Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

quarta-feira, abril 01, 2015

Empreendedorismo emocional, engenharia social ou inteligência financeira?


Por ter-me recordado que o post «Emotional entrepreneurship, social engineering or financial intelligence?» granjeou alguma perplexidade ao peixe lá de casa, impõe-se a clarificação de eventuais mal-entendidos. Enquanto estava a elaborar o post, constatei que o animal tentava imobilizar-se junto à parte do aquário mais alinhada com o ecrã do computador. O pequenito ser fixava a sua soberba atenção, fazendo um enorme esforço, quase sobre-humano, para decifrar o que eu estava a escrever.

Assim, como forma de reconhecimento dos seus comentários (silenciosos mas transparentes) quanto ao dúbio alcance do texto, passo a publicar uma versão na língua portuguesa. Faço isso com a convicção de aquele observador fiel e assertivo não se inquietar com dúvidas de interpretação, e assim poder confirmar com os seus próprios olhos que aquilo que eu escrevera em nada o afeta. Eis o post traduzido especialmente para o meu amigo de sete barbatanas.

O núcleo fresiano da lógica coloca a seguinte questão: quais as diferenças significativas entre empreendedorismo emocional, engenharia social e inteligência financeira? Não há uma resposta única e consensual. Para algumas pessoas os três conceitos são tão perfeitamente claros e imiscíveis como os conceitos de empreendedorismo financeiro, engenharia emocional e inteligência social, ou como os de empreendedorismo social, engenharia financeira e inteligência emocional.

Há 177.147 (3^11) possibilidades diferentes para caracterizar empreendedorismo emocional, e outras tantas para traduzir quer engenharia social, quer inteligência financeira. Sublinhe-se que o mesmo número existe para os casos do empreendedorismo financeiro, da engenharia emocional e da inteligência social, bem como para as situações (mais conhecidas e) relacionadas com o empreendedorismo social, a engenharia financeira e a inteligência emocional.

Só para calcorrear os inúmeros cenários de cada uma dessas nove pomposas expressões é preciso gastar 51 dias de forma contínua – sem qualquer segundo para pausa –, na condição de se despender pelo menos 25 segundos de leitura minimamente calma para tentar apreendê-las. Por se tratar de áreas vastas e complexas, convém apresentar algumas das suas múltiplas abordagens. Nos três parágrafos seguintes constam outras tantas hipóteses de redação para efeitos dos sub-ramos científicos relacionados com o título deste post.

O empreendedorismo de jaez emocional compreende o estudo dos fenómenos da obtenção de sinergias, imprescindíveis para impulsionar a eficiência, o que possibilita reconstituir tempestivamente a confiança nos vetores intrínsecos ao leque dos intervenientes. Para além disso, consegue dar pleno cumprimento aos objetivos estratégicos traçados. A nova realidade clama por um paradigma inovador, cujo output é fulcral para definir o posicionamento desejável.

A engenharia de natureza social inclui o aprofundamento dos problemas da otimização de resultados, essenciais para fomentar a responsabilização, permitindo assim assegurar de forma decisiva a resiliência da dinâmica dos agentes pró-ativos. Por outro lado, permite fazer face às restrições impostas pela atual conjuntura. A análise programática demonstra a teoria de que o caminho a seguir excede os melhores cenários traçados.

A inteligência de índole financeira abarca o conjunto dos princípios da redução de riscos, fundamentais para promover o conhecimento, e também impreteríveis para alcançar o equilíbrio de todos os elementos da cadeia do processo. Adicionalmente possibilita gerir as oportunidades que afetam o enquadramento em que os agentes operam. A experiência aumenta a credibilidade dos resultados, a qual revela o êxito das opções tomadas.

As 177 mil possibilidades acima referidas são um subconjunto das 1.594.323 (3^13) hipóteses possíveis. Este número resulta da análise combinatória da informação constante do quadro seguinte. Os elementos estão divididos em três colunas e 13 linhas. Assim, tratando-se de arranjos com repetição, verifica-se a existência de 531.441 definições de empreendedorismo e, como supramencionado, de 177.147 de empreendedorismo social. Os mesmos números de cenários existem, respetivamente, para a engenharia – social, emocional e financeira – e, em concreto, para a engenharia financeira, bem como para a inteligência – também financeira, social e emocional – e, em especial, para a inteligência emocional.



Portanto, assumindo a capacidade infinita de um computador conseguir ler e pronunciar cada definição durante 25 segundos, sem períodos de descanso nem qualquer pausa entre elas, seria apenas exigido que houvesse energia elétrica ininterrupta para 461 dias, ou seja, para aproximadamente 15 meses. Se alguém desafiar a leitura e for mais lesto ao ponto de reduzir a cadência da soletração – e porventura a própria compreensão, se assim se pode designar – de 25 para 19,78 segundos, poupavam-se 96 dias de energia, pelo que será necessário somente um ano para percorrer o conjunto total das possibilidades.


Em resumo: as ideias eloquentes associadas ao empreendedorismo emocional podem ser aplicadas com semelhante acuidade e rigor se se adotar o exercício à engenharia social e à inteligência financeira. O empreendedorismo emocional, conjugado com a engenharia social, fomenta a inteligência financeira, tal como o empreendedorismo financeiro requer a engenharia emocional para atingir a inteligência social, do mesmo modo que o empreendedorismo social é a planta que, regada com a engenharia financeira, brota o fruto da inteligência emocional. Todos diferentes e todos iguais.

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