Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

domingo, dezembro 21, 2014

Noites da escuridão



O inverno acabou de aterrar e veio passar as Festas connosco. Como bons anfitriões que devemos ser, dêmos‑lhe as boas‑vindas. Em vésperas do Natal não nos esqueçamos das noites da escuridão altamente inflamáveis. No meio do breu, convém que cada pessoa, cada família, cada povo desvende a sua escuridão. Ontem à noite, na sequência duma acalorada abordagem familiar, constatei que as trevas são permanentes: no lar, no trabalho, na sociedade.
Muitas vezes a cegueira é menos grave do que a surdez. Porque a palavra é fugaz e a escuridão é duradoura; porque a escuridão é um buraco negro que vive dentro de nós ou nos rodeia, e por isso absorve tudo, incluindo a própria luz; e porque a escuridão mantém‑se acesa de geração em geração, de dinastia em dinastia, de república em república, decidi redigir a ata da conversa.


Noite escura que releva
O archote da vaidade
A vaidade nada leva
Cresce o vício que invade

Sacrifício sem afã
Brilho despido de Sol
Variável amanhã
Agarrado a um anzol

Futuro incerto na cor
Na aurora descoberto
O dia há de propor
Com incerteza decerto

Terra e Lua separadas
Negro futuro - dirão
Vozes de luz ignoradas
Luz de vozes sem razão


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