas dificuldades, perdas, doenças e actividade profissional. Felizes os que os libertam.”

AC casou-se ainda estudante e passou dificuldades financeiras. Depois de terminar o curso, procurou uma faculdade e um cientísta para expor as suas ideias – foi humilhado. Procurou noutra faculdade e ao revelar que a sua tese não tinha tido orientador foi ainda mais humilhado. Mal sabiam que ele escrevera de maneira diferente da que lhe tinham ensinado. Ao tentar publicar os seus estudos, nem sequer obteve resposta das editoras.

Voltou à psiquiatria clínica e ajudou muitas pessoas. Facilmente se destacava em todo o lado e a ascensão social foi meteórica. Tinha espaço nos media que fazia inveja a muitos políticos e alcançou um status superior ao das pessoas que antes o haviam rejeitado.

No entanto, percebeu que precisava fazer uma difícil escolha, entre a fama e o sonho de produzir ciência. Resolveu abandonar a fama. Ninguém o apoiou, a não ser a mulher.

Saíu de São Paulo e foi para o interior. Construiu a sua clínica e casa numa mata. Começou tudo de novo. Por vezes entrava um cobra no consultório e AC aproveitava para incentivar o paciente a controlar as suas emoções. De novo encontrou o sucesso no seio dos seus pacientes.

Intensificou a produção científica, passou a escrever cerca de trinta horas por semana e a dar menos consultas. Teve três filhas. A tese parecia interminável. Após quase 3 mil páginas e quase vinte anos, AC terminou finalmente a sua tese. Era uma tese muito complexa e mesmo os mais aptos académicos teriam dificuldade em compreendê-la. Após inúmeras tentativas de publicação do texto, finalmente uma grande editora resolveu apostar no projecto. Foi um fracasso de vendas pois ninguém compreendera os textos. AC não desistiu e optou por democratizar as suas descobertas através de livros simples de divulgação científica. Resolveu começar de forma ousada – publicou um texto em que analisava a personalidade e inteligência de Jesus Cristo. O livro foi um sucesso estrondoso. Ao todo foram 5 livros sobre o tema.

Esta é a história de Augusto Cury, um famoso psiquiatra e cientista brasileiro. O sonho de AC começou a tomar forma no caos de uma depressão, atravessou fracassos, experimentou rejeições e tornou-se por fim realidade. Mais de um milhão de pessoas lêem os seus livros todos os anos só no Brasil. Estão publicados em mais de quarenta países e estão a ser adoptados em diversas faculdades de Psicologia, Sociologia, Educação, Direito e são usados em diversas teses de mestrado e doutoramento em vários países como Espanha, Portugal, Cuba e Brasil. A sua Teoria da Inteligência Multifocal está a ser estudada em pós-graduações e vários profissionais estão a especializar-se na aplicação e expansão das suas ideias.

(O texto em cima foi extraído e adaptado do livro “Nunca desista dos seus sonhos” de Augusto Cury)

Augusto Cury é um exemplo de perseverança e atitude positiva. A maioria de nós teria desistido e ter-se-ia acomodado à sua sorte perante uma porção dos obstáculos que AC enfrentou.

Lembro-me de um conceito de "sorte" que ouvi no seio de um encontro de empreendedores - a sorte existe na confluência da oportunidade e da preparação. Acredito que a receita ficaria mais completa se lhe acrescentassemos uma pitada de iniciativa.

Que diferença faria se a perseverança fosse ensinada na escola, entre outras competências, hoje identificadas como facilitadoras do sucesso (para que cada um de nós consiga optimizar e concretizar o seu potencial), da comunicação eficaz (pedra basilar da vida em sociedade e da produtividade do trabalho) e da liderança (potenciadora do sucesso individual e colectivo).

Para uma abordagem inteligente à escola e à educação em geral, não podemos ignorar o trabalho de Augusto Cury - Vale a pena lêr “Pais brilhantes, Professores fascinantes”, só para começar.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Ainda a propósito do Prémio Nobel da Paz - A dimensão económica do microcrédito

(Artigo publicado no Semanário Económico)

Os princípios e as experiências inerentes ao conceito do microcrédito, representam uma abordagem contrária aos princípios do crédito bancário tradicional. A criação e desenvolvimento deste conceito, destinava-se a ajudar os mais pobres e desfavorecidos a obter o apoio financeiro necessário à criação de um projecto, desenvolvimento de uma actividade, empresarial ou comercial, em pequena escala, quer a título individual ou colectivo, como forma de subsistência e até de elevação humana. A essência do microcrédito assenta, por isso, em princípios e práticas inovadoras ainda que contrárias à actividade bancária desenvolvida nos países mais avançados e ao conceito do crédito segundo o modelo mais ortodoxo.

A dimensão social do microcrédito é reforçada pelo facto de, na sua génese, ter sido dirigido principalmente às mulheres, dado que, nas sociedades mais antigas, foram desde sempre estas as responsáveis pela gestão dos meios de subsistência da família. Prova disto é o facto de 95% dos actuais 3.12 milhões de beneficiários do microcrédito concedidos pelo Grameen Bank, serem mulheres.

A experiência do microcrédito, criada e desenvolvida há 21 anos no Bangladesh através do Grameen Bank por Muhammad Yunus, então professor de economia, é actualmente um conceito de crédito aplicado em mais de 60 países em todos os continentes, ainda que estas experiências sejam adaptadas localmente em função das características sociais, económicas e demográficas dos seus beneficiários, adoptando até diferentes designações. Em todo o caso importa referir que, seja qual for o modelo sob o qual este conceito seja aplicado, estamos perante uma actividade bancária lucrativa, através da qual se empresta dinheiro e se cobram juros e não perante acções de solidariedade social. O que é neste caso assinalável é o facto de 99% dos empréstimos concedidos, por exemplo, pelo Grameen Bank, apresentarem um retorno nos prazos e condições acordadas.

Em Portugal, a filosofia do microcrédito é desenvolvida pela ANDC – Associação Nacional do Direito ao Crédito. A Missão da ANDC é, segundo a própria, definida como “ o desenvolvimento de uma actividade que facilite a concessão de crédito a pessoas que não têm acesso ao crédito bancário, mas que querem desenvolver uma actividade económica concreta, para a qual reúnem condições e capacidades pessoais, de modo a que possam contrair esses empréstimos para esse fim junto dos bancos”.
Esta associação tem actualmente 304 sócios, dos quais cerca de 95% são particulares sendo os restantes 5% empresas e instituições de solidariedade social, desenvolvimento regional, ou formação profissional entre outras. Em cinco anos permitiu a concessão de 310 empréstimos que criaram 396 empregos, tendo o valor acumulado dos empréstimos atingido 1.298.674 EUR ( dados da própria ANDC).

A actividade desta associação só tem sido possível devido à colaboração e parceria obtidas junto de um conjunto de instituições activas no combate à pobreza, exclusão social e desemprego. Entre estas instituições encontram-se associações para o desenvolvimento e formação profissional, misericórdias, centros sociais e paroquiais, associações de acção social e familiar, fundações, autarquias e outros organismos públicos. A estas instituições a ANDC solicita a identificação de potenciais micro-empresários e o seu encaminhamento para os seus serviços.

Para o crescimento e sucesso da ANDC é essencial o reforço da colaboração com um maior número de instituições como as já referidas, para além de novos protocolos com diversas entidades bancárias, o que garantirá o crescimento do número de projectos financiados e da criação de emprego, o que, para além disto, representará uma maior partilha de risco. É de salientar que o primeiro ( e julgamos único) protocolo estabelecido pela ANDC com a banca, foi concretizado com o BCP.

Um outro aspecto relevante para a actividade do microcrédito desenvolvido pela ANDC diz respeito à necessidade de reforço do Fundo de Garantia que actualmente apresenta ainda valores pouco significativos. Em face disto seria importante a obtenção de um crescimento acentuado do numero de sócios institucionais, os quais poderiam contribuir positivamente para o reforço deste Fundo. Neste capítulo, o desenvolvimento de uma estratégia de Marketing e comunicação, divulgando a ANDC, poderá ser um veículo importante para atingir este objectivo.

Para melhor entendermos o papel que o microcrédito pode desempenhar em Portugal, basta analisar a estrutura do tecido empresarial do país. Este é constituído essencialmente por PME, as quais representam 99.5% do total das empresas nacionais, num universo de perto de 1.2 milhões de empresas, das quais cerca de três quartos estão constituídas sob a forma de empresários em nome individual ( isto é cerca de 900 mil empresas). Acresce a isto as conclusões obtidas através de um estudo apresentado pelo comissário europeu para as empresas, Erkki Liikanen, as quais indicaram que cerca de dois terços da população portuguesa pretende trabalhar por conta própria, o que nos leva também a concluir que não restam dúvidas quanto à tendência nacional para o individualismo em termos profissionais, bem como à reduzida dimensão dos negócios em Portugal. Ora este é sem dúvida um mercado de elevado potencial para o microcrédito.

Neste cenário o papel da ANDC como promotora do microcrédito poderá ser essencial para ajudar a revitalizar a iniciativa individual e o espírito empresarial, o que potencia o crescimento económico e reforça a competitividade. Este projecto é tanto mais relevante quanto poderá ser implementado não só ao nível do microcrédito comercial mas também no âmbito agrícola, o que certamente constituirá um instrumento de apoio importante para os pequenos empresários agrícolas em Portugal. Neste quadro, será determinante para a ANDC o estabelecimento de protocolos de cooperação junto de entidades como o IEFP ou Ministério do Trabalho, pela sua possível intervenção ao nível da criação de emprego, ou até junto de novas ONG´s que actuem no âmbito do desenvolvimento económico e social.

quinta-feira, novembro 09, 2006

A Propósito do Prémio Nobel da Paz - A dimensão social do microcrédito

(artigo publicado no Vida Económica)

Não é novo o conceito económico do microcrédito. Nasceu no Bangladesh há quase duas décadas pela inspiração e determinação de Muhammad Yunus, então professor de economia na Universidade de Chittagong.
Tratando-se de uma abordagem diferente do conceito de crédito bancário, é criado e desenvolvido numa óptica inversa à filosofia tradicional das práticas bancárias. Dirigido aos pobres e mais desfavorecidos como os desempregados, desocupados e, fundamentalmente, às mulheres, uma vez que nas sociedades tradicionais sempre foram elas as responsáveis pela gestão dos meios de subsistência da família, procurou sempre servir pessoas que, apesar de não apresentarem qualificações suficientes para se enquadrarem no mercado competitivo de trabalho, nalguns casos porque nunca lhes foi dada essa oportunidade, possuem no entanto talentos, saberes, aptidões ou conhecimentos que lhes permita desenvolver uma actividade produtiva em pequena escala quer a título individual quer colectivo.

Actualmente, este conceito está reproduzido em todos os continentes e por mais de 60 países tanto do mundo desenvolvido como em vias de desenvolvimento. Exemplo próximo da realidade portuguesa é a existência da Associação Nacional de Direito ao Crédito, entidade que desenvolve no nosso país programas de microcrédito para os mais desfavorecidos, apoiando financeiramente pessoas com ideias, tornando assim viáveis pequenos projectos de pessoas talentosas e permitindo-lhes desenvolver uma actividade económica de forma digna, introduzindo essas pessoas no sistema económico, que de outra forma estariam em situação de marginalização.

Para além de representar uma diferente filosofia relativa ao crédito, um outro principio está inerente à actividade do microcrédito, pelo menos entre os seus defensores e praticantes, que é o facto de considerar o acesso ao crédito como um Direito do Homem ( ideia desde sempre defendida por Muhammad Yunus). Este principio está ligado a um outro que defende que a condução da ciência económica deve estar orientada por uma consciência social, uma vez que, segundo a filosofia do microcrédito, o indivíduo não pode ter definido à partida o seu papel económico e social na comunidade onde está inserido, apenas em função da sua condição económica derivada do nascimento. Como ser pobre não é sinónimo de ser incapaz, à ciência económica cabe o papel de “cuidar” daqueles que, por razões diversas, não atingiram um estatuto social suficiente para garantir os seus próprios meios de subsistência sem a ajuda de terceiros. O microcrédito poderá ajudar a cumprir este papel.

A essência deste novo conceito inverte o sentido, sendo mesmo contrário, aos princípios e práticas da actividade bancária tal qual a conhecemos e entendemos nas sociedades ocidentais desenvolvidas e mesmo entre a maioria das sociedades modernas do mundo actual. Porque, como afirmou o professor Yunus, considera que o crédito significa confiança; porque os destinatários do microcrédito não têm condições para oferecer quaisquer tipo de garantias; porque o crescimento, desenvolvimento e internacionalização da actividade bancária tradicional, ocorreu tendo como base uma plataforma de desconfiança entre os intervenientes no negócio, desconfiança essa suprida apenas pela criação de produtos complexos para cobertura de riscos, elevadas contrapartidas e novas formas de garantia dos riscos de crédito.

A prova do sucesso deste conceito é dada pelo próprio Grameen Bank, criado por Yunus no Bangladesh, primeira instituição bancária no mundo a desenvolver os programas do microcrédito, o qual apresenta um nível de reembolso/retorno do crédito concedido, na ordem dos 98%.

É pois possível estabelecer uma ligação e paralelismo entre a prática do microcrédito, no âmbito da actividade bancária, com uma nova cultura empresarial, que se ocupa dos aspectos inerentes à dimensão social das empresas: a Economia de Comunhão.

Este último conceito, assente na cultura do dar e partilhar, conduz a acção das empresas a um novo principio de gestão empresarial, mais solidária, tanto mais que este principio defende a partilha do lucro não só para o crescimento e enriquecimento da própria empresa e dos empresários, mas também pelos indivíduos mais pobres e necessitados da sua comunidade envolvente, na procura de um “homem novo”, capaz de por em prática e divulgar esta filosofia, através da qual as relações económicas e empresariais assentam na reciprocidade e confiança.
A banca e o microcrédito, as empresas e a filosofia de gestão empresarial de partilha, são duas faces da mesma moeda. Ambos os conceitos representam uma nova dimensão social da economia, uma nova direcção para a ciência económica, cujo objectivo é servir o Homem, ainda que de forma racional, mas no entanto mais solidária.

sábado, novembro 04, 2006

Alunos e ratos na primária

Jornal Expresso em de 28 de Outubro

"Falta de espaços de recreio, ratos a passearem nos corredores, ausência de casas de banho e de cantinas, é a realidade com que convivem, diáriamente, milhares de crianças do ensino básico em Lisboa."

"Na EB 68 da Penha de França, os painéis de azulejos antigos que revestem as paredes estão parcialmente danificados, a instalação eléctrica é primária e as canalizações já há muito perderam o seu prazo de validade. Encarregados de educação dizem que, durante o inverno, o frio entra por todo o lado e muitas das crianças têm de usar luvas nas aulas para aquecer as mãos."

"Mais de metade da rede escolar do 1º ciclo do ensino básico, frequentado por cerca de 20 mil crianças, encontra-se em situação similar".

" Uma parte substancial das instalações escolares tem mais de 60 anos sendo necessário um investimento nunca inferior a 30 milhões de euros"

"Não é admissível que as crianças tenham que conviver com ratos nas escolas ou ir à casa de banho do café porque a sua escola não tem um WC"

Afinal, não é unicamente o sistema de educação da Índia que, como vimos, revela carências ao nível das infra estruturas básicas. Infelizmente parece que também no nosso próprio canto revelamos graves carências.

Saberemos quantificar o impacto que isto terá no aproveitamento escolar? Alguém terá tido essa preocupação? E se acontecer aos nossos filhos?

quarta-feira, novembro 01, 2006

6º Encontro do FRES


Momento da apresentação do sistema de educação da Alemanha por João Mateus. O debate alargado viria de seguida.

6º Encontro do FRES


Henrique Abreu faz a sua apresentação sobre o sistema de educação da Islândia merecendo da audiência a atenção desta, a qual foi sempre muito interveniente.

6º Encontro do FRES


Momentos da apresentação do sistema de educação da India após a Islândia. O debate ocorrerá no final das apresentações.