Fórum de Reflexão Económica e Social

«Se não interviermos e desistirmos, falhamos»

terça-feira, dezembro 31, 2013

(Re)petições linguísticas ou (re)petiçones lhenguísticas?

Ls debates al redror de l nuobo acuordo – Acuordo Ourtográfico de 1990 (AO 90) – teiman an cuntinar na orde de l die. Parece me que tal se prende quier cun questones lhenguísticas propiamente ditas, quier cun fa(c)tores emotibos, políticos i culturales. Ne l meio de tanta relutáncia an relaçon àquele acuordo, ye lhegítimo propor que se fágan dues petiçones públicas adicionales (a la que fui antregue hai meses na Assemblé de la República para requerer la zbinculaçon de Pertual al acuordo): eilebar l mirandés la purmeira lhéngua oufecial; i fazer un referendo para saber se la segunda debe ser l pertués pré ó l pós AO 90.

Perdoem‑me os concidadãos que sabem mirandês, por este atrevimento e por ter aproveitado tão honesta língua para outro efeito que não o da sua genuína promoção. Utilizei o tradutor disponível na Internet, tendo escolhido a opção do subdiale(c)to centro‑setentrional.

Os debates à volta do novo acordo – Acordo Ortográfico de 1990 (AO 90) – teimam em continuar na ordem do dia. Parece‑me que tal se prende quer com questões linguísticas propriamente ditas, quer com fa(c)tores emotivos, políticos e culturais. No meio de tanta relutância em relação àquele acordo, é legítimo propor que se façam duas petições públicas adicionais (à que foi entregue há meses na Assembleia da República para requerer a desvinculação de Portugal ao acordo): elevar o mirandês a primeira língua oficial, e fazer um referendo para saber se a segunda deve ser o português pré ou o pós‑AO 90.

Apesar de ser leigo na matéria, ouso afirmar que, mesmo reconhecendo algumas imperfeições que o novo acordo contém, é deveras benéfico para a língua lusitana, a quinta mundialmente mais falada. Talvez estivéssemos melhor se o nosso Estado pudesse delegar a terceiros o seu dever constitucional de defender o uso e promover a difusão internacional da língua portuguesa – alínea f) do artigo 9.º da Constituição da República Portuguesa.

A ironia da última frase de cada um dos parágrafos anteriores serve para reforçar a opinião de que outros países teriam engenho bastante para o(p)timizar – terceira palavra (entre as quase quinhentas constantes dos seis parágrafos deste post escritos em português) modificada à luz do novo acordo ortográfico – tamanho património imaterial que herdámos. Para além disso, entendo que não é com exacerbado conservadorismo que se defende o futuro da língua portuguesa mas antes com espírito de abertura e universalidade, no fundo os valores que resultam das ideias do Padre António Vieira e do Fernando Pessoa, figuras proeminentes evocadas pelos opositores do AO 90.

Arrisco‑me a avançar que, ao contrário do que os opositores proferem, os dois vultos da cultura portuguesa atrás mencionados subscreveriam um acordo que espalhasse ainda mais a língua‑pátria pelo Mundo e simultaneamente ligasse gente de diferentes raças e credos. Creio não ser sacrilégio considerar que a uniformização do português é uma forma eficaz e adaptada aos tempos modernos de concretizar o Quinto Império do visionário Padre António Vieira, bem como uma via para se cumprir Portugal, eloquente desejo do intemporal Fernando Pessoa. Se a utilização do AO 90 for presidida pelos critérios da boa vontade e do respeito mútuo entre os países da lusofonia, contribuirá certamente para a coesão e o fortalecimento das relações entre os povos e o seu bem comum.

O documento em anexo é o reflexo de uma análise diversificada – portanto, mais do que linguística – do AO 90. Penso que deve ser lido pelos parlamentares que no início de 2014 irão discutir e votar em sessão plenária o projeto de resolução e a petição sobre o acordo em apreço.

David Dinis

4 comentários:

Mário Feliciano disse...

Tirando o facto de mais nenhum país usar o malfadado acordo, claro... No senado brasileiro simplesmente remeteram-no para as calendas. Ou seja, Portugal mais uma vez se vergou humilhantemente perante vontades alheias, quando afinal nenhum dos outros vai aplicar o acordo que subscreveu. Este acordo, além de aberrante, é uma vergonha para Portugal!

Mário Feliciano disse...

E o que ainda ninguém conseguiu explicar é porquê em quê é que este Aborto Ortográfico é benéfico para a língua portuguesa. E talvez as mentes brilhantes que tão brilhante Aborto expeliram devessem tentar explicar porque é que países como a Espanha, França ou Inglaterra (certamente muito mais atrasados que nós...) não têm acordo nenhum com os outros falantes do mesmo idioma, apresentando dezenas de variantes ao origina, nem parece que estejam muito preocupados com isso...

Mário Feliciano disse...

E o que ainda ninguém conseguiu explicar é porquê em quê é que este Aborto Ortográfico é benéfico para a língua portuguesa. E talvez as mentes brilhantes que tão brilhante Aborto expeliram devessem tentar explicar porque é que países como a Espanha, França ou Inglaterra (certamente muito mais atrasados que nós...) não têm acordo nenhum com os outros falantes do mesmo idioma, apresentando dezenas de variantes ao origina, nem parece que estejam muito preocupados com isso...

Anónimo disse...

A uniformização do Português? Mas qual uniformização, senhores...? Abram os olhos, sff.