Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

quarta-feira, março 12, 2014

Se Abril mandasse


Se Abril mandasse, cremava o ADN do medo. A hombridade ordenava, sem piedade ou enredo. Alimentava toda a plebe com coragem. Do suserano tratava; mas mais do vassalo e do pajem. Espalhava a cada gente o bom senso - quem o tem não piorava; para os outros era consenso. Acabava com a ignorância maciça. Nem aos pobres tolerava o cultivo de injustiça.

Se mandasse, transformava o respeito em religião. A cobiça arrasava, para o rumo certo da Nação. Não faltava a livre oportunidade. Ensinava a quem falhava, caso mostrasse vontade. Sepultava a injúria, o tormento. Apenas solidão dava a quem semeia lamento. Entregava, aos que pensam ter muralhas, pão de cenoura e de fava, para lutarem por migalhas.

Se Abril mandasse, tapava o Sol àquele que o quer só para si; enchia de luz o anzol; e limpava as toxinas daqui. Instituía o eterno fim da ganância - motivo de galhardia e festa de extravagância. Abolia a inveja e a preguiça. Os egoístas despia da vil raiz que enfeitiça. Explodia a ideia fria e dura; e os destroços protegia com a lápide mais escura.

Se mandasse, impedia alterar a Natureza. Espontaneamente havia o civismo e a franqueza. Cobria a vida de felicidade. Terminava com a alegria dos podres da sociedade. Escravizava quem corrompe e se reveza. Num mar de trevas deitava quem nosso povo despreza. Então taxava as vãs mentes seguidistas - são a venenosa lava das depenadas conquistas.

Se Abril mandasse, ocultava o nascimento de aldrabões. Os intrujas misturava à vergonha - mas com grilhões. Abril não parava; vencia-os - zapetrape. Para os despachar aumentava a velocidade de escape. Se mandasse, decretava o dever de honra e verdade. Desta órbita tirava quem fere a honestidade. Afastava políticos sem valores. Longe, para o espaço os lançava, junto com os ladrões doutores.

Enfim: se Abril mandasse, propagava as ondas duma revolta. À Física se aliava e criava a reviravolta.

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