Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

quarta-feira, outubro 01, 2014

Petróleo, dinheiro e povo




O petróleo é o detergente universal que lava tudo: os princípios morais, os valores cívicos, a memória, a democracia e até o próprio dinheiro, o outro supremo poder. Conquista o universo inteiro, e com um infinito cheiro ousa o verbo corromper. É a lógica vincada do petróleo a seu bel-prazer. Porém o dinheiro – que não nasceu para ser segundo – tal lógica contraria. Ultraja este e qualquer mundo. No meio da fé abunda, do cimo ao fundo; e um vasto mar de lágrimas cria.

O povo assiste à luta titânica entre os dois primaciais poderes e concomitantemente sonha com a equidade, a paz e demais utopias. Contudo pouca pressão exerce para travar a luta. Sabe que é judas da felicidade, pois vira a cara à maldade e somente alimenta as fantasias. Muitas almas ebrifestivas não têm consciência que os teólogos agiotas do petróleo, do dinheiro e do pensamento dominam a sociedade, enquanto as restantes, apesar de conscientes, resignam-se e deixam passar os políticos idiotas que incentivam as batotas e poluem a verdade.

O petróleo não pestaneja. Está ciente que qualquer um deseja dominá-lo, mas que escassas vidas conseguem tamanho dote – apenas as que foram bafejadas pelo acaso do Criador. Apesar de o petóleo alastrar as trevas e fomentar a injustiça, quase todos perseguem os seus ígneos pecados. O dinheiro engalfinha-se e prontamente riposta com a sua vil dignidade. Afirma com arroubo e altivez que também compra moral, virtude e tudo o mais, e simultaneamente cultiva ódios e guerras. Reconhece que o branqueiam com alguns petrolíferos sais, só que ele – o dinheiro –, utilizando estratégias tais, impera em quaisquer terras, independentemente de o ouro aí existente ser negro ou de diferente cor já lavada.

Decerto que, face à força dos senhores do mando, o impávido povo adorava tanto alcançar a aura da revolta na sua alma. Seguramente ansiava ver os seus irmãos acordar e a coragem inflamar. Todavia é o egoísmo mordaz e crónico que o acalma. Ante tamanha incongruência entre a vontade duvidosa e a omissão convicta, o observador mais crítico comprovará que, mesmo o povo de honraria, nem honra dá ao seu honesto lanço. Minado de opulência e mania, contra a total tirania o Zé do Planeta é um animal soçobrado e manso. Ele é fundamental para perpetuar o tripé; caso contrário a dicefalia do poder desmoronava-se e o monstro sucumbia inanido.

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