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«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

sexta-feira, março 20, 2015

Eclipses dos sistemas de pensamento



Dependendo do capricho das nuvens que passarem pelo nosso território, hoje de manhã poderá observar-se um eclipse solar, período em que a Lua ocultará parcial e momentaneamente a Terra para segredar com o Sol. Eis portanto a altura ideal para refletir acerca doutro tipo de eclipses relativos à comunicação encoberta ou desfocada em função da densidade das nuvens. Trata-se dos (bastante mais regulares) eclipses dos sistemas de pensamento que, como a designação destes sistemas evidencia, envolve a suprema energia, a mais sumptuosa e universal de todas: o pensamento.

O brilho que orienta – e sustenta – os sistemas de pensamento oriunda dos feixes luminosos emitidos quer isolada quer agrupadamente. Há vários tipos de feixes isolados, designadamente: alinhados, neutrais e não-alinhados. Sobre a luz que dimana do grupo de feixes – e que por sua vez deriva do aproveitamento dos feixes isolados –, ela pode segmentar-se em três partes: a luz institucional propriamente dita; a luz interna, iridescência libertada na sequência da atividade dos feixes grupais; e a coluz (ou co-luz, segundo o anterior acordo ortográfico), à guisa da coautoria de energias resultantes da conjugação de diferentes raios.

Adiante-se que os mencionados feixes isolados podem ser exclusivos ou partilhados, na aceção de que são difundidos para um único sistema, ou na perspetiva de que iluminam mais do que um sistema, respetivamente. O quadro seguinte apresenta, de forma quantitativa, um exemplo real referente à origem da difusão de luz natural – por oposição à luz artificial – intrínseca aos sistemas de pensamento.



A cintilação dominante (74%) é projetada pelos feixes alinhados e neutrais. Por provirem de qualquer celestino ponto, seja da esquerda, do centro ou da direita, eles constituem o Sol dos sistemas de pensamento. Por seu turno, os feixes não-alinhados correspondem a 23% do total de luz natural, e caracterizam-se por uma menor diversidade de emissão, porquanto têm origem entre o centro-esquerda e o centro-direita dos planos espaciais. Consistem nos raios lucilantes, representando o brilho invisível durante o dia mas fundamental para guiar os pensadores ao longo da noite, não apenas na fase fácil da lua cheia.

Associando o Sol criador aos feixes alinhados e neutrais, e a Lua vulgar (ou a Lucina misteriosa) aos não-alinhados, os remanescentes e exíguos 3% de luz encontram-se adstritos ao grupo de feixes – i.e., à luz institucional, à luz interna e à coluz. São resíduos brilhantes que residem na Terra, a qual capta os raios consoante, por um lado, a posição dela face ao Sol e à Lua e, por outro, a distância entre estes dois astros. Para além disso, é através da superfície e da atmosfera terrestres que se propaga a energia necessária à regeneração dos feixes isolados.

Cada luminosidade incorpora a sua especificidade. Quando, no decurso de impulsos internos naturais, ou em resultado de forças externas artificiais, os vários conjuntos de luzes ficam alinhados, ocorrem os eclipses. Um deles, o eclipse lunar dos feixes não-alinhados – deveras conhecido no domínio dos sistemas de pensamento –, surge quando o grupo de feixes se coloca entre os raios não-alinhados e os raios alinhados e neutrais. É salutar este género de eclipses, desde que os acontecimentos sejam relativamente episódicos, ou melhor, desde que os eclipses derivem de impulsos internos aos sistemas e não de forças externas.

Acaso se tente condicionar o ciclo implícito dos impulsos internos e impor uma dinâmica anormal das forças externas, todos os astros deixam de funcionar normalmente. Aos feixes grupais – que contribuem tão-só com 3% do universo de luz natural, conforme explicitado –, cumpre assumirem a sua imaterialidade e reconhecerem que o seu peso cintilante somente poderá aumentar se for respeitada a relação melodiosa entre os feixes alinhados, neutrais e não-alinhados.

Na relação melodiosa atrás identificada, há raios alinhados que passam a neutrais, e vice-versa. Existem raios neutrais que se transformam em não-alinhados, e o contrário verifica-se igualmente; assim como há registo de raios alinhados que se convertem em não-alinhados, e o inverso também ocorre. A dinâmica do grupo de feixes depende da intensidade adequada dos raios isolados que o compõem, bem como da gestão harmoniosa da luz e do brilho provindos de todas as orientações e idades. Os raios não-alinhados são tão úteis como os alinhados e os neutrais. No processo de produção e difusão de energia, não há uns (não-alinhados) e os outros; todos têm o seu genético código luminoso.

Os feixes grupais traduzem sempre a honesta imagem bicípite do que forem os dois conjuntos de feixes isolados. Toda a energia que os grupos aspirem a ter e se situe acima da resultante de ações luminosas normais – ações normais, mas por inerência fugazes e ténues – reveste-se dum alarido fantasiado que inevitavelmente redundará em eclipses de pensamento prolongados que acabarão por afetar ou até impedir a produção de energia natural e renovável.

Travando-se a luta contra as trevas no reduto da luz artificial, se a Terra se arrostar com a Lua, perderão todos os feixes, isolados ou agrupados. Quando a luminária formal dos mecanismos artificiais pretende impor-se, coagindo a diminuição da cadência normal das metamorfoses, como se o dia depusesse ou apagasse a noite, a articulação de forças altera-se e os feixes neutrais deixam de se coligar aos feixes alinhados. Note-se que a produção e a difusão luminosas dos feixes neutrais não são minoritárias; o seu volume é assaz semelhante ao dos feixes alinhados.

Se bem que a Lua não disponha de brilho próprio – tal como não dispõe a Terra – e aquele que transmite durante a noite provenha do reflexo do Sol, o seu papel de regulação e renovação do pensamento em Terra é insubstituível. A Lua beneficia dos raios solares, é um facto; mas se estes a desvalorizarem, então inevitavelmente sairão reforçadas as relações entre o satélite lunar e as inúmeras estrelas que, apesar de distantes a anos-luz, são bem mais duradouras do que o Sol. Além disso, convém nunca escamotear que é muito mais difícil alimentar o dia do que a noite, pelo que, se se andar sonolento durante o dia, as trevas do dia sucumbirão ante a claridade da noite.

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